Arquivo do mês: abril 2019

Novas Espécies: Abril de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Árqueos

SARs

Plantas

Nasa angeldiazoides é uma nova angiosperma do Peru. Créditos a Henning et al. (2019).*

Excavados

Rossbeevera griseobrunnea é um novo basidiomiceto da China. Créditos a Hosen et al. (2019).*

Fungos

Dermea chinensis é um novo ascomiceto da China. Créditos a Jiang & Tian (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Microstomum schultei é um novo platelminto da Itália. Créditos a Atherton & Jondelius (2019).*

Rotíferos

Aethozooides uraniae é um novo briozoário do Mediterrâneo. Créditos a Schwaha et al. (2019).*

Briozoários

Anelídeos

Madrella amphora (a-d) e Janolus tricellarioides (e-h) são duas novas lesmas marinhas da Nova Guiné e das Filipinas, respectivamente. Créditos a Pola et al. (2019).*

Moluscos

Quinorrincos

Arpocelinus itecrii é um novo nematódeo da Costa Rica. Créditos a Peña-Santiago & Varela-Benavides (2019).

Nematódeos

Tardígrados

Phintelloides brunne (A-D) e Phintelloides flavoviri (E,F) são duas novas aranhas-saltadoras do sul da Ásia. Créditos a Kanesharatnam & Benjamin (2019).*

Quelicerados


Cryptocorypha enghoffi é um novo piolho-de-cobra da Tailândia. Créditos a Likhitrakarn et al. (2019).*

Miriápodes

Vinaphilus unicus é uma nova centopeia do sudeste da Ásia. Créditos a Tran et al. (2019).*

Crustáceos

O gênero de besouros Hexanchorus cresceu com quatro novas espécies do Equador. Créditos a Linský et al. (2019).*

Hexápodes

Condrícties

Prognathodes geminus é um novo peixe-borboleta de Palau. Créditos a Copus et al. (2019).*

Actinopterígios

Noblella thiuni é uma nova rã do Peru. Créditos a Catenazzi & Ttito (2019).*

Anfíbios

Répteis

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Mais uma espécie se junta ao Clube das Matadoras de Marido

por Piter Kehoma Boll

Read it in English

Canibalismo sexual é o ato de comer um parceiro sexual logo antes, durante ou logo depois da cópula. Apesar de ser um comportamento consideravelmente raro, sua ocorrência é muito popular entre o público em geral.

Quando canibalismo sexual ocorre, geralmente consiste na fêmea comendo o macho. Dois casos populares são os dos louva-a-deuses e das aranhas, especialmente a viúva-negra. Este fenômeno, ao menos entre viúvas-negras, é muito mais raro do que a maioria das pessoas pensa.

Louva-a-deus-fêmea comento um macho saboroso. Foto de Oliver Koemmerling.*

Apesar de às vezes o canibalismo sexual ocorrer porque um dos parceiros confunde o outro com comida, em muitas espécies é uma estratégia selecionada evolutivamente para assegurar que a fêmea coma o suficiente para a prole se desenvolver adequadamente. Pode parecer horrível do ponto de vista humano, especialmente se pensarmos da perspectiva do macho, mas temos que lembrar que passar os genes para a próxima geração é o principal propósito da maioria dos organismos e, se o macho é bem-sucedido em fertilizar os ovos da fêmea, sua vida serviu seu propósito e ele pode morrer feliz.

Canibalismo sexual é, claro, quase exclusivamente observado entre predadores, o que é um tanto óbvio. E, como eu disse acima, ele é comumente realizado pela fêmea. Um grupo que é famoso por suas espécies com fêmeas empoderadas é a ordem de insetos Hymenoptera, que inclui abelhas, formigas, vespas, moscas-serra, entre outros. Visto que muitos himenópteros apresentam algum grau de socialidade, na qual sociedades são compostas quase exclusivamente por fêmeas, e os machos são gerados apenas para a reprodução, é curioso que canibalismo sexual nunca tenha sido registrado neste grupo… até agora.

