Arquivo do mês: setembro 2019

Novas Espécies: Setembro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Bolbitis lianhuachihensis é uma nova samambaia de Taiwan. Créditos a Chao et al. (2019).*

Plantas

Codonoboea norakhirrudiniana é uma nova planta com flores da Malásia. Créditos a Kiew and Lim (2019).*
Swertia hongquanii é uma nova planta com flor da China. Créditos a Li et al. (2019).*

Amebozoários

Fungos

Clitopilus lampangensis é um novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Kumla et al. (2019).*

Poríferos

Tsitsikamma michaeli é uma nova esponja da África do Sul. Créditos a Parker-Nance et al. (2019).*

Cnidários

Platelmintos

Briozoários

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Tardígrados

Aracnídeos

Miriápodes

Petrolisthes virgilius é um novo caranguejo do Caribe. Créditos a Hiller and Werding (2019).*
Tanaella quintanai é um novo tanaídeo da Colômbia. Créditos a Morales-Núñez and Ardila (2019).*

Crustáceos

Acerentulus bulgaricus é um novo proturo da Bulgária. Créditos a Shrubovych et al. (2019).*

Hexápodes

Panorpa jinhuaensis é uma nova mosca-escorpião da China. Créditos a Wang et al. (2019).*

Tunicados

Actinopterígios

Anfíbios

Lycodon pictus é uma nova cobra do Vietnã. Créditos a Janssen et al. (2019).*

Répteis

Crododylus halli é uma nova espécie de crocodilo da Nova Guiné. Foto extraída de sMurray et al. (2019).

Mamíferos

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Sexta Selvagem: Mosquito-de-Remo-Azul

por Piter Kehoma Boll

Uma doença tropical comum em áreas de floresta da América do Sul é a febre amarela. Afetando a maioria das espécies de primatas, a febre amarela é geralmente transmitida pelo famoso mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e zika, todas doenças causadas por vírus do gênero Flavivirus.

Mas em áreas de floresta das Américas Central e do Sul, outras espécies de mosquito também podem transmitir a febre amarela a humanos e macacos. Uma destas espécies é Sabethes cyaneus, que eu decidi chamar de mosquito-de-remo-azul. Esta espécie ocorre do México até a Argentina e o Brasil e, diferente da maioria dos mosquitos, é diurna.

Uma fêmea prestes a ter um almoço sangrento em um humano no México. Foto de Carlos Alvarez N.*

Mesmo se você não acha mosquitos criaturas legais na maior parte do tempo, precisa admitir que o mosquito-de-remo-azul é um animal lindo. O corpo do adulto é escuro e possui um tom azul metálico no dorso e nas pernas, sendo ligeiramente mais verde no dorso e ligeiramente mais roxo nas pernas. Mais que isso, o segundo par de pernas possui um grande tufo de pelos que as faz parecerem um par de remos.

Mas qual é a função desses remos? A primeira sugestão é de que eles são sexualmente selecionados e provavelmente são importantes para cortejar a fêmea. Mas as fêmeas também possuem remos e, se seles fossem resultado de seleção sexual causada por fêmeas sobre machos, eles provavelmente seriam muito maiores em machos, o que não é o caso.

Outra fêmea se alimentando de um humano, dessa vez no Paraguai. Foto de Joaquin Movia.*

Os machos realizam, de fato, um ritual de corte complexo na frente das fêmeas usando suas pernas com remos. Quando as fêmeas estão preparadas para acasalar, elas pousam verticalmente num galho e esperam que machos venham e dancem na frente delas. A maioria dos machos é rejeitada pela fêmea e, quando ela finalmente escolhe um macho, ela vai copular apenas com ele. Machos, por outro lado, copulam com várias fêmeas. Isso aumenta ainda mais a ideia de que os remos precisam ter alguma importância na escolha das fêmeas.

Macho (esquerda) e fêmea (direita). Imagem extraída de South & Arnqvist (2008).

Não é o que se descobriu, no entanto. Quando os remos de um macho são reduzidos de tamanho ou removidos completamente, ele ainda tem as mesmas chances de conseguir uma fêmea que um macho intacto. Por outro lado, uma fêmea cujos remos foram removidos raramente atrai algum macho. Ela fica pousada no seu galho esperando e esperando e nenhum macho virá dançar para ela. O interesse que mosquitos-de-remo-azuis machos possuem por remos é tão forte que eles até mesmo abordam outros machos com remos grandes.

