Arquivo do mês: dezembro 2016

Novas Espécies: 21 a 31 de dezembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 21 a 31 de dezembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

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Tosanoides obama é uma nova espécie de peixe havaiano nomeada em homenagem ao presidente dos EUA, Barack Obama.

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Esponjas

Platelmintos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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Sexta Selvagem: Selaginela-Pavão

por Piter Kehoma Boll

Esta é a última Sexta Selvagem do ano e para ela eu decidi escolher uma bela e pouco conhecida planta, a selaginela-pavão, mais comumente conhecida como selaginela-de-Willdenow ou samambaia-pavão, e cientificamente conhecida como Selaginella willdenowii.

A característica mais impressionante desta espécie é a iridescência azul de suas folhas, a qual pode ser bem intensa dependendo da luz refletindo nela. A cor azul é causada por uma camada muito fina de células na cutícula superior das folhas que produz uma interferência de filme fino, um fenômeno como o que faz uma bolha de sabão parecer colorida.

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Veja o quão azul ela consegue ficar! Foto de Bernard Dupont.*

A selaginela-pavão é nativa do sudeste da Ásia, mais precisamente da região em torno de Cingapura, e é adaptada a áreas de extrema sombra. A iridescência azul, portanto, é uma adaptação para refletir a forte luz solar que pode atingir a planta através de aberturas no dossel.

Algumas culturas asiáticas usam a selaginela-pavão na medicina tradicional e estudos demonstraram que a planta possui importantes propriedades antioxidantes. Então por que não provar um chá azul iridescente?

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Referências:

Chai, Tsun-Thai, & Wong, Fai-Chu (2012). Antioxidant properties of aqueous extracts of Selaginella willdenowii Journal of Medicinal Plants Research, 6 (7) DOI: 10.5897/JMPR11.1378

EOL – Encyclopedia of Life. Willdenow’s Spikemoss. Disponível em: <http://eol.org/pages/595324/overview&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2016.

Wikipedia. Selaginella willdenowii. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Selaginella_willdenowii&gt;. Acesso em 28 de dezembro de 2016.

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Sexta Selvagem: Líquen-Guirlanda

por Piter Kehoma Boll

Celebrando o Natal (ou seja lá como você chama essa época do ano), a Sexta Selvagem de hoje traz outro líquen. E a razão para eu tê-lo escolhido é porque ele é conhecido em inglês como Christmas wreath lichen, ou líquen-guirlanda, como eu traduzi, devido às suas cores vermelho e verde.

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Cryptothecia rubrocincta crescendo em Patagonula americana na Argentina. Foto do usuário do Wikimedia Millifolium.*

Cientificamente conhecido como Cryptothecia rubrocincta, o líquen-guirlanda é encontrado ao longo das Américas, dos Estados Unidos à Argentina, e geralmente cresce em troncos de árvores sombreados. Em espécies maduros, três diferentes zonas de cores podem ser vistas, uma zona central verde-acinzentada, uma zona intermediária branca e uma borda externa verde. A zona central geralmente é coberta de nódulos vermelhos que em alguns casos podem dificultar a visibilidade da cor verde-acinzentada.

A cor vermelha é causada por uma combinação de uma quinona, chamada de ácido queidectônico, e beta-caroteno, que juntos protegem o organismo da radiação e fornecem reparo de DNA.

Aparentemente este líquen somente se reproduz assexuadamente, sem formar estruturas sexuais. Por essa razão, acreditou-se por um tempo que ele poderia ser um fungo basidiomiceto, apesar de a maioria dos líquens serem formados por fungos ascomicetos. Hoje em dia, contudo, se sabe que ele é de fato um ascomiceto. A extração de DNA é difícil, no entanto, porque vários fungos microscópicos vivem dentro do líquen, de certa forma fazendo-o um organismo muito complexo formado por várias espécies interconectadas.

