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Sobre Piter Keo

PhD in Biology working with ecology, behavior and taxonomy of land planarians. I love biology, astronomy, languages and mythology, among other things.

Sexta Selvagem: Carrapato-de-Rinoceronte

por Piter Kehoma Boll

Parasitas existem existem em todo lugar e, apesar de muitos de nós verem-nos como criaturas odiosas, mais da metade de todas as formas de vida conhecidas vivem como parasitas pelo menos em parte da vida. E provavelmente há muitos parasitas ainda desconhecidos por aí. Hoje vou falar sobre um deles, que é encontrado em grandes porções da África.

Seu nome é Dermacentor rhinocerinus, conhecido como o carrapato-de-rinoceronte. Como seu nome sugere, ele é um carrapato, portanto um ácaro parasita, e seu estágio adulto vive na pele dos rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum) e dos criticamente ameaçados rinocerontes-negros (Diceros bicornis).

Um carrapato-de-rinoceronte macho preso à pele de um rinoceronte na África do Sul. Créditos ao usuário bgwright do iNaturalist.*

Machos e fêmeas do carrapato-de-rinoceronte são consideravelmente diferentes. Em machos, o corpo possui um fundo preto com muitas manchas laranjas grandes. Em fêmeas, por outro lado, o abdome é principalmente preto com somente duas grandes manchas laranjas e a placa no tórax é laranja com duas pequenas manchas pretas. Machos e fêmea acasalam na superfície dos rinocerontes. Após o acasalamento, a fêmea começa a aumentar de tamanho enquanto os ovos se desenvolvem dentro dela e então cai ao chão, pondo os ovos lá.

Um carrapato-de-rinoceronte fêmea esperando pacientemente que um rinoceronte passe por perto. Foto de Martin Weigand.*

As larvas, assim que eclodem, passam a procurar por outro hospedeiro, geralmente um mamífero de pequeno porte como roedores e musaranhos-elefantes. Elas se alimentam desse hospedeiro menor até atingirem o estágio adulto, quando então caem ao chão e sobem na vegetação ao redor, esperando que um rinoceronte passe por ali e então se agarrando a ele.

Esforços de conservação para preservar a biodiversidade são focados principalmente em vertebrados, especialmente aves e mamíferos. Rinocerontes, que são hospedeiros essenciais para o carrapato-de-rinoceronte sobreviver, são frequentemente parte de programas de conservação e, de maneira a aumentar seu sucesso reprodutivo, a prática de remover parasitas de sua pele é comum. Isso é, no entanto, ruim para os carrapatos-de-rinoceronte. Se seu hospedeiro está ameaçado, eles certamente estão ameaçados também, e removê-los piora ainda mais sua condição. Os parasitas são menos importantes para o planeta? Eles não merecem viver como qualquer outra forma de vida? Não podemos nos esquecer de que a natureza precisa de mais do que só aquilo que consideramos bonito.

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Mais ácaros e carrapatos:

Sexta Selvagem: Ácaro-de-Veludo-Vermelho-Gigante (em 22 de junho de 2016)

Sexta Selvagem: Ácaro-da-Lacerdinha-da-Figueira (em 28 de junho de 2019)

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Referências:

Horak IG, Fourie LJ, Braack LEO (2005) Small mammals as hosts of immature ixodid ticks. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 72:255–261.

Horak IG, Cohen M (2001) Hosts of the immature stages of the rhinoceros tick, Dermacentor rhinocerinus (Acari, Ixodidae). Onderstepoort Journal of Veterinary Research 68:75–77.

Keirans JE (1993) Dermacentor rhinocerinus (Denny 1843) (Acari: Ixodida: Ixodidae): redescription of the male, female and nymph and first description of the larva. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 60:59–68.

