Arquivo do mês: fevereiro 2017

Novas Espécies: 21 a 28 de fevereiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 21 a 28 de fevereiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

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Nyctibatrachus manalari é uma nova espécie de rã descrita nos últimos 8 dias.

Bactérias

Plantas

Fungos

Esponjas

Anelídeos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Hexápodes

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras raiadas

Lissanfíbios

Mamíferos

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Sexta Selvagem: B. coli

por Piter Kehoma Boll

É hora de dar mais espaço para parasitas, incluindo parasitas humanos! Então hoje nosso camarada vem direto das fezes de muitos mamíferos, incluindo humanos. Seu nome é Balantidium coli, ou B. coli para abreviar.

B. coli é um ciliado, isto é, um membro do filo Ciliophora, um grupo de protistas que possui suas células cobertas por cílios, que não são nada mais que flagelos muito curtos e numerosos. A maioria dos ciliados são organismos de vida livre, e de fato B. coli é o único ciliado conhecido que é danoso a humanos, mas não somente a humanos. Muitos outros mamíferos também hospedam esse carinha, especialmente porcos.

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O macronúcleo vermelho e alongado de B. coli faz com que ele pareça um cara mau, não acha? Foto extraída de http://www.southampton.ac.uk/~ceb/Diagnosis/Vol2.htm

O habitat típico do B. coli é o intestino grosso de mamíferos. O protista vive lá em uma fase ativa chamada trofozoíto (visto na imagem acima) e se alimenta de bactérias que vivem naturalmente no intestino. Quando em ambientes desidratados, o que acontece na porção final do intestino ou depois que o organismo é liberado com as fezes, o B. coli muda para uma fase inativa chamada cisto, que é menor que o trofozoíto e coberto por uma parede espessa. Os cistos são liberados no ambiente e podem ser ingeridos por um novo hospedeiro e atingir o intestino, onde retornarão à forma de trofozoíto.

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Um cisto de B. coli. Foto extraída de http://www.southampton.ac.uk/~ceb/Diagnosis/Vol2.htm

Sintomas da infecção por B. coli, também conhecida como balantidíase, incluem diarreia explosiva a cada 20 minutos e, em infecções agudas, pode causar perfuração do cólon e se tornar uma condição que oferece risco de vida.

Felizmente, infecções em humanos não são tão comuns. O país mais afetado hoje em dia são as Filipinas, mas você pode se infectar em qualquer lugar. A melhor maneira de reduzir os riscos de infecção é tendo boas condições sanitárias e higiene pessoal. Contudo, como porcos são o vetor mais comum da doença, ela continuará existindo enquanto humanos criarem porcos.

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Referências:

Schuster, F., & Ramirez-Avila, L. (2008). Current World Status of Balantidium coli Clinical Microbiology Reviews, 21 (4), 626-638 DOI: 10.1128/CMR.00021-08

Wikipedia. Balantidium coli. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Balantidium_coli&gt;. Access on February 23, 2017.

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Arquivado em Parasitas, protistas, Sexta Selvagem

Novas Espécies: 11 a 20 de fevereiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de fevereiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

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Pseudomacrochenus wusuae é um novo besouro cerambicídeo descrito nos últimos 10 dias.

SARs

Plantas

Fungos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Hexápodes

Tunicados

Peixes de nadadeiras rajadas

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Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Sexta Selvagem: Nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver com a cara enterrada na lama no fundo de um lago europeu, pode acabar encontrando alguns destes pequeninos nematódeos conhecidos como Monhystera stagnalis. Como de costume, não há nome comum para a espécie, mas eu decidi chamá-la de nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom. Por quê? Porque ele vive na lama e tem um intestino marrom-avermelhado.

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Um indivíduo de Monhystera stagnalis. Foto de Marco Spiller.*

O nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom está amplamente distribuído pela Europa. Ele habita os sentimentos finos no fundo de corpos de água-doce, tanto estagnados quanto correntes, onde se alimenta de matéria orgânica depositada neste meio, tendo um gosto especial por bactérias. Ele é capaz de sobreviver em poluição orgânica moderada, mas é sensível a baixos níveis de oxigênio.