Um estudo recentemente publicado examinou o comportamento de acasalamento de uma pequena vespa parasitoide, Gonatopus chilensis. Esta espécie pertence à família Dryinidae, da qual todas as espécies põem os ovos em insetos da subordem Auchenorrhyncha, que inclui cigarras, cigarrinhas, jequitiranaboias, entre outros. As larvas, após eclodirem do ovo, se alimentam do hospedeiro. Fêmeas adultas de vespas driinídeas também são predadores vorazes e se alimentam das mesmas espécies das quais se alimentaram como larvas.

Macho de Gonatopus chilensis (esquerda) inseminando uma fêmea (a), e fêmea comendo um macho (b e c). Extraído de Vira & Espinosa (2019).*

Após a cópula, fêmeas de G. chilensis foram frequentemente observadas tentando capturar os machos da mesmo forma como capturam as presas. Contudo apenas em uma ocasião a fêmea foi bem-sucedida e capturar o macho e comeu seu gáster (a porção grande e arredondada que forma a maior parte do abdome em vespas). Como apenas um evento de canibalismo foi observado, ele pode ser um fenômeno raro nesta espécie, mas como várias tentativas de capturar o macho foram vistas, parece que comer o macho é uma ideia interessante para as fêmeas.

Este é o primeiro caso conhecido de canibalismo sexual em himenópteros e, portanto, um registro importante que aumentou o número de grupos nos quais se sabe que este comportamento ocorre.

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Referência:

Virla EG, Espinosa MS (2019) Observations on the mating behavior of a dryinid and first record of sexual cannibalism in the hymenoptera. Acta Ethologica. doi: 10.1007/s10211-019-00315-9

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Arquivado em Comportamento, Entomologia, Evolução

Sexta Selvagem: Fungo-do-Conhaque

por Piter Kehoma Boll

Se você mora perto ou já visitou uma destilaria, pode ter percebido manchas pretas cobrindo as paredes externas. À primeira vista elas podem parecer fuligem, mas se você olhar perto o bastante notará que na verdade são uma forma de vida.

Este fenômeno foi observado pela primeira vez em 1872 na cidade de Cognac, França e relatado por Antonin Baudoin, o diretor da Associação Francesa de Destiladores. Durante os anos seguintes, a coisa foi identificada como um fungo que atualmente é chamado de Baudoinia compniacensis e comumente conhecido como o fungo-do-uísque ou o fungo-da-porção-dos-anjos, mas eu decidi chamá-lo de fungo-do-conhaque e explicarei por que daqui a pouco.

Baudoinia compniacensis crescendo nas paredes perto de sua localidade-tipo em Cognac, França. Foto de Yann Gwilhoù.*

A razão para esse fungo crescer em torno de destilarias é porque é capaz de metabolizar etanol como uma fonte de carbono, isto é, como comida, e se prolifera com o vapor de etanol liberado de fábricas como essas. Ele é, no entanto, sensível a concentrações altas deste álcool e assim raramente cresce dentro dos prédios, preferindo as superfícies externas ou estruturas próximas, incluindo ramos de árvores.

Até agora, o fungo-do-uísque nunca foi encontrado em hábitats naturais, longe de emissões de etanol geradas por atividades humanas. Na natureza, ele provavelmente cresce perto de emissões naturais de etanol, como frutas apodrecidas, mas como estas emissões são muito menos concentradas que as geradas por humanos, ele certamente não consegue crescer tanto quanto consegue próximo a destilarias. Podemos dizer que esta espécie se tornou muito bem-sucedida após humanos passarem a produzir bebidas alcoólicas em grande escala.

