Arquivo da categoria: Biografias

Quarta de Quem: Élie Metchnikoff

por Piter Kehoma Boll

Pela terceira semana em sequência, nosso cientista de destaque é um vencedor do Nobel!

Ilya Ilyich Mechnikov (em Russo: Илья Ильич Мечников), também conhecido como Élie Metchnikoff, nasceu em 15 de maio de 1845 da vila de Ivanovka na Ucrânia. Seu pai, Ilya Ivanovich Mechnikov, era um oficial russo da guarda imperial e sua mãe, Emilia Lvovna Nevakhovich, era filha do escritor Leo Nevakhovich.

Metchnikoff por volta de 1861.

Em 1856, aos 11 anos, Metchnikoff entrou para a escola Kharkiv Lycée e desenvolveu um interesse por biologia. Devido à influência de sua mãe, ele se interessava por ciência desde uma tenra idade. Ela também o convenceu a estudar ciências naturais em vez de medicina. Assim, em 1862, ele tentou estudar biologia na Universidade de Würzburg, na Alemanha, mas, como o ano acadêmico lá somente começaria no final do ano, ele acabou matriculado na Universidade de Kharkiv para estudar ciências naturais. Em 1863, ele se casou com Ludmila Feodorovitch e, em 1864, se formou aos 19 anos, completando o curso de quatro anos em dois. Naquele mesmo ano, ele foi à Alemanha para estudar a fauna marinha na ilha de Heligoland no Mar do Norte.

Após conhecer o botânico Ferdinand Cohn, Metchnikoff foi aconselhado por ele a trabalhar com o zoólogo Rudolf Leuckart na Universidade de Giessen. Junto com Leuckart, ele estudou a reprodução de nematódeos e descobriu a digestão intracelular em platelmintos. Em 1866, ele se mudou para Nápoles e trabalhou em uma tese de doutorado sobre o desenvolvimento embrionário de sépias do gênero Sepiola. Em 1867, ele se mudou para a Rússia e recebeu seu grau de doutorado com Alexander Kovalevsky da Universidade de São Petersburgo. Pelo trabalho dos dois no desenvolvimento das camadas embrionárias de invertebrados, Metchnikoff e Kovalevsky venceram o prêmio Karl Ernst von Baer.

Devido à sua competência, Metchnikoff foi apontado, ainda em 1867, professor da nova Universidade Imperial de Novorossiya (atualmente Universidade de Odessa). Ele tinha apenas 22 anos, sendo mais jovem que a maioria de seus alunos. No ano seguinte, devido a um conflito com um colega mais velho, ele foi transferido para a Universidade de São Petersburgo, mas o ambiente profissional lá era ainda pior. Ele retornou a Odessa em 1870 como professor de Zoologia e Anatomia Comparada.

Em 20 de abril de 1873, a esposa de Metchnikoff morreu de tuberculose. Este evento, combinado com seus problemas profissionais, o fizeram tentar suicídio tomando uma grande dose de ópio. Ele sobreviveu e eventualmente se recuperou e, em 1875, se casou com sua aluna Olga Belokopytova.

O assassinato de Alexandre II em 1881 levou a conflitos políticos na Rússia, os quais fizeram Metchnikoff deixar a Universidade de Odessa em 1882. Ele se mudou para a Sicília e iniciou um laboratório particular em Messina. Lá, enquanto estudava larvas de estrelas-do-mar, ele notou que, ao inserir um pequeno espino de citrus nas larvas, um grupo de células começava a rodear o espinho. Ele sugeriu que alguns glóbulos brancos no sangue eram capazes de atacar e matar patógenos, e o zoólogo Carl Friedrich Wilhelm Claus, com quem ele discutiu sua hipótese, sugeriu o nome “fagócito” para tais células.

Élie Metchnikoff por volta de 1908.