Ele é uma das espécies de nematódeo mais comuns em seu ambiente e é muito pequeno, medindo cerca de 1 mm de comprimento, com fêmeas sendo ligeiramente mais longas que machos. Eles são encontrados em todas as profundidades do sedimento e possuem uma preferência por ficarem próximos da superfície durante o inverno e mais fundo na lama durante o verão.

As fêmeas são ovovivíparas, o que significa que elas mantêm os ovos dentro de seus corpos até eclodirem, de forma que ficam grávidas de ovos. Apesar de estarmos acostumados a pensar em invertebrados produzindo centenas ou milhares de ovos de uma vez, esse não é o caso do nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom. As fêmeas geralmente estão grávidas de um único ovo, às vezes dois ou três. Eles são vermes modestos.

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Referências:

Pehofer, H. (1989). Spatial Distribution of the Nematode Fauna and Production of Three Nematodes (Tobrilus gracilis, Monhystera stagnalis, Ethmolaimus pratensis) in the Profundal of Piburger See (Austria, 913 m a.s.l) Internationale Revue der gesamten Hydrobiologie und Hydrographie, 74 (2), 135-168 DOI: 10.1002/iroh.19890740203

Traunspurger, W. (1996). Autecology of Monhystera paludicola De Man, 1880 – Seasonal, Bathymetric and Vertical Distribution of a Free-living Nematode in an Oligotrophic Lake Internationale Revue der gesamten Hydrobiologie und Hydrographie, 81 (2), 199-211 DOI: 10.1002/iroh.19960810205

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial e Compartilhamento Igual 2.0 Genérica.

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Novas Espécies: 1 a 10 de fevereiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de janeiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

heliconia_berguidoi

Heliconia berguidoi é uma nova espécie de planta do Panamá. Fotos de R. Flores e C. Black, vistos na imagem de baixo ao lado de um espécime. (Licença CC BY 4.0)

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Cnidários

Platelmintos

Anelídeos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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Sexta Selvagem: Pinheiro-do-Paraná

por Piter Kehoma Boll

Como primeira conífera na Sexta Selvagem, decidi escolher uma das minhas amadas, o pinheiro-do-Paraná, Araucaria angustifolia.

O pinheiro-do-Paraná pode chegar a até 50 m de altura, apesar de a maioria das árvores serem menores que isso. Elas possuem um formato particular e são facilmente distinguíveis da floresta circundante onde ocorrem, a chamada Floresta Ombrófila Mista ou Floresta de Araucária, no sul do Brasil. As árvores têm um tronco cilíndrico com uma casca escura e fina que se destaca em partes grandes e flexíveis, sendo cinza na superfície externa e avermelhada na superfície interna. A copa muda sua aparência durante o desenvolvimento, sendo cônica em árvores jovens e em forma de candelabro em espécimes maduros. Árvores maduras geralmente possuem a copa acima do dossel, o que dá à floresta de araucária seu aspecto particular. As folhas crescem em um padrão espiral em torno do caule e são muito duras e com uma ponta afiada que pode facilmente perfurar a pele humana.

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Um grupo de pinheiros-do-Paraná em Campos de Jordão, Brasil, perto da distribuição mais ao norte da espécie. Foto de Vinícius RibeiroVinícius RibeiroVinícius Ribeiro.*

A distribuição atual da espécie é quase restrita ao Brasil, do norte do Rio Grande do Sul ao sul de São Paulo, com algumas populações pequenas ocorrendo em áreas vizinhas da Argentina e do Paraguai. Outrora uma espécie abundante, sua população foi drasticamente reduzida devido à intensa extração de madeira até metade do século XX e à exploração de suas sementes, chamadas de pinhões. Como resultado, ela é atualmente considerada como criticamente em perigo pela IUCN.

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Uma árvore adulta no município de Colombo, Paraná, Brasil. Foto de Mauro Guanandi.*

O pinheiro-do-paraná é uma espécie dioica, isto é, machos e fêmeas são plantas separadas. Como a maioria das coníferas, ela é polinizada pelo vento. Os grandes cones, que levam dois anos para ficarem maduros, contêm um número de sementes grandes e comestíveis usadas como alimento por muitos animais, bem como por humanos. Pinhões cozidos em água com sal é um prato típico no sul do Brasil durante o inverno. Um dos principais dispersores de sementes do pinheiro-do-paraná é a gralha-azul, Cyanocorax caeruleus, que enterra as sementes para uso futuro.