Mihalca AD, Gherman CM, Cozma V (2011) Coendangered hard ticks: threatened or threatening? Parasites & Vectors 4:71. doi: 10.1186/1756-3305-4-71

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Invasões alienígenas: a resistência está nos arroios

por Piter Kehoma Boll

Atividades humanas têm introduzido, seja deliberadamente ou acidentalmente, várias espécies em áreas fora de sua região nativa. Muitas destas espécies, quando alcançam um novo ecossistema, podem ter efeitos devastadores nas comunidades locais.

Uma prática comum é a introdução de peixes exóticos para produção de alimento ou para recreação. Apesar de o impacto de espécies de peixes exóticos poder ser severo, há vários fatores que modulam esta severidade. Contudo uma situação na qual os resultados podem ser catastróficos é quando peixes são introduzidos em corpos d’água que originalmente não possuíam peixes.

Arroios e lagos de montanha geralmente não possuem peixes por causa de barreiras físicas, especialmente quedas d’água, pois elas previnem peixes de se moverem rio acima. Mas peixes foram introduzidos em muitos lagos de montanha para fornecer um estoque local de alimento ou para pesca esportiva.

Um local que recebeu tal praga foi o Parque Nacional Gran Paradiso nos Alpes Italianos Ocidentais. Durante os anos 1960, a truta-das-fontes, Salvelinus fontinalis, um peixe que é nativo da América do Norte, foi introduzida em vários dos lagos de altitude do parque. Mais tarde, quando a área se tornou protegida, a pesca foi proibida.

Salvelinus fontinalis, a truta-das-fontes. Foto de Alex Wild.

De 2013 a 2017, um programa de erradicação de peixes foi conduzido em quatro lagos do parque: Djouan, Dres, Leynir e Nero. Os peixes foram capturados usando redes de emalhar e pesca elétrica. Como as trutas haviam colonizado os arroios que são conectados aos lagos, tiveram de ser removidas de lá também.

As comunidades de organismos vivendo em lagos e arroios foram monitoras para avaliar sua recuperação após a remoção dos peixes. Os lagos mostraram uma resiliência notável, chegando a uma estrutura de comunidade similar à de lagos onde peixes nunca foram introduzidos. Os arroios, por outro lado, não apresentaram grande diferença antes e depois da remoção de peixes. A razão, no entanto, não é porque os arroios possuem pouca resiliência. Ao contrário, os arroios mostraram grande resistência à invasão dos peixes. As trutas não pareceram afetar tanto as comunidades de macroinvertebrados de arroios. Mas por quê?

Lago Dres no Parque Nacional Gran Paradiso. Imagem extraída do website do parque (http://www.pngp.it).

Uma hipótese era de que macroinvertebrados constantemente colonizam os arroios por dispersão passiva, vindo de águas rio acima. Contudo isso não é aplicável a arroios que drenam os lagos, já que as comunidades de arroios e lagos são bem diferentes. Baixa predação por parte das trutas não é uma opção tampouco, porque se demonstrou que trutas de arroio na verdade comem mais que as de lago. Talvez invertebrados de arroio se reproduzam mais rapidamente que os de lagos? Não! Estudos demonstraram que isso é similar em ambos os ambientes.

A razão por que invertebrados de arroio são menos afetados pela introdução de peixes ainda é um mistério. Uma explicação possível é que arroios apresentam mais micro-habitats que não são explorados pelas trutas, fornecendo refúgio para os invertebrados. Precisamos de mais estudos para entender o que está acontecendo.

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Pense nos vermes, não só nas baleias, ou: como uma planária salvou um ecossistema.

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Referências:

Tiberti R, Bogliani G, Brighenti S, Iacobuzio R, Liautaud K, Rolla M, Hardenberg A, Bassano B. (2019) Recovery of high mountain Alpine lakes after the eradication of introduced brook trout Salvelinus fontinalis using non-chemical methods. Biological Invasions 21: 875–894. doi: 10.1007/s10530-018-1867-0

Tiberti R, Brighenti S (2019) Do alpine macroinvertebrates recover differently in lakes and rivers after alien fish eradication? Knowledge & Management of Aquatic Ecosystems 420: 37. doi: 10.1051/kmae/2019029

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Sexta Selvagem: Besouro-estalador-olhudo-oriental

por Piter Kehoma Boll

Durante as noites mais quentes do ano, na metade oriental dos Estados Unidos, você pode encontrar um besouro bonitão que estala quando é perturbado. Seu nome é Alaus oculatus, também conhecido como besouro-estalador-olhudo-oriental.

