Arquivo da categoria: Biografias

Quarta de Quem: Harry Johnston

por Piter Kehoma Boll

Mais um político que um naturalista, hoje nos lembramos de um explorador britânico que foi central na bagunça que a Europa fez da África, mas também importante em registrar a cultura e a biodiversidade africanas.

Henry Hamilton Johnston, mais conhecido como Harry Johnston, nasceu em 12 de junho de 1858 em Londres, filho de John Brookes Johnstone e Esther Laetitia Hamilton. Ele estudou na escola de gramática de Stockwell e mais tarde no King’s College London, depois do qual estudou pintura na Real Academia por quatro anos. Durante seus estudos, ele viajou através da Europa e visitou o interior da Tunísia.

Em 1882, aos 24 anos, ele viajou ao sul de Angola com o Earl de Mayo (que eu acho que era Dermot Bourke naquela época). Viajando para o norte a partir dali, ele encontrou o explorador galês Henry Morton Stanley no Rio Congo no ano seguinte. Lá, ele se tornou um dos primeiros europeus a ver o Rio Congo acima da Lagoa Stanley (atualmente conhecida como Lagoa Malebo), um alargamento do rio próximo às cidades de Kinshasa e Brazzaville. Ele publicou um livro em 1884 chamado “The River Congo: From its Mouth to Bolobo” e, no mesmo ano, foi nomeado líder de uma expedição científica ao Monte Kilimanjaro, na atual Tanzânia. Nesta expedição, ele conseguiu fazer tratados com vários chefes locais. Os registros desta expedição foram publicados em 1886 em seu livro “The Kilema-Njaro Expedition”.

Em 1886, o governo britânico nomeou Johnston o vice-cônsul de Camarões e da área do delta do Rio Níger. Os britânicos haviam reivindicado a área, mas o líder local, Jaja de Opobo, recusou ceder o território. Convidado por Johnston para negociar, Jaja foi preso e deportado para Londres. Durante os anos seguintes, Johnston tomou parte em várias expedições e missões diplomáticas que ajudaram o Império Britânico a dominar mais e mais do território da África.

Harry Johnston, provavelmente durante a década de 1880.

Em 1896, Johnston se casou com Winifred Mary Irby, filha do quinto Barão Boston. Naquele mesmo ano, afligido por febres tropicais, ele foi transferido para Tunis como general-cônsul de forma a se recuperar. Em 1899, ele foi enviado a Uganda como comissionário especial para terminar uma guerra em andamento. Lá, ele descobriu que um produtor de shows estava raptando moradores pigmeus do Congo para exibi-los. Johnston ajudou a resgatá-los e os pigmeus mencionaram a ele uma criatura, um tipo de “burro unicórnio” anteriormente citado por Stanley. Havia alguns registros de exploradores vendo um animal com um padrão de zebra se movendo pelo mato e a expectativa era que ele fosse algum tipo de cavalo da floresta. Os pigmeus mostraram rastros da criatura a Johnston e ele ficou surpreso ao descobrir que na verdade era uma besta de casco dividido, e não com um só casco por pata como num cavalo. Johnston nunca viu o animal, mas conseguiu obter pedaços da pele listrada e um crânio, o que levou a criatura a ser classificada como Equus johnstoni em 1901. A inclusão no gênero Equus foi motivada principalmente pelos pigmeus se referindo à criatura como um tipo de equino. Análises de seu crânio, no entanto, logo concluíram que era um parente da girafa. O animal é atualmente conhecido como ocapi, ou Okapia johnstoni.

Dois pedaços de pele de ocapi enviados à Inglaterra por Johnston e a primeira evidência concreta da existência do animal.

Em 1902, quando Johnston estava de volta a Londres, sua esposa deu à luz dois filhos gêmeos, mas eles morreram poucas horas depois. O casal não teve outros filhos. Naquele mesmo ano, Johnston foi apontado membro da Sociedade Zoológica de Londres. Nos anos seguintes, ele passou a maior parte do seu tempo em casa escrevendo romances e relatos de suas viagens pela África. Em 1925, ele teve dois derrames que o paralisaram parcialmente. Ele morreu dois anos depois, em 31 de Julho de 1917, aos 69 anos.