Metchnikoff apresentou seus achados sobre fagócitos em Odessa em 1883, mas sua ideia foi recebida com ceticismo por muitos especialistas, incluindo Louis Pasteur. A ideia na época era que os glóbulos brancos carregavam os patógenos para longe do local da infecção e os entregavam em outro local, espalhando-os em vez de destruí-los. Seu principal apoiador era o patologista Rudolf Virchow. De volta a Odessa, Metchnikoff foi apontado diretor de um instituto criado para produzir a vacina de Louis Pasteur contra a raiva.

Em 1885, a segunda esposa de Metchnikoff sofreu de uma febre tifoide severa. Como resultado, ele tentou suicídio mais uma vez, desta vez se injetando com bactérias espiroquetas que causam a febre recorrente. Ele sobreviveu novamente e sua esposa também sobreviveu.

Em 1888, Metchnikoff deixou Odessa novamente devido a novas dificuldades e foi a Paris pedir o conselho de Pasteur, que lhe deu uma vaga no Instituto Pasteur. Metchnikoff permaneceu lá pelo resto de sua vida. Em 1908, ele venceu o prêmio Nobel em fisiologia ou medicina devido à sua descoberta dos fagócitos. Durante seus últimos anos, ele desenvolveu uma teoria de que o envelhecimento era uma doença causada por bactérias tóxicas no intestino e que o ácido lático produzido por Lactobacillus poderia prolongar a vida.

Ele faleceu em 15 de julho de 1916 de parada cardíaca, em Paris, aos 71 anos.

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Referências:

Goldstein BI (1916) Elie Metchnikoff. The Canadian Jewish Chronicle. Disponível em < https://news.google.com/newspapers?id=BQodAAAAIBAJ&sjid=xGEEAAAAIBAJ&pg=6460,5413902&dq=%C3%A9lie+metchnikoff&hl=en >. Acesso em 14 de maio de 2019.

Wikipedia. Élie Metchnikoff. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89lie_Metchnikoff >. Acesso em 14 de maio de 2019.

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Quarta de Quem: André Michel Lwoff

por Piter Kehoma Boll

Hoje, novamente, como na semana passada, o cientista que trazemos é um ganhador do Nobel.

André Michel Lwoff nasceu em 8 de maio de 1902 em Ainay-le-Château, França. Sua mãe, Marie Siminovitch, era uma pintora e escultora, e seu pai, Solomon Lwoff, era psiquiatra. De origem russa, seus pais vieram à França para escapar da opressão do regime tsarista.

Desde tenra idade, Lwoff mostrava grande interesse em ciências experimentais, mas seu pai o pressionou para se tornar um médico. Após terminar a escola secundária em Lycée Voltaire, em Paris, Lwoff começou a estudar medicina na Faculdade de Medicina de Paris.

Como Lwoff estava nas imediações do Muséum National d’Histoire Naturelle durante este tempo, ele tomou a oportunidade para fazer um curso técnico de histologia no laboratório de Edmond Perrier. Seu interesse por ciências naturais logo chamou a atenção do biólogo Édouard Chatton, que estava apenas começando seus estudos com protistas. Aos 19 anos, Lwoff se tornou assistente de Chatton e eles trabalharam juntos por muitos anos, levando à descoberta de todo um grupo novo de protistas ciliados que chamaram de Apostomatida. Devido à influência de Chatton, Lwoff também passou a trabalhar no Instituto Pasteur com o biólogo Félix Mesnil.

No laboratório de Mesnil, Lwoff estudou diferentes grupos de protistas e tentou estabelecer uma cultura de ciliados, eventualmente sendo bem-sucedido com a espécie Tetrahymena pyriformis. Através de seus estudos, ele descobriu os requerimentos nutricionais de muitos protistas e foi capaz de arranjá-los numa ordem que expressava uma perda progressiva de funções biossintéticas. Esta ideia, de que a evolução poderia levar à perda de funções, foi a principal conclusão da tese de doutorado de Lwoff. Ele defendeu essa visão com paixão, mas isto não foi visto com bons olhos por muitos pesquisadores, que viam a evolução como um caminho contínuo em direção à complexidade.

André Lwoff por volta de 1965.

