Arquivo do mês: dezembro 2017

Sexta Selvagem: Cone-Tulipa

por Piter Kehoma Boll

O ano já quase terminou, mas se você tocasse a espécie da Sexta Selvagem de hoje, ele terminaria agora mesmo e sem um ano novo depois dele.

Vivendo ao longo das costas do Oceano Índico, incluindo África Oriental, Madagascar, Índia, Australia Ocidental e vários arquipélagos como as Mascarenas e as Filipinas, nosso camarada, Conus tulipa, é popularmente conhecido como o cone-tulipa. Apesar do belo nome, contudo, ele não é uma espécie legal de se ter por perto.

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Um espécie vivo de Conus tulipa na ilha Reunião, nas Mascarenas. Foto de Philippe Bourjon.*

O cone-tulipa é uma espécie do gênero Conus, formado por caramujos marinhos predadores que se alimentam de uma variedade de animais, tais como peixes, vermes e outros moluscos. Eles capturam a presa ferroando-a com um arpão venenoso que é feito de um dente modificado de sua rádula (língua). Os arpões são armazenados em um saco e disparados em presas próximas. Como muitas espécies se alimentam de presas rápidas, como peixes, o veneno é muito poderoso, podendo matar o alvo em poucos segundos. Em algumas espécies, incluindo o cone-tulipa, esse veneno poderoso é forte o bastante para matar um ser humano adulto.

Como acontece com outras espécies peçonhentas, no entanto, nem tudo é ruim. Várias toxinas diferentes e outros componentes foram recentemente isolados do veneno do cone-tulipa, muitos dos quais podem eventualmente ser usados para desenvolver novos medicamentos.

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Referências:

Alonso, D.; Khalil, Z.; Satkunanthan, N.; Livett, B. G. (2003) Drugs From the Sea: Conotoxins as Drug Leads for Neuropathic Pain and Other Neurological Conditions. Mini Reviews in Medicinal Chemistry3: 785–787.

Dutertre, S.; Croker, D.; Daly, N. L., Anderson, Å,.; Muttenhaler, M.; Lumsden, N. G.; Craik, D. J.; Alewood, P. F.; Guillon, G.; Lewis, R. J. (2008) Conopressin-T from Conus tulipa reveals an anatagonist switch in vasopressin-like peptides. Journal of Biological Chemistry283, 7100–7108.

Hill, J. M.; Alewood, P. F.; Craik, D. J. (2000) Conotoxin TVIIA, a novel peptide from the venom of Conus tulipa. The FEBS Journal, 267 (15): 4649–4657.

Wikipedia. Conus tulipa. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Conus_tulipa >. Acesso em 28 de dezembro de 2017.

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Sexta Selvagem: Erva-Mate

por Piter Kehoma Boll

Em alguns dias é Natal e uma planta que está sempre associada a essa época do ano na Europa é o azevinho Ilex aquifolium. Eu pensei em a Sexta Selvagem de hoje sobre ele, mas então pensei: por que não um parente menos popular, mas muito mais legal?

Então deem as boas vindas à Ilex paraguariensis, a erva-mate!

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Detalhe de um ramo de erva-mate (Ilex paraguariensis). Foto de Leandro Kibisz.*

A erva-mate é um arbusto ou uma árvore que pode chegar a 15 metros de altura e é encontrada em várias formações florestais da América do Sul, especialmente ao longo dos rios Paraguai e Paraná. As folhas são ovais e possuem uma cor verde-escura e uma margem ligeiramente serrada. As flores são pequenas e sem pétalas e os frutos são vermelhos como em seu primo europeu.

As folhas da erva-mate são usadas para a preparação de uma bebida tradicional chamada mate tanto em espanhol quanto em português, e também chimarrão em português. Ela é consumida tradicionalmente no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil, bem como em algumas áreas da Bolívia e do Chile. O consumo de mate começou com o povo Guarani e depois se espalhou entre os Tupis e os colonizadores europeus e é atualmente associado à cultura gaúcha na América do Sul.

