Arquivo da categoria: Curiosidades

Sexta Selvagem: Tardígrado-Comum

por Piter Kehoma Boll

Pequenino e durão, nosso mais novo integrante da Sexta Selvagem pode ser encontrado escondido entre o musgo através da maior parte do planeta e talvez até além dele, porque se há uma espécie para a qual o espaço é tranquilo, essa espécie é o tardígrado-comum Milnesium tardigradum.

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Uma imagem de microscopia eletrônica de varredura de um espécime de tardígrado-comum em seu estado ativo. Foto extraída de Schokraie et al. (2012).*

Você já deve ter ouvido falar dos tardígrados (ou ursos-d’água como também são chamados), minúsculos animaizinhos rechonchudos que são capazes de suportar as mais extremas condições, tal como dessecação intensa, radiação e mesmo o vácuo do espaço. A maior parte dos dados referentes à resistência desses organismos vem do tardígrado-comum, a espécie mais amplamente distribuída do filo Tardigrada.

Medindo até 0.7 mm de comprimento, o tardígrado-comum tem 8 patas com garras nas pontas e é considerado um predador, alimentando-se de uma variedade de outros organismos pequenos, incluindo algas, rotíferos e nematódeos. Ele tem uma distribuição cosmopolita e é comumente encontrado vivendo no musgo, tal como o musgo-prateado já apresentado aqui.

Como membros do supergrupo Ecdysozoa (que também inclui artrópodes e nematódeos), os tardígrados sofrem ecdise, também chamada comumente de muda, um processo pelo qual eles trocam o exoesqueleto. No tardígrado comum, as fêmeas sempre depositam os ovos perto da época da muda. Antes de deixarem o exoesqueleto velho, as fêmeas depositam o cacho de ovos, que pode variar de 1 a 12 ovos, entre o exoesqueleto velho e o novo e geralmente continuam dentro do exoesqueleto antigo por várias horas após porem os ovos. Quando elas finalmente vão embora, os ovos permanecem dentro da pele velha, o que talvez os ajude a ficarem mais protegidos do perigo.

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Um conjunto de sete ovos é deixado num exoesqueleto vazio enquanto a fêmea vai embora. Foto de Carolina Biological Supply Company.**

Quando o habitat do tardígrado comum se torna muito seco, ele entra num estado chamado criptobiose, no qual o corpo se encolhe e o metabolismo para. Nesse estado, conhecido como tun, ele pode suportar altas doses de radiação e tanto pressões atmosféricas altas quanto a ausência de pressão, sobrevivendo mesmo no ambiente do espaço sideral. Ele não é invencível, contudo. A radiação em doses acima de 1000 Gy pode nem sempre matá-lo, mas sempre o deixa estéril, o que é, evolutivamente, basicamente a mesma coisa.

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Imagem de microscopia eletrônica de varredura de um tardígrado no estado tun. Foto extraída de Schokraie et al. (2012)*

De qualquer forma, a barata-americana é só um amador se tratando de sobrevivência quando comparada com o tardígrado comum.

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Referências:

Horikawa, D. D.; Sakashita, T.; Katagiri, C.; et al. (2009) Radiation tolerance in the tardigrade Milnesium tardigradumInternatonal Journal of Radiation Biology, 86(12): 843–848. http://dx.doi.org/10.1080/09553000600972956

Schokraie E, Warnken U, Hotz-Wagenblatt A, Grohme MA, Hengherr S, et al. (2012) Comparative proteome analysis of Milnesium tardigradum in early embryonic state versus adults in active and anhydrobiotic state. PLoS ONE 7(9): e45682. https://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0045682

Suzuki, A. C. (2003) Life history of Milnesium tardigradum Doyère (Tardigrada) under a rearing environment. Zoological Science 20(1): 49–57. https://doi.org/10.2108/zsj.20.49

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.5 Genérica.

**Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Arqueia-Quadrada-de-Walsby

por Piter Kehoma Boll

Depois de mais de cem Sextas Selvagens, há um grupo ainda sem representantes aqui: as arqueias. Mas isso vai mudar hoje com a apresentação de nossa primeira arqueia, e ela é sem dúvida uma espécie muito interessante.

Cientificamente conhecida como Haloquadratum walsbyi, ela é às vezes chamada de arqueia-quadrada-de-Walsby e, como o nome sugere, tem um formato quadrado incomum.

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Um desenho mostrando um conjunto de quatro células da arqueia-quadrada-de-Walsby.

