Arquivo do mês: fevereiro 2016

Sexta Selvagem: Cláudia-elegante

por Piter Kehoma Boll

Hoje vou apresentar a vocês a possivelmente a mais bela alga. Seu nome é Claudea elegans, o qual adaptei como “cláudia-elegante” para servir como nome popular.

Eu primeira tomei conhecimento da existência de tal organismo na infância quando vi um desenho dele em uma enciclopédia. Essa alga tinha uma forma linda, uma bela cor rosada e um nome adorável. Mas ela estava simplesmente representada no meio de várias outras algas naquela página e, além do desenho e do nome, nada mais era dito.

Desenho de Claudea elegans extraído de Phycologia Australica.

Desenho de Claudea elegans extraído de Phycologia Australica.

Infelizmente, não há muita informação disponível online sobre a cláudia-elegante. É uma espécie marinha encontrada na Austrália, no Brasil, na Índia, no Paquistão e provavelmente muitas outras águas tropicais no mundo, estando geralmente presa a rochas próximas à areia em locais com uma boa corrente.

A rede de uma cláudia-elegante vista sob o microscópio. Os sacos pequenos interrompendo a rede são tetrasporângios, estruturas reprodutivas. Foto de Dr. Robert Ricker, NOAA/NOS/ORR.

A rede de uma cláudia-elegante vista sob o microscópio. Os sacos pequenos interrompendo a rede são tetrasporângios, estruturas reprodutivas. Foto de Dr. Robert Ricker, NOAA/NOS/ORR.

Ela atinge até 40 cm de altura/comprimento e é composta de talos ramificados com um padrão bem peculiar. O talo possui uma espécie de rede em um dos seus lados que o faz parecer uma pena com um só lado. A rede é formada por vários talos menores conectados entre si por outros ainda menores, e esses de novo uns aos outros pelos menores de todos. Os ramos partindo do talo principal sempre surgem do lado oposto da rede e têm eles mesmos uma rede em um dos lados e talos menores crescendo opostamente a ela. A cláudia-elegante é, portanto, de certa forma um fractal duplo.

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Referências:

Baldock, R. N. Algae revealed: Claudea elegans. State Herbarium S Australia. Disponível em: <http://www.flora.sa.gov.au/efsa/algae_revealed/pdf/Claudea_elegans.pdf&gt;. Acesso em 25 de fevereiro de 2016.

Pacheco, M. R. 2011. Macroalgas marinhas associadas a bancos de rodolitos do infralitoral do Espírito Santo, Brasil. Tese de doutorado. USP.

Electronic Flora of South Australia: Claudea elegans. Disponível online em: <http://www.flora.sa.gov.au/efsa/Marine_Benthic_Flora_SA/Part_IIID/Claudea_elegans.shtml&gt;. Acesso em 25 de fevereiro de 2016.

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A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae (parte 2)

por Piter Kehoma Boll

Esta postagem é uma continuação de A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae, 1758 (parte 1). Por isso assegure-se de ler a outra postagem primeiro!

Aqui falarei de outras duas classes na classificação de Linnaeus: Amphibia e Pisces. Confira as classes Mammalia e Aves na primeira parte,a classe Insecta na terceira e a classe Vermes na quarta.

3. Amphibia (Anfíbios)

Coração com um ventrículo e uma aurícula; sangue frio e vermelho.
Pulmões respirando arbitrariamente
Mandíbula incumbente.
Pênis duplo. Ovos em sua maioria membranáceos.
Sentidos: língua, narinas, olhos, muitos ouvidos.
Cobertura: coriácea, nua.
Suporte: variados, em alguns nenhum.

Os anfíbios eram classificados de acordo com a anatomia dos membros e incluíam três ordens: Reptiles, Serpentes e Nantes. Elas são mostradas abaixo com seus respectivos gêneros.

3.2 Reptiles (rastejantes), possuindo quatro patas: Testudo (tartarugas e jabutis), Draco (lagartos planadores), Lacerta (lagartos, salamandras e crocodilianos), Rana (rãs e sapos).

1758Linnaeus_reptiles

Quatro espécies que Linnaeus pôs em Reptiles (da esquerda para a direita): tartaruga-grega (Testudo graeca), dragão-voador (Draco volans), lagarto-ágil (Lacerta agilis) e rã-comum (Rana temporaria). Créditos para Gisella D. (tartaruga), Charles J. Sharp (dragão-voador), Krzysztof Mizera (lagarto) e Monika Betley (rã).

3.2 Serpentes (arrastantes), sem membros: Crotalus (cascavéis), Boa (jiboias), Coluber (corredoras, víboras, najas, pítons), Anguis (cobras-de-vidro, jiboias-da-areia), Amphisbaena (cobras-de-duas-cabeças ou lagartos-vermes), Caecilia (cobras-cegas).

Seis espécies postas por Linnaeus em Serpentes (da esquerda para a direita, de cima para baixo): cascavel-dos-bosques (

Seis espécies postas por Linnaeus em Serpentes (da esquerda para a direita, de cima para baixo): cascavel-dos-bosques (Crotalus horridus), jiboia-constritora (Boa constrictor), corredora-azul (Coluber constrictor), licranço (Anguis fragilis), cobra-de-duas-cabeças-branca (Amphisbaena alba), cobra-cega-de-barba (Caecilia tentaculata). Créditos a Pavel Ševela (jiboia), usuário do Wikimedia Marek_bydg (licranço), Diogo B. Provete (cobra-de-duas-cabeças) e bio-scene.org (cobra-cega).

3.3 Nantes (natantes), tendo nadadeiras: Petromyzon (lampreias), Raja (raias), Squalus (tubarões), Chimaera (quimeras), Lophius (peixes-pescadores) e Acipenser (esturjões).

A ordem Nantes compreendia, entre outros (da esquerda para a direita, de cima para baixo), a lampreia-marinha (

A ordem Nantes compreendia, entre outros (da esquerda para a direita, de cima para baixo), a lampreia-marinha (Petromyzon marinus), a raia-de-dorso-espinhento (Raja clavata), a melga (Squalus acanthias), a quimera (Chimaera monstrosa), o peixe-pescador (Lophius piscatorius), e o esturjão (Acipenser sturio). Créditos a usuário do Wikimedia Fungus Guy (lampreia), usuário do Wikimedia Citron (quimera), usuário do Wikimedia Meocrisis (peixe-pescador) e usuário do flickr Aah-Yeah (esturjão).