Durante os anos seguintes, Lwoff, junto com sua futura esposa Marguerite (com quem casou em 1952), trabalhou neste assunto e conseguiu provar que muitos microrganismos dependem de compostos que outros são capazes de sintetizar por conta própria, assim provando que a evolução pode de fato levar à perda de funções. Tais estudos mais tarde levaram ao desenvolvimento da genética bioquímica e da biologia molecular.

Em 1938, Lwoff se tornou chefe do Service de Physiologie Microbienne, que foi criado para ele no Instituto Pasteur. Em 1946, ele participou do Cold Spring Harbor Symposium e descobriu o trabalho com bacteriófagos, vírus que infectam bactérias, que estava sendo conduzido nos EUA por um grupo chefiado por Max Delbrück. Apesar de este grupo, chamado de phage group, ter feito descobertas importantes, Delbrück rejeitava qualquer teoria que fosse gerada por alguém de fora do grupo. Ele não aceitava a ideia de que uma bactéria pudesse liberar bacteriófagos sem ser previamente infectada por um vírus. Lwoff provou que ele estava errado e que uma única bactéria poderia eventualmente arrebentar em muitos fagos que atacariam outras bactérias. Logo ficou claro que isso acontecia porque o DNA do vírus é replicado com o DNA da bactéria durante a mitose. Lwoff chamou de “provirus” este genoma viral que é integrado ao genoma da bactéria e, em 1865, recebeu o Nobel em Medicina por esta descoberta.

Lwoff continuou a trabalhar com vírus a maior parte de sua vida, mais tarde mudando sua atenção para vírus de animais, e foi o primeiro a sugerir uma definição de vírus baseada em sua estrutura e não em seu tamanho. Ele cunhou várias novas palavras para descrever estruturas de vírus, tais como vírion, capsídeo e capsômero, e sugeriu a primeira classificação de vírus.

Ele faleceu em 30 de setembro de 1994 em Paris aos 92 anos.

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Referências:

Jacob F, Girard M (1998) André Michel Lwoff. 8 May 1902–30 September 1994. Biographical Memoirs of Fellows of the Royal Society 44: 255–263. doi: 
10.1098/rsbm.1998.0017

Wikipedia. André Michel Lwoff. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Michel_Lwoff >. Acesso em 7 de maio de 2019.

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Quarta de Quem: Santiago Ramón y Cajal

por Piter Kehoma Boll

Hoje comemoramos o nascimento do vencedor do Nobel que é considerado o pai da neurociência moderna.

Santiago Felipe Ramón y Cajal nasceu em 1º de maio de 1852 em Petilla de Aragón, Espanha. Ele era filho de Antonia Cajal e Justo Ramón Casasús, um cirurgião e professor de anatomia. Devido à profissão de seu pai, a família mudava de residência continuamente e aos 8 anos ele já havia morado em pelo menos 6 cidades diferentes.

Mais que mudar de residência, Ramón y Cajal era constantemente transferido de uma escola para outra por causa de seu comportamento rebelde e sua atitude antiautoritária. Em 1863, aos 11 anos, ele foi preso após destruir o portão do quintal de seu vizinho usando um canhão feito em casa.

Desde uma tenra idade, Ramón y Cajal mostrou grande talento como desenhista e pintor, mas seu pai não apreciava estas habilidades. Em 1868, aos 16 anos, ele foi levado por seu pai a cemitérios para encontrar restos humanos para estudos anatômicos. Seu pai esperava desenvolver nele o interesse em medicina, e a experiência realmente o fez seguir estudos nesta área.

Ramón y Cajal teve aulas de medicina na Universidade de Zaragoza, onde seu pai era professor, e graduou em 1873 aos 21 anos. Logo após, as forças armadas da Espanha abriram vagas para trabalhar no Corpo de Saúde Militar. Ramón y Cajal fez o exame e foi um dos 30 selecionados entre mais de 100 candidatos.

Retrato de Santiago Ramón y Cajal em Cuba em 1874 pintado por Izquiredo Vives.

