Arquivo do mês: julho 2018

A história da Sistemática: Plantas no Systema Naturae, 1758 (Parte 8)

por Piter Kehoma Boll

Esta é a última parte do sistema de classificação de plantas de Linnaeus lidando com plantas com flores (veja partes 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7) e apresenta três classes compostas por plantas que contêm mais de um tipo de flor. A última parte do sistema (parte 9) lidará com plantas sem flores.

21. Monoecia (“casa única”)

“Maridos habitam com mulheres na mesma casa, mas num quarto diferente”, isto é, órgãos masculinos e femininos ocorrem na mesma planta, mas em flores diferentes.

21.1 Monoecia Monandria (“casa única, marido único”), flores masculinas com um único estame: Zannichellia (capins-chifrudos), Ceratocarpus (frutos-chifres), Hippomane (mancenilheiras), Cynomorium (polegar-do-deserto).

21.2 Monoecia Diandria (“casa única, dois maridos”), flores masculinas com dois estames: Lemna (lentilhas-d’água).

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O capim-chifrudo (Zanichellia palustris), esquerda), a mancinelheira (Hippomane mancinella), centro-esquerda) e o polegar-do-deserto (Cynomorium coccineum, centro-direita) eram classificados na ordem Monoecia Monandria, enquanto a lentilha-d’água-comum (Lemna minor, direita) era classificda na ordem Monoecia Diandria. Créditos a Yu Ito (capim-chifrudo), Hans Hillewaert (mancinelheira, polegar-do-deserto), e usuário do Wikimedia 3268zauber (lentilha-d’água).

21.3 Monoecia Triandria (“casa única, três machos”), flores masculinas com três estames: Typha (taboas), Sparganium (espadanas), Zea (milho), Tripsacum (guatemalas), Coix (lágrima-de-Jó), Olyra (carricilo), Carex (carriços), Axyris (ervas-de-porco), Omphalea (umbigueiros), Tragia (urtigas-de-nariz), Hernandia (hernândias), Phyllanthus (quebra-pedras, sarandis e outros).

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A ordem Monoecia Triandria incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a taboa-comum (Typha latifólia), a espadana-delgada (Sparganium erectum), o milho (Zea mays), a guatemala-comum (Tripsacum dactyloides), a lágrima-de-Jó (Coix lacryma-jobi), o carricilo (Olyra latifolia), o carriço-cravo (Carex panicea), umbigueiro-da-Jamaica (Ophalea triandra), urtiga-de-nariz-da-Índia (Tragia involucrata), quebra-pedra-comum (Phyllanthus urinaria). Créditos a H. Zell (milho), Mason Brock (guatemala), Alex Popovkin (carricilo), Kristian Peters (carriço), e usuários do Wikimedia AnRo002 (taboa), Hugo.arg (espadana), Vinayaraj (lágrima-de-Jó, urtiga-de-nariz), Carstor (umbigueiro) e Atsuko-y (quebra-pedra).

21.4 Monoecia Tetrandria (“casa única, quatro machos”), flores masculinas com quatro estames: Betula (bétulas e amieiros), Buxus (buxo), Urtica (urtigas), Morus (amoreiras).

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A bétula-anã (Betula nana, esquerda), o buxo-comum (Buxus sempervirens, centro-esquerda), a urtiga-comum (Urtica dioica) e a amoreira-negra (Morus nigra, direita) eram classificados na ordem Monoecia Tetrandria. Créditos a Uwe H. Friese (urtiga), Fritz Geller-Grimm (amoreira) e usuários do Wikimedia El Grafo (bétula) e Abrimaal (buxo).

21.5 Monoecia Pentandria (“casa única, cinco machos”), flores masculinas com cinco estames: Xanthium (carrapichos), Ambrosia (carpineiras), Parthenium (losnas-brancas), Iva (velhos-do-banhado), Amaranthus (carurus).

