Arquivo do mês: junho 2019

Novas Espécies: Junho de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Dysosmobacter welbionis é uma nova bactéria isolada de fezes humanas. Créditos a Le Roy et al. (2019).*

Arqueias

SARs

Solanum plastisexum é um novo tomate selvagem da Austália. Créditos a McDonnell et al. (2019).*
Impatiens jenjittikulia é uma nova planta com flores da Tailândia. Créditos a Ruchisansakun & Suksathan (2019).*

Plantas

Oreocharis odontopetala é uma nova planta com flores da China. Créditos a Fu e al. (2019).*
Dysosma villosa é outra nova planta com flor da China. Créditos a Wang et al. (2019).*

Fungos

Octospora conidophora é um novo ascomiceto da África do Sul. Créditos a Sochorová et al. (2019).*
Amanita bweyeyensis é um novo cogumelo da África. Créditos a Fraiture et al. (2019).*
Cacaoporus tenebrosus é um novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Vadthanarat et al. (2019).*
Erythrophylloporus paucicarpus é outro novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Vadthanarat et al. (2019).*

Poríferos

Cnidários

Platelmintos

Acanthobothrium vidali é uma nova tênia do intestino da raia elétrica gigante no México. Créditos a Zaragoza-Tapia et al. (2019).*

Rotiferans

Bryozoans

Brachiopods

Mollusks

Annelids

Kinorhynchs

Nematodes

Fêmea (esquerda) e macho (direita) de Platythomisus xiandao, uma nova aranha da China. Créditos a Lin et al. (2019).

Aracnídeos

Myriapods

Cristimenes brucei é um novo camarão da Coreia. Créditos a Park et al. (2019).*

Crustáceos

Rhabdoblatta ecarinata é uma nova barata da China. Créditos a Yang et al. (2019).*

Hexápodes

Lochmaea tsoui é um novo besouro de Taiwan. Créditos a Lee (2019).*
Hyphantrophaga calixtomoragai é uma nova mosca da Costa Rica. Créditos a Fleming et al. (2019).*

Condrícties

Actinopterígios

Gracixalus yunnanensis é uma nova rã da China. Créditos a Yu et al. (2019).*

Anfíbios

Megophrys nankunensis (macho à esquerda, fêmea à direita) é outra nova rã da China. Créditos a Wang et al. (2019). *
Fêmea (à esquerda) e macho (à direita) de Pristimantis andinogigas, uma nova rã do Equador. Créditos a Yánez-Muñoz et al. (2019).*
Micryletta aishani é uma nova rã da Índia. Crédito a Das et al. (2019).*

Répteis

Mamíferos

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Sexta Selvagem: Ácaro-da-lacerdinha-da-figueira

por Piter Kehoma Boll

Semana passada, apresentei a lacerdinha-da-figueira, que se alimenta de várias figueira, incluindo a figueira-lacerdinha e a figueira-cubana. Hoje, continuaremos subindo pela cadeia alimentar e falaremos sobre um ácaro que é parasita da lacerdinha-da-figueira. Chamado Adactylidium gynaikothripsi, decidi dar a ele o nome comum de “ácaro-da-lacerdinha-da-figueira”.

O ácaro-da-lacerdinha-da-figueira foi descrito apenas em 2011 a partir de populações da lacerdinha-da-figueira na Grécia. Este é o quarto ácaro do gênero Adactylidium que se sabe que parasita a lacerdinha-da-figueira, os outros três sendo Adactylidium ficorum (“ácaro-da-figueira-lacerdinha”), A. brasiliensis (“ácaro-da-lacerdinha-brasileiro”) and A. fletchmani (“ácaro-da-lacerdinha-de-Fletchman”). Como você deve imaginar, para parasitar um inseto tão pequeno como a lacerdinha-da-figueira, estes ácaros precisam ser ainda menores, medindo cerca de 0,1 mm de comprimento.

Fêmea adulta do ácaro-da-lacerdinha-da-figueira. Extraído de Antonatos et al. (2011).

O ciclo de vida do ácaro-da-lacerdinha-da-figueira, que é basicamente o mesmo para todas as espécies de Adactylidium, é bem bizarro. Fêmeas adultas se alimentam dos ovos da lacerdinha-da-figueira. Elas começam sua vida adulta vagando sobre folhas de figueira procurando um ovo de lacerdinha adequado para atacarem. Uma vez que o acham, elas furam a casca do ovo com suas quelíceras e se prendem a eles como carrapatos, começando a comer. Elas se alimentam de um só ovo ao longo de toda a vida. Se elas não são capazes de encontrar um ovo, podem também se prender a uma lacerdinha adulta como último recurso, caso contrário morrerão em poucas horas.