Em 1874, ele participou de uma expedição a Cuba, que naquela época lutava por sua independência da Espanha. Ao chegar à ilha, ele foi nomeado para trabalhar como médico em uma enfermaria em Vistahermosa na província de Camagüey, que ficava no meio de um banhado. O local era incapaz de atender todos os soldados doentes atingidos por várias doenças tropicais e logo Ramón y Cajal contraiu malária e tuberculose. Sua doença, que começou a ficar mais séria com o passar do tempo, bem como os problemas administrativos com que ele tinha de lidar, o fizeram pedir por uma licença para sair de Cuba. Seu pedido foi atendido em 30 de maio de 1875 após ele ser diagnosticado com “caquexia palúdica severa”. Ele voltou à Europa em junho e visitou a cidade-spa Panticosa nos Pirineus para se curar.

De volta à Espanha, Ramón y Cajal recebeu seu doutorado em medicina em 1877 e, em 1879, se tornou diretor do Museu de Zaragoza. No mesmo ano, ele se casou com Silveria Fañanás García, com quem ele teria 12 filhos (7 meninas e 5 meninos). Ele trabalhou até 1883 na Universidade de Zaragoza e então até 1887 na Universidade de Valencia. Em ambas as universidades, ele desenvolveu estudos microscópicos sobre inflamação, cólera e a estrutura de células e tecidos epiteliais.

Em 1887, Ramón y Cajal se mudou para Barcelona e aprendeu o método de Golgi para corar neurônios com uma cor preta escura sem corar as células vizinhas. Ele melhorou o método e o usou para dedicar sua atenção ao sistema nervoso central e fez extensivos desenhos de material neural, incluindo as principais regiões do encéfalo. Em 1892, ele se tornou professor em Madri e, em 1899, diretor do Instituto Nacional de Higiene. Em 1922, ele fundou o Laboratório de Investigações Biológicas, atualmente conhecido como o Instituto Cajal.

Santiago Ramón y Cajal em 1899.

Os trabalhos de Ramón y Cajal foram os primeiros a revelar a verdadeira organização do sistema nervoso. Até então, a ideia dominante era a de que o sistema nervoso não era constituído de células indivíduais como os outros sistemas, mas que era uma rede contínua através do corpo, conhecida como teoria reticular. Um dos maiores defensores desta teoria naquele tempo era Camillo Golgi. Ironicamente, Ramón y Cajal melhorou o método para corar criado por Golgi, como mencionado acima, e o usou para provar que Golgi estava errado, levando ao desenvolvimento da atual teoria neuronal, que diz que o sistema nervoso é formado de células discretas como qualquer outro sistema.

Em 1906, Ramón y Cajal recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina junto com Golgi em reconhecimento ao trabalho dos dois na estrutura do sistema nervoso. Isso foi um tanto bizarro considerando que os dois discordavam entre si. Com esta premiação, Ramón y Cajal se tornou a primeira pessoa de origem hispânica a receber um Prêmio Nobel.

Ramón y Cajal continuou a trabalhar até sua morte em 17 de outubro de 1934 aos 82 anos.

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Referências:

Wikipedia. Santiago Ramón y Cajal. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Santiago_Ram%C3%B3n_y_Cajal >. Acesso em 30 de abril de 2019.

Wikipedia (em Espanhol). Santiago Ramón y Cajal. Disponível em <
https://es.wikipedia.org/wiki/Santiago_Ram%C3%B3n_y_Cajal >. Acesso em 30 de abril de 2019.

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Quarta de Quem: Josef Müller

por Piter Kehoma Boll

Mais uma vez nosso cientista do dia está em parte relacionado às minhas adoradas planárias terrestres, apesar de suas contribuições mais importantes terem ocorrido no campo da entomologia.

Josef Müller, também conhecido como Giuseppe Müller, nasceu em 4 de abril de 1880 em Zadar, Croácia, na época parte do Império Austro-Húngaro. Seus anos regulares de escola incluíram o estudo de línguas clássicas e do método científico, o que o fez adquirir interesse pelo mundo natural. Assim, em 1898, ele se mudou para Graz, Áustria, e estudou história natural na faculdade de filosofia.

