Arquivo da categoria: Conservação

Centenas de peixes-leões foram soltos no Atlântico por pena

por Piter Kehoma Boll

O peixe-leão-vermelho, Pterois volitans, é um peixe de coral belo e venenoso que é nativo da região indo-pacífica. Devido à sua grande beleza, é um peixe muito popular em aquários no mundo todo.

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Um peixe-leão-vermelho em seu habitat natural e nativo na Indonésia. Foto de Alexander Vasenin.*

Desde os anos 1980, o peixe-leão-vermelho passou a ser encontrado nas águas do oceano Atlântico em torno da Flórida. Como ele chegou lá? Certamente os humanos tiveram algo a ver com isso, mas a forma exata ainda é desconhecida. Originalmente uma população pequena, a espécie rapidamente se espalhou no começo do século XXI e em 2010 tinha colonizado o Caribe e o Golfo do México.

Alguns estudos originais sobre a diversidade genética da população do Atlântico estimaram que o número mínimo de espécimes introduzidos era em torno de 10. Se isso fosse verdade, a população estabelecida poderia ser o resultado de um acidente, como, por exemplo, os peixes de um único aquário que acidentalmente acabaram no mar.

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Um peixe-leão-vermelho fotografado em Curaçao, Caribe. Foto de Laszlo Ilyes.**

Um estudo publicado recentemente (veja referência), contudo, reestimou este número usando novos modelos e dados adicionais. As conclusões são de que o número de peixes que colonizaram o Atlântico era muito maior, em torno de 272 indivíduos. Uma introdução tão grande dificilmente ocorreria por acidente. Introduções por peixes sendo transportados da região indo-pacífica na água de lastro de navios é improvável, pois eles dificilmente sobreviveriam ao transporte. A resposta mais provável é que esses peixes foram introduzidos por várias pequenas solturas que aconteceram em Miami. Como e por quê? Bem, muitas pessoas gostam de ter peixes em belos aquários em casa, e quando elas se cansam de cuidar dos animais ou não podem mais continuar sustentando-os, elas decidem simplesmente largá-los no oceano por pena, porque a alternativa seria matá-los.

Agora você vê quais são as consequências de pensar assim? Você se preocupa demais com um único exemplar, não possui conhecimento ecológico e simplesmente decide largá-los na natureza. Anos depois, eles acabaram com ecossistemas inteiros e causaram um desastre de grande escala. É isso que humanos fazem. Como dizem, de boas intenções o inferno está cheio.

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Referências:

Selwyn JD, Johnson JE, Downey-Wall AM, Bynum AM, Hamner RM, Hogan JD, Bird CE. (2017Simulations indicate that scores of lionfish (Pterois volitans) colonized the Atlantic OceanPeerJ 5:e3996 https://doi.org/10.7717/peerj.3996

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Eles só se importam se você for fofo: como o carisma prejudica a biodiversidade

por Piter Kehoma Boll

Qual das duas espécies mostradas abaixo é mais carismática?

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Tangara chilensis (Tangará-do-paraíso). Foto do usuário do flickr ucumari.*

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Apocrypta guineensis (uma vespa-do-figo). Foto do usuário JMK do Wikimedia.**

Você provavelmente escolheria a primeira. E se eu perguntasse qual merece mais atenção e esforços para ser preservada, você provavelmente escolheria a ave também, ou ao menos a maioria das pessoas escolheria. Mas qual é o problema com isso? É isso que vou mostrar.

Como todos sabemos, a proteção da diversidade biológica é um assunto importante do mundo atual. Felizmente, há campanhas crescentes promovendo a preservação da biodiversidade, mas infelizmente elas são quase sempre direcionadas a um pequeno subconjunto de espécies. Você pode encontrar organizações buscando proteger tartarugas marinhas, tigres, águias ou pandas-gigantes, mas você consegue pensar em alguma querendo proteger besouros? A maioria dos programas de preservação visa criaturas grandes e carismáticas, como mamíferos, aves e plantas com flores, enquanto organismos menores e não tão fofos seguem negligenciados. E isso não é só verdade em ambientes que incluem pessoas não-biólogas, mas em todos os campos de pesquisa. E mais do que apenas levando a uma proteção de ecossistemas tendenciosa, esta preferência leva a milhares de espécies mal estudadas que poderiam trazer revoluções biotecnológicas para a humanidade.

