Arquivo da categoria: Comportamento

Ter poucas fêmeas transforma jabutis machos em estupradores

por Piter Kehoma Boll

A guerra entre os sexos e os infindáveis conflitos que resultam disso são um tema comum em pesquisa comportamental e evolutiva e já  foi discutida aqui várias vezes.

Como sabemos bem, até mesmo por exemplos de nossa própria espécie, os machos raramente são bons pais, estando mais interessados em produzir tantos descendentes quanto possível com pouco esforço. As fêmeas, por outro lado, devido ao seu grande investimento em ovos (e geralmente outros recursos para a prole) são mais seletivas e não aceitam qualquer macho para acasalar.

Uma das soluções mais comuns para machos resolverem este conflito sexual é por copulação forçada, ou estupro como é chamado quando acontece com a nossa espécie. Às vezes essa copulação forçada é extrema, com machos deixando as fêmeas muito machucadas para fazê-las se renderem. Uma destas espécies violentas é o jabuti-de-Hermann, Testudo hermanni, um jabuti encontrado pelas áreas mediterrâneas da Europa.

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“Vou te dar um trato, sua safada!”. Esta foto de um macho jovem tentando montar numa fêmea adulta pode parecer engraçada, mas o sexo não é divertido para jabutis fêmeas. Foto do usuário Palauenco5 do Wikimedia.*

Copulação forçada é muito mais comum em espécies em que os machos são maiores e mais fortes que as fêmeas. Este não é o caso com jabutis, mas os machos de jabuti-de-Hermann encontraram uma forma de lidar com isso. Eles perseguem as fêmeas, às vezes por horas, empurrando-as, mordendo-as, às vezes ao ponto de fazê-las sangrarem, e eventualmente as pobres fêmeas se entregam. Também é comum que os machos “estimulem” a cloaca da fêmea com suas caudas pontudas, o que resulta numa cloaca inchada e às vezes em ferimentos sérios que deixam as fêmeas com cicatrizes e deformidades horríveis. Sim, não é uma face bonita da natureza.

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A cauda de um macho. Photo do usuário Bizarria do Wikimedia.**

Um estudo recente com duas populações de jabuti-de-Hermann na Macedônia revelou que a agressividade dos machos está relacionada com a disponibilidade de fêmeas. O grupo de pesquisadores estudou uma população em que a razão fêmea:macho era perto de 1:1 e outra com um número extremamente maior de machos ao ponto de haver uma fêmea para cada 17,5 machos.

Os resultados indicaram que na população mais balanceada a cópula forçada era menos comum e geralmente apenas fêmeas adultas apresentavam ferimentos causados por machos, enquanto que na população com mais machos a falta de fêmeas levou os machos a enlouquecerem ao ponto de forçar a cópula até com fêmeas imaturas. A situação como um todo é claramente maladaptativa, á que as fêmeas acabam feridas e os machos exaustos e nenhuma prole é gerada.

Eu só consigo ver duas saídas possíveis para uma população assim: ou fêmeas mais resistentes serão selecionadas ou a população vai se tornar extinta depois que todas as fêmeas morrerem por violência masculina.

Como podemos ver, conflito sexual é um desses efeitos colaterais deletérios que a seleção natural criou. Afinal ninguém é perfeito, nem mesmo as leis fundamentais da vida.

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Você também pode curtir:

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Conflito de gênero: Quem é o homem na relação?

Fêmeas malvadonas não são populares entre louva-a-deuses

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Referência:

Golubović, A.; Arsovski, D.; Tomović, L.; Bonnet, X. (2018) Is sexual brutality maladaptive under high population density? Biological Journal of the Linnean Society 124(3): 394–402. https://doi.org/10.1093/biolinnean/bly057

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

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Gateralidade: gatos podem ser destros ou canhotos?

por Piter Kehoma Boll

Em humanos, como você deve saber, geralmente há uma preferência por usar um lado do corpo para realizar uma tarefa, uma coisa chamada lateralidade. E nós temos uma forte tendência a sermos destros, com cerca de 90% dos humanos usando o lado direito para realizar a maioria das tarefas unilaterais. Vários estudos revelaram que muitos outros animais, ao menos entre vertebrados, também apresentam lateralidade.

Um estudo recente investigou a lateralidade no gato doméstico durante comportamentos espontâneos em contraste com experimentos mais comuns usando comportamentos forçados, como fazer o gato tentar alcançar comida. Eles procuraram por uma preferência lateral em gatos durante comportamentos de se deitar de lado, descer escadas ou subir em objetos.

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Foto de Juan Eduardo de Cristófaro.*

Os resultados indicaram que cerca de um terço dos gatos é canhoto, um terço é destro e um terço é ambidestro enquanto sobem ou descem de um lugar, mas não existe preferência clara para se deitar do lado direito ou esquerdo. Assim, podemos ver que, diferentemente de humanos, não existe uma forte tendência de usar um lado do corpo em gatos, ao menos não quando olhamos para os gatos em geral.

