Arquivo da categoria: Poluição

Em vez de produtos químicos tóxicos, use plantas ajudantes para se livrar de pragas agrícolas

por Piter Kehoma Boll

Encontrar maneiras eficientes de lidar com pragas agrícolas em plantações é um trabalho desafiador. Atualmente, como todos sabemos, a principal estratégia para o controle de tais pragas é o uso de pesticidas químicos. Contudo, esta abordagem apenas serve aos interesses daqueles buscando lucro e não o bem-estar, visto que todos sabemos que tais pesticidas aumentam o risco de diversos problemas de saúde naqueles que consomem os produtos. Mais que isso, pesticidas químicos não apenas matam a praga-alvo, mas muitas outras formas de vida, causando um efeito devastador nos ecossistemas.

A lagarta-listrada-do-repolho (Evergesis rimosalis) é uma praga comum em plantas do gênero Brassica (couve, repolho, mostarda) no leste dos Estados Unidos. Foto do usuário margardimaria do iNaturalist.*

Felizmente, tem havido um interesse crescente em encontrar maneiras alternativas e mais saudáveis de lidar com o problema. Uma maneira é a produção de organismos geneticamente modificados (GMOs) que são naturalmente resistentes às pragas. Há, no entanto, dois problemas principais com esta abordagem. A primeira é que a população em geral tem um medo irracional de GMOs, aparentemente acreditando que eles são mais perigosos que os pesticidas químicos, o que é completamente absurdo. O segundo problema com GMOs é que a tecnologia para criá-los é dominada pelas mesmas companhias que produzem a maioria dos pesticidas e, como todas as grandes companhias, apenas buscam o lucro e não dão a mínima para as pessoas ou o meio ambiente.

Uma terceira estratégia é o uso de inimigos naturais das pragas para controlá-las em fazendas orgânicas. Apesar de muitos inimigos naturais serem ótimos em seu trabalho, eles também podem causar impactos negativos por interferirem nos ecossistemas do entorno. A maioria das pragas de plantações não são nativas das áreas onde são pragas, isto é, elas são espécies invasoras e, de forma a controlá-las eficientemente, um predador de sua área nativa precisa ser introduzido também, e este predador pode acabar se tornando uma ameaça para outras espécie que escolhe como alimento.

Coleomegilla maculata é uma joaninha predadora comum no leste dos Estados Unidos. Elas são ótimas controlando pragas agrícolas localmente, mas não devem ser deliberadamente introduzidas em outros lugares. Foto de Riley Walsh.*

Felizmente, algumas boas estratégias foram recentemente desenolvidas. Uma delas inclui o uso de plantas adicionais nos campos que mudam a maneira como pragas se comportam sem serem uma ameaça para áreas do entorno. Estas plantas adicionais compreendem dois tipos: cultivares-armadilhas e plantas-insetários.

O trigo-sarraceno Fagopyrum esculentum vem sendo usado como planta-insetário. Foto do usuário jimkarlstrom do iNaturalist.*

Um cultivar-armadilha, como o nome sugere, é um cultivar adicional que não se intenciona explorar comercialmente, mas que serve como uma armadilha para as pragas. Em vez de atacarem o cultivar principal (o cultivar de interesse), as pragas são atraídas pelo cultivar-armadilha, reduzindo em densidade no cultivar de interesse. Este sistema é mais eficiente se o cultivar-armadilha for similar ao cultivar de interesse, tal como outra planta do mesmo gênero ou outra variedade da mesma espécie, porque ele precisa ser tão atrativo para a praga quanto o cultivar de interesse, ou talvez até mais atrativo.

Plantas-insetários, por outro lado, têm a intenção de atrair outros insetos para a plantação, especialmente insetos predadores que predam a praga agrícola. Plantas-insetários devem produzir flores em abundância, assim atraindo várias espécies de insetos, o que aumenta o interesse de predadores na área. Contudo, quando usadas sozinhas, as plantas-insetários só fornecem predadores para controlar pragas em plantas cultivadas que estejam perto das plantas-insetários e, como estas costumam ser plantadas ao redor da plantação, não protegem as plantas perto do centro da plantação.

