Arquivo da categoria: Zoologia

Sexta Selvagem: Gota-de-Cereja

por Piter Kehoma Boll

Borboletas e mariposas, os insetos que formam a ordem Lepidoptera, possuem uma relação de amor e ódio com plantas que dão flores já que suas lagartas se alimentam ferozmente de tecidos vegetais, mas os adultos são importantes polinizadores.

Na África Subsaariana, dos Camarões à África do Sul, um lepidóptero relativamente comum é Diaphone eumela, conhecido em inglês como cherry spot. Pela falta de um termo em português, decidi cunhar o nome gota-de-cereja. Esta espécie pertence à família Noctuidae, uma das famílias mais diversas de mariposas.

Uma lagarta com a cor típica. Foto de Felix Riegel.*

As lagartas se alimentam de várias plantas da família Amaryllidaceae e possuem uma cor de fundo que varia de amarelo a verde-claro. Cada segmento do corpo possui algumas manchas laranja-claras circundadas e conectadas por uma área preta, formando uma série de anéis irregulares. A cabeça é laranja e as manchas laranjas no primeiro segmento torácico e no último segmento abdominal são mais escuras que no resto do corpo.

Quando é hora de empupar, a lagarta se enterra no solo e faz um casulo, dentro do qual faz a muda e se torna uma pupa marrom. Cerca de três semanas mais tarde a pupa se transforma em adulto.

Uma lagarta prestes a se tornar uma pupa dentro do casulo (esquerda) e duas pupas (direita). Foto de Sally Adam.*

O adulto é uma criatura linda. O tórax é coberto de pelos cinzentos com seis manchas amarelas. As asas anteriores possuem um fundo cinza e branco e três linhas pretas transversais através delas. Conectada à linha mais posterior há uma mancha vermelha com um tom cereja, de onde o nome comum. Ao longo da borda externa das asas, há uma linha amarela interrompida por projeções cinzas da cor de fundo. As asas posteriores, frequentemente escondidas sob as asas anteriores, são inteiramente brancas e o abdome, também escondido a maior parte do tempo, possui anéis amarelos e pretos reminiscentes da lagarta.

Um belo adulto. Foto de Sally Adam.*

Não consegui encontrar muita informação sobre a história de vida desta espécie. Pela análise de fotografias no iNaturalist, os adultos parecem emergir entre agosto e dezembro. As fêmeas tendem a pôr ovos em plantas cujas flores estão começando a se abrir e as lagartas mais jovens se alimentam preferencialmente de botões de flor. Lagartas mais velhas, por outro lado, se alimentam principalmente dos frutos produzidos pelas flores que elas não devoraram quando eram mais jovens.

Apesar de linda e conspícua, a gota-de-cerveja ainda é rodeada de muitos mistérios. Só precisamos de alguém interessado em estudá-los.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Stirton CH (1976) Thuranthos: notes on generic status, morphology, phenology and pollination biology.African Biodiversity & Conservation 12(1): a1389. doi: 10.4102/abc.v12i1.1389

Wikipedia. Diaphone eumela. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Diaphone_eumela >. Acesso em 22 de outubro de 2019.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Pulga-D’água-Comum

por Piter Kehoma Boll

Às vezes apenas uma gota de água de um lago pode conter vários organismos do plâncton que vive próximo à superfície. E um grupo comum no plâncton de água doce é a ordem de crustáceos Cladocera, conhecidos como pulgas-d’água. A espécie mais comum e disseminada é Daphnia pulex, ou pulga-d’água-comum.

Com uma distribuição a nível global e medindo cerca de 3 mm de comprimento, a pulga-d’água-comum possui um corpo típico de uma pulga-d’água. Ela geralmente é transparente e a cabeça é pequena e lisa, com dois olhos pretos facilmente visíveis e um par de segundas antenas bem desenvolvido que é usado para natação, sendo o maior par de apêndices. O tórax e o abdome são fundidos e rodeados por uma concha transparente e meio oval, fazendo a pulga-d’água-comum se parecer com uma criatura barrigudinha. A concha tem uma ponta posterior que se parece com uma cauda pontuda. As pernas torácicas, mais difíceis de distinguir por causa da carapaça, são menores que o par de segundas antenas e são usadas para criar uma corrente d’água que traz comida para a boca.