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O carrapicho-grande (Xanthium strumarium), esquerda), a carpineira-comum (Ambrosia artemisiifolia, centro-esquerda), a losna-branca-americana (Parthenium integrifolium, centro), o velho-do-banhado-anual (Iva annua) e o caruru-espinho (Amaranthus spinosus) eram parte da ordem Monoecia Pentandria. Créditos a Javier Martin (carrapicho), Meneerke Bloem (carpineira), Krzysztof Ziarnek (losna-branca), e Forest & Kim Starr (caruru).

21.6 Monoecia Hexandria (“casa única, seis machos”), flores masculinas com seis estames: Zizania (arroz-bravo), Pharus (capim-de-talo), Solandra (uma espécie de identificação duvidosa).

21.7 Monoecia Heptandria (“casa única, sete machos”), flores masculinas com sete estames: Guettarda (gardênia-da-praia).

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O arroz-bravo (Zizania aquatica, esquerda) e o capim-de-talo-largo (Pharus latifolius, centro) estavam alocados na ordem Monoecia Hexandria, enquanto a gardência-da-praia (Guettarda speciosa, direita) estava na ordem Monoecia Heptandria. Créditos a Michael Wolf (arroz-bravo), Alex Popovkin (capim-de-talo) e Cas Liber (gardênia-da-praia).

21.8 Monoecia Polyandria (“casa única, muitos machos”), flores masculinas com muitos estames: Ceratophyllum (rabos-de-raposa), Myriophyllum (pinheirinhas-d’água), Sagittaria (sagitárias), Theligonum (repolho-de-cão), Poterium (ervas-da-faca), Quercus (carvalhos), Juglans (nogueiras), Fagus (faias e castanheiras), Carpinus (carpinos), Corylus (avelaneiras), Platanus (plátanos), Liquidambar (liquidâmbares).

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Linnaeus incluiu na ordem Monoecia Polyandria (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o rabo-de-raposa-comum (Ceratophyllum demersum), pinheirinha-d’água-verticilada (Myriophyllum verticillatum), sagitária-comum (Sagittaria sagittifolia), carvalho-comum (Quercus robus), nogueira-comum (Juglans regia), faia-comum (Fagus sylvatica), carpino-comum (Carpinus betulus), avelaneira-comum (Corylus avellana), plátano-oriental (Platanus orientalis) e liquidâmbar-americano (Liquidambar styraciflua). Créditos a Christian Fischer (rabo-de-raposa, sagitária), Piotr Panek (pinheirinha-d’água), Krzysztof Ziarnek (carvalho), H. Zell (nogueira), Franz Xaver (carpino), André Karwath (avelã), Dimitar Nàydenov (plátano), Kurt Stueber (liquidâmbar) e usuário do Wikimedia Der Michels (faia).

21.9 Monoecia Monadelphia (“casa única, irmãos únicos”), flores masculinas com estamens fundidos em uma estrutura única pelos seus filamentos: Pinus (pinhos, lariços espruces e abetos), Thuja (tuias), Cupressus (ciprestes), Acalypha (acalifas), Croton (crótons), Jatropha (pinhões), Ricinus (mamonas), Sterculia (chichá), Plukenetia (amendoeira-inca), Hura (açacu).

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A ordem Monoecia Monadelphia incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o pinho-da-Suíça (Pinus cembra), a tuia-ocidental (Thuja occidentalis), o cipreste-do-Mediterrâneo (Cupressus sempervirens), a acalifa-da-Índia (Acalypha indica), o cróton-de-jardim (Croton variegatus, agora Codiaeum variegatum), o pinhão-roxo (Jatropha gossypifolia), a mamona (Ricinus communis), o chichá-fedorento (Sterculia foetida), a amendoeira-inca (Plukenetia volubilis) e o açacu (Hura crepitans). Créditos a Wouter Hagens (tuia), J. M. Garg (acalifa, cróton, pinhão), Martina Nolte (mamona), Raju Kasambe (chichá), Hans Hillewart (açacu) e usuários do Wikimedia Moroder (pinho), Philmarin (cipreste) e NusHub (amendoeira-inca).

21.10 Monoecia Syngenesia (“casa única, mesma geração”), flores masculinas com estames unidos formando um cilindro: Trichosanthes (cabaças-de-cobra), Momordica (melão-de-São-Caetano e lufas), Cucurbita (morangas, abóboras, porongos, melacia), Cucumis (melões, pepinos), Bryonia (briônias), Sicyos (melão-estrela).