Assim que a fêmea começa a comer, um pequeno grupo de ovos, geralmente entre 5 e 10, começa a se desenvolver dentro dela. Os ovos crescem durante as primeiras 48 horas após a fêmea se prender ao ovo, fazendo-a dobrar de tamanho e se tornando algo como um saco de ovos esférico. Os ovos eclodem por essa época e as larvas ficam dentro da mãe. Estas larvas não possuem peças bucais, portanto se acredita que absorvam nutrientes da mãe diretamente pela superfície corporal. Cerca de 24 horas mais tarde, as larvas se transformam em ninfas, que permanecem inativas dentro da pele descartada de larva. Elas também não possuem nenhuma peça bucal.

Fêmeas de ácaro-da-lacerdinha-da-figueira presas a ovos da lacerdinha-da-figueira. Extraído de Antonatos et al. (2011).*

Outras 24 se passam e as ninfas se transformam em ácaros adultos. Elas ainda estão dentro da mãe quando isso acontece. Os adultos são compostos sempre de um único macho e várias fêmeas. Este macho então começa a copular com as próprias irmãs, ainda dentro do abdome da mãe, e, quando a cópula termina, eles começam a rasgar o corpo da mãe em pedaços para se libertarem, matando-a no processo. Uma vez fora do corpo, o macho morre em poucos minutos, nunca comendo nada além do corpo da própria mãe. As fêmeas, por outro lado, começam a procurar por ovos de lacerdinha para se alimentarem, apenas para serem mortas pelos próprios filhos menos de 4 dias depois.

Este ciclo de vida inteiro pode parecer insano de nossa perspectiva humana, mas a natureza nunca esteve interessada em seguir nosso código moral.

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Referências:

Antonatos SA, Kapaxidi EV, Papadoulis, GT (2011) Adactylidium gynaikothripsi n. sp. (Acari: Acarophenacidae) associated with Gynaikothrips ficorum (Marshal) (Thysanoptera: Phlaeothripidae) from Greece. International Journal of Acarology, 37(sup1), 18–26. doi: 10.1080/01647954.2010.531763

Elbadry, EA, Tawfik, MSF (1966) Life Cycle of the Mite Adactylidium sp. (Acarina: Pyemotidae), a Predator of Thrips Eggs in the United Arab Republic. Annals of the Entomological Society of America, 59(3), 458–461. doi:10.1093/aesa/59.3.458

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Arquivado em Aracnídeos, Sexta Selvagem

Uma perereca camaleônica

por Piter Kehoma Boll

Quando pensamos em animais mudando de cor para se adaptarem à cor de fundo, prontamente pensamos em camaleões, ou talvez em alguns trocadores de cores extremamente rápidos, incluindo cefalópodes como polvos e sépias. Contudo muitos outros animais possuem esta habilidade.

Um exemplo são as pererecas da família Rhacophoridae, especialmente do gênero Rhacophorus.

Recentemente, o fenômeno foi registrado pela primeira vez para a espécie Rhacophorus smaragdinus no nordeste da Índia. O animal era de um verde vívido quando encontrado, mas, assim que os pesquisadores o manipularam, ele mudou para um marrom fosco em questão de segundos, apenas para lentamente voltar ao verde depois de ser deixado em paz.

Uma fêmea de Rhacophorus smaragdinus se torna marrom ao ser manipulada e começa lentamente a se tornar verde novamente quando deixada em paz. Créditos a CK et al. (2019).*

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Referência:

CK D, Payra A, Tripathy B, Chandra K (2019) Observation on rapid physiological color change in Giant tree frog Rhacophorus smaragdinus (Blyth, 1852) from Namdapha Tiger Reserve, Arunachal Pradesh, India. Herpetozoa 32: 95–99. doi: 10.3897/herpetozoa.32.e36023

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Arquivado em anfíbios, Comportamento, Zoologia

Sexta Selvagem: Lacerdinha-da-Figueira

por Piter Kehoma Boll

Semana passada eu apresentei a magnífica figueira-lacerdinha Ficus microcarpa. Hoje, trago um insetinho que a ama, mas não é amado de volta, a lacerdinha-da-figueira, Gynaikothrips ficorum.