4. Pisces (Peixes)

Coração com um ventrículo e uma aurícula; sangue vermelho e frio.
Brânquias externas, comprimidas.
Mandíbula incumbente.
Pênis ausente. Ovos sem albumina.
Sentidos: língua, narinas (?), olhos (sem ouvidos).
Cobertura: escamas imbricadas.
Suporte: nadadeiras.

Peixes incluíam 5 ordens, as quais eram definidas principalmente pela posição das nadadeiras ventrais em relação às peitorais: Apodes, Jugulares, Thoracici, Abdominales e Branchiostegi.

4.1 Apodes (sem pés), sem nadadeiras ventrais.: Muraena (enguias), Gymnotus (carapós), Trichiurus (peixes-alfanje), Anarhichas (peixes-lobo), Ammodytes (enguias-de-areia), Stromateus (peixes-manteiga), Xiphias (peixes-espada).

(Da esquerda para a direita, de cima para baixo) A moreia-mediterrânea (

(Da esquerda para a direita, de cima para baixo) A moreia-mediterrânea (Muraena helena), o carapó (Gymnotus carapo), o cauda-de-cabelo-cabeçudo (Trichiurus lepturus), o peixe-lobo (Anarhichas lupus), a enguia-de-areia-menor (Ammodytes tobianus), o peixe-manteiga-azul (Stromaeus fiatola) e o peixe-espada (Xiphias gladius) foram classificados como Apodes. Créditos a Tato Grasso (moreia), segrestfarms.com (carapó), Daizu Azuma (cauda-de-cabelo), usuário do Wikimedia Haplochromis (peixe-lobo) e Muhammad Moazzam Khan (peixe-espada).

4.2 Jugulares, nadadeiras ventrais à frente das peitorais: Callionymus (dragãozinhos e cabeças-chatas), Uranoscopus (contempladores-das-estrelas), Trachinus (peixes-aranha), Gadus (bacalhaus, eglefins etc), Blennius (blênios), Ophidion (brótulas, peixes-fita etc).

Seis espécies incluídas na ordem Jugulares (da esquerda para a direita, de cima para baixo): dragãozinho-comum (

Seis espécies incluídas na ordem Jugulares (da esquerda para a direita, de cima para baixo): dragãozinho-comum (Callionymus lyra), contemplador-das-estrelas-do-Atlântico (Uranoscopus scaber), peixe-aranha-maior (Trachinus draco), bacalhau-do-Atlântico (Gadus morhua), blênio-borboleta (Blennius ocellaris), peixe-cobrelo (Ophidion barbatum). Créditos a Hans Hillewaert (dragãozinho), Roberto Pillon (contemplador-das-estrelas), Hans-Petter Fjeld (bacalhau, CC-BY-SA), Gianni Neto (blênio), Steano Guerrieri (peixe-cobrelo).

4.3 Thoracici (torácicos), nadadeiras ventrais embaixo das peitorais: Cyclopterus (peixes-lapa), Echeneis (rêmoras), Coryphaena (dalfinhos e peixes-navalha), Gobius (cabozes), Cottus (alcabozes, cabeças-de-touro etc), Scorpaena (peixes-escorpião), Zeus (são-pedros, cabisbaixos etc), Pleuronectes (linguados), Chaetodon (peixes-borboleta, peixes-anjo, cirurgiões etc), Sparus (douradas, sargos etc), Labrus (bodiões, peixes-papagaio etc), Sciaena (corvinas, mordiscadores), Perca (percas, garoupas, tilápias), Gasterosteus (esgana-gatas, peixes-leão, peixes-piloto etc), Scomber (carapaus e atuns), Mullus (salmonetes), e Trigla (trilhas).

Dezessete espécies classificadas por Linnaeus como Thoracici (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

Dezessete espécies classificadas por Linnaeus como Thoracici (da esquerda para a direita, de cima para baixo): peixe-lapa (Cyclopterus lumpus), chupa-tubarão (Echeneis naucrates), dalfino (Coryphaena equiselis), caboz-negro (Gobius niger), cabeça-de-touro-europeu (Cottus gobio), rascasso-vermelho (Scorpaena scrofa), são-pedro (Zeus faber), platilha (Pleuronectes platessa), peixe-borboleta-listrado (Chaetodon striatus), dourada (Sparus aurata), bodião-preto (Labrus merula), corvina-marrom (Sciaena umbra), perca-europeia (Perca fluviatilis), esgana-gata-de-três-espinhos (Gasterosteus aculeatus), sarda (Scomber scombrus), salmonete-da-vasa (Mullus barbatus) e trilha (Trigla lyra). Créditos a Simon Pierre Barrette (peixe-lapa), usuário do Wikimedia Wusel007 (chupa-tubarão), NOAA/FPIR Observer Program (dalfino), Stefano Guerrieri (caboz e bodião), Hans Hillewart (cabeça-de-touro), usuário do Wikimedia Elapied (racasso), usuário do Wikimedia Kleines.Opossum (são-pedro), usuário do Wikimedia Gargolla (platilha), Bernard E. Picton (peixe-borboleta), Roberto Pillon (dourada e salmonete), Albert Kok (corvina), usuário do Wikimedia Dgp.martin (perca), usuário do Wikimedia JaySo83 (esgana-gata), NOAA (sarda) e Massimiliano Marcelli (trilha).

4.4 Abdominales (abdominais), nadadeiras ventrais atrás das peitorais: Cobitis (verdemãs e quatro-olhos), Silurus (bagres), Loricaria (cascudos), Salmo (salmões, trutas, eperlanos etc), Fistularia (peixes-corneta), Esox (lúcios, gares, barracudas etc), Argentina (argentinas), Atherina (lados-de-pratas), Mugil (tainhas), Exocoetus (peixes-voadores), Polynemus (barbudos), Clupea (arenques, anchovas etc), e Cyprinus (carpas, peixes-dourados etc).

