Arquivo da categoria: protistas

Sexta Selvagem: Diatomácea-navio-lira

por Piter Kehoma Boll

É hora da nossa próxima diatomácea e, assim como com o radiolário da semana passada, é uma tarefa difícil encontrar boas imagens e boas informações de qualquer espécie para apresentar aqui.

Hoje vou apresentar uma espécie do gênero mais diverso (eu acho, ou ao menos um dos mais diversos) de diatomáceas, Navicula, um nome que significa “naviozinho” em latim devido ao formato das células. Há mais de 1200 espécies no gênero, e uma delas é chamada Navicula lyra, que eu decidi chamar de diatomácea-navio-lira. Também a encontrei com o nome Lyrella lyra, sendo a espécie-tipo de um gênero Lyrella (lirazinha) que foi separado de Navicula. Eu não sei qual é a forma oficial hoje em dia, mas parece que Lyrella às vezes é algo como um subgênero de Navicula, apesar de algumas vezes os dois gêneros não estarem nem na mesma família!

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Navicula lyra, um naviozinho-lira. Foto de Patrice Duros.*

Enfim, a diatomácea-navio-lira é uma espécie planctônica que é encontrada em oceanos do mundo, estando presente em listas de espécies de todos os lugares. Ela mede cerca de 100 µm ou menos, um tamanho típico para uma diatomácea.

Como com outras diatomáceas nos gêneros NaviculaLyrella, a diatomácea-navio-lira possui diferentes variedades, que poderão eventualmente se revelarem espécies distintas, eu acho. Veja, por exemplo, a variedade constricta mostrada abaixo. Ela parece consideravelmente diferente da imagem acima, a qual aprece ser da variedade-tipo.

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Lyrella lyra var. constricta. Extraído de Siqueiros-Beltrones et al. (2017)

Apesar de ser uma espécie amplamente disseminada, pouco parece ser conhecido da história natural da diatomácea-navio-lira. Você não está interessado em estudar a ecologia desses pequeninos barcos de vidro?

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Referências:

Nevrova, E.; Witkowski, A.; Kulikovskiy, M.; Lange-Bertalot, H.; Kociolek, J. P. (2013) A revision of the diatom genus Lyrella Karayeva (Bacillariophyta: Lyrellaceae) from the Black Sea, with descriptions of five new species. Phytotaxa 83(1): 1–38.

Siqueiros-Beltrones, D. A.; Argumedo-Hernández, U.; López-Fuerte, F. O. (2017) New records and combinations of Lyrella (Bacillariophyceae: Lyrellales) from a protected coastal lagoon of the northwestern Mexican Pacific. Revista Mexicana de Biodiversidad 88(1): 1–20.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Radiolário-esponja-de-espinhos-torcidos

por Piter Kehoma Boll

É hora do nosso próximo radiolário. Como de costume, é difícil encontrar boas informações de qualquer espécie. (Se você trabalha com radiolários e tem boas fontes disponíveis e espécies legais para sugerir, por favor, nos contate!)

É difícil encontrar imagens de radiolários vivos, especialmente aqueles identificados a nível específico, mas um que encontrei pode ser visto abaixo e é chamado Spongosphaera streptacantha, ou o radiolário-esponja-de-espinhos-torcidos, como eu decidi chamá-los.

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Uma bela foto de uma Spongosphaera streptacantha viva. Extraído de Galerie de l’Observatoire Océanologique de Villefranche-sur-Mer.

O radiolário-esponja-de-espinhos-torcidos é encontrado em águas quentes dos oceanos Atlântico e Pacífico (talvez do Índico também?) e, como pode-se ver, pode ter um diâmetro de mais de 1 mm se contarmos os espinhos mais longos. Como com a maioria dos radiolários, a célula desta espécie tem duas conchas concêntricas e um conjunto de espinhos que ocorrem num número de 6 a 15.

O alimento do radiolário-esponja-de-espinhos-torcidos consiste de organismos menores, como bactérias e algas, que ele captura com seus longos pseudópodes em forma de bastão chamados actinópodes.

Como com a maioria dos radiolários, o radiolário-esponja-de-espinhos-torcidos é pouco estudado em relação à sua ecologia. Esperemos que mais pessoas se interessem em estudar este fascinante grupo de organismos.

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Referências:

Kurihara, T.; Matsuoka, A. (2004) Shell structure and morphological variation in Spongosphaera streptacanthaHaeckel (Spumellaria, Radiolaria). Science Reports of Niigata University (Geology), 19: 35–48. http://hdl.handle.net/10191/2141

Matsuoka, A. (2007) Living radiolarian feeding mechanisms: new light on past marine ecosystems. Swiss Journal of Geosciences, 100: 273-279. https://dx.doi.org/10.1007/s00015-007-1228-y

Radiolaria.org: Spongosphaera streptacantha. Disponível em: < http://www.radiolaria.org/species.htm?sp_id=90 >. Acesso em 8 de agosto de 2017.

