Arquivo da categoria: Fungos

Sexta Selvagem: Bolor-verde

por Piter Kehoma Boll

Ao menos uma vez na vida você provavelmente viu uma laranja podre com um bolor esverdeado e branco crescendo na casca. Essa infeliz condição é causada pela espécie que apresentarei hoje.

Penicillium digitatum crescendo numa laranja. Foto de Alison Northup.*

Conhecido popularmente como bolor-verde ou podridão-verde, seu nome científico é Penicillium digitatum, sendo proximamente relacionado ao similar, mas ligeiramente mais azulado, bolor que também ataca laranjas, o bolor-azul Penicillium italicum. Como membro do gênero Penicillium, este fungo também está relacionado à espécie Penicillium chrysogenum, a principal fonte de penicilina, e a vários outros fungos usados para produzir queijos como o Camembert (por Penicillium camemberti), o Gorgonzola (por Penicillium glaucum) e o Roquefort (por Penicillium roqueforti).

Infectando exclusivamente frutas de espécies no gênero Citrus, o bolor-verde cresce e se alimenta da casca da fruta, sendo a principal causa de perecimento pós-colheita e por isso de grande importância econômica. A temperatura ótima para o desenvolvimento do bolor-verde é 20-25°C, apesar de ele ser capaz de crescer numa gama de temperaturas indo de 6°C a 37°C. No entanto os esporos do bolor-verde são incapazes de germinar na superfície das frutas e precisam de uma fissura na casca para começarem a crescer. Contudo o armazenamento e o transporte das frutas é suficiente para criar pequenas fissuras que são rapidamente preenchidas pelo micélio em crescimento.

Conidióforos (estruturas produtoras de esporos) de Penicillium digittatum como visto com um aumento de 40 vezes. Foto do usuário Ninjatachoshell do Wikimedia.**

O bolor-verde é conhecido por produzir etileno, um gás orgânico que é um hormônio vegetal que leva ao amadurecimento de frutos. É provável que este fungo sintetize etileno para induzir o amadurecimento de frutas cítricas, assim aumentando o substrato para seu desenvolvimento.

Atualmente os principais métodos usados para evitar os danos a frutas cítricas causados por P. digitatum incluem a aplicação de fungicidas, às vezes em quantidades massivas. Contudo, como tais fungicidas podem levar a sérios problemas ambientais e de saúde, e às vezes aumentar a rejeição do público, há uma demanda para o desenvolvimento de opções menos agressivas e mais ambientalmente amigáveis.

O genoma do bolor-verde foi sequenciado recentemente, sendo a segunda espécie de Penicillium a ser sequenciada (depois de P. chrysogenum), bem como o primeiro patógeno vegetal de grande importância a ter o genoma completo analisado.

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Referências:

Chou, T. W., & Yang, S. F. (1973). The biogenesis of ethylene in Penicillium digitatum. Archives of Biochemistry and Biophysics, 157(1), 73–82. doi:10.1016/0003-9861(73)90391-3

Marcet-Houben, M., Ballester, A.-R., Fuente, B., Harries, E., Marcos, J. F., González-Candelas, L., & Gabaldón, T. (2012) Genome sequence of the necrotrophic fungus Penicillium digitatum, the main postharvest pathogen of citrus. BMC Genomics, 13, 646. doi: 10.1186/1471-2164-13-646

Plaza, P., Usall, J., Teixidó, N., & Viñas, I. (2003) Effect of water activity and temperature on germination and growth of Penicillium digitatum, P. italicum and Geotrichum candidum. Journal of Applied Microbiology, 94(4), 549–554. doi: 10.1046/j.1365-2672.2003.01909.x

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Sexta Selvagem: Glomo-Funil-Versátil

por Piter Kehoma Boll

É hora de voltar para o mundo microscópico e apresentar as maravilhas que ele contém. Hoje a espécie escolhida é Funneliformis mosseae que, como sempre, não possui um nome comum. Eu, portanto, decidi chamá-la de glomo-funil-versátil.