A razão pela qual esta espécie apresenta forte preferência por parte dos machos e fraca preferência por parte das fêmeas ainda é um mistério, mas é uma boa forma de nos lembrar de que nossas ideias sobre seleção sexual não são tão bem estabelecidas quanto pensamos.

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Referências:

Hancock RG, Foster WA, Lee WL (1990) Courtship behavior of the mosquito Sabethes cyaneus (Diptera: Culicidae). Journal of Insect Behavior 3(3): 401–416. doi: 10.1007/BF01052117

South SH, Arnqvist G (2008) Evidence of monandry in a mosquito (Sabethes cyaneus) with elaborate ornaments in both sexes. Journal of Insect Behavior 21: 451. doi: 10.1007/s10905-008-9137-0

South SH, Arnqvist G (2011) Male, but not female, preference for an ornament expressed in both sexes of the polygynous mosquito Sabethes cyaneus. Animal Behaviour 81(3): 645–651. doi: 10.1016/j.anbehav.2010.12.014

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Indo fundo com as tripas cheias de micróbios: uma lição de peixes chineses

por Piter Kehoma Boll

Ao redor do mundo todo, muitas espécies animais se adaptaram a viver em ambientes de caverna, locais que são naturalmente desprovidos de luz, parcial ou inteiramente, e são, portanto, habitats pobres em nutrientes. A falta de luz faz com que seja impossível para plantas e outros organismos fotossintetizantes sobreviverem e, como resultado, há pouco alimento disponível para criaturas não fotossintetizantes. Estas criaturas dependem quase inteiramente de alimento que entra na caverna da superfície pela água ou por animais que se movem entre a superfície e as profundezas.

Devido à falta de luz nas cavernas, animais adaptados a este ambiente são geralmente desprovidos de olhos, pois ver não é possível de qualquer jeito, e brancos, porque não há necessidade de pigmentação na pele para se proteger da radiação ou para informar qualquer coisa visualmente. Por outro lado, sentidos químicos como olfato e paladar são frequentemente muito bem desenvolvidos.

Todas estas limitações tornam os ambientes de caverna relativamente pobres em espécies quando comparados a ambientes de superfície. Ou ao menos isso é o que parece à primeira vista. Há, é claro, muito menos espécies macroscópicas, como animais multicelulares, mas estes animais são eles mesmos um ambiente que pode abrigar uma vasta e desconhecida diversidade de microrganismos dentro deles.

Como vocês devem saber, a maioria dos, se não todos os, animais possui relações mutualísticas com microrganismos, especialmente bactérias, vivendo em seus intestinos. Esses microrganismos são essenciais para muitos processos digestivos, e muitos nutrientes que animais conseguem pela comida só podem ser obtidos com o auxílio desses amigos microscópicos. Os tipos de microrganismos no intestino de um animal estão diretamente relacionados com a dieta do animal. Por exemplo, herbívoros geralmente possuem uma alta diversidade de microrganismos que são capazes de degradar carboidratos, especialmente os complexos como a celulose.

Um estudo recente, conduzido na China com peixes do gênero Sinocyclocheilus, comparou a diversidade microbiana intestinal de diferentes espécies, incluindo algumas que vivem na superfície e algumas que são adaptadas a cavernas. Todas as espécie de Sinocyclocheilus parecem ser primariamente onívoras, mas espécies diferentes podem ter preferência por um tipo particular de comida, sendo mais carnívoras ou mais herbívoras.

O estudo descobriu que espécies de Sinocyclocheilus de caverna possuem uma diversidade microbiana muito maior que espécies de superfície. Mas como isso pode ser possível se o número de recursos é limitado nas cavernas em comparação com a superfície? Bem, essa parece ser exatamente a razão.

Sinocyclocheilus microphthalmus, uma das espécies de caverna usada neste estudo. Foto extraída de Cool Goby Blog.

Como eu mencionei, espécie de Sinocyclocheilus são onívoras. Na superfície, elas possuem comida à vontade disponível e podem se dar ao luxo de escolher um tipo de comida preferido. Como resultado, sua microbiota intestinal é composta principalmente de espécies que auxiliam na digestão de um tipo específico de comida. Em cavernas, por outro lado, a comida é tão escassa que não se pode escolher e é preciso comer o que quer que esteja disponível. Isso inclui se alimentar de pequenas porções de diferentes tipos de alimento, incluindo outros animais que vivem na caverna e muitos tipos diferentes de resíduos animais e vegetais que chegam à caverna pela água. Assim, uma comunidade muito mais diversa de microrganismos intestinais é necessária para que a digestão seja eficiente.