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Sexta Selvagem: Mixomiceto-celular-rosa

por Piter Kehoma Boll

Protistas sempre foram organismos problemáticos, e a espécie da Sexta Selvagem de hoje é uma das mais problemáticas. Conhecida cientificamente como Acrasis rosea, ela não tem um nome comum, como vocês já devem ter adivinhado, mas vou chamá-la de mixomiceto-celular-rosa, a tradução de um termo em inglês que encontrei em uma publicação.

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Células (nem tão) isoladas de Acrasis rosea. Foto de Shirley Chio.*

O mixomiceto-celular-rosa é um organismo unicelular com um formato ameboide. Ele se alimenta de uma variedade de bactérias e leveduras e é comumente encontrado em matéria vegetal em decomposição. Quando o suprimento de alimento é completamente consumido e as células começam a passar fome, elas se juntam e formam uma colônia que age como um único organismo que se move como um plasmódio similar aos mixomicetos. Por essa razão, elas foram originalmente chamadas de mixomicetos celulares e consideradas relacionadas a outros organismos que mostram um comportamento similar, como os do gênero Dictyostelium.

Este plasmódio se move através da formação de “pseudópodes”. Eventualmente as células começam a formar uma pilha, se elevando no ar, e produzem corpos de frutificação na forma de cadeias ramificadas de esporos. Há uma ligeira divisão de tarefas entre o talo e os esporos, mas ambos os grupos de células são viáveis para produzir a nova geração.

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As cadeias de esporos são visíveis nesta imagem do mixomiceto-celular-rosa durante sua fase de plasmódio. Foto de Shirley Chio.*

Todo o processo é similar ao que é visto em espécies de Dictyostelium, mas a divisão de tarefas e a morfologia do plasmódio e dos corpos de frutificação são um pouco mais complexas. Contudo, com o avanço da filogenia molecular, toda a classificação de mixomicetos e mixomicetos celulares caiu por terra.

Enquanto Acrasis revelou ser um excavado, sendo mais proximamente relacionado a organismos como as euglenas e os flagelados parasitas, Dictyostelim é proximamente relacionado aos mixomicetos verdadeiros, como o limo-de-muitas-cabeças já apresentado aqui.

Mas os excavados ainda são um grupo problemático entre os protistas, e assim a real posição do mixomiceto-celular-rosa pode ainda não estar estabelecida.

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Referências:

Bonner, J. T. (2003) Evolution of development in the cellular slime molds. Evolution and Development 5(3): 305–313. http://dx.doi.org/10.1046/j.1525-142X.2003.03037.x

Olive, L. S.; Dutta, S. K.; Stoianovitch, C. (1961) Variation in the cellular slime mold Acrasis rosea*. Journal of Protozoology 8(4): 467–472. https://dx.doi.org/10.1111/j.1550-7408.1961.tb01243.x

Page, F. C. (1978) Acrasis rosea and the possible relationship between Acrasida and Schizopyrenida. Archiv für Protistenkunde 120(1–2): 169–181. https://doi.org/10.1016/S0003-9365(78)80020-7

Weitzman, I. (1962) Studies on the nutrition of Acrasis roseaMycologia 54(1): 113–115.

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Sexta Selvagem: Ameba-Gigante

por Piter Kehoma Boll

O adjetivo “gigante” pode ser bem relativo. Em relação a microrganismos, mesmo algo com poucos milímetros pode ser considerado um gigante, e esse é o caso com a ameba-gigante Chaos carolinense (às vezes erroneamente grafado como Chaos carolinensis).

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Uma bagunça caótica como toda boa ameba. Foto de Tsukii Yuuji.

Medindo até 5 mm de comprimento, a ameba-gigante é um organismo de água doce que é facilmente visto a olho nu e, visto que também é facilmente cultivado no laboratório, se tornou amplamente usado em estudos de laboratório.

Assim como acontece com as amebas em geral, a ameba-gigante tem uma célula irregular com vários pseudópodes que podem se contrair e expandir. A célula tem centenas de núcleos, como é comum com espécies do gênero Chaos, sendo esta a principal diferença entre elas e o gênero Amoeba, que é proximamente relacionado.

A dieta da ameba-gigante é variável e inclui bactérias, algas, protozoários e até alguns animais pequenos. No laboratório, elas geralmente são alimentadas com ciliados do gênero Paramecium.

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Um espécie de Chaos carolinense se alimentando de vários indivíduos de Paramecium. Foto de Carolina Biological Supply Company.*

A ameba-gigante não seria um belo ser unicelular de estimação?

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Referências:

Tan, O. L. L.; Almsherqi, Z. A. M.; Deng, Y. (2005) A simple mass culture of the amoeba Chaos carolinense: revisit. Protistology, 4(2): 185–190.