Besouro-estalador-olhudo-oriental na Carolina do Sul, EUA. Foto de Phillip Harpootlian.*

Esta espécie pertence à família Elateridae ou besouros-estaladores. Todas as espécies nesta família possuem um mecanismo interessante em seu tórax que as permite saltarem no ar com um estalo, de onde o nome besouro-estalador. Isso é usado para evitar predadores e também para ajudar o besouro a se endireitar caso caia de costas.

Veja-o estalando!

O besouro-estalador-olhudo-oriental mede cerca de 2.5 a 4.5 cm de comprimento e possui uma cor cinza-escura a preta com várias pequenas manchas brancas. O pronoto, a parte dorsal do segmento mais anterior do tórax, possui duas grandes manchas pretas com um contorno branco que se parecem com dois olhos. Estas manchas são na verdade mais que pretas, são superpretas. Isso significa que elas absorvem mais que 96% da luz em todos os ângulos.

Um espécime na Filadélfia, EUA. Foto de Eduardo Duenas.*

Como adulta, esta espécie é principalmente noturna, como a maioria dos besouros-estaladores, e se alimenta de néctar e outros sucos de plantas. Eles podem ser encontrados dentro de casas, sendo atraídos pela luz das lâmpadas à noite.

A voraz larva ou verme-arame do besouro-estalador-olhudo-oriental. Foto de M. J. Raupp.

Diferente dos hábitos vegetarianos dos adultos, as larvas do besouro-estalador-olhudo-oriental são predadores vorazes. Elas vivem em madeira em decomposição e se alimentam de larvas de outros besouros, especialmente da família Cerambycidae, os besouros-chifrudos. As larvas de todos os besouros-estaladores possuem um corpo achatado com segmentos bem marcados e são conhecidas como verme-arame. No besouro-estalador-olhudo-oriental, os segmentos abdominais da larva são amarelos, exceto pelo último, que possui um tom laranja. Os três segmentos torácicos possuem a mesma cor, o anterior sendo o mais largo e mais escuro. A cabeça é marrom-escura a preta. As pupas, por outro lado, possuem aquela aparência miserável da maioria das pupas de insetos, sendo esbranquiçadas e se parecendo com um adulto incompleto preso em cera.

Apesar de consideravelmente popular, o besouro-estalador-olhudo-oriental não é uma espécie bem conhecida. Há muito sobre sua ecologia que precisa ser investigado.

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Referências:

Casari SA (2002) Larvae of Alaus myopsA. oculatusChalcolepidius porcatusHemirhipus apicalis and generic larval characterization (Elateridae, Agrypninae, Hemirhipini). Iheringia, Série Zoologia 92(2): 93–110.

Wikipedia. Alaus oculatus. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Alaus_oculatus >. Access on October 4, 2019.

Wong VL, Marek PE (2019) Super black eyespots of the eyed elater. PeerJ Preprints 7:e27746v1 https://doi.org/10.7287/peerj.preprints.27746v1

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Sexta Selvagem: Asa-de-Colher-Turca

por Piter Kehoma Boll

Continuando a tradição que apliquei nos dias da quinquagésima e da centésima Sexta Selvagem, hoje teremos duas novamente, de forma que você não precisa esperar mais uma semana pela ducentésima primeira.

Vamos sair do mar no noroeste da Europa para a terra no sudeste da Europa, mais precisamente na região mediterrânea entre os Bálcãs e a Turquia. Durante maio e junho, você pode encontrar esta espécie voando em prados e campos procurando por flores amarelas. Seu nome é Nemoptera sinuata, uma das espécies do gênero Nemoptera, conhecidas em inglês como spoonwings (asas-de-colher) ou thread-winged antlions (formigas-leões-de-asas-de-barbante). Para distingui-la de outras espécies, decidi chamá-la de asa-de-colher-turca.

