Arquivo da categoria: Taxonomia

Novas Espécies: Abril de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Árqueos

SARs

Plantas

Nasa angeldiazoides é uma nova angiosperma do Peru. Créditos a Henning et al. (2019).*

Excavados

Rossbeevera griseobrunnea é um novo basidiomiceto da China. Créditos a Hosen et al. (2019).*

Fungos

Dermea chinensis é um novo ascomiceto da China. Créditos a Jiang & Tian (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Microstomum schultei é um novo platelminto da Itália. Créditos a Atherton & Jondelius (2019).*

Rotíferos

Aethozooides uraniae é um novo briozoário do Mediterrâneo. Créditos a Schwaha et al. (2019).*

Briozoários

Anelídeos

Madrella amphora (a-d) e Janolus tricellarioides (e-h) são duas novas lesmas marinhas da Nova Guiné e das Filipinas, respectivamente. Créditos a Pola et al. (2019).*

Moluscos

Quinorrincos

Arpocelinus itecrii é um novo nematódeo da Costa Rica. Créditos a Peña-Santiago & Varela-Benavides (2019).

Nematódeos

Tardígrados

Phintelloides brunne (A-D) e Phintelloides flavoviri (E,F) são duas novas aranhas-saltadoras do sul da Ásia. Créditos a Kanesharatnam & Benjamin (2019).*

Quelicerados


Cryptocorypha enghoffi é um novo piolho-de-cobra da Tailândia. Créditos a Likhitrakarn et al. (2019).*

Miriápodes

Vinaphilus unicus é uma nova centopeia do sudeste da Ásia. Créditos a Tran et al. (2019).*

Crustáceos

O gênero de besouros Hexanchorus cresceu com quatro novas espécies do Equador. Créditos a Linský et al. (2019).*

Hexápodes

Condrícties

Prognathodes geminus é um novo peixe-borboleta de Palau. Créditos a Copus et al. (2019).*

Actinopterígios

Noblella thiuni é uma nova rã do Peru. Créditos a Catenazzi & Ttito (2019).*

Anfíbios

Répteis

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Novas Espécies: Março de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Liparis napoensis é uma nova orquídea da China. Créditos a Li et al. (2019).*

Plantas

Microchiritia hairulii é uma nova angiosperma da Malásia. Créditos a Rahman (2019).*

Excavados

Neoboletus antillanus é um novo cogumelo da República Dominicana. Créditos aGelardi et al. (2019).*

Fungos

Biatora alnetorum é um novo líquen da América do Norte. Créditos aEkman & Tønsberg (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Rotíferos

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Quelicerados

Arrup akiyoshiensis é uma nova centopeia do Japão. Créditos a Tsukamoto et al. (2019)*

Miriápodes

Antheromorpha nguyeni é um novo piolho de cobra do Vietnã. Créditos aLikhitrakarn et al. (2019).*

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Tunicados

Actinopterígeos

Anfíbios

Austrobatrachus kurichiyana, uma nova rã da Índia. Créditos a Vijayakumar et al. (2019).*

Répteis e Aves

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Novas Espécies: Fevereiro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Senyuia granitica é uma nova angiosperma da Malásia. Créditos a Kiew & Lau, 2019.*

Plantas

Amoebozoários

Tuber pulchrosporum é uma nova trufa dos Bálcãs. Créditos a Polemis et al., 2019.*

Fungos

Tremella cheejenii (A), T. erythrina (B) e T. salmonea (C) são três novos basidiomicetos da China. Créditos a Zhao et al., 2019.*

Coanoflagelados

Esponjas

Neopetrosia sigmafera é uma nova esponja do Caribe. Créditos a Vicente et al., 2019.*

Cnidários

Platelmintos

Acantocéfalos

Vermatus biperforatus é um novo gastrópode séssil com um incomum domo de dois furos cobrindo a abertura da concha. Créditos a Bieler et al., 2019.*

Moluscos

Anelídeos

Quinorrincos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Solinca aulix é um novo caranguejo do Equador e do Peru. Créditos a Colavite et al., 2019.*

Crustáceos

Coecobrya sirindhornae, um novo rabo-de-mola de caverna da Tailândia. Créditos a Jantarit et al., 2019.*

Hexápodes

Oxynoemacheilus cemali, um novo peixe da Turquia. Créditos a Turan et al., 2019.