Johnston, como todos os imperialistas de seu tempo, acreditava que os europeus, e os britânicos especialmente, eram superiores aos africanos. Não obstante, ele era contra usar a violência contra os povos subjugados e possuía uma visão mais paternalística. Apesar de tal visão ser considerada horrível hoje em dia (ou ao menos deveria parecer assim a qualquer ser humano razoável), ele era considerado um tipo de radical para seu tempo, já que os outros tinham uma visão muito pior das culturas africanas.

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Referências:

Wikipedia. Harry Johnston. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Johnston >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Wikipedia. Okapi. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Okapi >. Acesso em 11 de junho de 2019.

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Quarta de Quem: Caspar Georg Carl Reinwardt

por Piter Kehoma Boll

Esta semana ficamos mais uma vez com o século XVIII, começando na Europa, mas seguindo de lá para o outro lado do mundo.

Caspar Georg Carl Reinwardt nasceu em 5 de junho de 1773 em Lüttringhausen, que atualmente é parte da Alemanha. Ele era filho de Johann George Reinwardt e Katharina Goldenberg. Pouco após ele nascer, sua família se mudou para Remscheid. Seu pai foi seu primeiro professor, mas morreu quando Reinwardt ainda era jovem. Seu irmão mais velho, Johann Christoph Matthias Reinwardt, se mudou para Amsterdam depois da morte de seu pai e passou a trabalhar em uma farmácia. Em 1787, Caspar se mudou para Amsterdam também e começou como aprendiz na mesma farmácia. Lá, ele conheceu vários cientistas, incluindo o botânico Gerardus Vrolik.

Um jovem Caspar Reinwardt. Retrato por M. J. van Brée e R. Vinkeles. Data desconhecida.

Em Amsterdam, Reinwardt estudou química e botânica no Athenaeum Illustre, uma escola às vezes referida como a precursora da Universidade de Amsterdam, mas que não permitia que alguém obtivesse uma graduação. Não obstante, Reinwardt desenvolveu habilidades em química, medicina e botânica e recebeu, por isso, a posição de professor de história natural na Universidade de Harderwijk em 1800. Devido a suas habilidades como professor, o senado acadêmico lhe deu um doutorado honorário em 1801.

Em 1806, Amsterdam se tornou parte do Reino da Holanda, um reino fantoche criado pelo imperador Napoleão Bonaparte para seu irmão mais novo Luís Bonaparte, que foi feito rei. Apelando a Luís em 1808, Reinwardt recebeu a oferta de se tornar diretor dos jardins botânicos e zoológicos que seriam construídos. No mesmo ano, ele se tornou membro do Real Instituto dos Países Baixos.

Em 1810, Reinwardt se tornou professor em Amsterdam. Apenas três anos depois, em 1813, os Países Baixos recuperaram sua independência da França e estavam interessados em restabelecer contato com suas colônias. Reinwardt foi convidado a tomar parte da Real Comissão para as Colônias como chefe de agricultura, artes e ciência. Como resultado, ele viajou para as Índias Orientais Neerlandesas (atual Indonésia) em 1816 e conduziu várias investigações botânicas através das ilhas. Em 1817, ele fundou os Jardins Botânicos de Buitenzorg (agora Bogor) em Java e se tornou seu primeiro diretor. Durante os anos seguintes, ele juntou muitos espécimes vegetais e os enviou para a Europa, mas a maioria se perdeu em naufrágios.

Caspar Reinwardt mais velho. Autor e ano desconhecidos.

Com a morte do botânico Sebald Justinus Brugmans em 1819, a posição de professor de história natural na Universidade de Leiden ficou vazia e Reinwardt foi apontado para tomá-la. Entretanto foi permitido que ele permanecesse nas Índias Orientais Neerlandesas até 1821. Voltando em 1822, ele começou como professor de história natural em 1823. Na Universidade de Leiden, ele dedicou o resto de sua vida a química, botânica e mineralogia.

Reinwardt se aposentou em 1845 e morreu em 6 de março de 1854 aos 80 anos.

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Referências:

Wikipedia. Caspar Georg Carl Reinwardt. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Caspar_Georg_Carl_Reinwardt >. Acesso em 4 de junho de 2019.

Wikipedia (in German). Kaspar Georg Karl Reinwardt. Disponível em < https://de.wikipedia.org/wiki/Kaspar_Georg_Karl_Reinwardt >. Acesso em 4 de junho de 2019.