Em um estudo recente, Shrestha et al. (veja referências) decidiram combinar cultivares-armadilhas e plantas-insetários junto com cultivares de interesse em uma estratégia que chamaram de “tríade botânica”. O cultivar de interesse foi repolho orgânico (Brassica oleracea var. capitata) plantado no leste dos Estados Unidos; os cultivares-armadilhas foram outros três cultivares do gênero Brassica: mostarda-marrom (Brassica juncea) e dois tipos de couve (Brassica oleracea var. acephala e Brassica oleracea var. italica); e as plantas-insetários foram o trigo-sarraceno (Fagopyrum esculentum) e a flor-de-mel (Lobularia maritima).

Couve (Brassica oleracea var. acephala). Foto de David Andreas Tønnessen.*

Como resultado, o número de herbívoros (isto é, pragas agrícolas) foi maior em cultivares-armadilhas do que no cultivar de interesse. Os cultivares-armadilhas foram, portanto, mais atrativos que o cultivar de interesse para as pragas. A presença de plantas-insetários aumentou o número de insetos predadores e parasitoides, como joaninhas e vespas parasitoides, nos cultivares-armadilhas em comparação com tratamentos sem plantas-insetários. O número de pragas parasitadas também aumentou na presença de plantas-insetários.

Organização da lavoura

No geral, o “trabalho em equipe” de cultivares-armadilhas e plantas-insetários reduziu a influência de pragas agrícolas em cultivares de interesse. Os cultivares-armadilhas atraíram as pragas para uma área próxima das plantas-insetários, permitindo que os predadores as alcançassem.

Maneiras eficientes de cultivar organicamente são possíveis. Só precisamos focar em ecossistemas saudáveis e não no dinheiro. Se trabalharmos juntos, podemos derrotar as “Seis grandes” corporações que dominam a produção de alimento no mundo. Elas são as verdadeiras pragas.

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Referência:

Shrestha B, Finke DL, Piñero JC (2019) The ‘Botanical Triad’: The Presence of Insectary Plants Enhances Natural Enemy Abundance on Trap Crop Plants in an Organic Cabbage Agro-Ecosystem. Insects 10(6): 181. doi: 10.3390/insects10060181

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Arquivado em Conservação, Ecologia, Entomologia, Poluição, Tecnologia

Tartarugas-verdes confundem resíduos plásticos com lulas mortas, os comem, e morrem

por Piter Kehoma Boll

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Poluição por plástico é um tópico popular recentemente e não é raro encontrar figuras de animais que morreram devido à ingestão de plástico ou outras complicações, como asfixia, causadas por pedaços de plástico. Contudo a causa da ingestão de plástico pela maioria das espécies ainda é desconhecida.

Albatroz com o estômago cheio de peças plásticas.

A tartaruga-de-couro, Dermochelys coriacea, é frequentemente mencionada como uma espécie que sofre pela ingestão de plástico devido a sua dieta ser composta primariamente por águas-vivas, com as quais sacolas plásticas flutuantes podem ser confundidas. Contudo outra tartaruga-marinha de ampla distribuição, a tartaruga-verde, Chelonia mydas, também é uma vítima comum da ingestão de plástico e quantidades tão pequenas quanto 1 g são suficientes para matar espécimes jovens bloqueando seus tratos digestivos. A dieta de tartarugas-verdes jovens e adultas é composta principalmente por ervas-marinhas e algas, de forma que a ingestão de plástico deve ser o resultado de outra causa e não sua similaridade com águas-vivas.

Uma sacola plástica em decomposição no oceano se parece com uma água-viva. Foto do usuário Seegraswise do Wikimedia.*

Apesar de serem quase estritamente herbívoras, tartarugas-verdes ingerem matéria animal quando são muito jovens e podem eventualmente consumir animais como adultas também, provavelmente como uma estratégia para sobreviver quando sua fonte de alimento principal é escassa. A ingestão de matéria animal geralmente acontece pela ingestão de animais mortos e um item animal morto comumente consumido são lulas mortas.

Uma tartaruga-verde rodeada de ervas-marinhas, sua principal fonte de alimento. Foto do usuário Danjgi do Wikimedia.**

Um estudo recente investigou a relação entre o comportamento necrofágico e o consumo de plástico na tartaruga-verde e descobriu que a quantidade de plástico ingerida por indivíduos se alimentando de lulas mortas é muito maior que a ingerida por indivíduos que não apresentam um comportamento necrofágico. No Brasil, a ingestão de plástico é responsável por cerca de 10% das mortes de tartarugas-verdes, mas este número pode chegar a 67% entre tartarugas-verdes que se alimentam de carcaças de lulas.