Peixes de nadadeiras rajadas

Phrynobactrachus bibita é uma nova rã da Etiópia. Créditos a Goutte et al. 2019.*

Anfíbios

Pelodiscus variegatus é uma nova tartaruga da Indochina. Créditos a Farkas et al., 2019.*

Répteis

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Novas Espécies: Janeiro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Pamianthe ecollis é uma nova espécie de Amaryllidaceae da Colômbia. Créditos a Meerow et al. (2019).*

Plantas

Amoebozoários

Lactifluus bicapillus é um novo cogumelo da floresta Guineo-Congolesa. Créditos a De Crop et al. (2019).*

Fungos

Esponjas

Choeradoplana cyanoatria é uma nova planária terrestre da Mata Atlântica. Créditos a Iturralde & Leal-Zanchet (2019).*

Platelmintos

Moluscos

Anelídeos

Nematódeos

Tardígrados

Aracnídeos

Polyonix socialis é um novo caranguejo do Mar da China do Sul. Créditos a Werding & Hiller (2019).*

Crustáceos

Eumorphus mirabilis é um novo besouro de Sulawesi, Indonésia. Créditos a Yoshitomi & Sogoh (2019)*

Hexápodes

Equinodermos

Tunicados

Peixes de nadadeiras rajadas

Amolops sinensis, uma nova rã do sudesta da China. Créditos a Lyu et al. (2019).*

Anfíbios

Erythrolamprus pseudoreginae é uma nova cobra de Tobago. Créditos a Murphy et al. (2019)*

Répteis

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A história da Sistemática: O sistema de Brisson

por Piter Kehoma Boll

Anteriormente vimos que Linnaeus classificou os animais em 6 classes: Mammalia, Aves, Amphibia, Pisces, Insecta e Vermes e manteve esse sistema em edições futuras do Systema Naturae. Ao mesmo tempo que Linnaeus publicava sua décima edição do Systema Naturae, que é o primeiro trabalho a usar nomenclatura binomial para animais, Brisson, um zoólogo francês, estava criando seu próprio sistema de classificação.

Brisson decidiu classificar os animais em 9 classes: Quadrupeda, Cetacea, Aves, Reptilia, Pisces cartilaginosi, Pisces proprie dicti, Insecta, Crustacea e Vermes. Ele descreve as características dos animais em cada classe em sua obra “Regnum animale in classes IX. Distributum sive synopsis methodica”.

Classe 1. Quadrupeda: corpo peludo, ao menos em algumas áreas, e quatro patas.

Classe 2. Cetacea: corpo nu e alongado, nadadeiras carnosas, cauda horizontal achatada.

Classe 3. Aves: corpo coberto de penas, bico córneo, duas asas, duas patas.

Classe 4. Reptilia: ou corpo nu e quatro patas, ou corpo escamoso com quatro ou sem patas, e respirando por pulmões.

Classe 5. Pisces cartilaginei: nadadeiras cartilaginosas e respirando através de aberturas para brânquias nuas.

Classe 6. Pisces proprie dicti: nadadeiras formadas de pequenos ossos e respirando por brânquias cobertas por uma cobertura móvel e parcialmente ossificada.

Classe 7. Crustacea: cabeça equipada com antenas e oito ou mais patas.

Classe 8. Insecta: antes da última metamorfose, com vários estigmas ou órgãos respiratórios; depois da última metamorfose, cabeça com antenas e seis patas.

Classe 9. Vermes: o corpo, ou ao menos parte dele, retrátil, sem antenas, pés ou estigmas.

No mesmo trabalho, ele descreve em detalhes as duas primeiras classes. A classe Aves é descrita em um trabalho separado, “Ornithologia, sive, synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates”, mas as classes restantes nunca foram apresentadas, então vou ter que lidar só com essas três.

