Arquivo do mês: maio 2018

Quarta de Quem: Carl Linnaeus

por Piter Kehoma Boll

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Hoje comemoramos o aniversário de uma das figuras mais importantes na história da biologia e certamente a mais importante em relação a taxonomia, Carl Linnaeus, também conhecido como Carl von Linné, Carlos Linnaeus ou Carlos Lineu. Há tanto para falar dele, mas vou dar só um breve resumo.

Linnaeus nasceu na Suécia em 23 de Maio de 1707 numa vila chamada Råshult. Seu pai, Nils Ingemarsson, mais tarde Nils Linnaeus, era um botânico amador e um ministro luterano. Mostrando interesse em plantas desde a infância, Linnaeus, durante a maior parte de sua educação, evitou estudar outros assuntos, fugindo das aulas para examinar plantas em jardins e campos.

Em 1724, ele entrou na Växjö Katedralskola para seguir um currículo destinado àqueles interessados em serem sacerdotes, mas seu progresso não foi satisfatório. Um de seus professores, Johan Rothman, que também era um médico, sugeriu que Linnaeus poderia ter um futuro na medicina e o levou para viver com sua família em Växjö, ensinando-lhe fisiologia e botânica. Rothman lhe ensinou os conceitos básicos de botânica da época, incluindo o sistema de Tournefort de classificar plantas.

Um jovem Linnaeus em trajes lapônicos. Réplica de um trabalho de Hendrik Holander.

Em 1728, Linnaeus começou a estudar na Universidade de Uppsala por recomendação de Rothman. Lá ele conheceu Olof Celsius, um professor de teologia e botânico amador, que recebeu Linnaeus em sua casa, a qual tinha uma das bibliotecas botânicas mais ricas da Suécia. Em 1729, Linnaeus escreveu uma tese sobre a reprodução sexual de plantas, Praeludia Sponsaliorum Plantarum, a qual chamou a atenção de Olof Rudbeck o Jovem, um professor mais velho de Uppsala. Em 1730, Rudbeck selecionou Linnaeus para dar aulas em Uppsala, mesmo ele sendo apenas um estudante de segundo ano. Um mês depois, Linnaeus se mudou para a casa de Rudbeck e se tornou tutor de seus três filhos mais jovens. Neste tempo, Linnaeus decidiu criar seu próprio sistema de classificação de plantas, pois não estava satisfeito com o sistema de Tournefort.

Ao final de 1731, Linnaeus teve um desentendimento com a esposa de Rudbeck e teve de se mudar de sua casa, mas sua relação com Rudbeck não foi afetada. Em 1732 ele fez uma expedição à Lapônia, viajando cerca de 2 mil quilômetros a pé e a cavalo durante seis meses e coletando cerca de 100 plantas até então não identificadas.

Após retornar a Uppsala, Linnaeus continuou a ter problemas com Nils Rosén, um ex-assistente de Rudbeck que estava interessado em ocupar o lugar de Linnaeus na universidade. Devido a esses desentendimentos, Linnaeus aceitou o convite de um estudante, Claes Sohlberg, para passar o feriado de Natal com sua família na cidade de Falun. Lá, o pai de Sohlberg convidou Linnaeus para se tornar tutor de seu filho na República Holandesa (atualmente Países Baixos). Linnaeus aceitou e aproveitou a oportuidade para conseguir um grau de doutor em medicina na Universidade de Harderwijk.

Nos Países Baixos, Linnaeus conheceu Johan Frederk Gronovius e mostrou a ele seu manuscrito sobre a nova classificação de plantas. Gronovius e um médico escocês, Isaac Lawson, ajudaram a pagar pela impressão e o manuscrito foi publicado em 1735 como o Systema Naturae. Neste trabalho, Linnaeus reduziu a descrição de espécies a um gênero seguido por uma única palavra para se referir facilmente a elas, o que mais tarde se tornaria o atual sistema de nomenclatura binomial.

Linnaeus também conheceu o botânico Herman Boerhaave e, seguido seu conselho, visitou o botânico Johannes Burman. Durante sua estadia na casa de Burman, ele conheceu George Clifford III, que era o proprietário de um rico jardim botânico. Maravilhado pela classificação de plantas de Linnaeus, Clifford o convidou para se tornar seu médico e superintendente de seu jardim. Linnaeus aceitou e se mudou para lá, ficando de 1735 a 1738. Desta experiência, ele escreveu seu livro Hortus Cliffortianus.

Retrato de Carl Linnaeu em 1739. Autor desconhecido.

Linnaeus voltou para a Suécia em 1738 e, em Falun, ficou noivo de Sara Elisabeth Moraea. Eles se casaram em 1739 e em 1741 seu primeiro filho, Carl, nasceu, e dois anos depois uma filha, Elisabeth Christina, ambos se tornando botânicos como o pai. O casal teve vários outros filhos.

Durante os anos seguintes, Linnaeus conduziu diversas expedições pela Europa e, em 1750, se tornou reitor da Universidade de Uppsala. Em 1751, ele publicou a Philosophia Botanica, um livro contendo um levantamento de seu sistema botânico e outras informações importantes sobre como realizar o trabalho botânico. Em 1753, ele publicou outra grande obra, Species Plantarum, que se tornou internacionalmente conhecida como o ponto inicial da nomenclatura botânica moderna. No mesmo ano, o rei o fez cavaleiro da Ordem da Estrela Polar.

Seu trabalho Systema Naturae continuou a ser publicado em versões atualizadas e a décima edição, publicada em 1758, se tornou o ponto inicial da classificação zoológica moderna.

Um Linnaeus mais velho em 1775. Retrato por Alexander Roslin.

Em 1774, já aposentado, Linnaeus sofreu um derrame que o paralisou parcialmente. Ele teve um segundo derrame em 1776, que paralizou seu lado direito e confundiu sua memória de forma que ele era incapaz de identificar a si mesmo como o autor de seus trabalhos. Um terceiro derrame veio em dezembro de 1777 e ele acabou falecendo em 10 de janeiro de 1778.

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Referências:

Wikipedia. Carl Linnaeus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Linnaeus >. Acesso em 22 de maio de 2018.

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