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Um homem bebendo mate. Foto de Aslam Singh.**

As folhas de erva-mate são ricas em cafeína e polifenóis, assim tendo propriedades estimulantes, diuréticas e antioxidantes. A bebida parece ser capaz de ajudar na perda de peso ao reduzir a absorção de lipídios e também pode reduzir os riscos de vários tipos de câncer. Contudo há algumas evidências conectando o consumo de mate com um aumento no risco de alguns cânceres também, como os cânceres de boca e esôfago. Este risco, no entanto, pode estar mais relacionado à temperatura da bebida do que à planta em si, então tente não tomar seu chimarrão quente demais!

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Referências:

Heck, C. I.; De Mejia, E. G. Yerba Mate Tea (Ilex paraguariensis): A Comprehensive Review on Chemistry, Health Implications, and Technological Considerations. Journal of Food Science, 72(9):R138–R151. DOI: 10.1111/j.1750-3841.2007.00535.x

Wikipedia. Yerba mate. Disponível em< https://en.wikipedia.org/wiki/Yerba_mate >. Acesso em 17 de dezembro de 2017.

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A história da Sistemática: Plantas no Systema Naturae, 1758 (Parte 7)

por Piter Kehoma Boll

Estamos nos aproximando do final da descrição da classificação de plantas por Linnaeus (veja as partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6). Hoje mostrarei mais duas classes, as duas últimas de plantas com flores principalmente hermafroditas.

19. Syngenesia (“mesma geração”)

“Maridos compostos de um compacto generativo”, isto é, os estames estão unidos, formando um cilindro.

19.1 Syngenesia Polygamia Aequalis (“mesma geração, muitos casamentos iguais”), flores compostas formadas de várias flores pequenas compactas, todas com estames e pistilos: Scolymus (cangarinhos), Cichorium (chicórias), Catananche (cupidões), Hypochaeris (orelhas-de-gato), Andryala (andríalas), Tragopogon (tragueiros), Picris (raspa-pernas), Leontodon (leitugas-dos-montes e dentes-de-leão), Sonchus (serralhas), Scorzonera (escorcioneiras), Crepis (barbas-de-gavião), Chondrilla (leitugas), Prenanthes (alfaces-da-montanha), Lactuca (alfaces), Hieracium (ervas-de-gavião), Lapsana (labresto), Hyoseris (hioséris), Elephantopus (ervas-de-colégio), Atractylis (cardos-fusos), Carlina (carlinas), Cnicus (cardos), Arctium (bardanas), Carthamus (cártamos), Cynara (alcachofras), Carduus (mais cardos), Onopordum (acantos-bastardos), Serratula (serradinhas), Echinops (cardos-globos), Ageratum (mentrastos), Cacalia (falsas-tanchagens), Chrysocoma (cabeleiras-de-ouro), Eupatorium (eupatórios), Santolina (guarda-roupas), Bidens (picões), Staehelina (esteelinas), Stoebe (estebes), Tarchonanthus (pau-quicongo).