21.11 Monoecia Gynandria (“casa única, marido feminino”), flores masculinas com estames fundidos ao pistilo (estéril): Andrachne (andracne).

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A ordem Monoecia Syngenesia inclui (da esquerda para a direita) a cabaça-de-cobra (Trichosanthes cucumerina), melão-de-São-Caetano (Momordica charantia), abóbora (Cucurbita pepo), pepino (Cucumis sativus), briônia-branca (Bryonia alba) e o melão-estrela-pequeno (Sicyos angulatus). Já a ordem Monoecia Gynandria incluía a andracne-comum (Andrachne telephioides, direita). Créditos a Florian Wickern (abóbora), H. Zell (pepino), Robert H. Mohlenbrock (melão-estrela), Vojtĕch Zavadil (andracne), usuário do flickr tanakawho (cabaça-de-cobra) e usuários do Wikimedia Prenn (melão-de-são-caetano) e Sannse (briônia).

22. Dioecia (“duas casas”)

“Maridos e mulheres vivem em quartos e casas diferentes”, isto é, órgãos masculinos e femininos ocorrem em flores diferentes e em plantas diferentes.

22.1 Dioecia Monandria (“duas casas, macho único”), flores masculinas com um único estame: Najas (náiades).

22.2 Dioecia Diandria (“duas casas, dois machos”), flores masculinas com dois estames: Vallisneria (valisnérias), Cecropia (embaúba), Salix (salgueiros).

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A ordem Dioecia Monandria incluía uma única espécie, a náiade-espinhosa (Najas marina, esquerda). A ordem Dioecia Diandria incluía a valisnéria-comum (Vallisneria spiralis, centro-esquerda), a embaúba (Cecropia peltata, centro-direita) e o salgueiro-chorão (Salix babylonica, direita). Créditos a Stefan Lefnaer (náiade), Ori Fragman-Sapir (valisnéria), e usuários do Wikimedia Cmales (embaúba) e Viaouest (salgueiro).

22.3 Dioecia Triandria (“duas casas, três machos”), flores masculinas com três estames: Empetrum (camarinhas), Osyris (osire), Excoecaria (mangue-de-cego).

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A camarinha-negra (Empetrum nigrum), esquerda), a osire (Osyris alba, centro), e o mangue-de-cego (Excoecaria agallocha, direita) eram parte da ordem Dioecia Triandria. Créditos a Krzysztof Ziarnek (camarinha), Hans Hillewaert (osire) e usuário Vengolis do Wikimedia (mangue-de-cego).

22.4 Dioecia Tetrandria (“duas casas, quatro machos”), flores masculinas com quatro estames: Trophis (trofe), Batis (manhã-do-mar), Viscum (viscos), Hippophae (cambroeiros-da-praia), Myrica (samoucos).

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A manhã-do-mar (Batis maritima, esquerda), o visco-comum (Viscum album, centro-esquerda), o cambroeiro-da-praia-comum (Hippophae rhamnoides, centro-direita) e o samouco-de-brabante (Myrica gale, direita) compunham a ordem Dioecia Tetrandria. Créditos a Forest & Kim Starr (manhã-do-mar), Karunakar Rayker (cambroeiro-da-praia), Sten Porse (samouco) e usuário AnRo0002 do Wikimedia (visco).

22.5 Dioecia Pentandria (“duas casas, cinco machos”), flores masculinas com cinco estames: Pistacia (pistaches e lentiscos), Zanthoxylum (mamicas), Ceratonia (alfarrobeira), Iresine (iresine), Antidesma (hinembila), Spinacia (espinafre), Acnida (cânhamo-d’água), Cannabis (cânhamo), Humulus (lúpulo), Zanonia (zanônia), Fevillea (andiroba).