O glomo-funil-versátil é um fungo da divisão Glomeromycota. Estes fungos são caracterizados por formarem uma relação endossimbionte com plantas através de estruturas chamadas micorrizas arbusculares, ou MAs para abreviar. Este tipo especial de micorriza é formado com o fungo crescendo dentro dos tecidos e das células das raízes das plantas. Sabe-se que cerca de 80% de todas as famílias de plantas vasculares contém MAs.

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Esporos do glomo-funil-versátil em raízes de tomate. Foto do usuário Samson90 do Wikimedia.

Nossa espécie, o glomo-funil-versátil, é considerado um dos fungos mais comuns associados a raízes de plantas. Encontrado no mundo todo, ele pode formar MAs com muitas plantas diferentes, incluindo vários cultivares, como milho, cebola, tomate e muitos outros.

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Um esporo único do glomo-funil-versátil mostrando a base em forma de funil à direita. Foto extraída de Schüßler & Walker (2010).

Como o glomo-funil-versátil vive dentro dos tecidos e das células das raízes, ele geralmente não é conspícuo, mas pode ser facilmente identificado por seus esporos, os quais possuem cerca de 0,2 mm de diâmetro e são agrupados em esporocarpos. A base do esporo possui um formato de funil, sendo esta a razão para o nome Funneliformis.

A associação do glomo-funil-versátil com plantas aumenta a absorção de nutrientes pelas plantas e também as ajuda a lidarem com ambientes contaminados por metais pesados, como o chumbo, ao absorver parte dos contaminantes, assim reduzindo seus efeitos deletérios nas plantas.

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Referências:

Citterio, S.; Prato, N.; Fumagalli, P.; Aina, R.; Massa, N.; Santagostino, A.; Sgorbati, S.; Berta, G. (2005) The arbuscular mycorrhizal fungus Glomus mosseae induces growth and metal accumulation changes in Cannabis sativa LChemosphere 59(1): 21–29.

EOL – Encyclopedia of Life. Glomus mosseae. Available at < http://eol.org/pages/988675/overview >. Access on July 17, 2018.

Schüßler, A.; Walker, C. (2010) The Glomeromycota. A species list with new families and new genera. Gloucester, UK.

Xu, Z.; Ban, Y.; Yang, R.; Zhang, X.; Chen, H.; Tang, M. (2016) Impact of Funneliformis mosseae on the growth, lead uptake, and localization of Sophora viciifoliaCanadian Journal of Microbiology 62(4): 361–373.

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Sexta Selvagem: Cogumelo-Reishi

por Piter Kehoma Boll

A primeira Sexta Selvagem de 2018 está aqui, e é um querido parasita do Extremo Oriente. Esse adorável cogumelo é cientificamente conhecido como Ganoderma lucidum e não possui nomes nativos em português, mas geralmente é chamado de cogumelo-reishi, a partir do seu nome em japonês 霊芝 (reishi), ou cogumelo-lingzhi, a partir do seu nome chinês 靈芝 (língzhī).

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O belo e brilhante reishi com seu formato de rim. Foto do usuário Mikkie do Wikimedia.*

O cogumelo-reishi, como outras espécies no gênero Ganoderma e na ordem Polyporales, cresce em troncos de árvores, geralmente parasitando árvores vivas e continuando a crescer nelas depois que morrem. O corpo de frutificação maduro é em forma de rim e pode ou não ter um pedúnculo, que é deslocado para o lado, abaixo do lado côncavo do chapéu. O chapéu tem uma cor vermelha envernizada com uma borda mais clara. Ele é facilmente confundido com alguns dos seus parentes mais próximos, como Ganoderma tsugaeG. lingzhi.

Tradicionalmente usado na medicina chinesa, o cogumelo-reishi era considerado o “cogumelo da imortalidade” e dito melhorar o coração e a mente. Recentemente ele demonstrou, em estudos de laboratório, possuir muitos usos potenciais para o tratamento de diferentes doenças. Por exemplo, seus corpos de frutificação liberam polissacarídeos que apresentaram a habilidade de aumentar a produção de citocinas de glóbulos brancos humanos, o que aumenta atividades antitumorais. Outros estudos identificaram compostos com potencial atividade anti-HIV e a habilidade de reduzir os níveis de açúcar no sangue.

