Arquivo do mês: maio 2016

Novas espécies: Última semana de maio

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 22 de maio a 31 de maio. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa e International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.

Plakobranchus papua Meyers-Muñoz & van der Velde, sp. n., uma nova espécie de bela lesma-marinha descrita essa semana.

Plakobranchus papua Meyers-Muñoz & van der Velde, sp. n., uma nova espécie de bela lesma-marinha descrita essa semana.

Plantas

Fungos

Esponjas

Anelídeos

Moluscos

Dragões-da-lama

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Sexta Selvagem: Tocandira

por Piter Kehoma Boll

As florestas tropicais das Américas Central e do Sul abrigam essa pequena, porém assustadora, criatura, a tocandira Paraponera clavata. Temida por pessoas vivendo onde é encontrada, a tocandira é uma das mais venenosas formigas do mundo. O nome “tocandira” é derivado do Tupi e significa “dói muito”, fazendo uma referência à terrível dor da picada. Em inglês ela é chamada de “bullet ant”, fazendo referência à dor causada por um tiro, a qual se diz ser a mais próxima analogia para a dor de uma picada de tocandira. Em espanhol ela é às vezes chamada de “hormiga 24 horas” porque a dor é dita durar um dia inteiro.

Uma tocandira operária. Foto de Geoff Gallice.*

Uma tocandira operária. Foto de Geoff Gallice.*

A tocandira é encontrada na região Neotropical de Honduras e Nicarágua até o Paraguai. Seus ninhos são construídos na base de árvores, sob o solo, e as operárias procuram por alimento principalmente no tronco e na copa da árvore diretamente acima do ninho e em árvores próximas, às vezes explorando o solo. Elas são formigas predadoras, alimentando-se principalmente de artrópodes, mas também consumindo néctar.

Considerada uma formiga primitiva, a tocandira não possui polimorfismo em sua casta operária, isto é, todas as operárias possuem a mesma aparência geral. A rainha também não é muito diferente das operárias.

A horrível picada infligida por essas formigas é usada como forma de defesa. Ela contém uma neurotoxina conhecida como poneratoxina que causa paralisia ao bloquear a transmissão sináptica. Ela é efetiva pelo menos contra vertebrados e artrópodes. Apesar disso, o povo Sateré-Mawé do Brasil usa as picadas da formiga em um ritual sádico para se tornar um “guerreiro”. Para isso, um pobre menino precisa pôr sua mão dentro de uma luva preenchida de tocandiras e deixá-la lá por dez minutos. Como resultado o braço do menino se torna paralisado por dias e ele pode convulsionar incontrolavelmente devido ao efeito do veneno. E ele precisa repetir esse ritual 20 vezes!

Só consigo pensar que humanos… ah, deixa pra lá.

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Referências:

Piek, T.; Duval, A.; Hue, B.; Karst, H.; Lapied, B.; Mantel, P.; Nakajima, T.; Pelhate, M.; Schmidt, J. O. 1991. Poneratoxin, a novel peptide neurotoxin from the venom of the ant, Paraponera clavata. Comparative Biochemistry and Physiology Part C: Comparative Pharmacology, 99 (3): 487–495.

Wikipedia. Paraponera clavata. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Paraponera_clavata >. Acesso em 25 de maio de 2016.

Young, A. M.; Herrmann, H. R. 1980. Notes on foraging of the Giant Tropical Ant Paraponera clavata (Hymenoptera: Formicidae: Ponerinae). Journal of the Kansas Entomological Society, 53 (1): 35–55.

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Libélulas machos não são tão violentas quanto se pensava

por Piter Kehoma Boll

Machos e fêmeas são definidos por seus gametas. Machos possuem gametas minúsculos, geralmente móveis, enquanto fêmeas possuem gametas muito grandes que geralmente não se movem. Isso significa que fêmeas produzem menos gametas, mas investem muitos recursos em cada um, isto é, os gametas femininos são caros. Por outro lado, os gametas masculinos são muito baratos, pequenos e produzidos em grandes quantidades. Como resultado dessas diferenças, machos e fêmeas têm diferentes interesses durante o sexo.

Como fêmeas produzem gametas mais caros e menos numerosos, elas tendem a ser muito seletivas sobre quem elas deixam fertilizá-los. Mas machos se beneficiam de fertilizar cada gameta feminino que encontram no caminho. Em outras palavras, as fêmeas querem qualidade e os machos querem quantidade. Essa diferença de interesses é chamada conflito sexual e é uma poderosa força evolutiva.

