Arquivo da categoria: Algas

Sexta Selvagem: Alga-aranha-rastejante

por Piter Kehoma Boll

O mundo de criaturas unicelulares inclui espécies fascinantes, algumas das quais já foram apresentadas aqui. E hoje mais uma está chegando, o protista ameboide marinho fitoplanctônico Chlorarachnion reptans, que de novo é uma espécie sem nome comum, de forma que eu criei um: alga-aranha-rastejante.

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Um plasmódio da alga-aranha-rastejante Chlorarachnion reptans. Foto do usuário do Wikimedia NEON*.

A alga-aranha-rastejante foi descoberta nas Ilhas Canárias em 1930. Ela é uma alga ameboide que forma plasmódios (redes multinucleadas) de células conectadas por finos filamentos de citoplasma (reticulopódios). Os reticulopódios também são usados para capturar presas (bactérias e protistas menores, especialmente algas), funcionando mais ou menos como uma teia de aranha. Adicionalmente, a alga-aranha-rastejante tem cloroplastos, de forma que pode realizar fotossíntese. Ela é, portanto, um organismo mixotrófico, tendo mais de uma maneira de se alimentar.

Os cloroplastos da alga-aranha-rastejante, bem como de outras espécies no grupo, chamado Chlorarachniophyceae, têm quatro membranas e parece ter evoluído de uma alga verde que foi ingerida e se tornou um endossimbionte. Como resultado, o cloroplasto da alga-aranha-rastejante tem dois conjuntos de DNA, um do cloroplasto original que veio de uma bactéria endossimbionte (localizado dentro da membrana interna), e um da alga verde (entre as duas membranas internas e as duas externas).

Apesar de tradicionalmente vistas como um grupo de algas, as cloraracniófitas não são proximamente relacionadas com nenhuma das algas mais “típicas”, como as vermelhas, verdes, marrons e douradas ou diatomáceas. Elas na verdade são parentes de outros protistas com finos pseudópodes em forma de redes ou fios, como os radiolários e foraminíferos, formando com eles o grupo Rhizaria.

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Referências:

AlgaeBase. Chlorarachnion reptans Geitler. Disponível em <http://www.algaebase.org/search/species/detail/?species_id=59340&gt;. Acesso em 5 de março de 2017.

EOL – Encyclopedia of Life. Chlorarachnion reptans. Disponível em <http://eol.org/pages/897235/overview&gt;. Acesso em 5 de março de 2017.

Hibberd, D., & Norris, R. (1984). Cytology and ultrastructure of Chlorarachnion reptans (Chlorarachniophyta divisio nova, Chlorarachniophyceae classis nova) Journal of Phycology, 20 (2), 310-330 DOI: 10.1111/j.0022-3646.1984.00310.x

Ludwig, M., & Gibbs, S. (1989). Evidence that the nucleomorphs of Chlorarachnion reptans (Chloraracnhiophyceae) are vestigial nuclei: morphology, division and DNA-DAPI fluorescence Journal of Phycology, 25 (2), 385-394 DOI: 10.1111/j.1529-8817.1989.tb00135.x

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Sexta Selvagem: Dinóbrio-divergente

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar a mais uma vez aos problemáticos e negligenciados protistas. Desta vez trarei a vocês outra alga pequena, mas bonita, mais precisamente uma alga dourada. Seu nome é Dinobryon divergens e como de praxe não há nome comum, então inventei um simplesmente traduzindo o nome científico, de forma que a chamarei de dinóbrio-divergente.

O dinóbrio-divergente é parte da classe Chrysophyceae, comumente conhecidas como algas douradas. Medindo certa de 50 µm de comprimento, ele vive em lagos temperados ao redor do mundo e forma colônias compostas de cerca de 6 a 50 células ovoides que são rodeadas por uma concha (lórica) de celulose com forma de vaso, como visto na imagem abaixo.

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Uma colônia ramificada de Dinobryon divergens. As células são claramente visíveis dentro da lórica. Foto de Frank Fox.*

Durante a formação da colônia, uma célula original se divide e uma das células-filhas desliza para a abertura da lórica e começa a construir uma nova. Ela começa criando a base da lórica, que tem um formato de funil e fica presa à parede interna da lórica original. Com divisões subsequentes, a colônia começa a crescer num formato de árvore. E a parte mais interessante é que as células têm dois flagelos e os usam para nadar, puxando a colônia inteira através da água.