A ingestão de animais mortos costumava ser uma maneira eficiente de tartarugas-verdes adquirirem grandes porções de proteína. Contudo o fato de, atualmente, a maioria do material flutuante no oceano ser plástico e não animais mortos transformou uma estratégia bem-sucedida numa armadilha mortal. Se os humanos não começarem a controlar a produção de lixo plástico, haverá apenas dois resultados possíveis para as tartarugas-verdes em face a esta nova pressão seletiva: adaptação ou extinção.

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Referências:

Andrades R, Santos RA, Martins AS, Teles D, Santos RG (2019) Scavenging as a pathway for plastic ingestion by marine animals. Environmental Pollution 248: 159–165. doi: 10.1016/j.envpol.2019.02.010

Mrosovsky N, Ryan GD, James MC (2009) Leatherback turtles: the menace of plastic. Marine Pollution Bulletin 58(2): 287–289. doi: 10.1016/j.marpolbul.2008.10.018

Santos RG, Andrades R, Boldrini MA, Martins AS (2015) Debris ingestion by juvenile marine turtles: an underestimated problem. Marine Pollution Bulletin 93(1–2): 37–43. doi: 10.1016/j.marpolbul.2015.02.022

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

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Antidepressivos no esgoto estão desequilibrando teias alimentares

por Piter Kehoma Boll

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Esgoto é uma das principais causas de poluição da água em escala global e isso inclui esgoto doméstico. Com o aumento do uso de medicamentos de muitos tipos para tratar uma variedade de problemas de saúde, essas substâncias acabam no esgoto doméstico e, mesmo em locais com tratamento de esgoto, tais drogas não são sempre completamente removidas.

As drogas mais comumente detectadas em ambientes aquáticos incluem antidepressivos. Apesar de ocorrerem em concentrações muito baixas, seus efeitos em organismos são pouco conhecidos.

Um estudo recente investigou como a presença de dois antidepressivos, citalopram (um inibidor seletivo de recaptação de serotonina) e tramadol (um inibidor de recaptação de serotonina e norepinefrina) afetam a atividade predatória de ninfas de libélula da espécie Aeshna cyanea. Os insetos foram expostos a concentrações de cerca de 1 micrograma por litro das substâncias, uma concentração similar à encontrada naturalmente em ambientes afetados por esgotos. Adicionalmente, eles usaram efluentes de estações de tratamento de esgoto que incluíam uma mistura de várias´ drogas em concentrações reais.

Uma ninfa de Aeshna cyanea. Foto de André Karwath.*

Os resultados indicam que ninfas de libélula aumentam a quantidade de tempo que passam procurando alimento na presença dos dois antidepressivos e passam mais tempo manipulando presas, mas sua taxa de alimentação diminuiu, isto é, elas comeram menos que ninfas do grupo controle, isto é, em água sem antidepressivos. Por outro lado, ninfas expostas a efluentes de estações de tratamento de esgoto comeram mais que ninfas do grupo controle. O motivo exato para o efeito oposto causado pelo esgoto normal é desconhecido, mas pode estar relacionado ao efeito combinado de várias drogas.

Apesar de os efeitos não parecerem tão problemáticos a princípio, um aumento ou uma diminuição na taxa de alimentação dos predadores pode desequilibrar a população da presa ao fazê-la aumentar ou diminuir e eventualmente atingir um ponto que leve a um colapso no ecossistema.

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Referência:

Bláha M, Grabicova K, Shaliutina O, Kubec J, Randák T, Zlabek V, Buřič M, Veselý L (2019) Foraging behaviour of top predators mediated by pollution of psychoactive pharmaceuticals and effects on ecosystem stability. Science of The Total Environment 662: 655–661.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.5 Genérica.

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Arquivado em Comportamento, Conservação, Poluição

Sexta Selvagem: Picão-preto

por Piter Kehoma Boll

E se a cura para o câncer tem morado no seu jardim todo esse tempo e você tem tentado se livrar dela como uma erva-daninha incômoda?

Não posso afirmar para vocês que a resposta está na espécie da Sexta Selvagem de hoje, mas ela certamente tem um bom potencial. Seu nome é Bidens pilosa, comumente conhecida como picão-preto, amor-de-burro, amor-seco ou carrapicho-de-agulha.