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Referências:

Elfie Stocker-Wörgötter (2010). Stress and Developmental Strategies in Lichens Symbioses and Stress, 525-546 DOI: 10.1007/978-90-481-9449-0_27

Wikipedia. Cryptothecia rubrocincta. Available at . Access on December 16, 2016.

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O que é comportamento?

por Piter Kehoma Boll

Um dos conceitos mais difíceis de explicar em biologia certamente é o de vida. Mas eu não estou aqui hoje para falar da definição de vida, mas sim de outro conceito intrigante: comportamento.

O comportamento é o assunto central em etologia e psicologia, mas também é algo mais comumente entendido por intuição pessoal, assim como a vida, mas não existe uma definição formal e amplamente aceita.

A definição mais simples seria que comportamento é algo que é feito. Mas nesse caso caímos em outro conceito difícil, o de fazer, porque o que exatamente é fazer algo?

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Ninguém duvida que uma aranha construindo uma teia é um comportamento. Foto de Hedwig Storch.*

Algumas definições de comportamento que foram publicadas são as seguintes:

  • Tinbergen (1955): “Os movimentos totais feitos pelo animal intacto”. De acordo com essa definição, apenas animais podem se comportar, assim uma alga unicelular nadando em direção àluz, ou uma planta fechando suas folhas depois de tocada não podem ser considerados comportamentos. Por outro lado, o fato de um animal orbitar o Sol por estar na Terra poderia ser um comportamento.
  • Beck et al. (1991): “Atividade externa visível de um animal, na qual um padrão coordenado de atividades sensoriais, motoras e neutrais associadas respondem a mudanças em condições externas ou internas”. Aqui novamente só animais poderiam se comportar e só animais com algum tipo de sistema nervoso. Um comportamento precisa incluir uma resposta a uma condição que mudou, isto é, um estímulo.
  • Starr & Taggart (1992): “Uma resposta a estímulos externos e internos, seguindo integração de componentes sensoriais, neurais, endócrinos e efetores. O comportamento tem uma base genética e portanto está  sujeito a seleção natural, e geralmente pode ser modificado pela experiência.” Esta definição não usa a palavra “animal”, mas inclui a necessidade de componentes neurais, o que é quase a mesma coisa.
  • Wallace et al. (1991): “Atividade observável de um organismo; qualquer coisa que o  organismo faça que envolva ação e/ou resposta a estimulação”. Uma explicação mais simples e ampla que engloba muita coisa que as definições anteriores excluiriam, mas ainda inclui pelo menos o critério de que é uma resposta a um estímulo.
  • Raven & Johnson (1898): “Comportamento pode ser definido como uma maneira de um organismo responder a estimulação.” Uma definição similar à anterior.
  • Davis (1966): “O que um animal faz.” Muito ambígua e contraditória, já que o mesmo livro inclui uma seção de comportamento de plantas.
  • Grier & Burk (1992): “Todas as respostas musculares e secretórias observáveis ou mensuráveis de outra forma (ou a ausência em alguns casos) e fenômenos relacionados como a mudança no fluxo sanguíneo e em pigmentos superficiais em resposta a mudanças no ambiente interno e externo de um animal.” Outra definição confusa, longa, complexa e ambígua.
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Quando uma dioneia fecha sua folha para capturar uma mosca, ela está se comportando? Foto de Stefano Zucchinali.*

Tentando encontrar uma forma de criar uma definição unificada do que é comportamento, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, fez um levantamento, publicado em 2009, no qual apresentam duas listas a vários biólogos. A primeira contém uma série de afirmações relativas a comportamento e os respondentes deveriam concordar ou discordar com as afirmações baseado em sua assunção sobre o que é comportamento. As 3 afirmações eram:

