Arquivo do mês: março 2019

Novas Espécies: Março de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Liparis napoensis é uma nova orquídea da China. Créditos a Li et al. (2019).*

Plantas

Microchiritia hairulii é uma nova angiosperma da Malásia. Créditos a Rahman (2019).*

Excavados

Neoboletus antillanus é um novo cogumelo da República Dominicana. Créditos aGelardi et al. (2019).*

Fungos

Biatora alnetorum é um novo líquen da América do Norte. Créditos aEkman & Tønsberg (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Rotíferos

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Quelicerados

Arrup akiyoshiensis é uma nova centopeia do Japão. Créditos a Tsukamoto et al. (2019)*

Miriápodes

Antheromorpha nguyeni é um novo piolho de cobra do Vietnã. Créditos aLikhitrakarn et al. (2019).*

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Tunicados

Actinopterígeos

Anfíbios

Austrobatrachus kurichiyana, uma nova rã da Índia. Créditos a Vijayakumar et al. (2019).*

Répteis e Aves

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Sexta Selvagem: Centro-hélido-gentil-contrátil

por Piter Kehoma Boll

Eucariontes unicelulares, tradicionalmente chamados de protistas, existem em uma variedade de formas e tamanhos e possuem uma classificação complexa, especialmente porque muitas linhagens evoluíram características similares. Os centro-hélidos, por exemplo, possuem uma célula redonda com vários pseudópodes em forma de agulha radialmente distribuídos chamados de actinópodes, assim se parecendo com radiolários, mas sendo apenas distantemente relacionados a eles.

Um único indivíduo do centro-hélido-gentil-contrátil. Créditos ao usuário NEON_ja do Wikimedia.*

Um centro-hélido que tem sido consideravelmente bem estudado recentemente é Raphidiophrys contractilis, para o qual decidi cunhar o nome comum centro-hélido-gentil-contrátil. Ele foi descrito em 1995 a partir de espécimes coletados em lagos salobros em Hiroshima, Japão. Como outras espécies do gênero Raphidiophrys, o centro-hélido-gentil-contrátil possui muitas estruturas de sílica, chamadas de escamas, cobrindo a célula e imersas em uma capa gelatinosa. Estas escamas são mais concentradas em torno da base dos actinópodes e se estendem para fora em torno de parte deles também. No centro-hélido-gentil-contrátil, as escamas são oblongas, achatadas e ligeiramente curvadas, lembrando um bote de borracha. O lado convexo da escama é sempre direcionado para a célula.

O centro-hélido-gentil-contrátil é um predador de outros protistas, especialmente flagelados e ciliados. Protistas pequenos são capturados pelos actinópodes e puxados rapidamente em direção ao corpo da célula por uma contração súbita do actinópode. Este comportamento é a razão de a espécie ser chamada de contractilis. Uma vez que a presa esteja perto do corpo da célula, ela é rodeada por pseudópodes e armazenada em um vacúolo alimentar, onde é digerida. A captura de presas usando os actinópodes é auxiliada por uma organela especial, chamada quinetocisto, encontrada em grande número abaixo da membrana celular. Quando o centro-hélido toca a presa, descarrega os quinetocistos que imobilizam a presa, funcionando similarmente aos cnidócitos dos cnidários.

Raphidiophrys contractilis com vários flagelados da espécie Chlorogonium elongatum presos em seus actinópodes (A) e um sendo engolido para dentro de um vacúolo alimentar (B). Extraído de Sakaguchi et al. (2002)

Quando um centro-hélido-gentil-contrátil encontra uma presa muito grande, muito maior que ele mesmo às vezes, tal como um ciliado Paramecium, ele usa um comportamento cooperativo extremo. Vários organismos individuais se fundem numa única célula grande, arrancam pedaços da presa e criam um grande vacúolo alimentar comum. Não é bizarro e incrível?

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Referências:

Kinoshita E, Suzaki T, Shigenaka Y, SugiyamaM (1995) Ultrastructure and rapid axopodial contraction of a Heliozoa, Raphidiophrys contractilis sp. nov. The Journal of Eukaryotic Microbiology 42(3): 283–288. doi: 10.1111/j.1550-7408.1995.tb01581.x

Sakaguchi M, Suzaki T, Khan SMMK, Hausmann K (2002) Food capture by kinetocysts in the heliozoon Raphidiophrys contractilis. European Journal of Protistology 37(4): 453–458. doi: 10.1078/0932-4739-00847

Siemensma FJ, Roijackers MM (1988) The genus Raphidiophrys (Actinopoda, Helozoea): scale morphology and species distinctions. Archiv für Protistenkunde 136(3): 237–248. doi: 10.1016/S0003-9365(88)80023-X

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.5 Genérica.