Essa interessante arqueia foi descoberta em 1980 por Anthony Edward Walsby em lagos salinos da Península do Sinai. Posteriormente ela foi encontrada em vários outros lagos com altas concentrações de sal pelo mundo e foi cultivada em laboratório pela primeira vez em 2004, mas só em 2007 foi formalmente descrita e recebeu sua nomenclatura binomial.

As células quadradas da arqueia-quadrada-de-Walsby são muito finas, com cerca de 0.2 µm de espessura, e medem cerca de 2 µm de cada lado. Elas crescem bem lentamente, formando uma fina camada sobre uma superfície, tendo a maior camada já registrada medido 40 × 40 µm. Se as condições de crescimento não são ideias, as células deterioram em uma forma achatada irregularmente quadrada ou sem forma definida nenhuma.

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Fotografias de células de Haloquadratum walsbyi mostrando os vacúolos em forma de cristal. Imagem extraída de Burns et al. (2007).

Dentro das células, a arqueia-quadrada-de-Walsby possui pequenas vesículas de gás que se parecem com pequenos cristais. Elas ajudam a célula a permanecer na superfície da água muito salgada em que vivem. De forma a sobreviver, essa arqueia precisa de água com concentrações de sal de pelo menos 14%, mas as condições se tornam ideias somente acima de 23%.

Apesar de conhecermos coisas interessantes sobre essa espécie, ainda há muito para aprender. Quem sabe quais mistérios essa criaturinha quadrada está escondendo de nós?

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Referências:

Bolhuis, H.; Poele, E. M. t.; Rodriguez-Valera, F. (2004) Isolation and cultivation of Walsby’s square archaeonEnvironmental Microbiology 6(12): 1287–1291.

Burns, D. G.; Janssen, P. H.; Itoh, T.; Kamekura, M.; Li, Z.; Jensen, G.; Rodríguez-Valera, F.; Bolhuis, H.; Dyall-Smith, M. L. (2007) Haloquadratum walsbyi gen. nov., sp. nov., the square haloarchaeon of Walsby, isolated from saltern crystallizers in Australia and SpainInternational Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology57: 387–392.

 

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Sexta Selvagem: Baleia-azul

por Piter Kehoma Boll

Já falamos do mais fofo e do mais pernudo, então agora é hora de apresentar o maior, de uma vez.

Acho que a maioria de nós já sabe que o maior animal de todos os tempos é nossa querida baleia-azul, Balaenoptera musculus. Ela pode chegar a 30 m de comprimento e pesar mais de 180 toneladas. É realmente grande, mas provavelmente não tão grande quanto muitas pessoas pensam. Há algumas lendas populares, como a de que o coração de uma baleia-azul é do tamanho de um carro e que um humano poderia nadar em sua aorta, que não são realmente verdade.

É quase impossível achar uma foto de corpo inteiro de uma baleia azul. Afinal, ela é enorme e vive embaixo d'água!

É quase impossível achar uma foto de corpo inteiro de uma baleia azul. Afinal, ela é enorme e vive embaixo d’água!

Mas o que mais podemos dizer sobre a baleia-azul? Ela é um rorqual, um nome usado para designar baleias da família Balaenopteridae e, como todas elas, se alimenta quase exclusivamente de krill, um pequeno crustáceo muito abundante nos oceanos. E o krill precisa ser abundante de maneira a fornecer as milhares de toneladas que todas as baleias nos oceanos precisam comer todos os dias. Uma única baleia-azul come até 40 milhões de krills em um dia, o que equivale a cerca de 3,5 toneladas. Um filhote de baleia-azul nasce medindo cerca de 7 m de comprimento e bebe cerca de 500 litros de leite por dia!

Baleias-azuis eram abundantes em quase todos os oceanos até o começo do século XX, quando começaram a ser caçadas e quase foram extintas. Hoje em dia, o tamanho real da população é difícil de estimar, mas pode compreender tão pouco quanto 5.000 espécimes, muito menos que as estimadas centenas de milhares no século XIX. Devido a umaa redução tão drástica na população, a baleia-azul é atualmente listada como “em perigo” na Lista Vermelha da IUCN.

Mas vamos ver uma baleia-azul em toda a sua azulância.

Mas vamos ver uma baleia-azul em toda a sua azulância.