(A) Uma mudança de desenvolvimento geralmente não é um comportamento.
(B) Comportamento é sempre uma resposta ao ambiente externo.
(C) Um comportamento é sempre uma ação, e não uma falta de ação.
(D) Todos os comportamentos são diretamente observáveis, registráveis e mensuráveis.
(E) As pessoas sabem dizer o que é e o que não é comportamento só olhando para ele.
(F) Comportamento sempre é influenciado pelos processos internos do indivíduo.
(G) Comportamento sempre envolve movimento.
(H) Comportamentos são sempre ações de indivíduos, não de grupos.
(I) Comportamento é algo que indivíduos como um todo faz, não órgãos ou partes que constituem um indivíduo.
(J) Um comportamento é sempre uma resposta a um estímulo ou conjunto de estímulos, mas o estímulo pode ser interno ou externo.
(K) Comportamento é algo que somente animais (incluindo pessoas) fazem, mas não outros organismos.
(L) Em humanos, qualquer coisa que não está sob controle consciente não é comportamento.
(M) Comportamento sempre é executado através de atividade muscular.

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Uma raposa-do-ártico trocando de pelagem entre as estações é um comportamento ou não? Foto do usuário do Wikimedia Longdistancer.*

A segunda lista incluía um conjunto de 20 fenômenos e os respondentes deveriam dizer se consideravam cada fenômeno como representando um comportamento ou não. (Em parênteses estão as afirmações acima de acordo com as quais o fenômeno não seria considerado comportamento).

  1. Formigas que são fisiologicamente capazes de pôr ovos não o fazem porque não são rainhas. (C, G).
  2. Uma esponja bombeia água para conseguir comida (B, M).
  3. Uma aranha constrói uma teia.
  4. Um coelho desenvolve uma pelagem mais espessa no inverno (A, G, I, M).
  5. Os estômatos (poros respiratórios) de uma planta se fecham para conservar água (I, K, M).
  6. Uma planta curva suas folhas em direção a uma fonte de luz (K, M).
  7. O coração de uma pessoa bate mais forte depois de um pesadelo (B, I, L).
  8. Uma pessoa sua em resposta ao ar quente (G, I, L, M).
  9. Um besouro é arrastado por uma corrente de ar forte (F, M).
  10. Um rato não gosta de comida salgada (B, C, G, J, M).
  11. Uma pessoa decide não fazer nada amanhã se chover (B, C, G, J, M).
  12. Um cavalo desenvolve artrite com a idade (A, B, E, G, M).
  13. Um rato flutua em gravidade zero no espaço sideral (E, F, G, M).
  14. Um grupo de algas unicelulares nada em direção a água com uma concentração maior de nutrientes (F, H, K, M).
  15. Uma rã orbita o sol junto com o resto da Terra (F, M).
  16. Bandos de gansos voam em formação V (H).
  17. Um cão saliva em antecipação à hora de comer (B, G, I, M).
  18. Manadas de zebras se separam durante a estação de acasalamento e se refazem depois (H).
  19. Um camaleão muda de cor em resposta à luz solar (G, M).
  20. Um gato produz insulina por causa do excesso de açúcar em seu sangue (B, G, I, M).

Somente quatro afirmações (A, F, I, J) tiveram aprovação geral, enquanto sete (B, C, E, G, H, L, M) foram geralmente desaprovadas, e duas (D, K) não tiveram nem forte aprovação nem forte desaprovação.

Considerando os fenômenos, sete (2, 3, 11, 14, 16, 17, 18) atingiram os critérios para serem aprovados como comportamentos baseado nos resultados das afirmações e sete (4, 8, 9, 12, 13, 15, 20) atingiram o critério para rejeição. Os restantes seis fenômenos (1, 5, 6, 7, 10, 19) tiveram divergências maiores em relação a serem ou não comportamentos.

Vários respondentes se contradisseram. Por exemplo, muitos concordaram que somente animais se comportam (afirmação K), mas também consideraram que algas nadando em direção a água com maior concentração de nutrientes é um comportamento (fenômeno 14).

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A maioria das pessoas não consideraria que os frutos de dente-de-leão carregados pelo vento estão se comportando.

