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Sexta Selvagem: Broca-Verde-do-Freixo

por Piter Kehoma Boll

E hora do próximo besouro e desta vez nosso camarada é uma espécie que passou seu primeiro século após sua descoberta sem chamar muita atenção, mas então algo aconteceu. Seu nome é Agrilus planipennis e é comumente conhecido em inglês como emerald ash borer, que eu adaptei para o português como broca-verde-do-freixo.

Uma broca-verde-do-freixo adulta em Virginia, EUA. Foto de Bryan Wright.*

Nativa da Ásia Oriental, a broca-verde-do-freixo é encontrada no sudeste da Rússia, na Mongólia, no norte da China, na Coreia e no Japão. Os adultos medem cerca de 8.5 mm de comprimento e possuem uma cor verde metálica na cabeça, no pronoto e nos élìtros, e uma cor roxo-iridescente no lado dorsal do abdome que é visto quando as asas estão abertas. Eles vivem na copa de freixos (Fraxinus spp.) durante a primavera e o verão e se alimentam de suas folhas.

Após cerca de uma semana como adultos, as brocas-verdes-do-freixo começam a acasalar. As fêmeas permanecem nas árvores e os machos sobrevoam o local procurando por elas. Assim que uma fêmea é localizada, o macho se deixa cair sobre ela e eles começam a acasalar. Depois de o acasalamento ser concluído, as fêmeas vivem por mais algumas semanas e tipicamente põem cerca de 40 a 70 ovos, apesar de algumas viverem mais tempo e porem até 200 ovos.

Vista dorsal de uma broca-verde-do-freixo com as asas abertas mostrando o abdome roxo-iridescente.

Os ovos são postos entre frestas e rachaduras da casca e eclodem cerca de duas semanas depois. As larvas recém-eclodidas abrem um caminho com mordidas através da casca, atingem os tecidos internos e começam a se alimentar deles. Elas atingem até 32 mm de comprimento no quarto ínstar, mais de três vezes o comprimento do adulto, e empupam durante a primavera, emergindo como adultos logo depois. Na China, os adultos emergem das árvores em maio.

Uma larva dentro de um freixo na Pensilvânia, EUA. Créditos a Pennsylvania Department of Conservation and Natural Resource.**

Em sua área nativa, a broca-verde-do-freixo pode ser um incômodo, mas não é altamente problemática porque ocorre em baixa densidade. Contudo em 2002 a espécie foi encontrada nos Estados Unidos se alimentando de espécies locais de freixo. Visto que a broca-verde-do-freixo não possui inimigos naturais na América do Norte e que as espécies de freixo neste continente não evoluíram para serem resistentes à infecção, ela começou a se espalhar rapidamente. Em menos de duas décadas, o besouro matou milhões de freixos e é uma ameaça séria aos outros mais de oito bilhões de freixos que ainda ocorrem na América do Norte. Com a morte dos freixos, as florestas da América do Norte se tornam vulneráveis a mais espécies invasoras, as quais só vão piorar o cenário.

Dano causado pelas larvas a uma árvore no estado de Nova Iorque, EUA. Foto do usuário bkmertz do iNaturalist.*

De modo a controlar a disseminação da broca-verde-do-freixo, os freixos são tratados com pesticidas. Quatro vespas parasitoides da China que se sabe que atacam apenas a broca-verde-do-freixo também foram soltas na América do Norte para ajudar a controlar a disseminação e seu sucesso ainda está sendo avaliado. Armadilhas, como painéis roxos cobertos de cola, os quais são visualmente atrativos para os besouros, também são usadas para capturar os animais e determinar a extensão da invasão.

Mais uma vez, uma espécie bem tranquila levou a um desastre ecológico devido à influência humana e agora estamos correndo para evitar um colapso ecossistêmico ao longo de um continente inteiro.

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Referências:

Francese JA, Mastro VC, Oliver JB, Lance DR, Youssef N, Lavallee SG (2005) Evaluation of colors for trapping Agrilus planipennis (Coleoptera: Buprestidae). Journal of Entomological Science 40(1): 93-95.