Jeitão típico de uma pulga-d’água-comum. O olho esquerdo pode ser visto como uma grande mancha preta na cabeça, o intestino é o longo tubo esverdeado e há alguns ovos atrás ele. As longas segundas antenas fazem a pulga-d’água-comum parecer estar tentando hipnotizar alguém com aquele gesto clichê de esticar os braços e balançar os dedos. Foto de Paul Hebert.*

O alimento consiste principalmente de algas e outros organismos pequenos, como bactérias, bem como fragmentos orgânicos. A pulga-d’água-comum é, portanto, um animal filtrador. Seus predadores incluem invertebrados, como artrópodes predadores, e pequenos vertebrados, como alguns peixes.

A pulga-d’água-comum é considerada um organismo modelo e tem sido estudada extensivamente em relação a vários aspectos biológicos, incluindo, por exemplo, estequiometria ecológica, que investiga a resposta de organismos a mudanças na disponibilidade de recursos. A resposta da pulga-d’água a predadores também tem sido bastante estudada e revelou, por exemplo, que ela pode aumentar de tamanho na presença de predadores invertebrados, de modo a ficar grande demais para ser comida, ou diminuir de tamanho na presença de predadores vertebrados, de forma a ficar pequena demais para ser vista. A pulga-d’água-comum também pode desenvolver estruturas especiais na presença de predadores específicos, tal como protrusões na cabeça na presença de vermes-de-vidro.

Pulga-d’água-comum no Canadá. Foto do usuário millsy3 do iNaturalist.**

O ciclo reprodutivo da pulga-d’água-comum é outro aspecto bem estudado. Como na maioria das espécies de Daphnia, a pulga-d’água-comum se reproduz por partenogênese cíclica. A maioria da população é formada de fêmeas e, durante a estação de crescimento, as fêmeas produzem ovos diploides (que são clones da mãe) toda vez que fazem a muda do exoesqueleto. Os ovos eclodem muito rapidamente, geralmente após apenas um dia, mas as pulgas-d’água recém-eclodidas permanecem dentro da mãe por cerca de três dias antes de serem liberadas. Após passarem por cerca de 5 ínstares, elas podem começar a produzir seus próprios ovos.

Quando as condições ambientais se tornam difíceis, a segunda forma de reprodução é ativada. Parte da prole produzida por partenogênese se transforma em machos e as fêmeas começam a produzir ovos haploides, que são então fertilizados pelos machos e se transformam em ovos de resistência com uma capa endurecida chamados de efípios. Um efípio pode permanecer no ambiente por muitos anos, suportando frio, seca ou ausência de alimento, e eles eclodem, produzindo fêmeas, quando as condições melhoram.

A pulga-d’água-comum foi a primeira espécie de crustáceo a ter seu genoma sequenciado. Isso revelou que esta espécie contém cerca de 31 mil genes devido a uma taxa elevada de duplicação gênica. Isso é cerca de dez mil genes a mais do que humanos possuem e é a razão de a pulga-d’água-comum ter uma capacidade tão incrível de se adaptar a mudanças ambientais.

– – –

Mais organismos-modelo:

Sexta Selvagem: Sensitiva (em 19 de abril de 2013)

Sexta Selvagem: Besouro-castanho (em 6 de fevereiro de 2015)

Sexta Selvagem: Pulgão-da-ervilha (em 12 de junho de 2015)

Sexta Selvagem: Limo-de-muitas-cabeças (em 1 de abril de 2016)

Sexta Selvagem: Levedo-de-cerveja (em 4 de agosto de 2017)

Sexta Selvagem: C. elegans (em 20 de abril de 2018)

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Colbourne JK, Pfrender ME, Gilbert D, et al. (2011) The ecoresponsive genome of Daphnia pulex. Science 331: 555–561. doi: 10.1126/science.1197761

Krueger DA, Dodson SI (1981) Embryological induction and predation ecology in Daphnia pulex. Limnology and Oceanography 26(2): 219–223. doi: 10.4319/lo.1981.26.2.0219

Tollrian R (1995) Predator‐Induced Morphological Defenses: Costs, Life History Shifts, and Maternal Effects in Daphnia pulex. Ecology 76(6): 1691–1705. doi: 10.2307/1940703

Wikipedia. Daphnia pulex. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Daphnia_pulex >. Acesso em 22 de outubro de 2019.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.5 Genérica.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em crustáceos, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Perlário-Preto

por Piter Kehoma Boll

Insetos são tão diversos que levará um bom tempo até eu apresentar todos os grupos aqui. Hoje eu vou mostrar a primeira espécie da ordem Plecoptera, comumente conhecidos como perlários. Nossa espécie é chamada Austroperla cyrene e comumente conhecida como perlário-preto.

