Arquivo do mês: janeiro 2019

Quarta de Quem: George Evelyn Hutchinson

por Piter Kehoma Boll

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Hoje falarei sobre uma importante figura da ecologia do século XX, às vezes descrito como o pai da ecologia moderna.

George Evelyn Hutchinson nasceu em 30 de janeiro de 1903 em Cambridge, Inglaterra, filho de Evaline D. Hutchinson, uma feminista e escritora, e Arthur Hutchinson, um mineralogista. Devido à influência de seu pai, Hutchinson cresceu cercado de intelectuais e começou a mostrar interesse no mundo natural desde os 5 anos.

Aos 8, Hutchinson foi enviado para um colégio privado para garotos, o Saint Faith’s. Ali, ele e alguns amigos organizaram A Sociedade de História Natural Júnior de Cambridge para coletas em campo e ele passou a coletar insetos, fósseis e peles de aves. Seu interesse logo se focou em percevejos aquáticos, os quais ele continuou estudando por muitos anos.

G. Evelyn Hutchinson em 1935. Créditos à Universidade de Yale.

Em 1917, Hutchinson começou a estudar no colégio de Gresham em Norfolk, o qual possuía um foco maior em ciência e história que a maioria dos colégios da época. Aos 15 anos, ele publicou seu primeiro artigo sobre um gafanhoto nadador.

De 1921 a 1925, ele estudou zoologia na Universidade de Cambridge. Lá, ele estava mais interessado em trabalhos individuais do que em comparecer às aulas.

Logo após se graduar, aos 22 anos, Hutchinson viajou para a Itália para trabalhar na Stazione Ecologica em Nápoles estudando a glândula branquial de polvos, pois ele acreditava que esta glândula era a glândula endócrina destes animais. Contudo, devido a uma escassez de polvos, ele foi forçado a finalizar a pesquisa. Enquanto ainda na Itália, ele respondeu a um anúncio para um cargo na Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, África do Sul, e foi aceito. Contra o conselho de seus pais, ele se mudou para Joanesburgo em 1926, mas foi demitido dois anos depois porque foi considerado um professor incompetente. Ele foi liberado de seus deveres até o término de seu contrato. Ele então usou seu tempo livre para estudar percevejos aquáticos sul-africanos. Isso o levou a descobrir a limnologia, o estudo da água doce, que combinava todos os seus interesses. Logo ele passou a estudar a química e a biologia de lagos costeiros junto com a bióloga estadunidense Grace Pickford, que conhecera em Cambridge.

Na África do Sul, Hutchinson também se tornou amigo de Lancelot Hogben, um professor de zoologia na Universidade da Cidade do Cabo. Hogben aconselhou Hutchison a se candidatar a uma vaga em Yale para aprender com o renomado embriologista Ross Granville Harrison. O prazo para a inscrição já havia terminado, mas Hutchinson se inscreveu mesmo assim por cabo telegráfico transatlântico. Por sorte, uma vaga de instrutor ficou vaga no departamento de zoologia de Yale. Devido à recomendação do aracnólogo Alexander Petrunkevitch, Hutchinson conseguiu uma posição como instrutor.

Em 1931, Hutchinson se casou com Grace Pickford na Cidade do Cabo. No ano seguinte, ele se juntou à Expedição do Norte da Índia de Yale e viajou para a Índia para estudar a ecologia de lagos de alta altitude e compará-los com os lagos costeiros da África do Sul.

Em 1933, Hutchinson se divorciou de Grace e se casou com sua segunda esposa, Margaret Seal, que ele conheceu no barco voltando para a Inglaterra da Índia. Eles foram casados por 50 anos até a morte de Margaret por mal de Alzheimer in 1983. Em 1985, aos 82 anos, Hutchinson se casou com uma mulher muito mais nova, a biólogia haitiana Anne Twitty Goldsby, cujo cuidado com ele permitiu que ele continuasse viajando e trabalhando apesar da saúde decadente. Ela morreu prematuramente em 1990.