Ocasionalmente, as baleias-azuis podem hibridizar com baleias-comuns (Balaenoptera physalus) e talvez até com baleias-jubartes (Megaptera novaeanglie), uma espécie classificada num gênero diferente! Algumas análises genéticas recentes, contudo, indicam que o gênero Balaenoptera é polifilético e a baleia-azul pode passar a ser conhecida como Rorqualus musculus.

Diferente de outras baleias, as baleias-azuis geralmente vivem sozinhas ou em pares, mas nunca formam grupos, mesmo que às vezes se juntem em lugares com grandes concentrações de alimento.

Como outros cetáceos, especialmente outras baleias, a baleia-azul canta. O canto, no entanto, não é tão complexo e dinâmico quanto o produzido pela aparentada baleia-jubarte. Um fato intrigante que foi descoberto recentemente é que a frequência do canto da baleia-azul está se tornando mais e mais baixa pelo menos desde os anos 1960. Não há uma boa hipótese para explicar este fenômeno ainda, mas várias já foram propostas, incluindo o aumento do barulho de fundo devido a atividades humanas ou o aumento na densidade populacional devido à redução da caça.

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Referências:

Hassanin, A.; Delsuc, F.; Ropiquet, A.; Hammer, C.; van Vuuren, B. J.; Matthee, C.; Ruiz-Garcia, M.; Catzeflis, F.; Areskoug, V.; Nguyen, T. T.; Couloux, A. 2012. Patter and timing of diversification of Cetartiodactyla (Mammalia, Laurasiatheria), as revealed by a comprehensive analysis of mitochondrial genomes.  Comptes Rendus Biologies, 335: 32-50.

Mellinger, D. K.; Clark, C. W. 2003. Blue whale (Balaenoptera musculus) sounds from the North Atlantic. Journal of the Acoustical Society of America, 114(2): 1108-1119.

Wikipedia. Blue whale. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Blue_whale&gt;. Acessso em 27 de janeiro de 2016.

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Sexta Selvagem: Milípede-Pernudíssimo

por Piter Kehoma Boll

Em relação à natureza, as pessoas estão sempre curiosas sobre os superlativos, os extremos.. Qual é o maior, o menor, o mais velho, o mais venenoso… Mas existe outro extremo sobre o qual as pessoas geralmente não pensam: o mais pernudo!

Assim hoje falaremos dele. O animal mais pernudo, isto é, o animal com o maior número de pernas.

Seu nome científico é Illacme plenipes e ele não possui um nome comum, então decidi chamá-lo de “milípede-pernudíssimo”, já que é isso que ele é. O nome “milípede” significa “mil pés”, mas nenhum deles realmente atinge esse número. O I. plenipes, no entanto, chega bem perto, tendo até 750 patas! Ele é tão comprido e tão pernudo que vê-lo se movendo é quase uma tortura.

Uma fêmea de Illacme plenipes. Foto de Marek et al. (2012).

Uma fêmea de Illacme plenipes. Foto de Marek et al. (2012).

Esta espécie foi descrita em 1928 a partir de uma pequena localidade na Califórnia e é tão raro que não foi encontrado de novo por quase 80 anos, sendo redescoberto apenas em 2005 em uma área próxima da original. Apesar de ter centenas de patas, é uma espécie bem pequena, tendo menos de 4 cm de comprimento. A maioria dos espécimes examinados possui menos de 700 pernas por causa do desenvolvimento incomum encontrado na maioria ou em todos os milípedes.

Como todos os artrópodes, os milípedes trocam seu exoesqueleto de tempos em tempos para que consigam crescer. Em milípedes, cada vez que eles fazem a muda, eles aumentam o número de segmentos corporais e de patas. Isso continua ao longo da vida, mesmo depois de sexualmente maduros. Assim, poderíamos até mesmo encontrar espécimes tendo mais que o recorde de 750 patas!

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Referências:

Marek, P. E.; Bond, J. E. 2006. Rediscovery of the world’s leggiest animal. Nature, 441: 707. DOI: 10.1038/441707a

Marek, P. E.; Shear, W. A.; Bond, J. E. 2012. A redescription of the leggiest animal, the millipede Illacme plenipes, with notes on its natural history and biogeography. Zookeys, 241: 77-112. DOI: 10.3897/zookeys.241.3831

Wikipedia. Illacme. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Illacme&gt;. Accesso em 26 de janeiro de 2016.