Treze espécies que eram parte da ordem Abdominales (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

Treze espécies que eram parte da ordem Abdominales (da esquerda para a direita, de cima para baixo): verdemã (Cobitis taena), siluro (Silurus glanis), acari (Loricaria cataphracta), salmão-do-Atlântico (Salmo salar), peixe-corneta-de-manchas-azuis (Fistularia tabacaria), lúcio-do-norte (Esox lucius), argentina-europeia (Argentina sphyraena), lados-de-prata-do-Mediterrâneo (Atherina hepsetus), tainha-olhalvo (Mugil cephalus), peixe-voador-tropical-de-duas-asas (Exocoetus volitans), barbudo-do-paraíso (Polynemus paradiseus), arenque-do-atlântico (Clupea harengus), carpa-comum (Cyprinus carpio). Créditos para J. C. Harf (verdemã), Dieter Florian (siluro), Hans-Petter Fjeld (salmão), usuário do Wikimedia Jik jik (lúcio) Roberto Pillon (lado-de-prata e tainha), usuário do Wikimedia Kolisberg (peixe-voador), segrestfarms.com (barbudo) e usuário do Wikimedia Kils (arenque).

4.5 Branchiostegi, sem opérculos ou nadadeiras branquiais: Mormyrtus (peixes-elefante), Balistes (cangulos, peixes-atiradores), Ostracion (peixes-cofre, peixes-vaca), Tetraodon (baiacus e peixes-lua), Diodon (peixes-balão), Centriscus (apara-lápis), Syngnathus (peixes-cachimbo e cavalos-marinhos) e Pegasus (mariposas-marinhas).

As oito espécies mostradas acima eram todas parte da ordem Branchiostegi (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

As oito espécies mostradas acima eram todas parte da ordem Branchiostegi (da esquerda para a direita, de cima para baixo): Mormyrus caschive, cangulo-rei (Balistes vetula), peixe-cofre-amarelo (Ostracion cubicus), baiacu-fahaka (Tetraodon lineatus), peixe-balão-de-nadadeira-manchada (Diodon hystrix), apara-lápis-de-escudo (Centriscus scutatus), peixe-cachimbo-comum (Syngnathus acus), e mariposa-marinha-de-cauda-longa (Pegasus volitans). Créditos para Johny Jensen (Mormyrus), James St. John (cangulo), usuário do flickr zsispeo (peixe-cofre), Reserva de la Biosfera Cabildo de Gran Canaria (peixe-balão), John E. Randall (apara-lápis e mariposa-marinha) e Hans Hillewaert (peixe-cachimbo).

Como pode-se perceber, a classificação de Linnaeus para anfíbios e peixes era ainda pior que a de mamíferos e aves, especialmente a classificação de anfíbios. Está claro que Linnaeus odiava o que ele chamou de anfíbios mais do que qualquer coisa. Ele os descreve como as piores criaturas, tendo uma aparência horrível, e agradecendo a Deus por não ter criado muitos deles.

Provavelmente uma das coisas mais bizarras é o fato de Linnaeus ter posto lagartos e crocodilos no mesmo gênero! Bem, se ele odiava “anfíbios” tanto assim, acho que ele não era muito familiarizado com sua anatomia.

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Referência:

Linnaeus, Carl. 1758. Systema Naturae per Regna Tria Nature…

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Sexta Selvagem: Baleia-azul

por Piter Kehoma Boll

Já falamos do mais fofo e do mais pernudo, então agora é hora de apresentar o maior, de uma vez.

Acho que a maioria de nós já sabe que o maior animal de todos os tempos é nossa querida baleia-azul, Balaenoptera musculus. Ela pode chegar a 30 m de comprimento e pesar mais de 180 toneladas. É realmente grande, mas provavelmente não tão grande quanto muitas pessoas pensam. Há algumas lendas populares, como a de que o coração de uma baleia-azul é do tamanho de um carro e que um humano poderia nadar em sua aorta, que não são realmente verdade.

É quase impossível achar uma foto de corpo inteiro de uma baleia azul. Afinal, ela é enorme e vive embaixo d'água!

É quase impossível achar uma foto de corpo inteiro de uma baleia azul. Afinal, ela é enorme e vive embaixo d’água!

Mas o que mais podemos dizer sobre a baleia-azul? Ela é um rorqual, um nome usado para designar baleias da família Balaenopteridae e, como todas elas, se alimenta quase exclusivamente de krill, um pequeno crustáceo muito abundante nos oceanos. E o krill precisa ser abundante de maneira a fornecer as milhares de toneladas que todas as baleias nos oceanos precisam comer todos os dias. Uma única baleia-azul come até 40 milhões de krills em um dia, o que equivale a cerca de 3,5 toneladas. Um filhote de baleia-azul nasce medindo cerca de 7 m de comprimento e bebe cerca de 500 litros de leite por dia!

Baleias-azuis eram abundantes em quase todos os oceanos até o começo do século XX, quando começaram a ser caçadas e quase foram extintas. Hoje em dia, o tamanho real da população é difícil de estimar, mas pode compreender tão pouco quanto 5.000 espécimes, muito menos que as estimadas centenas de milhares no século XIX. Devido a umaa redução tão drástica na população, a baleia-azul é atualmente listada como “em perigo” na Lista Vermelha da IUCN.

Mas vamos ver uma baleia-azul em toda a sua azulância.

Mas vamos ver uma baleia-azul em toda a sua azulância.

Ocasionalmente, as baleias-azuis podem hibridizar com baleias-comuns (Balaenoptera physalus) e talvez até com baleias-jubartes (Megaptera novaeanglie), uma espécie classificada num gênero diferente! Algumas análises genéticas recentes, contudo, indicam que o gênero Balaenoptera é polifilético e a baleia-azul pode passar a ser conhecida como Rorqualus musculus.

Diferente de outras baleias, as baleias-azuis geralmente vivem sozinhas ou em pares, mas nunca formam grupos, mesmo que às vezes se juntem em lugares com grandes concentrações de alimento.

Como outros cetáceos, especialmente outras baleias, a baleia-azul canta. O canto, no entanto, não é tão complexo e dinâmico quanto o produzido pela aparentada baleia-jubarte. Um fato intrigante que foi descoberto recentemente é que a frequência do canto da baleia-azul está se tornando mais e mais baixa pelo menos desde os anos 1960. Não há uma boa hipótese para explicar este fenômeno ainda, mas várias já foram propostas, incluindo o aumento do barulho de fundo devido a atividades humanas ou o aumento na densidade populacional devido à redução da caça.