Classe 1. Quadrupeda

Esta classe é composta por todos os mamíferos conhecidos na época, exceto as baleias, que estavam na classe seguinte, Cetacea. Brisson dividiu os quadrúpedes em 18 ordens, mas não deu nomes a elas, apenas descrevendo-as baseado no número de dentes e no tipo de unha. Linnaeus usou a dentição como a característica principal para a classificação dos mamíferos, mas usou critérios diferentes.

Classe 2. Cetacea

Esta classe era composta pelos cetáceos e era dividida em 4 ordens, cada uma com só um gênero. As ordens eram baseadas na (aparente) distribuição dos dentes.

Na imagem a seguir você pode ver a classificação de Quadrupeda e Cetacea e sua comparação com o sistema de 1767 de Linnaeus.

Comparação dos sistemas de Linnaeus e Brisson para mamíferos. Astericos indicam gêneros que ainda são válidos hoje e foram criados pelos respectivos autores. Um † indica um gênero que não é mais válido.

Algumas curiosidades quando comparamos os mamíferos nos dois sistemas:

1. O gênero Trichechus de Linnaeus incluía peixes-boi e morsas. Brisson classificou as morsas num gênero separado, Odobenus, mas incluiu os peixes-boi no gênero Phoca, junto com as focas e os leões-marinhos!

2. Linnaeus incluiu doninhas e lontras no gênero Mustela e civetas no gênero Viverra. Brisson, por outro lado, pôs civetas no gênero Mustela, junto com as doninhas, e pôs as lontras num gênero separado, Lutra.

3. Enquanto Linnaeus pôs hienas com cães no gênero Canis e texugos com os ursos no gênero Ursus, Brisson tinha gêneros separados para hienas e texugos, chamados Hyaena e Meles.

4. Brisson pôs camundongos e ratos no gênero Mus, arganazes no gênero Glis e roedores sul-americanos de rabo curto, como cobaias e pacas, no gênero Cuniculus. Linnaeus tinha todos em Mus.

5. Brisson separou girafas no seu próprio gênero, Giraffa, enquanto Linnaeus as classificou no gênero Cervus junto com os veados.

Classe 3. Aves

A classificação de Brisson das aves era muito diferente da de Linnaeus. Havia muito mais ordens e gêneros. De fato, alguns gêneros usados por Linnaeus em 1767 foram criados por Brisson. Veja abaixo como é complexa a relação de um sistema para o outro:

Comparação da classificação de aves de Linnaeus e Brisson. Veja a enorme diferença entre os dois sistemas. Asteriscos indicam gêneros que ainda são válidos hoje e foram criados pelos respectivos autores. Um † indica que o gênero não é mais válido.

Infelizmente, Brisson nunca publicou sua classificação dos outros animais, então precisamos seguir para os próximos autores nas postagens seguintes.

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Referências:

Brisson M-J (1762). Regnum animale in classes IX. Distributum, sive, Synopsis methodica. Lugduni Batavorum apud Theodorum, Haak. 316 pp.

Brisson M-J (1763a). Ornithologia, sive, synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates. Apud Theodorum Haak, Lugduni Batavorum : 534 pp.

Brisson M-J (1763b). Ornithologia, sive, Synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates. Apud Theodorum Haak, Lugduni Batavorum : 542 pp.

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A história da Sistemática: Systema Naturae de 1758 a 1767–1770

por Piter Kehoma Boll

Read it in English

Em uma série de postagens anteriores, eu detalhei a classificação dos seres vivos por Linnaeus na sua obra Systema Naturae com apresentada na décima edição, publicada e 1758. Aqui, vou apresentar a classificação de forma resumida e mostrar mudanças que aconteceram entre a 10ª edição e a 13ª edição publicada em duas porta, uma 9 anos depois, em 1767, tratando dos animais, e uma 12 anos depois, em 1770, tratando das plantas.

Animais

Linnaeus classificou os animais em 6 classes: Mammalia, Aves, Amphibia, Pisces, Insecta e Vermes.