O perlário-preto é endêmico da Nova Zelândia, sendo encontrado na Ilha do Norte e na Ilha do Sul. Os adultos medem cerca de 1.5 cm de comprimento e possuem o corpo preto com asas pretas. A única parte do corpo que não é preta ou marrom-escura é uma região amarelada em cada perna e na base das asas anteriores. Os machos tendem a ser menores que as fêmeas.

Perlário-preto adulto na Ilha do Norte. Foto de Erin Powell.*

Como é comum entre insetos adultos, perlários-pretos adultos raramente comem, mas preferem matéria vegetal quando necessário. Eles vivem apenas algumas semanas, o suficiente para acasalarem e começarem a pôr os ovos. As fêmeas põem os ovos em córregos e as ninfas são aquáticas, com um corpo marrom-escuro e dois cercos (“caudas”) bem curtos. As ninfas se alimentam de matéria vegetal morta, tal como madeira podre e folhas mortas, e também podem se alimentar de animais mortos ou fungos crescendo em matéria vegetal morta. Elas levam cerca de três anos para se tornarem adultas. A maioria das ninfas deixa a água e se torna adulta entre o fim da primavera e o fim do verão.

Uma ninfa capturada na Ilha do Sul. Foto do usuário anna-mac do iNaturalist.*

Tanto a ninfa quanto o adulto do perlário-preto possuem certa quantidade de cianeto de hidrogênio nos tecidos. Como resultado, eles são evitados tanto por predadores aquáticos quanto por predadores terrestres. As marcas amarelas no adulto podem servir como um sinal sobre a toxicidade e impalatabilidade da espécie, avisando aos predadores para ficarem longe ou sofrerem as consequências de uma refeição bem desagradável.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

McLellan, ID (1997) Austroperla cyrene Newman (Plecoptera: Austroperlidae). Journal of the Royal Society of New Zealand 27(2): 271–278. doi: 10.1080/03014223.1997.9517538

Thomson MS (1934) An account of the systematics, anatomy and bionomics of Austroperla Cyrene Newman. Dissertação de Mestrado, Canterbury University.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Carrapato-de-Rinoceronte

por Piter Kehoma Boll

Parasitas existem existem em todo lugar e, apesar de muitos de nós verem-nos como criaturas odiosas, mais da metade de todas as formas de vida conhecidas vivem como parasitas pelo menos em parte da vida. E provavelmente há muitos parasitas ainda desconhecidos por aí. Hoje vou falar sobre um deles, que é encontrado em grandes porções da África.

Seu nome é Dermacentor rhinocerinus, conhecido como o carrapato-de-rinoceronte. Como seu nome sugere, ele é um carrapato, portanto um ácaro parasita, e seu estágio adulto vive na pele dos rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum) e dos criticamente ameaçados rinocerontes-negros (Diceros bicornis).

Um carrapato-de-rinoceronte macho preso à pele de um rinoceronte na África do Sul. Créditos ao usuário bgwright do iNaturalist.*

Machos e fêmeas do carrapato-de-rinoceronte são consideravelmente diferentes. Em machos, o corpo possui um fundo preto com muitas manchas laranjas grandes. Em fêmeas, por outro lado, o abdome é principalmente preto com somente duas grandes manchas laranjas e a placa no tórax é laranja com duas pequenas manchas pretas. Machos e fêmea acasalam na superfície dos rinocerontes. Após o acasalamento, a fêmea começa a aumentar de tamanho enquanto os ovos se desenvolvem dentro dela e então cai ao chão, pondo os ovos lá.