Em 1900, ainda estudante, ele publicou um estudo sobre a anatomia das raízes de orquídeas exóticas e, devido a este trabalho, recebeu o Prêmio Unger da Universidade de Graz. Nesta época ele conheceu muitos entomólogos austríacos, incluindo Ludwig Ganglbauer. Ele se formou em 1902 com uma dissertação sobre a morfologia de planárias terrestres. Nesta época ele já era interessado em insetos, especialmente besouros, e dali em diante focou sua atenção neste grupo particular.

Mudando-se para Trieste, Itália, Müller passou a lecionar história natural no Colégio de Trieste e se tornou membro da Società Adriaca de Scienze Naturali. Ele também fundou um clube de entomologia com outros entomólogos e, através do programa de trabalho desenvolvido pelo clube, passou a estudar a fauna de artrópodes encontrada em cavernas ao redor de Trieste. Ele apresentou seus resultados no Congresso Internacional de Zoologia em Graz, o que o tornou conhecido em círculos maiores e o fez começar muitas cooperações científicas durante os anos seguintes. Um dos trabalhos mais notáveis foi uma monografia sobre besouros carabídeos cegos, publicada em 1913, pela qual ele recebeu o Prêmio Ganglbauer.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou, Müller foi forçado a abandonar seu trabalho e se juntar ao serviço militar. Seu conhecimento entomológico logo provou ser valioso no controle de doenças transmitidas por insetos. Ele passou um ano em uma estação antimalária na Albânia e depois se mudou para um laboratório de bacteriologia em Viena. Lá, ele estudou o piolho-do-corpo Pediculus humanus humanus e provou que este era o responsável por transmitir a bactéria Rickettsia prowazekii, conhecida por causar o tifo epidêmico. Os resultados de seu estudo foram publicados após a guerra terminar, em 1919.

De volta a Trieste, Müller se tornou conservador do museu de história natural da cidade, o Civico Museo di Storia Naturale di Trieste. Em 1928, ele foi promovido a diretor do museu e dos jardins botânicos. Em 1932, ele planejou a construção de um aquário para formas de vida marinhas em Trieste. O aquário foi aberto em 1933 e incluía muitos peixes de corais do Mar Vermelho.

De 1934 a 1935, ele foi encarregado de organizar uma expedição à Eritreia para a captura de serpentes peçonhentas. Ele aproveitou esta oportunidade para coletar besouros no país e, durante os anos seguintes, viajou várias vezes para o norte da África para coletar mais espécimes, especialmente da família Histeridae.

Em 1946, aos 66 anos, Müller deixou o museu devido à sua idade, mas pôde continuar seus estudos porque foi apontado diretor do Centro Sperimentale Agrario e Forestale di Trieste. Ele faleceu em 1964 em Trieste aos 84 anos.

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Referências:

Civico Museo di Storia Naturale. La Storia. Disponível em <
http://www.museostorianaturaletrieste.it/la-storia/ >. Acesso em 23 de abril de 2019.

Wikipedia. Josef Müller. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Josef_M%C3%BCller_(entomologist) >. Acesso em 23 de abril de 2019.

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Quarta de Quem: Carl Friedrich Philipp von Martius

por Piter Kehoma Boll

É hora de comemorar o aniversário de um famoso botânico e explorador que foi muito importante para o estudo da flora brasileira.

Carl Friedrich Philipp von Martius nasceu em 17 de abril de 1794 em Erlangen, Alemanha, naquela época parte do Reino da Prússia. Seu pai, Ernst Wilhelm Martius, era um farmacêutico e o primeiro docente em Farmácia na Universidade de Erlangen.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius ainda jovem.