1. Mammalia incluía mamíferos e em 1758 eram classificados em 8 ordens: Primates, Bruta, Ferae, Bestiae, Glires, Pecora, Belluae, Cete (veja detalhes aqui).

A classificação dos mamíferos de Linnaeus em 1758 e 1767.

Em 1767, a ordem Bestiae não existe mais. Tatus (Dasypus) foram transferidos para Bruta, porcos (sus) para Belluae e os restantes para Ferae. Adicionalmente, rinocerontes (Rhinoceros) foram transferidos de Glires para Belluae e uma espécie de morcego foi transferida do gênero Vespertilio em Primates para um novo gênero, Noctilio, em Glires.

2. Aves incluía aves e em 1758 elas eram classificadas em 6 ordens: Accipitrae, Picae, Anseres, Grallae, Gallinae, Passeres (veja detalhes aqui).

Classificação dos aves de Linnaeus em 1758 e 1767.

Em 1767, cinco novos gêneros surgiram em Picae: Buphaga, os pica-bois, Trogon, os surucuás, Oriolus, os oriolos (anteriormente no gênero Coracias), Bucco, os rapazinhos, e Todus, os todinhos. Um novo gênero aparece em Anseres, Plotus, as biguatingas. A ordem Grallae recebe o novo gênero Palamedea, as seriemas e os tachãs, Parra, as jaçanãs, e Cancroma, a garça-bico-de-barco. A ordem Gallinae é aumentada com o novo gênero Didus, o dodô (que foi anteriormente um membro do gênero Struthio na ordem Grallae), e Numida, a galinha-de-Angola (anteriormente no gênero Phasianus). E, finalmente, a ordem Passeres recebeu os novos gêneros Pipra para os uirapurus (antes em Parus), Ampelis, os picoteiros e as cotingas (antes no gênero Lanius na ordem Accipitrae), Tanagra, os tangarás (antes em Fringilla), e Muscicapa, os papa-moscas (antes nos gêneros Corvus e Motacilla).

Também é interessante notar uma mudança no nome da ordem Accipitrae para Accipitres, e o gênero Jynx é aqui escrito Yunx.

3. Amphibia incluía répteis, anfíbios e alguns peixes e tinha 3 ordens: Reptiles, Serpentes e Nantes (veja detalhes aqui).

Classificação dos Anfíbios de Linnaeus em 1758 e 1767.

As ordens Reptiles e Serpentes se mantiveram as mesmas. A ordem Nantes, que em 1758 incluía principalmente peixes cartilaginosos, em 1767 incluía muitos gêneros que eram anteriormente classificados na classe Pisces, especialmente na ordem Branchiostegi (veja abaixo).

4. Pisces incluía a maioria dos peixes e tinha 5 ordens: Apodes, Jugulares, Thoracici, Abdominales e Branchiostegi (veja detalhes aqui).

Classificação dos peixes de Linnaeus em 1758 e 1767.

O gênero Ophidion foi transferido da ordem Jugulares para Apodes e aparece grafado como Ophidium. A ordem Thoracici recebeu o gênero adicional Cepola (suspensórios) e a ordem Abdominales foi aumentada com o gênero Amia (a amia), Teuthis e Elops (a ubarana), bem como o gênero Mormyrus, antes parte da ordem Branchiostegi que deixou de existir.

5. Insecta incluía artrópodes e tinha 7 ordens: Coleoptera, Hemiptera, Lepidoptera, Neuroptera, Hymenoptera, Diptera, Aptera (veja detalhes aqui).

Classificação dos insetos de Linnaeus em 1758 e 1767.

A ordem Coleoptera recebeu os novos gêneros Lucanus (vacalouras, antes em Scarabaeus), Byrrhus (besouros-pílula), Gyrinus (besouros-giradores, Bruchus (gorgulhos-da-ervilha), Ptinus (besouros-aranhas), Hispa, Lampyris (vagalumes). Os gêneros Blatta e Gryllus foram transferidos para Hemiptera e os louva-a-deuses foram removidos de Gryllus e receberam seu próprio gênero, Mantis. Além disso, as jequitiranaboias foram removidas do gênero Cicada e transferidas para Fulgora. Na ordem Neuroptera, as formigas-leão foram removidas do gênero Hemerobius e transferidas para o novo gênero Myrmeleon. Na ordem Hymenoptera, as vespas-cuco foram transferidas do gênero Sphex para o novo gênero Chrysis.