Num estudo interessante publicado recentemente na Scientific Reports da Nature (veja referência abaixo), Troudet et al. analisaram a tendência taxonômica em dados de biodiversidade ao comparar a ocorrência de dados em vários grupos taxonômicos à diversidade desses grupos. Os resultados são impressionantes, apesar de não muito surpreendentes. Os grupos mais carismáticos, como aves, são, pode-se dizer, superestudados, com um excesso de registros, enquanto outros, como insetos, são altamente subestudados. Enquanto aves apresentam um total de 200 milhões de ocorrências acima do registro ideal, insetos tem cerca de 200 milhões abaixo do número ideal. E a situação não parece estar melhorando muito ao longo dos anos.

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A tendência é interessante e clara. A linha vertical indica o número “ideal” de ocorrências de cada grupo. Uma barra verde indica um excesso de ocorrências, enquanto uma barra vermelha indica uma falta de ocorrências. Aves e insetos estão em extremos opostos, mas certamente o desvio dos insetos é bem pior. Figura extraída de Troudet et al. (2017).***

Além disso, o estudo conclui que a principal razão para tal disparidade é simplesmente a preferência da sociedade, ou seja, os grupos mais estudados são os mais amados pelas pessoas em geral. O assunto é realmente um simples caso de carisma e tem pouco a ver com razões científicas ou de viabilidade.

A única maneira de mudar este cenário é se encontrarmos uma maneira de aumentar a percepção e o interesse do público geral sobre grupos menos carismáticos. Temos que torná-los interessantes para o público leigo de forma a receber seu apoio e aumentar o número de biólogos futuros que escolherão trabalhar com essas criaturas negligenciadas, mas muito importantes.

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Leia também:

Encontrados e depois perdidos: o lado não tão iluminado da taxonomia

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Referência:

Troudet, J.; Grandcolas, P.; Blin, A,; Vignes-Lebbe, R.; Legendre, F. (2017) Taxonomic bias in biodiversity data and societal preferences. Scientific Report 7: 9132. https://dx.doi.org/10.1038/s41598-017-09084-6

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Árvores italianas velhas: um passo para o reconhecimento mundial?

por Piter Kehoma Boll

Alguns anos atrás eu escrevi um artigo (você pode lê-lo aqui) sobre a importância de árvores, especialmente árvores velhas, e como seu papel ecológico é diferente de uma árvore jovem.

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Árvores antigas são preciosidades ecológicas e precisam ser preservadas pelo bem dos ecossistemas. Foto do usuário loshak do flickr.*

Na Itália, há leis específicas criadas para proteger árvores antigas, especialmente se elas são peculiares para sua espécie ou possuem algum tipo de valor estético ou cultural. Recentemente, sua importância para a preservação de uma variedade de formas de vida também passou a ser reconhecida. Um artigo recentemente publicado (veja abaixo) comparou as árvores velhas notáveis na Itália registradas numa lista anterior e uma nova. Eles concluíram que o inventário novo possui melhorias consideráveis, apesar de alguns problemas persistirem, incluindo a presença de espécies exóticas, até mesmo invasoras, na lista.

Mas tais iniciativas são ao menos importantes como um primeiro passo que pode nos levar a um melhor entendimento e manejo de árvores velhas, as quais são elementos preciosos, mas que continuam a declinar mundialmente.

Leia o estudo de graça:

Zapponi, L.; Mazza, G.; Farina, A.; Fedrigoli, L.; Mazzocchi, F.; Roversi, P. F.; Peverieri, G. S.; Mason, F. (2017) The role of monumental trees for the preservation of saproxylic biodiversity: re-thinking their management in cultural landscapes. Nature Conservation 19: 231–243.

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Indo longe com a boca aberta a novos sabores

por Piter Kehoma Boll

Todo mundo sabe que atividades humanas levaram nosso ambiente em direção a uma situação infeliz. As formas mais populares de impacto humano incluem poluição, desmatamento e superexploração de recursos naturais, mas certamente um fator importante no remodelamento de ecossistemas é a invasão de espécies.