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A ordem Dioecia Pentandria incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o pistache (Pistacia vera), a mamica-de-loba (Zanthoxylum clava-herculis), a alfarrobeira (Ceratonia siliqua), a iresine (Iresine celosia, agora Iresine diffusa), o espinafre (Spinacia oleracea), o cânhamo (Cannabis sativa), o lúpulo-comum (Humulus lupulus), a zanônia (Zanonia indica) e a andiroba-de-rama (Fevillea cordifolia). Créditos a Franz Xaver (iresine), Dinesh Valke (cânhamo), Fritz Geller-Grimm (lúpulo), P. Acevedo (andiroba), e usuários do Wikimedia NAEINSUN (pistache), Rickjpelleg (alfarrobeira), Rasbak (espinafre) e Vinayaraj (zanônia).

22.6 Dioecia Hexandria (“duas casas, seis machos”), flores masculinas com seis estames: Tamus (arrebenta-boi), Smilax (salsaparrilhas), Rajania (rajânias), Dioscorea (carás).

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Linnaeus incluiu o arrebenta-boi (Tamus communis, agora Dioscorea communis, esquerda), a salsaparrilha-comum (Smilax aspera, centro) e o cará-do-ar (Dioscorea bulbifera) na ordem Dioecia Hexandria. Créditos a Alan Fryer (arrebenta-boi), Carsten Niehaus (salsaparrilha) e Dinesh Valke (cará).

22.7 Dioecia Octandria (“duas casas, oito machos”), flores masculinas com oito estames: Populus (choupos e álamos), Rhodiola (raiz-de-ouro).

22.8 Dioecia Enneandria (“duas casas, nove machos”), flores masculinas com nove estames: Mercurialis (mercuriais), Hydrocharis (nacos-de-rã).

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A ordem Dioecia Octandria incluía o choupo-tremedor (Populus tremula, esquerda) e a raiz-de-ouro (Rhodiola rosea, centro-esquerda). Já a ordem Dioecia Enneandria incluía o mercurial-de-cão (Mercurialis perennis, centro-direita) e o naco-de-rã (Hydrocharis morsus-ranae, direita). Créditos a usuários do Wikimedia AnRo0002 (choupo), Amazonia Exotics U.K (raiz-de-ouro), BerndH (mercurial) e Salicyna (naco-de-rã).

22.9 Dioecia Decandria (“duas casas, dez machos”), flores masculinas com dez estames: Carica (mamoeiro), Kiggelaria (pêssego-bravo), Coriaria (coriárias), Datisca (datiscas).

22.10 Dioecia Polyandria (“duas casas, muitos machos”), flores masculinas com muitos estames: Cliffortia (clifórtia).

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A ordem Dioecia Decandria incluía (da esquerda para a direita) o mamoeiro (Carica papaya), o pêssego-bravo (Kiggelaria africana), o sansá (Coriaria ruscifolia) e a datisca-asiática (Datisca cannabina). Já a clifórtia-pontuda (Cliffortia ruscifolia, direita) era um dos poucos membros da ordem Dioecia Polyandria. Créditos a Vijayan Rajapuram (mamoeiro), Franz Xaver (sansá), H. Zell (datisca) e usuários do Wikimedia JMK (pêssego-bravo) e Dwergenpaartje (clifórtia).

22.11 Dioecia Monadelphia (“duas casas, irmãos únicos”), flores masculinas com estamens fundidos em uma estrutura única pelos seus filamentos: Juniperus (juníperos ou sabinas), Taxus (teixos), Ephedra (efedras), Cissampelos (orelha-de-onça), Adelia (adélias).

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Entre os membros da ordem Dioecia Monadelphia havia (da esquerda para a direita) a sabina-das-praias (Juniperus phoenicea), o teixo-europeu (Taxus baccata), a efedra-comum (Ephedra distachya) e a orelha-de-onça (Cissampelos pareira). Créditos a Isidre Blanc (sabina), Didier Descouens (teixo), Dinesh Valke (orelha-de-onça) e usuário do Wikimedia Le.Loup.Gris (efedra).

22.12 Dioecia Syngenesia (“duas casas, mesma geração”), flores masculinas com estames unidos formando um cilindro: Ruscus (gilbardeiras e louro-dos-poetas).

22.13 Dioecia Gynandria (“duas casas, marido feminino”), flores masculinas com estames fundidos ao pistilo (estéril): Clutia (relampagueiras).