Uma asa-de-colher-turca visitando as flores de Achillea coarctata na Bulgária. Foto de Paul Cools.*

Como todas as formigas-leões, a asa-de-colher-turca é um inseto da ordem Neuroptera. Os adultos possuem um par de grandes e ovais asas anteriores e um par de longas e finas asas posteriores, ambas possuindo um padrão de marcas pretas e brancas que fazem ser difícil localizá-los contra o fundo. Eles são exclusivamente diurnos e e voam muito lentamente usando apenas as asas anteriores. Quando encontram suas flores favoritas, eles se alimentam do pólen e mais nada, tendo as peças bucais adaptadas para essa dieta.

Após ser inseminada por um macho, a fêmea começa a pôr os ovos. Ela pousa numa flor ou inflorescência e põe um ovo a cada dois minutos, pondo até 14 em um dia e até 70 durante seus 20 dias de vida como adulta. Os ovos, que são brancos e esféricos, caem diretamente no chão.

Espécime adulto na Grécia. Foto de Kostas Zontanos.*

As larvas deixam os ovos após cerca de 19 dias e são cinzas com manchas pretas nos segmentos do tórax e do abdome. Elas possuem mandíbulas grandes e se enterram no solo a uma profundidade de cerca de 1 cm. Como outras formigas-leões, elas se alimentam de pequenos artrópodes que capturam de surpresa pulando para fora do solo, apesar de as espécies exatas comidas por elas permanecerem em grande parte um mistério. As larvas provavelmente viram pupas durante o inverno e se tornam adultos por volta de maio do ano seguinte, preenchendo os prados novamente para buscar por flores amarelas ao sol.

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Referências:

Krenn HW, Gereben-Krenn BA, Steinwender BM, Popov A (2008) Flower visiting Neuroptera: mouthparts and feeding behavior of Nemoptera sinuata (Nemopteridae). European Journal of Entomology 105: 267–277.

Popov A (2002) Autoecology and biology of Nemoptera sinuata Olivier (Neuroptera: Nemopteridae). Acta Zoologica Academiae Scientiarum Hungaricae 48(Suppl. 2): 293–299.

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Sexta Selvagem: Aranha-do-Mar-Grácil

por Piter Kehoma Boll

Chegamos à ducentésima Sexta Selvagem! E para concluir mais um grupo de cem espécies, vou apresentar mais uma vez um grupo que nunca apareceu aqui, as chamadas aranhas-do-mar!

A espécie que escolhi é Nymphon gracile, comumente chamada de aranha-do-mar-grácil. Ela ocorre no oceano Atlântico Norte na costa da Europa, especialmente entre a França e a Escandinávia.

Uma aranha-do-mar-grácil na Noruega. Foto de Asbjørn Hansen.**

Como a maioria das aranhas-do-mar, a aranha-do-mar-grácil possui um corpo muito fino ao qual quatro longos pares de pernas são conectados. Bem, longo aqui é uma medida relativa, porque a criatura inteira cabe na ponta de seu dedo. Na região anterior, há uma cabeça que inclui a probóscide, usada para ingerir o alimento, um par de quelíforos, análogos às quelíceras dos aracnídeos, um par de palpos e um par de ovígeros, apêndices longos e finos usados para carregar os ovos e os filhotes. A cabeça possui quatro pequenos olhos localizados muito próximos uns dos outros em uma mancha no meio do dorso bem na frente do primeiro par de patas e acima dos ovígeros. O quarto par de patas parece ficar bem no fim do corpo. O abdome é apenas vestigial.