6. Vermes incluía vários vermes, moluscos, equinodermos, cnidários e a feiticeira. Havia 5 ordens: Intestina, Mollusca, Testacea, Lithophyta e Zoophyta (veja detalhes aqui).

Classificação dos vermes de Linnaeus em 1758 e 1767.

De 1758 a 1767, o gênero Furia, de uma espécie fictícia, foi transferido de Intestina para Zoophyta, e o gênero Teredo (turus) foi transferido de Intestina para Testacea. Um novo gênero Sipunculus, foi adicionado a Intestina para incluir os vermes-amendoim. Na ordem Mollusca, encontramos agora os novos gêneros Ascidia (ascídias), Aplysia (lebres-do-mar), Terebella (alguns poliquetos antes em Nereis) e Clio (algumas lesmas marinhas). O gênero Priapus, contendo as anêmonas-do-mar, é agora chamado Actinia. A ordem Testacea recebeu os novos gêneros Mactra (amêijoas, antes em Cardium) e Sabella (verme-leque, antes em Serpula). A ordem Lithophyta recebeu o novo gênero Cellepora (para briozoários). Na ordem Zoophyta, encontramos o novo gênero Flustra (para briozoários antes em Eschara), Vorticella (para ciliados antes em Hydra) e Chaos (para amebas, antes em Volvox). Um gênero adicional é visto em Zoophyta: Spongia (esponjas), transferido de Algae, lá no reino das plantas.

Plantas

O sistema de classificação das plantas era muito mais complicado que o dos animais. Havia plantas com flores regulares classificadas de acordo com o número de órgãos sexuais masculinos e femininos, respectivamente (como você pode ler em detalhes nas partes 1, 2, 3 e 4 das plantas no Systema Naturae). Pouco mudou exceto por alguns gêneros, como você pode ver na tabela abaixo.

Classificação de Linnaeus das plantas com flores hermafroditas regulares em 1758 e 1770. Veja a imagem em maior resolução aqui.

O mesmo é verdade para espécies nas classes Didynamia e Tetradyamia, que possuem flores com estames de diferentes tamanhos. Pouco mudou em sua classificação.

Classificação de Linnaeus das plantas com flores que possuem estames de dois tamanhos diferentes em 1758 e 1770.

Em relação às três classes caracterizadas por flores com estames aglomerados, podemos ver duas novas ordens na classe Monadelphia.

Classificação de Linnaeus das plantas com estames aglomerados em 1758 e 1770.

Na classe Syngenesia, podemos notar que a ordem Polygamia Superflua deixou de existir, com a maior parte das espécies transferida para Polygamia Aequalis, e uma nova ordem, Polygamia Segregata, está agora presente. Na classe Gynandria, uma nova ordem, Dodecandria, foi criada. Veja estas duas classes com mais detalhes aqui.

Classificação de Linnaeus das plantas com estames fundidos uns aos outros ou aos carpelos em 1758 e 1770.

Nas três classes de plantas com órgãos masculinos e femininos ocorrendo em flores separadas, acho que a novidade mais interessante é que o gênero Chara, que em 1758 foi classificado como um gênero de algas, está agora entre as plantas com flores na classe Monoecia, ordem Monandria.

Classificação de Linnaeus das plantas com órgãos masculinos e femininos em flores diferentes em 1758 e 1770.

Finalmente, entre as criptógamas, as “plantas sem flores”, pouco mudou exceto pela transferência de Chara para as plantas com flores e Spongia para o reino animal.

Classificação de Linnaeus das criptógamas em 1758 e 1770.

Enquanto Linnaeus continuou a desenvolver seu próprio sistema, outras classificações foram sendo propostas. Começaremos a olhar para elas nos próximos capítulos.