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Um cone e sementes soltas de Araucaria angustifolia num mercado. Foto de Marcelo Träsel.**

Como a maioria das (se não todas) coníferas, o pinheiro do Paraná forma associações mutualísticas com fungos, tal como o glomeromiceto Glomus clarum. Assim, de forma a preservar essa árvore incrível, também é necessário garantir a preservação de todas as suas espécies associadas, como os fungos micorrízicos e os dispersores de sementes.

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Referências:

Angeli, A. (2003). Araucaria angustifolia (Araucaria). Departamento de Ciências Florestais – ESALQ/USP. Available at: <http://www.ipef.br/identificacao/araucaria.angustifolia.asp&gt;. Access on January 26, 2017.

IUCN (2016). Araucaria angustifolia The IUCN Red List of Threatened Species DOI: 10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T32975A2829141.en

Soares, T. S. (2004). Araucária – o pinheiro brasileiro. Revista Científica Eletrônica de Engenharia Florestal, 2 (3).

SOUZA, A. (2007). Ecological interpretation of multiple population size structures in trees: The case of Araucaria angustifolia in South America Austral Ecology, 32 (5), 524-533 DOI: 10.1111/j.1442-9993.2007.01724.x

Zandavalli, R., Dillenburg, L., & de Souza, P. (2004). Growth responses of Araucaria angustifolia (Araucariaceae) to inoculation with the mycorrhizal fungus Glomus clarum. Applied Soil Ecology, 25 (3), 245-255 DOI: 10.1016/j.apsoil.2003.09.009

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Radiolário-Trançado-do-Norte

por Piter Kehoma Boll

Algumas semanas atrás eu apresentei uma diatomácea aqui e mencionei que, apesar de serem um grupo muito abundante, pouca informação sobre as espécies está disponível. Hoje nossa espécie é um radiolário e, assim como as diatomáceas, eles são abundantes, mas pouco conhecidos.

Foi difícil encontrar uma espécie viva que também tivesse uma foto boa e disponível para compartilhar. E o vencedor foi uma espécie conhecida como Cleveiplegma boreale, ou Rhizoplegma boreale talvez. Não tenho certeza de qual é o nome atualmente aceito. Enfim, ele não tem um nome comum, mas eu decidi criar um, então vamos chamá-lo de “radiolário-trançado-do-norte”.

Radiolários são organismos unicelulares que possuem um esqueleto mineral intrincado que contém uma cápsula central que tipicamente divide a célula em duas porções: uma interna e uma externa. Nosso camarada se parece com isso:

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Um espécime vivo do radiolário-trançado-do-norte. Foto de John Dolan.*

O radiolário-trançado-do-norte tem de 6 a 10 espinhos crescendo para fora e há um padrão complexo de esqueleto trançado que envolve tanto os espinhos quando a cápsula interna. Medindo cerca de 20 µm de diâmetro, ele é um radiolário consideravelmente grande.

Apesar de ser conhecido de fósseis ao longo do quaternário, de pelo menos 10 mil anos antes do presente, o radiolário-trançado-do-norte ainda é uma espécie vive. Atualmente sabe-se que ele ocorre nos Mares Nórdicos, em torno da Escandinávia, Islândia e Groenlândia, no Pacífico Norte, incluindo o Mar de Bering, e no Oceano Austral, em torno da Antártida. Podemos ver, portanto, que essa espécie gosta de águas frias.

Ah, e eles se alimentam de diatomáceas… eu acho.

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Referências:

Dolven, J., & Bjørklund, K. (2001). An early Holocene peak occurrence and recent distribution of Rhizoplegma boreale (Radiolaria): a biomarker in the Norwegian Sea Marine Micropaleontology, 42 (1-2), 25-44 DOI: 10.1016/S0377-8398(01)00011-1

Dumitrica, P. (2013). Cleveiplegma nov. gen., a new generic name for the radiolarian species Rhizoplegma boreale (Cleve, 1899) Revue de Micropaléontologie, 56 (1), 21-25 DOI: 10.1016/j.revmic.2013.01.001

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