Não extravante, mas discreta. Essa é Bidens pilosa. Foto de Wibowo Djatmiko.*

Não extravante, mas discreta. Essa é Bidens pilosa. Foto de Wibowo Djatmiko.*

Nativo das Américas, onde cresce em campos abertos e clareiras de florestas, o picão-preto é agora encontrado no mundo todo, da Eurásia e da África até a Austrália e as ilhas do Pacífico. De primeira ele não chama muita atenção enquanto cresce entre outras ervas-daninhas. Ele pode chegar a 1.8 m de altura e tem flores pequenas e discretas reunidas num capítulo no estilo de uma margarida, com um punhado de flores brancas contornando um pequeno disco de flores amarelas.

O problema com esse camarada acontece quando você tem que passar entre eles depois que as flores se tornaram frutos.

A terrivelmente malvada infrutescência do picão-preto. Foto de Wibowo Djatmiko.*

A terrivelmente malvada infrutescência do picão-preto. Foto de Wibowo Djatmiko.*

Os frutos do picão-preto são pequenos bastões rígidos e secos com cerca de 2–4 pequenas arestas densamente serrilhadas na extremidade. Eles são arranjados em infrutescências esféricas e estão sempre ávidos para se prender em qualquer animal que esteja passando. As pequenas arestas se agarram ao pelo ou a roupas e os frutos são facilmente dispersados para outras áreas. É um exemplo clássico de zoocoria, isto é, dispersão de sementes por animais. Se você vive numa área onde essa planta é comum, você muito provavelmente já teve a experiencia de encontrar as roupas cheias dessas sementes pinicantes, especialmente depois de brincar, trabalhar ou simplesmente caminhar por um campo ou terreno baldio.

Mas o picão-preto é muito mais que uma erva-daninha sem graça e irritante. Na África subsaariana, ele é uma das plantas mais amplamente consumidas como alimento. Suas folhas são comestíveis quando cozidas, mas possuem um gosto forte e desagradável.

Além disso, o picão-preto é usado em medicina tradicional sul-americana e vários estudos demonstraram que ele é de fato um remédio poderoso. Extratos da planta apresentaram várias propriedades medicinais, incluindo:

  • Atividade antibacteriana e antifúngica
  • Atividade antimalárica
  • Atividade anti-herpes simplex
  • Habilidade de reduzir células tumorais e leucêmicas
  • Efeitos imunossupressores e anti-inflamatórios

Se isso não fosse o bastante, o picão-preto tem a habilidade de bioacumular cádmio em seus tecidos, de forma que pode ser usado para despoluir solos contaminados com cádmio.

Da próxima vez que você encontrar suas roupas cheias de picão-preto, lembre-se de que ele é mais, muito mais, do que simplesmente uma erva-daninha chata.

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Referências:

Brandão, M., Krettli, A., Soares, L., Nery, C., & Marinuzzi, H. (1997). Antimalarial activity of extracts and fractions from Bidens pilosa and other Bidens species (Asteraceae) correlated with the presence of acetylene and flavonoid compounds Journal of Ethnopharmacology, 57 (2), 131-138 DOI: 10.1016/S0378-8741(97)00060-3

Chang, J., Chiang, L., Chen, C., Liu, L., Wang, K., & Lin, C. (2001). Antileukemic Activity of Bidens pilosa L. var. minor (Blume) Sherff and Houttuynia cordata Thunb. The American Journal of Chinese Medicine, 29 (02), 303-312 DOI: 10.1142/S0192415X01000320

Chiang, L., Chang, J., Chen, C., Ng, L., & Lin, C. (2003). Anti-Herpes Simplex Virus Activity of Bidens pilosa and Houttuynia cordata The American Journal of Chinese Medicine, 31 (03), 355-362 DOI: 10.1142/S0192415X03001090

Deba, F., Xuan, T., Yasuda, M., & Tawata, S. (2008). Chemical composition and antioxidant, antibacterial and antifungal activities of the essential oils from Bidens pilosa Linn. var. Radiata Food Control, 19 (4), 346-352 DOI: 10.1016/j.foodcont.2007.04.011