Liu H, Bauer LS, Miller DL, Zhao T, Gao R, Song L, Luan Q, Jin R, Gao C (2007) Seasonal abundance of Agrilus planipennis (Coleoptera: Buprestidae) and its natural enemies Oobius agrili (Hymenoptera: Encyrtidae) and Tetrastichus planipennisi (Hymenoptera: Eulophidae) in China. Biological Control 42(1): 61-71. doi: 10.1016/j.biocontrol.2007.03.011

Wang XY, Yang ZQ, Gould JR, Zhang YN, Liu GJ, Liu ES (2010) The biology and ecology of the emerald ash borer, Agrilus planipennis, in China. Journal of Insect Science 10(1): 128. doi: 10.1673/031.010.12801

Wikipedia. Emerald ash borer. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Emerald_ash_borer >. Acesso em 9 de dezembro de 2019.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

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Devemos salvar ou nos livrar de parasitas?

por Piter Kehoma Boll

Parasitas são um tipo especial de organismos que vivem sobre ou dentro de outras formas de vida, lentamente se alimentando delas, mas geralmente não as matando, apenas reduzindo sua condição física em algum grau. Essa é uma forma muito mais discreta de sobreviver do que matar ou arrancar pedaços inteiros com uma mordida, como predadores (tanto carnívoros quanto herbívoros) fazem. Todavia, diferente destas criaturas, parasitas costumam ser visto como desagradáveis e nojentos. Ainda assim, o parasitismo é a forma mais comum de conseguir alimento na natureza.

Quando apresentei o carrapato-de-rinoceronte numa Sexta Selvagem recente, mencionei o dilema causado por isso. Como o carrapato-de-rinoceronte é um parasita de rinocerontes, e rinocerontes estão ameaçados de extinção, uma prática comum para melhorar o sucesso reprodutivo destes mamíferos é remover seus carrapatos, mas isso pode acabar levando o carrapato-de-rinoceronte à extinção também.

Isso de fato já aconteceu com outros parasitas, como o piolho Coleocephalum californici, que era um parasita exclusivo do condor-da-Califórnia, Gymnogyps californianus. Para salvar o condor, uma prática comum entre veterinários trabalhando com os conservacionistas era tirar os piolhos das aves e, como resultado, este piolho está agora extinto. O prejuízo que o piolho causava ao condor era tão pouco, no entanto, que sua extinção não era nem um pouco necessária, sendo nada mais que um caso de negligência e falta de empatia com uma espécie pequena e não-carismática.

O piolho-do-condor-da-Califórnia Coleocephalum californici se tornou extinto durante uma campanha mal manejada para salvar o condor-da-Califórnia Gymnogyps californianus. Imagem extraída de https://www.hcn.org/blogs/goat/the-power-and-plight-of-the-parasite

O piolho Rallicola (Aptericola) pilgrimi também desapareceu para sempre durante as campanhas de conservação para salvar seu hospedeiro, o kiwi-manchado-pequeno, Apteryx owenii, em outro trabalho falho.

Os esforços para salvar o kiwi-manchado-pequeno, Apteryx owenii, da extinção levou à extinção de seu piolho. Foto de Judi Lapsley Miller.*
A agora extinta Rallicola (Aptericola) pilgrimi. Créditos ao Museu da Nova Zelândia.**

Outro grupo de parasitas que está enfrentando a extinção são as pulgas. A espécie Xenopsylla nesiotes era endêmica da Ilha do Natal junto com seu hospedeiro, o rato-da-Ilha-do-Natal, Rattus macleari. A introdução do rato-preto, Rattus rattus, na ilha levou a um rápido declínio na população do rato-da-Ilha-do-Natal, que se tornou extinto no começo do século XX e, é claro, a pulga se extinguiu com ele. A pulga Acanthopsylla saphes provavelmente se tornou extinta também. Ela era parasita do quol-oriental, Dasyurus viverrinus, na Austrália continental. O quol-oriental hoje só é encontrado na Tasmânia, pois a população da Austrália continental se tornou extinta em meados do século XX. Contudo a pulga nunca foi encontrada em populações da Tasmânia, então provavelmente ela desapareceu na Austrália continental junto com a população local do hospedeiro.

A pulga-do-bobo-pequeno Ceratophyllus (Emmareus) fionnus. Foto de Olha Schedrina, Natural History Museum.*

Mas as coisas vêm mudando ultimamente e felizmente a visão sobre os parasitas está melhorando. Uma avaliação recente foi feita numa população de outra pulga, a pulga-do-bobo-pequeno, Ceratophyllus (Emmareus) fionnus. Esta pulga tem como hospedeiro específico o bobo-pequeno, Puffinus puffinus. Apesar de o bobo-pequeno estar longe de ser uma espécie ameaçada e ter muitas colônias ao longo da costa do Atlântico Norte, a pulga é endêmica da Ilha de Rùm, uma pequena ilha ao oeste da costa da Escócia. Devido à pequena população do hospedeiro nesta ilha, a pulga foi avaliada como vulnerável. Se a população do bobo-pequeno na ilha estivesse estável, as coisas estariam bem, mas, como você já deve imaginar, as coisas não estão bem. Assim como aconteceu na Ilha do Natal, o rato-preto também foi introduzido na Ilha de Rùm e se tornou um predador do bobo-pequeno, atacando seus ninhos.