Uma adaptação evolutiva que tem sido vista como resultado de conflito sexual é o sistema de acasalamento em odonatos (libélulas e donzelinhas). Durante o sexo, uma libélula macho agarra o pescoço da fêmea usando um aparato de agarramento no final de seu abdome. A fêmea é então induzida a conectar a ponta do seu abdome aos segundo e terceiro segmentos do abdome do macho, onde o esperma está armazenado. O casal então voa junto em uma formação em forma de coração.

Duas libélulas da espécie Rhionaeschna multicolor copulando. O macho é o azul, que está agarrando o pescoço da fêmea e fazendo-a tocar a ponta do seu abdome aos segundo e terceiro segmentos abdominais do macho, onde o esperma está armazenado. Foto de Eugene Zelenko.

Duas libélulas da espécie Rhionaeschna multicolor copulando. O macho é o azul, que está agarrando o pescoço da fêmea e fazendo-a tocar a ponta do seu abdome aos segundo e terceiro segmentos abdominais do macho, onde o esperma está armazenado. Foto de Eugene Zelenko.

Pensava-se que o aparato de agarramento do macho forçasse uma fêmea relutante a copular com ele, sugerindo que o órgão evoluiu através de conflito sexual. O fato de que os machos geralmente agarram as fêmeas bem antes de elas aceitarem acasalar e continuam a segurá-las um bom tempo depois que a cópula terminou (prevenindo-a de acasalar com outros machos) parece ser uma boa evidência para essa teoria. Se isso é verdade, então a fêmea tentaria se livrar do macho, selecionando aparatos maiores e mais fortes em machos, já que esses seriam mais eficientes em segurar a fêmea e, como resultado, deixariam mais descendentes.

Em estudo publicado ano passado testou essa hipótese. Córdoba-Aguillar et al. (2015) avaliaram a alometria (o tamanho proporcional de uma estrutura em relação ao tamanho corporal) do aparato de agarramento dos machos em várias espécies de libélulas. Se machos forçassem as fêmeas a copular, uma relação hiperalométrica deveria ser esperada.

O que isso significa? Bem, vamos tentar explicar da forma mais simples. Quando você joga dados do tamanho de uma estrutura de acordo com o tamanho do corpo como um todo em um gráfico, usando valores que levem a uma relação linear, você pode ter diferentes resultados. A estrutura pode aumentar de tamanho da mesma forma que o corpo, em uma relação 1:1. Neste caso, a linha no gráfico é dita ter uma inclinação igual a 1 e há uma relação isométrica da estrutura para com o corpo. Se a inclinação é maior que um, isso significa que a estrutura cresce mais depressa que o corpo, tendo uma relação hiperalométrica. Se a inclinação é menor que um (mas maior que zero), a relação é hipoalométrica e a estrutura cresce mais devagar que o corpo.

allometryAs medidas dos aparatos de agarramento em libélulas em geral mostraram uma relação isométrica. Assim, de acordo com essa abordagem, a estrutura não evoluiu como uma “arma” para subjugar fêmeas. Mas que outras explicações podem existir então? Ela poderia ser uma ferramenta de cortejo, uma forma de o macho convencer a fêmea a copular com ele. Também poderia ser uma forma de evitar acasalamentos interespecíficos, já que o aparato de agarramento possui uma grande especificidade em formato para o pescoço de fêmeas da mesma espécie. Uma libélula macho não pode agarrar o pescoço de uma fêmea de outra espécie porque o aparato de agarramento simplesmente não encaixa no pescoço da fêmea.

Ambas as hipóteses alternativas para a evolução do aparato de agarramento são possíveis, mas mais estudos são necessários para testá-las.

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Referências:

Chapman, T., Arnqvist, G., Bangham, J., & Rowe, L. (2003). Sexual conflict Trends in Ecology & Evolution, 18 (1), 41-47 DOI: 10.1016/S0169-5347(02)00004-6

Córdoba-Aguilar, A., Vrech, D., Rivas, M., Nava-Bolaños, A., González-Tokman, D., & González-Soriano, E. (2014). Allometry of Male Grasping Apparatus in Odonates Does Not Suggest Physical Coercion of Females Journal of Insect Behavior, 28 (1), 15-25 DOI: 10.1007/s10905-014-9477-x

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Novas espécies: 3ª semana de maio

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 15 de maio a 21 de maio. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa e International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.

Chilicola charizard é uma espécie de abelha descrita essa semana cujo nome faz referência a um dos mais famosos Pokémon.

Chilicola charizard é uma espécie de abelha descrita essa semana cujo nome faz referência a um dos mais famosos Pokémon.