Por muitos anos, todos os fungos crescendo em torno de destilarias no mundo eram considerados como pertencendo à mesma espécie, Baudoinia compniacensis. Contudo estudos moleculares recentes usando populações de diferentes partes do mundo revelaram que elas pertencem a diferentes espécies, e cada espécie parece restrita a uma certa localidade geográfica. A espécie Baudoinia compniacensis foi encontrada apenas na França. As populações na escócia formam uma espécie separada, Baudoinia caledoniensis, e o mesmo se aplica a populações nas Américas (Baudoinia panamericana), no Caribe (B. antilliensis) e no Extremo Oriente (B. orientalis). Assim, o nome fungo-do-uísque não parece adequado e serviria melhor para Baudoinia caledoniensis.

Imagens de culturas de diferentes espécies de Baudoinia. A figura F mostra o fungo-do-conhaque Baudoinia compniacensis sob o microscópio. Créditos a Scott et al. (2016).*

De qualquer forma, da próxima vez que você vir uma destilaria coberta por um mofo preto, lembre-se de que se trata de uma espécie que floresceu por nossa causa se nosso amor por álcool.

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Referências:

Scott JA, Ewaze JO, Summerbell RC, Arocha-Rosete Y, Maharaj A, Guardiola Y, Saleh M, Wong B, Mogale M, O’Hara MJ, Untereiner WA (2016) Multilocus DNA sequencing of the whiskey fungus reveals a continental-scale speciation pattern. Persoonia 37: 13–20. doi: 10.3767/003158516X689576

Scott JA, Summerbell RC (2016) Biology of the Whiskey Fungus. In: Li D-W (Ed.) Biology of Microfungi, Springer, pp. 413–428. doi: 10.1007/978-3-319-29137-6_16

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 3.0 Não Adaptada.

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Quarta de Quem: Josef Müller

por Piter Kehoma Boll

Mais uma vez nosso cientista do dia está em parte relacionado às minhas adoradas planárias terrestres, apesar de suas contribuições mais importantes terem ocorrido no campo da entomologia.

Josef Müller, também conhecido como Giuseppe Müller, nasceu em 4 de abril de 1880 em Zadar, Croácia, na época parte do Império Austro-Húngaro. Seus anos regulares de escola incluíram o estudo de línguas clássicas e do método científico, o que o fez adquirir interesse pelo mundo natural. Assim, em 1898, ele se mudou para Graz, Áustria, e estudou história natural na faculdade de filosofia.

Em 1900, ainda estudante, ele publicou um estudo sobre a anatomia das raízes de orquídeas exóticas e, devido a este trabalho, recebeu o Prêmio Unger da Universidade de Graz. Nesta época ele conheceu muitos entomólogos austríacos, incluindo Ludwig Ganglbauer. Ele se formou em 1902 com uma dissertação sobre a morfologia de planárias terrestres. Nesta época ele já era interessado em insetos, especialmente besouros, e dali em diante focou sua atenção neste grupo particular.

Mudando-se para Trieste, Itália, Müller passou a lecionar história natural no Colégio de Trieste e se tornou membro da Società Adriaca de Scienze Naturali. Ele também fundou um clube de entomologia com outros entomólogos e, através do programa de trabalho desenvolvido pelo clube, passou a estudar a fauna de artrópodes encontrada em cavernas ao redor de Trieste. Ele apresentou seus resultados no Congresso Internacional de Zoologia em Graz, o que o tornou conhecido em círculos maiores e o fez começar muitas cooperações científicas durante os anos seguintes. Um dos trabalhos mais notáveis foi uma monografia sobre besouros carabídeos cegos, publicada em 1913, pela qual ele recebeu o Prêmio Ganglbauer.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou, Müller foi forçado a abandonar seu trabalho e se juntar ao serviço militar. Seu conhecimento entomológico logo provou ser valioso no controle de doenças transmitidas por insetos. Ele passou um ano em uma estação antimalária na Albânia e depois se mudou para um laboratório de bacteriologia em Viena. Lá, ele estudou o piolho-do-corpo Pediculus humanus humanus e provou que este era o responsável por transmitir a bactéria Rickettsia prowazekii, conhecida por causar o tifo epidêmico. Os resultados de seu estudo foram publicados após a guerra terminar, em 1919.