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A gilbardeira-comum (Ruscus aculeatus, esquerda) estava na ordem Dioecia Syngenesia, e a relampagueira (Clutia pulchella, direita) estava na ordem Dioecia Gynandria. Créditos a Fritz Geller-Grimm (gilbardeira) e usuário JMK do Wikimedia (relampagueira).

23. Polygamia (“muitos casamentos”)

“Maridos com esposas, assim como solteiros, vivem juntos em quartos diferentes”, isto é, há flores hermafroditas, assim como flores unicamente masculinas ou unicamente femininas na mesma espécie.

23.1 Polygamia Monoecia (“muitos casamentos, casa única”), flores hermafroditas ocorrem na mesma planta em que ocorrem flores unicamente masculinas ou unicamente femininas: Musa (bananeiras), Ophioxylon (pimenta-do-diabo), Celtis (lódãos), Veratrum (heléboros-falsos), Andropogon (gramões, jaraguazões, barbadouros, capins-limões, entre outros), Holcus (capins-moles, capins-elefantes, sorgos, entre outros), Apluda (grama-de-Maurício), Ischaemum (capins-moreias), Cenchrus (esporas-da-areia), Aegilops (trigos-de-perdiz), Valantia (valâncias), Parietaria (parietárias), Atriplex (oraches), Dalechampia (dalechâmpias), Clusia (clúsias), Acer (bordos), Begonia (begônias), Mimosa (mimosas, maricás, ingás, manjeriobas, angicos, entre outros).

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A diversa ordem Polygamia Monoecia incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a bananeira (Musa paradisíaca, atualmente Musa × paradisíaca, um híbrido), a pimenta-do-diabo (Ophioxylon serpentinum, agora Rauvolfia serpentina), o lódão-bastardo (Celtis australis), o heléboro-branco (Veratrum álbum), o gramão-vassoura (Andropogon virginicus), o capim-mole-rasteiro (Holcus mollis), a grama-de-Maurício (<Apluda mutica), o capim-moreia-comum (Ischaemum aristatum), a espora-da-areia-comum (Cenchrus echinatus), o trigo-de-perdiz-barbado (Aegilops triuncialis), a valância-dos-muros (Valantia muralis), a parietária-ereta (Parietaria officinalis), a orache-de-jardim (Atriplex hortensis), a dalechâmpia-comum (Dalechampia scandens), a clúsia-menor (Clusia minor), o bordo-vermelho (Acer rubrum), a begônia-das-Antilhas (Begonia obliqua) e a sensitiva (Mimosa pudica). Créditos a Franz Xaver (bananeira), H. Zell (pimenta-do-diabo), Krish Dulal (lódão), Hedwig Storch (heléboro-branco), Harry Rose (gramão), Krzysztof Ziarnek (capim-mole), J. M. Garg (grama-de-maurício), Javier Martin (trigo-de-perdiz), Radio Tonreg (parietária), Stefan Lefnaer (orache), David J. Stang (clúsia), Yercaud Elango (begônia), usuário doflickr Macleay Grass Man (espora-da-areia), e usuários do Wikimedia Keisotyo (capim-moreia), Aroche (valância), Aniprina (dalechâmpia), Famartin (bordo) e Werner1122 (sensitiva).

23.2 Polygamia Dioecia (“muitos casamentos, duas casas”), flores hermafroditas e flores unicamente masculinas ou unicamente femininas ocorrem em plantas separadas: Gleditsia (espinheiros), Fraxinus (freixos), Diospyros (caquizeiros), Nyssa (tupelo), Anthospermum (antospermo), Arctopus (pé-de-urso), Pisonia (pisônias), Panax (ginseng).

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Na ordem Polygamia Dioecia, Linnaeus incluiu (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o espinheiro-da-Virgínia (Gleditsia triacanthos), o freixo-comum (Fraxinus excelsior), o caquizeiro-americano (Diospyros virginiana), o tupelo-d’água (Nyssa aquatica, o pé-de-urso (Arctopus echinatus), a pisônia-espinhenta (Pisonia aculeata) e o ginseng (Panax quinquefolius). Créditos a Andrew Butko (espinheiro), Donar Reiskoffer (freixo), Dinesh Valke (caquizeiro), Winfried Bruenken (pé-de-urso), Alex Popvkin (pisônia), Dan J. Pittillo (ginseng) e usuário do Flickr lucianvenutian (tupelo).