A maior parte das contribuições de Hutchinson para a limnologia são resultado de sua pesquisa em Linsley Pond em Connecticut. Ele estudou estratificação química, déficits de oxigênio, produtividade e muitos outros aspectos biogeoquímicos. Ele também é creditado como um dos primeiros a usar radioisótopos como traçadores em experimentos de campo. Suas ideias levaram ao desenvolvimento da ecologia de sistemas por H. T. Odum, um de seus estudantes.

Hutchinson faleceu em 17 de maio de 1991 em Londres.

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Referências:

Slobodkin LB; Slack NG. (1999) George Evelyn Hutchinson: 20th Century ecologist. Endeavour 23(1): 24–30. https://doi.org/10.1016/S0160-9327(99)01182-5

Wikipedia. G. Evelyn Hutchinson. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/G._Evelyn_Hutchinson >. Acesso em 29 de janeiro de 2019.

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Sexta Selvagem: Verme-amendoim-comum

por Piter Kehoma Boll

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Hoje nosso camarada é um animal marinho peculiar que também é um alimento comum na China e no Vietnã. Chamado Sipunculus nudus, ou verme-amendoim-comum, ele é um membro do clado Sipuncula, geralmente chamados de vermes-amendoins.

Um espécime morto de Sipunculus nudus encontrado na costa mediterrânea da França. Foto de Benoit Nabholz.*

Como outros vermes-amendoins, o verme-amendoim-comum tem uma anatomia consideravelmente simples. Seu corpo consiste de basicamente duas partes, um tronco em forma de saco e uma probóscide, também chamada de introverto. O introverto é uma estrutura retrátil e, quando o animal não está se alimentando, é puxado para dentro do tronco por um grupo de músculos. Na extremidade do introverto, quando evertido, há uma série de tentáculos que levam a comida, composta de detritos, para dentro do intestino.

O verme-amendoim-comum é comumente encontrado enterrado no substrato de águas entremarés pelo mundo todo com a boca direcionada para cima. Eles podem chegar a cerca de 20 cm de comprimento quando o introverto é evertido, com cerca de 1/4 do comprimento composto pelo tronco.

Como mencionado acima, o verme-amendoim-comum é usado como alimento na China, especialmente nas regiões ao sul, e no Vietnã. Apesar de a espécie parecer fácil de ser criada em cativeiro, atualmente a maioria, se não toda, a colheita acontece na natureza, o que pode levar à superexploração e eventualmente a uma séria redução das populações.

Um balde cheio de vermes-amendoins para a venda na China. Foto do usuário Vmenkov do Wikimedia.**

Análises moleculares revelaram que, ao contrário do que se considera atualmente, Sipunculus nudus não é uma espécie cosmopolita na verdade. Há pelo menos quatro linhagens claramente distintas que certamente correspondem a quatro espécies distintas. Dessas, apenas uma é encontrada em águas em torno da Europa, das quais a espécie foi originalmente descrita. As outras três linhagens correspondem àquelas encontradas na China e no Vietnã (e a usada como alimento), a costa atlântica das Américas (do Brasil aos EUA) e a costa pacífica das américas (no Panamá). Vamos esperar que esse problema taxonômico seja resolvido logo.

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Referências:

Du, X., Chen, Z., Deng, Y., Wang, Q. (2009) Comparative analysis of genetic diversity and population structure of Sipunculus nudus as revealed by mitochondrial COI sequences. Biochemical Genetics 47: 884. doi: 10.1007/s10528-009-9291-x

Kawauchi, G. Y., Giribet, G. (2013) Sipunculus nudus Linnaeus, 1766 (Sipuncula): cosmopolitan or a group of pseudo-cryptic species? An integrated molecular and morphological approach. Marine Ecology 35(4): 478–491. doi: 10.1111/maec.12104

Trueman, E. R., & Foster-Smith, R. L. (2009). The mechanism of burrowing of Sipunculus nudus. Journal of Zoology, 179(3), 373–386. doi:10.1111/j.1469-7998.1976.tb02301.x

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Quarta de Quem: Hans Hass

por Piter Kehoma Boll

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Hoje vamos nos mover um pouco para a frente no tempo em relação ao que é comum nesta seção e falar sobre um biólogo do século XX.

