Arquivo da categoria: crustáceos

Sexta Selvagem: Pulga-da-Praia-da-Califórnia

por Piter Kehoma Boll

Se você está andando pela praia na costa oeste dos Estados Unidos, especialmente à noite, pequenas criaturas podem pular em torno de seus pés. Se você olhar mais de perto, notará que são pequenos crustáceos popularmente conhecidos como pulgas-da-praia.. Eles pertencem à ordem Amphipoda e há uma boa chance de que aqueles entre os quais você caminha pertençam à espécie Megalorchestia californiana, popularmente conhecida como pulga-da-praia-da-Califórnia.

Uma fêmea na Califórnia. Foto do usuário lbyrley do iNaturalist.*

A pulga-da-praia-da-Califórnia ocorre do extremo sul do litoral do Canadá, perto da Ilha Vancouver, até a costa sul dos Estados Unidos, por volta de Laguna Beach. Elas são muito grandes para um anfípode, atingindo mais de 2 cm de comprimento, e possuem uma cor “crustácea” típica variando de marrom-claro a acinzentado. Os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas e possuem o segundo par de antenas aumentado e com uma característica cor vermelha.

Um macho na Califórnia mostrando as antenas vermelhas aumentadas e os gnatópodes aumentados em forma de luvas de boxe. Foto de Kim Cabrera.*

Durante o dia, a pulga-da-praia-da-Califórnia se mantém dentro de pequenas tocas que cava na areia ou se esconde sob pedaços de algas que a maré trouxe para a praia. Fêmeas podem dividir o mesmo abrigo, mas os machos não suportam um ao outro. Ao anoitecer, elas saem de seus abrigos aos milhares e se movem sobre a areia procurando por matéria orgânica em decomposição da qual se alimentam.

Várias fêmeas tentando compartilhar o mesmo abrigo no Oregon, EUA. Foto de Ken Chamberlain.*

O dimorfismo sexual visto nessa espécie revela um comportamento sexual complexo. As antenas aumentadas dos machos parecem ser um sinal visual para outros machos que avisa sobre sua força. Além dessas antenas aumentadas, os machos também possuem o segundo par de gnatópodes ou maxilípedes (patas logo atrás da boca) parecendo um par de luvas de boxe. Usando os gnatópodes, os machos lutam entre si pela posse de tocas contendo muitas fêmeas. O macho que vence a luta se torna o dono do harém.

Um macho em Washington tentando invadir a toca de outro macho (cujas antenas são visíveis). Foto do usuário pushtheriver do iNaturalist.*

Como tanto machos quanto fêmeas saem de suas tocas à noite para se alimentarem, os haréns também podem ser temporários. Apesar de um macho poder conquistar uma toca cheia de fêmeas, elas só retornarão para o mesmo lugar se considerarem que o macho é bom o bastante para ser o pai de seus filhos. Isso é assim porque as fêmeas só se reproduzem uma vez na vida, então é crucial deixar o melhor macho fertilizá-las. Mais do que isso, as fêmeas só conseguem liberar os ovos logo depois de fazerem uma muda porque o exoesqueleto endurecido impede a postura durante o resto da vida.

Não é fácil ser uma pulga-da-praia vivendo na Califórnia.

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Referências:

Beermann J, Dick TA, Thiel M (2015) Social Recognition in Amphipods: An Overview. In: Aquiloni L, Tricarico E (Eds.) Social Recognition in Invertebrates: 85–100.

Iyengar VK, Starks BD (2008) Sexual selection in harems: male competition plays a larger role than female choice in an amphipod. Behavioral Ecology 19(3): 642–649. doi: 10.1093/beheco/arn009

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Sexta Selvagem: Camarão-Semente-da-Cara

por Piter Kehoma Boll

É hora de falar sobre um ostrácodo, ou camarão-semente, de novo e, como de praxe, é um momento difícil devido à pouca informação facilmente acessível sobre qualquer espécie do grupo. Mas há, de fato, uma que é consideravelmente bem estudada. Sendo um dos ostrácodos mais comuns na América do Norte e na Eurásia, seu nome científico é Cypridopsis vidua, para o qual cunhei o nome comum “camarão-semente-da-cara”.

O camarão-semente-da-cara é um crustáceo de água doce com a aparência típica de um ostrácodo, se parecendo com um minúsculo bivalve medindo cerca de 0.5 mm de comprimento. Suas valvas possuem um padrão claro e escuro bem distinto.

Um camarão-semente-da-cara com a concha fechada. Créditos a Markus Lindholm, Anders Hobæk/Norsk institutt for vassforsking.*

Uma espécie relativamente móvel, o camarão-semente-da-cara vive no fundo de corpos d’água, sobre o sedimento, e é comum em áreas densamente vegetadas por caras (algas do gênero Chara). Esta associação com caras dá ao camarão-semente-da-cara tanto proteção contra predadores, em sua maioria peixes, quanto uma boa fonte de alimento.