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Quarta de Quem: Louis-Jean-Marie Daubenton

por Piter Kehoma Boll

Depois de algumas semanas falando de pesquisadores de tempos mais recentes, hoje vamos voltar aos velhos naturalistas do século XVIII.

Hoje comemoramos o aniversário de Louis-Jean-Marie Daubenton, que nasceu em 29 de maio de 1716 em Montbard, Côte-d’Or, França. Seu pai, Jean Daubenton, era um notário e queria que seu filho se tornasse padre, assim enviando-o a Paris para estudar Teologia. O desejo de Daubenton, no entanto, era estudar medicina. Felizmente para ele (eu acho), seu pai morreu em 1736, quando Daubenton estava com 20 anos, e assim ele ficou livre para estudar o que bem quisesse.

Estudando medicina em Reims, Daubenton se graduou em 1741 e voltou a Montbard. Sua intenção era trabalhar lá como médico em tempo integral, mas as coisas mudaram um pouco somente um ano depois. O naturalista Georges-Louis Leclerc de Buffon, também de Montbard, estava planejando escrever um trabalho de vários volumes sobre História Natural, chamado Histoire naturelle, générale et particulière, e, em 1742, convidou Daubenton para ajudá-lo, especialmente com descrições anatômicas.

Devido a sua parceria com Buffon, Daubenton se tornou membro da Academia de Ciências Francesa em 1744 como botânico adjunto. Durante esse tempo, Buffon era o curador do Jardin du Roi (atualmente Jardin des plantes), o principal jardim botânico da França até hoje, e apontou Daubenton como mantenedor e demonstrador do gabinete do Rei.

Em 1749, o primeiro volume da Histoire Naturelle de Buffon foi finalmente publicado, apesar de a maioria das contribuições de Daubteon só aparecer a partir do quarto volume publicado em 1753. O trabalho incluía descrições detalhadas de 182 quadrúpedes (mamíferos) dadas por Daubenton e aumentaram sua reputação como anatomista comparativo.

Retrato de Daubenton em 1791 por Alexander Roslin.

Daubenton se tornou um dos contribuidores da famosa Encyclopédie, a primeira enciclopédia a ser escrita, escrevendo principalmente artigos sobre história natural. Ele também publicou muitos artigos nas memórias da Académie Royale des Sciences de Paris, especialmente em anatomia comparada, mas também em agricultura e mineralogia. Ele se tornou professor de mineralogia no Jardin du Roi e mais tarde também ensinou história natural no Colégio de Medicina (a partir de 1775) e economia rural no Colégio Alfort (a partir de 1783).

As opiniões políticas controversas dos escritores da Encyclopédie, que desconsideravam o Catolicismo e a Realeza, ajudaram a preparar o cenário que levou à Revolução Francesa. Em dezembro de 1799, ao fim da Revolução, Daubenton, que já estava com 83, foi apontado membro do Senado. Contudo, durante a primeira reunião em que participou, ele caiu de sua cadeira após sofrer um derrame e morreu em Paris em primeiro de janeiro de 1800.

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Referências:

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Quarta de Quem: Patricia Louise Dudley

por Piter Kehoma Boll

Hoje comemoramos o nascimento de uma figura importante no estudo dos fascinantes crustáceos copépodes.

Patricia Louise Dudley, frequentemente chamada de Pat Dudley, nasceu em 22 de maio de 1929 em Denver, Colorado, EUA, filha de David C. Dudley, um fornecedor de produtos para o Estado e Escolas, e Carolyn Dudley (nascida Latas). Seu pai morreu em 1932, quando ela tinha apenas 3 anos de idade.

Durante sua infância, Dudley morou com sua mãe e seus avós maternos em Colorado Springs. Ela fez o ensino médio no Colorado Springs High School e se formou em 1947. Logo após, ela começou sua graduação na Universidade do Colorado, onde estudou com o limnólogo Robert William Pennak. Ela obteve seu bacharelado em 1951 e permaneceu na mesma universidade para seu mestrado, tendo Pennak como orientador. Sua tese de mestrado foi uma pesquisa sobre a fauna aquática de quatro riachos em Boulder County, Colorado.