O bobo-pequeno, Puffinus puffinus, é o único hospedeiro da pulga-do-bobo-pequeno. Foto de Martin Reith.**

Algumas ideias foram sugeridas para proteger a pulga da extinção. Uma delas é erradicar o rato-preto da ilha ou ao menos manejar sua população perto da colônia de bobos-pequenos. Outra proposta é translocar algumas pulgas para outra ilha para criar populações adicionais em outras colônias de bobos-pequenos.

Mas por que se dar ao trabalho de proteger parasitas? Bem, há razões o bastante. Primeiro, eles compreendem uma enorme parcela da biodiversidade do planeta e sua perda teria forte impacto sobre qualquer ecossistema. Segundo, eles são uma parte essencial da história evolutiva de seus hospedeiros e são, portanto, promotores de diversidade por seleção natural. Remover os parasitas de um hospedeiro eventualmente reduziria sua variabilidade genética e o deixaria mais vulnerável a novos parasitas. Devido à sua coevolução com o hospedeiro, parasitas também são uma fonte valiosa de informação sobre a ecologia e a história evolutiva do hospedeiro, ajudando-nos a conhecer a dinâmica de suas populações. Podemos até encontrar maneiras de lidar com nossos próprios parasitas ao estudar os parasitas de outras espécies, e parasitas são certamente algo que os humanos conseguiram coletar em grande número enquanto se espalhavam pelo globo.

Os parasitas podem ser incômodos, mas são necessários. Pode parecer que eles enfraquecem o hospedeiro a princípio, mas, a longo prazo, o que não te mata te fortalece.

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Referências:

Kirst ML (2012) The power and plight of the parasite. High Country News. Available at < https://www.hcn.org/blogs/goat/the-power-and-plight-of-the-parasite >. Access on 3 November 2019.

Kwak ML (2018) Australia’s vanishing fleas (Insecta: Siphonaptera): a case study in methods for the assessment and conservation of threatened flea species. Journal of Insect Conservation 22(3–4): 545–550. doi: 10.1007/s10841-018-0083-7

Kwak ML, Heath ACG, Palma RL (2019) Saving the Manx Shearwater Flea Ceratophyllus (Emmareus) fionnus (Insecta: Siphonaptera): The Road to Developing a Recovery Plan for a Threatened Ectoparasite. Acta Parasitologica. doi: 10.2478/s11686-019-00119-8

Rózsa L, Vas Z (2015) Co-extinct and critically co-endangered species of parasitic lice, and conservation-induced extinction: should lice be reintroduced to their hosts? Oryx 49(1): 107–110. doi: 10.1017/S0030605313000628

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Salgadinhos de turistas estão matando espécies em áreas protegidas

por Piter Kehoma Boll

Read it in English

Nao há nada mais ameaçador à natureza que os humanos, como todos sabemos. Muitas espécies se tornaram ameaçadas ou mesmo extintas devido à influência humana pelo mundo todo. Numa tentativa de proteger o que quer que tenha sobrado, temos criado áreas protegidas onde as espécies deveriam ser capazes de viver suas vidas sem os perigos da humanidade.

Contudo, de forma a aumentar a conscientização sobre a importância de preservar a biodiversidade, muitas áreas protegidas aceitam visitantes humanos. Apesar de isso ter algum efeito em melhorar a visão do visitante sobre a natureza e sua importância, há uma porção de efeitos colaterais indesejados. Humanos caminhando pela floresta podem causar ruído que perturba a fauna local e a compactação do solo causada por caminhar leva a mudanças no crescimento da vegetação e na drenagem do solo.

Mas outro comportamento humano que parece ter consequências sérias na conservação da biodiversidade é nossa tendência de carregar comida conosco, tal como lanches, e comê-la em qualquer lugar.. Pessoas visitando uma área protegida podem comer algo no caminho através da floresta ou parar para um piquenique. Muitas espécies amam restos de comida deixados por humanos e vão proliferar com eles.