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Arquivado em protistas, Sexta Selvagem

Virando padrasto para transar: o incomum cuidado aloparental em uma abelhinha-carpinteira

por Piter Kehoma Boll

Read it in English

Mês passado, fiz alguns comentários sobre cuidado aloparental, isto é, o ato de tomar conta de uma prole que não é sua.

Na maioria das vezes, quando cuidado parental existe numa espécie, ele é realizado somente pela mãe. Quando há um ajudante, ele geralmente é o pai entre vertebrados, ou irmãos entre artrópodes, especialmente entre insetos sociais como abelhas e formigas. Machos tomando conta da prole em insetos sociais é algo improvável de acontecer na maioria das espécies porque o macho geralmente morre logo depois de acasalar.

Contudo uma situação incomum foi recentemente descoberta em Ceratina nigrolabiata, uma espécie de abelha-carpinteira-pequena da região do Mediterrâneo. Nesta espécie, a fêmea é poliândrica, isto é, ela acasala com vários machos, de forma que nem toda a sua prole tem o mesmo pai.

Esta não é a parte incomum, no entanto. O estranho é que machos desta espécie não morrem após acasalarem e ajudam a fêmea a tomar conta da prole. Enquanto a fêmea deixa o ninho para procurar alimento, o macho fica e toma conta dos ovos e das larvas, protegendo-os de inimigos naturais, como formigas. No entanto, como dito acima, as fêmeas desta espécie acasalam com muitos machos, e estudos genéticos revelaram que o macho guardando o ninho é o pai de somente cerca de 10% da prole.

Cuidado parental na abelhinha-carpinteira Ceratina nigrolabiata:
(A) A fêmea chega ao ninho. Um macho está voando por perto, procurando uma “solteirona”
(B) A fêmea cumprimenta seu macho ajudante
(C) Ninho seccionado mostrando três células com larvas/ovos e alimento e uma quarta célula sendo construída; a fêmea está à esquerda e o macho à direita
Créditos a Mikát et al. (2019) (Veja referências)

Então por que machos de Ceratina nigrolabiata cuidam dos filhos de outro macho? O que a equipe estudando este sistema descobriu é que quanto mais tempo o macho toma conta de um ninho, maior é a quantidade da prole que o tem como pai. Em outras palavras, parece que ajudar uma fêmea aumenta as chances de um macho copular com aquela fêmea, assim aumentando o número de descendentes que ele possui. Não obstante, os machos raramente ficavam por muito tempo no mesmo ninho, geralmente se movendo para outro ninho a cada semana mais ou menos, o que não aumenta a quantidade de sua própria prole no ninho.

A equipe também experimentalmente removeu fêmeas dos ninhos para observar como os machos se comportariam na ausência de uma fêmea. O que eles descobriram é que os machos geralmente abandonam o ninho quando isso acontece, não estando nem aí para os pobres bebês. Portanto, é provável que o cuidado aloparental dos machos seja na verdade um sub-produto de guardar a fêmea, isto é, o macho está lá para assegurar que terá acesso à fêmea quando ela estiver disposta a acasalar. Ele não se importa de verdade com os filhotes.

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Referência:

Mikát M, Janošik L, Černá K, Matuošková E, Hadrava J, Bureš V, Straka J (2019) Polyandrous bee provides extended offspring care biparentally as an alternative to monandry based eusociality. PNAS 116(13): 6238-6243. doi: 10.1073/pnas.1810092116

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Arquivado em Comportamento, Entomologia, Zoologia

Quarta de Quem: Carl Nägeli

por Piter Kehoma Boll

Às vezes lhe falta a habilidade de se tornar um grande cientista, então você procura reconhecimento arruinando a carreira de grandes nomes da ciência. Ao menos essa é basicamente a definição do homem cujo nascimento comemoramos hoje.

Carl Wilhelm von Nägeli nasceu em 27 de maio de 1817 em Kilchberg, perto de Zurique, sendo filho de um médico. Em 1836, ele começou a estudar medicina na Universidade de Zurique, mas logo mudou seu interesse para botânica, tendo Lorenz Oken e Oswald Heer, entre outros, como professores. Em 1939, ele passou a estudar botânica na Universidade de Genebra sob Augustin Pyramus de Candolle e se graduou em 1840 com uma tese botânica intitulada Die Cirsien der Schweiz (As espécies de Cirsium da Suíça).