Quando consideramos o sexo, no entanto, houve uma diference significativa: gatos machos tendem a ser canhotos, enquanto fêmeas são geralmente destras. Isso seria muito útil se gatos dançassem a valsa.

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Referências:

McDowell, L. J.; Wells, D. L.; Hepper, P. G. (2018) Lateralization of spontaneous behaviours in the domestic cat, Felis silvestris. Animal Behavior135: 37–43. https://doi.org/10.1016/j.anbehav.2017.11.002

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A falácia do natural-não natural: vamos parar com essa besteira

por Piter Kehoma Boll

Esta postagem pode vir a incomodar algumas pessoas, talvez pessoas de universos bem diferentes e pontos de vista bem diferentes em relação à sociedade ou a práticas humanas, mas eu sinto que preciso discutir esse assunto que vem sendo usado como uma forma de justificar ou condenar alguns comportamentos.

Todo mundo já ouviu, ou talvez até use, o argumento de “isto não é natural” como justificativa para se opor a algo. Você pode ouvir homofóbicos usando isso para condenar a homossexualidade, veganos para condenar a ingestão de carne ou mesmo pessoas idosas para lamentar a morte de um filho. Isso é às vezes chamado de “argumentum ad naturam” ou “apelo à natureza”, uma falácia que considera que algo natural sempre é melhor que algo não natural.

Quando um homofóbico diz que é contra a homossexualidade porque ela não é natural, seus opositores, pessoas que defendem a liberdade da sexualidade, rapidamente apresentam evidências de homossexualidade em outras espécies. Eu mesmo, sendo um homem gay, usei, no passado, exemplos de outros animais gays para explicar que a homossexualidade é de fato natural.

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Oh, yeah, babe. Dois leões machos fazendo sexo. Foto do usuário Rufus46 do Wikimedia.*

Em relação à dieta humana, podemos encontrar a mesma coisa, incluindo dois grupos opostos usando exatamente o mesmo argumento. Você pode ver vegetarianos advogando contra o consumo de carne porque nossa dentição ou nosso intestino não são típicos de uma espécie carnívora. Por outro lado, pessoas que defendem a assim chamada dieta “paleo” tentam reconstruir a dieta que era comum aos nossos ancestrais pré-históricos, o que seria nossa dieta “natural”, e assim eles consomem grandes quantidades de carne e frutas e evitam consumir grãos, grandes quantidades de açúcar ou outros alimentos que precisam ser domesticados. Da mesma forma, outras pessoas, como veganos (e mesmo os amantes do paleo) são contra o consumo de leite porque isso é comida de bebê e não deveria ser ingerida por mamíferos adultos, afinal “não é natural” pegar o leite de uma fêmea de outra espécie e bebê-lo.

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Várias espécies de formigas “ordenham” pulgões para beber as secreções doces que eles liberam. Foto de Friedrich Böhringer.**

Agora deixe-me dizer uma coisa: tudo isso não significa bosta nenhuma! Não é assim que as coisas funcionam no mundo real, que por acaso é o mesmo que a natureza. Quando usamos o argumento de algo ser natural ou não natural, estamos implicando que há uma forma pré-estabelecida para as coisas funcionarem, que há um propósito na vida. Bom, não há! Sabe a seleção natural, né? Bom, ela basicamente afirma que as variações mais bem-sucedidas de algo são aquelas que vão sobreviver, independente do que elas são ou como elas são usadas. A boca evoluiu primariamente como uma abertura pela qual os animais ingerem alimento, mas usamos nossas bocas para muitas coisas diferentes, como para falar, respirar, beijar, segurar coisas ou pagar boquetes. Essas coisas não são naturais? Quem se importa? Enquanto a boca for boa para fazer isso, ela vai continuar sendo usada para fazer isso.

E mais do que isso, usar outras espécies como uma comparação para coisas que são naturais ou não para humanos é ridículo. Só porque somos a única espécie que escreve, escrever não é natural? Se considerarmos isso verdade, então podemos aplicar isso para encontrar comportamentos não naturais em qualquer outra espécie. Contanto que um comportamento seja encontrado em apenas uma espécie, ele seria não natural.