Wikipedia. Chaos (genus). Disponível e <https://en.wikipedia.org/wiki/Chaos_(genus) >. Acesso em 20 de junho de 2017.

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Sexta Selvagem: Míldio-da-Alface

por Piter Kehoma Boll (Read this post in English)

Semana passada eu apresentei um sério patógeno de plantas, o bolor-cinzento, que ataca muitas plantas cultivadas e possui um papel tanto bom quanto ruim em videiras. Mas uma planta que nunca está feliz com uma infecção pelo bolor-cinzento é certamente a alface. E neste caso nosso vegetal suculento tem um inimigo que o torna suscetível ao bolor, e eu vou apresentá-lo hoje.

Chamado Bremia lactucae, este organismo é um oomiceto, assim pertencendo a um grupo de organismos que era antigamente classificado como sendo fungos, mas que atualmente se sabe que são mais proximamente relacionados às algas marrons e douradas. Esta espécie ataca pés de alface e plantas proximamente relacionadas, causando uma doença chamada míldio-da-alface.

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Uma folha de alface com míldio. Foto de Gerald Holmes.*

O míldio-da-alface é a doença mais importante afetando alfaces no mundo todo. A doença em si não é o problema principal, apesar de diminuir a qualidade das plantas. O maior problema é que ela torna o vegetal mais vulnerável a outras infecções, tal como as do bolor-cinzento, e também aumenta o risco de contaminação por patógenos humanos, como os parasitas intestinais.

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Um ramo de míldio-da-alface sob o microscópio. Foto de Bruce Watt.*

As formas típicas de controlar a disseminação do míldio-da-alface são o uso de fungicidas e o desenvolvimento de alfaces resistentes ao míldio por hibridização com variedades selvagens e naturalmente resistentes. Contudo, como de costume, o míldio-da-alface eventualmente se adapta a isso, levando a linhagens resistentes a fungicidas, bem como a linhagens capazes de neutralizar a resistência das linhagens de alface. É mais uma corrida armamentista evolutiva.

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Referências:

Beharav, A., Ochoa, O., & Michelmore, R. (2013). Resistance in natural populations of three wild Lactuca species from Israel to highly virulent Californian isolates of Bremia lactucae Genetic Resources and Crop Evolution, 61 (3), 603-609 DOI: 10.1007/s10722-013-0062-5

Parra, L., Maisonneuve, B., Lebeda, A., Schut, J., Christopoulou, M., Jeuken, M., McHale, L., Truco, M., Crute, I., & Michelmore, R. (2016). Rationalization of genes for resistance to Bremia lactucae in lettuce Euphytica, 210 (3), 309-326 DOI: 10.1007/s10681-016-1687-1

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Sexta Selvagem: Toxo

por Piter Kehoma Boll

Se eu tivesse que apostar em um parasita que você que está lendo isso provavelmente tem no corpo, eu apostaria no camarada da Sexta Selvagem de hoje, o protista Toxoplasma gondii, às vezes chamado simplesmente de toxo.

Encontrado no mundo inteiro, o toxo é um dos parasitas humanos mais comuns, com estimativas de que metade da população mundial esteja infectada. Felizmente, essa criatura geralmente ocorre em uma forma latente e não oferece grandes ricos, mas eventualmente ela pode se desenvolver em uma condição mais séria chamada toxoplasmose, especialmente em pessoas com imunidade fraca.

Mas vamos dar uma olhada mais de perto nesse camaradinha.

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Oocistos de Toxplasma gondii. Essa é a forma encontrada no ambiente e que pode começar uma infecção no seu corpo.

O toxo é um protista que pertence ao filo Apicomplexa, o grupo de alveolados parasitas que também inclui o agente que causa a malária. Apesar de ser tradicionalmente considerado um protozoário, os apicomplexos são proximamente relacionados a dinoflagelados (que são geralmente considerados um grupo de algas). Eles possuem uma organela peculiar chamada apicoplasto que eles usam para penetrar a célula do hospedeiro. O apicoplasto é derivado de um plastídeo (tal como o cloroplasto), de forma que podemos dizer que apicomplexos são algas que evoluíram para parasitas intracelulares!

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Taquizoítos de Toxoplasma gondii corados com Giesma, vindos do fluido peritonial de um camundongo.

O ciclo de vida do toxo é um tanto complexo. Vamos começar com sua forma inativa chamada oocisto, o qual pode ser encontrado no ambiente. Se um animal de sangue quente ingerir um oocisto, ele vai “estourar” dentro do intestino do animal e liberar várias formas “rápidas” chamadas taquizoítos. Os taquizoítos invadem quase qualquer célula do corpo e se multiplicam assexuadamente dentro dela até que a célula morra e os liberte, permitindo que infectem mais e mais células. Quando invadem o encéfalo, o fígado e os músculos, os taquizoítos geralmente se diferenciam em cistos que se tornam inativos. Neste estágio, a única coisa que o toxo quer é que um gato (qualquer espécie da família Felidae) coma o hospedeiro. Ele pode até mesmo alterar o comportamento do hospedeiro para que ele se torne mais ousado e mais acessível a predadores.