Retrato de Carl Nägeli. Autor e data desconhecidos.

Em 1842, Nägeli passou a trabalhar em Jena com o botânico Matthias Jakob Schleiden no estudo microscópico de plantas. Naquele ano, ele observou divisão celular durante a formação do pólen, mas aparentemente não conseguiu entender o que estava vendo, diferente de Robert Remak, que observou divisão celular pela mesma época.

Nägeli cunhou os termos meristema, xilema e floema em 1858 e esta é provavelmente sua principal contribuição à ciência. Ele é mais comumente lembrado por como ele fez quase tudo errado, especialmente em relação a evolução e hereditariedade. Por exemplo, Nägeli trocou correspondência extensiva com Gregor Mendel, que mencionou a ele seus trabalhos com plantas, mas Nägeli os considerou inúteis e de certa forma desmotivou Mendel a seguir com seus estudos.

Em 1884, Nägeli publicou um trabalho intitulado Mechanisch-physiologische Theorie der Abstammungslehre (Uma teoria mecânico-fisiológica da evolução orgânica) no qual propõe o conceito de idioplasma, que seria uma parte especial do citoplasma de uma planta que transmitia caracteres herdados. Mendel, que morreu naquele mesmo ano, nem mesmo foi mencionado neste trabalho, o que torna claro como Nägeli desprezava o trabalho de Mendel.

Similarmente, Nägeli rejeitava a teoria da Seleção Natural de Darwin como uma força guiando a evolução. Em vez disso, ele defendia a ideia de ortogênese, desenvolvendo o conceito de um princípio interno aperfeiçoador que ele considerava direcionar a evolução.

Ele morreu em 10 de maio de 1891 em Munique aos 74 anos.

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Referências:

Wikipedia. Carl Nägeli. Available at < 
https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_N%C3%A4geli >. Access on 26 March 2019.

Wikipedia (in German). Carl Wilhelm von Nägeli. Available at < 
https://de.wikipedia.org/wiki/Carl_Wilhelm_von_N%C3%A4geli >. Access on 26 March 2019.

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Arquivado em Biografias

Peixes-Bruxas: Outra Dor de Cabeça Filogenética

por Piter Kehoma Boll

Anos atrás, fiz uma postagem sobre os problemáticos Acoelomorpha e sua posição controversa entre animais bilaterais. Agora vou falar sobre outra dor de cabeça: peixes-bruxas.

Os peixes-bruxas são cordados primitivos que compõem a classe Myxini. Eles são animais marinhos que vivem no fundo do mar e se alimentam principalmente de vermes poliquetos que puxam para fora do substrato. Contudo eles também são carniceiros e possuem um comportamento peculiar no qual perfuram o corpo de peixes mortos e entram nele, comendo o animal morto de dentro para fora.

Espécime do peixe-bruxa-do-Pacífico Eptatretus stoutii. Foto de Jeanette Bham.*

Morfologicamente, peixes-bruxas são caracterizados pela presença de um crânio cartilaginoso, como vertebrados, mas não possuem uma coluna vertebral, mantendo a notocorda, a estrutura dorsal de material parecido com cartilagem, durante a vida toda. Devido a esta falta de vértebras, os peixes-bruxas eram classificados fora dos vertebrados, mas unidos a eles pela presença do crânio. Assim, Myxini era visto como o grupo irmão de Vertebrata e os dois juntos formavam o clado Craniata.

Entre os vertebrados, a maioria dos grupos atuais possui uma mandíbula que evoluiu de arcos branquiais modificados, compondo o clado Gnathostomata. Os únicos animais com uma coluna vertebral que não possuem mandíbulas são as lampreias (Petromyzontiformes) e, apesar de esta falta de mandíbulas ser compartilhada com peixes-bruxas, ela não é geralmente vista como uma sinapomorfia unindo estes grupos. Em peixes-bruxas, a boca sem mandíbula possui placas laterais de queratina com estruturas em forma de dente que agem mais ou menos como as mandíbulas verdadeiras de Gnathostomata, mas trabalhando a partir dos lados e não de cima e de baixo. Em lampreias, por outro lado, a boca é circular e possui estruturas de queratina em forma de dente arranjadas circularmente.