De volta a Trieste, Müller se tornou conservador do museu de história natural da cidade, o Civico Museo di Storia Naturale di Trieste. Em 1928, ele foi promovido a diretor do museu e dos jardins botânicos. Em 1932, ele planejou a construção de um aquário para formas de vida marinhas em Trieste. O aquário foi aberto em 1933 e incluía muitos peixes de corais do Mar Vermelho.

De 1934 a 1935, ele foi encarregado de organizar uma expedição à Eritreia para a captura de serpentes peçonhentas. Ele aproveitou esta oportunidade para coletar besouros no país e, durante os anos seguintes, viajou várias vezes para o norte da África para coletar mais espécimes, especialmente da família Histeridae.

Em 1946, aos 66 anos, Müller deixou o museu devido à sua idade, mas pôde continuar seus estudos porque foi apontado diretor do Centro Sperimentale Agrario e Forestale di Trieste. Ele faleceu em 1964 em Trieste aos 84 anos.

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Referências:

Civico Museo di Storia Naturale. La Storia. Disponível em <
http://www.museostorianaturaletrieste.it/la-storia/ >. Acesso em 23 de abril de 2019.

Wikipedia. Josef Müller. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Josef_M%C3%BCller_(entomologist) >. Acesso em 23 de abril de 2019.

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Sexta Selvagem: Tamarutaca-Pavão

por Piter Kehoma Boll

Invertebrados possuem uma probabilidade muito menor de se tornarem populares do que vertebrados, mas de vez em quando há uma exceção, e uma delas certamente é Odontodactylus scyllarus, a tamarutaca-pavão.

Tamarutaca-pavão na Baía Guinjata, Moçambique. Foto de Peter Southwood.*

Encontrada na região indo-pacífica, da costa oeste da África até Guam, a tamarutaca-pavão é uma espécie grande e colorida da ordem de crustáceos Stomatopoda, popularmente conhecidos como tamarutacas. Medindo até 18 cm de comprimento, seu corpo é em grande parte verde com algumas manchas pretas grandes com um contorno branco no cefalotórax. As patas são laranja-avermelhadas e a região em torno dos olhos possui um tom azul-claro. Devido a esta bela aparência, a tamarutaca-pavão se tornou um animal popular para ser criado em aquários.

Vista frontal de uma tamarutaca-pavão no Mar de Andaman, Tailândia. Pode-se ver os apêndices em forma de clava usados para quebrar a concha das presas. Foto de Silke Barton.**

Tamarutacas são predadores e a tamarutaca-pavão não é exceção. Ela se alimenta principalmente de moluscos de concha, como gastrópodes e bivalves, e crustáceos. Para quebrar a forte carapaça de presa, ela a acerta com um poderoso golpe usando seu segundo par de apêndices torácicos em forma de clava. Este forte ataque, causado por um complexo mecanismo no apêndice, é tão forte que quebra facilmente a concha da presa. Em aquários, isso pode ser problemático, já que às vezes elas quebram a parede do aquário. Mais do que apenas acertar a presa com uma força incrível, o ataque da tamarutaca gera uma súbita região de baixa pressão entre a concha e o apêndice quando o apêndice se retrai rapidamente. Este fenômeno, chamado de cavitação, gera uma bolha de gás que rapidamente colapsa e gera grandes quantidades de energia na forma de calor, luz e som e cria um segundo impacto na presa.