Concluindo seu mestrado em 1953, ela foi atrás de um doutorado na Universidade de Washington em Seattle. Sua intenção inicial era continuar seus estudos limnológicos, mas ela acabou conhecendo o carcinólogo Paul Louis Illg que estudava copépodes. Na Universidade de Washington e na sua estação biológica marinha em Friday Harbor, Dudley passou a dar atenção a copépodes marinhos que vivem associados a ascídias. Este grupo de copépodes possui uma variedade enorme de formas e Dudley dedicou seu doutorado a estudar os estágios de desenvolvimento destes pequenos crustáceos comensais. Ela defendeu sua tese em 1957.

Em 1959, Dudley se juntou à Universidade de Columbia e passou a ensinar zoologia no Barnard College. Ela permaneceu lá até se aposentar em 1994 e dedicou sua pesquisa ao estudo de copépodes comensais, em sua maioria associados a ascídias, mas mais tarde também a aqueles comensais em outros invertebrados marinhos, especialmente poliquetos. Ela foi um dos primeiros pesquisadores a usar microscopia eletrônica para o estudo de estruturas de copépodes.

Pat Dudley em seus últimos anos em Seattle. Extraído de https://fhl.uw.edu/wp-content/uploads/sites/17/2015/10/Patricia-L.-Dudley-Endowment.pdf

Após sua aposentadoria, Dudley se mudou de volta para Seattle e planejava continuar sua pesquisa com copépodes lá. Infelizmente, ela passou a ter problemas de saúde logo em seguida, o que a forçou a abandonar sua pesquisa. Ela ficou seriamente doente nos anos seguintes e morreu em 30 de setembro de 2004, aos 75 anos.

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Referências:

Damkaer DM (2004) Patricia Louise Dudley (22 May 1929 – 30 September 2004). Monoculus: Copepod Newsletter 48: 10.

Wikipedia. Patricia Louise Dudley. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Patricia_Louise_Dudley >. Acesso em 21 de maio de 2019.

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Quarta de Quem: Élie Metchnikoff

por Piter Kehoma Boll

Pela terceira semana em sequência, nosso cientista de destaque é um vencedor do Nobel!

Ilya Ilyich Mechnikov (em Russo: Илья Ильич Мечников), também conhecido como Élie Metchnikoff, nasceu em 15 de maio de 1845 da vila de Ivanovka na Ucrânia. Seu pai, Ilya Ivanovich Mechnikov, era um oficial russo da guarda imperial e sua mãe, Emilia Lvovna Nevakhovich, era filha do escritor Leo Nevakhovich.

Metchnikoff por volta de 1861.

Em 1856, aos 11 anos, Metchnikoff entrou para a escola Kharkiv Lycée e desenvolveu um interesse por biologia. Devido à influência de sua mãe, ele se interessava por ciência desde uma tenra idade. Ela também o convenceu a estudar ciências naturais em vez de medicina. Assim, em 1862, ele tentou estudar biologia na Universidade de Würzburg, na Alemanha, mas, como o ano acadêmico lá somente começaria no final do ano, ele acabou matriculado na Universidade de Kharkiv para estudar ciências naturais. Em 1863, ele se casou com Ludmila Feodorovitch e, em 1864, se formou aos 19 anos, completando o curso de quatro anos em dois. Naquele mesmo ano, ele foi à Alemanha para estudar a fauna marinha na ilha de Heligoland no Mar do Norte.

Após conhecer o botânico Ferdinand Cohn, Metchnikoff foi aconselhado por ele a trabalhar com o zoólogo Rudolf Leuckart na Universidade de Giessen. Junto com Leuckart, ele estudou a reprodução de nematódeos e descobriu a digestão intracelular em platelmintos. Em 1866, ele se mudou para Nápoles e trabalhou em uma tese de doutorado sobre o desenvolvimento embrionário de sépias do gênero Sepiola. Em 1867, ele se mudou para a Rússia e recebeu seu grau de doutorado com Alexander Kovalevsky da Universidade de São Petersburgo. Pelo trabalho dos dois no desenvolvimento das camadas embrionárias de invertebrados, Metchnikoff e Kovalevsky venceram o prêmio Karl Ernst von Baer.

Devido à sua competência, Metchnikoff foi apontado, ainda em 1867, professor da nova Universidade Imperial de Novorossiya (atualmente Universidade de Odessa). Ele tinha apenas 22 anos, sendo mais jovem que a maioria de seus alunos. No ano seguinte, devido a um conflito com um colega mais velho, ele foi transferido para a Universidade de São Petersburgo, mas o ambiente profissional lá era ainda pior. Ele retornou a Odessa em 1870 como professor de Zoologia e Anatomia Comparada.