Como seu nome sugere, a lacerdinha-da-figueira é uma lacerdinha, isto é, um inseto da ordem Thysanoptera, também conhecidos como tripes. Adultos desta espécie medem cerca de 3 mm de comprimento e possuem um corpo preto e alongado e dois pares de asas finas que se dobram sobre o dorso quando em repouso. Suas partes bucais,, como típico em lacerdinhas, são assimétricas, com uma mandíbula direita reduzida e uma mandíbula esquerda desenvolvida que é usada para cortar a superfície de plantas para sugar seus fluidos. Ela é, portanto, uma praga de plantas.

Lacerdinha-da-figueira adulta em Hong Kong. Foto do usuário wklegend do iNaturalist.*

A lacerdinha-da-figueira prefere se alimentar dos fluidos de figueiras, tal como a figueira-lacerdinha apresentada semana passada, mas também de outras espécies, como a figueira-cubana Ficus retusa. Ambas as figueiras, assim como a lacerdinha em si, são nativas do sudeste da Ásia. Outras plantas hospedeiras menos comuns incluem árvores cítricas e orquídeas. As lacerdinhas preferem se alimentar de folhas jovens e tenras e causam pontos escuros, geralmente arroxeados ou avermelhados, na superfície da folha. É comum que a folha se enrole e fique dura, eventualmente morrendo prematuramente. Apesar de a maioria das infestações não causar dano sério ao desenvolvimento da planta, o enrolamento das folhas pode reduzir o seu valor ornamental.

Folhas enroladas e feias causadas pela infestação da lacerdinha na Nova Zelândia. Foto de Stephen Thorpe.*

A reprodução da lacerdinha-da-figueira é basicamente constante, de forma que várias gerações ocorrem ao longo de um ano. Os adultos tomam vantagem das folhas enroladas produzidas pelo seu comportamento alimentar e as usam como proteção para depositar os ovos. Os estágios imaturos, após a eclosão, permanecem dentro do abrigo fornecido pela folha enrolada. Eles são transparentes nos primeiros dois ínstares e depois se tornam amarelo-claros. Somente o último estágio, o adulto, é preto.

Quando você are a folha, pode encontrar uma família inteira. Aqui pode-se ver ovos (grãozinhos brancos) e vários espécimes imaturos em diferentes estágios. Foto de James Bailey.*

Visto que a lacerdinha-da-figueira torna as plantas ornamentais feias, humanos estão sempre tentando encontrar maneiras de matá-la, especialmente usando pesticidas ou, às vezes, predadores naturais da lacerdinha. Mas o insetinho sempre pode revidar. Quando as lacerdinhas caem acidentalmente no corpo das pessoas, tendem a picar, mais provavelmente por acidente, mas isso pode acabar causando uma coceira séria e incômoda. Esse é o preço por mexer com quem está quieto.

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Referências:

Denmark HA, Fasulo TR, Funderburk JE (2005) Cuban laurel thrips, Gynaikothrips ficorum (Marchal) (Insecta: Thysanoptera: Phlaeothripidae). DPI Entomology Circular 59

Paine TD (1992) Cuban Laurel Thrips (Thysanoptera: Phlaeothripidae) Biology in Southern California: Seasonal Abundance, Temperature Dependent Development, Leaf Suitability, and Predation.Annals of the Entomological Society of America 85(2): 164–172. doi: 10.1093/aesa/85.2.164

Piu G, Ceccio S, Garau MG, Melis S, Palomba A, Pautasso M, Pittau F, Ballero M (1992) Itchy dermatitis from Gynaikothrips ficorum March in a family group. Allergy 47(4): 441–442. doi: 10.1111/j.1398-9995.1992.tb02087.x

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Sexta Selvagem: Figueira-Lacerdinha

por Piter Kehoma Boll

Com a postagem de hoje, pretendo começar uma série de três Sextas Selvagens que estão conectadas. Afinal, isso é o que a vida é, não é? Organismos interagindo.

Então para começar, vamos falar hoje sobre uma magnífica árvore, a figueira Ficus microcarpa, comumente conhecida como figueira-lacerdinha, baniano-malaio, gajumaru e muitos outros nomes. Ela ocorre nativamente da China até a Austrália, incluindo todo o sudeste da Ásia e várias ilhas do Pacífico no caminho. Contudo, ela pode ser encontrada em muitos outros países hoje porque se tornou uma planta ornamental um tanto popular.