Apesar da alta taxa de discordância, o grupo decidiu propor uma definição de comportamento. E ela é:

“Comportamento são as respostas internas coordenadas (ações ou inações) de organismos vivos como um todo (indivíduos ou grupo) a estímulos internos e/ou externos, excluindo respostas mais facilmente entendidas como mudanças de desenvolvimento.” (Levitis et al., 2009)

A questão não está concluída, no entanto, e provavelmente nunca estará. Mais tarde, o Dr. Raymon M. Berger, discutindo o mesmo assunto, nos diz que sob o ponto de vista da Psicologia Descritiva, um comportamento sempre inclui oito parâmetros na seguinte formulação:

< B > = <I, W, K, K-H, P, A, PC, S>, onde:

B = comportamento (p. ex., Maria joga sua dama de copas num jogo de bridge).
I = identidade da pessoa se comportamento (p. ex., Maria)
W = desejo, a coisa que a pessoa está tentando alcançar (p. ex., vencer uma jogada no jogo de bridge).
K = conhecimento, o parâmetro cognitivo, o conhecimento de como as coisas funcionam (p. ex., rainha vs. rei, copas vs. ouro).
K-H = know-how, a habilidade de fazer o que está sendo feito (p.ex., a habilidade de entender as regras de bridge, ou a habilidade de mover objetos físicos).
P = performance, desempenho, os processos corporais envolvidos no comportamento (p. ex., Maria pega e joga sua rainha).
A = alcance, obtenção, o resultado do comportamento (p. ex., Maria vence a jogada).
PC = características pessoais, o parâmetro diferencial do indivíduo (p.ex., o profundo conhecimento de Maria sobre estratégia).
S = significância, o que o comportamento significa (p. ex., Maria está jogando bridge).

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Jogar cartas é certamente um comportamento. Um bem complexo.

Tal “definição” é, na minha opinião, complexa demais para a maioria das circunstâncias de comportamento animal. Contudo eu tampouco estou completamente satisfeito com a definição de Levitis et al. Acho que é difícil dizer a diferença entre uma resposta dada por um organismo como um todo vs. uma de suas partes. Por exemplo, quando eu tusso porque água entrou na minha traqueia, é meu organismo inteiro respondendo ou só parte dele? Isso seria um comportamento?

Além disso, não estou certo se deveríamos realmente considerar mudanças de desenvolvimento como algo diferente de outras respostas. Se eu tivesse que definir comportamento, eu provavelmente diria que é:

“Uma atividade realizada por um organismo que é uma resposta a um estímulo e é dependente dos processos internos do organismo.”

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Por que uma pupila mudando de tamanho de acordo com a luz do ambiente não deveria ser considerado um comportamento?

E você? O que você acha que é comportamento?

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Referências:

Bergner, R. (2011). What is behavior? And so what? New Ideas in Psychology, 29 (2), 147-155 DOI: 10.1016/j.newideapsych.2010.08.001

Bergner, R. (2016). What is behavior? And why is it not reducible to biological states of affairs? Journal of Theoretical and Philosophical Psychology, 36 (1), 41-55 DOI: 10.1037/teo0000026

Levitis, D., Lidicker, W., & Freund, G. (2009). Behavioural biologists do not agree on what constitutes behaviour Animal Behaviour, 78 (1), 103-110 DOI: 10.1016/j.anbehav.2009.03.018

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Novas Espécies: 11 a 20 de dezembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de dezembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

gymnopus-sequoiae

Gymnopus sequoiae é uma nova espécie de cogumelo descrita nos últimos 10 dias.

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Esponjas

Moluscos

Anelídeos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes cartilaginosus

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

Répteis

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Sexta Selvagem: Cara-Comum

por Piter Kehoma Boll

É sempre difícil apresentar uma espécie menos carismática aqui. Não por elas serem menos interessantes para mim, mas porque não consigo encontrar boas informações disponíveis. Mas eu tento dar o melhor de mim para mostrar todos os aspectos de nossa incrível biodiversidade.