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Referências:

El-Mekkawy, S.; Meselhy, M. R.; Nakamura, N.; Tezuka, Y.; Hattori, M.; Kakiuchib, N.; Shimotohnob, K.; Kawahatac, T.; Otakec, T. (1998) Anti-HIV-1 and anti-HIV-1-protease substances from Ganoderma Lucidum. Phytochemistry49(6): 1651–1647. https://doi.org/10.1016/S0031-9422(98)00254-4

Wang, S.-Y.; Hsu, M.-L.; Hsu, H.-C., Lee, S.-S.; Shiao, M.-S.; Ho, C.-K. (1997) The anti-tumor effect of Ganoderma Lucidum is mediated by cytokines released from activated macrophages and T lymphocytes. International Journal of Cancer70(6): 699–705. Doi: 10.1002/(SICI)1097-0215(19970317)70:6<699::AID-IJC12>3.0.CO;2-5

Wang, Y.-Y.; Khoo, K.-H.; Chen, S.-T.; Lin, C.-C.; Wong, C.-H.; Lin, C.-H. (2002) Studies on the immuno-Modulating and antitumor activities of Ganoderma lucidum (Reishi) polysaccharides: functional and proteomic analyses of a fucose-Containing glycoprotein fraction responsible for the activities. Bioorganic & Medicinal Chemistry, 10(4): 1057–1062. https://doi.org/10.1016/S0968-0896(01)00377-7

Wikipedia. Lingzhi mushrom. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Lingzhi_mushroom >. Acesso em 31 de dezembro de 2017.

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Sexta Selvagem: Morela-Amarela

por Piter Kehoma Boll

É hora do próximo fungo, e dessa vez é um delicioso, ou pelo menos imagino que seja, já que eu nunca o comi. Cientificamente conhecido como Morchella esculenta, eu não sei se ele possui nomes populares em português que não sejam adaptações de outras línguas, então decidi usar o nome morela-amarela, tradução e adaptação do inglês yellow morel. O nome também pode aparecer como morquela ou morel.

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Um corpo de frutificação da morela-amarela na França. Foto de Henk Monster.*

Comum na América do Norte e na Europa, bem como em partes da Ásia, especialmente em áreas de floresta, a morela-amarela é um fungo comestível popular do filo Ascomycota, então não é parente próxima dos cogumelos comuns, mas é um parente das trufas, por exemplo.

Morelas geralmente são fáceis de reconhecer devido à sua aparência peculiar. Aparecendo durante a primavera, seu corpo de frutificação é mais ou menos oval na forma, sendo coberto de depressões e cristas irregulares, e é oco.

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Uma morela aberta mostrando sua “ocidade”. Foto do usuário ooAmanitaoo da Wikimedia.*

Apesar de ser um dos cogumelos mais caros, as morelas podem causar alguns efeitos indesejáveis, como problemas gastrointestinais, se comidas cruas ou muito velhas. Assim, recomenda-se comer cogumelos jovens e ao menos escaldá-los antes do consumo. Como eles são ocos, é comum comê-los recheados com vegetais ou carne.

Estudos farmacológicos e bioquímicos revelaram que a morela-amarela possui muitas propriedades saudáveis, tal como a presença de antioxidantes, e substâncias que estimulam o sistema imunológico, bem como propriedades anti-inflamatórias e antitumor. É certamente um alimento que vale a pena incluir na dieta, pena que ele tende a ser tão caro…

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Referências:

Duncan, C. J. G.; Pugh, N.; Pasco, D. S.; Ross, S. A. (2002) Isolation of galactomannan that enhances macrophage activation from the edible fungs Morchella esculentaJournal of Agricultural and Food Chemistry, 50(20): 5683–5695. DOI: 10.1021/jf020267c

Mau, J.-L.; Chang, C.-N.; Huang, S.-J.; Chen, C.-C. (2004) Antioxidant properties of methanolic extracts from Grifola frondosa, Morchella esculenta and Termitomyces albuminosus mycelia. Food Chemistry, 87(1): 111-118.
https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2003.10.026

Nitha, B.; Meera, C. R.; Janardhanan, K. K. (2007) Anti-inflammatory and antitumour activities of cultured mycelium of morel mushroom, Morchella esculentaCurrent Science, 92(2): 235–239.