Tamarutaca-pavão fêmea carregando ovos na Indonésia. Também é possível ver os olhos com dois hemisférios separados por uma faixa de omatídios maiores arranjados em seis linhas. Foto de Terence Zahner.***

A tamarutaca-pavão também possui um magnífico sistema visual. Seus olhos compostos são divididos em um hemisfério superior e um inferior separados por uma faixa de seis linhas de omatídios (os pequenos olhos que formam o olho composto) aumentados. Estas três regiões do olho são usadas para detectar diferentes comprimentos de onda, incluindo luz ultravioleta, e incluem até mesmo células especiais que convertem luz não-polarizada em luz polarizada, permitindo que a tamarutaca detecte luz de diferentes formas a partir de diferentes partes do olho. Este complexo sistema vem sendo estudado para o desenvolvimento de dispositivos ópticos para armazenar e ler informação.

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Reference:

Jen Y-J, Lakhtakia A, Yu C-W, Lin C-F, Lin M-J, Wang S-H, Lai JR (2011) Biologically inspired achromatic waveplates for visible light. Nature Communications 2: 363. doi: 10.1038/ncomms1358

Kleinlogel S, Marshall NJ (2009) Ultraviolet polarisation sensitivity in the stomatopod crustacean Odontodactylus scyllarus. Journal of Comparative Physiology A 195(12): 1153–1162. doi: 10.1007/s00359-009-0491-y

Land MF, Marshall JN, Brownless D, Cronin TW (1990) The eye-movements of the mantis shrimp Odontodactylus scyllarus (Crustacea: Stompatopoda). Journal of Comparative Physiology A 167(2): 155–166. doi: 10.1007/BF00188107

Marshall J, Cronin TW, Shashar N, Land M (1999) Behavioural evidence for polarisation vision in stomatopods reveals a potential channel for communication. Current Biology 9(14): 755–758. doi: 10.1016/S0960-9822(99)80336-4

Patek SN, Caldwell RL (2005) Extreme impact and cavitation forces of a biological hammer: strike forces of the peacock mantis shrimp Odontodactylus scyllarus. The Journal of Experimental Biology 208: 3655–3664. doi: 10.1242/jeb.01831

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

***Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Quarta de Quem: Carl Friedrich Philipp von Martius

por Piter Kehoma Boll

É hora de comemorar o aniversário de um famoso botânico e explorador que foi muito importante para o estudo da flora brasileira.

Carl Friedrich Philipp von Martius nasceu em 17 de abril de 1794 em Erlangen, Alemanha, naquela época parte do Reino da Prússia. Seu pai, Ernst Wilhelm Martius, era um farmacêutico e o primeiro docente em Farmácia na Universidade de Erlangen.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius ainda jovem.

Von Martius começou a estudar medicina na Universidade de Erlangen em 1810. Durante este tempo, ele conheceu os naturalistas Franz von Paula Schrank e Johann Baptist von Spix, que o inspiraram a se dedicar à botânica, a qual já era um passatempo seu. Para seguir este campo, ele se candidatou em 1813 para admissão no Instituto Onze da Academia de Ciências Bavária e, após passar o exame, foi admitido no instituto em 1814. Ele se tornou assistente de Franz von Paula Schrank no recém-fundado Jardim Botânico. No mesmo ano, ele concluiu sua tese sobre um catálogo crítico das plantas no jardim botânico da universidade. Em 1817, aos 23 anos, ele publicou sua obra Flora Cryptogamica Erlangensis, tratando das criptógamas encontradas em sua cidade natal.

Ainda em 1817, von Martius foi enviado ao Brasil junto com Johann Baptist von Spix por Maximiliano I José, rei da Baviera. Esta oportunidade surgiu depois que Maria Leopoldina da Áustria se casou com o príncipe da coroa brasileira (e posteriormente imperador) Dom Pedro I. O grupo, que incluía a esposa de Spix e o pintor Thomas Ender, partiu de Trieste em 10 de abril de 1817. Depois do casamento real em 13 de maio, o grupo começou suas coletas em várias áreas da cidade do Rio de Janeiro e regiões próximas. Mais tarde, eles viajaram de cavalo através do estado de São Paulo até atingirem a cidade de São Paulo em 31 de dezembro de 1817.