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A diversa ordem Syngenesia Polygamia Aequalis incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o tragueiro-comum (Tragopogon porrifolius), a escorcioneira-preta (Scorzonera hispânica), a raspa-pernas-comum (Picris echioides, agora Helminthotheca echioides), a serralha-comum (Sonchus oleraceus), alface-comum (Lactuca sativa), leituga-branca (Chondrilla juncea), alface-da-montanha-comum (Prenanthes purpurea), dente-de-leão-comum (Leontodon taraxacum, agora Taraxacum officinale), erva-de-gavião-de-cascacel (Hieracium venosum), barba-de-gavião-de-bico (Crepis vesicaria), andríala-comum (Andryala integrifolia), hioséris-lisa (Hyoseris scabra), orelha-de-gato-comum (Hypochaeris radicata), labresto-comum (Lapsana communis), cupidão-azul (Catananche caerulea), chicória-comum (Cichorium intybus), cangarinho-espanhol (Scolymus hispanicus), erva-de-colégio-lisa (Elephantopus scaber), cardo-globo-grande (Echinops sphaerocephalus), bardana-grande (Arctium lappa), serradinha-de-tintureiro (Serratula tinctoria), cardo-caído (Carduus nutans), cardo-santo (Cnicus benedictus, agora Centaurea benedicta), acanto-bastardo-comum (Onopordum acanthium), alcachofra-comum (Cynara scolymus), carlina-comum (Carlina vulgaris), cardo-fuso-comum (Atractylis humilis), açafrão-bastardo (Carthamus tinctorius), picão-preto (Bidens pilosa), tanchagem-dos-Alpes (Cacalia alpina, agora Adenostyles alpina), eupatório-alto (Eupatorium altissimum), mentrasto-comum (Ageratum conyzoides), esteelina-dúbia (Staehelina dubia), cabeleira-de-ouro-comum (Chrysocoma coma-aurea), pau-quicongo (Tarchonanthus camphoratus) e guarda-roupas-comum (Santolina chamaecyparissus). Créditos a Stephen Lea (tragueiro), H. Zell (escorcioneira, alface, acanto-bastardo), Tony Wills (serralha), Radio Toreng (leituga), Jane Shelby Richardson (erva-de-gavião), Manfred Moitzi (barba-de-gavião), Pablo Alberto Salguero Quilles (andríala), Javier Martin (hioséris, cardo-fuso), Phil Sellens (labresto), Isidre Blanc (cupidão, esteelina), Joaquim Alves Gaspar (chicória, cangarinho, alcachofra), Dinesh Valke (erva-de-colégio), Enrico Blasutto (bardana), Kristian Peters (serradinha), Bernd Haynold (cardo-caído), Philipp Weigell (carlina), Vishesh Bajpai (picão), Benjamin Zwittnig (tanchagem-dos-Alpes), Frank Mayfield (eupatório-alto), Peter A. Mansfeld (cabeleira-de-ouro), Paul venter (pau-quicongo), Marie-Lan Nguyen (guarda-roupas), e usuários do Wikimedia AnemoneProjectors (raspa-perna, orelha-de-gato), Calimo (alface-da-montanha), Kropsoq (dente-de-leão), Epp (cardo-globo), 00temari (cardo-santo), Pseudoanas (açafrão-bastardo) e Leoadec (mentrasto).

19.2 Syngenesia Polygamia Superflua (“mesma geração, muitos casamentos sobrando”), flores compostas de várias flores pequenas compactas formando um disco central de flores hermafroditas cercadas por um anel de flores femininas. Tanto as flores hermafroditas quanto as femininas são férteis e produzem sementes: Tanacetum (atanásias), Artemisia (artemísias), Gnaphalium (perpétuas-bravas), Xeranthemum (sempre-vivas-secas), Carpesium (carpésios), Baccharis (carquejas), Conyza (avoadinhas), Erigeron (margacinhas), Tussilago (tussilagens), Senecio (tasneirinhas-de-cinerárias), Aster (ásteres), Solidago (varas-de-ouro), Inula (ínulas), Arnica (arnicas), Doronicum (mata-leopardos), Helenium (helênios), Bellis (margaridas), Tagetes (cravos-de-defunto), Zinnia (zínias), Pectis (péctis), Chrysanthemum (crisântemos e margaridas), Matricaria (camomilas), Cotula (cótulas), Anacyclus (anaciclos), Anthemis (falsa-camomila), Achillea (milefólios), Tridax (erva-de-touro), Amellus (amelos), Sigesbeckia (botões-de-ouro), Verbesina (verbesinas), Tetragonotheca (tetragonotecas), Buphthalmum (olhos-de-boi).