23.3 Polygamia Trioecia (“muitos casamentos, três casas”), há plantas apenas com flores masculinas, outras apenas com flores femininas e outras com flores tanto masculinas quanto femininas: Ficus (figueiras).

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A ordem Polygamia Trioecia incluía apenas o gênero Ficus, com espécies como a figueira-comum (Ficus carica, esquerda) e a figueira-sagrada (Ficus religiosa, direita). Créditos ao usuário do Flickr INRA DIST (figueira-comum) e ao usuário do Wikimedia Amada44 (figueira-sagrada).

Ao classificar todas as plantas com flores de diferentes sexualidades em três classes, Linnaeus fez uma bagunça grande. Geralmente podemos ver ao menos um vago padrão em direção ao que foi posteriormente descoberto ser filogeneticamente verdadeiro em outros grupos, mas é difícil encontrar algo que ainda seja relevante hoje em dia aqui.

Nós só precisamos de mais uma parte e finalmente teremos concluído o sistema de Linnaeus!

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Referência:

Linnaeus, C. (1758) Systema Naturae per regna tria Naturae…

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Arquivado em Botânica, Sistemática, Taxonomia

Sexta Selvagem: Grilo-da-mata

por Piter Kehoma Boll

Sempre é legal olhar para as espécies extravagantes, incomuns e extremas do nosso mundo, mas também é bom conhecer sobre as criaturinhas mais comuns que vivem em torno de nós. Assim, hoje vamos falar sobre um inseto encontrado na Europa Ocidental, Central e Meridional, bem como no Norte da África, o grilo-da-mata, Nemobius sylvestris.

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Um grilo-da-mata macho. Foto de Piet Spaans.*

O grilo-da-mata é um grilo pequeno, atingindo cerca de 1 cm de comprimento. Ele não voa e os machos possuem apenas um par de asas anteriores que atingem metade do abdome, enquanto as fêmeas não possuem asa nenhuma. Vivendo na serapilheira, especialmente próximo à borda da floresta, o grilo-da-mata se alimenta de matéria vegetal em decomposição e fungos crescendo nela.

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Uma fêmea sem asas. Foto de Gilles San Martin.**

Durante a estação de acasalamento, os machos atraem as fêmeas por estridulação (“cantando”) e então as presenteiam com um espermatóforo, isto é, um saco cheio de esperma, o qual prendem à abertura genital da fêmea. Às vezes, antes de transferir o espermatóforo grande (chamado macroespermatóforo) para a fêmea, o macho transfere um espermatóforo menor (chamado microespermatóforo) que não contém esperma. A fêmea come o microespermatóoforo e então aceita o macroespermatóforo, comendo-o também alguns minutos depois de ele estar conectado a ela. O macho geralmente persegue a fêmea, às vezes empurrando-a com a cabeça, aparentemente para prevenir que ela coma o espermatóforo cedo demais, já que isso reduziria as chances de fertilização.

As fêmeas parecem realmente gostar de comer espermatóforos. Às vezes elas também “lambem” as asas do macho enquanto eles acasalam, como se pensasse “isso parece delicioso”. Meio bizonho, não é?

Apesar de ser uma espécie comum na Europa, o grilo-da-mata é raro no Reino Unido, tendo apenas poucas populações isoladas conhecidas. Como resultado, ele é considerado uma espécie preocupante para a conservação nesse país, um status que invertebrados raramente adquirem no mundo, infelizmente.

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Referências:

Brouwers, N. C.; Newton, A. C. (2009) Habitat requirements for the conservation of wood cricket (Nemobius sylvestris) (Orthoptera: Gryllidae) on the Isle of Wight, UKJournal of Insect Conservation13(5): 529–541.