Hoje apresentarei outra alga, uma das mais complexas, a cara-comum, conhecida cientificamente como Chara vulgaris.

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Um “campo” de cara-comum numa poça. Foto de Markus Nolf.*

Encontrada no mundo todo em ambientes de água doce, especialmente banhados e pântanos, a cara-comum pode na verdade ser um complexo de espécies. A planta costuma se tornar incrustada de carbonato de cálcio com o tempo, dando-lhe uma aparência pedregosa. Crescendo até 120 cm em comprimento/altura e tendo um talo central articulado com vários ramos saindo de cada nó, ela pode se assemelhar a uma cavalinha, mas sua estrutura é muito mais simples.

Se você olhar mais de perto, verá que o talo é formado por uma massa simples de células em cadeia, mas células bem grandes. Na verdade as células de espécies do gênero Chara estão entre as maiores células vegetais conhecidas. E tendo células tão grandes, as caras se tornaram especializadas em ciclose, um fenômeno pelo qual organelas e fluidos fluem através do citoplasma guiados por uma interação de moléculas de miosina que deslizam ao longo de moléculas de actina. E caso você não soubesse, miosina e actina são também as moléculas responsável pelas contrações musculares em animais.

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Uma olhada mais de perto no talo da cara-comum. Foto de Kristian Peters.*

A cara-comum é muito comum em campos de arroz e serve de substrato para bactérias fixadoras de nitrogênio. Assim, apesar de geralmente ser considerada uma erva-daninha nesses campos, sua presença na verdade pode ajudar a aumentar a fertilidade do solo em campos de arroz.

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Referências:

Ariosa, Y., Quesada, A., Aburto, J., Carrasco, D., Carreres, R., Leganes, F., & Fernandez Valiente, E. (2004). Epiphytic Cyanobacteria on Chara vulgaris Are the Main Contributors to N2 Fixation in Rice Fields Applied and Environmental Microbiology, 70 (9), 5391-5397 DOI: 10.1128/AEM.70.9.5391-5397.2004

Wikipedia. Charales. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Charales&gt;. Access on December 15, 2016.

Wikipedia. Cytoplasmic streaming. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Cytoplasmic_streaming>. Access on December 15, 2016.

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A história da Sistemática: Plantas no Systema Naturae, 1758 (parte 5)

por Piter Kehoma Boll

Depois de levar quatro postagens (você pode lê-las aqui: 1, 2, 3, 4) para apresentar todas as flores hermafroditas regulares no Sistema de Linnaeus, é hora de mover para plantas hermafroditas irregulares. Aqui apresentarei a vocês duas classes caracterizadas por terem estames de dois tipos diferentes.

14. Didynamia (“duas forças”)

“Quatro maridos, dois deles mais longos e dois deles mais curtos”, isto é, dois estames mais longos e dois estames mais curtos em uma flor hermafrodita.

14.1 Didynamia Gymnospermia (“duas forças, sementes nuas”), dois estames mais longos (e dois mais curtos) e sementes expostas, sem um fruto circundante: Ajuga (búgulas), Teucrium (carvalhinhas), Satureja (segurelhas), Thymbra (tomilhos-mediterrâneos), Hyssopus (hissopos), Nepeta (ervas-de-gato), Lavandula (lavandas), Betonica (betônicas), Sideritis (ervas-de-ferro), Mentha (hortelãs), Glechoma (heras-de-chão), Lamium (urtigas-mortas), Orvala (mais urtigas-mortas), Galeopsis (urtigas-cânhamo), Stachys (peixinhos), Ballota (ervas-dos-pavios), Marrubium (marroios), Leonurus (rabos-de-leão), Phlomis (sálvia-de-Jerusalém), Moluccella (sinos-da-Irlanda), Clinopodium (manjericões-bravos), Thymus (tomilhos), Origanum (oréganos), Melissa (melissas), Dracocephalum (cabeças-de-dragão), Horminum (boca-de-dragão), Melittis (melissa-bastarda), Ocimum (manjericões), Trichostema (cachos-azuis), Scutellaria (escutelárias), Prunella (consoldas), Prasium (mãe-de-esmeralda), Phryma (frima).