Veja como o número de gêneros diferentes de bactérias é muito maior no grupo de caverna (direita) que em dois grupos da superfície (esquerda e centro). Imagem extraída de Chen et al. (2019)

Mais do que uma diversidade aumentada por si só, a comunidade de peixes de caverna também mostrou um grande número de bactérias que é capaz de neutralizar compostos tóxicos de vários tipos. A razão para isso ainda não é clara, mas há duas explicações possíveis que não são necessariamente mutualmente exclusivas. A primeira afirma que a água em cavernas é renovada numa taxa muito menor que águas superficiais, o que promove o acúmulo de todo tipo de substâncias, incluindo resíduos metabólicos das próprias espécies da caverna que podem ser tóxicos. A segunda hipótese é de maior preocupação e sugere que este aumento do número de bactérias capazes de degradar substâncias nocivas é um fenômeno recente causado pelo aumento de poluição da água por atividades humanas, o que está promovendo uma pressão seletiva em organismos de caverna.

A microbiota intestinal diversa de peixes de caverna é, portanto, uma estratégia desesperada mas inteligente de sobreviver num ambiente tão hostil. A natureza sempre encontra um meio.

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Mais sobre espécies de caverna:

Pense nos vermes, não só nas baleias, ou: como uma planária salvou um ecossistema

O percevejo na aranha e a aranha a fiar

Sexta Selvagem: Besouro-de-Hitler

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Referência:

Chen H, Li C, Liu T, Chen S, Xiao H (2019) A Metagenomic Study of Intestinal Microbial Diversity in Relation to Feeding Habits of Surface and Cave-Dwelling Sinocyclocheilus Species. Microbial Ecology. doi: 10.1007/s00248-019-01409-4

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Arquivado em Bactérias, Ecologia, Evolução, Peixes

Sexta Selvagem: Pulga-da-Praia-da-Califórnia

por Piter Kehoma Boll

Se você está andando pela praia na costa oeste dos Estados Unidos, especialmente à noite, pequenas criaturas podem pular em torno de seus pés. Se você olhar mais de perto, notará que são pequenos crustáceos popularmente conhecidos como pulgas-da-praia.. Eles pertencem à ordem Amphipoda e há uma boa chance de que aqueles entre os quais você caminha pertençam à espécie Megalorchestia californiana, popularmente conhecida como pulga-da-praia-da-Califórnia.

Uma fêmea na Califórnia. Foto do usuário lbyrley do iNaturalist.*

A pulga-da-praia-da-Califórnia ocorre do extremo sul do litoral do Canadá, perto da Ilha Vancouver, até a costa sul dos Estados Unidos, por volta de Laguna Beach. Elas são muito grandes para um anfípode, atingindo mais de 2 cm de comprimento, e possuem uma cor “crustácea” típica variando de marrom-claro a acinzentado. Os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas e possuem o segundo par de antenas aumentado e com uma característica cor vermelha.

Um macho na Califórnia mostrando as antenas vermelhas aumentadas e os gnatópodes aumentados em forma de luvas de boxe. Foto de Kim Cabrera.*

Durante o dia, a pulga-da-praia-da-Califórnia se mantém dentro de pequenas tocas que cava na areia ou se esconde sob pedaços de algas que a maré trouxe para a praia. Fêmeas podem dividir o mesmo abrigo, mas os machos não suportam um ao outro. Ao anoitecer, elas saem de seus abrigos aos milhares e se movem sobre a areia procurando por matéria orgânica em decomposição da qual se alimentam.

Várias fêmeas tentando compartilhar o mesmo abrigo no Oregon, EUA. Foto de Ken Chamberlain.*

O dimorfismo sexual visto nessa espécie revela um comportamento sexual complexo. As antenas aumentadas dos machos parecem ser um sinal visual para outros machos que avisa sobre sua força. Além dessas antenas aumentadas, os machos também possuem o segundo par de gnatópodes ou maxilípedes (patas logo atrás da boca) parecendo um par de luvas de boxe. Usando os gnatópodes, os machos lutam entre si pela posse de tocas contendo muitas fêmeas. O macho que vence a luta se torna o dono do harém.