Um carrapato-de-rinoceronte fêmea esperando pacientemente que um rinoceronte passe por perto. Foto de Martin Weigand.*

As larvas, assim que eclodem, passam a procurar por outro hospedeiro, geralmente um mamífero de pequeno porte como roedores e musaranhos-elefantes. Elas se alimentam desse hospedeiro menor até atingirem o estágio adulto, quando então caem ao chão e sobem na vegetação ao redor, esperando que um rinoceronte passe por ali e então se agarrando a ele.

Esforços de conservação para preservar a biodiversidade são focados principalmente em vertebrados, especialmente aves e mamíferos. Rinocerontes, que são hospedeiros essenciais para o carrapato-de-rinoceronte sobreviver, são frequentemente parte de programas de conservação e, de maneira a aumentar seu sucesso reprodutivo, a prática de remover parasitas de sua pele é comum. Isso é, no entanto, ruim para os carrapatos-de-rinoceronte. Se seu hospedeiro está ameaçado, eles certamente estão ameaçados também, e removê-los piora ainda mais sua condição. Os parasitas são menos importantes para o planeta? Eles não merecem viver como qualquer outra forma de vida? Não podemos nos esquecer de que a natureza precisa de mais do que só aquilo que consideramos bonito.

– – –

Mais ácaros e carrapatos:

Sexta Selvagem: Ácaro-de-Veludo-Vermelho-Gigante (em 22 de junho de 2016)

Sexta Selvagem: Ácaro-da-Lacerdinha-da-Figueira (em 28 de junho de 2019)

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Horak IG, Fourie LJ, Braack LEO (2005) Small mammals as hosts of immature ixodid ticks. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 72:255–261.

Horak IG, Cohen M (2001) Hosts of the immature stages of the rhinoceros tick, Dermacentor rhinocerinus (Acari, Ixodidae). Onderstepoort Journal of Veterinary Research 68:75–77.

Keirans JE (1993) Dermacentor rhinocerinus (Denny 1843) (Acari: Ixodida: Ixodidae): redescription of the male, female and nymph and first description of the larva. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 60:59–68.

Mihalca AD, Gherman CM, Cozma V (2011) Coendangered hard ticks: threatened or threatening? Parasites & Vectors 4:71. doi: 10.1186/1756-3305-4-71

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Aracnídeos, Conservação, Parasitas, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Besouro-estalador-olhudo-oriental

por Piter Kehoma Boll

Durante as noites mais quentes do ano, na metade oriental dos Estados Unidos, você pode encontrar um besouro bonitão que estala quando é perturbado. Seu nome é Alaus oculatus, também conhecido como besouro-estalador-olhudo-oriental.

Besouro-estalador-olhudo-oriental na Carolina do Sul, EUA. Foto de Phillip Harpootlian.*

Esta espécie pertence à família Elateridae ou besouros-estaladores. Todas as espécies nesta família possuem um mecanismo interessante em seu tórax que as permite saltarem no ar com um estalo, de onde o nome besouro-estalador. Isso é usado para evitar predadores e também para ajudar o besouro a se endireitar caso caia de costas.

Veja-o estalando!

O besouro-estalador-olhudo-oriental mede cerca de 2.5 a 4.5 cm de comprimento e possui uma cor cinza-escura a preta com várias pequenas manchas brancas. O pronoto, a parte dorsal do segmento mais anterior do tórax, possui duas grandes manchas pretas com um contorno branco que se parecem com dois olhos. Estas manchas são na verdade mais que pretas, são superpretas. Isso significa que elas absorvem mais que 96% da luz em todos os ângulos.

Um espécime na Filadélfia, EUA. Foto de Eduardo Duenas.*

Como adulta, esta espécie é principalmente noturna, como a maioria dos besouros-estaladores, e se alimenta de néctar e outros sucos de plantas. Eles podem ser encontrados dentro de casas, sendo atraídos pela luz das lâmpadas à noite.

A voraz larva ou verme-arame do besouro-estalador-olhudo-oriental. Foto de M. J. Raupp.