O principal alimento do camarão-semente-da-cara são algas microscópicas que crescem no talo das caras. Enquanto forrageia, o camarão-semente-da-cara nada de um talo de cara para outro usando seu primeiro par de antenas e se agarra aos talos usando o segundo par de antenas e o primeiro par de pernas torácicas. Uma vez realocado, ele começa a raspar algas microscópicas com suas mandíbulas.

O corpo do camarão-semente-da-cara como visto quando uma das valvas (a esquerda neste caso) é removida. Créditos a Paulo Corgosinho.**

O camarão-semente-da-cara é mais uma dessas espécies em que machos não existem, nem mesmo em pequenas quantidades. Durante os meses quentes do verão, as fêmea produzem os chamados ovos súbitos, que se desenvolvem imediatamente em novas fêmeas. Contudo, quando o inverno se aproxima, elas produzem outro tipo de ovo, os chamados ovos de diapausa, que permanecem dormentes no substrato durante o inverno. Os animais adultos todos morrem durante esta estação e, quando a primavera chega, uma nova população surge dos ovos que eclodem. Como nem todos os ovos eclodem na primavera, alguns podem ficar no substrato por anos antes de eclodirem, o que geralmente aumenta a diversidade genética a cada ano, já que ela não depende apenas das filhas da geração passada.

Mas como surge diversidade genética se não há machos e, como resultado, as filhas são sempre clones das mães? Este mistério ainda não está totalmente resolvido. Recombinação genética durante a partenogênese, pela troca de alelos entre cromossomos, não parece ser muito comum. É possível que diferentes populações sejam geneticamente diferentes e que elas colonizem novos ambientes com frequência, se misturando entre si. Visto que machos são conhecidos em espécies proximamente relacionadas, ainda é possível que, algum dia, encontremos alguns machos do camarão-semente-da-cara escondidos por aí. Também é possível que, de alguma forma, os machos todos tenham se tornado extintos no passado recente, como na última glaciação, por exemplo. Se for o caso, só o tempo dirá qual é o destino do camarão-semente-da-cara.

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Mais Ostrácodos:

Sexta Selvagem: Camarão-Semente-Vênus-de-Dente-Afiado (em 22 de junho de 2018)

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Referências:

Cywinska A, Hebert PDN (2002) Origins of clonal diversity in the hypervariable asexual ostracode Cypridopsis vidua. Journal of Evolutionary Biology 15: 134–145. doi: 10.1046/j.1420-9101.2002.00362.x

Roca JR, Baltanas A, Uiblein F (1993) Adaptive responses in Cypridopsis vidua (Crustacea: Ostracoda) to food and shelter offered by a macrophyte (Chara fragilis). Hydrobiologia 262: 121–131.

Uiblein F, Roca JP, Danielpool DL (1994) Experimental observations on the behavior of the ostracode Cypridopsis vidua. Internationale Vereinigung für Theoretische und Angewandte Limnologie: Verhandlungen 25: 2418–2420.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 4.0 Internacional.

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Sexta Selvagem: Percebe-Comum

por Piter Kehoma Boll

A superfície do oceano aberto pode a princípio parecer um grande lençol sem vida. Contudo, se você olhar mais de perto, verá que há muito mais vida lá do que poderia imaginar. E esta vida não inclui apenas o plâncton microscópico que flutua na coluna d’água, mas também grandes organismos que moram no limite entre a água e o ar. Essas criaturas são chamadas de nêuston e ocorrem em diversas formas, e uma delas é a Lepas anserifera, ou percebe-comum.

Vários percebes-comuns encontrados crescendo em um osso de sépia na costa oeste da Índia. As pernas modificadas (cirros) estão expostas, procurando comida. Foto de Abhishek Jamalabad.*

O percebe-comum é encontrado em águas tropicais e subtropicais ao redor do mundo todo. Ele pertence à subclasse Cirripedia, um grupo peculiar de crustáceos comumente conhecidos como cracas e percebes. Eles vivem presos ao substrato e são hermafroditas, ambas características que são incomuns entre artrópodes. Dentro da subclasse Cirripedia, o percebe-comum pertence à ordem Pedunculata, conhecidos como percebes, e que são caracterizados pela presença de um pedúnculo que os prende ao substrato.

Perecebe-comum em Taiwan. Um espécime menor é visto crescendo em um maior. Foto de Liu JimFood.*

O substrato escolhido pelo percebe-comum é quase exclusivamente material flutuante. Este material, que inclui algas marinhas e todo tipo de detritos, como pedaços de madeira, cocos e carcaças de animais, raramente permanece flutuando por muito tempo, ou porque sua decomposição o faz afundar ou porque ele acaba indo parar na praia. Assim, o percebe precisa encontrar uma maneira de completar seu ciclo de vida muito rapidamente, e é isso que ele faz.

