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Sexta Selvagem: Centelha-do-mar

por Piter Kehoma Boll

Se você vive perto do mar ou o visita com frequência, você pode às vezes ter visto as ondas brilharem enquanto quebram na praia à noite. Esse belo fenômeno é causado pela presença de microrganismos bioluminescentes, o mais famoso dos quais é o integrante da Sexta Selvagem de hoje. Cientificamente conhecida como Noctiluca scintillans, ela pode também ser chamada de centelha-do-mar.

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Ondas brilhando azuis em Atami, Japão. Foto de Kanon Serizawa.*

A centelha-do-mar é um dinoflagelado e é comum pelo mundo todo. Ela é um flagelado heterótrofo e se alimenta de muitos outros organismos pequenos, tal como bactérias, diatomáceas, outros dinoflagelados e até mesmo de ovos de copépodes e peixes. Tendo apenas um pequeno tentáculo e um flagelo rudimentar, a centelha-do-mar é incapaz de nadar, tornando-a um predador bem incomum. Estudos sugeriram que ela se alimenta ao esbarrar na presa durante o fluxo da água ou ao subir e descer na coluna d’água devido a diferenças de densidade. Ela também pode produzir um fio de muco preso ao tentáculo que enovela a presa e a traz para seu fim terrível.

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Uma Noctiluca scintillans isolada. Foto de Maria Antónia Sampayo, Instituto de Oceanografia, Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa.**

Em águas temperadas, a centelha-do-mar é exclusivamente um predador, mas em águas tropicais ela pode conter algumas algas ingeridas que continuaram vivas e as usa em uma associação simbiótica para receber nutrientes da fotossíntese. Diatomáceas do gênero Thalassiosira parecem estar entre suas favoritas.

A característica mais marcante da centelha-do-mar, no entanto, é sua bioluminescência, de onde ela recebe seus nomes. A luz que ela emite é produzida por uma reação química entre um composto chamado luciferina e uma enzima, chamada luciferase, que a oxida, causando a emissão de luz. O fenômeno é claramente visível no mar durante florações do dinoflagelado, o que geralmente acontece logo depois de uma floração de seu alimento.

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Referências:

Kiørbe, T.; Titelman, J. (1998) Feeding, prey selection and prey encounter mechanisms in the heterotrophic dinoflagellate Noctiluca scintillansJournal of Plankton Research 20(8): 1615–1636.

Quevedo, M.; Gonzalez-Quiros, R.; Anadon, R. (1999) Evidence of heavy predation by Noctiluca scintillans on Acartia clausi (Copepoda) eggs of the central Cantabrian coast (NW Spain). Oceanologica Acta 22(1): 127–131.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

**Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

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Sexta-Selvagem: Rádula-chata

por Piter Kehoma Boll

Vez após vez, se queremos entender todas as nuances da vida na Terra, temos que olhar para as coisas pequenas que vivem perto do chão ou na casca das árvores. E uma dessas pequenas criaturas é a rádula-chata, Radula complanata.

Crescendo em rochas ou árvores, a rádula-chata é bem comum no hemisfério norte, especialmente na América do Norte e na Eurásia, e pertence a um grupo diverso mas escondido de hepáticas.

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Radula complanata crescendo no tronco de um freixo (Fraxinus excelsior) na Inglaterra. Créditos a BioImages – the Virtual Fieldguide (UK).*

Na Europa, a rádula-chata ocorre em florestas densas, onde encontra abrigo da exposição direta ao sol. Nas florestas, ela mostra uma clara preferência para crescer em árvores e arbustos de folhas largas, como o salgueiro-de-cabra Salix caprea e seus híbridos. Ela geralmente cresce amigavelmente com outras hepáticas epífitas na mesma árvore, apesar de não muito aglomeradas.

Apesar de ser geralmente inofensiva, a rádula-chata pode causar irritação na pele (mais precisamente, dermatite de contato) quando manipulada, o que parece estar relacionado com a presença de certos alcaloides, como bibenzis, em seus tecidos.

