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Sexta Selvagem: Peixe-lua

por Piter Kehoma Boll

Vamos nadar até o mundo dos peixes mais uma vez. E hoje vamos conhecer o mais pesado dos peixes ósseos, o peixe-lua!

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O peixe-lua se parece com um pedaço gigante de cogumelo, não acha? Foto de Per-Ola Norman.

Cientificamente conhecido como Mola mola, o peixe-lua é encontrado em águas tropicais e temperadas dos  oceanos do mundo todo e possui uma aparência bem estranha. E essa não é a única coisa estranha sobre ele. Mais do que ser o peixe ósseo mais pesado no mundo, pesado até mil quilos, ele se alimenta quase exclusivamente de águas-vivas, comendo uma quantidade enorme delas para se tornar tão grande. Além disso, o peixe-lua fêmea é conhecido por produzir até 300 milhões de ovos de uma vez, mais do que qualquer outro vertebrado!

A estranha protuberância na sua parte traseira não é uma nadadeira caudal. Na verdade, peixes-lua não têm cauda nenhuma. Essa estrutura, chamada de clavus, é formada por projeções das nadadeiras dorsal e anal.

Apesar do tamanho gigantesco, peixes-lua não são uma ameaça direta a humanos. As pessoas podem nadar entre eles sem problemas. As formas mais comuns de acidentes com estes peixes são causadas quando barcos colidem com eles ou quando um peixe-lua pula para fora da água e acaba dentro de um barco. Imagine um peixe de meia tonelada aterrissando sobre sua cabeça!

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Referências:

McGrouther, Mark (2011).”Ocean Sunfish, Mola mola“. Australian Museum Online.Disponível em <http://australianmuseum.net.au/ocean-sunfish-mola-mola&gt;. Acesso em 8 de dezembro de 2016.

Wikipedia. Ocean sunfish. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Ocean_sunfish&gt;. Acesso em 8 de dezembro de 2016.

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Sexta Selvagem: Glúgea-de-solha

por Piter Kehoma Boll

Ao procurar por linguados você pode eventualmente encontrar um com algum crescimento grotesco no corpo, como o na foto abaixo:

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Um xenoma causado por Glugea stephani em um linguado Limanda limanda. Foto de Hans Hillewaert.*

Esse tipo de tumor é chamado de xenoma e, em linguados, é causado por um fungo microscópico e parasítico chamado Glugea stephani, ou a glúgea-de-solha.

A glúgea-de-solha é parte de um grupo de fungos chamado Microscoporidia que até recentemente eram classificados como protistas. Eles são unicelulares e parasitam outros organismos, especialmente crustáceos e peixes.

Uma vez dentro de um linguado, a glúgea-de-solha entra numa célula intestinal e começa a se desenvolver. Elas podem induzir a célula hospedeira a aumentar de tamanho e podem originar xenomas, que são o estágio mais extremo no desenvolvimento da doença. A proliferação e o estágio ativo da glúgea são livres no citoplasma da célula hospedeira, mas elas podem se converter em uma forma similar a um esporo, chamada esporoblasto, que se mantém dentro de um vacúolo.

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Imagem de microscopia eletrônica de uma célula intestinal de uma solha-de-inverno (Pseudopleuronectes americanus) infectada por glúgea-de-solha (Glugea stephani). O S indica esporoblastos dentro de um vacúolo (SV) e o P são os organismos proliferando dentro do citoplasma (H) do hospedeiro. Imagem extraída de Takvorian & Cali (1983).

Felizmente a maioria das infecções são amenas e não comprometem a saúde do peixe, pelo menos não muito…

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Referências:

Takvorian, P. M.; Cali, A. (1983). Appendages associated with Glugea stephani, a microscporidian found in flounder. Journal of Protozoology, 30(2): 251-256.

Wikipedia. Xenoma. Available at: . Access on September 17, 2016.

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Sexta Selvagem: Solha-de-inverno

por Piter Kehoma Boll

Você consegue ver os dois peixes na foto abaixo?