Enquanto os humanos se movem ao redor do mundo, eles levam muitas espécies consigo, seja intencionalmente ou não, e algumas delas se estabelecem com sucesso no novo ambiente, enquanto outras não. Mas o que faz com que algumas espécies sejam invasores bem-sucedidos enquanto outras são incapazes disso?

É evidente há algum tempo que ter um nicho amplo, isto é, uma ampla tolerância a condições ambientas e um amplo uso de recursos, é importante para ser bem-sucedido em invadir um novo habitat. A amplitude de nicho trófico, isto é, a quantidade de tipos diferentes de comida que se pode ingerir, está entre as dimensões mais importantes do nicho a influenciar a disseminação de uma espécie.

Eu mesmo estudei a amplitude de nicho trófico de seis planárias terrestres neotropicais na minha dissertação de mestrado (veja referências abaixo), e ficou claro que as espécies com o nicho mais amplo são mais prováveis de se tornarem invasoras. Na verdade aquela com o nicho mais amplo, Obama nungara, já é uma invasora na Europa, como já discuti aqui.

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Um espécime de Obama nungara do Sul do Brasil que eu usei em minha pesquisa. Foto por mim mesmo, Piter Kehoma Boll.*

Mas a O. nungara possui um nicho trófico amplo em seu local de ocorrência nativo, que inclui o sul do Brasil, e provavelmente refletiu essa amplitude na Europa. Mas uma espécie que possui um nicho trófico mais restrito em seu local nativo poderia ampliá-lo em um novo ambiente?

Um estudo recente por Courant et al. (veja referências) investigou a dieta da rã-de-unhas-africana, Xenops laevis, que é uma espécie invasora em muitas partes do mundo. Eles compararam sua dieta em seu local de origem na África do Sul com aquela em várias populações em outros países (Estados Unidos, País de Gales, Chile, Portugal e França).

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A rã-de-unhas-africana Xenopus laevis. Foto de Brian Gratwicke.**

Os resultados indicaram que X. laevis possui um nicho consideravelmente amplo tanto em seus locais nativos quanto nos não-nativos, mas a dieta em Portugal apresentou uma mudança maior comparada àquela em outras áreas, o que indica uma grande habilidade de se adaptar a novas situações. De fato, a população de Portugal vive em água corrente, enquanto em todos os outros locais esta espécie prefere água parada.

Podemos concluir que parte do sucesso da rã-de-unhas-africana ao invadir novos habitats está relacionada à sua habilidade de provar novos sabores, aumentando seu nicho trófico além daquele de suas populações originais. A situação em Portugal, incluindo um ambiente diferente e uma dieta diferente, também pode ser o resultado de uma pressão seletiva maior e talvez as chances são de que esta população irá se transformar em uma nova espécie mais cedo que as demais.

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Referências:

Boll PK & Leal-Zanchet AM (2016). Preference for different prey allows the coexistence of several land planarians in areas of the Atlantic Forest. Zoology 119: 162–168.

Courant J, Vogt S, Marques R, Measey J, Secondi J, Rebelo R, Villiers AD, Ihlow F, Busschere CD, Backeljau T, Rödder D, & Herrel A (2017). Are invasive populations characterized by a broader diet than native populations? PeerJ 5: e3250.

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Sexta Selvagem: Pé-de-Crista-Cristalino

por Piter Kehoma Boll

Mesmo nas menores poças de água-doce perdidas num campo, a diversidade de formas de vida é incrível. Infelizmente, estes ambientes estão entre os mais danificados de todos os ecossistemas na Terra e nós provavelmente levamos várias espécies pequeninas à extinção. O camarada de hoje, no entanto, ainda está vivo, e seu nome é Lophopus crystallinus, ou como eu decidi chamá-lo, o pé-de-crista-cristalino.