Como com outras algas douradas, o dinóbrio-divergente produz uma estrutura silicosa interna que é globosa, oca e tem uma única abertura com o exterior. Essa estrutura é chamada de estatósporo ou estomatocisto e permite que a célula entre num estado de repouso (cisto). O estatósporo é uma estrutura importante para ajudar a distinguir diferentes espécies de algas douradas.

O dinóbrio-divergente é um organismo mixotrófico, significando que se alimenta por fotossíntese e também pela ingestão de alimento, especialmente bactérias. É um carinha interessante, não acha?

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Referências:

Franke, W., & Herth, W. (1973). Cell and lorica fine structure of the chrysomonad alga, Dinobryon sertularia Ehr. (Chrysophyceae) Archiv für Mikrobiologie, 91 (4), 323-344 DOI: 10.1007/BF00425052

Herth, W. (1979). Behaviour of the chrysoflagellate alga, Dinobryon divergens, during lorica formation Protoplasma, 100 (3-4), 345-351 DOI: 10.1007/BF01279321

Karim, A., & Round, F. (1967). Microfibrils in the lorica of the freshwater alga Dinobryon New Phytologist, 66 (3), 409-412 DOI: 10.1111/j.1469-8137.1967.tb06020.x

Sandgren, C. (1981). Characteristics of sexual and asexual resting cyst (statospore) formation in Dinobryon cylindricum Imhof (Chrysophyta) Journal of Phycology, 17 (2), 199-210 DOI: 10.1111/j.1529-8817.1981.tb00840.x

Sheath, R., Hellebust, J., & Sawa, T. (1975). The statospore of Dinobryon divergens Imhof: Formation and germination in a subarctic lake Journal of Phycology, 11 (2), 131-138 DOI: 10.1111/j.1529-8817.1975.tb02760.x

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Sexta Selvagem: Kelp-Gigante

por Piter Kehoma Boll

Esta semana ficaremos no mar e conheceremos uma das algas mais impressionantes, o kelp-gigante, Macrocystis pyrifera. Ele é chamado de gigante por uma boa razão, já que pode crescer até 50 metros em comprimento e formar verdadeiras florestas no mar. Sendo capaz de crescer 60 cm em um único dia, ele tem o crescimento linear mais rápido de qualquer organismo na Terra.

O kelp-gigante é uma alga marrom, assim não é relacionado (ao menos não proximamente) a algas verdes ou vermelhas, mas é um parente das minúsculas diatomáceas que cobrem o oceano. Ele cresce em águas frias ao longo do costa do Pacífico nas Américas e próximo à costa de países próximos à Antártida, tal como Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

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É mesmo uma bela alga, não é? Foto da California Academy of Sciences.*

Este incrível organismo é composto por um talo que se ramifica na base e então continua como um pedúnculo único e muito longo do qual lâminas se desenvolvem a intervalos regulares de apenas um lado. Na base de cada lâmina, há uma bexiga de gás que ajuda o organismo inteiro a se manter mais ou menos em posição vertical.

As enormes florestas de kelp nos oceanos são um ecossistema importante e muitas espécies dependem delas para sobreviver, incluindo outras algas. Humanos também usam o kelp gigante tanto como uma fonte direta de alimento quanto como uma fonte de suplementos alimentares, uma vez que a alga é rica em muitos minerais, especialmente iodo e potássio, bem como muitas vitaminas.

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As florestas de kelp sustentam uma enorme diversidade de formas de vida nos oceanos. Foto de Stef Maruch.**

Nas últimas décadas, as populações de kelp estão diminuindo rapidamente. Isso provavelmente é  causado pelas mudanças climáticas, já que essa alga não consegue se desenvolver em temperaturas acima de 21ºC. O kelp-gigante é, portanto, só mais uma vítima do aquecimento global. E se ele se extinguir, um ecossistema inteiro desaparecerá com ele.

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Referências:

Foster, M. (1975). Algal succession in a Macrocystis pyrifera forest Marine Biology, 32 (4), 313-329 DOI: 10.1007/BF00388989

Wikipedia. Macrocystis pyrifera. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Macrocystis_pyrifera&gt;. Acesso em 19 de janeiro de 2007.

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Sexta Selvagem: Diatomácea-colar-de-roda

por Piter Kehoma Boll

A maioria de vocês deve saber o que são diatomáceas, algas microscópicas com carapaças de sílica que são muito abundantes nos oceanos do mundo e um dos principais produtores de oxigênio. Você pode ter visto imagens como esta abaixo, mostrando a diversidade de diatomáceas, mas você é  capaz de nomear uma espécie sequer?