Diferente dos hábitos vegetarianos dos adultos, as larvas do besouro-estalador-olhudo-oriental são predadores vorazes. Elas vivem em madeira em decomposição e se alimentam de larvas de outros besouros, especialmente da família Cerambycidae, os besouros-chifrudos. As larvas de todos os besouros-estaladores possuem um corpo achatado com segmentos bem marcados e são conhecidas como verme-arame. No besouro-estalador-olhudo-oriental, os segmentos abdominais da larva são amarelos, exceto pelo último, que possui um tom laranja. Os três segmentos torácicos possuem a mesma cor, o anterior sendo o mais largo e mais escuro. A cabeça é marrom-escura a preta. As pupas, por outro lado, possuem aquela aparência miserável da maioria das pupas de insetos, sendo esbranquiçadas e se parecendo com um adulto incompleto preso em cera.

Apesar de consideravelmente popular, o besouro-estalador-olhudo-oriental não é uma espécie bem conhecida. Há muito sobre sua ecologia que precisa ser investigado.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Casari SA (2002) Larvae of Alaus myopsA. oculatusChalcolepidius porcatusHemirhipus apicalis and generic larval characterization (Elateridae, Agrypninae, Hemirhipini). Iheringia, Série Zoologia 92(2): 93–110.

Wikipedia. Alaus oculatus. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Alaus_oculatus >. Access on October 4, 2019.

Wong VL, Marek PE (2019) Super black eyespots of the eyed elater. PeerJ Preprints 7:e27746v1 https://doi.org/10.7287/peerj.preprints.27746v1

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Asa-de-Colher-Turca

por Piter Kehoma Boll

Continuando a tradição que apliquei nos dias da quinquagésima e da centésima Sexta Selvagem, hoje teremos duas novamente, de forma que você não precisa esperar mais uma semana pela ducentésima primeira.

Vamos sair do mar no noroeste da Europa para a terra no sudeste da Europa, mais precisamente na região mediterrânea entre os Bálcãs e a Turquia. Durante maio e junho, você pode encontrar esta espécie voando em prados e campos procurando por flores amarelas. Seu nome é Nemoptera sinuata, uma das espécies do gênero Nemoptera, conhecidas em inglês como spoonwings (asas-de-colher) ou thread-winged antlions (formigas-leões-de-asas-de-barbante). Para distingui-la de outras espécies, decidi chamá-la de asa-de-colher-turca.

Uma asa-de-colher-turca visitando as flores de Achillea coarctata na Bulgária. Foto de Paul Cools.*

Como todas as formigas-leões, a asa-de-colher-turca é um inseto da ordem Neuroptera. Os adultos possuem um par de grandes e ovais asas anteriores e um par de longas e finas asas posteriores, ambas possuindo um padrão de marcas pretas e brancas que fazem ser difícil localizá-los contra o fundo. Eles são exclusivamente diurnos e e voam muito lentamente usando apenas as asas anteriores. Quando encontram suas flores favoritas, eles se alimentam do pólen e mais nada, tendo as peças bucais adaptadas para essa dieta.

Após ser inseminada por um macho, a fêmea começa a pôr os ovos. Ela pousa numa flor ou inflorescência e põe um ovo a cada dois minutos, pondo até 14 em um dia e até 70 durante seus 20 dias de vida como adulta. Os ovos, que são brancos e esféricos, caem diretamente no chão.

Espécime adulto na Grécia. Foto de Kostas Zontanos.*

As larvas deixam os ovos após cerca de 19 dias e são cinzas com manchas pretas nos segmentos do tórax e do abdome. Elas possuem mandíbulas grandes e se enterram no solo a uma profundidade de cerca de 1 cm. Como outras formigas-leões, elas se alimentam de pequenos artrópodes que capturam de surpresa pulando para fora do solo, apesar de as espécies exatas comidas por elas permanecerem em grande parte um mistério. As larvas provavelmente viram pupas durante o inverno e se tornam adultos por volta de maio do ano seguinte, preenchendo os prados novamente para buscar por flores amarelas ao sol.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Krenn HW, Gereben-Krenn BA, Steinwender BM, Popov A (2008) Flower visiting Neuroptera: mouthparts and feeding behavior of Nemoptera sinuata (Nemopteridae). European Journal of Entomology 105: 267–277.