1758linnaeus_didynamia_gymnospermia

Estas 32 espécies eram classificadas por Linnaeus como Didynamia Gymnospermia (da esquerda para a direita, de cima para baixo): búgula-comum (Ajuga reptans), carvalhinha-do-muro (Teucrium chamaedrys), segurelha-da-montanha (Satureja montana), tomilho-mediterrâneo-espigado (Thymbra spicata), hissopo-comum (Hyssopus officinalis), erva-de-gato-verdadeira (Nepeta cataria), lavanda-francesa (Lavandula stoechas), betônica-comum (Betonica officinalis, agora Stachys officinalis), erva-de-ferro-da-Síria (Sideritis syriaca), hortelã-verde (Mentha spicata), hera-de-chão-comum (Glechoma hederacea), urtiga-morta-branca (Lamium album), urtiga-cânhamo-comum (Galeopsis tetrahit), peixinho-da-cerca (Stachys sylvatica), erva-dos-pavios-negra (Ballota nigra), marroio-comum (Marrubium vulgare), rabo-de-leão-cardíaco (Leonurus cardíaca), sálvia-de-Jerusalém-comum (Phlomis fruticosa), sino-da-Irlanda-comum (Moluccella laevis), manjericão-bravo-comum (Clinopodium vulgare), tomilho-comum (Thymus vulgaris), orégano-comum (Origanum vulgare), melissa-comum (Melissa officinalis), cabeça-de-dragão-da-Moldávia (Dracocephalum moldavica), boca-de-dragão (Horminum pyrenaicum), melissa-bastarda (Melittis melissophyllum), manjericão-de-folha-larga (Ocimum basilicum), cacho-azul-bifurcado (Trichostema dichotomum), escutelária-azul (Scutellaria lateriflora), consolda-comum (Prunella vulgaris), mãe-de-esmeralda (Prasium majus), frima (Phryma leptostachya). Créditos a H. Zell (búgula, hissopo, betônica, hortelã, urtiga-morta), Bernd Haynold (carvalhinha, boca-de-dragão), Agnieszka Kwiecień (segurelha), Gideon Pisanty (tomilho mediterrâneo, melissa), Hans Hillewaert (lavanda), C T Johansson (erva-de-ferro), Kristian Peters (hera-de-chão), Ivar Leidus (peixinho, consolda), Olivier Pichard (erva-dos-pavios), Eugene Zelenko (marroio), Karel Jakubec (rabo-de-leão), Peter A. Manself (sálvia-de-Jerusalém), Muriel Bendel (manjericão-bravo), Henry Brisse (tomilho), Frank Vicentz (orégano), Karen Hine (cabeça-de-dragão), Jakopo Werther (cacho-azul), Rolf Engstrand (escutelária), Zeynel Cebeci (mãe-de-esmeralda), e usuários do Wikimedia KENPEI (erva-de-gato), BerndH (urtiga-cânhamo, melissa-bastarda), HelloMojo (sino-da-Irlanda), Wildfeuer (manjericão) e Dalgial (frima).