Von Martius começou a estudar medicina na Universidade de Erlangen em 1810. Durante este tempo, ele conheceu os naturalistas Franz von Paula Schrank e Johann Baptist von Spix, que o inspiraram a se dedicar à botânica, a qual já era um passatempo seu. Para seguir este campo, ele se candidatou em 1813 para admissão no Instituto Onze da Academia de Ciências Bavária e, após passar o exame, foi admitido no instituto em 1814. Ele se tornou assistente de Franz von Paula Schrank no recém-fundado Jardim Botânico. No mesmo ano, ele concluiu sua tese sobre um catálogo crítico das plantas no jardim botânico da universidade. Em 1817, aos 23 anos, ele publicou sua obra Flora Cryptogamica Erlangensis, tratando das criptógamas encontradas em sua cidade natal.

Ainda em 1817, von Martius foi enviado ao Brasil junto com Johann Baptist von Spix por Maximiliano I José, rei da Baviera. Esta oportunidade surgiu depois que Maria Leopoldina da Áustria se casou com o príncipe da coroa brasileira (e posteriormente imperador) Dom Pedro I. O grupo, que incluía a esposa de Spix e o pintor Thomas Ender, partiu de Trieste em 10 de abril de 1817. Depois do casamento real em 13 de maio, o grupo começou suas coletas em várias áreas da cidade do Rio de Janeiro e regiões próximas. Mais tarde, eles viajaram de cavalo através do estado de São Paulo até atingirem a cidade de São Paulo em 31 de dezembro de 1817.

Saindo de São Paulo em 9 de janeiro de 1818, eles viajaram durante os meses seguintes através dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, chegando a Salvador em 10 de novembro de 1818. Eles partiram de Salvador em 18 de fevereiro de 1819 e continuaram seguindo para o norte através da caatinga e chegaram a São Gonçalo do Amarante, no Ceará, em 15 de maio. Tanto Martius quanto Spix estavam seriamente doentes durante a maior parte de sua viagem através desta parte do Brasil, contraindo várias doenças tropicais e quase morrendo em várias ocasiões.

Após continuarem sua jornada, Martius e Spix chegaram ao estado do Maranhão em 3 de junho e seguiram de barco descendo o Rio Itapicuru até São Luís e, em 20 de julho, partiram rumo a Belém chegando em 25 de julho. De lá, eles continuaram para o oeste por dentro da Floresta Amazônica, atingindo a cidade de Santarém em 18 de setembro, partindo em 30 de setembro e chegando a Tefé, bem dentro da floresta, em 26 de novembro. Lá, Martius e Spix se separaram. Martius continuou para o oeste, subindo o Rio Japurá, até chegar à Colômbia. Eles se reencontraram em 11 de março de 1820 em Manaus e chegaram a Belém em 16 de abril, voltando à Europa em 13 de junho.

Rota seguida por Martius e Spix no Brasil de 1817 a 1820.

Martius trouxe consigo para a Europa duas crianças indígenas que comprou no Brasil como escravos, uma do povo Juri e outra do povo Miranha (ou Bora). As duas crianças não eram capazes de se comunicar entre si porque vinham de grupos étnicos diferentes e, apesar de receberem bons cuidados médicos, morreram logo após chegarem à Europa. Martius mais tarde reconheceu que escravizar as crianças foi um erro grave.

De volta à Europa, Martius foi apontado como cuidador do jardim botânico em Munique e, em 1826, se tornou professor de botânica na Universidade de Munique, ficando em ambos os cargos até 1864. Ele devotou a maior parte de sua vida ao estudo da flora brasileira. Um de seus trabalhos mais famosos é a Historia naturalis palmarum, publicado em três grandes volumes entre 1823 e 1850, que descreve e ilustra todos os gêneros da família das palmeiras conhecidos naquela época. Em 1840, ele iniciou a Flora Brasiliensis, que contou com a ajuda de muitos botânico renomados, e continuou a ser publicada após sua morte até 1884.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius em 1850 por E. Porrens.

Martius morreu em 13 de dezembro de 1868 em Munique aos 74 anos.

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Referências:

Wikipedia. Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

Wikipedia (em Alemão). Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em < https://de.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

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Quarta de Quem: Otto Steinböck

por Piter Kehoma Boll

O cientista cujo aniversário hoje comemoramos possui um lugar especial na minha vida porque está de certa forma conectado ao grupo de pesquisa com que desenvolvo meus estudos.