Popov A (2002) Autoecology and biology of Nemoptera sinuata Olivier (Neuroptera: Nemopteridae). Acta Zoologica Academiae Scientiarum Hungaricae 48(Suppl. 2): 293–299.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Aranha-do-Mar-Grácil

por Piter Kehoma Boll

Chegamos à ducentésima Sexta Selvagem! E para concluir mais um grupo de cem espécies, vou apresentar mais uma vez um grupo que nunca apareceu aqui, as chamadas aranhas-do-mar!

A espécie que escolhi é Nymphon gracile, comumente chamada de aranha-do-mar-grácil. Ela ocorre no oceano Atlântico Norte na costa da Europa, especialmente entre a França e a Escandinávia.

Uma aranha-do-mar-grácil na Noruega. Foto de Asbjørn Hansen.**

Como a maioria das aranhas-do-mar, a aranha-do-mar-grácil possui um corpo muito fino ao qual quatro longos pares de pernas são conectados. Bem, longo aqui é uma medida relativa, porque a criatura inteira cabe na ponta de seu dedo. Na região anterior, há uma cabeça que inclui a probóscide, usada para ingerir o alimento, um par de quelíforos, análogos às quelíceras dos aracnídeos, um par de palpos e um par de ovígeros, apêndices longos e finos usados para carregar os ovos e os filhotes. A cabeça possui quatro pequenos olhos localizados muito próximos uns dos outros em uma mancha no meio do dorso bem na frente do primeiro par de patas e acima dos ovígeros. O quarto par de patas parece ficar bem no fim do corpo. O abdome é apenas vestigial.

Veja como é minúscula. Foto do usuário gogol do iNaturalist.*

A aranha-do-mar-grácil vive em águas raras e é frequentemente encontrada na praia se você prestar atenção. Ela se alimenta principalmente de hidroides, isto é, pequenos cnidários sésseis da classe Hydrozoa, e de briozoários, os quais captura com sua probóscide e os apêndices circundantes. Para distribuir nutrientes pelo corpo, a aranha-do-mar-grácil, como outras aranhas-do-mar, possui um intestino altamente ramificado que inclui ramos entrando nas pernas, provavelmente pela falta de um abdome funcional.

Durante o inverno, a aranha-do-mar-grácil se afasta da praia e acasala em águas mais profundas. Tanto os machos quanto as fêmeas possuem as gônadas dentro do primeiro segmento das pernas. Assim, quando os ovos começam a se desenvolver nos ovários da fêmea, suas pernas se tornam muito mais grossas que as do macho. Quando o acasalamento acontece, o macho se move para baixo da fêmea e captura, com seus ovígeros, os ovos que ela libera através de um único poro na base de cada perna. O macho então fertiliza os ovos liberando esperma de poros na base de suas pernas e os carrega com ele até o começo da primavera, quando ele volta para a praia e libera os juvenis sobre colônias de hidroides e briozoários.

Um macho carregando uma massa de ovos com seus ovígeros. As linhas escuras vistas dentro das pernas e dos quelíforos são os ramos do intestino. Foto de Julien Renoult.*

O genoma mitocondrial da aranha-do-mar-grácil foi o primeiro a ser sequenciado para os picnogonídeos. Ele apresenta uma série de relocações gênicas comparado a outros artrópodes, o que pode explicar, ao menos parcialmente, por que este grupo é tão incomum. Poderíamos dizer que a aranha-do-mar-grácil, e as aranhas-do-mar em geral, evoluíram para se tornarem apenas pernas. Elas são basicamente um grupo de pernas sem corpo!

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Isaac MJ, Jarvis HJ (1973) Endogenous tidal rhythicity in the littoral pycnogonid Nymphon gracile (Leach). Journal of Experimental Marine Biology and Ecology 13(1): 83–90. doi: 10.1016/0022-0981(73)90049-X

King PE, Jarvis JH (1970) Egg development in a littoral pycnogonid Nymphon gracile. Marine Biology 7: 294–304. doi: 10.1007/BF00750822

Podsialowski L, Braband A (2006) The complete mitochondrial genome of the sea spider Nymphon gracile (Arthropoda: Pycnogonida). BMC Genomics 7: 284. doi: 10.1186/1471-2164-7-284

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

Deixe um comentário

Arquivado em Sexta Selvagem, Zoologia