Dois gaios-de-Steller no Parque Estadual de Big Basin Redwoods. Foto do usuário kgerner do iNaturalist.*

Uma espécie que se beneficia de comida humana é o gaio-de-Steller, Cyanocitta stelleri, um corvídeo que é comum ao longo da costa oeste da América do Norte. Como resultado, esta espécie não está nem um pouco ameaçada no momento e tende até a seguir humanos por causa do fácil acesso à comida. Na natureza, esta espécie é um onívoro generalista, alimentando-se de sementes, frutas, invertebrados, ovos e pequenos vertebrados, como roedores e filhotes de aves.

Outra ave que pode ser encontrada nas mesmas áreas que o gaio-de-Steller é a torda-miúda-marmorada Brachyramphus marmoratus, uma pequena ave marinha. Diferente da maioria das aves marinhas, a torda-miúda-marmorada não faz ninhos em rochedos e tocas perto da água, mas nos ramos de coníferas velhas. Como resultado, elas podem se mover até 80 km terra adentro para encontrar um local adequado para fazer o ninho. Diferente do gaio-de-Steller, a torda-miúda-marmorada não se beneficia de petiscos humanos. Ao contrário, eles podem ser sua ruína.

Uma torda-miúda-marmorada jovem encontrada no Parque Estadual de Big Basin Redwoods. Foto do usuário basinbird do iNaturalist.*

A torda-miúda-marmorada depende muito de florestas antigas para se reproduzir e a fêmea põe somente um ovo por ano, levando a uma baixa taxa reprodutiva. Devido à remoção de florestas antigas por humanos, a torda-miúda-marmorada perdeu muito de seu habitat original e atualmente é considerada uma espécie ameaçada.

Uma das poucas áreas que restam para esta espécie nidificar está localizada no Parque Estadual Big Basin Redwoods, na Califórnia. O parque contém muitas opções para acampamento, o que significa humanos trazendo comida o tempo todo. Isso atrai os gaios-de-Steller, que se esbaldam nas migalhas e outros restos e se reproduzem explosivamente. Quando humanos não estão presentes, esta população aumentada migra para novas áreas, às vezes seguindo humanos para as cidades, ou começa a se alimentar do que quer que esteja presente no parque, e uma das opções mais nutritivas são filhotes da torda-miúda-marmorada.

Com uma população já ameaçada, a torda-miúda-marmorada está prestes a ser extinta porque nosso desejo de caminhar pela floresta está acidentalmente aumentando a população de um de seus principais predadores. Será que algum dia vamos ter um impacto bom neste planeta?

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Referência:

West EH, Brunk K, Peery MZ (2019) When protected areas produce source populations of overabundant species. Biological Conservation 238: 108220. doi: 10.1016/j.biocon.2019.108220

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Sexta Selvagem: Carrapato-de-Rinoceronte

por Piter Kehoma Boll

Parasitas existem existem em todo lugar e, apesar de muitos de nós verem-nos como criaturas odiosas, mais da metade de todas as formas de vida conhecidas vivem como parasitas pelo menos em parte da vida. E provavelmente há muitos parasitas ainda desconhecidos por aí. Hoje vou falar sobre um deles, que é encontrado em grandes porções da África.

Seu nome é Dermacentor rhinocerinus, conhecido como o carrapato-de-rinoceronte. Como seu nome sugere, ele é um carrapato, portanto um ácaro parasita, e seu estágio adulto vive na pele dos rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum) e dos criticamente ameaçados rinocerontes-negros (Diceros bicornis).

Um carrapato-de-rinoceronte macho preso à pele de um rinoceronte na África do Sul. Créditos ao usuário bgwright do iNaturalist.*

Machos e fêmeas do carrapato-de-rinoceronte são consideravelmente diferentes. Em machos, o corpo possui um fundo preto com muitas manchas laranjas grandes. Em fêmeas, por outro lado, o abdome é principalmente preto com somente duas grandes manchas laranjas e a placa no tórax é laranja com duas pequenas manchas pretas. Machos e fêmea acasalam na superfície dos rinocerontes. Após o acasalamento, a fêmea começa a aumentar de tamanho enquanto os ovos se desenvolvem dentro dela e então cai ao chão, pondo os ovos lá.

Um carrapato-de-rinoceronte fêmea esperando pacientemente que um rinoceronte passe por perto. Foto de Martin Weigand.*

As larvas, assim que eclodem, passam a procurar por outro hospedeiro, geralmente um mamífero de pequeno porte como roedores e musaranhos-elefantes. Elas se alimentam desse hospedeiro menor até atingirem o estágio adulto, quando então caem ao chão e sobem na vegetação ao redor, esperando que um rinoceronte passe por ali e então se agarrando a ele.