Nascido em Vienna em 23 de Janeiro de 1919, Hans Henrich Romulus Hass era filho de um advogado e de início seguiu seus passos, estudando direito. Contudo, em 1938, ele conheceu Guy Gilpatric, um piloto e jornalista americano que também era mergulhador. Eles mergulharam juntos em Riviera e a atividade incluía caça e fotografia subaquáticas. Pelos próximos anos ele continuou a mergulhar e mudou seu interesse de direito para zoologia. Ele publicou seu primeiro livro de fotografias subaquáticas chamado “Dividing to Adventure” em 1939.

Hans Hass em seu ambiente natural.

Hass sofria de doença de Raynaud, que causa problemas de circulação, e por isso foi dispensado de servir no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, ele comprou o veleiro Seeteufel e planejava usá-lo numa expedição pelo Mediterrâneo, mas não pôde levá-lo até lá durante a guerra. Assim, ele alugou outro navio em Pireu, Grécia, e navegou por vários meses no Mar Egeu e no Mar de Creta. Na primavera e no verão do ano seguinte, ele passou vários meses na Stazione Zoologica em Nápoles e Capri, onde coletou briozoários para sua tese. Ele completou a tese em fevereiro de 1944 e se tornou PhD em biologia pela Universidade de Berlim.

Em 1945, Hass casou-se com a atriz alemã Hannelore Schroth. Eles tiveram um filho, Hans Hass Jr., no ano seguinte. Eles se divorciaram em 1950 e no mesmo ano Hass se casou com sua segunda esposa, a também atriz, bem como mergulhadora, Lotte Baierl. Eles tiveram uma filha chamada Meta.

Desde o começo de seu trabalho com mergulho, Hass publicou vários livros e fez muitos filmes e documentários sobre a vida subaquática, sendo considerado um pioneiro em fotografia subaquática, às vezes até mesmo sendo creditado como o inventor das câmeras para uso embaixo d’água. Além disso, ele também foi o desenvolvedor de novas tecnologias de mergulho. Sua segunda esposa apareceu em muitos dos seus vídeos após o casamento.

Hass era um conhecido rival do cientista francês Jacques Cousteau, acusando-o de nunca reconhecer os outros pelas suas conquistas e se focar apenas em si mesmo.

Hass faleceu em 16 de junho de 2013 em Vienna, deixando sua esposa e sua filha.

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Referências:

Wikipedia. Hans Hass. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Hans_Hass>. Access on 22 January 2019.

Encyclopaedia Britannica. Hans Heinrich Romulus Hass. Available at < https://www.britannica.com/biography/Hans-Hass >. Access on 22 January 2019.

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Sexta Selvagem: Bolor-verde

por Piter Kehoma Boll

Ao menos uma vez na vida você provavelmente viu uma laranja podre com um bolor esverdeado e branco crescendo na casca. Essa infeliz condição é causada pela espécie que apresentarei hoje.

Penicillium digitatum crescendo numa laranja. Foto de Alison Northup.*

Conhecido popularmente como bolor-verde ou podridão-verde, seu nome científico é Penicillium digitatum, sendo proximamente relacionado ao similar, mas ligeiramente mais azulado, bolor que também ataca laranjas, o bolor-azul Penicillium italicum. Como membro do gênero Penicillium, este fungo também está relacionado à espécie Penicillium chrysogenum, a principal fonte de penicilina, e a vários outros fungos usados para produzir queijos como o Camembert (por Penicillium camemberti), o Gorgonzola (por Penicillium glaucum) e o Roquefort (por Penicillium roqueforti).

Infectando exclusivamente frutas de espécies no gênero Citrus, o bolor-verde cresce e se alimenta da casca da fruta, sendo a principal causa de perecimento pós-colheita e por isso de grande importância econômica. A temperatura ótima para o desenvolvimento do bolor-verde é 20-25°C, apesar de ele ser capaz de crescer numa gama de temperaturas indo de 6°C a 37°C. No entanto os esporos do bolor-verde são incapazes de germinar na superfície das frutas e precisam de uma fissura na casca para começarem a crescer. Contudo o armazenamento e o transporte das frutas é suficiente para criar pequenas fissuras que são rapidamente preenchidas pelo micélio em crescimento.