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A bela, mas amplamente negligenciada por não-especialistas, diversidade de diatomáceas. Foto do usuário do Wikimedia Wipeter.*

Hoje decidi  trazer uma diatomácea à Sexta Selvagem e  me deixem contar: não foi nem um pouco fácil selecionar uma boa espécie com uma quantidade considerável de informações disponíveis e uma boa imagem. Mas ao final a vencedora do prêmio Primeira Diatomácea na Sexta Selvagem foi…

Thalassiosira rotula!

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Três indivíduos de Thalassiosira rotula conectados. Foto de micro*scope.**

Como com muitos microrganismos, esta espécie não possui nome comum e, como já é tradição aqui, eu decidi inventar um e escolhi o nome diatomácea-colar-de-roda. Diatomácea-colar parece ser um bom nome para espécies do gênero Thalassiosira, já que elas são formadas por vários indivíduos conectados entre si em um padrão que lembra um colar. Eu decidi chamar esta espécie particular de diatomácea-colar-de-roda por causa de seu epíteto específico, rotula, que significa rodinha em latim.

A diatomácea-colar-de-roda é uma espécie marinha encontrada no mundo todo perto da costa. É muito abundante e a espécie dominante em algumas áreas, de forma que possui uma grande importância ecológica. Pequenos crustáceos planctônicos, como copépodes, geralmente se alimentam da diatomácea-colar-de-roda e, como esses crustáceos são usados como alimento por animais muito maiores, a diatomácea-colar-de-roda é responsável por sustentar toda a teia alimentar.

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Referências:

Ianora, A., Poulet, S., Miralto, A., & Grottoli, R. (1996). The diatom Thalassiosira rotula affects reproductive success in the copepod Acartia clausi Marine Biology, 125 (2), 279-286 DOI: 10.1007/BF00346308

Krawiec, R. (1982). Autecology and clonal variability of the marine centric diatom Thalassiosira rotula (Bacillariophyceae) in response to light, temperature and salinity Marine Biology, 69 (1), 79-89 DOI: 10.1007/BF00396964

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Sexta Selvagem: Geleia-de-bruxa

por Piter Kehoma Boll

Quantas pessoas será que podem dizer que têm uma bactéria que lhes lembre da infância? Bom, pelo menos eu posso dizer que tenho.

Quando eu era criança e comecei a conhecer sobre o incrível mundo dos seres vivos que enchem nosso planeta, eu passava a maior parte do tempo do lado de fora olhando em cada cantinho do quintal e das matas próximas em busca de formas de vida interessantes. E uma que sempre chamou minha atenção era uma estranha massa gelatinosa verde-amarronzada que aparecia no chão na estação chuvosa.

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Você já encontrou algo assim no chão? Foto do usuário do flickr gailhampshire.*

De início pensei ser algum tipo de alga verde, mas não fui capaz de identificar a espécie. Muitos anos depois eu finalmente descobri o que é, uma colônia de cianobactérias chamada Nostoc commune e comumente conhecida como gelatina-das-estrelas, manteiga-de-bruxa, geleia-de-bruxa, entre outros. Ela é  encontrada no mundo inteiro, dos trópicos até  as regiões polares.

Como em outras cianobactérias, a geleia-de-bruxa é formada por uma colônia de organismos unicelulares conectados em cadeia. Estas estão mergulhadas numa matriz gelatinosa de polissacarídeos que dá à colônia sua aparência gelatinosa.

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Cadeias de Nostoc commune na matriz de polissacarídeos vistas sob o microscópio. Foto de Kristian Peters.**

Durante períodos secos, as colônias da geleia-de-bruxa dessecam e se tornam uma camada fina inconspícua no solo. Elas podem permanecer neste estado por décadas, talvez séculos, até que as condições ideais retornem.

Em alguns lugares, especialmente no Sudeste da Ásia, a geleia-de-bruxa é consumida como alimento, sendo um alimento tradicional no Ano Novo Lunar Chinês.

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Referências:

Lipman, C. (1941). The Successful Revival of Nostoc commune from a Herbarium Specimen Eighty- Seven Years Old Bulletin of the Torrey Botanical Club, 68 (9) DOI: 10.2307/2481755

Tamaru, Y., Takani, Y., Yoshida, T., & Sakamoto, T. (2005). Crucial Role of Extracellular Polysaccharides in Desiccation and Freezing Tolerance in the Terrestrial Cyanobacterium Nostoc commune Applied and Environmental Microbiology, 71 (11), 7327-7333 DOI: 10.1128/AEM.71.11.7327-7333.2005

Wikipedia. Nostoc commune. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Nostoc_commune >. Acesso em 19 de setembro de 2016.