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O pássaro-cetim é a única espécie a usar objetos azuis para decorar a estrutura que constrói para atrair uma fêmea. Esse comportamento não é natural por causa disso? Foto de Joseph C Boone.***

Como uma espécie social e (supostamente) científica, deveríamos considerar um comportamento como bom ou ruim baseado em suas consequências para a sociedade ou para os indivíduos, bem como para o mundo como um todo. Assassinato não é ruim porque não é natural, mas porque mata pessoas! Poluição não é ruim porque não é natural, ela é ruim porque polui! Então mais do que apenas ser estúpido por sua suposição de que coisas naturais são boas e coisas não naturais são ruins, o apelo à natureza também é estúpido porque não há como separar coisas em naturais e não naturais. Vamos crescer intelectualmente e parar de usar essa besteira como argumento de uma vez por todas.

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Fêmeas malvadonas não são populares entre louva-a-deuses

por Piter Kehoma Boll

Uma das representações mais icônicas de louva-a-deuses é a de fêmeas comendo o macho após (ou durante) o sexo, um cenário desagradável que começa com uma decapitação antes mesmo de o macho terminar seu trabalho.

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Delícia de jantar masculino. Foto do usuário do Wikimedia Classiccardinal.*

De acordo com alguns estudos, quando o macho é decapitado, ele aumenta o bombeamento de sêmen para dentro da fêmea, assim aumentando as chances de fecundação. Isso poderia levar a se acreditar que ser comido é na verdade uma vantagem para o macho, já que aumenta sua prole.

Várias observações com espécies diferentes mostram o oposto, no entanto. Machos fazem tudo o que podem para evitar serem comidos pelas fêmeas, pois isso permite que copulem com fêmeas adicionais. Mas como eles podem escapar de um destino tão grotesco?

É sabido que fêmeas com fome são mais propensas em comer o parceiro do que as saciadas. Fêmeas bem alimentadas (gordas) também têm menos chances de ter uma refeição na cama do que fêmeas desnutridas. Os machos conseguem distinguir fêmeas famintas ou desnutridas e assim as evitam em tais condições. Eles gostam de fêmeas gordas e satisfeitas. Mas essa não é a única coisa que machos levam em conta quando escolhem a mãe adequada para seus filhos.

Um estudo de 2015 de pesquisadores da Universidade de Buenos Aires mostrou que machos da espécie Parastagmatoptera tessellata, encontrada na América do Sul, também escolhem fêmeas baseados em sua personalidade.

Em um experimento em laboratório, um macho foi posto em um recipiente onde ele podia ver duas fêmeas, uma agressiva e uma não agressiva. Outro macho foi apresentado a ambas as fêmeas (que não conseguiam ver uma a outra) e a fêmea agressiva sempre atacou o macho, enquanto a não-agressiva nunca o fez. Após ver como cada fêmea se comportava, o macho recebia acesso às duas e podia escolher sua favorita.

E adivinhem? A fêmea não agressiva foi escolhida na maioria das vezes. Isso significa que os machos não conseguem apenas dizer se as chances de serem comidos são grandes baseados na fome e na condição nutricional da fêmea, mas também ao analisar o comportamento da fêmea em relação a outros machos.

Veja também:

Conflito de gênero: Quem é o homem na relação?

Libélulas machos não são tão violentas quanto se pensava

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Referências:

Lelito, J., & Brown, W. (2008). Mate attraction by females in a sexually cannibalistic praying mantis Behavioral Ecology and Sociobiology, 63 (2), 313-320 DOI: 10.1007/s00265-008-0663-8

Scardamaglia, R., Fosacheca, S., & Pompilio, L. (2015). Sexual conflict in a sexually cannibalistic praying mantid: males prefer low-risk over high-risk females Animal Behaviour, 99, 9-14 DOI: 10.1016/j.anbehav.2014.10.013

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O que é comportamento?

por Piter Kehoma Boll

Um dos conceitos mais difíceis de explicar em biologia certamente é o de vida. Mas eu não estou aqui hoje para falar da definição de vida, mas sim de outro conceito intrigante: comportamento.

O comportamento é o assunto central em etologia e psicologia, mas também é algo mais comumente entendido por intuição pessoal, assim como a vida, mas não existe uma definição formal e amplamente aceita.

A definição mais simples seria que comportamento é algo que é feito. Mas nesse caso caímos em outro conceito difícil, o de fazer, porque o que exatamente é fazer algo?

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Ninguém duvida que uma aranha construindo uma teia é um comportamento. Foto de Hedwig Storch.*

Algumas definições de comportamento que foram publicadas são as seguintes:

  • Tinbergen (1955): “Os movimentos totais feitos pelo animal intacto”. De acordo com essa definição, apenas animais podem se comportar, assim uma alga unicelular nadando em direção àluz, ou uma planta fechando suas folhas depois de tocada não podem ser considerados comportamentos. Por outro lado, o fato de um animal orbitar o Sol por estar na Terra poderia ser um comportamento.
  • Beck et al. (1991): “Atividade externa visível de um animal, na qual um padrão coordenado de atividades sensoriais, motoras e neutrais associadas respondem a mudanças em condições externas ou internas”. Aqui novamente só animais poderiam se comportar e só animais com algum tipo de sistema nervoso. Um comportamento precisa incluir uma resposta a uma condição que mudou, isto é, um estímulo.
  • Starr & Taggart (1992): “Uma resposta a estímulos externos e internos, seguindo integração de componentes sensoriais, neurais, endócrinos e efetores. O comportamento tem uma base genética e portanto está  sujeito a seleção natural, e geralmente pode ser modificado pela experiência.” Esta definição não usa a palavra “animal”, mas inclui a necessidade de componentes neurais, o que é quase a mesma coisa.
  • Wallace et al. (1991): “Atividade observável de um organismo; qualquer coisa que o  organismo faça que envolva ação e/ou resposta a estimulação”. Uma explicação mais simples e ampla que engloba muita coisa que as definições anteriores excluiriam, mas ainda inclui pelo menos o critério de que é uma resposta a um estímulo.
  • Raven & Johnson (1898): “Comportamento pode ser definido como uma maneira de um organismo responder a estimulação.” Uma definição similar à anterior.
  • Davis (1966): “O que um animal faz.” Muito ambígua e contraditória, já que o mesmo livro inclui uma seção de comportamento de plantas.
  • Grier & Burk (1992): “Todas as respostas musculares e secretórias observáveis ou mensuráveis de outra forma (ou a ausência em alguns casos) e fenômenos relacionados como a mudança no fluxo sanguíneo e em pigmentos superficiais em resposta a mudanças no ambiente interno e externo de um animal.” Outra definição confusa, longa, complexa e ambígua.
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Quando uma dioneia fecha sua folha para capturar uma mosca, ela está se comportando? Foto de Stefano Zucchinali.*

Tentando encontrar uma forma de criar uma definição unificada do que é comportamento, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, fez um levantamento, publicado em 2009, no qual apresentam duas listas a vários biólogos. A primeira contém uma série de afirmações relativas a comportamento e os respondentes deveriam concordar ou discordar com as afirmações baseado em sua assunção sobre o que é comportamento. As 3 afirmações eram:

(A) Uma mudança de desenvolvimento geralmente não é um comportamento.
(B) Comportamento é sempre uma resposta ao ambiente externo.
(C) Um comportamento é sempre uma ação, e não uma falta de ação.
(D) Todos os comportamentos são diretamente observáveis, registráveis e mensuráveis.
(E) As pessoas sabem dizer o que é e o que não é comportamento só olhando para ele.
(F) Comportamento sempre é influenciado pelos processos internos do indivíduo.
(G) Comportamento sempre envolve movimento.
(H) Comportamentos são sempre ações de indivíduos, não de grupos.
(I) Comportamento é algo que indivíduos como um todo faz, não órgãos ou partes que constituem um indivíduo.
(J) Um comportamento é sempre uma resposta a um estímulo ou conjunto de estímulos, mas o estímulo pode ser interno ou externo.
(K) Comportamento é algo que somente animais (incluindo pessoas) fazem, mas não outros organismos.
(L) Em humanos, qualquer coisa que não está sob controle consciente não é comportamento.
(M) Comportamento sempre é executado através de atividade muscular.

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Uma raposa-do-ártico trocando de pelagem entre as estações é um comportamento ou não? Foto do usuário do Wikimedia Longdistancer.*

A segunda lista incluía um conjunto de 20 fenômenos e os respondentes deveriam dizer se consideravam cada fenômeno como representando um comportamento ou não. (Em parênteses estão as afirmações acima de acordo com as quais o fenômeno não seria considerado comportamento).

  1. Formigas que são fisiologicamente capazes de pôr ovos não o fazem porque não são rainhas. (C, G).
  2. Uma esponja bombeia água para conseguir comida (B, M).
  3. Uma aranha constrói uma teia.
  4. Um coelho desenvolve uma pelagem mais espessa no inverno (A, G, I, M).
  5. Os estômatos (poros respiratórios) de uma planta se fecham para conservar água (I, K, M).
  6. Uma planta curva suas folhas em direção a uma fonte de luz (K, M).
  7. O coração de uma pessoa bate mais forte depois de um pesadelo (B, I, L).
  8. Uma pessoa sua em resposta ao ar quente (G, I, L, M).
  9. Um besouro é arrastado por uma corrente de ar forte (F, M).
  10. Um rato não gosta de comida salgada (B, C, G, J, M).
  11. Uma pessoa decide não fazer nada amanhã se chover (B, C, G, J, M).
  12. Um cavalo desenvolve artrite com a idade (A, B, E, G, M).
  13. Um rato flutua em gravidade zero no espaço sideral (E, F, G, M).
  14. Um grupo de algas unicelulares nada em direção a água com uma concentração maior de nutrientes (F, H, K, M).
  15. Uma rã orbita o sol junto com o resto da Terra (F, M).
  16. Bandos de gansos voam em formação V (H).
  17. Um cão saliva em antecipação à hora de comer (B, G, I, M).
  18. Manadas de zebras se separam durante a estação de acasalamento e se refazem depois (H).
  19. Um camaleão muda de cor em resposta à luz solar (G, M).
  20. Um gato produz insulina por causa do excesso de açúcar em seu sangue (B, G, I, M).