Wikipedia. Morchella esculenta. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Morchella_esculenta >. Acesso em 31 de outubro de 2017.

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Sexta Selvagem: Mancha-marrom-do-milho

por Piter Kehoma Boll

Hoje continuarei a tendência parasita da semana passada, mas dessa vez trocando de um parasita de humanos para um parasita do milho, e de um parasita procarionte para um eucarionte. Então vamos falar de Physoderma maydis, comumente chamado de mancha-marrom-do-milho.

A mancha-marrom-do-milho é um fungo da divisão Blastocladiomycota que infecta as plantas do milho. Seu nome comum vem do fato de causar uma série de manchas marrons nas folhas das plantas infectadas.

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As manchas marrons vistas nesta folha de milho são devido a uma infecção por Physoderma maydis. Créditos da foto a Clemson University – USDA Comparative Extension Slide Series.*

O ciclo de vida da mancha-marrom-do-milho é tão complexo quanto o de muitos fungos. A infecção das plantas ocorre através de esporos que ficam no solo durante o inverno e são carregados para o hospedeiro pelo vento, germinando na estação chuvosa. Os esporos germinados produzem zoósporos, esporos flagelados capazes de nadar. Nadando através da folha de milho, os zoósporos infectam células isoladas e produzem zoosporângios na superfície da folha. Os zoosporângios liberam novos zoósporos que infectam novas células. No final da primavera e no versão, os zoósporos produzem um falo que cresce para dentro da folha do milho, infectando muitas células e produzindo esporângios de parede espessa. Depois que a planta morre e as folhas se tornam secas e quebram, os esporângios são liberados e atingem o solo, onde esperam pela próxima primavera para reiniciar o ciclo.

A mancha-marrom-do-milho é considerada um problema para plantações de milho em países com pluviosidade alta. Infecções graves podem matar a planta ou reduzir severamente seu desempenho antes de as espigas estarem prontas para a colheita. Apesar de fungicidas ajudarem a reduzir a infecção através das plantações, uma das formas mais eficientes de reduzir os danos é destruindo, geralmente com fogo, os restos da colheita anterior.

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Referências:

Olson, L. W.; Lange, L. (1978) The meiospore of Physoderma maydis. The causal agent of Physoderma disease of maize. Protoplasma 97: 275–290. https://dx.doi.org/10.1007/BF01276699

Plantwise Knowledge Bank. Brown spot of corn (Physoderma maydis). Available at: < http://www.plantwise.org/KnowledgeBank/Datasheet.aspx?dsid=40770&gt;. Access on Agust 7, 2017.

Robertson, A. E. (2015) Physoderma brown spot and stalk rot. Integrated Crop Management News: 679. http://lib.dr.iastate.edu/cropnews/679/

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Sexta Selvagem: Levedo-de-cerveja

por Piter Kehoma Boll

Vivendo ao lado dos humanos por séculos, a espécie da Sexta Selvagem de hoje é certamente um dos fungos mais amados. Cientificamente conhecido como Saccharomyces cerevisiae, seus nomes comuns em português incluem levedo-de-cerveja, fermento-de-pão ou simplesmente levedo.

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Saccharomyces cerevisiae sob o microscópio eletrônico de varredura. Foto de Mogana das Murtey e Patchamuthu Ramasamy.*

Sob o microscópio, as células desta espécie unicelular são elipsoides ou esféricas e geralmente mostram pequenos brotos dos quais novas células crescem a partir das maiores. Mas você pode ter visto essa espécie sendo vendida como tabletes ou grãos no supermercado, visto que eles são usados para fazer pão e muitas bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja, mas o levedo-de-cerveja é muito mais interessante do que só isso.

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Grãos de levedo-de-cerveja seco, mas ainda vivo, da forma como é vendido comercialmente.