SARs

Plantas

Fungos

Moluscos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Mamíferos

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Sexta Selvagem: Gorgulho-girafa

por Piter Kehoma Boll

Hoje vamos voltar a Madagascar, aquela bizarra ilha africana que briga com a Austrália pelo título de local mais bizarro na Terra. Nós já apresentamos um de seus habitantes, o baobá-de-Grandidier, e hoje mostrarei a vocês um besouro pequeno e incomum, o gorgulho-girafa, Trachelophorus giraffa.

Um gorgulho--girafa macho. Foto de Frank Vassen*

Um gorgulho–girafa macho. Foto de Frank Vassen*

A razão do nome desta criatura adorável é óbvia a primeira vista. O incomum longo pescoço provavelmente evoluiu por seleção sexual, já que ele é três vezes mais longo em machos que em fêmeas. Apesar de parecer algo muito inconveniente, o pescoço do gorgulho-girafa é na verdade útil em ajudar a rolar folhas para construir um ninho.

Medindo somente cerca de 2,5 cm de comprimento, ele é um animal consideravelmente popular em listas de criaturas esquisitas, mas infelizmente pouco é conhecido sobre sua história de vida e, como virtualmente todas as formas de vida da ilha, está ameaçado pela perda de hábitat.

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Referências:

EOL. Giraffe Beetle. Disponível em: < http://eol.org/pages/621154/overview >. Acesso em 16 de maio de 2016.

Wills, C. (2010) The Darwinian Tourist: Viewing the World Through Evolutionary Eyes. Oxford University Press.

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Novas Espécies: 2ª semana de maio

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 8 de maio a 14 de maio. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa e International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.

Panorpa reflexa (left) and Panorpa parallela (right), two scorpionflies described this week.

Panorpa reflexa (esquerda) and Panorpa parallela (direita), duas novas moscas-escorpião descritas essa semana.

SARs

Plantas

Amoebozoários

Fungos

Cnidários

Moluscos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Répteis

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Sexta Selvagem: Maria-bailarina

por Piter Kehoma Boll

Correndo delicadamente na ponta dos pés como uma bailarina, nosso primeiro crustáceo da Sexta Selvagem vem da costa do Pacífico das Américas e é conhecido em inglês como “sally lightfoot”, o que decidi adaptar como “maria-bailarina” em parte como referência a outro caranguejo, a maria-farinha. Cientificamente ela é conhecida como Grapsus grapsus, um nome que soa como algo mordiscando, ou agarrando, como se tivesse a intenção de representar suas garras grandes e sua boca pequena trabalhando juntos para raspar as algas das praias rochosas que habita.

Uma maria-bailarina nas Ilhas Galápagos. Foto de A. Davey.* (flickr.com/photos/adavey/)

Uma maria-bailarina nas Ilhas Galápagos. Foto de A. Davey.* (flickr.com/photos/adavey/)

A maria-bailarina é encontrada nas costas do Pacífico das Américas do México até o norte do Chile, nas ilhas Galápagos e em várias ilhas do Atlântico ocidental, tal como as ilhas do Caribe e o arquipélago de São Pedro e São Paulo no Brasil. Os espécimes do pacífico geralmente chegam a 80 mm ou mais de comprimento, enquanto aqueles na Ilha de São Paulo são menores, atingindo cerca de 70 mm. Os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas.

Como a maioria dos caranguejos, a maria-bailarina é um detritívoro, alimentando-se de animais mortos e outros detritos, mas parece ser primariamente um herbívoro, se alimentando de algas que raspa (graps graps graps…) das rochas. Ela também pode, eventualmente, capturar pequenos animais, e há registros de espécimes tendo uma relação como limpadores com iguanas-marinhas nas Ilhas Galápagos, raspando carrapatos (graps graps graps…) da pele das iguanas.

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Referências:

EOL, Encyclopedia of Life. Sally Lightfoot Crab. Disponível em: < http://eol.org/pages/1021865/ >. Access em 6 de maio de 2016.

Freire, A. S.; Pinheiro, M. A. A.; Karam-Silva, H.; Teschima, M. M. 2011. Biology of Grapsus grapsus (Linnaeus, 1758) (Brachyura, Grapsidae) in the Saint Peter and Saint Paul Archipelago, Equatorial Atlantic Ocean. Helgoland Marine Research, 65 (3): 263–273.

Wikipedia. Grapsus grapsus. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Grapsus_grapsus&gt;. Acesso em 6 de maio de 2016.

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