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Referências:

Linnaeus, C. (1758) Systema Naturae per regna tria Naturae…

Linnaeus, C; (1967) Systema Naturae per regna tria Naturae….

Linnaeus, C. (1770) Systema Naturae per regna tria Naturae…

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A história da Sistemática: Plantas no Systema Naturae, 1758 (Parte 9)

por Piter Kehoma Boll

A última parte da série está finalmente aqui! Veja também as partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8. A única classe que falta ser apresentada é Cryptogamia, as plantas sem flores.

24. Cryptogamia (“casamentos ocultos”)

“O casamento é celebrado em privado”, i.e., órgãos sexuais não são claramente visíveis.

24.1 Filices (fetos): Equisetum (cavalinhas), Onoclea (samambaia-sensível), Ophioglossum (línguas-de-cobra), Osmunda (samambaias-reais), Acrostichum (samambaias-de-couro), Polypodium (polipódios), Hemionitis (hemionites), Asplenium (asplênios), Blechnum (samambaias-pentes), Lonchitis (lonquites), Pteris (ptérides), Adiantum (avencas), Trichomanes (samambaias-felpudas e samambaias-laços), Marsilea (trevos-d’água), Pilularia (pilulárias), Isoetes (isoetas).

1758Linnaeus_cryptogamia_filices

A ordem Filices de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a cavalinha-comum (Equisetum arvense), a samambaia-sensível (Onoclea sensibilis), a língua-de-cobra-comum (Ophioglossum vulgatum), a samambaia-real-comum (Osmunda regalis), a samambaia-de-couro-dourada (Acrostichum aureum) a ptéride-da-China (Pteris vittata), a samambaia-pente-ocidental (Blechnum occidentale), o asplênio-negro (Asplenium adiantum-nigrum), o polipódio-comum (Polypodium vulgare), o cabelo-de-Vênus (Adiantum capillus-veneris), a samambaia-laço (Trichomanes chinensis, agora Sphenomeris chinensis), o trevo-d’água-europeu (Marsilea quadrifolia), a pilulária-comum (Pilularia globulifera) e a isoeta-de-lago (Isoetes lacustris). Créditos a Rob Hille (cavalinha), Kurt Stueber (samambaia-real), Krzysztof Ziarnek (samambaia-pente), Forest & Kim Starr (asplênio e samambaia-laço), H. Zell (polipódio), Tato Grasso (cabelo-de-Vênus), Daria Inozemtseva (isoeta), usuários do Wikimedia JMK (ptéride), Keisotyo (trevo-d’água) e Kembangraps (pilulária), e usuário do flickr peganum (samambaia-sensível).

24.2 Musci (musgos): Lycopodium (licopódios), Porella (porelas), Sphagnum (esfagnos), Phascum (fascos), Fontinalis (musgos d’água), Buxbaumia (musgos-de-elfo), Splachnum (musgos-do-esterco), Polytrichum (musgos-cabelos), Mnium (musgos-calcários), Bryum (musgos-comuns), Hypnum (musgos-achatados).

1758Linnaeus_cryptogamia_musci

Entre as espécies da ordem Musci havia (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o licopódio-comum (Lycopodium clavatum), a porela-pinada (Porella pinnata), o esfagno-das-pradarias (Sphagnum palustre), o musgo-d’água-comum (Fontinalis antipyretica), o musgo-de-elfo-comum (Buxbaumia aphylla), o musgo-cabelo-dos-Alpes (Polytrichum alpinum), o musgo-calcário-do-ano (Mnium hornum), o musgo-prateado (Bryum argenteum) e o musgo-cipreste (Hypnum cupressiforme). Créditos a Christian Fischer (licopódio), Rafael Medina (porela), Bernd Haynold (esfagno), Hermann Schachner (musgo-cabelo, musgo-prateado), Bernard Dupont (musgo-calcário), e usuários do Wikimedia AnRo0002 (musgo-d’água) e Aconcagua (musgo-cipreste).