14.2 Didynamia Angiospermia (“duas forças, sementes ensacadas”), dois estames mais longos (e dois mais curtos) e sementes envolvidas por um fruto: Bartsia (sinos-de-veludo), Rhinanthus (chocalhos), Euphrasia (brilho-dos-olhos), Melampyrum (trigo-de-vaca), Lathraea (latreias), Schwalbea (glumeira), Tozzia (tózias), Pedicularis (pediculárias), Gerardia (gerárdias), Chelone (cabeças-de-tartaruga), Gesneria (gesnérias), Antirrhinum (bocas-de-leão), Cymbaria (cimbárias), Craniolaria (craniolárias), Martynia (garra-de-gato), Torenia (torrênias), Besleria (beslérias), Scrophularia (escrofulárias), Celsia (célsia), Digitalis (dedaleiras), Bignonia (cipós-cruz), Citharexylum (violineiras), Halleria (haléria), Crescentia (coité), Gmelina (gmelinas), Petrea (pétreas), Lantana (lantanas), Cornutia (cornúcias), Loeselia (lesélias), Capraria (cabreiras), Selago (seagens), Hebenstretia (hebenstrécias), Erinus (erino), Buchnera (búcneras), Browallia (broválias), Linnaea (lineia), Sibthropia (sibtórpia), Limosella (limosinhas), Stemodia (estemódias), Aeginetia (fantasma-da-floresta), Obolaria (obolárias), Orobanche (ervas-toiras), Dodartia (dodárcias), Lippia (lípias), Sesamum (sésamo), Mimulus (flores-de-macaco), Ruellia (ruélias), Barleria (violetas-filipinas), Duranta (pingos-de-ouro), Ovieda (ovieda), Ellisia (elísia), Volkameria (volcamérias), Clerodendrum (clerodendros), Vitex (agnocastos), Bontia (oliveira-brava), Columnea (flores-peixinhos), Acanthus (acanto), Pedalium (pedálio), Melianthus (flores-de-mel).

1758linnaeus_didynamia_angiospermia

A ordem Didynamia Angiospermia incluía estas plantas (da esquerda para a direita, de cima para baixo): sino-de-veludo-comum (Bartsia alpina), trigo-de-vaca-do-campo (Melampyrum arvense), latreia-comum (Lathraea squamaria), glumeira-americana (Schwalbea americana), pediculária-comum (Pedicularis sylvatica), cabeça-de-tartaruga-branca (Chelone glabra), boca-de-leão-comum (Antirrhinum majus), garra-de-gato (Martynia annua), escrofulária-comum (Scrophularia nodosa), dedaleira-comum (Digitalis purpurea), cipó-cruz-comum (Bignonia capreolata), haléria (Halleria lucida), coité (Crescentia cujete), cambará (Lantana camara), cabreira-comum (Capraria biflora), erino-dos-Alpes (Erinus alpinus), lineia (Linnaea borealis), limosinha-d’água (Limosella aquática), estemódia-marinha (Stemodia marítima), fantasma-da-floresta (Aeginetia indica), erva-toira-ramosa (Orobanche ramosa), gergelim (Sesamum indicum), flor-de-macaco-quadrada (Mimulus ringens), ruélia-tuberosa (Ruellia tuberosa), violeta-filipina-cristada (Barleria cristata), pingo-de-ouro-comum (Duranta erecta), volcaméria-comum (Volkameria inermis), clerodendro-do-morro (Clerodendrum infortunatum), agnocasto-comum (Vitex agnus-castus), oliveira-brava (Bontia daphnoides), pata-de-urso (Acanthus mollis), pedálio (Pedalium murex), flor-de-mel-gigante (Melianthus major). Créditos a Jörg Hempel (sino-de-veludo, latreia), Hans Hillewaert (trigo-de-vaca), H. Zell (cabeça-de-tartaruga, agnocasto), Michael Apel (boca-de-leão), Jean François Gaffard (escrofulária), Melissa McMasters (cipó-cruz), Stan Shebs (haléria, flor-de-mel), Franz Xaver (cambará, gergelim, pata-de-urso), Scott Zona (cabreira), François Van Der Biest (erino), Paul Chapman (lineia), Christian Fischer (limosinha), Alex Popovkin (estemódia), C T Johansson (fantasma-da-floresta), Javier Martin (erva-toira), Jason Hollinger (flor-de-macaco), Varun Pabrai (ruélia), Forest & Kim Starr (volcaméria), D. Eickhoff (oliveira-brava), Marco Schmidt (pedálio), e usuários do Wikimedia Orchi (pediculária), Vinayaraj (garra-de-gato, clerodendro), Yann (dedaleira), Jamesbamba (coité), Vengolis (violeta-filipina) e Mokkie (pingo-de-ouro).