Percebes-comuns crescendo numa maçã que deve ter flutuado por algum tempo e acabou na praia no estado da Bahia, no Brasil. Foto do usuário kuroshio do iNaturalist.**
Percebes-comuns crescendo sobre uma lâmpada elétrica que foi jogada na praia em Palau Pinang, na Malásia. Foto de Al Kordesch.

Percebes começam suas vidas como larvas planctônicas de apenas um olho e que, após cinco estágios, se desenvolvem em outra forma larval conhecida como ciprídeo. O único propósito do ciprídeo é encontrar uma superfície adequada para viver e, assim que a encontra, secreta uma substância glicoproteica que o prende ao substrato pela cabeça. Ele então se desenvolve em um animal adulto que secreta uma série de placas calcificadas que rodeiam seu corpo. O adulto usa sua patas plumosas (cirros) para capturar alimento, principalmente plâncton, e o carregar para dentro da concha.

Percebes-comuns crescendo numa escova que parou na praia em New Jersey, EUA. Foto de Stan Rullmann.**

Devido a atividades humanas, a quantidade de material flutuante na superfície dos oceanos aumentou grandemente. Assim, o número de substratos disponíveis para o percebe-comum também aumentou, e da mesma forma provavelmente sua população também aumentou. Infelizmente, o material flutuante gerado por humanos também inclui muitas pequenas partículas de plástico, e percebes frequentemente as ingerem junto com o alimento. Apesar de o dano causado pela ingestão de partículas de plástico ainda não ter sido averiguado, elas certamente não melhoram a saúde do percebe.

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Referências:

Goldstein MC, Goodwin DS (2013) Gooseneck barnacles (Lepas spp.) ingest microplastic debris in the North Pacific Subtropical Gyre. PeerJ 1: e184. doi:10.7717/peerj.184

Inatsuchi A, Yamato S, Yusa Y (2010) Effects of temperature and food availability on growth and reproduction in the neustonic pedunculate barnacle Lepas anserifera. Marine Biology 157(4): 899–905. doi: 10.1007/s00227-009-1373-0

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Sexta Selvagem: Tamarutaca-Pavão

por Piter Kehoma Boll

Invertebrados possuem uma probabilidade muito menor de se tornarem populares do que vertebrados, mas de vez em quando há uma exceção, e uma delas certamente é Odontodactylus scyllarus, a tamarutaca-pavão.

Tamarutaca-pavão na Baía Guinjata, Moçambique. Foto de Peter Southwood.*

Encontrada na região indo-pacífica, da costa oeste da África até Guam, a tamarutaca-pavão é uma espécie grande e colorida da ordem de crustáceos Stomatopoda, popularmente conhecidos como tamarutacas. Medindo até 18 cm de comprimento, seu corpo é em grande parte verde com algumas manchas pretas grandes com um contorno branco no cefalotórax. As patas são laranja-avermelhadas e a região em torno dos olhos possui um tom azul-claro. Devido a esta bela aparência, a tamarutaca-pavão se tornou um animal popular para ser criado em aquários.

Vista frontal de uma tamarutaca-pavão no Mar de Andaman, Tailândia. Pode-se ver os apêndices em forma de clava usados para quebrar a concha das presas. Foto de Silke Barton.**

Tamarutacas são predadores e a tamarutaca-pavão não é exceção. Ela se alimenta principalmente de moluscos de concha, como gastrópodes e bivalves, e crustáceos. Para quebrar a forte carapaça de presa, ela a acerta com um poderoso golpe usando seu segundo par de apêndices torácicos em forma de clava. Este forte ataque, causado por um complexo mecanismo no apêndice, é tão forte que quebra facilmente a concha da presa. Em aquários, isso pode ser problemático, já que às vezes elas quebram a parede do aquário. Mais do que apenas acertar a presa com uma força incrível, o ataque da tamarutaca gera uma súbita região de baixa pressão entre a concha e o apêndice quando o apêndice se retrai rapidamente. Este fenômeno, chamado de cavitação, gera uma bolha de gás que rapidamente colapsa e gera grandes quantidades de energia na forma de calor, luz e som e cria um segundo impacto na presa.

Tamarutaca-pavão fêmea carregando ovos na Indonésia. Também é possível ver os olhos com dois hemisférios separados por uma faixa de omatídios maiores arranjados em seis linhas. Foto de Terence Zahner.***

A tamarutaca-pavão também possui um magnífico sistema visual. Seus olhos compostos são divididos em um hemisfério superior e um inferior separados por uma faixa de seis linhas de omatídios (os pequenos olhos que formam o olho composto) aumentados. Estas três regiões do olho são usadas para detectar diferentes comprimentos de onda, incluindo luz ultravioleta, e incluem até mesmo células especiais que convertem luz não-polarizada em luz polarizada, permitindo que a tamarutaca detecte luz de diferentes formas a partir de diferentes partes do olho. Este complexo sistema vem sendo estudado para o desenvolvimento de dispositivos ópticos para armazenar e ler informação.