Um macho em Washington tentando invadir a toca de outro macho (cujas antenas são visíveis). Foto do usuário pushtheriver do iNaturalist.*

Como tanto machos quanto fêmeas saem de suas tocas à noite para se alimentarem, os haréns também podem ser temporários. Apesar de um macho poder conquistar uma toca cheia de fêmeas, elas só retornarão para o mesmo lugar se considerarem que o macho é bom o bastante para ser o pai de seus filhos. Isso é assim porque as fêmeas só se reproduzem uma vez na vida, então é crucial deixar o melhor macho fertilizá-las. Mais do que isso, as fêmeas só conseguem liberar os ovos logo depois de fazerem uma muda porque o exoesqueleto endurecido impede a postura durante o resto da vida.

Não é fácil ser uma pulga-da-praia vivendo na Califórnia.

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Referências:

Beermann J, Dick TA, Thiel M (2015) Social Recognition in Amphipods: An Overview. In: Aquiloni L, Tricarico E (Eds.) Social Recognition in Invertebrates: 85–100.

Iyengar VK, Starks BD (2008) Sexual selection in harems: male competition plays a larger role than female choice in an amphipod. Behavioral Ecology 19(3): 642–649. doi: 10.1093/beheco/arn009

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Sexta Selvagem: Mariposa-Leopardo

por Piter Kehoma Boll

Eu cresci numa casa com um quintal grande cheio de árvores e outras plantas perto de vários pequenos fragmentos florestais. Como resultado disso, mariposas sempre foram visitantes muito comuns à noite, especialmente durante os meses mais quentes. Uma que sempre chamou minha atenção é uma mariposa com um belo padrão nas asas.

Esta é a bela mariposa que chamou minha atenção quando criança. Este espécime foi fotografado no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, perto de onde cresci. Foto de Jhonatan Santos.*

Apenas recentemente descobri que seu nome é Pantherodes pardalaria, chamada apropriadamente de mariposa-leopardo. Suas asas possuem um fundo amarelo marcado com várias manchas cinza-metálicas com um contorno preto e um centro preto. Realmente lindo! Um padrão similar é encontrado em todas as espécies do gênero Pantherodes, sendo esta a característica que mais claramente define o gênero.

Mariposa-leopardo na Bolívia. Foto do usuário shirdipam do iNaturalist.*

A mariposa-leopardo ocorre do México até a Argentina e é muito comum no sul do Brasil. Ela pertence a uma das famílias mais diversas de mariposas, Geometridae, caracterizada pela lagarta, chamada mede-palmo, que caminha como se estivesse medindo o chão, de onde o nome Geometridae (a partir do gênero-tipo Geometra, “medidora da terra”).

Mariposa-leopardo no sul do México. Foto de Roberto Pacheco García.*

Não fui capaz de encontrar muita informação sobre a mariposa-leopardo, no entanto. Suas lagartas parecem se alimentar de urtigas (família Urticaceae). No México, as lagartas desta espécie eram historicamente ingeridas como alimento pelos astecas e consideradas um alimento de grande valor, e a prática pode ainda acontecer em alguns grupos humanos.

E isso é tudo que eu consegui. Apesar de ser linda e facilmente notada, a mariposa-leopardo é mais uma espécie pouco conhecida.

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Mais borboletas e mariposas:

Sexta Selvagem: Borboleta-88 (em 7 de setembro de 2012)

Sexta Selvagem: Pingos-de-prata (em 15 de abril de 2016)

Sexta Selvagem: Zigena-de-seis-pontos (em 26 de agosto de 2016)

Sexta Selvagem: Mariposa-luna (em 12 de julho de 2019)

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Referências:

Biezanko CM, Ruffinelli A, Link D (1974) Plantas y otras sustancias alimenticias de las orugas de los lepidopteros uruguayos. Revista do Centro de Ciências Rurais 4(2): 107–148.

Pitkin LM (2002) Neotropical ennomine moths: a review of the genera (Lepidoptera: Geometridae). Zoological Journal of the Linnean Society 135(2–3): 121–401. doi: 10.1046/j.1096-3642.2002.00012.x

Ramos-Elorduy J, Moreno JMP, Vázquez AI, Landero I, Oliva-Rivera H, Camacho VHM (2011) Edible Lepidoptera in Mexico: Geographic distribution, ethnicity, economic and nutritional importance for rural people. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine 7: 2. doi: 10.1186/1746-4269-7-2

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Sexta Selvagem: Besouro-Tartaruga-Manchado

por Piter Kehoma Boll

É finalmente hora de apresentar outro besouro e eu decidi seguir com um membro da família Chrysomelidae, uma das mais diversas e importantes no mundo. A espécie escolhida, Aspidimorpha miliaris, é comumente conhecida como o besouro-tartaruga-manchado.