Kviecinski, M., Felipe, K., Schoenfelder, T., de Lemos Wiese, L., Rossi, M., Gonçalez, E., Felicio, J., Filho, D., & Pedrosa, R. (2008). Study of the antitumor potential of Bidens pilosa (Asteraceae) used in Brazilian folk medicine Journal of Ethnopharmacology, 117 (1), 69-75 DOI: 10.1016/j.jep.2008.01.017

Oliveira, F., Andrade-Neto, V., Krettli, A., & Brandão, M. (2004). New evidences of antimalarial activity of Bidens pilosa roots extract correlated with polyacetylene and flavonoids Journal of Ethnopharmacology, 93 (1), 39-42 DOI: 10.1016/j.jep.2004.03.026

Pereira, R., Ibrahim, T., Lucchetti, L., da Silva, A., & de Moraes, V. (1999). Immunosuppressive and anti-inflammatory effects of methanolic extract and the polyacetylene isolated from Bidens pilosa L. Immunopharmacology, 43 (1), 31-37 DOI: 10.1016/S0162-3109(99)00039-9

Sun, Y., Zhou, Q., Wang, L., & Liu, W. (2009). Cadmium tolerance and accumulation characteristics of Bidens pilosa L. as a potential Cd-hyperaccumulator Journal of Hazardous Materials, 161 (2-3), 808-814 DOI: 10.1016/j.jhazmat.2008.04.030

Wikipedia. Bidens pilosa. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Bidens_pilosa >.Acesso em 31 de julho de 2016.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Sexta Selvagem: Euglena Vermelha

por Piter Kehoma Boll

Não seja tão idiota quanto o faraó egípcio no mito das pragas do Egito. Se acontecer de você encontrar um lago com água vermelha, como na imagem abaixo, certamente não é sangue. É simplesmente… uma alga tóxica!

Às vezes pode-se encontrar águas de um algo de cor vermelha. Foto extraída de naturamediterraneo.com/forum/, postada pelo usuário Carlmor.

Às vezes pode-se encontrar águas de um algo de cor vermelha. Foto extraída de naturamediterraneo.com/forum/, postada pelo usuário Carlmor.

A criatura responsável por esta coloração é nossa espécie do Sexta Selvagem de hoje: Euglena sanguinea, ou a euglena vermelha, um protista miscroscópico de água doce com uma distribuição cosmopolita. Estes organismos unicelulares possuem uma cor vermelha devido à presença de astaxantina, um pigmento também encontrado em alguns peixes, como salmão, e em crustáceos, como camarões e lagostas. Algumas aves também podem ter esse pigmento em suas penas. Em euglenas vermelhas, a astaxantina age como uma proteção contra radiação ultravioleta, de forma que quanto maior a incidência de radiaçãao UV, mais vermelhas as algas se tornam.

Uma fração de uma população de euglenas vermelhas sob o microscópio. Foto extraída de naturamediterranea.com/forum/, postada pelo usuário Carlmor.

Uma fração de uma população de euglenas vermelhas sob o microscópio. Foto extraída de naturamediterranea.com/forum/, postada pelo usuário Carlmor.

Quanto as condições são adequadas, geralmente devido a altas temperaturas e grandes quantidades de nutrientes, a euglena vermelha pode se tornar superpopulosa e cobrir toda a superfície de corpos d’água, fazendo-os parecerem vermelhos. A poluição da água, especialmente de esgoto doméstico, é uma das principais causas de aumento de nutrientes em corpos d’água e assim uma causa direta de florações de algas.

A euglena vermelha é conhecida por produzir euglenoficina, uma potente ictiotoxina, isto é, um composto que é tóxico para os peixes. Como resultado, florações de euglenas vermelhas podem levar a uma alta mortalidade de peixes, fazendo-as um organismo de grande importância para criadores de peixes.

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Referências:

Gerber, S.; Häder, D-P. 2006. Effects of enhanced UV-B radiation on the red coloured freshwater flagellate Euglena sanguineaFEMS Microbiology Ecology, 13(3): 177-184. DOI: 10.1111/j.1574-6941.1994.tb00064.x

Wikipedia. Euglena sanguinea. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Euglena_sanguinea&gt;. Access on  January 07, 2016.

Zimba, P. V.; Rowan, M.; Triemer, R. 2004. Identification of euglenoid algae that produce ichthyotoxin(s). Journal of Fish Diseases, 27: 115-117.

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