Em 20 de abril de 1873, a esposa de Metchnikoff morreu de tuberculose. Este evento, combinado com seus problemas profissionais, o fizeram tentar suicídio tomando uma grande dose de ópio. Ele sobreviveu e eventualmente se recuperou e, em 1875, se casou com sua aluna Olga Belokopytova.

O assassinato de Alexandre II em 1881 levou a conflitos políticos na Rússia, os quais fizeram Metchnikoff deixar a Universidade de Odessa em 1882. Ele se mudou para a Sicília e iniciou um laboratório particular em Messina. Lá, enquanto estudava larvas de estrelas-do-mar, ele notou que, ao inserir um pequeno espino de citrus nas larvas, um grupo de células começava a rodear o espinho. Ele sugeriu que alguns glóbulos brancos no sangue eram capazes de atacar e matar patógenos, e o zoólogo Carl Friedrich Wilhelm Claus, com quem ele discutiu sua hipótese, sugeriu o nome “fagócito” para tais células.

Élie Metchnikoff por volta de 1908.

Metchnikoff apresentou seus achados sobre fagócitos em Odessa em 1883, mas sua ideia foi recebida com ceticismo por muitos especialistas, incluindo Louis Pasteur. A ideia na época era que os glóbulos brancos carregavam os patógenos para longe do local da infecção e os entregavam em outro local, espalhando-os em vez de destruí-los. Seu principal apoiador era o patologista Rudolf Virchow. De volta a Odessa, Metchnikoff foi apontado diretor de um instituto criado para produzir a vacina de Louis Pasteur contra a raiva.

Em 1885, a segunda esposa de Metchnikoff sofreu de uma febre tifoide severa. Como resultado, ele tentou suicídio mais uma vez, desta vez se injetando com bactérias espiroquetas que causam a febre recorrente. Ele sobreviveu novamente e sua esposa também sobreviveu.

Em 1888, Metchnikoff deixou Odessa novamente devido a novas dificuldades e foi a Paris pedir o conselho de Pasteur, que lhe deu uma vaga no Instituto Pasteur. Metchnikoff permaneceu lá pelo resto de sua vida. Em 1908, ele venceu o prêmio Nobel em fisiologia ou medicina devido à sua descoberta dos fagócitos. Durante seus últimos anos, ele desenvolveu uma teoria de que o envelhecimento era uma doença causada por bactérias tóxicas no intestino e que o ácido lático produzido por Lactobacillus poderia prolongar a vida.

Ele faleceu em 15 de julho de 1916 de parada cardíaca, em Paris, aos 71 anos.

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Referências:

Goldstein BI (1916) Elie Metchnikoff. The Canadian Jewish Chronicle. Disponível em < https://news.google.com/newspapers?id=BQodAAAAIBAJ&sjid=xGEEAAAAIBAJ&pg=6460,5413902&dq=%C3%A9lie+metchnikoff&hl=en >. Acesso em 14 de maio de 2019.

Wikipedia. Élie Metchnikoff. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89lie_Metchnikoff >. Acesso em 14 de maio de 2019.

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Quarta de Quem: André Michel Lwoff

por Piter Kehoma Boll

Hoje, novamente, como na semana passada, o cientista que trazemos é um ganhador do Nobel.

André Michel Lwoff nasceu em 8 de maio de 1902 em Ainay-le-Château, França. Sua mãe, Marie Siminovitch, era uma pintora e escultora, e seu pai, Solomon Lwoff, era psiquiatra. De origem russa, seus pais vieram à França para escapar da opressão do regime tsarista.

Desde tenra idade, Lwoff mostrava grande interesse em ciências experimentais, mas seu pai o pressionou para se tornar um médico. Após terminar a escola secundária em Lycée Voltaire, em Paris, Lwoff começou a estudar medicina na Faculdade de Medicina de Paris.