15. Tetradynamia (“quatro forças”)

“Seis maridos, dois deles mais longos em uma flor hermafrodita”, isto é, quatro estames  mais longos e dois mais curtos em uma flor hermafrodita.

15.1 Tetradynamia Siliculosae (“quatro forças, siluculosas”), quatro estames mais longos (e dois mais curtos) e sementes numa vagem curta (silícula): Myagrum (miagros), Vella (velas), Anastatica (rosa-de-Jericó), Subularia (subulária), Draba (drabas), Lepidium (agriões), Thlaspi (agriões-moeda), Cochlearia (cocleárias), Iberis (canastas), Alyssum (alissos), Clypeola (mais alissos), Biscutella (biscutela), Lunaria (honestidades).

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Linnaeus pôs na ordem Tetradynamia Siliculosae, entre outras, as seguintes plantas (da esquerda para a direita, de cima para baixo): rosa-de-Jericó (Anastatica hierochuntica), draba-precoce (Draba verna), agrião-de-jardim (Lepidium sativum), agrião-moeda-do-campo (Thlaspi arvense), cocleária-comum (Cochlearia officinalis), canasta-sempre-verde (Iberis sempervirens), alisso-espinhoso (Alyssum spinosum), alisso-doce (Clypeola maritima, agora Lobularia maritima), honestidade-comum (Lunaria annua). Créditos a Michael H. Lemmer (draba), Krish Dulal (agrião-de-jardim), Karel Jakubec (cocleária), Kurt Stüber (alisso-espinhoso), André Karwath (honestidade) e usuários do Wikimedia Phil141 (rosa-de-Jericó), Bff (agrião-moeda), Bouba (canasta) e Hectonichus (alisso-doce).

15.2 Tetradynamia Siliquosae (“quatro forças, siliquosas”), quatro estames mais longos (e dois mais curtos) e sementes numa vagem longa (silíqua):  Dentaria (agriões-amargos), Cardamine (mais agriões-amargos), Sisymbrium (rinchões), Erysimum (erísimo), Cheiranthus (mais erísimos), Hesperis (julianas), Arabis (agriões-das-rochas), Turritis (agriões-da-torre), Brassica (couves, mostardas e similares), Sinapis (algumas mostardas), Raphanus (rabanetes), Bunias (couves-de-verrugas), Isatis (pastéis), Crambe (couves-do-mar), Cleome (flores-aranhas).

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A ordem Tetradynamia Siliquosa incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo): agrião-amargo-de-folha-estreita (Cardamine impatiens), rinchão-comum (Sisymbrium officinale), juliana-comum (Hesperis matronalis), agrião-das-rochas-alpino (Arabis alpina), agrião-da-torre-comum (Turritis glabra), couve (Brassica oleracea), mostarda-do-campo (Sinapis arvensis), rabanete-cultivado (Raphanus sativus), pastel-comum (Isatis tinctoria), couve-do-mar-comum (Crambe maritima), flor-aranha-africana (Cleome gynandra). Créditos a Meneerke Bloem (agrião-amargo), James K. Lindsey (rinchão), Jason Pratt (juliana), Jerzy Opiała (agrião-das-rochas), Olivier Pichard (mostarda-do-campo), Curtis Clark (rabanete), Kurt Stüber (pastel), Anne Burgess (couve-do-mar), Ton Rulkens (flor-aranha) e usuários do Wikimedia Rigel7 (agrião-da-torre) e Griensteidl (couve).

Como você pode ver, estas classes incluem muitas plantas culinárias. E finalmente estamos chegando perto do final das plantas com flores, mas ainda há uma bela porção para mostrar.

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Referências:

Linnaeus, C. 1758. Systema Naturae per Regna Tria Naturae…

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