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O tomate é uma fruta?

por Piter Kehoma Boll

Uma frase comumente ouvida por aí é a de que “o tomate é na verdade uma fruta e não um legume”. Tal afirmação, há alguns anos, quando era novidade, causava espanto e dúvida por parte de muitas pessoas, mas ela foi se tornando cada vez mais popular e hoje em dia, quando alguém diz “você sabia que o tomate é uma fruta?” a maioria vai responder “sabia”, sentindo-se o grande detentor da sabedoria devido a esse conhecimento.

Três tomates tentando argumentar que pertencem ao clubinho das frutas. Foto de Civertan Grafikai Stúdió**

Três tomates tentando argumentar que pertencem ao clubinho das frutas. Foto de Civertan Grafikai Stúdió**

Só que há um pequeno probleminha nisso tudo. O tomate NÃO É UMA FRUTA.

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Poxa, por que não?

“Fruta” não é um termo botânico, mas sim um termo culinário. Apenas “fruto” é um termo botanicamente válido. A confusão provavelmente surgiu por influência do inglês, no qual existe apenas a palavra “fruit”.

Uma fruta é, basicamente, uma estrutura carnosa doce associada a sementes e usada como um alimento doce, consumida in natura ou em preparações com açúcar.

Um fruto, por outro lado, é o ovário de uma angiosperma que se desenvolve após a fertilização, envolvendo as sementes e protegendo-as do ambiente.

Portanto se você não come o tomate em saladas de frutas ou em compotas, nem prepara doces ou geleias de tomate, então ele não é uma fruta.

Salada de frutas com tomate. Você faz isso? Foto extraída de schockinglydelicious.com

Salada de frutas com tomate. Você faz isso? Foto extraída de schockinglydelicious.com

Nem todas as frutas são exatamente frutos e certamente muitos frutos não são considerados frutas.

Entre as frutas que são frutos encontram-se ameixas, pêssegos, cerejas, melancias, melões, laranjas, tangerinas, limões, uvas, abacates, mangas, goiabas, pitangas, jabuticabas, bananas, caquis…

O pêssego está assombrado ao descobrir que é uma fruta e um fruto genuínos ao mesmo tempo.

O pêssego está assombrado ao descobrir que é uma fruta e um fruto genuínos ao mesmo tempo. Foto de Luigi Chiesa.***

Entre os frutos que não são considerados frutas estão o tomate, a berinjela, a abóbora, o pepino, vários tipos de vagens e castanhas, entre outros.

Os pomos, tal como a maçã e a pera, são apenas parcialmente frutos. Quando cortados, você pode notar uma discreta divisão na polpa da fruta. A parte mais interna é o verdadeiro fruto, enquanto a camada mais externa, geralmente mais espessa, se desenvolveu a partir do receptáculo no qual o ovário estava inserido.

Fatia de maçã com destaque, à direita, da região que corresponde ao fruto verdadeiro, derivado do óvulo da flor. Imagem modificada a partir de um original postado pelo usuário flikr, no flickr (flickr.com/people/flikr/).*

Fatia de maçã com destaque, à direita, da região que corresponde ao fruto verdadeiro, derivado do óvulo da flor. Imagem modificada a partir de um original postado pelo usuário flikr, no flickr (flickr.com/people/flikr/).*

Em amoras, sarças e framboesas, cada pequena vesícula formando a fruta é um fruto. No morango, a parte carnosa é o receptáculo e os frutos verdadeiros são as pequenas “sementes” na superfície. O abacaxi é uma espiga inteira de frutos, receptáculos e pedúnculo fundidos e desenvolvidos em uma estrutura carnosa.

Lembre-se, portanto, que fruta é um termo culinário e que se refere à forma como uma estrutura é usada como alimento. Como ninguém mistura tomates com maçãs, bananas, laranjas e abacaxis, ele não é uma fruta.

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Sexta Selvagem: Fungo-Dente-Sangrento

por Piter Kehoma Boll

Nossa espécie hoje é um belo fungo, Hydnellum peckii, o fungo-dente-sangrento. Ele foi descrito em 1913 por Howard J. Banker e nomeado em homenagem ao botânico C. H. Peck que o coletou em North Elba, Nova Iorque.

Sendo um cogumelo, sua parte visível é composta por seus corpos de frutificação que podem crescer a uma altura de até 10,5 cm. Quando úmidos, estes corpos de frutificação exsudam um suco vermelho, dando ao cogumelo sua bela aparência e seu nome comum. Encontrado ao longo da maior parte da América do Norte, bem como na Eurásia, ele cresce do solo e geralmente está associado com coníferas da família Pinaceae, como os gêneros Pinus, Picea, Tsuga, PseudotsugaAbies.