Veja como é minúscula. Foto do usuário gogol do iNaturalist.*

A aranha-do-mar-grácil vive em águas raras e é frequentemente encontrada na praia se você prestar atenção. Ela se alimenta principalmente de hidroides, isto é, pequenos cnidários sésseis da classe Hydrozoa, e de briozoários, os quais captura com sua probóscide e os apêndices circundantes. Para distribuir nutrientes pelo corpo, a aranha-do-mar-grácil, como outras aranhas-do-mar, possui um intestino altamente ramificado que inclui ramos entrando nas pernas, provavelmente pela falta de um abdome funcional.

Durante o inverno, a aranha-do-mar-grácil se afasta da praia e acasala em águas mais profundas. Tanto os machos quanto as fêmeas possuem as gônadas dentro do primeiro segmento das pernas. Assim, quando os ovos começam a se desenvolver nos ovários da fêmea, suas pernas se tornam muito mais grossas que as do macho. Quando o acasalamento acontece, o macho se move para baixo da fêmea e captura, com seus ovígeros, os ovos que ela libera através de um único poro na base de cada perna. O macho então fertiliza os ovos liberando esperma de poros na base de suas pernas e os carrega com ele até o começo da primavera, quando ele volta para a praia e libera os juvenis sobre colônias de hidroides e briozoários.

Um macho carregando uma massa de ovos com seus ovígeros. As linhas escuras vistas dentro das pernas e dos quelíforos são os ramos do intestino. Foto de Julien Renoult.*

O genoma mitocondrial da aranha-do-mar-grácil foi o primeiro a ser sequenciado para os picnogonídeos. Ele apresenta uma série de relocações gênicas comparado a outros artrópodes, o que pode explicar, ao menos parcialmente, por que este grupo é tão incomum. Poderíamos dizer que a aranha-do-mar-grácil, e as aranhas-do-mar em geral, evoluíram para se tornarem apenas pernas. Elas são basicamente um grupo de pernas sem corpo!

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Referências:

Isaac MJ, Jarvis HJ (1973) Endogenous tidal rhythicity in the littoral pycnogonid Nymphon gracile (Leach). Journal of Experimental Marine Biology and Ecology 13(1): 83–90. doi: 10.1016/0022-0981(73)90049-X

King PE, Jarvis JH (1970) Egg development in a littoral pycnogonid Nymphon gracile. Marine Biology 7: 294–304. doi: 10.1007/BF00750822

Podsialowski L, Braband A (2006) The complete mitochondrial genome of the sea spider Nymphon gracile (Arthropoda: Pycnogonida). BMC Genomics 7: 284. doi: 10.1186/1471-2164-7-284

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

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Novas Espécies: Setembro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Bolbitis lianhuachihensis é uma nova samambaia de Taiwan. Créditos a Chao et al. (2019).*

Plantas

Codonoboea norakhirrudiniana é uma nova planta com flores da Malásia. Créditos a Kiew and Lim (2019).*
Swertia hongquanii é uma nova planta com flor da China. Créditos a Li et al. (2019).*

Amebozoários

Fungos

Clitopilus lampangensis é um novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Kumla et al. (2019).*

Poríferos

Tsitsikamma michaeli é uma nova esponja da África do Sul. Créditos a Parker-Nance et al. (2019).*

Cnidários

Platelmintos

Briozoários

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Tardígrados

Aracnídeos

Miriápodes

Petrolisthes virgilius é um novo caranguejo do Caribe. Créditos a Hiller and Werding (2019).*
Tanaella quintanai é um novo tanaídeo da Colômbia. Créditos a Morales-Núñez and Ardila (2019).*

Crustáceos

Acerentulus bulgaricus é um novo proturo da Bulgária. Créditos a Shrubovych et al. (2019).*

Hexápodes

Panorpa jinhuaensis é uma nova mosca-escorpião da China. Créditos a Wang et al. (2019).*

Tunicados

Actinopterígios

Anfíbios

Lycodon pictus é uma nova cobra do Vietnã. Créditos a Janssen et al. (2019).*

Répteis

Crododylus halli é uma nova espécie de crocodilo da Nova Guiné. Foto extraída de sMurray et al. (2019).