Brouwers, N. C.; Newton, A. C. (2010) Movement analyses of wood cricket (Nemobius sylvestris) (Orthoptera: Gryllidae)Bulletin of Entomological Research (2010) 100, 623–634.

Prokop, P.; Maxwell, M. R. (2008) Interactions Between Multiple Forms of Nuptial Feeding in the Wood Cricket Nemobius sylvestris (Bosc): Dual Spermatophores and Male ForewingsEthology 114: 1173–1182.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.5 Genérica.

**Creative Commons License
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Sexta Selvagem: Jarro-titã

por Piter Kehoma Boll

A espécie de hoje é outra estrela do reino das plantas e você provavelmente já ouviu falar dela antes. Crescendo nas florestas chuvosas de Sumatra e Java, esta espécie possui uma inflorescência gigante e emite um aroma de carne podre, algumas vezes sendo chamada de flor-cadáver, mas não a confunda com outra flor gigante com cheiro de carne podre que ocorre no mesmo lugar, a flor-cadáver Rafflesia arnoldi já apresentada aqui alguns anos atrás.

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A inflorescência gigante do jarro-titã. Foto do usuário Rhododendrites do Wikimedia.*

O nome da espécie de hoje é Amorphophallus titanum, que literalmente significa algo como “pênis sem forma gigante”. O nome pode não agradar muitas audiências, assim o naturalista e documentarista David Attenborough cunhou o nome popular “titan arum” em inglês, que costuma ser adaptado como “jarro-titã” em português.

O jarro-titã pertence à família Araceae, a mesma que inclui algumas plantas populares de jardim como o antúrio. É a planta com a maior inflorescência não ramificada do mundo. A estrutura gigante não é uma flor única, mas uma inflorescência gigante chamada espádice que contém muitas flores pequenas e é rodeada por uma única folha com jeitão de pétala chamada espata. Na maior parte das espécies de Araceae, o espádice inteiro contém flores, mas no jarro-titã elas estão presentes em dois anéis na base, um anel superior de flores masculinas e um inferior de flores femininas. A maior parte do espádice é somente um apêndice gigante e oco.

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Flores masculinas (acima) e femininas (abaixo) vistas através de um corte da espata. Foto do usuário Rosetta do Wikimedia.**

A inflorescência do jarro-titã pode chegar a 3 metros de altura. Ela emite uma fragrância que lembra o cheiro de carne apodrecendo e atrai polinizadores, que incluem besouros e moscas que comem carniça. Na verdade o odor muda durante a abertura e maturação da inflorescência, mas sempre lembra algo em decomposição. Quando a espata está abrindo, o cheiro é mais parecido com o de frutas podres, algumas horas depois mudando para um cheiro de ovo podre e depois para um verdadeiro cheiro de carne podre. Durante esta última fase, a temperatura da inflorescência aumenta, chegando a 36°C, mais ou menos a mesma temperatura de um mamífero, e isso é considerado como uma provável característica adicional para simular a aparência de carne apodrecendo. Adicionalmente, a superfície interna da espata possui uma cor entre roxo e vermelho-escuro que também lembra carne apodrecendo.

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A folha gigante e única do jarro-titã. Foto de Emőke Dénes.*

Como muitas espécies de flores ou inflorescências gigantes, o jarro-tiã não é uma espécie muito folhosa. Enquanto a inflorescência está crescendo e abrindo, a planta não possui nenhuma folha. Depois que a inflorescência morre e os frutos são produzidos, uma única folha começa a crescer a partir do cormo subterrâneo (um caule que funciona como órgão de reserva) e chega ao tamanho de uma pequena árvore. O cormo, como tudo nessa espécie, também é gigante, sendo o maior cormo conhecido no mundo, geralmente atingindo cerca de 50 kg, mas alguns espécimes em jardins botânicos vão além de 100 kg depois de alguns anos.

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O cormo gigante do jarro-titã. Foto do usuário Georgialh do Wikimedia.*

O jarro-titã é realmente uma das espécies mais notáveis do nosso planeta, não concorda?

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Referências:

Korotkova, N.; Barthlott, W. (2009) On the thermogenesis of the Titan arum (Amorphophallus titanum). Plant Signaling & Behavior, 4(11): 1096–1098.