Conidióforos (estruturas produtoras de esporos) de Penicillium digittatum como visto com um aumento de 40 vezes. Foto do usuário Ninjatachoshell do Wikimedia.**

O bolor-verde é conhecido por produzir etileno, um gás orgânico que é um hormônio vegetal que leva ao amadurecimento de frutos. É provável que este fungo sintetize etileno para induzir o amadurecimento de frutas cítricas, assim aumentando o substrato para seu desenvolvimento.

Atualmente os principais métodos usados para evitar os danos a frutas cítricas causados por P. digitatum incluem a aplicação de fungicidas, às vezes em quantidades massivas. Contudo, como tais fungicidas podem levar a sérios problemas ambientais e de saúde, e às vezes aumentar a rejeição do público, há uma demanda para o desenvolvimento de opções menos agressivas e mais ambientalmente amigáveis.

O genoma do bolor-verde foi sequenciado recentemente, sendo a segunda espécie de Penicillium a ser sequenciada (depois de P. chrysogenum), bem como o primeiro patógeno vegetal de grande importância a ter o genoma completo analisado.

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Referências:

Chou, T. W., & Yang, S. F. (1973). The biogenesis of ethylene in Penicillium digitatum. Archives of Biochemistry and Biophysics, 157(1), 73–82. doi:10.1016/0003-9861(73)90391-3

Marcet-Houben, M., Ballester, A.-R., Fuente, B., Harries, E., Marcos, J. F., González-Candelas, L., & Gabaldón, T. (2012) Genome sequence of the necrotrophic fungus Penicillium digitatum, the main postharvest pathogen of citrus. BMC Genomics, 13, 646. doi: 10.1186/1471-2164-13-646

Plaza, P., Usall, J., Teixidó, N., & Viñas, I. (2003) Effect of water activity and temperature on germination and growth of Penicillium digitatum, P. italicum and Geotrichum candidum. Journal of Applied Microbiology, 94(4), 549–554. doi: 10.1046/j.1365-2672.2003.01909.x

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Sua mãe ama você mais quando ela ama seu pai… se você é um peixe

por Piter Kehoma Boll

Seleção sexual é um tema frequente de minhas postagens aqui, mas elas costumam ser focadas em como fêmeas e machos se comportam um em relação ao outro. Contudo há um terceiro elemento que resulta de suas interações: os filhos.

Fêmeas tendem a selecionar os melhores machos para serem o pai de seus filhos porque estão interessadas em ter uma prole saudável e forte com melhores chances de sobreviver. Mas o que acontece quando uma fêmea não tem escolha a não ser acasalar com um macho de baixa qualidade? Ela cuidará dos filhotes da mesma forma?

Um estudo recente conduzido com o ciclídeo ponta-vermelha-de-Honduras, Amatitlania siquia, investigou essa questão. Esse peixe é nativo da América Central e, como geralmente acontece com ciclídeos, uma fêmea e um macho se unem e tomam conta juntos dos ovos e dos filhotes.

Um casal de Amatitlania siquia. Foto extraída de nvcweb.nl

Os pesquisadores puseram uma fêmea em um aquário de lados transparentes onde ela era capaz de analisar visualmente dois machos, um numa câmara à esquerda e outro numa câmara à direita. Um dos machos era maior que o outro, ambos sendo maiores que a fêmea. Após 48 horas, a fêmea foi posta aleatoriamente com o macho maior ou o macho menor para acasalarem.

Os resultados indicam que fêmeas produzem um número similar de ovos e tomam conta deles de forma similar quando acasalam com machos maiores ou menores. Contudo, depois que os ovos eclodem e as larvas se desenvolvem em pequenos juvenis, as fêmeas passam mais tempo cuidando deles caso o pai seja o peixe maior.

Elas não parecem muito animadas em perder tempo com crianças de baixa qualidade. Afinal, elas pode encontrar aquele belo peixe grande novamente no futuro.