Organização geral da cabeça de peixes-bruxas, lampreias e vertebrados de mandíbula, com atenção especial às bocas. Extraído de Oisi et al. (2012).

Há muitas características morfológicas que unem lampreias a vertebrados e as separam de peixes-bruxas, a principal sendo a já mencionada coluna vertebral. Similarmente, lampreias e vertebrados de mandíbula possuem nadadeiras dorsais enquanto peixes-bruxas não as possuem. Lampreias também possuem olhos com lentes em comum com vertebrados de mandíbula, enquanto lampreias possuem ocelos simples sem lentes ou mesmo músculos associados.

Alguns dos traços compartilhados entre peixes-bruxas e lampreias, assim como a falta de mandíbulas, são geralmente vistos como um estado primitivo que mudou em vertebrados de mandíbula, ou claramente evoluíram de forma independente. Por exemplo, tanto peixes-bruxas quanto lampreias possuem apenas uma narina, enquanto vertebrados de mandíbula possuem duas, mas isto provavelmente é uma característica primitiva. Peixes-bruxas e lampreias adultos também possuem uma só gônada, mas ela aparece em peixes-bruxas pela atrofia da gônada esquerda, de forma que somente a direita se desenvolve, enquanto em lampreias as gônadas esquerda e direita se fundem em um órgão único.

Espécimes da lampreia-de-riacho-menor, Lampetra aepyptera. Foto de Jerry Reynolds.*

Portanto, morfologicamente, parece lógico considerar peixes-bruxas como grupo irmão de vertebrados, que inclui lampreias e vertebrados de mandíbula. Também é importante mencionar que há mais grupos de vertebrados sem mandíbula que estão atualmente extintos, como a classe Osteostraci, um dos vários grupos fósseis tradicionalmente chamados de ostracodermos. Apesar de também não possuírem uma mandíbula, estes vertebrados possuíam nadadeiras pares como vertebrados de mandíbula. Assim, a organização filogenética destes principais grupos com base na morfologia seria como mostrada na figura abaixo:

A hipótise dos craniados, onde peixes-bruxas são grupo irmão de vertebrados.

Contudo, nas últimas décadas, o uso de filogenia molecular desafiou esta visão ao agrupar peixes-bruxas e lampreias em um clado monofilético que é grupo irmão dos vertebrados de mandíbula. Mas como isso poderia ser possível? Tal relação implicaria que o estado primitivo dos peixes-bruxas é o resultado de perdas secundárias.

A hipótese dos ciclostomados. Peixes-bruxas são grupo irmão de lampreias.

Evidências de fósseis poderiam ajudar a esclarecer este assunto, mas a maioria dos fósseis que foram associados a peixes-bruxas não possuem caracteres morfológicos preservados que sejam bons o bastante para determinar sua correta posição filogenética. Recentemente, no entanto, um fóssil bem preservado de um peixe-bruxa do Cretáceo ajudou a elucidar parte da filogenia dos peixes-bruxas. A divergência entre lampreias e peixes-bruxas, considerando conhecimento prévio, era geralmente posicionada perto do início do período Cambriano, logo após o começo da divergência da maioria dos filos animais, mas com dados do novo fóssil, é empurrada para um ponto mais recente no tempo, pelo começo do Siluriano, mais de 130 milhões de anos depois. Este novo fóssil, chamado de Tethymyxine tapirostrum, claramente não possui esqueleto ou nadadeiras dorsais como vistos em lampreias e vertebrados de mandíbula, mas possui várias características compartilhadas com peixes-bruxas modernos.

Pelo menos duas sinapomorfias podem ser encontradas unindo peixes-bruxas e lampreias e separando-as de vertebrados de mandíbula. A primeira são os dentes, que nestes dois grupos são compostos de placas de queratina. O segundo é a organização dos miômeros, a série de músculos arranjados ao longo do corpo de cordados de forma um tanto segmentada, que tanto em peixes-bruxas quanto em lampreias começam bem ao redor dos olhos.

Considerando as evidências de dados moleculares, o novo fóssil que torna provável que peixes-bruxas e lampreias divergiram mais recentemente se são um grupo monofilético, e as prováveis sinapomorfias verdadeiras unindo estes dois grupo de vertebrados sem mandíbula, parece que peixes-bruxas e lampreias são de fato grupos irmãos, formando um clado chamado Cyclostomata e grupo irmão dos vertebrados de mandíbula, Gnathostomata. Se este é mesmo o caso, então as características aparentemente mais primitivas de peixes-bruxas são de fato o resultado de perdas secundárias e seu ancestral provavelmente possuía uma aparência mais vertebrada, com uma coluna vertebral, nadadeiras dorsais e olhos com lentes.