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Reference:

Jen Y-J, Lakhtakia A, Yu C-W, Lin C-F, Lin M-J, Wang S-H, Lai JR (2011) Biologically inspired achromatic waveplates for visible light. Nature Communications 2: 363. doi: 10.1038/ncomms1358

Kleinlogel S, Marshall NJ (2009) Ultraviolet polarisation sensitivity in the stomatopod crustacean Odontodactylus scyllarus. Journal of Comparative Physiology A 195(12): 1153–1162. doi: 10.1007/s00359-009-0491-y

Land MF, Marshall JN, Brownless D, Cronin TW (1990) The eye-movements of the mantis shrimp Odontodactylus scyllarus (Crustacea: Stompatopoda). Journal of Comparative Physiology A 167(2): 155–166. doi: 10.1007/BF00188107

Marshall J, Cronin TW, Shashar N, Land M (1999) Behavioural evidence for polarisation vision in stomatopods reveals a potential channel for communication. Current Biology 9(14): 755–758. doi: 10.1016/S0960-9822(99)80336-4

Patek SN, Caldwell RL (2005) Extreme impact and cavitation forces of a biological hammer: strike forces of the peacock mantis shrimp Odontodactylus scyllarus. The Journal of Experimental Biology 208: 3655–3664. doi: 10.1242/jeb.01831

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**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Camarão-Semente-Vênus-de-Dente-Afiado

por Piter Kehoma Boll

Chegamos de novo a uma dessas semanas problemáticas em que tenho que falar sobre algo do qual conheço muito pouco. Desta vez o problema se chama Euphilomedes carcharodonta, um pequeno crustáceo da classe Ostracoda, conhecidos como ostrácodos ou camarões-sementes. Decidi adaptar o nome desta espécie como camarão-semente-vênus-de-dente-afiado.

Apesar de os camarões-sementes formarem um grupo muito diverso e rico em espécies, não consigo encontrar muitos detalhes de uma espécie em particular, de forma que é um desafio apresentar um aqui, mas decidi falar um pouco sobre o camarão-semente-vênus-de-dente-afiado, então vamos lá.

Um macho do camarão-semente-vênus-de-dente-afiado. A mancha escura é um olho lateral. Foto de Ajna Rivera.*

Medindo apenas alguns milímetros, o camarão-semente-vênus-de-dente-afiado é encontrado no mar ao longo da costa oeste dos Estados Unidos. Ele tem uma aparência típica de ostrácodo, se parecendo com um pequeno camarão dentro de uma concha bivalve.

Machos e fêmeas do camarão-semente-vênus-de-dente-afiado apresentam dimorfismo sexual, parte do qual não é apenas relacionado diretamente ao sexo, mas na verdade a diferentes nichos que cada sexo ocupa no ambiente. As fêmeas passam a maior parte do tempo enterradas nos sedimentos onde a luz e os predadores são limitados e, como resultado, possuem olhos pouco desenvolvidos. Os machos, por outro lado, passam muito tempo nadando na água e são muito vulneráveis a predadores como peixes. Assim, os machos possuem olhos bem desenvolvidos que os permitem ver peixes de longe. Experimentos demonstraram que os olhos não são úteis para que os machos encontrem as minúsculas fêmeas, mas são essenciais para sobreviver aos predadores.

Um camarão-semente-vênus-de-dente-afiado fêmea. Note que ela não tem o olho lateral visto no macho. Foto de Ajna Rivera.*

E isso é tudo que eu consegui sobre esse carinha. Como eu pedi anteriormente quando falei de outros grupos de organismos, como foraminíferos, se você possui boas fontes sobre conhecimento mais detalhado de espécies deste grupo, por favor, compartilhe nos comentários. Precisamos dar mais visibilidade a essas almas minúsculas e negligenciadas que dividem este planeta conosco.

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Referências:

Sajuthi, A., Carrillo-Zazuetta, B., Hu, B., Wang, A., Brodnansky, L., Mayberry, J., & Rivera, A. S. (2015). Sexually dimorphic gene expression in the lateral eyes of Euphilomedes carcharodonta (Ostracoda, Pancrustacea) EvoDevo, 6 : 10.1186/s13227-015-0026-2

Speiser, D. I., Lampe, R. I., Lovdahl, V. R., Carrillo-Zazueta, B., Rivera, A. S., & Oakley, T. H. (2013). Evasion of Predators Contributes to the Maintenance of Male Eyes in Sexually Dimorphic Euphilomedes Ostracods (Crustacea) ntegrative and Comparative Biology, 53 (1), 78-88

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