Arquivo do mês: abril 2018

Sexta Selvagem: C. elegans

por Piter Kehoma Boll

Apesar do seu pesqueno tamanho, o camarada de hoje é um dos organismos mais importantes na pesquisa científica atual. Com o nome de Caenorhabditis elegans e geralmente chamado simplesmente de C. elegans, este verme é um nematódeo e atinge cerca de 1 mm de comprimento e vive no solo em áreas temperadas.

Um hermafrodita adulto de C. elegans. Foto de Bob Goldstein.**

Há apenas quatro feixes de músculos correndo ao longo do corpo do C. elegans e eles só permitem que o verme se curve dorsal ou ventralmente, mas não lateralmente. Assim, ao se mover por uma superfície horizontal, os vermes são forçados a ficarem deitados sobre o lado esquerdo ou direito.

A principal fonte de alimento do C. elegans são bactérias que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, apesar de eles também poderem se alimentar de algumas espécies de leveduras. Como resultado eles proliferam em solos ricos em matéria orgânica, onde bactérias ocorrem em abundância.

O sexo do C. elegans é incomum. Um organismo adulto pode ser ou macho ou hermafrodita, sem formas que sejam fêmeas puras. Os hermafroditas são a forma mais comum e geralmente se autofertilizam, apesar de poderem, e aparentemente preferirem, acasalar com machos. As larvas passam por quatro estágios larvais antes de se tornarem adultos, mas isso acontece muito rapidamente, visto que, em condições ideais, o tempo de vida do C. elegans é de cerca de 2 a 3 semanas. Contudo, em condições em que não há comida suficiente, um terceiro estágio larval alternativo chamado dauer pode se formar. O estágio dauer possui o corpo todo selado, incluindo a boca, o que o impede de ingerir alimento, e pode permanecer assim por alguns meses até que as condições estejam boas novamente.

Como a maioria dos nematódeos, o C. elegans apresenta eutelia, isto é, o verme adulto possui um número de células geneticamente determinado no corpo. Este número é fixo e não muda, pois a divisão celular para de ocorrer em adultos. C. elegans machos possuem 1031 células e hermafroditas possuem 959 células.

Devido ao seu pequeno tamanho, número de células pequeno e fixo, corpo transparente e facilidade de ser criado em laboratório, o C. elegans se tornou o organismo-modelo perfeito. Ele foi o primeiro organismo a ter seu genoma inteiramente sequenciado e é o único organismo com um conectoma (mapa das conexões neuronais) completo. Ele vem sendo usado em estudos sobre envelhecimento, desenvolvimento, apoptose e todo tipo de expressão de genes.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências e leitura adicional:

Brenner, S. (1974) The genetics of Caenorhabditis elegans. Genetics 77(1): 71-94.

Klass, M. R. (1977) Aging in the nematode Caenorhabditis elegans: Major biological and environmental factors influencing life span. Mechanisms of Ageing and Development 6: 413–429. https://doi.org/10.1016/0047-6374(77)90043-4

Peden, E.; Killian, D. J.; Xue, D. (2008) Cell death specification in C. elegans. Cell Cycle 7(16): 2479–2484. https://doi.org/10.4161/cc.7.16.6479

Wikipedia. Carnorhabditis elegans. Disponível em< https://en.wikipedia.org/wiki/Caenorhabditis_elegans >. Acesso em 16 de abril 2018.

– – –

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

1 comentário

Arquivado em Sexta Selvagem, vermes, Zoologia

Quarta de Quem: Eduard von Martens

por Piter Kehoma Boll

Hoje é o 187º aniversário do zoólogo alemão Carl Eduard von Martens.

Nascido em Stuttgard em 18 de abril de 1831, von Martens tinha três irmãs mais velhas. Seu pai era conselheiro no Serviço Civil de Würtemburg, mas é mais conhecido como um explorador da Fauna e da Flora do sul da Alemanha. Como tanto seu pai quanto suas irmãs mostravam grande interesse no mundo natural, von Martens seguiu seus passos e desde uma tenra idade se interessou em coletar e estudar conchas. Na escola, ele sempre foi um aluno impressionante e mostrava pouco interesse em brincar com os outros meninos, preferindo dedicar seu tempo à sua paixão por conchas.

Mais tarde, ele foi a Tübingen e estudou medicina na universidade local. Sob os ensinamentos de Hugo von Mohl (1805–1872) e Friedrich August von Quenstedt (1809–1889), von Martens expandiu seus estudos em história natural e se tornou particularmente interessado na estrutura e distribuição de animais no espaço e no tempo. Após se graduar em 1855, ele se mudou para Berlim, atraído pela fama de Johannes Peter Müller (1801–1858). Após voltar de uma excursão de férias à Noruega com Müller, von Martens foi chamado ao Museu Zoológico de Berlim (atualmente o Museu de História Natural de Berlim) que naquela época era dirigido por Hinrich Lichtenstein (1780–1857). A partir de 1859, von Martens se tornou ligado à instituição, ficando responsável pela divisão de invertebrados (excluindo insetos). Sob seus cuidados, a coleção de moluscos cresceu enormemente, tornando-se uma das maiores no mundo até o presente.

Em 1860, von Martens embarcou na expedição Thetis do governo prússio para a Ásia Oriental, ficando com a expedição até 1862. Quando o navio retornou à Europa, ele permaneceu dois anos a mais na Ásia e estudou intensivamente a fauna local, especialmente os moluscos das Ilhas Sunda e Molucas.

Carl Eduard von Martens, cerca de 1901.

Durante sua carreira, von Martens descreveu quase 1800 espécies animais, das quais 1680 eram moluscos, tornando-se assim um dos nomes mais influentes da malacologia.

Ele morreu em 14 de agosto de 1904, aos 73 anos, deixando a esposa e uma filha, bem como uma contribuição imensurável à biologia.

– – –

Referências:

Wikipedia. Eduard von Martens. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Eduard_von_Martens >. Acessso em 17 de abril de 2019.

1 comentário

Arquivado em Biografias