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Sexta Selvagem: Líquen-solar-elegante

por Piter Kehoma Boll

Bipolar e alpino em distribuição, ocorrendo tanto em regiões árticas e antárticas quanto nos Alpes e áreas temperadas próximas, o líquen-solar-elegante (Xanthoria elegans) é uma bela e interessante criatura. Como todos os líquens, ele é formado por um fungo associado a uma alga.

Um líquen-solar-elegante crescendo sobre uma rocha nos Alpes. Foto do usuário do flickr Björn S...*

Um líquen-solar-elegante crescendo sobre uma rocha nos Alpes. Foto do usuário do flickr Björn S…*

O líquen-solar-elegante cresce em rochas e geralmente tem um formato circular e uma cor vermelha ou laranja. Crescendo muito lentamente, a uma taxa de 0.5 mm ao ano, ele é útil para estimar a idade da face de uma rocha por uma técnica chamada liquenometria. Conhecendo-se a taxa de crescimento de um líquen, pode-se assumir a idade do líquen pelo seu diâmetro e assim determinar o tempo mínimo em que a rocha está exposta, já que um líquen não pode crescer numa rocha se ela não está lá, certo? Esta taxa de crescimento não é tão regular entre todas as populações. Liquens crescendo perto dos polos geralmente crescem mais rápido porque parecem ter taxas metabólicas mais altas para sobreviver a climas mais frios.

Além do seu uso para determinar a idade de uma superfície de rocha, o líquen-solar-elegante é um organismo modelo em experimentos relacionados à resistência aos ambientes extremos do espaço sideral. Ele mostrou ter a habilidade de sobreviver e se recuperar de exposições ao vácuo, a radiações UV, raios cósmicos e temperaturas variáveis por até 18 meses!

Talvez quando finalmente chegarmos a um novo planeta habitável, descobriremos que o líquen-solar-elegante já chegou lá séculos antes de nós!

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Referências:

Murtagh, G. J.; Dyer, P. S.; Furneaux, P. A.; Critteden, P. D. 2002. Molecular and physiological diversity in the bipolar lichen-forming fungus Xanthoria elegans. Mycological Research, 106(11): 1277–1286. DOI: 10.1017/S0953756202006615

Wikipedia. Xanthoria elegans. Available at: < https://en.wikipedia.org/wiki/Xanthoria_elegans >. Access on June 30, 2016.

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A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae, 1758 (Parte 4)

por Piter Kehoma Boll

Esta é a quarta e última parte desta série de postagens. Veja aqui parte 1, parte 2 e parte 3.

Apresentarei aqui a sexta e última classe de animais: Vermes. Ela inclui basicamente qualquer coisa que não seja nem um vertebrado, nem um artrópode.

6. Vermes

Coração com um ventrículo e uma aurícula; pus frio.
Espiráculos ausentes?
Mandíbulas múltiplas, várias.
Pênis diversos em hermafroditas, andróginos.
Sentidos: tentáculos, cabeça ausente (raramente com olhos, sem orelhas e narinas).
Cobertura: às vezes calcária ou ausente, se não espinhos.
Suporte: nem pés, nem nadadeiras.

Vermes eram classificados de acordo com a forma do corpo em 5 ordens: Intestina, Mollusca, Testacea, Lithophyta e Zoophyta.

6.1 Intestina (internos ou intestinos), simples, nus e sem apêndices: Gordius (vermes-crina-de-cavalo), Furia (o verme lendário), Lumbricus (minhocas), Ascaris (lombrigas), Fasciola (fascíolas), Hirudo (sanguessugas), Myxine (feiticeiras) e Teredo (turus).

A heterogênea ordem Intestina de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o verme-crista-de-cavalo-d'água (

A heterogênea ordem Intestina de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o verme-crista-de-cavalo-d’água (Gordius aquaticus), a lendária fúria do inferno (Furia infernalis), a minhoca-comum (Lumbricus terrestris), a lombriga-humana (Ascaris lumbricoides), a fascíola-de-ovelha (Fasciola hepatica), a sanguessuga-medicinal-europeia (Hirudo medicinalis), a feiticeira-do-Atlântico (Myxine glutinosa), e o turu (Teredo navalis). Créditos a Jiři Duchoň (verme-crista-de-cavalo), Michael Linnenbach (minhoca), usuário do Wikimedia GlebK (sanguessuga), Arnstein Ronning (feiticeira), Poi Australia [poi-australia.com.au] (turu).