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Linnaeus pôs estas espécies na ordem Syngenesia Polygamia Superflua (da esquerda para a direita, de cima para baixo): catinga-de-mulata (Tanacetum vulgare), losna (Artemisia absinthium), perpétua-brava-comum (Gnaphalium sylvaticum), sempre-viva-seca-anual (Xeranthemum annuum), carqueja-do-norte (Baccharis halimifolia), margacinha-de-uma-flor (Erigeron uniflorus), tussilagem-comum (Tussilago farfara), tasneirinha-comum (Senecio vulgaris), áster-italiana (Aster amellus), vara-de-ouro-da-praia (Solidago sempervirens), ínula-peluda (Inula hirta), arnica-da-montanha (Arnica montana), mata-leopardo-comum (Doronicum pardalianches), helênio-comum (Helenium autumnale), margarida-comum (Bellis perennis), cravo-de-defunto-comum (Tagetes patula), zínia-do-Peru (Zinnia peruviana), crisântemo-da-Índia (Chrysanthemum indicum), camomila-comum (Matricaria chamomilla), cótula-comum (Cotula coronopifolia), anaciclo-comum (Anacyclus valentinus), falsa-camomila-do-mar (Anthemis maritima), milefólio-comum (Achillea millefolium), erva-de-touro (Tridax procumbens), botão-de-ouro-oriental (Sigesbeckia orientalis), olho-de-boi (Buphthalmus salicifolius). Créditos a Muriel Bendel (catinga-de-mulata), Hermann Schachner (perpétua-brava), Musa Geçit (sempre-viva-seca), Bob Peterson (carqueja, erva-de-touro), André Karwath (tussilagem, margarida), C T Johansson (áster), Sam Fraser-Smith (vara-de-ouro), Kurt Stüber (ínula), Isidre Blanc (arnica), Agnieszka Kwiecien (helênio), Lynda Poulter (camomila), Water Siegmund (cótula), Denis Barthel (falsa-camomila), Petar Milošević (milefólio), e usuários do Wikimedia N-Baudet (losna), Ghislain118 (margacinha), AnRo0002 (tasneirinha), Jamain (mata-leopardo, olho-de-boi), Rasbak (cravo-de-defunto), Vengolis (zínias), Joydeep (crisântemo), Philmarin (anaciclo) e Elouanne (botão-de-ouro).*

19.3 Syngenesia Polygamia Frustranea (“mesma geração, muitos casamentos em vão”), flores compostas de várias flores pequenas compactas formando um disco central de flores hermafroditas cercadas por um anel de flores neutras, sem órgãos sexuais, portanto somente as flores do disco são férteis e produzem sementes: Helianthus (girassóis), Rudbeckia (susanas-de-olhos-negros), Coreopsis (coreopses), Gorteria (gortérias), Centaurea (centáureas), Gundelia (gundélia).

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A ordem Syngenesia Polygamia Frustranea incluía (da esquerda para a direita) o girassol-comum (Helianthus annuus), susana-de-olhos-negros-comum (Rudbeckia hirta), coreopse-lanceolada (Coreopsis lanceolata), botão-de-bacharel (Centaurea montana), gundélia (Gundelia tournefortii). Créditos a Frank Mayfield (susana-de-olhos-negros), Jean-Pol Grandmont (botão-de-bacharel), Zeynel Cebeci (gundélia), e usuários do Wikimedia i_am_jim (girassol) e KENPEI (coreopse).*

19.4 Syngenesia Polygamia Necessaria (“mesma geração, muitos casamentos inevitáveis”), flores compostas de várias flores pequenas compactas formando um disco central de flores hermafroditas, mas com a parte feminina estéril, cercadas por um anel de flores femininas férteis, portanto somente as flores do anel produzem sementes: Milleria (milérias), Silphium (sílfios), Chrysogonum (joelhos-de-ouro), Melampodium (pés-pretos), Calendula (calêndulas), Arctotis (orelhas-de-urso), Osteospermum (margaridas-africanas), Othonna (otonas), Polymnia (copos-de-folha), Eriocephalus (moitas-de-neve), Filago (fiagens), Micropus (algodoinhos), Sphaeranthus (flores-bolas).