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Referências:

Hassanin, A.; Delsuc, F.; Ropiquet, A.; Hammer, C.; van Vuuren, B. J.; Matthee, C.; Ruiz-Garcia, M.; Catzeflis, F.; Areskoug, V.; Nguyen, T. T.; Couloux, A. 2012. Patter and timing of diversification of Cetartiodactyla (Mammalia, Laurasiatheria), as revealed by a comprehensive analysis of mitochondrial genomes.  Comptes Rendus Biologies, 335: 32-50.

Mellinger, D. K.; Clark, C. W. 2003. Blue whale (Balaenoptera musculus) sounds from the North Atlantic. Journal of the Acoustical Society of America, 114(2): 1108-1119.

Wikipedia. Blue whale. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Blue_whale&gt;. Acessso em 27 de janeiro de 2016.

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Sexta Selvagem: Milípede-Pernudíssimo

por Piter Kehoma Boll

Em relação à natureza, as pessoas estão sempre curiosas sobre os superlativos, os extremos.. Qual é o maior, o menor, o mais velho, o mais venenoso… Mas existe outro extremo sobre o qual as pessoas geralmente não pensam: o mais pernudo!

Assim hoje falaremos dele. O animal mais pernudo, isto é, o animal com o maior número de pernas.

Seu nome científico é Illacme plenipes e ele não possui um nome comum, então decidi chamá-lo de “milípede-pernudíssimo”, já que é isso que ele é. O nome “milípede” significa “mil pés”, mas nenhum deles realmente atinge esse número. O I. plenipes, no entanto, chega bem perto, tendo até 750 patas! Ele é tão comprido e tão pernudo que vê-lo se movendo é quase uma tortura.

Uma fêmea de Illacme plenipes. Foto de Marek et al. (2012).

Uma fêmea de Illacme plenipes. Foto de Marek et al. (2012).

Esta espécie foi descrita em 1928 a partir de uma pequena localidade na Califórnia e é tão raro que não foi encontrado de novo por quase 80 anos, sendo redescoberto apenas em 2005 em uma área próxima da original. Apesar de ter centenas de patas, é uma espécie bem pequena, tendo menos de 4 cm de comprimento. A maioria dos espécimes examinados possui menos de 700 pernas por causa do desenvolvimento incomum encontrado na maioria ou em todos os milípedes.

Como todos os artrópodes, os milípedes trocam seu exoesqueleto de tempos em tempos para que consigam crescer. Em milípedes, cada vez que eles fazem a muda, eles aumentam o número de segmentos corporais e de patas. Isso continua ao longo da vida, mesmo depois de sexualmente maduros. Assim, poderíamos até mesmo encontrar espécimes tendo mais que o recorde de 750 patas!

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Referências:

Marek, P. E.; Bond, J. E. 2006. Rediscovery of the world’s leggiest animal. Nature, 441: 707. DOI: 10.1038/441707a

Marek, P. E.; Shear, W. A.; Bond, J. E. 2012. A redescription of the leggiest animal, the millipede Illacme plenipes, with notes on its natural history and biogeography. Zookeys, 241: 77-112. DOI: 10.3897/zookeys.241.3831

Wikipedia. Illacme. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Illacme&gt;. Accesso em 26 de janeiro de 2016.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae, 1758 (parte 1)

por Piter Kehoma Boll

Há muito tempo, escrevi um post sobre como a classificação de seres vivos em reinos evoluiu desde Linnaeus até os dias atuais. Foi uma breve introdução, sem a intenção de detalhar a níveis abaixo de reino. Aqui, pretendo começar uma nova série de posts onde apresentarei a classificação de formas de vida em níveis mais baixos. Cada postagem apresentará uma classificação mais recente comparada com a anterior, de forma que vocês possam ver como as coisas evoluíram através do tempo.

Comecemos então de novo com Linnaeus, mais precisamente com a décima edição de sua obra Systema Naturae. Essa edição é o ponto inicial da nomenclatura zoológica e foi publicada em 1758.

No Systema Naturae, Linnaeus dividiu a “natureza” em três reinos Regnum Animale (reino animal), Regnum Vegetabile (reino vegetal) e Regnum Lapideum (reino mineral). Como os minerais não são formas de vida, não tratarei delas aqui, visto que essa classificação não faz sentido algum para rochas. Talvez eu fale delas mais tarde em outra postagem.

De início eu pensei em apresentar todo o sistema aqui, mas a postagem se tornaria grande demais. Portanto decidi apresentar animais e plantas separadamente, mas de novo haveria muito a ser dito sobre animais. Assim, esta postagem tratará apenas de mamíferos e aves. Outros grupos serão apresentados em postagens subsequentes. Confira anfíbios e peixes aqui, insetos aqui e vermes aqui..

1. Mammalia (Mamíferos)

Coração com duas aurículas e dois ventrículos; sangue quente e vermelho.
Pulmões respirando reciprocamente.
Mandíbula incumbente, coberta.
Pênis entrando em vivípara, lactante.
Sentidos: língua, narinas, toque, olhos, ouvidos.
Cobertura: pelos, poucos para os índicos, pouquíssimos para os aquáticos.
Suporte: quatro patas, exceto para os aquáticos, nos quais as patas posteriores coalesceram com a cauda.

Mamíferos incluíam 8 ordens: Primates, Bruta, Ferae, Bestiae, Glires, Pecora, Belluae e Cete. Elas são mostradas abaixo com seus respectivos gêneros.

1.1 Primates (primorosos): Homo (humanos), Simia (todos os simios e macacos), Lemur (lêmures), Vespertilio (morcegos)

Quatro espécies listadas por Linnaeus sob Primates (da esquerda para a direita): humano (

Quatro espécies listadas por Linnaeus sob Primates (da esquerda para a direita): humano (Homo sapiens), macaco-de-Gibraltar (Simia sylvanus, agora Macaca sylvanus), lêmure-de-cauda-anelada (Lemur catta) e morcego-bicolor (Vespertilio murinus). Créditos das fotos para Pawel Ryszawa (macaco), usuário do Wikimedia Permak (lêmure), e Markus Nolf (morcego).