Mas vamos continuar de olho. As coisas podem mudar de novo no futuro conforme novos dados se tornam disponíveis.

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Referências:

Miyashita T, Coates MI, Farrar R, Larson P, Manning PL, Wogelius RA, Edwards NP, Anné J, Bergmann U, Palmer AR, Currie PJ (2019) Hagfish from the Cretaceous Tethys Sea and a reconciliation of the morphological–molecular conflict in early vertebrate phylogeny. PNAS 116(6): 2146–2151. doi: 10.1073/pnas.1814794116

Oisi Y, Ota KG, Kuraku S, Fujimoto S, Kuratani S (2012) Craniofacial development of hagfishes and the evolution of vertebrates. Nature 493: 175–180. doi: 10.1038/nature11794

Wikipedia. Cyclostomata. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Cyclostomata >. Acesso em 25 de março de 2019.

Wikipedia. Hagfish. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Hagfish >. Acesso em 25 de março de 2019.

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Arquivado em Evolução, Paleontologia, Sistemática, Zoologia

Sexta Selvagem: Briozoário-Ferrugem-Vermelha

por Piter Kehoma Boll

É hora do nosso segundo camarada briozoário, e desta vez estou trazendo uma espécie problemática que pode se tornar um incômodo sério, o briozoário-ferrugem-vermelha Watersipora subtorquata.

O briozoário-ferrugem-vermelha é um briozoário colonial que vive em águas tropicais e temperadas e cresce em superfícies duras como rochas ou eventualmente sobre outros organismos coloniais. Cada indivíduo na colônia, chamado de zooide, vive dentro de uma estrutura alongada de material mineralizado, principalmente carbonato de cálcio, com uma abertura ovalada através da qual a boca se projeta. A colônia começa se espalhando sobre uma superfície e formando uma fina placa de material mineralizado que possui uma cor vermelho-escura, daí o nome comum de ferrugem vermelha. Conforme as colônias se tornam maiores, as partes centrais tendem a mudar para uma cor acinzentada ou enegrecida. Colônias mais velhas tendem a crescer por cima de si mesmas e se tornam estruturas em forma de folha, especialmente quando crescendo em superfícies irregulares.

Uma colônia folhosa do briozoário-ferrugem-vermelha. Os pequenos pontos são as aberturas de cada zooide. Foto de Alison Young.*

Com uma distribuição cosmopolita, a localização original do briozoário-ferrugem-vermelha é desconhecida, mas muito provavelmente ele foi espalhado pelos oceanos por atividades humanas e logo se tornou um incômodo para humanos. O briozoário-ferrugem-vermelha, como uma espécie que cresce em substratos duros, encontrou hábitats ideais em estruturas humanas como canos e navios, os quais acabam cobertos de colônias num processo chamado bioincrustação. Algumas substâncias anti-incrustantes, como tinta baseada em cobre usada em cascos de navios para prevenir bioincrustação, não conseguem prevenir seu crescimento, pois o briozoário-ferrugem-vermelha é uma espécie resistente a cobre. E após cobrir a tinta anti-incrustante com suas colônias, o briozoário-ferrugem-vermelha cria um hábitat que permite o crescimento de criaturas sensíveis a cobre.

Uma olhada mais de perto onde as estruturas individuais de cada zooide são visíveis. Foto de Damon Tighe.*

Em um lado positivo para humanos, o briozoário-ferrugem-vermelha é conhecido por produzir brioantratiofeno, uma substância com propriedades antiangiogênicas, isto é, ela previne o crescimento de novos vasos sanguíneos, o que pode ser útil no tratamento de alguns tipos de câncer.

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Referências:

Jeong S-J, Higuchi R, Miyamoto T, Ono M, Kuwano M, Mawatari SF (2002) Bryoanthrathiophene, a New Antiangiogenic Constituent from the Bryozoan Watersipora subtorquata (d’Orbigny, 1852). Journal of Natural Products 65(9): 1344–1345. doi: 10.1021/np010577+

Mackie HA, Keough MJ, Christidis L (2006) Invasion patterns inferred from cytochrome oxidase I sequences in three bryozoans, Bugula neritinaWatersipora subtorquata and Watersipora arcuataMarine Biology 149(2): 285-295. doi: 10.1007/s00227-005-0196-x

Ryland JS, De Blauwe H, Lord R, Mackie JA (2009) Recent discoveries of alien Watersipora (Bryozoa) in Western Europe, with redescription of species. Zootaxa 2093: 43–59.