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Estas 7 espécies foram incluídas por Linnaeus na ordem Syngenesia Polygamia Necessaria (da esquerda para a direita, de cima para baixo): sílfio-estrelado (Silphium asteriscos), joelho-de-ouro-comum (Chrysogonum virginianum), calêndula-comum (Calendula officinalis), copo-de-folha-branco (Polymnia canadenses), moita-de-neve-do-Cabo (Eriocephalus africanus), fiagem-comum (Filago germânica, agora Filago vulgaris), flor-bola-da-Índia (Sphaeranthus indicus). Créditos a James H. Miller (sílfio), Fritz Flohr Reynolds (joelho-de-ouro, copo-de-folha), Wouter Hagens (calêndula), Juanita Vilas Marchant (moita-de-neve), Wim Rubers (fiagem), Dinesh Valke (flor-bola). *

19.5 Syngenesia Monogamia (“mesma geração, um casamento”), estames unidos formando um cilindro, mas flores simples, não formando inflorescências: Seriphium (serífios), Corymbium (corímbios), Jasione (escabiosas), Lobelia (lobélias), Viola (violetas e amores-perfeitos), Impatiens (balsaminas).

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A escabiosa-ovina (Jasione montana), esquerda), a lobélia-de-jardim (Lobelia erinus, centro-esquerda), a violeta-comum (Viola odorata, centro-direita) e a balsamina-comum (Impatiens balsamina, direita) eram parte da ordem Syngenesia Monogamia. Créditos a André Karwath (lobélia), Bernard Dupont (violeta) e aos usuários do Wikimedia Darkone (escabiosa) e Joydeep (balsamina).*

20. Gynandria (“marido feminino”)

“Maridos monstruosamente unidos às mulheres”, i.e., flores com estames unidos aos pistilos.

20.1 Gynandria Diandria (“marido feminino, dois maridos”), dois estames unidos aos pistilos: Orchis (orquídeas), Satyrium (orquídeas-sátiros), Ophrys (orquídeas-mosca e orquídeas-abelha), Serapias (orquídeas-serápids), Limodorum (cravos-da-grama), Arethusa (bocas-de-dragão e bocas-de-serpente), Cypripedium (orquídeas-sapatinho), Epidendrum (orquídeas epífitas).

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A ordem Gynandria Diandria incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a orquídea-militar (Orchis militaris), a orquídea-mosca (Ophrys insectifera), o cravo-da-grama-tuberoso (Limodorum tuberosum, agora Calopogon tuberosus), a boca-de-dragão (Arethusa bulbosa), o sapatinho-amarelo (Cypripedium calceolus), a vanda-espatulada ( Epidendrum spathulatum, agora Taprobanea spathulata). Créditos a Holger Krisp (orquídea-militar, orquídea-mosca), Chris Meloche (boca-de-dragão), e usuários do Wikimedia Algirdas (sapatinho) e CyberWikipedian (vanda).

20.2 Gynandria Triandria (“marido feminino, três maridos”), três estames unidos aos pistilos: Sisyrinchium (canchaláguas).

20.3 Gynandria Tetrandria (“marido feminino, quatro maridos”), quatro estames unidos aos pistilos: Nepenthes (plantas-jarro).

20.4 Gynandria Pentandria (“marido feminino, cinco maridos”), cinco estames unidos aos pistilos: Ayenia (aiênias), Passiflora (maracujás).

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A canchalágua-comum (Sisyrinchium bermudianum, esquerda) era o único membro da ordem Gynandria Triandria. A planta-jarro-destiladora (Nepenthes distillatoria), centro) era o único membro da ordem Gynandria Tetrandria. O maracujá-roxo (Passiflora incarnata) era um dos membros da ordem Gynandria Pentandria. Créditos a Wouter Hagens (canchalágua), James & Jana Hans (planta-jarro), Oliver P. Quillia (maracujá).*

20.5 Gynandria Hexandria (“marido feminino, seis maridos”), seis estames unidos aos pistilos: Aristolochia (aristolóquias), Pistia (alface-d’água).