Saindo de São Paulo em 9 de janeiro de 1818, eles viajaram durante os meses seguintes através dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, chegando a Salvador em 10 de novembro de 1818. Eles partiram de Salvador em 18 de fevereiro de 1819 e continuaram seguindo para o norte através da caatinga e chegaram a São Gonçalo do Amarante, no Ceará, em 15 de maio. Tanto Martius quanto Spix estavam seriamente doentes durante a maior parte de sua viagem através desta parte do Brasil, contraindo várias doenças tropicais e quase morrendo em várias ocasiões.

Após continuarem sua jornada, Martius e Spix chegaram ao estado do Maranhão em 3 de junho e seguiram de barco descendo o Rio Itapicuru até São Luís e, em 20 de julho, partiram rumo a Belém chegando em 25 de julho. De lá, eles continuaram para o oeste por dentro da Floresta Amazônica, atingindo a cidade de Santarém em 18 de setembro, partindo em 30 de setembro e chegando a Tefé, bem dentro da floresta, em 26 de novembro. Lá, Martius e Spix se separaram. Martius continuou para o oeste, subindo o Rio Japurá, até chegar à Colômbia. Eles se reencontraram em 11 de março de 1820 em Manaus e chegaram a Belém em 16 de abril, voltando à Europa em 13 de junho.

Rota seguida por Martius e Spix no Brasil de 1817 a 1820.

Martius trouxe consigo para a Europa duas crianças indígenas que comprou no Brasil como escravos, uma do povo Juri e outra do povo Miranha (ou Bora). As duas crianças não eram capazes de se comunicar entre si porque vinham de grupos étnicos diferentes e, apesar de receberem bons cuidados médicos, morreram logo após chegarem à Europa. Martius mais tarde reconheceu que escravizar as crianças foi um erro grave.

De volta à Europa, Martius foi apontado como cuidador do jardim botânico em Munique e, em 1826, se tornou professor de botânica na Universidade de Munique, ficando em ambos os cargos até 1864. Ele devotou a maior parte de sua vida ao estudo da flora brasileira. Um de seus trabalhos mais famosos é a Historia naturalis palmarum, publicado em três grandes volumes entre 1823 e 1850, que descreve e ilustra todos os gêneros da família das palmeiras conhecidos naquela época. Em 1840, ele iniciou a Flora Brasiliensis, que contou com a ajuda de muitos botânico renomados, e continuou a ser publicada após sua morte até 1884.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius em 1850 por E. Porrens.

Martius morreu em 13 de dezembro de 1868 em Munique aos 74 anos.

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Referências:

Wikipedia. Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

Wikipedia (em Alemão). Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em < https://de.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

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Sexta Selvagem: Nori-Tenro

por Piter Kehoma Boll

Se você gosta de comida japonesa, já deve ter comido sushi com certeza e, portanto, ingeriu a famosa alga da culinária japonesa conhecida como nori que é usada para enrolar o arroz, certo? Bem, isso não quer dizer necessariamente que você tenha comido a espécie que apresentarei hoje e logo você saberá por quê.


Folhas secas de nori como usadas na culinária japonesa. Foto de Yuichi Kosio.*

Durante a maior parte da história do Japão, a principal espécie de nori usada como alimento era o nori-tenro, que é cientificamente conhecido como Pyropia tenera (anteriormente conhecido como Porphyra tenera) e conhecido no Japão como 浅草海苔 (asakusa nori). Esta espécie é uma alga vermelha e é proximamente relacionada a outras espécies comestíveis usadas em outras partes do mundo.