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Referências:

Asakawa, Y.; Kusube, E.; Takemoto, T.; Suire, C. (1978) New Bibenzyls from Radula complanataPhytochemistry, 17: 2115–2117. https://dx.doi.org/10.1016/S0031-9422(00)89292-4

Heylen, O.; Hermy, M. (2008) Age structure and Ecological Characteristics of Some Epiphytic Liverworts (Frullania Dilatata, Metzgeria Furcata and Radula Complanata). The Bryologist, 111(1): 84-97. https://doi.org/10.1639/0007-2745(2008)111[84:ASAECO]2.0.CO;2

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Sexta Selvagem: H. pylori

por Piter Kehoma Boll

Já apresentei três espécies de bactéria aqui, todas de vida livre ou amiguinhas. Mas todos sabemos que muitas bactérias podem ser um verdadeiro incômodo para nós, humanos, então é hora de mostrar algumas dessas, certo?

Eu decidi começar com uma que eu pensei estar vivendo dentro de mim algum tempo atrás (mas no fim não estava), e esta é a temperamental Helicobacter pylori, que como sempre não tem nome comum, mas ela é comumente chamada de H. pylori pelos médicos, então vou chamá-la assim.

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Micrografia eletrônica de um espécie de H. pylori mostrando os flagelos.

O lugar mais comum para se encontrar a H. pylori é dentro do estômago. Estima-se que mais da metade da população humana tenha essa bactéria vivendo em seu trato gastrointestinal, mas na maioria das vezes isso não afeta sua vida em nada. No entanto algumas vezes as coisas podem ficar feias.

H. pylori é uma bactéria de 3 µm de comprimento com o formato de um bastão retorcido, de onde o nome Helicobacteri, significando “bastão hélice”. Ela também tem um conjunto de quatro a seis flagelos em uma de suas extremidades, o que a faz uma bactéria muito móvel. Pensa-se que o formato torcido, junto com os flagelos, é útil para a H. pylori penetrar o revestimento de muco do estômago. Ela faz isso para escapar do ambiente extremamente ácido no estômago, sempre penetrando em direção a um lugar menos ácido, eventualmente chegando ao epitélio do estômago e às vezes até vivendo dentro das células epiteliais.

De maneira a evitar ainda mais os ácidos, a H. pylori produz grandes quantidades de urease, uma enzima que digere a ureia no estômago, produzindo amônia, a qual é tóxica para humanos. A presença de H. pylori no estômago pode levar a inflamação como uma resposta imune do hospedeiro, o que aumenta as chances das membranas mucosas do estômago e do duodeno serem prejudicadas pelos fortes ácidos, levando a gastrite e eventualmente úlceras.

A associação entre humanos e H. pylori parece ser bem velha, possivelmente tão velha quanto a espécie humana em si, pois suas origens foram traçadas até a África Oriental, o berço do Homo sapiens. Esta bactéria é, portanto, um velho amigo e rival e provavelmente continuará conosco por muitos e muitos anos no futuro.

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Referências:

Linz, B.; Balloux, F.; Moodley, Y. et al. (2007) An African origin for the intimate association between humans and Helicobacter pyloriNature 445: 915–918. https://dx.doi.org/10.1038/nature0556

Wikipedia. Helicobacter pylori. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Helicobacter_pylori >. Acesso em 5 de agsto de 2017.

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Novas Espécies: 1 a 10 de fevereiro de 2017

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de janeiro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

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Heliconia berguidoi é uma nova espécie de planta do Panamá. Fotos de R. Flores e C. Black, vistos na imagem de baixo ao lado de um espécime. (Licença CC BY 4.0)

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Cnidários

Platelmintos

Anelídeos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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Sexta Selvagem: Radiolário-Trançado-do-Norte

por Piter Kehoma Boll

Algumas semanas atrás eu apresentei uma diatomácea aqui e mencionei que, apesar de serem um grupo muito abundante, pouca informação sobre as espécies está disponível. Hoje nossa espécie é um radiolário e, assim como as diatomáceas, eles são abundantes, mas pouco conhecidos.