Shirasu, M.; Fujioka, K.; Kakishima, S.; Nagai, S.; Tomizawa, Y.; Tsukaya, H.; Murata, J.; Manome, Y.; Touhara, K. (2010) Chemical identity of a rotting animal-like odor emitted from the inflorescence of the titan arum (Amorphophallus titanum). Bioscience, Biotechnology and Biochemistry 74(12): 2550–2554.

Wikipedia. Amorphophallus titanum. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Amorphophallus_titanum >. Acesso em 14 de junho de 2018.

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Ter poucas fêmeas transforma jabutis machos em estupradores

por Piter Kehoma Boll

A guerra entre os sexos e os infindáveis conflitos que resultam disso são um tema comum em pesquisa comportamental e evolutiva e já  foi discutida aqui várias vezes.

Como sabemos bem, até mesmo por exemplos de nossa própria espécie, os machos raramente são bons pais, estando mais interessados em produzir tantos descendentes quanto possível com pouco esforço. As fêmeas, por outro lado, devido ao seu grande investimento em ovos (e geralmente outros recursos para a prole) são mais seletivas e não aceitam qualquer macho para acasalar.

Uma das soluções mais comuns para machos resolverem este conflito sexual é por copulação forçada, ou estupro como é chamado quando acontece com a nossa espécie. Às vezes essa copulação forçada é extrema, com machos deixando as fêmeas muito machucadas para fazê-las se renderem. Uma destas espécies violentas é o jabuti-de-Hermann, Testudo hermanni, um jabuti encontrado pelas áreas mediterrâneas da Europa.

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“Vou te dar um trato, sua safada!”. Esta foto de um macho jovem tentando montar numa fêmea adulta pode parecer engraçada, mas o sexo não é divertido para jabutis fêmeas. Foto do usuário Palauenco5 do Wikimedia.*

Copulação forçada é muito mais comum em espécies em que os machos são maiores e mais fortes que as fêmeas. Este não é o caso com jabutis, mas os machos de jabuti-de-Hermann encontraram uma forma de lidar com isso. Eles perseguem as fêmeas, às vezes por horas, empurrando-as, mordendo-as, às vezes ao ponto de fazê-las sangrarem, e eventualmente as pobres fêmeas se entregam. Também é comum que os machos “estimulem” a cloaca da fêmea com suas caudas pontudas, o que resulta numa cloaca inchada e às vezes em ferimentos sérios que deixam as fêmeas com cicatrizes e deformidades horríveis. Sim, não é uma face bonita da natureza.

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A cauda de um macho. Photo do usuário Bizarria do Wikimedia.**

Um estudo recente com duas populações de jabuti-de-Hermann na Macedônia revelou que a agressividade dos machos está relacionada com a disponibilidade de fêmeas. O grupo de pesquisadores estudou uma população em que a razão fêmea:macho era perto de 1:1 e outra com um número extremamente maior de machos ao ponto de haver uma fêmea para cada 17,5 machos.

Os resultados indicaram que na população mais balanceada a cópula forçada era menos comum e geralmente apenas fêmeas adultas apresentavam ferimentos causados por machos, enquanto que na população com mais machos a falta de fêmeas levou os machos a enlouquecerem ao ponto de forçar a cópula até com fêmeas imaturas. A situação como um todo é claramente maladaptativa, á que as fêmeas acabam feridas e os machos exaustos e nenhuma prole é gerada.

Eu só consigo ver duas saídas possíveis para uma população assim: ou fêmeas mais resistentes serão selecionadas ou a população vai se tornar extinta depois que todas as fêmeas morrerem por violência masculina.

Como podemos ver, conflito sexual é um desses efeitos colaterais deletérios que a seleção natural criou. Afinal ninguém é perfeito, nem mesmo as leis fundamentais da vida.

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Referência:

Golubović, A.; Arsovski, D.; Tomović, L.; Bonnet, X. (2018) Is sexual brutality maladaptive under high population density? Biological Journal of the Linnean Society 124(3): 394–402. https://doi.org/10.1093/biolinnean/bly057

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