Esforços de conservação para preservar a biodiversidade são focados principalmente em vertebrados, especialmente aves e mamíferos. Rinocerontes, que são hospedeiros essenciais para o carrapato-de-rinoceronte sobreviver, são frequentemente parte de programas de conservação e, de maneira a aumentar seu sucesso reprodutivo, a prática de remover parasitas de sua pele é comum. Isso é, no entanto, ruim para os carrapatos-de-rinoceronte. Se seu hospedeiro está ameaçado, eles certamente estão ameaçados também, e removê-los piora ainda mais sua condição. Os parasitas são menos importantes para o planeta? Eles não merecem viver como qualquer outra forma de vida? Não podemos nos esquecer de que a natureza precisa de mais do que só aquilo que consideramos bonito.

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Mais ácaros e carrapatos:

Sexta Selvagem: Ácaro-de-Veludo-Vermelho-Gigante (em 22 de junho de 2016)

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Referências:

Horak IG, Fourie LJ, Braack LEO (2005) Small mammals as hosts of immature ixodid ticks. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 72:255–261.

Horak IG, Cohen M (2001) Hosts of the immature stages of the rhinoceros tick, Dermacentor rhinocerinus (Acari, Ixodidae). Onderstepoort Journal of Veterinary Research 68:75–77.

Keirans JE (1993) Dermacentor rhinocerinus (Denny 1843) (Acari: Ixodida: Ixodidae): redescription of the male, female and nymph and first description of the larva. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 60:59–68.

Mihalca AD, Gherman CM, Cozma V (2011) Coendangered hard ticks: threatened or threatening? Parasites & Vectors 4:71. doi: 10.1186/1756-3305-4-71

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Invasões alienígenas: a resistência está nos arroios

por Piter Kehoma Boll

Atividades humanas têm introduzido, seja deliberadamente ou acidentalmente, várias espécies em áreas fora de sua região nativa. Muitas destas espécies, quando alcançam um novo ecossistema, podem ter efeitos devastadores nas comunidades locais.

Uma prática comum é a introdução de peixes exóticos para produção de alimento ou para recreação. Apesar de o impacto de espécies de peixes exóticos poder ser severo, há vários fatores que modulam esta severidade. Contudo uma situação na qual os resultados podem ser catastróficos é quando peixes são introduzidos em corpos d’água que originalmente não possuíam peixes.

Arroios e lagos de montanha geralmente não possuem peixes por causa de barreiras físicas, especialmente quedas d’água, pois elas previnem peixes de se moverem rio acima. Mas peixes foram introduzidos em muitos lagos de montanha para fornecer um estoque local de alimento ou para pesca esportiva.

Um local que recebeu tal praga foi o Parque Nacional Gran Paradiso nos Alpes Italianos Ocidentais. Durante os anos 1960, a truta-das-fontes, Salvelinus fontinalis, um peixe que é nativo da América do Norte, foi introduzida em vários dos lagos de altitude do parque. Mais tarde, quando a área se tornou protegida, a pesca foi proibida.

Salvelinus fontinalis, a truta-das-fontes. Foto de Alex Wild.

De 2013 a 2017, um programa de erradicação de peixes foi conduzido em quatro lagos do parque: Djouan, Dres, Leynir e Nero. Os peixes foram capturados usando redes de emalhar e pesca elétrica. Como as trutas haviam colonizado os arroios que são conectados aos lagos, tiveram de ser removidas de lá também.

As comunidades de organismos vivendo em lagos e arroios foram monitoras para avaliar sua recuperação após a remoção dos peixes. Os lagos mostraram uma resiliência notável, chegando a uma estrutura de comunidade similar à de lagos onde peixes nunca foram introduzidos. Os arroios, por outro lado, não apresentaram grande diferença antes e depois da remoção de peixes. A razão, no entanto, não é porque os arroios possuem pouca resiliência. Ao contrário, os arroios mostraram grande resistência à invasão dos peixes. As trutas não pareceram afetar tanto as comunidades de macroinvertebrados de arroios. Mas por quê?

Lago Dres no Parque Nacional Gran Paradiso. Imagem extraída do website do parque (http://www.pngp.it).