Foi difícil encontrar uma espécie viva que também tivesse uma foto boa e disponível para compartilhar. E o vencedor foi uma espécie conhecida como Cleveiplegma boreale, ou Rhizoplegma boreale talvez. Não tenho certeza de qual é o nome atualmente aceito. Enfim, ele não tem um nome comum, mas eu decidi criar um, então vamos chamá-lo de “radiolário-trançado-do-norte”.

Radiolários são organismos unicelulares que possuem um esqueleto mineral intrincado que contém uma cápsula central que tipicamente divide a célula em duas porções: uma interna e uma externa. Nosso camarada se parece com isso:

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Um espécime vivo do radiolário-trançado-do-norte. Foto de John Dolan.*

O radiolário-trançado-do-norte tem de 6 a 10 espinhos crescendo para fora e há um padrão complexo de esqueleto trançado que envolve tanto os espinhos quando a cápsula interna. Medindo cerca de 20 µm de diâmetro, ele é um radiolário consideravelmente grande.

Apesar de ser conhecido de fósseis ao longo do quaternário, de pelo menos 10 mil anos antes do presente, o radiolário-trançado-do-norte ainda é uma espécie vive. Atualmente sabe-se que ele ocorre nos Mares Nórdicos, em torno da Escandinávia, Islândia e Groenlândia, no Pacífico Norte, incluindo o Mar de Bering, e no Oceano Austral, em torno da Antártida. Podemos ver, portanto, que essa espécie gosta de águas frias.

Ah, e eles se alimentam de diatomáceas… eu acho.

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Referências:

Dolven, J., & Bjørklund, K. (2001). An early Holocene peak occurrence and recent distribution of Rhizoplegma boreale (Radiolaria): a biomarker in the Norwegian Sea Marine Micropaleontology, 42 (1-2), 25-44 DOI: 10.1016/S0377-8398(01)00011-1

Dumitrica, P. (2013). Cleveiplegma nov. gen., a new generic name for the radiolarian species Rhizoplegma boreale (Cleve, 1899) Revue de Micropaléontologie, 56 (1), 21-25 DOI: 10.1016/j.revmic.2013.01.001

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Sexta Selvagem: Samambaiaçu

por Piter Kehoma Boll

É mais do que hora de trazer uma samambaia para a Sexta Selvagem,e eu decidi começar com uma das minhas favoritas, a samambaia arbórea neotropical Dicksonia sellowiana, conhecida no Brasil como samambaiaçu ou xaxim.

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Uma samambaiaçu numa floresta no sul do Brasil. Foto de DeadWood II, usuário do Wikimedia.*

O samambaiaçu ocorre no sul do México ao Uruguai e é geralmente encontrado em florestas chuvosas, sendo uma espécie notável das florestas chuvosas no sul do Brasil, especialmente na floresta com araucária. Ele pode atingir vários metros de altura e as frondes (folhas) atingem até 2,5 m de comprimento.

Durante a maior parte do século XX, o caule fibroso do samambaiaçu (geralmente chamado “xaxim”) foi extensivamente usado para fabricar vasos de plantas e placas que serviam como substrato para cultivar orquídeas e outras plantas epífitas. Como resultado dessa exploração, bem como da destruição de seu habitat nativo, o samambaiaçu está atualmente incluído na lista brasileira de espécies ameaçadas.

O comércio de xaxim está atualmente proibido por lei no Brasil, então se você encontrar alguém vendendo em algum lugar, por favor, comunique as autoridades!

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Referências:

Schmitt, J., Schneider, P., & Windisch, P. (2009). Crescimento do cáudice e fenologia de Dicksonia sellowiana Hook. (Dicksoniaceae) no sul do Brasil Acta Botanica Brasilica, 23 (1), 283-291 DOI: 10.1590/S0102-33062009000100030

Brasil. Lei Nº 9.605/98. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm >.

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Novas Espécies: 1 a 10 de setembro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 1 a 10 de setembro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Fungos

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Hexápodes

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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