24.3 Algae (algas): Jungermannia (hepáticas-folhosas), Targionia (targiônias), Marchantia (hepáticas-talosas), Blasia (blásia), Riccia (cristalárias), Anthoceros (antóceros), Lichen (líquens), Chara (caras), Tremella (vários organismos gelatinosos), Fucus (algas marrons e vemelhas), Ulva (alfaces-do-mar e noris), Conferva (várias algas filamentosas), Byssus (vários organismos crustosos e lanosos), Spongia (esponjas).

1758Linnaeus_cryptogamia_algae

A diversa ordem Algae incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a hepática-folhosa-da-mata (Jungermannia nemora, agora Scapania nemorea), a targiônia-comum (Targionia hypophylla), a hepática-língua-verde (Marchantia polymorpha), a blásia (Blasia pusilla), a cristalária-flutuante (Riccia fluitans), o antócero-liso (Anthoceros laevis, agora Phaeoceros levis), o líquen-mapa (Lichen geographicus, agora Rhizocarpon geographicum), a cara-comum (Chara vulgaris), a geleia-de-bruxa (Tremella nostoc, agora Nostoc commune), fuco-serrado (Fucus serratus), alface-do-mar-comum (Ulva lactuca), limo-da-rocha (Conferva rupestris, agora Cladophora ruprestris), lã-dourada (Byssus aurea, agora Trentepohlia aurea), e a esponja-de-banho (Spongia officinalis). Créditos a Bernd Haynold (hepática-folhosa, blásia), Luis Fernández García (targiônia), Benis Barthel (língua-verde), Christian Fischer (cristalária), Fritz Geller-Grimm (líquen), Lairich Rig (geleia-de-bruxa), Kristian Peters (alface-do-mar), Bioimages (limo-da-rocha), JK Johnson (lã-dourada), Guido Picchetti (esponja) e usuários do Wikimedia Oliver s. (antócero), Mnolf (caras) e Citron (fuco).

24.4 Fungi (fungos): Agaricus (cogumelos lamelados), Boletus (cogumelos com poros), Hydnum (cogumelos-dentados), Phallus (cogumelos fálicos), Clathrus (fungos com formato de dedo), Elvela (cogumelos em forma de sela), Peziza (cogumelos em forma de taça), Clavaria (cogumelos em forma de clava), Lycoperdon (cogumelos esféricos), Mucor (mofos).

1758Linnaeus_cryptogamia_fungi

A ordem Fungi continha (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o cogumelo-do-campo (Agaricus campestres), a orelha-de-pau-vermelha-comum (Boletus sanguineus, agora Pycnoporus sanguineus), o dente-doce (Hydnum repandum), o falo-impudico (Phallus impudicus), o mixomiceto-algodão-doce (Clathrus denudatus, agora Arcyria denudata), o copo-de-vinagre (Peziza acetabulum, agora Helvella acetabulum), o cogumelo-clava-doce (Clavaria pistillaris, agora Clavariadelphus pistillaris), o peido-de-lobo-do-campo (Lypoderon cervinum, agora Lycoperdon lividum) e o bolor-alfinete-comum (Mucor mucedo). Créditos a Nathan Wilson (cogumelo-do-campo), Instituto Últimos Refúgios (orelha-de-pau), H. Krisp (dente-doce, copo-de-vinagre), Jörg Hempel (falo), Bea Leiderman (mixomiceto), Francisco J. Díez Martín (cogumelo-clava), Michel Beeckman (peido-de-lobo) e James Lindsey (bolor-alfinete).

Aqui podemos ver que a bagunça de Linnaeus chegou ao limite. Há mesmo animais classificados como plantas, como você pode ver com esponjas aparecendo como algas. Na verdade a ordem Algae incluía espécies pertencendo a quase todos os reinos atualmente reconhecidos, de bactérias a animais, fungos, plantas e heterocontas. As outras ordens são consideravelmente mais uniformes.

Terminamos o sistema de Linnaeus! Oba!

Eu farei uma postagem adicional com um resumo e então podemos seguir para mudanças que aconteceram nos sistemas seguintes. Vejo vocês lá!

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Referência:

Linnaeus, C. (1758) Systema Naturae per regna tria Naturae…

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