1.2 Bruta (brutos): Elephas (elefantes), Trichechus (peixes-bois), Bradypus (preguiças), Myrmecophaga (tamanduás), Manis (pangolins).

A ordem bruta incluía (da esquerda para a direita) o elefante-asiático (

A ordem bruta incluía (da esquerda para a direita) o elefante-asiático (Elephas maximus), o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), a preguiça-de-bentinho (Bradypuss tridactylus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o pangolim-chinês (Manis pentadactyla). Créditos das fotos a usuário do Wikimedia Ji-Elle (elefante), Departamento do Interior dos EUA (peixe-boi), Fernando Flores (preguiça), Graham Hughes (tamanduá), e usuário do Wikimedia nachbarnebenan (pangolim).

1.3 Ferae (feras): Phoca (focas), Canis (cães, raposas e hienas), Felis (gatos), Viverra (mangustos, civetas e cangambás), Mustela (doninhas e lontras), Ursus (ursos, texugos e guaxinins).

A ordem Ferae de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o foca-comum (

A ordem Ferae de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o foca-comum (Phoca vitulina), o lobo (Canis lupus), o gato-doméstico (Felis catus, agora Felis sylvestris catus), a civeta-indiana (Viverra zibetha), o tourão (Mustela putorius) e o urso-pardo (Ursus arctos). Créditos a Maximilian Narr (foca), Gunnar Ries (lobo), Michal Osmenda (gato), usuário do flickr tontravel (civeta), Peter Trimming (tourão), e Steve Hillebrand (urso).

1.4 Bestiae (bestas): Sus (porcos), Dasypus (tatus), Erinaceus (ouriços), Talpa (toupeiras), Sorex (musaranhos e toupeiras), Didelphis (gambás)

Algumas especies na ordem Bestiae (da esquerda para a direita, de cima para baixo): javali (

Algumas especies na ordem Bestiae (da esquerda para a direita, de cima para baixo): javali (Sus scrofa), tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), ouriço-terrestre (Erinaceus europaeus), toupeira-europeia (Talpa europaea), musaranho-comum (Sorex araneus), gambá-comum (Didelphis marsupialis). Créditos a Henri Bergius (javali), Hans Stieglitz (tatu), Jörg Hempel (ouriço), Mick E. Talbot (toupeira), Agnieszka Kloch (musaranho), e Juan Tello (gambá).

1.5 Glires (arganazes): Rhinoceros (rinocerontes), Hystrix (porco-espinhos), Lepus (lebres e coelhos), Castor (castores e desmanas), Mus (camundongos, ratos, hamsters, marmotas etc), Sciurus (esquilos)

Seis espécies que Linnaeus classificou como Glires (da esquerda para a direita, de cima para baixo):

Seis espécies que Linnaeus classificou como Glires (da esquerda para a direita, de cima para baixo): rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis), porco-espinho-de-crista-africano (Hystrix cristata), lebre-da-Eurásia (Lepus timidus), castor-europeu (Castor fiber), camundongo-doméstico (Mus musculus), esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris). Créditos a usuário do Wikimedia FisherQueen (rinoceronte), usuário do Wikimedia Quartl (porco-espinho), Alan Wolfe (lebre), Klaudiusz Muchowski (castor), usuário do Wikimedia 4028mdk09 (camundongo), e Hernán de Angelis (esquilo).

1.6 Pecora (gado): Camelus (camelos, lhamas), Moschus (almiscareiros), Cervus (cervos e girafas), Capra (cabras e antílopes), Ovis (ovelhas), Bos (bovinos)

Entre as espécies que Linnaeus pôs juntas como Pecora estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o dromedário (

Entre as espécies que Linnaeus pôs juntas como Pecora estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o dromedário (Camelus dromedarius), o cervo-almiscarado-siberiano (Moschus moschiferus), o veado-vermelho (Cervus elaphus), a cabra-doméstica (Capra hircus, agora Capra aegagrus hircus), a ovelha-doméstica (Ovis aries) e o boi (Bos taurus). Créditos a Bjorn Christian Torrisen (dromedário)***, F. Spangenberg (cervo-almiscarado)***, Jörg Hempel (veado)***, Wolfgang Stadut (cabra)*, usuário do Wikimedia Jackhynes (ovelha), e Andrew Butko (boi)****.

1. 7 Beluae (bestas monstruosas): Equus (cavalos), Hippopotamus (hipopótamos, antas).

A ordem Belluae incluía a zebra (

A ordem Belluae incluía a zebra (Equus zebra) e o hipopótamo (Hippopotamus amphibius). Créditos a Trisha M. Shears (zebra) e usuário do Wikimedia Irigi (hipopótamo).

1.8 Cete (monstros marinhos): Monodon (narval), Balaena (baleias), Physeter (cachalotes), e Delphinus (golfinhos).

A ordem Cete incluía, entre outras, as seguintes quatro espécies (da esquerda para a direita): narval (

A ordem Cete incluía, entre outras, as seguintes quatro espécies (da esquerda para a direita): narval (Monodon monoceros), baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus), cachalote (Physeter macrocephalus) e golfinho-comum (Delphinus delphis).

2. Aves

Coração com duas aurículas e dois ventrículos; sangue quente e vermelho.
Pulmões respirando reciprocamente.
Mandíbula incumbente, nua, estendida, desdentada.
Pênis subentrando, sem escroto, em ovípara, casca calcária.
Sentidos: língua, narinas, olhos, ouvidos sem orelhas.
Cobertura: penas incumbentes e imbricadas.
Suporte: dois pés, duas asas.

Aves incluía 6 ordens: Accipitres, Picae, Anseres, Grallae, Gallinae e Passeres.

2.1 Accipitrae (gaviões): Vultur (urubus e condores), Falco (falcões, águias, gaviões), Strix (corujas), Lanius (picanços, suiriris).