Uma hipótese era de que macroinvertebrados constantemente colonizam os arroios por dispersão passiva, vindo de águas rio acima. Contudo isso não é aplicável a arroios que drenam os lagos, já que as comunidades de arroios e lagos são bem diferentes. Baixa predação por parte das trutas não é uma opção tampouco, porque se demonstrou que trutas de arroio na verdade comem mais que as de lago. Talvez invertebrados de arroio se reproduzam mais rapidamente que os de lagos? Não! Estudos demonstraram que isso é similar em ambos os ambientes.

A razão por que invertebrados de arroio são menos afetados pela introdução de peixes ainda é um mistério. Uma explicação possível é que arroios apresentam mais micro-habitats que não são explorados pelas trutas, fornecendo refúgio para os invertebrados. Precisamos de mais estudos para entender o que está acontecendo.

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Pense nos vermes, não só nas baleias, ou: como uma planária salvou um ecossistema.

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Referências:

Tiberti R, Bogliani G, Brighenti S, Iacobuzio R, Liautaud K, Rolla M, Hardenberg A, Bassano B. (2019) Recovery of high mountain Alpine lakes after the eradication of introduced brook trout Salvelinus fontinalis using non-chemical methods. Biological Invasions 21: 875–894. doi: 10.1007/s10530-018-1867-0

Tiberti R, Brighenti S (2019) Do alpine macroinvertebrates recover differently in lakes and rivers after alien fish eradication? Knowledge & Management of Aquatic Ecosystems 420: 37. doi: 10.1051/kmae/2019029

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Sexta Selvagem: Milípede-Português

por Piter Kehoma Boll

Milípedes, também chamados de piolhos-de-cobra, gongolôs ou embuás, compreendem a classe Diplopoda e são artrópodes muito fofos na minha opinião. Esta classe inclui espécies incríveis, como o animal com o maior número de pernas no mundo. Muitas espécies são, no entanto, pouco estudadas. Contudo uma que é muito bem conhecida é o milípede-português Ommatoiulus moreleti.

Como seu nome comum sugere, o milípede-português é nativo de Portugal, mais precisamente do sul de Portugal e de regiões próximas na Espanha, vivendo no solo de florestas de pinho e carvalho. Seu corpo, medindo cerca de 4 cm quando adulto, possui o formato cilíndrico e alongado típico visto na maioria dos milípedes e é muito escuro, quase preto, com pernas de uma cor mais clara, geralmente esbranquiçadas, mas às vezes arroxeadas.

Um milípede-português em Portugal. Foto de Romulo Arrais.*

Apesar de seu tamanho relativamente pequeno, o milípede-português leva mais de um ano para atingir a maturidade e cresce por cerca de três anos. O período de acasalamento é geralmente durante o outono e, após ter seus ovos fertilizados, a fêmea põe de 60 a 80 deles em uma câmara de cerca de 2 cm de profundidade no solo. Quando os ovos eclodem, o primeiro estágio é um animal pequeno, pupoide e sem patas que permanece dentro de uma membrana até sofrer uma muda e se tornar uma larva de seis pernas. Durante o primeiro ano, o juvenil faz a muda cerca de oito vezes e o número de pernas aumenta a cada novo estágio. Lá pelo estágio 10, eles estão sexualmente maduros, mas continuam a fazer a muda e ganhar mais pernas até atingirem cerca de 90 pernas no 14º estágio. Os machos apresentam uma estratégia reprodutiva interessante chamada de periodomorfismo, em que indivíduos maduros sofrem uma muda e se tornam “castrados”, com órgãos sexuais reduzidos, tornando-se sexualmente maduros de novo na próxima muda, apenas para voltarem à forma castrada na seguinte e assim sucessivamente.

O milípede-português ficou famoso depois de sua introdução acidental no sudeste da Austrália, aparentemente nos anos 1950. Ele logo se tornou uma espécie muito abundante e, como consequência, um incômodo. Como a maioria dos milípedes, o milípede-português é principalmente detritívoro, alimentando-se de matéria vegetal morta, tal como madeira podre e folhas mortas, de forma que sua introdução não é tanto assim uma catástrofe ecológica, apesar de ele poder ter alguns impactos negativos por competir com espécies nativas de milípedes.

Um milípede-português na Austrália. Foto do usuário corunastylis do iNaturalist.**

O principal problema causado pelo milípede-português na Austrália afeta especialmente humanos. Eles são atraídos por fontes de luz fraca, como as emitidas por casas à noite, e, como resultado, acabam invadindo residências, às vezes centenas deles ao mesmo tempo. Quando ameaçado, o milípede-português emite uma secreção amarela de cheiro forte que pode irritar os olhos e, em contato com as roupas, as deixa permanentemente manchadas. Além disso, o milípede-português às vezes pode se alimentar de algumas plantas cultivadas, especialmente frutas.

