Arquivo do mês: janeiro 2017

Novas Espécies: 21 a 31 de janeiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 21 a 31 de janeiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

strigula

Strigula acuticonidiarum (esquerda) and Strigula guangxiensis (direita) são dois novos líquens descritos nos últimos 11 dias.

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos e similares

Esponjas

Muluscos

Anelídeos

Briozoários

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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Sexta Selvagem: Bolor-Preto-do-Pão

por Piter Kehoma Boll

A espécie da Sexta Selvagem de hoje vive em nossas casas e nossos jardins, entre nossa comida e nossas plantações. E toda vez que nós a notamos, nós ficamos incomodados, porque isso significa que algo que queríamos comer agora está estragado. Seu nome é Rhizopus stolonifer, ou bolor-preto-do-pão.

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Bolor-preto-do-pão crescendo num pêssego. Foto de University of Georgia Plant Pathology Archive.*

Com uma distribuição cosmopolita, o bolor-preto-do-pão é principalmente saprófito, crescendo em frutas podres e no pão. Durante sua fase reprodutiva, ele pode ser percebido como um bolor preto e peludo, como na foto acima. Eventualmente essa espécie também pode causar uma infecção no rosto e na orofaringe de humanos, mas mais frequentemente ela pode ser um patógeno de muitas espécies de plantas, assim tendo importância econômica.

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Uma olhada mais de perto nos esporângios de Rhizopus stolonifer. Foto de Stanislav Krejčik.*

O bolor-preto-do-pão é um fungo da ordem Mucorales, conhecidos como bolores-alfinete porque seus esporângios (as estruturas que contêm os esporos sexuais) lembram um alfinete. Estes esporângios, que são pretos, são o que geralmente notamos crescendo na comida que está estragando. Quando os esporângios estão maduros, eles liberam esporos de dois tipos que germinam e originam dois tipos de hifas (conhecidas como + e -) e, quando duas hifas de tipos opostos entram em contato, elas se fundem e criam um zigósporo, que então cresce para originar novos esporângios.

Devido à sua importância como uma praga econômica, há muitos estudos tentando encontrar formas de se livrar dele e muito poucos estudos tentando entender as coisas fascinantes que ele esconde. Que pena.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life: Rhizopus stolonifer. Disponível em <http://eol.org/pages/2944808/overview >. Acesso em 14 de janeiro de 2107.

Hernández-Lauzardo, A., Bautista-Baños, S., Velázquez-del Valle, M., Méndez-Montealvo, M., Sánchez-Rivera, M., & Bello-Pérez, L. (2008). Antifungal effects of chitosan with different molecular weights on in vitro development of Rhizopus stolonifer (Ehrenb.:Fr.) Vuill Carbohydrate Polymers, 73 (4), 541-547 DOI: 10.1016/j.carbpol.2007.12.020

Wikipedia. Black bread mold. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Black_bread_mold >. Access em 14 de janeiro de 2017.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

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Novas Espécies: 11 a 20 de janeiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de janeiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

polypaguropsis_mollymullerae

Polypaguropsis mollymullerae é um novo caranguejo-eremita descrito nos últimos 10 dias e que tem uma moreia como amiga.

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Esponjas

Platelmintos

Anelídeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Sexta Selvagem: Kelp-Gigante

por Piter Kehoma Boll

Esta semana ficaremos no mar e conheceremos uma das algas mais impressionantes, o kelp-gigante, Macrocystis pyrifera. Ele é chamado de gigante por uma boa razão, já que pode crescer até 50 metros em comprimento e formar verdadeiras florestas no mar. Sendo capaz de crescer 60 cm em um único dia, ele tem o crescimento linear mais rápido de qualquer organismo na Terra.