6.2 Mollusca (moles), simples, nus e com apêndices: Limax (lesmas terrestres), Doris (lesmas-marinhas-dorídeas), Tethys (lesmas-marinhas-tetidídeas), Nereis (poliquetos), Aphrodita (camundongos-do-mar), Lernaea (vermes-âncora), Priapus (vermes priapulídeos e anêmonas), Scyllaea (lesmas-marinhas-cileídeas), Holothuria (salpas e caravelas), Triton (possivelmente algum tipo de lesma marinha), Sepia (polvos,  lulas e sibas), Medusa (águas-vivas), Asterias (estrelas-do-mar), Echinus (ouriços-do-mar e bolachas-da-praia).

 

Entre os animais que Linnaeus pôs em Mollusca estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a lesma-leopardo (

Entre os animais que Linnaeus pôs em Mollusca estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a lesma-leopardo (Limax maximus), o dorídeo-de-verrugas (Doris verrucosa), o tetidídeo-de-franja (Tethys leporina, agora Tethys fimbria), o verme-trapo-esbelto (Nereis pelagica), o camundongo-do-mar (Aphrodita aculeata), o verme-âncora-comum (Lernaea cyprinacea), o verme-cacto (Priapus humanus, agora Priapulus caudatus), o nudibrânquio-do-sargasso (Scyllaea pelagica), a caravela-portuguesa (Holothuria physalis, agora Physalia physalis), a siba-comum (Sepia officinalis), a medusa-da-lua (Medusa aurita, agora Aurelia aurita), a estrela-do-mar-comum (Asterias rubens) e o ouriço-do-mar-comestível-europeu (Echinus esculentus). Créditos a Marina Jacob (lesma), usuário do Wikimedia Seascapeza (dorídeo), Pino Bucca (tetidídeo), Alexander Semenov (verme-trapo), Michael Maggs (camundongo-do-mar), glsc.usgs.gov (verme-âncora), Shunkina Ksenia (verme-cacto), Universidad de Olviedo (nudibrânquio-do-sargasso), Hans Hillewaert (siba, medusa e estrela-do-mar) e Bengt Littorin (ouriço-do-mar).

6.3 Testacea (cobertos com uma concha), simples, cobertos por um abrigo calcário: Chiton (quítons), Lepas (cracas e percebes), Pholas (folas e asas-de-anjo), Myes (amêijoas-moles), Solen (amêijoas-navalha), Tellina (telinas), Cardium (berbigões), Donax (conquilhas), Venus (amêijoas-vênus), Spondylus (ostras-de-espinhos), Chama (caixas-de-joias), Arca (amêijoas-arcas), Ostrea (ostras-verdadeiras), Anomia (ostras-de-sela), Mytilus (mexilhões), Pinna (conchas-de-pena), Argonauta (argonautas), Nautilus (náutilos), Conus (conos), Cypraea (búzios), Bulla (bulas), Voluta (volutas), Buccinum (búzios-de-ponta), Strombus (caramujos-marinhos), Murex (múreces), Trochus (piãozinhos), Turbo (turbantes), Helix (caracóis), Nerita (neritas), Haliotis (abalones), Patella (lapas e braquiópodes), Dentalium (dentálios) e Serpula (serpulídeos e caramujos-vermes).

A diversa ordem Testacea de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o quíton-verde-ocidental (