Vieira LM, Jones MS, Taylor PD (2014) The identity of the invasive fouling bryozoan Watersipora subtorquata (d’Orbigny) and some other congeneric species. Zootaxa 3857: 151–182. doi: 10.11646/zootaxa.3857.2.1

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Arquivado em Sexta Selvagem

Quarta de Quem: Torbern Bergman

por Piter Kehoma Boll

Hoje vou apresentar um cientista do século 18 que trabalhou em várias áreas das ciências naturais.

Torbern Olaf Bergman nasceu em 20 de março de 1735 na paróquia de Låstad, Suécia, filho de Barthold Bergman e Sara Hägg. Seu interesse em botânica foi despertado pelo seu professor Sven Hof na Katedralskolan em Skara.

Aos 17 anos, ele foi matriculado na Universidade de Uppsala. Ele queria estudar matemática e ciências naturais, mas seu pai queria que ele estudasse direito e divindade. Tentanto agradar tanto a si mesmo quanto a seu pai, ele trabalhou em excesso e ficou doente, o que o forçou a ficar um tempo longe dos estudos. Durante este período, ele se entreteve com botânica e entomologia de campo.

Retrato de Torbern Bergman por Ulrika Pasch.

Através de suas coleções entomológicas, Bergman se tornou conhecido de Linnaeus e lhe enviou vários insetos de novas espécies. Em 1756, ele foi bem-sucedido em provar que, ao contrário da opinião de Linnaeus, a espécie chamada Coccus aquaticus era simplesmente o ovo de uma sanguessuga, o que Linnaeus reconheceu como correto. Devido a esta descoberta, bem como porque ele desenvolveu um método para capturar as fêmeas sem asas de mariposas de inverno, Bergman recebeu um prêmio da Academia de Ciências Sueca, sendo eleito um membro da academia em 1764. No ano seguinte, ele foi eleito membro da Real Sociedade de Londres.

Bergman também defendeu uma tese em astronomia e fundou a Sociedade de Cosmografia em Uppsala, através da qual publicou, em 1766, seu trabalho Physisk beskrifning öfver jordklotet (Descrição física sobre o globo), o qual foi um dos primeiros livros de geografia moderna. Ele então se tornou um professor associado de física e estudou propriedades elétricas da turmalina, bem como fenômenos meteorológicos como a aurora boreal, o trovão e o arco-íris.

Em 1767, o químico Johan Gottschalk Wallerius renunciou a sua posição de professor de química e mineralogia na Universidade de Uppsala e Bergman decidiu se candidatar. Contudo ele não tinha experiência prévia em publicar trabalhos sobre química e seus competidores o acusaram de ignorância no assunto. Para refutá-los, ele se isolou em um laboratório por um tempo e escreveu um tratado sobre a fabricação de alume e este se tornou um trabalho padrão. Não obstante ele ainda enfrentou forte oposição e somente conseguiu a cátedra de química através da influência do príncipe Gustavo III, que também era chanceler da universidade. Ele manteve esta posição até sua morte.

Bergman se casou com sua esposa, Margareta Catharina Trast, em 1771. Em 1772, ele foi um dos primeiros a receber a Ordem Real de Vasa, a qual era dada a cidadãos suecos pelo seu serviço ao estado e à sociedade, especialmente nos campos da agricultura, mineração e comércio.

Em 1775, Bergman publicou seu artigo químico mais importante, Ensaio sobre Atrações Eletivas, um estudo de afinidade química. Em março de 1782, ele foi eleito um associado estrangeiro da Academia de Ciências Francesa.

Ele morreu prematuramente em 8 de julho de 1784, aos 49 anos, em Medevi, Suécia, devido a um derrame. O mineral radioativo de urânio torbernita foi nomeado em sua honra.

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Referências:

Encyclopædia Brittanica (1991) Bergman, Torbern Olof. Disponível em < https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Bergman,_Torbern_Olof >. Acesso em 20 de março de 2019.

Wikipedia. Torbern Bergman. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Torbern_Bergman >. Acesso em 20 de março de 2019.

Wikipedia (em sueco). Torbern Bergman. Disponível em < https://sv.wikipedia.org/wiki/Torbern_Bergman >. Acesso em 20 de março de 2019.

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