Accipitres incluía (da esquerda para a direita) o

Accipitres incluía (da esquerda para a direita) o condor-dos-Andes (Vultur gryphus), o falcão-americano (Falco sparverius), a coruja-do-mato (Strix aluco) e o picanço-marrom (Lanius cristatus). Créditos a Linda Tanner (falcão)*, usuário do flickr nottsexminer (coruja)*, e Charles Lam (picanço)*.

2.2 Picae (pegas): Psittacus (papagaios), Ramphastos (tucanos), Buceros (calaus), Cuculus (cucos), Jynx (torcicolos), Picus (pica-paus), Corvus (corvos), Coracias (rolieiros e papa-fingos), Sitta (trepadeiras), Merops (abelharucos), Trochilus (beija-flores), Crotophaga (anus), Gracula (mainás e iraúnas), Paradisaea (aves-do-paraíso), Alcedo (martim-pescadores), Upupa (poupas), Certhia (trepadeiras-verdadeiras).

As 16 espécies seguintes foram todas incluídas na ordem Picae (da esquerda para a direita, de cima para baixo): papagaio-

As 16 espécies seguintes foram todas incluídas na ordem Picae (da esquerda para a direita, de cima para baixo): papagaio-cinzento (Psittacus erithacus), tucano-de-peito-branco (Ramphastos tucanus), cuco-comum (Cuculus canorus), torcicolo-europeu (Jynx torquilla), pica-pau-verde (Picus viridis), corvo-comum (Corvus corax), rolieiro-europeu (Coracias garrulus), trepadeira-azul (Sitta europaea), abelharuco-comum (Merops apiaster), beija-flor-de-bico-vermelho (Trochilus polytmus), anu-preto (Crotophaga ani), mainá-da-montanha (Gracula religiosa), ave-do-paraíso-grande (Paradisaea apoda), guarda-rios-comum (Alcedo atthis), poupa-europeia (Upupa epops) e trepadeira-do-bosque (Certhia familiaris). Créditos a usuário do Wikimedia Fiorellino (papagaio)***, Marie Hale (tucano)*, usuário do Wikimedia locaguapa (cuco)***, Carles Pastor (torcicolo)***, Hans Jörg Hellwig (pica-pau)***, Alan Vermon (corvo)*, usuário do flickr Koshy Koshy (rolieiro)*, Paweł Kuźniar (trepadeiras)***, Pellinger Attila (abelharuco)***, Charles J. Sharp (beija-flor e anu)***, usuário do Wikimedia Memset (mainá)***, Andrea Lawardi (ave-do-paraiso)*, usuário do Wikimedia Joefrei (guarda-rios)***, Arturo Nikolai (poupa)*.

2.3 Anseres (gansos): Anas (patos, gansos e cisnes), Mergus (mergansos), Procellaria (petréis), Diomedea (albatrozes e pinguins), Pelecanus (pelicanos, biguás, atobás, gansos-patolas e fragatas), Phaethon (rabo-de-palhas), Alca (alcas), Colymbus (mergulhões e mobelhas), Larus (gaivotas), Sterna (andorinhas-do-mar), Rynchops (talhamares).

Onze espécies listadas por Linnaeus sob Anseres (da esquerda para a direita, de cima para baixo): pato-real (

Onze espécies listadas por Linnaeus sob Anseres (da esquerda para a direita, de cima para baixo): pato-real (Anas platyrhynchos), merganso-comum (Mergus merganser), petrel-de-queixo-branco (Procellaria aequinoctialis), albatroz-errante (Diomedea exulans), pelicano-branco (Pelecanus onocrotalus), rabo-de-palha-de-bico-vermelho (Phaethon aethereus), torda-comum (Alca torda), mobelha-ártica (Colymbus arcticus, agora Gavia arctica), gaivota-comum (Larus canus), andorinha-do-mar-comum (Sterna hirundo), e talhamar (Rynchops niger). Créditos a Andreas Trepte (pato-real)**,, Dick Daniels (merganso e talhamar)***, Ron Kinght (petrel)*, JJ Harrison (ablatroz)***, Nino Barbieri (pelicano)***, Charles J. Sharp (rabo-de-palha)****, Steve Garvie (mobelha)*, e Arne List (gaivota)*.

2.4 Grallae (maçaricos): Phoenicopterus (flamingos), Platalea (colheireiros), Mycteria (cabeça-secas), Tantalus (o cabeça-seca de novo!), Ardea (garças, grous e cegonhas), Recurvirostra (alfaiates), Scolopax (galinholas, íbis, etc), Tringa (maçaricos, abibes e falaropos), Fulica (galeirões, frangos-d’água, jaçanãs), Rallus (saracuras), Psophia (jacamins), Haematopus (ostraceiros), Charadrius (batuíras), Otis (abetardas), Struthio (avestruzes, emas, casuares, dodôs).

Quinze espécies que Linnaeus classificou como Gralle (da esquerda para a direita, de cima para baixo): flamingo-americano (

Quinze espécies que Linnaeus classificou como Grallae (da esquerda para a direita, de cima para baixo): flamingo-americano (Phoenicopterus ruber), colheireiro-europeu (Platalea leucorodia), cabeça-seca (Mycteria americana), cabeça-seca de novo (Tantalus localator), garça-cinzenta (Ardea cinerea), alfaiate (Recurvirostra avosetta), galinhola (Scolopax rusticola), maçarico-bastardo (Tringa glareola), galeirão-comum (Fulica atra), frango-d’água (Rallus aquaticus), jacamim-das-costas-cinzas (Psophia crepitans), ostraceiro-europeu (Haematopus ostralegus), borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula), abetarda-comum (Otis tarda), avestruz (Struthio cmelus). Créditos a Paul Asman e Jill Lenoble (flamingo)*, Andreas Trepte (colheireiro e alfaiate)**, Dick Daniels (cabeça-seca)***, JJ Harrison (garça)***, Ronald Slabke (galinhola)***, usuário do Wikimedia Alpsdake (maçarico)***, Axel Mauruszat (galeirão), Pierre Dalous (frango-d’água)***, Robin Chen (jacamim)***, usuário do Wikimedia TomCatX (ostraceiro)**, usuário do Wikimedia Esteromiz (borrelho), Francesco Varonesi (abetarda)*, e usuário do Wikimedia Nicor (avestruz)***.