Em Portugal, as populações do milípede-português são controladas por predadores nativos, como o ouriço-europeu Erinaceus europaeus e o besouro Ocypus olens. Livre de seus inimigos naturais, o milípede se espalhou rapidamente pelo sudeste da Austrália. Contudo, cerca de 30 anos depois, sua população na Austrália começou a diminuir. Aparentemente, alguns nematódeos parasitas que infectam milípedes nativos se adaptaram para parasitar esta espécie invasora também, ajudando a conter seu tamanho populacional. Alguns outros predadores nativos australianos também foram observados se alimentando do milípede-português, incluindo a planária-azul, Caenoplana coerulea.

Além da Austrália, o milípede-português também foi introduzido em várias ilhas atlânticas, como as ilhas da Macaronésia, Bermuda e o Reino Unido, bem como na África do Sul. Contudo ele não parece ser um estorvo tão grande nesses lugares.

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Mais milípedes:

Sexta Selvagem: Milípede-Pernudíssimo (em 12 de fevereiro de 2016)

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Referências:

Baker GH (1985) Predators of Ommatoiulus moreletii (Lucas) (Diplopoda: Iulidae) in Portugal and Australia. Australian Journal of Entomology 24(4): 247–252. doi: 10.1111/j.1440-6055.1985.tb00237.x

Baker GH (1978) The post-embryonic development and life history of the millipede, Ommatoiulus moreletii (Diplopoda: Iulidae), introduced in south-eastern Australia. Journal of Zoology 186: 209–228. doi: 10.1111/j.1469-7998.1978.tb03366.x

Gregory SJ, Owen C, Jones G, Williams E (2018) Ommatoiulus moreleti (Lucas) and Cylindroiulus pyrenaicus (Brölemann) new to the UK (Diplopoda, Julida: Julidae) and a new host for Rickia laboulbenioides (Laboulsbeniales). Bulletin of the British Myriapod & Isopod Group 30: 48–60.

McKillup SC, Allen PG, Skewes MA (1988) The natural decline of an introduced species following its initial increase in abundance: an explanation for Ommatoiulus moreletii in Australia. Oecologia 77:339–342. doi: 10.1007/BF00378039

Terrace TE, Baker GH (1994) The blue land planarian, Caenoplana coeruleaMoseley (Tricladida: Geoplanidae), a predator of Ommatoiulus moreleti (Lucas) (Diplopoda: Julidae) in southern Australia. Australian Journal of Entomology 33(4): 371–372.

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Em vez de produtos químicos tóxicos, use plantas ajudantes para se livrar de pragas agrícolas

por Piter Kehoma Boll

Encontrar maneiras eficientes de lidar com pragas agrícolas em plantações é um trabalho desafiador. Atualmente, como todos sabemos, a principal estratégia para o controle de tais pragas é o uso de pesticidas químicos. Contudo, esta abordagem apenas serve aos interesses daqueles buscando lucro e não o bem-estar, visto que todos sabemos que tais pesticidas aumentam o risco de diversos problemas de saúde naqueles que consomem os produtos. Mais que isso, pesticidas químicos não apenas matam a praga-alvo, mas muitas outras formas de vida, causando um efeito devastador nos ecossistemas.

A lagarta-listrada-do-repolho (Evergesis rimosalis) é uma praga comum em plantas do gênero Brassica (couve, repolho, mostarda) no leste dos Estados Unidos. Foto do usuário margardimaria do iNaturalist.*

Felizmente, tem havido um interesse crescente em encontrar maneiras alternativas e mais saudáveis de lidar com o problema. Uma maneira é a produção de organismos geneticamente modificados (GMOs) que são naturalmente resistentes às pragas. Há, no entanto, dois problemas principais com esta abordagem. A primeira é que a população em geral tem um medo irracional de GMOs, aparentemente acreditando que eles são mais perigosos que os pesticidas químicos, o que é completamente absurdo. O segundo problema com GMOs é que a tecnologia para criá-los é dominada pelas mesmas companhias que produzem a maioria dos pesticidas e, como todas as grandes companhias, apenas buscam o lucro e não dão a mínima para as pessoas ou o meio ambiente.

