Arquivo do mês: setembro 2018

Sexta Selvagem: Ehux

por Piter Kehoma Boll

Continuaremos entre as maravilhas unicelulares do mar esta semana. Desta vez nosso camarada é outro membro de um grupo pouco  conhecido de protistas mas muitíssimo importante, os cocolitóforos.

Os cocolitóforos são um grupo de algas unicelulares do fitoplâncton marinho que são caracterizadas por uma série de placas de carbonato de cálcio, chamados cocólitos, que cobrem seu corpo, fazendo-as parecerem células cobertas de escamas.

Hoje vamos conhecer a espécie mais abundante e disseminada deste grupo, Emiliania huxleyi, geralmente chamda apenas de Ehux, que eu usarei aqui como seu nome comum.

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Micrografia eletrônica de varredura de uma célula de Emiliania huxleyi coberta por cocólitos. Créditos a Alison R. Taylor.*

A Ehux é encontrada em oceanos ao redor do mundo todo, sendo ausente apenas perto dos polos. De acordo com o registro fóssil, esta espécie apareceu cerca de 270 mil anos atrás, mas se tornou o cocolitóforo dominante apenas cerca de 70 mil anos atrás. Devido a sua abundância, a Ehux é uma espécie importante para controlar o clima global. Sendo um organismo fotossintético, ela ajuda a aumentar o oxigênio atmosférico e diminuir o dióxido de carbono. Adicionalmente, o fato de que sua célula é coberta de placas de carbonato de cálcio aumenta ainda mais a importância em remover CO2 da atmosfera. Ao capturar CO2 como carbonato de cálcio, a Ehux o envia diretamente para o fundo do oceano quando morre e sua concha afunda.

O ciclo de vida da Ehux ainda não é completamente compreendido, mas inclui pelo menos duas formas celulares diferentes. A forma C é esférica, não-móvel e coberta por cocólitos (de onde o nome C) e pode se reproduzir assexuadamente por fissão. A outra forma, chamada S (scaly, escamosa) não possui cocólitos mas é coberta por um grupo de escamas orgânicas. Essa forma é móvel, nada usando dois flagelos e também se reproduz assexuadamente por fissão. Como uma forma se transforma na outra ainda não é claro, mas há algumas evidências de que a  forma C é diploide e a S haploide, então as células C poderiam se tornar células S por meiose e duas células S poderiam agir como gametas e fundir para produzir uma nova célula C. Uma terceira forma, chamada N (nua) é similar à célula C, mas é  incapaz de produzir os cocólitos. Pensa-se que elas surgem por uma mutação das células C que as faz perderem a capacidade de produzir cocólitos, já que células N nunca se convertem de volta para a forma C.

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Uma floração de Ehux ao sul da Grã Bretanha como visto de uma foto de satélite. Créditos a NASA.

Durante algumas condições especiais, como irradiação alta, temperaturas ideias e águas ricas em nitrogênio, as populações de Ehux podem causar florações que se estendem sobre grandes porções do oceano. Esta espécie é conhecida como uma produtora de dimetil sulfeto (DMS), um líquido inflamável que evapora a 37°C e possui um cheiro característico geralmente chamado de “cheiro do mar” ou “cheiro de repolho”. A liberação de DMA na atmosfera interfere na formação de nuvens, de forma que esta é mais uma maneira pela qual a Ehux influencia o clima global.

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Referências:

Paasche E (2002) Paasche, E. (2001). A review of the coccolithophorid Emiliania huxleyi (Prymnesiophyceae), with particular reference to growth, coccolith formation, and calcification-photosynthesis interactions. Phycologia 40(6), 503–529. doi:10.2216/i0031-8884-40-6-503.1

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.5 Genérica.

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