Uma figueira-lacerdinha no Jardim Botânico de Maui Nui, Havaí. Foto de Forest & Kim Starr.*

Em seu hábitat natural, a figueira-lacerdinha atinge 30 metros de altura ou mais, com uma copa que se espalha por mais de 70 metros e um tronco com mais de 8 metros de espessura. A maioria das árvores são menores, no entanto, e nunca atingem tamanhos tão impressionantes em climas temperados. Sua casca possui uma cor cinza-clara e as folhas são lisas, inteiras e oblanceoladas, com 5 a 6 cm de comprimento. Os figos são consideravelmente pequenos, de onde o nome microcarpa (com frutos pequenos). É comum que espécimes grandes produzam raízes aéreas, que crescem dos galhos e tocam o solo, formando um sistema intrincado e belo.

Um espécime com várias raízes aéreas. Foto de Forest & Kim Starr.*

Como é típico entre figueiras, a figueira-lacerdinha é polinizada por uma vespa-do-figo, neste caso da espécie Eupristina verticillata. Fora de sua área nativa, a árvore só consegue produzir sementes viáveis na presença da vespa, de forma que o inseto precisa ser introduzido junto com ela. Seus frutos são muito atrativos para aves, que espalham as sementes em suas fezes. Após passarem pelo trato digestivo da ave e atingirem o ambiente externo de novo, as sementes atraem formigas que as espalham ainda mais. Sendo bem versátil em relação ao substrato em que germina, a figueira-lacerdinha pode crescer sobre muitas superfícies, frequentemente brotando através de frestas em muros e calçadas e os quebrando enquanto cresce.

Folhas e fruto. Foto de Forest & Kim Starr.*

A figueira-lacerdinha é usada na medicina tradicional chinesa para tratar uma variedade de condições, incluindo dor, febre, gripe, malária, bronquite e reumatismo. Estudos em laboratório isolaram compostos anticâncer, antioxidantes e antibacterianos da casca, das folhas, das raízes aéreas e dos frutos, bem como compostos antifúngicos do látex. A árvore tem, portanto, o potencial de ser usada para o desenvolvimento de muitos medicamentos.

Uma muda crescendo num muro. Foto de Forest & Kim Starr.*

Devido ao seu tamanho impressionante e o intrincado labirinto formado pela rede de raízes aéreas, a figueira-lacerdinha possui um papel importante para muitos grupos religiosos em sua região nativa, sendo frequentemente considerada a casa de espíritos, sejam eles bons ou maus, e sua presença costuma marcar locais de adoração. Independente destas crenças, no entanto, esta magnífica árvore merece toda a admiração que recebe.

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Referências:

Ao C, Li A, Elzaawely AA, Xuan TD, Tawata S (2008) Evaluation of antioxidant and antibacterial activities of Ficus microcarpa L. fil. extract. Food Control 19(10): 940–948. doi: 10.1016/j.foodcont.2007.09.007

Chiang YM, Chang JY, Kuo CC, Chang CY, Kuo YH (2005) Cytotoxic triterpenes from the aerial roots of Ficus microcarpa. Phytochemistry 66(4): 495–501. doi:10.1016/j.phytochem.2004.12.026

Kaufmann S, McKey DB, Hossaert-McKey M, Horvitz CC (1991) Adaptations for a two-phase seed dispersal system involving vertebrates and ants in a hemiepiphytic fig (Ficus microcarpa: Moraceae). American Journal of Botany 78(7): 971–977. doi: 10.1002/j.1537-2197.1991.tb14501.

Taira T, Ohdomari A, Nakama N, Shimoji M, Ishihara M (2005) Characterization and Antifungal Activity of Gazyumaru (Ficus microcarpa) Latex Chitinases: Both the Chitin-Binding and the Antifungal Activities of Class I Chitinase Are Reinforced with Increasing Ionic Strength. Bioscience, Biotechnology and Biochemistry 69(4): 811–819. doi: 10.1271/bbb.69.811

Wikipedia. Ficus microcarpa. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Ficus_microcarpa >. Acesso em 8 de junho de 2019.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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Quarta de Quem: Harry Johnston

por Piter Kehoma Boll

Mais um político que um naturalista, hoje nos lembramos de um explorador britânico que foi central na bagunça que a Europa fez da África, mas também importante em registrar a cultura e a biodiversidade africanas.