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Um cisto de Toxoplasma gondii que se forma nos músculos, no encéfalo e no fígado de qualquer animal de sangue quente. Tudo o que o cisto quer é ser comido por um gato!

Agora imaginemos que um gato tenha comido o hospedeiro (que provavelmente era uma ave ou um roedor). Dentro do intestino do gato, o cisto estoura e libera várias formas “lentas” chamadas bradizoítos. Essa forma invade as células epiteliais do intestino do gato e se multiplica assexuadamente dentro dela. Eventualmente, os bradizoítos se diferenciam em taquizoítos ou gametócitos (células parecidas com espermatozoides e óvulos). Quando dois gametócitos se fundem, eles formam um zigoto que matura em um oocisto que é liberado no ambiente, recomeçando o ciclo.

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O complexo ciclo de vida do Toxoplasma gondii. Créditos a Mariana Ruiz Vilarreal.

Como sempre, a vida de parasitas é uma aventura maravilhosa!

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Referências:

Tenter, A., Heckeroth, A., & Weiss, L. (2000). Toxoplasma gondii: from animals to humans International Journal for Parasitology, 30 (12-13), 1217-1258 DOI: 10.1016/S0020-7519(00)00124-7

Wikipedia. Toxoplasma gondii. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Toxoplasma_gondii&gt;. Access on March 6, 2017.

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Sexta Selvagem: Alga-aranha-rastejante

por Piter Kehoma Boll

O mundo de criaturas unicelulares inclui espécies fascinantes, algumas das quais já foram apresentadas aqui. E hoje mais uma está chegando, o protista ameboide marinho fitoplanctônico Chlorarachnion reptans, que de novo é uma espécie sem nome comum, de forma que eu criei um: alga-aranha-rastejante.

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Um plasmódio da alga-aranha-rastejante Chlorarachnion reptans. Foto do usuário do Wikimedia NEON*.

A alga-aranha-rastejante foi descoberta nas Ilhas Canárias em 1930. Ela é uma alga ameboide que forma plasmódios (redes multinucleadas) de células conectadas por finos filamentos de citoplasma (reticulopódios). Os reticulopódios também são usados para capturar presas (bactérias e protistas menores, especialmente algas), funcionando mais ou menos como uma teia de aranha. Adicionalmente, a alga-aranha-rastejante tem cloroplastos, de forma que pode realizar fotossíntese. Ela é, portanto, um organismo mixotrófico, tendo mais de uma maneira de se alimentar.

Os cloroplastos da alga-aranha-rastejante, bem como de outras espécies no grupo, chamado Chlorarachniophyceae, têm quatro membranas e parece ter evoluído de uma alga verde que foi ingerida e se tornou um endossimbionte. Como resultado, o cloroplasto da alga-aranha-rastejante tem dois conjuntos de DNA, um do cloroplasto original que veio de uma bactéria endossimbionte (localizado dentro da membrana interna), e um da alga verde (entre as duas membranas internas e as duas externas).

Apesar de tradicionalmente vistas como um grupo de algas, as cloraracniófitas não são proximamente relacionadas com nenhuma das algas mais “típicas”, como as vermelhas, verdes, marrons e douradas ou diatomáceas. Elas na verdade são parentes de outros protistas com finos pseudópodes em forma de redes ou fios, como os radiolários e foraminíferos, formando com eles o grupo Rhizaria.

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Referências:

AlgaeBase. Chlorarachnion reptans Geitler. Disponível em <http://www.algaebase.org/search/species/detail/?species_id=59340&gt;. Acesso em 5 de março de 2017.

EOL – Encyclopedia of Life. Chlorarachnion reptans. Disponível em <http://eol.org/pages/897235/overview&gt;. Acesso em 5 de março de 2017.

Hibberd, D., & Norris, R. (1984). Cytology and ultrastructure of Chlorarachnion reptans (Chlorarachniophyta divisio nova, Chlorarachniophyceae classis nova) Journal of Phycology, 20 (2), 310-330 DOI: 10.1111/j.0022-3646.1984.00310.x

Ludwig, M., & Gibbs, S. (1989). Evidence that the nucleomorphs of Chlorarachnion reptans (Chloraracnhiophyceae) are vestigial nuclei: morphology, division and DNA-DAPI fluorescence Journal of Phycology, 25 (2), 385-394 DOI: 10.1111/j.1529-8817.1989.tb00135.x

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.5 Genérica.

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