Uma terceira estratégia é o uso de inimigos naturais das pragas para controlá-las em fazendas orgânicas. Apesar de muitos inimigos naturais serem ótimos em seu trabalho, eles também podem causar impactos negativos por interferirem nos ecossistemas do entorno. A maioria das pragas de plantações não são nativas das áreas onde são pragas, isto é, elas são espécies invasoras e, de forma a controlá-las eficientemente, um predador de sua área nativa precisa ser introduzido também, e este predador pode acabar se tornando uma ameaça para outras espécie que escolhe como alimento.

Coleomegilla maculata é uma joaninha predadora comum no leste dos Estados Unidos. Elas são ótimas controlando pragas agrícolas localmente, mas não devem ser deliberadamente introduzidas em outros lugares. Foto de Riley Walsh.*

Felizmente, algumas boas estratégias foram recentemente desenolvidas. Uma delas inclui o uso de plantas adicionais nos campos que mudam a maneira como pragas se comportam sem serem uma ameaça para áreas do entorno. Estas plantas adicionais compreendem dois tipos: cultivares-armadilhas e plantas-insetários.

O trigo-sarraceno Fagopyrum esculentum vem sendo usado como planta-insetário. Foto do usuário jimkarlstrom do iNaturalist.*

Um cultivar-armadilha, como o nome sugere, é um cultivar adicional que não se intenciona explorar comercialmente, mas que serve como uma armadilha para as pragas. Em vez de atacarem o cultivar principal (o cultivar de interesse), as pragas são atraídas pelo cultivar-armadilha, reduzindo em densidade no cultivar de interesse. Este sistema é mais eficiente se o cultivar-armadilha for similar ao cultivar de interesse, tal como outra planta do mesmo gênero ou outra variedade da mesma espécie, porque ele precisa ser tão atrativo para a praga quanto o cultivar de interesse, ou talvez até mais atrativo.

Plantas-insetários, por outro lado, têm a intenção de atrair outros insetos para a plantação, especialmente insetos predadores que predam a praga agrícola. Plantas-insetários devem produzir flores em abundância, assim atraindo várias espécies de insetos, o que aumenta o interesse de predadores na área. Contudo, quando usadas sozinhas, as plantas-insetários só fornecem predadores para controlar pragas em plantas cultivadas que estejam perto das plantas-insetários e, como estas costumam ser plantadas ao redor da plantação, não protegem as plantas perto do centro da plantação.

Em um estudo recente, Shrestha et al. (veja referências) decidiram combinar cultivares-armadilhas e plantas-insetários junto com cultivares de interesse em uma estratégia que chamaram de “tríade botânica”. O cultivar de interesse foi repolho orgânico (Brassica oleracea var. capitata) plantado no leste dos Estados Unidos; os cultivares-armadilhas foram outros três cultivares do gênero Brassica: mostarda-marrom (Brassica juncea) e dois tipos de couve (Brassica oleracea var. acephala e Brassica oleracea var. italica); e as plantas-insetários foram o trigo-sarraceno (Fagopyrum esculentum) e a flor-de-mel (Lobularia maritima).

Couve (Brassica oleracea var. acephala). Foto de David Andreas Tønnessen.*

Como resultado, o número de herbívoros (isto é, pragas agrícolas) foi maior em cultivares-armadilhas do que no cultivar de interesse. Os cultivares-armadilhas foram, portanto, mais atrativos que o cultivar de interesse para as pragas. A presença de plantas-insetários aumentou o número de insetos predadores e parasitoides, como joaninhas e vespas parasitoides, nos cultivares-armadilhas em comparação com tratamentos sem plantas-insetários. O número de pragas parasitadas também aumentou na presença de plantas-insetários.

Organização da lavoura

No geral, o “trabalho em equipe” de cultivares-armadilhas e plantas-insetários reduziu a influência de pragas agrícolas em cultivares de interesse. Os cultivares-armadilhas atraíram as pragas para uma área próxima das plantas-insetários, permitindo que os predadores as alcançassem.

Maneiras eficientes de cultivar organicamente são possíveis. Só precisamos focar em ecossistemas saudáveis e não no dinheiro. Se trabalharmos juntos, podemos derrotar as “Seis grandes” corporações que dominam a produção de alimento no mundo. Elas são as verdadeiras pragas.

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Referência:

Shrestha B, Finke DL, Piñero JC (2019) The ‘Botanical Triad’: The Presence of Insectary Plants Enhances Natural Enemy Abundance on Trap Crop Plants in an Organic Cabbage Agro-Ecosystem. Insects 10(6): 181. doi: 10.3390/insects10060181

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