Somente quatro afirmações (A, F, I, J) tiveram aprovação geral, enquanto sete (B, C, E, G, H, L, M) foram geralmente desaprovadas, e duas (D, K) não tiveram nem forte aprovação nem forte desaprovação.

Considerando os fenômenos, sete (2, 3, 11, 14, 16, 17, 18) atingiram os critérios para serem aprovados como comportamentos baseado nos resultados das afirmações e sete (4, 8, 9, 12, 13, 15, 20) atingiram o critério para rejeição. Os restantes seis fenômenos (1, 5, 6, 7, 10, 19) tiveram divergências maiores em relação a serem ou não comportamentos.

Vários respondentes se contradisseram. Por exemplo, muitos concordaram que somente animais se comportam (afirmação K), mas também consideraram que algas nadando em direção a água com maior concentração de nutrientes é um comportamento (fenômeno 14).

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A maioria das pessoas não consideraria que os frutos de dente-de-leão carregados pelo vento estão se comportando.

Apesar da alta taxa de discordância, o grupo decidiu propor uma definição de comportamento. E ela é:

“Comportamento são as respostas internas coordenadas (ações ou inações) de organismos vivos como um todo (indivíduos ou grupo) a estímulos internos e/ou externos, excluindo respostas mais facilmente entendidas como mudanças de desenvolvimento.” (Levitis et al., 2009)

A questão não está concluída, no entanto, e provavelmente nunca estará. Mais tarde, o Dr. Raymon M. Berger, discutindo o mesmo assunto, nos diz que sob o ponto de vista da Psicologia Descritiva, um comportamento sempre inclui oito parâmetros na seguinte formulação:

< B > = <I, W, K, K-H, P, A, PC, S>, onde:

B = comportamento (p. ex., Maria joga sua dama de copas num jogo de bridge).
I = identidade da pessoa se comportamento (p. ex., Maria)
W = desejo, a coisa que a pessoa está tentando alcançar (p. ex., vencer uma jogada no jogo de bridge).
K = conhecimento, o parâmetro cognitivo, o conhecimento de como as coisas funcionam (p. ex., rainha vs. rei, copas vs. ouro).
K-H = know-how, a habilidade de fazer o que está sendo feito (p.ex., a habilidade de entender as regras de bridge, ou a habilidade de mover objetos físicos).
P = performance, desempenho, os processos corporais envolvidos no comportamento (p. ex., Maria pega e joga sua rainha).
A = alcance, obtenção, o resultado do comportamento (p. ex., Maria vence a jogada).
PC = características pessoais, o parâmetro diferencial do indivíduo (p.ex., o profundo conhecimento de Maria sobre estratégia).
S = significância, o que o comportamento significa (p. ex., Maria está jogando bridge).

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Jogar cartas é certamente um comportamento. Um bem complexo.

Tal “definição” é, na minha opinião, complexa demais para a maioria das circunstâncias de comportamento animal. Contudo eu tampouco estou completamente satisfeito com a definição de Levitis et al. Acho que é difícil dizer a diferença entre uma resposta dada por um organismo como um todo vs. uma de suas partes. Por exemplo, quando eu tusso porque água entrou na minha traqueia, é meu organismo inteiro respondendo ou só parte dele? Isso seria um comportamento?

Além disso, não estou certo se deveríamos realmente considerar mudanças de desenvolvimento como algo diferente de outras respostas. Se eu tivesse que definir comportamento, eu provavelmente diria que é:

“Uma atividade realizada por um organismo que é uma resposta a um estímulo e é dependente dos processos internos do organismo.”

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Por que uma pupila mudando de tamanho de acordo com a luz do ambiente não deveria ser considerado um comportamento?

E você? O que você acha que é comportamento?

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Referências:

Bergner, R. (2011). What is behavior? And so what? New Ideas in Psychology, 29 (2), 147-155 DOI: 10.1016/j.newideapsych.2010.08.001

Bergner, R. (2016). What is behavior? And why is it not reducible to biological states of affairs? Journal of Theoretical and Philosophical Psychology, 36 (1), 41-55 DOI: 10.1037/teo0000026

Levitis, D., Lidicker, W., & Freund, G. (2009). Behavioural biologists do not agree on what constitutes behaviour Animal Behaviour, 78 (1), 103-110 DOI: 10.1016/j.anbehav.2009.03.018

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Sexta Selvagem: Verme-tapete-persa

por Piter Kehoma Boll

Um platelminto de novo, finalmente! Não uma planária  terrestre, mas um platelminto mesmo assim.