Otto Steinböck nasceu em 10 de abril de 1893 en Graz, Áustria, na época parte do Império Austro-Húngaro numa família de 11 irmãos, sendo oito mais velhos e dois mais novos. Ele terminou os estudos básicos em 1911 e se graduou com distinção. A pedido de seu pai, passou a estudar direito, apesar de sua paixão ser zoologia.

Ele passou seu primeiro exame de estado em 1913 e se mudou para Nevensinje, Herzegovina, onde serviu num voluntariado de um ano na artilharia de montanha austro-húngara. Isso provavelmente foi o resultado de sua paixão por montanhismo. Ele estava lá quando a Primeira Guerra começou em 28 de julho de 1914 e foi ao fronte da Sérvia para lutar. No mesmo ano, ele foi ferido em batalha e mais tarde se tornou prisioneiro de guerra na Itália, sendo libertado em 1919 após a guerra terminar.

De volta para casa, ele terminou seus estudos de direito e começou a estudar história natural em 1920 com ênfase em biologia. Ele recebeu seu doutorado em 1923 com uma tese intitulada “Monographie der Prorhynchidae (Turbellaria Alloeocoela)”. Após finalizar seu doutorado, ele ficou desempregado por quatro anos, até 1927. Durante este tempo, ele se manteve ocupado com trabalhos científicos no Instituto Zoológico em Graz, com foco em turbelários.

Em 1925, Steinböck se casou com Gisela von Chiapo, uma professora de idiomas e sobrinha-neta do botânico austríaco Friedrich Welwitsch. Ela foi responsável por sustentar o casal durante os anos seguintes.

Otto Steinböck na Groenlândia em 1926. Extraido de Janetschek (1970).

Em 1926, Steinböck foi à Groenlândia com o zoólogo Erich Reisinger e estudou a fauna de turbelários da ilha. Em julho de 1927, ele se tornou qualificado em zoologia por seus trabalhos e em outubro, finalmente, conseguiu um emprego como assistente do biólogo Adolf Steuer no Instituto Zoológico da Universidade de Innsbruck. Ele foi promovido a professor associado em 1 de janeiro de 1930 e, em 1931, depois de Steuer deixar o Instituto, Steinböck se tornou professor de zoologia e diretor do instituto.

Muito do trabalho de Steinböck foi conduzido nos Alpes e ele expandiu sua área de estudo para incluir não apenas turbelários, mas ecossistemas de montanha como um todo, especialmente ambientes de água doce de montanha.

Otto Steinböck por volta de 1960.

Quando a Segunda Guerra começou, ele foi forçado a voltar às forças armadas e se tornou capitão de uma artilharia de montanha do fronte ocidental. Ele voltou ao Instituto em 1940 após receber duas condecorações. De 1941 até o fim da guerra em 1945, ele foi associado à Faculdade de Ciências Naturais, mas acabou demitido por razões políticas. Dois anos depois, em 1947, sua demissão foi convertida em aposentadoria e sua vida como cientista parecida ter terminado para sempre. Não obstante, a faculdade instistiu em sua recontratação e ele foi reabilitado em novembro de 1950 e se tornou novamente professor em fevereiro de 1951. Nesta época, ele se tornou orientador de Josef Hauser, que mais tarde se mudaria para o Brasil e fundaria o Instituto de Pesquisas de Planárias na Unisinos, onde eu conduzi minhas pesquisas de mestrado e doutorado.

Steinböck se aposentou em 1963 e faleceu em 6 de outubro de 1969 em Innsbruck aos 76 anos.

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Referências:

Janetschek H (1970) Otto Steinböck † (1893-1969). Berichte des naturwissenschaftlich-medizinischen Vereins in Innsbruck 58: 511–515.

Pechlaner R (1971) Otto Steinböck. 10. April 1893–6. Oktober 1969. Internationale Revue der gesamten Hydrobiologie und Hydrographie 56(4): 667–668.