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Camuflagem perfeita. Duas solhas-de-inverno, Pseudopleuronectes americanus. Foto de Brent Wilson.*

Pertencendo à espécie Pseudopleuronectes americanus, popularmente conhecida como solha-de-inverno, ela é uma espécie de linguado nativa na costa do Atlântico Norte do Canadá e dos Estados Unidos. Ela pode chegar a 70 cm de comprimento e 3,6 kg, apesar de ser menor na maior parte das áreas.

Como com outros linhados, a solha-de-inverno é assimétrica. Ela vive no substrato, deitada em um de seus lados (neste caso, do lado esquerdo) e seu olho esquerdo migrou para o lado direito, de forma que os dois apontam para cima.

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Condenada a deitar-se do lado esquerdo.

Vivendo em águas muito frias, a solha-de-inverno sofre o risco de congelar durante o inverno. Como resultado disso, seu sangue possui um conjunto de proteínas que possuem a habilidade de reduzir o ponto de congelamento da água, permitindo que permaneça líquida abaixo de 0°C.

A solha-de-inverno é um importante peixe comercial nos EUA e considera-se que possui uma carne deliciosa. Ela sofreu com a sobrepesca nas décadas passadas e algumas populações foram quase extintas. Apesar de ter havido uma grande redução na pressão de pesca ultimamente, muitas populações estão se recuperando muito lentamente devido a outros fatores, tal como degradação de habitat e baixa variabilidade genética. Além disso, ainda há áreas em que a sobrepesca possa ainda estar acontecendo.

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Referências:

Duman, J. G.; DeVries, A. L. (1976) Isolation, characterization, and physical properties of protein antifreezes from the winter flounder, Pseudopleuronectes americanusComparative Biochemistry and Physiology Part B: Comparative Biochemistry, 54(3): 375-380.

Wikipedia. Winter flounder. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Winter_flounder >. Acesso em 17 de setembro de 2016.

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Sexta Selvagem: Sambuari

por Piter Kehoma Boll

Vamos mergulhar nas águas marinhas tropicais preenchidas com recifes de corais na costa atlântica da América para conhecer o bonitão da Sexta Selvagem de hoje: o sambuari (Anisotremus virginicus), também chamado de salema ou roncador-listado-americano, entre outros nomes.

Encontrado desde a Flórida até o sudeste brasileiro, o sambuari é um belo peixe de recife, popular em aquários públicos. Em seu ambiente natural, ele ocorre em profundidades variando de 2 a 20 metros e pode atingir 40 cm de comprimento e pesar 930 gramas, apesar de a maioria dos indivíduos possuírem cerca de 25 centímetros.

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Um sambuari de um cardume no México. Crédditos a Simões et al. (2014)

O alimento do sambuari consiste principalmente de invertebrados, tal como moluscos, equinodermos, anelídeos e crustáceos que ele captura à noite. Espécimes jovens geralmente se alimentam de parasitas dos corpos de peixes maiores. Os adultos também podem se alimentar de epibiontes crescendo em tartarugas marinhas, tal como a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), apesar de que isso não parece constituir um hábito muito comum.

Apesar de às vezes ser consumido como alimento por humanos, o sambuari pode estar contaminado com ciguatoxinas, um grupo de toxinas que causam ciguatera, um tipo de intoxicação alimentar.

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Referências:

Froese, R. Anisotremus virginicus. In.: Froese, R.; Pauly, D. (Eds.) FishBase. Available at: <http://www.fishbase.org/summary/1124 >.  Access on February 27, 2016.

Sazima, C.; Grossman, A.; Sazima, I. 2010. Turtle cleaners: reef fishes foraging on epibionts of sea turtles in the tropical Southwestern Atlantic, with a summary of this association type. Neotropical Ichthyology, 8(1). Doi: 10.1590/S1679-62252010005000003

Simões, N.; Zarco Perello, S.; Moreno Mendoza, R. 2014. Checklist of fishes from Madagascar Reef, Campeche Bank, México. Biodiversity Data Journal 2: e1100. Doi: 10.3897/BDJ.2.e1100

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