Se há um grupo de platelmintos que pode colocar planárias terrestres em segundo plano quando o assunto é beleza, esses são os policladidos. Vivendo no mar, especialmente em recifes de corais, policladidos são coloridos e crespos e podem ser confundidos com lesmas marinhas.

A espécie que estou apresentando aqui hoje é Pseudobiceros bedfordi, em inglês conhecida como Persian carpet flatworm, nome que adaptei como verme-tapete-persa. Medindo cerca de 8 cm, ele vive nos recifes de corais ao longo da Austrália, da Indonésia, das Filipinas e áreas adjacentes. Veja como ele é lindo:

A flatworm (Pseudobiceros bedfordi). Raging Horn, Osprey Reef, Coral Sea

O verme-tapete-persa com suas belas cores. Foto de Richard Ling.*

O padrão colorido desta e de muitas outras espécies de policladidos é  provavelmente um aviso sobre sua toxicidade, apesar de haver poucos estudos relacionados à toxicidade desses animais. Sendo predadores ativos, policladidos podem usar suas toxinas como uma forma de subjugar a presa também.

Mas a coisa mais interessante sobre o verme-tapete-persa é seu comportamento sexual. Como a maioria dos platelmintos, eles são hermafroditas, assim quando dois indivíduos se encontram e decidem fazer sexo, eles precisam escolher se farão o papel de macho ou de fêmea (ou ambos). Infelizmente, a maioria dos indivíduos prefere ser macho, então esses encontros geralmente terminam em lutas violentas nas quais ambos os animais atacam o parceiro com um pênis duplo, um comportamento conhecido como briga de pênis.

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Dois vermes-tapete-persa prestes a começar uma briga de pênis. Foto de Whitfield (2004), cortesia de Nico Michiels.**

Ao final, o vencedor jorra seu esperma no parceiro e vai embora. Mas a parte horrível ainda está por vir. O esperma parece ser capaz de queimar como ácido através do tecido da pele do receptor de forma a alcançar os tecidos internos e assim nadar até os ovos. Em algum casos extremos o volume de esperma pode ser grande o suficiente para arrebentar o receptor em pedaços! Se isso não é uma boa definição de sexo selvagem, não sei o que é.

Veja também: Conflito de Gênero: Quem é o homem na relação?

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Referências:

Whitfield, J. (2004). Everything You Always Wanted to Know about Sexes PLoS Biology, 2 (6) DOI: 10.1371/journal.pbio.0020183

Wikipedia. Pseudoceros bedfordi. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Pseudobiceros_bedfordi&gt;. Acesso em 24 de novembro de 2016.

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Conflito de Gênero: Quem é o homem na relação?

por Piter Kehoma Boll

Todo mundo com algum conhecimento em evolução ouviu falar de conflito sexual, como machos e fêmeas têm diferentes interesses durante a reprodução, e seleção sexual, isto é, como um sexo pode influenciar a evolução do outro.

Organismos sexuais são quase sempre definidos pela presença de dois sexos: masculino e feminino. O sexo masculino é aquele que produz o menor gameta (célula sexual) e o sexo feminino é aquele que produz o maior gameta. O gameta masculino é geralmente produzido em grande quantidade, porque como é pequeno, é barato de fabricar. Por outro lado, o gameta feminino é produzido em pequena quantidade, porque seu grande tamanho o torna um gameta caro.

Uma imagem clássica de um gameta masculino (espermatozoide) chegando a um gameta feminino (ovócito) durante a fertilização. Veja a impressionante diferença em tamanho.

Uma imagem clássica de um gameta masculino (espermatozoide) chegando a um gameta feminino (ovócito) durante a fertilização. Veja a impressionante diferença em tamanho.

Como pode-se ver facilmente, a fêmea põe muito mais recursos na produção de um único descendente que um macho. Como resultado, as fêmeas costumam ser muito seletivas em relação a quem terá a honra de fertilizar seus ovos. Os machos precisam provar que são merecedores da paternidade, e a escolha da fêmea, através das gerações, aumenta características masculinas que elas julgam atraentes. Um exemplo clássico é o pavão.

O pavão é um dos exemplos mais famosos de como a seleção sexual pode guiar a evolução de espécies dioicas. Foto de Oliver Pohlmann.

O pavão é um dos exemplos mais famosos de como a seleção sexual pode guiar a evolução de espécies dioicas. Foto de Oliver Pohlmann.