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Uma colônia de Lophopus crystallinus. Foto do Museu de História Natural de Londres.*

O pé-de-crista-cristalino é um membro do filo Bryozoa, às vezes chamados de animais-musgos. De fato, ele foi o primeiro briozoário a ser descrito. Como outros briozoários, o pé-de-crista-cristalino vive em uma colônia de indivíduos presos a substratos em lagos e poças onde eles existem, o que inclui a Europa e a América do Norte. Os indivíduos não são inteiramente independentes e possuem funções especializadas dentro da colônia, assim agindo como um único superorganismo. Como regra geral, briozoários, incluindo o pé-de-crista-cristalino, são filtradores, extraindo partículas e microalgas da água.

Apesar de ser consideravelmente tolerante a eutrofização (aumento da matéria orgânica na água) e poluição por metais pesados, o pé-de-crista-cristalino ainda é ameaçado por outras formas de impacto humano, como mudanças climáticas, e certamente pela destruição de seu habitat. Atualmente ele é considerado uma espécie ameaçada no Reino Unido e é o único briozoário a ter um plano de ação específico. Vamos esperar que consigamos encontrar uma maneira de evitar que ele seja varrido deste mundo.

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Referências:

References:

Elia, A., Galarini, R., Martin Dörr, A., & Taticchi, M. (2007). Heavy metal contamination and antioxidant response of a freshwater bryozoan (Lophopus crystallinus Pall., Phylactolaemata). Ecotoxicology and Environmental Safety, 66 (2), 188-194 DOI: 10.1016/j.ecoenv.2005.12.004

Hill, S., Sayer, C., Hammond, P., Rimmer, V., Davidson, T., Hoare, D., Burgess, A., & Okamura, B. (2007). Are rare species rare or just overlooked? Assessing the distribution of the freshwater bryozoan, Lophopus crystallinus. Biological Conservation, 135 (2), 223-234 DOI: 10.1016/j.biocon.2006.10.023

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Sexta Selvagem: Pinheiro-do-Paraná

por Piter Kehoma Boll

Como primeira conífera na Sexta Selvagem, decidi escolher uma das minhas amadas, o pinheiro-do-Paraná, Araucaria angustifolia.

O pinheiro-do-Paraná pode chegar a até 50 m de altura, apesar de a maioria das árvores serem menores que isso. Elas possuem um formato particular e são facilmente distinguíveis da floresta circundante onde ocorrem, a chamada Floresta Ombrófila Mista ou Floresta de Araucária, no sul do Brasil. As árvores têm um tronco cilíndrico com uma casca escura e fina que se destaca em partes grandes e flexíveis, sendo cinza na superfície externa e avermelhada na superfície interna. A copa muda sua aparência durante o desenvolvimento, sendo cônica em árvores jovens e em forma de candelabro em espécimes maduros. Árvores maduras geralmente possuem a copa acima do dossel, o que dá à floresta de araucária seu aspecto particular. As folhas crescem em um padrão espiral em torno do caule e são muito duras e com uma ponta afiada que pode facilmente perfurar a pele humana.

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Um grupo de pinheiros-do-Paraná em Campos de Jordão, Brasil, perto da distribuição mais ao norte da espécie. Foto de Vinícius RibeiroVinícius RibeiroVinícius Ribeiro.*

A distribuição atual da espécie é quase restrita ao Brasil, do norte do Rio Grande do Sul ao sul de São Paulo, com algumas populações pequenas ocorrendo em áreas vizinhas da Argentina e do Paraguai. Outrora uma espécie abundante, sua população foi drasticamente reduzida devido à intensa extração de madeira até metade do século XX e à exploração de suas sementes, chamadas de pinhões. Como resultado, ela é atualmente considerada como criticamente em perigo pela IUCN.

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Uma árvore adulta no município de Colombo, Paraná, Brasil. Foto de Mauro Guanandi.*

O pinheiro-do-paraná é uma espécie dioica, isto é, machos e fêmeas são plantas separadas. Como a maioria das coníferas, ela é polinizada pelo vento. Os grandes cones, que levam dois anos para ficarem maduros, contêm um número de sementes grandes e comestíveis usadas como alimento por muitos animais, bem como por humanos. Pinhões cozidos em água com sal é um prato típico no sul do Brasil durante o inverno. Um dos principais dispersores de sementes do pinheiro-do-paraná é a gralha-azul, Cyanocorax caeruleus, que enterra as sementes para uso futuro.