O kelp-gigante é uma alga marrom, assim não é relacionado (ao menos não proximamente) a algas verdes ou vermelhas, mas é um parente das minúsculas diatomáceas que cobrem o oceano. Ele cresce em águas frias ao longo do costa do Pacífico nas Américas e próximo à costa de países próximos à Antártida, tal como Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

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É mesmo uma bela alga, não é? Foto da California Academy of Sciences.*

Este incrível organismo é composto por um talo que se ramifica na base e então continua como um pedúnculo único e muito longo do qual lâminas se desenvolvem a intervalos regulares de apenas um lado. Na base de cada lâmina, há uma bexiga de gás que ajuda o organismo inteiro a se manter mais ou menos em posição vertical.

As enormes florestas de kelp nos oceanos são um ecossistema importante e muitas espécies dependem delas para sobreviver, incluindo outras algas. Humanos também usam o kelp gigante tanto como uma fonte direta de alimento quanto como uma fonte de suplementos alimentares, uma vez que a alga é rica em muitos minerais, especialmente iodo e potássio, bem como muitas vitaminas.

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As florestas de kelp sustentam uma enorme diversidade de formas de vida nos oceanos. Foto de Stef Maruch.**

Nas últimas décadas, as populações de kelp estão diminuindo rapidamente. Isso provavelmente é  causado pelas mudanças climáticas, já que essa alga não consegue se desenvolver em temperaturas acima de 21ºC. O kelp-gigante é, portanto, só mais uma vítima do aquecimento global. E se ele se extinguir, um ecossistema inteiro desaparecerá com ele.

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Referências:

Foster, M. (1975). Algal succession in a Macrocystis pyrifera forest Marine Biology, 32 (4), 313-329 DOI: 10.1007/BF00388989

Wikipedia. Macrocystis pyrifera. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Macrocystis_pyrifera&gt;. Acesso em 19 de janeiro de 2007.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 3.0 Não Adaptada.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Esponja-vaso-ramificada

por Piter Kehoma Boll

Um grupo de animais fascinantes que ainda não apareceu na Sexta Selvagem são as esponjas. Diferente de todos os outros animais, as esponjas possuem uma estrutura corporal única que se comporta mais como uma planta ou um fungo. Elas crescem de forma irregular ou radial e são geralmente ramificadas. Mais que isso, elas têm milhares de pequenas bocas ao longo do corpo, chamadas de poros, que sugam água do ambiente para filtrar alimento dela.

Mas vamos falar da nossa espécie. Vivendo no Mar do Caribe, seu nome é Callyspongia vaginalis, comumente conhecida em inglês como branching vase sponge, nome que adaptei em português para esponja-vaso-ramificada. Seu formato típico é de um tubo ou conjunto de tubos, às vezes ramificados, que podem atingir vários centímetros de comprimento e geralmente cerca de 3 cm de diâmetro. A cor pode variar de rosa ou lavanda a cores mais apagadas, como marrom ou cinza.

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Um cano lavanda de Callyspongia vaginalis. Foto de Mark Rosenstein.*

Como a maioria das esponjas, a esponja-vaso-ramificada se alimenta de pequenas partículas e microrganismos que filtra da água. Como a concentração de partículas na água aumenta com a profundidade, organismos crescendo mais ao fundo geralmente crescem mais depressa por causa da maior disponibilidade de alimento.

Os principais predadores da esponja-vaso-ramificada são peixes. Eles na verdade agem mais como herbívoros comendo plantas, já que não comem a esponja inteira e geralmente não a matam, mas mordem sua superfície, arrancando pedaços.

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Um indivíduo grande e ramificado da esponja-vaso-ramificada. Foto de Paul Asman e Jil Lenoble.**

Ofiúros (estrelas-serpentes), especialmente do gênero Ophiothrix, tal como Ophiothrix lineata, são frequentemente encontrados vivendo dentro da cavidade principal da esponja. Ali, esses animais encontram abrigo de predadores e, à noite, quando o ambiente está mais seguro, eles estendem seus braços para fora e limpam a esponja de partículas orgânicas grandes, se alimentando delas. É uma associação mutuamente benéfica.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Callyspongia vaginalis. Available at <http://eol.org/pages/1163688/overview&gt;. Access on January 12, 2017.