Espécime jovem de Hydnellum peckii. Foto do usuário da Wikipedia, Bernypisa.

Espécime jovem de Hydnellum peckii. Foto do usuário da Wikipedia, Bernypisa.

Apesar de não ser tóxico, ele possui um sabor tão amargo que se torna não-comestível. De qualquer maneira não seria bom comê-lo, visto que ele acumula o elemento pesado Césio-137 em seu micélio.

H. peckii revelou possuir atromentina, um anticoagulante efetivo similar à heparina que também possui atividade antibacteriana contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, inibindo uma enzima essencial para a biossíntese de seus ácidos graxos. Outros usos da atromentina incluem um estimulante para a musculatura lisa e um indutor de apoptose em células U937 de leucemia.

Não somente bonito, ele também é muito útil para propósitos médicos e ecológicos.

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Referências:

Banker, H. J. 1913. Type Studies in the Hydnaceae: V. The Genus Hydnellum. Mycologia, 5 (4), 194-205 DOI:10.2307/3753385

Shiryaev, A. 2008. Diversity and distribution of thelephoroid fungi (Basidiomycota, Thelephorales) in the Sverdlovsk region, Russia. Folia Cryptogamica Estonica, 44, 131-141

Vinichuk, M. M.; Johanson, K. J. & Taylor, A. F. S. 2004. 137Cs in the fungal compartment of Swedish forest soils Science of The Total Environment, 323, 243-251 DOI: 10.1016/j.scitotenv.2003.10.009

Wikipedia. Hydnellum peckii. Available online at <http://en.wikipedia.org/wiki/Hydnellum_peckii>. Access on August 10, 2012.

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Sexta Selvagem: “Cobra-mole”

por Piter Kehoma Boll

Nossa espécie da Sexta Selvagem de hoje foi escolhida porque tem sido vista nos últimos dias em notícias, sites e blogs brasileiros. Seu nome é Atretochoana eiselti e é uma espécie rara de anfíbio ceciliídeo encontrada no Brasil. Uma de suas maiores peculiaridades é que não possui pulmões e, tendo cerca de 80 cm de comprimento, é o maior tetrápode sem pulmões conhecido.

Atretochoana eiseltii encontrada no Rio Madeira em 21 de julho de 2012. Foto de Juliano Tupan.

Atretochoana eiseltii encontrada no Rio Madeira em 21 de julho de 2012. Foto de Juliano Tupan.

Inicialmente a espécie era conhecida a partir de um único espécime encontrado em 1968 até um segundo ser encontrado em 1998. Como todos os ceciliídeos, ela não possui pernas e possui olhos muito reduzidos. Pouco é conhecido sobre ela ainda, mas parece ser mais aquática que terrestre em seus hábitos, diferente da maioria dos ceciliídeos, o que é suportado pela presença de uma pequena nadadeira dorsal.

Após a descoberta dos dois espécimes originais, somente em 2011 foram encontrados outros, no Rio Madeira, no Brasil. Esses foram os primeiros indivíduos registrados em seu habitat natural, mas, estranhamente, o rio possui águas mais quentes que o esperado para uma espécie que não possui pulmões, já que águas mais quentes possuem menos oxigênio.

Durante 2012, mais espécimes foram encontrados no mesmo rio. Vamos esperar que, agora que conhecemos seu habitat natural, sejamos capazes de decifrar alguns dos mistérios que ainda cercam essa criatura incomum.

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Referências:

Hoogmoed, M. S.; Maciel, A. O. and Coragem, J. T. (2011). Discovery of the largest lungless tetrapod, Atretochoana eiselti (Taylor, 1968) (Amphibia: Gymnophiona: Typhlonectidae), in its natural habitat in Brazilian Amazonia Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi : Ciências Naturais, 6 (3), 241-262

Wikipedia. Atretochoana. Disponível online em <http://en.wikipedia.org/wiki/Atretochoana>. Acesso em 2 de agosto 2012.

Wilkinson, M.; Sebben, A; Schwartz, E. N. F. and Schwartz, C. A. 1998. The largest lungless tetrapod: report on a second specimen of Atretochoana eiselti (Amphibia: Gymnophiona: Typhlonectidae) from Brazil Journal of Natural History, 32, 617-627 DOI:10.1080/00222939800770321

Ximenes, M. 2012. Anfíbio com formato de cobra é descoberto no Rio Madeira, em RO. G1. Acesso em 2 de agosto de 2012.

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