O ciclo de vida do nori-tenro inclui duas gerações diferentes como visto em todas as plantas. Uma geração, o gametófito, é composta de células haploides, isto é, com apenas uma cópia de cada cromossomo. O estágio de gametófito é o maior e mais comumente usado como alimento. Ele produz tanto gametas masculinos quanto femininos e usa a corrente da água para guiar os gametas masculinos, que são incapazes de nadar, até os gametas femininos. Por muito tempo, este era o único estágio de vida conhecido para o nori. Os gametófitos eram colhidos na natureza, onde cresciam sobre o substrato disponível, especialmente madeira. Somente durante o século 20 ficou claro que o esporófito, o outro estágio de vida, é menor e precisa de conchas de moluscos como substrato para crescer. De fato o esporófito já era conhecido, mas era confundido com um organismo diferente classificado em um gênero chamado Conchocelis. Assim, o esporófito ainda é comumente conhecido como o estágio Conchocelis.

Depois que o ciclo de vida completo destas algas se tornou conhecido, não demorou muito para as pessoas desenvolverem métodos de cultivo que aumentaram grandemente a produção de nori. Duas linhagens de nori logo se tornaram os principais cultivares no Japão por volta do começo dos anos 1960: Pyropia tenera var. tamatsuensis e Pyropia yezoensis f. narawaensis. A última, como você pode ver, pertence a uma espécie diferente de nori, o nori-de-Ezo, conhecido no Japão como 荒び海苔 (susabi nori).

Apesar de o nori-tenro ser considerado de melhor qualidade e melhor sabor, ele não é tão tolerante às fortes ondas e aos fortes ventos quanto o nori-de-Ezo. Como resultado, o nori-de-Ezo se tornou o cultivar favorito e se espalhou rapidamente, de forma que esta é a principal espécie usada hoje em dia na culinária japonesa. O aumento do cultivo do nori-de-Ezo tirou espaço do nori-tenro original de tal forma que atualmente o nori-tenro é uma espécie muito rara, tão rara que é considerada uma espécie ameaçada pelo governo japonês desde 1997.

A distinção entre espécies de Pyropia em populações selvagens é geralmente difícil porque existe pouca variação morfológica entre elas. Estudos moleculares recentes com nori crescendo ao longo do Japão mostraram que o nori-tenro não é tão raro quanto se pensava anteriormente, mas isso não o torna imune à extinção. Como o nori-tenro é considerado mais macio e mais saboroso que o nori-de-Ezo, tem havido algumas tentativas de aumentar o interesse comercial nele, o que poderia preveni-lo de se tornar extinto num futuro próximo.

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Referências:

Hwang MS, Kim S-O, Ha D-S, Lee JU, Lee S-R (2013) Complete sequence and genetic features of the mitochondrial genome of Pyropia tenera (Rhodophyta). Plant Biotechnology Reports 7(4): 435–443. doi: 10.1007/s11816-013-0281-4

Iwasaki H (1961) The life-cycle of Porphyra tenera in Vitro. Biological Bulletin 121(1): 173–187. doi: 10.2307/1539469

Niwa K, Iida S, Kato A, Kawai H, Kikuchi N, Kobiyama A, Aruga Y (2009) Genetic diversity and ingrogression in two cultivated species (Porphyra yezoensis and Porphyra tenera) and closely related wild species of Porphyra(Bangiales, Rhodophyta). Journal of Phycology 45(2): 493–502. doi: 10.1111/j.1529-8817.2009.00661.x

Niwa K, Kikuchi N, Aruga Y (2005) Morphological and molecular analysis of the endangered species Porphyra tenera (Bangiales, Rhodophyta). Journal of Phycology 41(2): 294–304. doi: 10.1111/j.1529-8817.2005.04039.x

ウィキペディア (Wikipedia em Japonês)。アサクサオリ。Disponível em <
https://ja.wikipedia.org/wiki/%E3%82%A2%E3%82%B5%E3%82%AF%E3%82%B5%E3%83%8E%E3%83%AA >. Acesso em 25 de março de 2019.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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