A diversa ordem Testacea de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o quíton-verde-ocidental (Chiton tuberculatus), o percebe-pescoço-de-ganso (Lepas anatifera), o fola-comum (Pholas dactylus), o corta-areia (Myes arenaria, agora Mya arenaria), a navalha-bainha (Solen vagina), a telina-da-alvorada (Tellina radiata), o berbigão-de-costela (Cardium costatum), a conquilha-abrupta (Donax trunculus), a vênus-de-verrugas (Venus verrucosa), a vieira-de-espinhos (Spondylus gaederopus), a caixa-de-joias-lázaro (Chama lazarus), a amêijoa-arca-de-Noé (Arca noae), a ostra-plana-europeia (Ostrea edulis), a concha-do-jingado-europeia (Anomia ephippium), o mexilhão-azul (Mytilus edulis), a concha-de-pena-rude (Pinna rudis), o argonauta-maior (Argonauta argo), o náutilo-de-câmaras (Nautilus pompilius), o cono-marmorado (Conus marmoreus), o búzio-tigre (Cypraea tigris), a bula-do-Pacífico (Bulla ampulla), a voluta-música (Voluta musica), o búzio-de-ponta-comum (Buccinum undatum), o caramujo-lutador-ocidental (Strombus pugilis), o múrex-estrepe (Murex tribulus), o piãozinho-manchado (Trochus maculatus), o turbante-tapete (Turbo petholatus), o caracol-romano (Helix pomatia), a nerita-dente-sangrento (Nerita peloronta), o abalone-orelha-de-Midas (Haliotis midae), a lapa-do-Mediterrâneo (Patella caerulea), o dentálio-presa-de-elefante (Dentalium elefantinum) e o caramujo-verme-da-areia (Serpula arenaria, agora Thylacodes arenarius). Créditos a James St. John (quíton), Ruben Vera (percebe), Valter Jacinto (fola), Oscar Bos [ecomare.nl] (corta-areia), Guido & Filippe Poppe [conchology.be] (navalha), femorale.com (telina, berbigão, vieira, amêijoa-arca, concha-do-jingado, bula, caramujo-lutador, nerita, abalone, dentálio), Hans Hillewaert (conquilha, vênus, náutilo, búzio-de-ponta), Richard Parker (caixa-de-joias, cono-marmorado), Jan Johan ter Poorten (ostra), usuário do Wikimedia Hectonichus (concha-de-pena, voluta), Bernd Hoffmann (argonauta), Samuel Chow (búzio), Frédéric Ducarme (turbante), H. Krisp (caracol-romano), usuário do wikimedia Esculapio (lapa), Matthieu Sontag (caramujo-verme).

6.4 Lithophyta (plantas-pedra), compostos, crescendo em uma base sólida: Tubipora (corais-órgãos), Millepora (corais-de-fogo), Madrepora (corais-de-predra e algas Acetabularia).

Três espécies listadas por Linnaeus em Lithophyta (da esquerda para a direita): coral-órgão (T

Três espécies listadas por Linnaeus em Lithophyta (da esquerda para a direita): coral-órgão (Tubipora musica), gengibre-do-mar (Millepora alcicornis), coral-ziguezague (Madrepora oculata). Créditos a Aaron Gustafson (coral-órgão), Nick Hobgood (gengibre-do-mar), NOA,, U. S.’ National Oceanic and Atmospheric Administration (coral-ziguezague).

6.5 Zoophyta (plantas-animais), crescendo como plantas, com pétalas animadas: Isis (corais-bambus), Gorgonia (leques-do-mar), Alcyonium (corais-moles), Tubularia (corais-canos), Eschara (briozoários e algas-vermelhas), Corallina (algas coralinas), Sertularia (briozoários e hidrozoários), Hydra (hidras, ciliados e rotíferos), Pennatula (penas-do-mar), Taenia (solitárias), Volvox (algas volvox e amebas).

Algumas espécies na ordem Zoophyta de Linnaeus era (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o leque-do-mar-de-Vênus (

Algumas espécies na ordem Zoophyta de Linnaeus era (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o leque-do-mar-de-Vênus (Gorgonia flabellum), os dedos-de-morto (Alcyonium digitatum), o hidroide-cano-de-aveia (Tubullaria indivisa), o briozoário-folhoso (Eschara foliacea, agora Flustra foliacea), a alga-coral (Corallina officinalis), o rabo-de-esquilo (Sertularia argentea), a vorticela-de-sulco (Hydra convallaria, agora Vorticella convalaria), a pena-do-mar-fosforescente  (Pennatula phosphorea), a solitária-do-porco (Taenia solium), e o volvox-globo. Créditos a Greg Grimes (leque-do-mar), Bengt Littorin (dedos-de-morto), Bernard Picton (hidroide-cano, pena-do-mar), biopix.com (briozoário), Lovell e Libby Langstroth (alga-coral), National Museums Northern Ireland (cauda-de-esquilo), D. J. Patterson (vorticella e volvox), Public Health Image Library (solitária).

Linnaeus pode ter cometido alguns erros classificando mamíferos, aves, anfíbios, peixes e insetos, mas nada se compara à bagunça que era sua classe Vermes. Ela incluía animais de muitos filos diferentes e até mesmo algas verdes e vermelhas! Às vezes o mesmo gênero incluía tanto animais quanto plantas.

E isso conclui nossa apresentação dos animais na edição de 1758 do Systema Naturae de Linnaeus.

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Referências:

Linnaeus. 1758. Systema Naturae per Regna Tria Naturae…

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