2.5 Gallinae (galinhas): Pavo (pavões), Meleagris (perus), Crax (mutuns e jacus), Phasianus (faisões e galinhas), Tetrao (tetrazes, perdizes e codornas).

A ordem Gallinae de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita) o pavão-indiano (

A ordem Gallinae de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita) o pavão-indiano (Pavo cristatus), o peru (Meleagris galopavo), o mutum-do-México (Crax rubra), o faisão-comum (Phasianus colchicus) e o tetraz-grande (Tetrao urogallus). Creditos a usuário do Wikimedia Appaloosa (pavão)***, Arthur Chapman (mutum)*, Lukasz Lukasik (faisão)***, e usuário do Wikimedia Siga (tetraz)***.

2.6 Passeres (pardais): Columba (pombas e pombos), Alauda (cotovias e petinhas), Turdus (sabiás, tordos e felosas), Loxia (cruza-bicos, cardeais, dom-fafes, etc), Emberiza (escrevedeiras), Fringilla (canários, tentilhões, pardais, saíras), Sturnus (estorninhos), Motacilla (alvéolas, piscos, corruíras, etc), Parus (chapins e uirapurus), Hirundo (andorinhas e andorinhões), Caprimulgus (bacuraus).

Onze espécies consideradas partencentes à ordem Paasseres (da esquerda para a direita, de cima para baixo): pombo-torcaz (

Onze espécies consideradas partencentes à ordem Passeres (da esquerda para a direita, de cima para baixo): pombo-torcaz (Columba palumbus), laverca (Alauda arvensis), melro (Turdus merula), cruza-bico-comum (Loxia curvirostra), escrevedeira-amarela (Emberiza citrinella), tentilhão-comum (Fringilla coelebs), estorninho-comum (Sturnus vulgaris), alvéola-branca (Motacilla alba), chapim-real (Parus major), andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), noitibó-europeu (Caprimulgus europaeus). Créditos a Nick Fraser (pombo)***, Daniel Pettersson (laverca)***, Andreas Eichler (melro)***, Andreas Trepte (escrevedeira)**, usuário do wikimedia Thermos (tentilhão)***, Pierre Selim (estorninho)***, Malene Thyssen (alvéola)***, usuário do flickr chapmankj75 (chapim)*, Martin Mcnarowski (andorinha)***, e Dûrzan Cîrano (noitibó)***.

Entre as coisas mais peculiares que podemos destacar aqui estão:

  • Morcegos foram postos junto com os primatas!
  • Rinocerontes foram postos com os roedores! Isso aconteceu porque Linnaeus baseou sua classificação dos mamíferos nos dentes e os incisivos de um rinoceronte lembram em parte os dos roedores.
  • Hipopótamos e antas foram colocados no mesmo gênero! A anta sul-americana era chamada de Hippopotamus terrestris!
  • Girafas foram classificadas como cervos, e texugos e guaxinins como ursos.
  • Várias aves passeriformes, como os suiriris, foram consideradas aves de rapina (Accipitres).
  • Albatrozes e pinguins estavam no mesmo gênero!
  • Cegonhas, garças e grous também estavam todos no mesmo gênero.
  • Por outro lado, o cabeça-seca aparece duas vezes, como duas espécies de gêneros diferentes!

Como podemos ver, Linnaeus não era muito familiarizado com animais. Ele era, afinal, um botânico, mas ele fez o melhor que pôde.

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Referência:

Linnaeus, Carl. 1758. Systema Naturae per Regna Tria Nature…

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Sexta Selvagem: Aranha-da-acácia-de-Kipling

por Piter Kehoma Boll

Aranhas são famosas por serem criaturas horríveis, predadores atrozes com veneno terrível e teias sinistras. Mas isso não é bem verdade quando você começa a conhecê-las melhor, mas, de qualquer forma, elas costumavam ser consideradas um grupo de animais composto unicamente de predadores.

Isso não é mais verdade. Em 2008, descobriu-se que uma pequena aranha-saltadora é predominantemente vegetariana! Seu nome é Bagheera kiplingi, ou a aranha-da-acácia-de-Kipling, e ela é a espécie da Sexta Selvagem de hoje.

Um macho de Bagheera kiplingi se alimentando de um corpo beltiano. Foto de M. Milton extraída de Meehan et al. (2009).

Um macho de Bagheera kiplingi se alimentando de um corpo beltiano. Foto de M. Milton extraída de Meehan et al. (2009).

A aranha-da-acácia-de-Kipling é enncontrada na América Central, em México, Costa Rica e Guatemala. É uma aranha-saltadora (família Salticidae), a família mais diversa de aranhas.

Vivendo em pés de acácia, a aranha-da-acácia-de-Kipling se alimenta principalmente de corpos beltianos, pequenas estruturas na ponta dos folíolos de acácia que são ricos em proteínas, açúcares e gorduras. Os corpos beltianos são uma fonte de alimento para espécies de forma do gênero Pseudomyrmex que vivem em uma relação mutualística com as acácias, protegendo as árvores de herbívoros.

Nossa aranha provavelmente se tornou uma oportunista ao explorar um recurso que não foi designado para ela. E mais do que isso, às vezes a aranha pode atacar e comer as formigas, especialmente suas larvas, tornando-se assim uma espécie de distúrbio incômodo à relação mutualística entre formiga e árvore.

Contudo, apesar do fato de que ela também se alimenta de larvas de formiga, a Bagheera kiplingi tem os corpos beltianos como principal fonte de alimento. Ironicamente, o nome Bagheera vem do personagem Bagheera de Rudyard Kipling, o qual é uma panteraa negra. O epíteto específico, kiplingi, homenageia o próprio Rudyard Kipling.

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Referências:

Meehan, C. J.; Olson, E. J,; Reudink, M. W.; Kyser, T. K.; Curry, R. L. 2009. Herbivory in a spider through exploitation of an ant-plant mutualism. Currenty Biology, 19(19):R892-R893. DOI: 10.1016/j.cub.2009.08.049

Wikipedia. Bagheera kiplingi. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Bagheera_kiplingi&gt;. Acesso em 02 de fevereiro de 2016.