Um besouro-tartaruga-manchado em Taiwan. Foto de 羅忠良.*

Nativo da região indo-malaia, o besouro-tartaruga-manchado ocorre da Índia até Taiwan, as Filipinas e a Indonésia. Ele mede 1,5 cm de comprimento e, como de praxe entre besouros-tartarugas, seus élitros (asas frontais enrijecidas) e seu pronoto (a placa dorsal mais anterior do tórax) são alargados e cobrem o corpo todo. Essas estruturas são transparentes e os élitros também possuem muitas manchas pretas. O corpo visto abaixo desta armadura transparente varia de branco a amarelo e laranja.

Um espécime laranja no Nepal. Foto de Sebastian Doak.*

O besouro-tartaruga-manchado chama atenção não só por suas cores lindas, mas também porque suas larvas se alimentam vorazmente de plantas do gênero Ipomoea e outros gêneros aparentados, o que inclui, entre outras plantas, a batata-doce. Por seu hábitat ser próximo do equador, o besouro-tartaruga-manchado é capaz de se reproduzir durante o ano inteiro, apesar de seu pico de abundância ser lá por junho.

Um grupo de larvas comendo uma folha de Ipomoea em Taiwan. Foto de 利承拔.*

Os ovos eclodem cerca de 10 dias após serem postos pela fêmea e as larvas passam por cinco ínstares durante um período de 18 a 22 dias, após os quais sofrem uma muda e se tornam uma pupa que, cerca de uma semana depois, vira um adulto. As larvas vivem em grupos e possuem um corpo pálido marcado por manchas pretas no lado dorsal da maioria dos segmentos. Também há algumas projeções espinhosas correndo ao longo das margens do corpo.

Um besouro-tartaruga-manchado em Cingapura. Foto de Soh Kam Yung.*

Devido ao status do besouro-tartaruga-manchado como praga em plantações de batata-doce, formas biológicas de controlá-lo vêm sendo estudadas e incluem o uso de extratos de folhas como pesticidas e vespas parasitoides como predadores dos ovos. Por outro lado, o próprio besouro poderia ser usado como um agente eficiente para controlar a dispersão de algumas espécies invasoras de Ipomoea.

É assim que a natureza age. Seu inimigo de um lado pode ser seu amigo do outro.

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Mais besouros:

Sexta Selvagem: Besouro-guitarrista (em 22 de fevereiro de 2013)

Sexta Selvagem: Besouro-castanho (em 6 de fevereiro de 2015)

Sexta Selvagem: Gorgulho-girafa (em 20 de maio de 2016)

Sexta Selvagem: Besouro-de-Hitler (em 17 de junho de 2016)

Sexta-Selvagem: Besouro-tigre-verde (em 8 de julho de 2016)

Sexta Selvagem: Besouro-de-casaco-marrom-e-ouro (em 2 de setembro de 2016)

Sexta Selvagem: Besouro-do-sol (em 28 de outubro de 2016)

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Referências:

Bhuiya BA, Miah MI, Ferdous E (2000) Biology of Cassidocida aspidomorphae Crawford (Hymenoptera: Tetracampidae), an egg parasitoid of tortoise beetles. Bangladesh Journal of Entomology 10(1/2): 23–30.

Bhuyan M, Mahanta JJ, Bhattacharyya PR (2008) Biocontrol potential of tortoise beetle (Aspidomorpha miliaris) (Coleoptera: Chrysomelidae) on Ipomoea carnea in Assam, India. Biocontrol Science and Technology 18(9): 941–947. doi: 10.1080/09583150802353705

Nakamura K, Abbas I (1987) Preliminary life table of the spotted tortoise beetle Aspidomorpha miliaris (Coleoptera: Chrysomelidae) in Sumatra. Researches on Population Ecology 29: 229–236.

Oudhia P (2000) Toxic effects of Parthenium leaf extracts on Aspidomorpha miliaris F. and Zonabris pustulata Thunb. Insect Environment 5(4): 168.

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