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Um cone e sementes soltas de Araucaria angustifolia num mercado. Foto de Marcelo Träsel.**

Como a maioria das (se não todas) coníferas, o pinheiro do Paraná forma associações mutualísticas com fungos, tal como o glomeromiceto Glomus clarum. Assim, de forma a preservar essa árvore incrível, também é necessário garantir a preservação de todas as suas espécies associadas, como os fungos micorrízicos e os dispersores de sementes.

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Referências:

Angeli, A. (2003). Araucaria angustifolia (Araucaria). Departamento de Ciências Florestais – ESALQ/USP. Available at: <http://www.ipef.br/identificacao/araucaria.angustifolia.asp&gt;. Access on January 26, 2017.

IUCN (2016). Araucaria angustifolia The IUCN Red List of Threatened Species DOI: 10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T32975A2829141.en

Soares, T. S. (2004). Araucária – o pinheiro brasileiro. Revista Científica Eletrônica de Engenharia Florestal, 2 (3).

SOUZA, A. (2007). Ecological interpretation of multiple population size structures in trees: The case of Araucaria angustifolia in South America Austral Ecology, 32 (5), 524-533 DOI: 10.1111/j.1442-9993.2007.01724.x

Zandavalli, R., Dillenburg, L., & de Souza, P. (2004). Growth responses of Araucaria angustifolia (Araucariaceae) to inoculation with the mycorrhizal fungus Glomus clarum. Applied Soil Ecology, 25 (3), 245-255 DOI: 10.1016/j.apsoil.2003.09.009

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Sexta Selvagem: Kelp-Gigante

por Piter Kehoma Boll

Esta semana ficaremos no mar e conheceremos uma das algas mais impressionantes, o kelp-gigante, Macrocystis pyrifera. Ele é chamado de gigante por uma boa razão, já que pode crescer até 50 metros em comprimento e formar verdadeiras florestas no mar. Sendo capaz de crescer 60 cm em um único dia, ele tem o crescimento linear mais rápido de qualquer organismo na Terra.

O kelp-gigante é uma alga marrom, assim não é relacionado (ao menos não proximamente) a algas verdes ou vermelhas, mas é um parente das minúsculas diatomáceas que cobrem o oceano. Ele cresce em águas frias ao longo do costa do Pacífico nas Américas e próximo à costa de países próximos à Antártida, tal como Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

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É mesmo uma bela alga, não é? Foto da California Academy of Sciences.*

Este incrível organismo é composto por um talo que se ramifica na base e então continua como um pedúnculo único e muito longo do qual lâminas se desenvolvem a intervalos regulares de apenas um lado. Na base de cada lâmina, há uma bexiga de gás que ajuda o organismo inteiro a se manter mais ou menos em posição vertical.

As enormes florestas de kelp nos oceanos são um ecossistema importante e muitas espécies dependem delas para sobreviver, incluindo outras algas. Humanos também usam o kelp gigante tanto como uma fonte direta de alimento quanto como uma fonte de suplementos alimentares, uma vez que a alga é rica em muitos minerais, especialmente iodo e potássio, bem como muitas vitaminas.

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As florestas de kelp sustentam uma enorme diversidade de formas de vida nos oceanos. Foto de Stef Maruch.**

Nas últimas décadas, as populações de kelp estão diminuindo rapidamente. Isso provavelmente é  causado pelas mudanças climáticas, já que essa alga não consegue se desenvolver em temperaturas acima de 21ºC. O kelp-gigante é, portanto, só mais uma vítima do aquecimento global. E se ele se extinguir, um ecossistema inteiro desaparecerá com ele.

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Referências:

Foster, M. (1975). Algal succession in a Macrocystis pyrifera forest Marine Biology, 32 (4), 313-329 DOI: 10.1007/BF00388989

Wikipedia. Macrocystis pyrifera. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Macrocystis_pyrifera&gt;. Acesso em 19 de janeiro de 2007.

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