Henry Hamilton Johnston, mais conhecido como Harry Johnston, nasceu em 12 de junho de 1858 em Londres, filho de John Brookes Johnstone e Esther Laetitia Hamilton. Ele estudou na escola de gramática de Stockwell e mais tarde no King’s College London, depois do qual estudou pintura na Real Academia por quatro anos. Durante seus estudos, ele viajou através da Europa e visitou o interior da Tunísia.

Em 1882, aos 24 anos, ele viajou ao sul de Angola com o Earl de Mayo (que eu acho que era Dermot Bourke naquela época). Viajando para o norte a partir dali, ele encontrou o explorador galês Henry Morton Stanley no Rio Congo no ano seguinte. Lá, ele se tornou um dos primeiros europeus a ver o Rio Congo acima da Lagoa Stanley (atualmente conhecida como Lagoa Malebo), um alargamento do rio próximo às cidades de Kinshasa e Brazzaville. Ele publicou um livro em 1884 chamado “The River Congo: From its Mouth to Bolobo” e, no mesmo ano, foi nomeado líder de uma expedição científica ao Monte Kilimanjaro, na atual Tanzânia. Nesta expedição, ele conseguiu fazer tratados com vários chefes locais. Os registros desta expedição foram publicados em 1886 em seu livro “The Kilema-Njaro Expedition”.

Em 1886, o governo britânico nomeou Johnston o vice-cônsul de Camarões e da área do delta do Rio Níger. Os britânicos haviam reivindicado a área, mas o líder local, Jaja de Opobo, recusou ceder o território. Convidado por Johnston para negociar, Jaja foi preso e deportado para Londres. Durante os anos seguintes, Johnston tomou parte em várias expedições e missões diplomáticas que ajudaram o Império Britânico a dominar mais e mais do território da África.

Harry Johnston, provavelmente durante a década de 1880.

Em 1896, Johnston se casou com Winifred Mary Irby, filha do quinto Barão Boston. Naquele mesmo ano, afligido por febres tropicais, ele foi transferido para Tunis como general-cônsul de forma a se recuperar. Em 1899, ele foi enviado a Uganda como comissionário especial para terminar uma guerra em andamento. Lá, ele descobriu que um produtor de shows estava raptando moradores pigmeus do Congo para exibi-los. Johnston ajudou a resgatá-los e os pigmeus mencionaram a ele uma criatura, um tipo de “burro unicórnio” anteriormente citado por Stanley. Havia alguns registros de exploradores vendo um animal com um padrão de zebra se movendo pelo mato e a expectativa era que ele fosse algum tipo de cavalo da floresta. Os pigmeus mostraram rastros da criatura a Johnston e ele ficou surpreso ao descobrir que na verdade era uma besta de casco dividido, e não com um só casco por pata como num cavalo. Johnston nunca viu o animal, mas conseguiu obter pedaços da pele listrada e um crânio, o que levou a criatura a ser classificada como Equus johnstoni em 1901. A inclusão no gênero Equus foi motivada principalmente pelos pigmeus se referindo à criatura como um tipo de equino. Análises de seu crânio, no entanto, logo concluíram que era um parente da girafa. O animal é atualmente conhecido como ocapi, ou Okapia johnstoni.

Dois pedaços de pele de ocapi enviados à Inglaterra por Johnston e a primeira evidência concreta da existência do animal.

Em 1902, quando Johnston estava de volta a Londres, sua esposa deu à luz dois filhos gêmeos, mas eles morreram poucas horas depois. O casal não teve outros filhos. Naquele mesmo ano, Johnston foi apontado membro da Sociedade Zoológica de Londres. Nos anos seguintes, ele passou a maior parte do seu tempo em casa escrevendo romances e relatos de suas viagens pela África. Em 1925, ele teve dois derrames que o paralisaram parcialmente. Ele morreu dois anos depois, em 31 de Julho de 1917, aos 69 anos.

Johnston, como todos os imperialistas de seu tempo, acreditava que os europeus, e os britânicos especialmente, eram superiores aos africanos. Não obstante, ele era contra usar a violência contra os povos subjugados e possuía uma visão mais paternalística. Apesar de tal visão ser considerada horrível hoje em dia (ou ao menos deveria parecer assim a qualquer ser humano razoável), ele era considerado um tipo de radical para seu tempo, já que os outros tinham uma visão muito pior das culturas africanas.