Como Lwoff estava nas imediações do Muséum National d’Histoire Naturelle durante este tempo, ele tomou a oportunidade para fazer um curso técnico de histologia no laboratório de Edmond Perrier. Seu interesse por ciências naturais logo chamou a atenção do biólogo Édouard Chatton, que estava apenas começando seus estudos com protistas. Aos 19 anos, Lwoff se tornou assistente de Chatton e eles trabalharam juntos por muitos anos, levando à descoberta de todo um grupo novo de protistas ciliados que chamaram de Apostomatida. Devido à influência de Chatton, Lwoff também passou a trabalhar no Instituto Pasteur com o biólogo Félix Mesnil.

No laboratório de Mesnil, Lwoff estudou diferentes grupos de protistas e tentou estabelecer uma cultura de ciliados, eventualmente sendo bem-sucedido com a espécie Tetrahymena pyriformis. Através de seus estudos, ele descobriu os requerimentos nutricionais de muitos protistas e foi capaz de arranjá-los numa ordem que expressava uma perda progressiva de funções biossintéticas. Esta ideia, de que a evolução poderia levar à perda de funções, foi a principal conclusão da tese de doutorado de Lwoff. Ele defendeu essa visão com paixão, mas isto não foi visto com bons olhos por muitos pesquisadores, que viam a evolução como um caminho contínuo em direção à complexidade.

André Lwoff por volta de 1965.

Durante os anos seguintes, Lwoff, junto com sua futura esposa Marguerite (com quem casou em 1952), trabalhou neste assunto e conseguiu provar que muitos microrganismos dependem de compostos que outros são capazes de sintetizar por conta própria, assim provando que a evolução pode de fato levar à perda de funções. Tais estudos mais tarde levaram ao desenvolvimento da genética bioquímica e da biologia molecular.

Em 1938, Lwoff se tornou chefe do Service de Physiologie Microbienne, que foi criado para ele no Instituto Pasteur. Em 1946, ele participou do Cold Spring Harbor Symposium e descobriu o trabalho com bacteriófagos, vírus que infectam bactérias, que estava sendo conduzido nos EUA por um grupo chefiado por Max Delbrück. Apesar de este grupo, chamado de phage group, ter feito descobertas importantes, Delbrück rejeitava qualquer teoria que fosse gerada por alguém de fora do grupo. Ele não aceitava a ideia de que uma bactéria pudesse liberar bacteriófagos sem ser previamente infectada por um vírus. Lwoff provou que ele estava errado e que uma única bactéria poderia eventualmente arrebentar em muitos fagos que atacariam outras bactérias. Logo ficou claro que isso acontecia porque o DNA do vírus é replicado com o DNA da bactéria durante a mitose. Lwoff chamou de “provirus” este genoma viral que é integrado ao genoma da bactéria e, em 1865, recebeu o Nobel em Medicina por esta descoberta.

Lwoff continuou a trabalhar com vírus a maior parte de sua vida, mais tarde mudando sua atenção para vírus de animais, e foi o primeiro a sugerir uma definição de vírus baseada em sua estrutura e não em seu tamanho. Ele cunhou várias novas palavras para descrever estruturas de vírus, tais como vírion, capsídeo e capsômero, e sugeriu a primeira classificação de vírus.

Ele faleceu em 30 de setembro de 1994 em Paris aos 92 anos.

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Referências:

Jacob F, Girard M (1998) André Michel Lwoff. 8 May 1902–30 September 1994. Biographical Memoirs of Fellows of the Royal Society 44: 255–263. doi: 
10.1098/rsbm.1998.0017

Wikipedia. André Michel Lwoff. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Michel_Lwoff >. Acesso em 7 de maio de 2019.

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Quarta de Quem: Santiago Ramón y Cajal

por Piter Kehoma Boll

Hoje comemoramos o nascimento do vencedor do Nobel que é considerado o pai da neurociência moderna.

Santiago Felipe Ramón y Cajal nasceu em 1º de maio de 1852 em Petilla de Aragón, Espanha. Ele era filho de Antonia Cajal e Justo Ramón Casasús, um cirurgião e professor de anatomia. Devido à profissão de seu pai, a família mudava de residência continuamente e aos 8 anos ele já havia morado em pelo menos 6 cidades diferentes.

Mais que mudar de residência, Ramón y Cajal era constantemente transferido de uma escola para outra por causa de seu comportamento rebelde e sua atitude antiautoritária. Em 1863, aos 11 anos, ele foi preso após destruir o portão do quintal de seu vizinho usando um canhão feito em casa.