20.6 Gynandria Decandria (“marido feminino, dez maridos”), dez estames unidos aos pistilos: Helicteres (parafuseiras).

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A ordem Gynandria Hexandria incluía a aristolóquia-redonda (Aristolochia rotunda, esquerda) e a alface-d’água (Pistia stratiotes, centro). A ordem Gynandria Decandria incluía a parafuseira indiana (Helicteres isora, direita). Créditos a J. M. Garg (parafuseira) e usuários do Wikimedia Hectonichus (aristolóquia) e Keisotyo (alface-d’água).*

20.7 Gynandria Polyandria (“marido feminino, muitos maridos”), muitos estames unidos aos pistilos: Xylopia (pindaíbas), Grewia (frutas-cruz), Arum (aros), Dracontium (inhames-aros), Calla (calas), Pothos (potos), Zostera (limos-de-fita).

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A ordem Gynandria Polyandria incluía (da esquerda para a direita) a fruta-cruz (Grewia occidentalis), o aro-dragão (Arum dracunculus, agora Dracunculus vulgaris), o inhame-pé-de-elafante (Dracontium polyphyllum, agora Amorphophallus paeoniifolius), a cala-brava (Calla palustres) e o poto-trepador (Pothos scandens). Créditos a P. Pickaert (aro), Kurt Stüber (cala), e usuários do Wikimedia Consultaplantas (fruta-cruz), Fotokannan (inhame) e Vinayaraj (poto).*

Como pode-se perceber, a classe Syngenesia se mostra bem mais regular que a classe Gynandria. Boa parte das espécies de Syngenesia hoje são incluídas na família Asteraceae. Já Gynandria inclui uma variedade de plantas não relacionadas, incluindo orquídeas, aráceas e mesmo maracujás!

Aqui concluímos todas as plantas com flores hermafroditas. Só mais duas postagens e teremos visto todo o sistema de Linnaeus!

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Referências:

Linnaeus, C. (1758) Systema Naturae per regna tria Naturae…

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Sexta Selvagem: Catênula-da-lentilha-d’água

por Piter Kehoma Boll

Hoje temos mais um platelminto em nosso time. E ele é parte de um dos grupos mais bizarros de platelmintos, os chamados Catenulida. Nosso camarada se chama Catenula lemnae, que eu adaptei como “catênula-da-lentilha-d’água”.

A catênula-da-lentilha-d’água é um animal muito pequeno, medindo cerca de 0.1 mm de largura e cerca de 2 ou 3 vezes esse tamanho em comprimento. Ela é encontrada no mundo todo em lagos e poças de água doce e é provavelmente um complexo de espécies, mas estudos mais detalhados são necessários para tornar isso claro. Como outros catenulidos, ela vive perto do substrato, sendo considerada um animal bentônico, e se alimenta de outros organismos menores, como pequenos invertebrados e algas. Ela é geralmente uma espécie dominante na comunidade de microanimais bentônicos, tal como os microturbelários, nos lugares em que é encontrada.

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Uma cadeia de vários indivíduos (zooides) de Catenula lemnae conectados. Foto de Christopher Laumer.*

A palavra catenula, significando “pequena cadeia” em Latim, faz referência a esses animais por causa da sua peculiar forma de reprodução vegetativa. Os organismos frequentemente se dividem transversalmente perto da extremidade posterior, dando origem a novos organismos que são geneticamente idênticos ao original. Contudo os novos animais muitas vezes ficam conectados um ao outro por um bom tempo antes de se dividirem, e enquanto essa reprodução assexuada continua, ela eventualmente os transforma numa cadeia de indivíduos conectados (chamados zooides). Essa cadeia nada elegantemente usando seus cílios como se fosse um único indivíduo.

Estudos mais recentes que mencionam a catênula-da-lentilha-d’água são simplesmente levantamentos de composições de espécies de uma determinada área ou estudos filogenéticos amplos em catenulidos ou platelmintos em geral. Pouco é conhecido sobre a ecologia, o comportamento a e estrutura populacional desta espécie, infelizmente.

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Referências:

Braccini, J. A. L.; Leal-Zanchet, A. M. (2013)  Turbellarian assemblages in freshwater lagoons in southern Brazil. Invertebrate Biology132(4): 305–314. https://dx.doi.org/10.1111/ivb.12032

Marcus, E. (1945) Sôbre Catenulida brasileiros. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, série Zoologia, 10: 3–113.

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