Hendler, G. (1984). The Association of Ophiothrix lineata and Callyspongia vaginalis: A Brittlestar-Sponge Cleaning Symbiosis? Marine Ecology, 5 (1), 9-27 DOI: 10.1111/j.1439-0485.1984.tb00304.x

Hoppe, W. (1988). Growth, regeneration and predation in three species of large coral reef sponges Marine Ecology Progress Series, 50, 117-125 DOI: 10.3354/meps050117

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Novas Espécies: 1 a 10 de janeiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de janeiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

cratera_aureomaculata

Cratera aureomaculata é uma nova espécie de planária terrestre descrita nos últimos 10 dias.

Plantas

Fungos

Platelmintos

Anelídeos

Nematomorfos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

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Sexta Selvagem: Conan a bactéria

por Piter Kehoma Boll

A maioria das pessoas concordaria que 2016 foi um ano difícil. Então vamos tentar fazer 2017 melhor começando-o com uma espécie durona na Sexta Selvagem, na verdade uma das mais duronas de todas: Conan a bactéria, ou Deinococcus radiodurans.

Um parente da Taq, Conan a bactéria é uma bactéria consideravelmente grande, medindo 1.5 a 3.5 µm de diâmetro e geralmente formando grupos de quatro organismos presos entre si, uma formação conhecida como tétrade. Ela é uma bactéria extremófila, capaz de resistir a ambientes bem inóspitos. Na verdade, Conan a bactéria é um dos organismos mais resistentes à radiação conhecidos até o momento e também pode resistir a extremos de frio, desidratação, vácuo e ácido. Seu nome popular foi baseado no personagem Conan o bárbaro.

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Uma tétrade de Deinococcus radiodurans.

Conan a bactéria foi descoberta em 1956 durante um experimento que tentou esterilizar comida enlatada usando altas doses de radiação. Uma bactéria sobreviveu às altas doses de radiação gama e foi identificada como uma espécie nova.

Mais tarde, um grupo de cientistas sugeriu que o alto grau de radiorresistência era uma adaptação ao ambiente marciano, de forma que essa poderia ser uma bactéria alienígena! Mas isso na verdade é besteira. Conan a bactéria não tem nada significativamente diferente de outras formas de vida na Terra, mas como tal resistência à radiação evoluiu? A radiação de fundo na Terra é muito fraca, de forma que isso não poderia ter surgido por seleção natural.

Os resultados de alguns experimentos publicados em 1996 revelaram que linhagens de D. radiodurans que são suscetíveis à dessecação também são suscetíveis à radiação. Assim, a explicação mais provável é que a alta resistência à radiação é simplesmente um efeito colateral da resistência à dessecação, uma condição muito mais comum no ambiente da bactéria.

O mecanismo que permite Conan a bactéria suportar a radiação é muito complexo, mas inclui a habilidade de reconstruir sequências de DNA de fragmentos, o que é auxiliado pelo fato de cada célula conter quatro cópias do cromossomo bacteriano, de forma que uma sequência parcialmente danificada pode servir de modelo para reparar outra sequência parcialmente danificada.

Nossos camaradinhas minúsculos são sempre cheios de surpresas incríveis!

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Referências:

Mattimore, V., & Battista, J. (1996). Radioresistance of Deinococcus radiodurans: functions necessary to survive ionizing radiation are also necessary to survive prolonged desiccation. Journal of Bacteriology, 178 (3), 633-637 DOI: 10.1128/jb.178.3.633-637.1996

Wikipedia. Deinococcus radiodurans. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Deinococcus_radiodurans&gt;. Access on January 2, 2017.

Zahradka, K., Slade, D., Bailone, A., Sommer, S., Averbeck, D., Petranovic, M., Lindner, A., & Radman, M. (2006). Reassembly of shattered chromosomes in Deinococcus radiodurans Nature DOI: 10.1038/nature05160

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