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O lagarto teju e a origem dos animais de sangue quente

por Piter Kehoma Boll

Sangue quente é a forma popular de se referir à endotermia, a habilidade que certos animais possuem de manter uma temperatura corporal elevada pelo uso de calor gerado no metabolismo, especialmente em órgãos internos. Mamíferos e aves são os únicos grupos vivos nos quais todos os representantes são endotérmicos, mas alguns peixes também possuem esta característica.

Atuns são peixes verdadeiramente endotérmicos, de forma similar a aves e mamíferos. Foto de opencage.info**

Atuns são peixes verdadeiramente endotérmicos, de forma similar a aves e mamíferos. Foto de opencage.info**

De maneira a manter uma temperatura corporal elevada, animais endotérmicos precisam de uma quantidade muito maior de alimento diário que animais ectotérmicos (aqueles que dependem de fontes do ambiente para ajustar a temperatura corporal). Deve haver, portanto, uma vantagem considerável na endotermia para explicar tal aumento no consumo de recursos. As vantagens incluem a habilidade de se manter ativo em áreas de temperaturas baixas e um aumento na eficiência de reações enzimáticas, contrações musculares e transmissão de moléculas através de sinapses.

A origem da endotermia ainda é motivo de debate e várias hipóteses foram levantadas. As principais são:

1. Migração de ectotermia para homeotermia inercial e finalmente endotermia

De acordo com essa hipótese, animais que eram inicialmente ectotérmicos cresceram em tamanho, tornando-se inercialmente homeotérmicos, isto é, eles mantinham uma temperatura interna consideravelmente constante devido à área de superfície reduzida em relação ao volume. Mais tarde, pressões seletivas forçaram esses animais a reduzirem em tamanho, o que fez com que se tornassem incapazes de sustentar uma temperatura interna constante e assim suas eficiências enzimática, muscular e sináptica ficaram ameaçadas. Como resultado, eles foram forçados a desenvolver uma maneira alternativa de manter uma temperatura corporal elevada e a adquiriram através da endotermia.

Inicialmente considerada uma explicação plausível devido ao tamanho corporal dos ancestrais dos mamíferos no registro fóssil, novas interpretações filogenéticas causaram uma completa mistura de animais de corpo grande e de corpo pequeno, de forma que fósseis atualmente não sustentam mais essa ideia.

2. Um encéfalo grande aquecendo o corpo

O encéfalo em espécies endotérmicas produz muito mais calor que qualquer outro órgão. Isso levou à suposição de que talvez um grande encéfalo gerando calor foi o responsável pelo posterior desenvolvimento de endotermia completa. Contudo evidências tanto de espécies vivas quanto de fósseis apontam para o oposto. Parece mais razoável que um encéfalo grande evoluiu após a endotermia e não o oposto.

3. Uma vida noturna precisa de mais calor

Esta ideia afirma que o desenvolvimento da endotermia aconteceu como uma maneira de permitir que animais sejam ativos durante a noite. O fato de a maioria dos mamíferos primitivos parecer ter sido noturna a princípio sustenta esta hipótese, mas de fato muitos mamíferos noturnos atuais possuem uma temperatura corporal mais baixa que mamíferos diurnos. Outro aspecto que conta contra esta hipótese é que os ancestrais dos mamíferos já mostravam evidências de um aumento em temperatura corporal apesar de provavelmente não serem noturnos.

4. O calor ajuda os embriões a se desenvolverem

Como vocês devem saber, em muitos vertebrados ectotérmicos, tal como répteis, os ovos precisam ser incubados a uma temperatura constante para que se desenvolvam adequadamente. Endotermia, portante, poderia ter evoluído como uma maneira de permitir que os pais incubem os ovos eles mesmos e que haja um controle maior sobre a estabilidade da temperatura. Um fato que sustenta essa teoria é o papel duplo de hormônios tireoides na reprodução e no controle da taxa metabólica.

Dove_incubating_eggs

5. Capacidade aeróbica levando ao aquecimento de órgãos internos

De acordo com essa hipótese, a endotermia evoluiu após o aumento da capacidade aeróbica, isto é, a primeira coisa que aconteceu foi o aumento da habilidade dos músculos de consumir oxigênio para liberar energia, o que auxiliou o animal a se mover mais depressa, entre outras coisas. Essa capacidade aeróbica aumentada foi adquirida ao aumentar-se o número de mitocôndrias em células musculares, o que levou a uma temperatura corporal mais alta nos músculos e consequentemente uma temperatura visceral mais alta. Apesar de fósseis indicarem que os ancestrais de mamíferos desenvolveram adaptações morfológicas que indicam um aumento da capacidade aeróbica, não é possível afirmar que a endotermia já não estava presente nessas espécies.

Muito recentemente, descobriu-se que os lagartos tejus (Salvator merianae) da América do Sul aumentam sua temperatura corporal durante a estação reprodutiva, chegando a até 10°C acima da temperatura ambiente durante a noite. Assim, parece que eles são capazes de aumentar a produção e a conservação de calor de formas similares às usadas por animais inteiramente endotérmicos.

O teju Salvator merianae é um endotermo facultativo. Foto de Jami Dwyer.

O teju Salvator merianae é um endotermo facultativo. Foto de Jami Dwyer.

Como tal aumento na temperatura corporal acontece durante o ciclo reprodutivo, isso suporta a hipótese da endotermia evoluindo para ajudar no desenvolvimento de embriões, como explicando acima. Além disso, indica que ectotermos podem realizar endotermia temporário e a endotermia permanente talvez possa ter evoluindo usando esse caminho.

Mais estudos sobre os tejus são necessários para esclarecer esse interessante fenômeno e expandir nosso conhecimento sobre a evolução de endotermia em mamíferos e aves.

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Referências:

References:

Kemp, T. (2006). The origin of mammalian endothermy: a paradigm for the evolution of complex biological structure Zoological Journal of the Linnean Society, 147 (4), 473-488 DOI: 10.1111/j.1096-3642.2006.00226.x

Tattersall, G., Leite, C., Sanders, C., Cadena, V., Andrade, D., Abe, A., & Milsom, W. (2016). Seasonal reproductive endothermy in tegu lizards Science Advances, 2 (1) DOI: 10.1126/sciadv.1500951

Wikipedia. Endotherm. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Endotherm&gt;. Acesso em 1 de fevereiro de 2016.

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