Existem muitas exceções, é claro, a maioria delas guiadas pelo ambiente social das espécies ou devido a um ambiente natural incomum que possa aumentar o investimento masculino. Mas tudo isso se refere a espécies dioicas, isto é, espécies as quais machos e fêmeas são organismos separados. Mas o que acontece se você é parte de uma espécie hermafrodita, portanto sendo macho e fêmea ao mesmo tempo? Você simplesmente acasala com todo mundo? São todos versáteis todas as vezes que vão pra cama?

Bem, há uma grande diversidade nestes organismos, mas todos os princípios do conflito sexual ainda são válidos. Mesmo que você seja macho e fêmea ao mesmo tempo, você ainda tem o desejo de fertilizar tantos ovos quanto possível com seu esperma barato enquanto escolhe com cuidado quem é digno de fertilizar seus próprios ovos. O grande problema é que todos os outros querem o mesmo.

"Vamos lá, benzinho. Me deixa te fertilizar." "Você vai me deixar te fertilizar também?" Foto de Jangle1969, usuário do Wikimedia.*

“Vamos lá, benzinho. Me deixa te fertilizar.”
“Você vai me deixar te fertilizar também?”
Foto de Jangle1969, usuário do Wikimedia.*

Imagine que você é um hermafrodita com um punhado de ovos caros e um montão de esperma barato. Você está interessado em copular e sai para a caçada. Eventualmente você encontra outro indivíduo com as mesmas intenções. Vocês se olham nos olhos, se aproximam e começam a conversar. Vamos supor que você não achou o outro muito atraente para ser o pai dos seus filhos, mas você quer ser o pai dos filhos dele.

“Então, quais são suas preferências?” você pergunta.
“No momento eu quero ser o macho” responde o outro.

“Droga!”, você pensa. Vocês dois querem a mesma coisa. Vocês querem desempenhar o mesmo papel sexual, de forma que há um conflito de interesses ou, como é chamado, um “conflito de gênero”. Neste caso, em se tratando de comportamento sexual em biologia, a palavra gênero se refere ao papel que você desempenha no sexo. Quem vai ser o homem da relação?

Diante desse conflito, este dilema do hermafrodita, vocês dois precisam achar uma solução. Há quatro possíveis desfechos:

1. Você insiste em ser o macho e seu parceiro aceita fazer o papel de fêmea contra sua vontade. Você vence, o outro perde.
2. Seu parceiro insiste em ser o macho e você aceita fazer o papel de fêmea contra sua vontade. O outro vence, você perde.
3. Vocês dois insistem em ser o macho. O sexo não acontece e vocês dois vão para casa sem terem ido para a cama.
4. Vocês dois aceitam desempenhar os dois papéis. O sexo acontece e vocês entregam seu esperma com sucesso, mas são forçados a aceitar o esperma do outro cara também.

O pior para você é não ser capaz de entregar seu esperma, como queria. Assim 2 e 3 são os piores desfechos. 1 é o melhor desfecho para você, mas como você vai convencer seu parceiro a ser o perdedor? Assim, a melhor solução para todos é a 4. Nenhum dos dois está completamente feliz nem completamente frustrado.

As minhocas usam a posição 69 para trocar esperma. Foto de Beentree, usuário do Wikimedia.*

As minhocas usam a posição 69 para trocar esperma. Foto de Beentree, usuário do Wikimedia.*

Mas isso é o fim? Não necessariamente. O comportamento de acasalamento mais estável numa população é de fato aceitar fazer os dois papéis, mas as coisas podem continuar depois de você dar um beijo de despedida no seu companheiro. Agora você precisa lidar com seleção pós-copulatória.

Você fez sexo, entregou seu esperma, mas recebeu esperma em troca. Um esperma de baixa qualidade, em sua opinião. Você não vai deixá-lo fertilizar seus ovos, vai? Claro que não! Assim, tão logo seu parceiro sumiu de vista, você simplesmente cospe o esperma antes que ele atinja seus ovos! Ele nunca vai saber.

Um par de platelmintos, Macrostomum sp., acasalando. Veja como o branco, ao final, se curva sobre si mesmo e suga o esperma do outro cara para fora do poro feminino de forma a se livrar dele. Imagem extraída de Schärer et al. (2004) [veja referências].

Um par de platelmintos, Macrostomum sp., acasalando. Veja como o branco, ao final, se curva sobre si mesmo e suga o esperma do outro cara para fora do poro feminino de forma a se livrar dele. Imagem extraída de Schärer et al. (2004) [veja referências].

E assim você passou a perna no seu parceiro! Você aceitou receber o esperma dele em troca do seu próprio, mas depois você o descartou assim que seu parceiro foi embora. Você é demais! Certo? Mas… espera! E se ele fez o mesmo? E se o seu esperma também foi descartado?