As células do levedo-de-cerveja ocorrem naturalmente em frutas maduras, tal como uvas, e essa foi provavelmente a fonte original das linhagens atualmente cultivadas por humanos. O levedo atinge os frutos através de várias espécies de vespas que o têm crescendo em seus intestinos, um ambiente ideal para a reprodução sexual desse fungo.

Como é facilmente cultivado em laboratório e tem um tempo de geração curto, o levedo-de-cerveja se tornou um dos organismos-modelo mais importantes em estudos biológicos atuais. Ele foi, de fato, o primeiro organismo eucarionte a ter o genoma inteiro sequenciado mais de 20 anos atrás.

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Saccharomyces cerevisiae crescendo em ágar sólido no laboratório. Foto de Conor Lawless.**

Mais do que nos dar alimento e bebidas, este levedo extraordinário aumentou nosso conhecimento de expressão gênica, reparo de DNA e envelhecimento, entre muitas outras coisas. Vida longa ao levedo!

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Referências:

Giaever, G.; Chu, A. M.; Ni, L.; Connelly, C. et al. (2002) Functional profiling of the Saccharomyces cerevisiaegenome. Nature 418 (6896): 387-391.

Herskowitz, I. (1988) Life cycle of the budding yeast Saccharomyces cerevisiae. Microbiological Reviews 52 (4): 536-553.

Wikipedia. Saccharomyces cerevisiae. Available at . Access on July 25, 2017.

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Sexta Selvagem: Bolor-Cinzento

por Piter Kehoma Boll

Na Sexta Selvagem de hoje mostraremos como a beleza é só uma questão de perspectiva. Sendo um fungo ascomiceto conhecido comumente como bolor-cinzento, a espécie de hoje geralmente é encontrada crescendo em vegetais em decomposição, especialmente frutas como o morango na foto abaixo:

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Bolor-cinzento crescendo num morango. A maioria das pessoas não consideraria isso como uma imagem bonita. Foto do usuário Rasbak do Wikimedia.*

O bolor-cinzento tem uma nomenclatura biológica controversa, assim como muitos outros fungos. O nome mais comum é Botrytis cinerea, usado para seu estágio assexual (anamorfo), que é o mais comum. Seu estágio sexual (teleomorfo) é conhecido como Botryotina fuckeliana. Eu acho que esse problema, que era comum ao dar nome a fungos com estágio sexual de ocorrência rara ou desconhecida, já foi resolvido, mas como não sou um taxonomista de fungos, não posso falar muito sobre o assunto.

Mais do que somente ter um nome controverso, este fungo também tem uma interação controversa com humanos. Ele é uma praga notável em uvas e pode levar a dois diferentes tipos de infecção nelas. Uma delas é conhecida como “podridão cinzenta” e acontece em condições muito úmidas, levando à perda das uvas. A outra é chamada “podridão nobre” e é uma forma benéfica da infecção que acontece quando a condição úmida é seguida por uma seca, o que leva à produção de um vinho fino e doce devido à concentração de açúcares na uva.

Fora do mundo dos vinhos, contudo, o bolor-cinzento não é algo que você quer crescendo em suas plantações. Visto que ele ataca mais de 200 espécies, muitas delas sendo vegetais alimentícios importantes, há um grande interesse no desenvolvimento de estratégias para reduzir os dano que ele causa. E essas estratégias incluem o uso de pesticidas, óleos essenciais de plantas e mesmo outros organismos que podem parasitar o bolor-cinzento.

Mas não podemos negar que, se olharmos de perto, mesmo o bolor cinzento é belo:

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Uma linda florestinha de bolor-cinzento num morango. Foto de Macroscopic Solutions.**

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Referências:

Wikipedia. Botrytis cinerea. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Botrytis_cinerea&gt;. Access on June 2, 2017.

WILLIAMSON, B., TUDZYNSKI, B., TUDZYNSKI, P., & VAN KAN, J. (2007). Botrytis cinerea: the cause of grey mould disease Molecular Plant Pathology, 8 (5), 561-580 DOI: 10.1111/j.1364-3703.2007.00417.x

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