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Referências:

Wikipedia. Harry Johnston. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Johnston >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Wikipedia. Okapi. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Okapi >. Acesso em 11 de junho de 2019.

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Arquivado em Biografias

Sexta Selvagem: Piolho-da-Farinha-Comum

por Piter Kehoma Boll

Não importa onde você viva no mundo, se você já deixou farinha ou grãos armazenados por muito tempo, deve ter encontrado algum tipo de inseto que apareceu na comida, alimentando-se dela. Há muitas espécies de inseto que existem como pragas de cozinha, incluindo mariposas, besouros, e nosso camarada de hoje, o piolho-da-farinha-comum Liposcelis bostrychophila.

O piolho-da-farinha-comum, também conhecido como psocídeo doméstico, é um membro da ordem de insetos Psocoptera, que inclui a maioria das espécies conhecidas como piolhos, tal como piolhos-da-cortiça, piolhos-dos-livros e os piolhos parasitas comuns de mamíferos e aves. O piolho-da-farinha-comum é um inseto muito pequeno, medindo somente cerca de 1 mm de comprimento como adulto, e não possui asas. Provavelmente de origem tropical, ele foi identificado pela primeira vez a partir de espécimes coletados sob cascas de árvore em Moçambique, mas, durante o século XX, passou a se espalhar rapidamente ao redor do mundo.

Piolho-da-farinha-comum em farinha de trigo integral velha. Foto do usuário sea-kangaroo do iNaturalist.*

Em seu habitat natural, que provavelmente são florestas tropicais, o piolho-da-farinha-comum não é muito comum. Contudo, uma vez que ele acabou dentro de residências humanas, encontrou o lugar perfeito para proliferar. Comida armazenada, especialmente grãos, são como o paraíso alimentar para eles. Com alimento sendo transportado de um país para o outro, o piolho-da-farinha-comum conquistou o planeta todo em poucas décadas. E eles não são associados apenas a comida armazenada, mas com quase qualquer tipo de matéria vegetal, incluindo palha usada em colchões e às vezes em divisórias internas. Apesar de se alimentar destes materiais, o piolho-da-farinha-comum não causa danos sérios a eles e o principal problema é que sua população tende a crescer enormemente, fazendo-o se tornar bem incômodo só por estar ali.

A reprodução do piolho-da-farinha-comum ocorre quase exclusivamente por partenogênese, em que as fêmeas são capazes de gerar prole de ovos não-fertilizados. Machos são muito raros e foram registrados pela primeira vez apenas recentemente. Esta é provavelmente uma das razões de esta espécie ser tão bem-sucedida invadindo novos ambientes, visto que uma única fêmea pode originar uma população inteira. Há casos registrados de casas tão densamente infectadas que as paredes estavam completamente cobertas de piolhos-da-farinha.

Vários métodos vem sendo tentados para conter o avanço desta pequena criatura, mas a maioria é malsucedida. Eles parecem ser bem resistentes tanto a pesticidas químicos quanto a fungos entomopatogênicos, isto é, fungos que infectam insetos. Sua cutícula possui uma composição química peculiar, diferente da encontrada em outros insetos, que previne esporos de fungos de germinarem.

Podemos concluir que o piolho-da-farinha-comum é uma espécie que veio para ficar, não importa o que tentemos fazer para nos livrar dela.

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Referências:

Lord JC, Howard RW (2004) A Proposed Role for the Cuticular Fatty Amides of Liposcelis bostrychophila (Psocoptera: Liposcelidae) in Preventing Adhesion of Entomopathogenic Fungi with Dry-conidia. Mycopathologia 158(2): 211–2117. doi: 10.1023/B:MYCO.0000041837.29478.78

Turner BD (1994) Liposcelis bostrychophila (Psocoptera: Liposcelididae), a stored food pest in the UK. International Journal of Pest Management, 40(2), 179–190. doi: 10.1080/0967087940937187

Yang Q, Kučerová Z, Perlman SJ, Opit GP, Mockford EL, Behar A, Robinson WE, Steijskal V, Li Z, Shao R (2015) Morphological and molecular characterization of a sexually reproducing colony of the booklouse Liposcelis bostrychophila (Psocodea: Liposcelididae) found in Arizona. Scientific Reports5: 110429. doi: 10.1038/srep10429

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 4.0 Internacional.

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