Você não pode arriscar isso. Isso seria pior do que não ter copulado pra início de conversa, porque você teria desperdiçado energia e esperma por nada! Mas como garantir que o esperma permaneça onde deve estar?

Uma estratégia é incluir algumas cerdas rígidas em seus espermatozoides de forma que eles se prendam à parede interna da cavidade feminina e não possam ser removidos. Os espermatozoides funcionam como espinhos que entram facilmente mas são muito difíceis de serem puxados de volta. É isso que alguns platelmintos fazem.

Duas estratégias usadas por espécies de Macrostomum para forçar o parceiro a pegar seu esperma. (A) Uma espécie na qual dois indivíduos trocam esperma, mas depois tentam se livrar do esperma do parceiro, evoluíram espermatozoides com cerdas que os seguram na cavidade feminina. (B) Outras espécies evoluíram um comportamento mais agressivo, no qual eles injetam o esperma no parceiro usando um estilete (pênis) com uma ponta afiada capaz de perfurar o corpo. Neste caso não há necessidade de ter espermatozoides com cerdas.

Duas estratégias usadas por espécies de Macrostomum para forçar o parceiro a pegar seu esperma. (A) Uma espécie na qual dois indivíduos trocam esperma, mas depois tentam se livrar do esperma do parceiro, evoluíram espermatozoides com cerdas que os seguram na cavidade feminina. (B) Outras espécies evoluíram um comportamento mais agressivo, no qual eles injetam o esperma no parceiro usando um estilete (pênis) com uma ponta afiada capaz de perfurar o corpo. Neste caso não há necessidade de ter espermatozoides com cerdas. Imagem extraída de Schärer et al. (2011) [veja referências]

Outras espécies evoluíram uma abordagem mais agressiva. Elas armaram seus pênis com uma ponta afiada que perfura o corpo do parceiro, forçando-o a receber o esperma. O esperma é injetado nos tecidos do parceiro e nada em direção aos ovos.

Ambas as estratégias podem parecer soluções maravilhosas para o macho, mas lembre-se de que eles são hermafroditas, então tudo pode ser usado contra eles mesmos! E esse é o grande dilema do hermafrodita, ou o paradoxo final do hermafrodita. Eles estão constantemente tentando vencer a si mesmos.

A evolução não é incrível?

Veja também: Endosperma: o pivô do conflito sexual em angispermas.

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Referências e leitura complementar:

Anthes, N., Putz, A., & Michiels, N. (2006). Hermaphrodite sex role preferences: the role of partner body size, mating history and female fitness in the sea slug Chelidonura sandrana Behavioral Ecology and Sociobiology, 60 (3), 359-367 DOI: 10.1007/s00265-006-0173-5

Janicke, T., Marie-Orleach, L., De Mulder, K., Berezikov, E., Ladurner, P., Vizoso, D., & Schärer, L. (2013). SEX ALLOCATION ADJUSTMENT TO MATING GROUP SIZE IN A SIMULTANEOUS HERMAPHRODITE Evolution, 67 (11), 3233-3242 DOI: 10.1111/evo.12189

Leonard, J. (1990). The Hermaphrodite’s Dilemma Journal of Theoretical Biology, 147 (3), 361-371 DOI: 10.1016/S0022-5193(05)80493-X

Leonard, J., & Lukowiak, K. (1991). Sex and the simultaneous hermaphrodite: testing models of male-female conflict in a sea slug, Navanax intermis (Opisthobranchia) Animal Behaviour, 41 (2), 255-266 DOI: 10.1016/S0003-3472(05)80477-4

Marie-Orleach, L., Janicke, T., & Schärer, L. (2013). Effects of mating status on copulatory and postcopulatory behaviour in a simultaneous hermaphrodite Animal Behaviour, 85 (2), 453-461 DOI: 10.1016/j.anbehav.2012.12.007

Schärer, L., Joss, G., & Sandner, P. (2004). Mating behaviour of the marine turbellarian Macrostomum sp.: these worms suck Marine Biology, 145 (2) DOI: 10.1007/s00227-004-1314-x

Schärer, L., Littlewood, D., Waeschenbach, A., Yoshida, W., & Vizoso, D. (2011). Mating behavior and the evolution of sperm design Proceedings of the National Academy of Sciences, 108 (4), 1490-1495 DOI: 10.1073/pnas.1013892108

Schärer, L., Janicke, T., & Ramm, S. (2015). Sexual Conflict in Hermaphrodites Cold Spring Harbor Perspectives in Biology, 7 (1) DOI: 10.1101/cshperspect.a017673

Wethington, A., & Dillon, JR, R. (1996). Gender choice and gender conflict in a non-reciprocally mating simultaneous hermaphrodite, the freshwater snail,Physa Animal Behaviour, 51 (5), 1107-1118 DOI: 10.1006/anbe.1996.0112

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