Desde uma tenra idade, Ramón y Cajal mostrou grande talento como desenhista e pintor, mas seu pai não apreciava estas habilidades. Em 1868, aos 16 anos, ele foi levado por seu pai a cemitérios para encontrar restos humanos para estudos anatômicos. Seu pai esperava desenvolver nele o interesse em medicina, e a experiência realmente o fez seguir estudos nesta área.

Ramón y Cajal teve aulas de medicina na Universidade de Zaragoza, onde seu pai era professor, e graduou em 1873 aos 21 anos. Logo após, as forças armadas da Espanha abriram vagas para trabalhar no Corpo de Saúde Militar. Ramón y Cajal fez o exame e foi um dos 30 selecionados entre mais de 100 candidatos.

Retrato de Santiago Ramón y Cajal em Cuba em 1874 pintado por Izquiredo Vives.

Em 1874, ele participou de uma expedição a Cuba, que naquela época lutava por sua independência da Espanha. Ao chegar à ilha, ele foi nomeado para trabalhar como médico em uma enfermaria em Vistahermosa na província de Camagüey, que ficava no meio de um banhado. O local era incapaz de atender todos os soldados doentes atingidos por várias doenças tropicais e logo Ramón y Cajal contraiu malária e tuberculose. Sua doença, que começou a ficar mais séria com o passar do tempo, bem como os problemas administrativos com que ele tinha de lidar, o fizeram pedir por uma licença para sair de Cuba. Seu pedido foi atendido em 30 de maio de 1875 após ele ser diagnosticado com “caquexia palúdica severa”. Ele voltou à Europa em junho e visitou a cidade-spa Panticosa nos Pirineus para se curar.

De volta à Espanha, Ramón y Cajal recebeu seu doutorado em medicina em 1877 e, em 1879, se tornou diretor do Museu de Zaragoza. No mesmo ano, ele se casou com Silveria Fañanás García, com quem ele teria 12 filhos (7 meninas e 5 meninos). Ele trabalhou até 1883 na Universidade de Zaragoza e então até 1887 na Universidade de Valencia. Em ambas as universidades, ele desenvolveu estudos microscópicos sobre inflamação, cólera e a estrutura de células e tecidos epiteliais.

Em 1887, Ramón y Cajal se mudou para Barcelona e aprendeu o método de Golgi para corar neurônios com uma cor preta escura sem corar as células vizinhas. Ele melhorou o método e o usou para dedicar sua atenção ao sistema nervoso central e fez extensivos desenhos de material neural, incluindo as principais regiões do encéfalo. Em 1892, ele se tornou professor em Madri e, em 1899, diretor do Instituto Nacional de Higiene. Em 1922, ele fundou o Laboratório de Investigações Biológicas, atualmente conhecido como o Instituto Cajal.

Santiago Ramón y Cajal em 1899.

Os trabalhos de Ramón y Cajal foram os primeiros a revelar a verdadeira organização do sistema nervoso. Até então, a ideia dominante era a de que o sistema nervoso não era constituído de células indivíduais como os outros sistemas, mas que era uma rede contínua através do corpo, conhecida como teoria reticular. Um dos maiores defensores desta teoria naquele tempo era Camillo Golgi. Ironicamente, Ramón y Cajal melhorou o método para corar criado por Golgi, como mencionado acima, e o usou para provar que Golgi estava errado, levando ao desenvolvimento da atual teoria neuronal, que diz que o sistema nervoso é formado de células discretas como qualquer outro sistema.

Em 1906, Ramón y Cajal recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina junto com Golgi em reconhecimento ao trabalho dos dois na estrutura do sistema nervoso. Isso foi um tanto bizarro considerando que os dois discordavam entre si. Com esta premiação, Ramón y Cajal se tornou a primeira pessoa de origem hispânica a receber um Prêmio Nobel.

Ramón y Cajal continuou a trabalhar até sua morte em 17 de outubro de 1934 aos 82 anos.

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Referências:

Wikipedia. Santiago Ramón y Cajal. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Santiago_Ram%C3%B3n_y_Cajal >. Acesso em 30 de abril de 2019.

Wikipedia (em Espanhol). Santiago Ramón y Cajal. Disponível em <
https://es.wikipedia.org/wiki/Santiago_Ram%C3%B3n_y_Cajal >. Acesso em 30 de abril de 2019.

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