Mamíferos

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Sexta Selvagem: Mosquito-de-Remo-Azul

por Piter Kehoma Boll

Uma doença tropical comum em áreas de floresta da América do Sul é a febre amarela. Afetando a maioria das espécies de primatas, a febre amarela é geralmente transmitida pelo famoso mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e zika, todas doenças causadas por vírus do gênero Flavivirus.

Mas em áreas de floresta das Américas Central e do Sul, outras espécies de mosquito também podem transmitir a febre amarela a humanos e macacos. Uma destas espécies é Sabethes cyaneus, que eu decidi chamar de mosquito-de-remo-azul. Esta espécie ocorre do México até a Argentina e o Brasil e, diferente da maioria dos mosquitos, é diurna.

Uma fêmea prestes a ter um almoço sangrento em um humano no México. Foto de Carlos Alvarez N.*

Mesmo se você não acha mosquitos criaturas legais na maior parte do tempo, precisa admitir que o mosquito-de-remo-azul é um animal lindo. O corpo do adulto é escuro e possui um tom azul metálico no dorso e nas pernas, sendo ligeiramente mais verde no dorso e ligeiramente mais roxo nas pernas. Mais que isso, o segundo par de pernas possui um grande tufo de pelos que as faz parecerem um par de remos.

Mas qual é a função desses remos? A primeira sugestão é de que eles são sexualmente selecionados e provavelmente são importantes para cortejar a fêmea. Mas as fêmeas também possuem remos e, se seles fossem resultado de seleção sexual causada por fêmeas sobre machos, eles provavelmente seriam muito maiores em machos, o que não é o caso.

Outra fêmea se alimentando de um humano, dessa vez no Paraguai. Foto de Joaquin Movia.*

Os machos realizam, de fato, um ritual de corte complexo na frente das fêmeas usando suas pernas com remos. Quando as fêmeas estão preparadas para acasalar, elas pousam verticalmente num galho e esperam que machos venham e dancem na frente delas. A maioria dos machos é rejeitada pela fêmea e, quando ela finalmente escolhe um macho, ela vai copular apenas com ele. Machos, por outro lado, copulam com várias fêmeas. Isso aumenta ainda mais a ideia de que os remos precisam ter alguma importância na escolha das fêmeas.

Macho (esquerda) e fêmea (direita). Imagem extraída de South & Arnqvist (2008).

Não é o que se descobriu, no entanto. Quando os remos de um macho são reduzidos de tamanho ou removidos completamente, ele ainda tem as mesmas chances de conseguir uma fêmea que um macho intacto. Por outro lado, uma fêmea cujos remos foram removidos raramente atrai algum macho. Ela fica pousada no seu galho esperando e esperando e nenhum macho virá dançar para ela. O interesse que mosquitos-de-remo-azuis machos possuem por remos é tão forte que eles até mesmo abordam outros machos com remos grandes.

A razão pela qual esta espécie apresenta forte preferência por parte dos machos e fraca preferência por parte das fêmeas ainda é um mistério, mas é uma boa forma de nos lembrar de que nossas ideias sobre seleção sexual não são tão bem estabelecidas quanto pensamos.

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Referências:

Hancock RG, Foster WA, Lee WL (1990) Courtship behavior of the mosquito Sabethes cyaneus (Diptera: Culicidae). Journal of Insect Behavior 3(3): 401–416. doi: 10.1007/BF01052117

South SH, Arnqvist G (2008) Evidence of monandry in a mosquito (Sabethes cyaneus) with elaborate ornaments in both sexes. Journal of Insect Behavior 21: 451. doi: 10.1007/s10905-008-9137-0

South SH, Arnqvist G (2011) Male, but not female, preference for an ornament expressed in both sexes of the polygynous mosquito Sabethes cyaneus. Animal Behaviour 81(3): 645–651. doi: 10.1016/j.anbehav.2010.12.014

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