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Quarta de Quem: August Brauer

por Piter Kehoma Boll

Hoje comemoramos o aniversário de um zoólogo alemão que contribuiu grandemente com o estudo de organismos aquáticos.

August Bernhard Brauer nasceu em 3 de abril de 1863 em Oldenburg, Alemanha, sendo filho de Theodor Brauer, um mercador, e sua esposa Marianne, e o mais jovem de 9 filhos. A partir de 1882, ele estudou Ciências naturais nas Universidades de Bonn, Berlim e Freiburgo.

Sob a influência de August Weismann, Eduard von Martens, Richard von Hertwig e Franz von Leydig, ele direcionou sua atenção à zoologia e obteve seu doutorado em 1885 com uma tese intitulada Bursaria truncatella unter Berücksichtigung anderer Heterotrichen und der Vorticellinen (Bursaria truncatella, levando em consideração outros heterotríquios e os vorticelídeos).

Após completar o serviço militar de 1887 a 1888, Brauer retornou a Berlim e estudou Geografia por dois semestres com Ferdinand von Richthofen. Em outubro de 1889, ele passou a lecionar química e geografia como um candidato na Luisenstädtische Oberrealschule em Berlim, mas logo depois, em janeiro de 1890, começou como estagiário no Instituo Zoológico da Universidade Friedrich Wilhelm Berlim. A partir de abril daquele ano até 1892, ele trabalhou como assistente de Franz Eilhard Schulze, mas então desistiu desta posição para estudar ovos de crustáceos do gênero Artemia na estação zoológica de Trieste. Mais tarde em 1892, ele recebeu sua habilitação na Universidade de Marburg e em 1893 passou a trabalhar lá lecionando.

August Brauer em 1898. Autor desconhecido.

De maio de 1894 a janeiro de 1895, Brauer conduziu estudos científicos em cecílias na ilha Mahé das Seycelles. Ele participou, com outros cientistas, na Expedição Alemã do Mar Profundo de 1898-1899 a bordo do navio a vapor Valdivia sob a liderança do biólogo marinho Carl Chun. A expedição viajou pelos oceanos Atlântico e Índico e Brauer ficou encarregado de estudar peixes do mar profundo, publicando seus resultados em 1906 e 1908. Seus estudos foram os primeiros a demonstrar que peixes da família Ceratiidae (os demônios-do-mar) não eram peixes de fundo como pensado anteriormente, mas sim peixes das zonas meso- e batipelágica, isto é, as áreas da coluna d’água no mar profundo que são alcançadas por apenas 1% ou menos da luz da superfície. Ele descreveu 63 novas espécies de peixe e fez uma descrição detalhada dos olhos e dos órgãos de luz de peixes das profundezas.

Por recomendação de Carl Chun, Brauer foi apontado diretor do Museu Zoológico de Berlim em 1906 e permaneceu nesta posição até sua morte. Durante este tempo, ele expandiu grandemente as coleções do museu. De 1909 a 1912, ele publicou um trabalho intitulado Die Süßwasserfauna Deutschlands (A fauna de água doce da Alemanha) em 19 partes.

Em agosto de 1917, Brauer saiu em férias de quatro semanas na Floresta de Teutoburgo. Assim que voltou a Berlim, em 1º de setembro, ele foi afligido por uma dor no peito que o fez procurar um médico seis dias depois. O médico somente recomendou oito dias de descanso na cama e logo a dor passou. Contudo em 10 de setembro, perto das duas da tarde, Brauer foi encontrado morto sentado em sua poltrona com os braços apoiados nos braços da poltrona como se quisesse se levantar. Ele tinha 54 anos.

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Referências:

Vanhöffen E (1918) Zur Erinnerung an August Brauer. Mitteilungen aus dem Zoologischen Museum in Berlin 9: 1–12.

Wikipedia. August Brauer. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/August_Brauer >. Acesso em 2 de abril de 2019.

Wikipedia (in German). August Brauer. Disponível em <
https://de.wikipedia.org/wiki/August_Brauer >. Acesso em 2 de abril de 2019 .

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