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Referências:

Robart AR, Sinervo B (2019) Females increase parental care, but not fecundity, when mated to high-quality males in a biparental fish. Animal Behavior 148: 9–18. https://doi.org/10.1016/j.anbehav.2018.11.012

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Quarta de Quem: Antonio José Cavanilles

por Piter Kehoma Boll

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Hoje celebramos o aniversário de um dos naturalistas espanhóis mais importantes do século XVIII.

Antonio José Cavanilles y Palop nasceu em 16 de janeiro de 1745 em Valencia, Espanha. Ele estudou na Universidade de Valencia e obteve o título de mestre em Filosofia em 1765 e um doutorado em Teologia em 1766. Em 1772 ele foi ordenado padre.

Retrato de Antonio José Cavanilles por Mariano Salvador Maella.

Dedicando-se ao ensino, Cavanilles se mudou para Paris em 1777 para se tornar instrutor dos filhos do Duque de Infantado. Lá, ele foi introduzido à Botânica por André Thouin e Antoine Laurent de Jussieu e se tornou um dos primeiros cientistas espanhóis a adotar o sistema taxonômico criado por Linnaeus.

Cavanilles voltou à Espanha em 1789 devido a conflitos causados pela Revolução Francesa. A partir de 1790, ele começou um esquema com um livreiro parisiense, Jean-Baptiste Fournier, para introduzir na Espanha muitos livros proibidos, incluindo a Encyclopédie, que pretendia secularizar o aprendizado, separando-o de ideias religiosas.

De volta à Espanha, Cavanilles também aumentou sua dedicação à botânica. Ele descreveu muitas espécies de plantas das Américas trazidas para a Europa por expedições espanholas. Entre os vários novos gêneros descritos por ele, podemos mencionar os bem conhecidos Dahlia e Stevia.

Em 1801, Cavanilles se tornou diretor do Jardim Botânico Real de Madrid e permaneceu no posto até sua morte em 1804.

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Referências:

Caballer, N. (2011) El ‘correo’ de la Ilustración. El país. Disponível em < https://elpais.com/diario/2011/12/27/cvalenciana/1325017091_850215.html >. Acesso em 14 de janeiro de 2019.

Wikipedia (em Espanhol). Antonio José de Cavanilles. Disponível em < https://es.wikipedia.org/wiki/Antonio_Jos%C3%A9_de_Cavanilles >. Acesso em 14 de janeiro de 2019.

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Espécies em andamento: borboletas de classe alta e baixa não se bicam

por Piter Kehoma Boll

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Especiação, isto é, a separação de uma espécie em duas ou mais, geralmente acontece quando duas populações se tornam espacialmente isoladas uma da outra. Tal separação pode acontecer de muitas maneiras diferentes, e às vezes uma simples preferência ecológica pode causá-la.

Archaeoprepona demophon na Colômbia. Foto do usuário dengland81 do iNaturalist.*

Isso é o que acontece com uma borboleta neotropical, o sapateiro-rei-de-faixa, Archaeoprepona demophon. Encontrada em florestas tropicais do México até o norte da América do Sul, esta borboleta se alimenta de frutas podres.

Muitas outras borboletas também se alimentam de frutas podres. Dentro da floresta, elas geralmente ocorrem no sub-bosque, perto do solo, ou somente no dossel, entre as copas das árvores. Archaeoprepona demophon é uma exceção, vivendo tanto no sub-bosque quanto no dossel.

Um estudo recente, contudo, descobriu que as populações vivendo no sub-bosque e no dossel são geneticamente distintas, indicando que elas não cruzam entre si. A distância vertical entre as duas populações é de cerca de 20 m, mas o grau de divergência é tão alto quanto o encontrando entre populações vivendo em diferentes localidades separadas por cerca de 1500 km.

Parece que uma vez que você ascenda ao topo da comunidade florestal, você não está mais a fim de manter contato com as classes inferiores. Se as condições ambientais que mantêm essa separação continuarem no futuro, populações do sub-bosque e o dossel podem se tornar espécies diferentes.

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Referência:

Nice CC, Fordyce JA, Bell KL, Forister ML, Gompert Z, & DeVries PJ (2019). Vertical differentiation in tropical forest butterflies: a novel mechanism generating insect diversity? Biology Letters 15: 20180723. 
https://doi.org/10.1098/rsbl.2018.0723

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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