Arquivo do mês: julho 2016

Novas Espécies: 21 a 31 de julho

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 21 a 31 de julho. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

Scorpaenodes_barrybrowni

Scorpaenodes barrybrowny Pitassy & Baldwin é um novo peixe-escorpião descrito nos últimos 11 dias.

Plantas

Amebozoários

Fungos

Esponjas

Cnidários

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Aracnídeos

Crustáceos

Insetos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Lissanfíbios

Mamíferos

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Sexta Selvagem: Estrela-do-mar-real

por Piter Kehoma Boll

Para celebrar a 50ª Sexta Selvagem, que foi postada hoje, decidi trazer uma Sexta Selvagem extra! Afinal, há formas de vida interessantes o suficiente para serem mostradas.

Como nunca apresentei um equinodermo, pensei que seria interessante começar o segundo grupo de 50 Sextas Selvagens com um deles. Assim eu escolhi a estrela-do-mar-real (Astropecten articulatus).

Belas cores, não acha? Foto de Mark Walz.*

Belas cores, não acha? Foto de Mark Walz.*

Encontrada em águas de 0 a 200 m de profundidade na costa do Atlântico Ocidental de New Jersey até o Uruguay, a estrela-do-mar-real pode atingir cerca de 20 cm de diêmtro e é facilmente identificada por sua cor. Dorsalmente ela possui uma série de papilas granulosas azul-escuras a roxas e é delineada por placas marginais laranjas com espinhos brancos supermarginais que dão uma aparência de pente, de onde o nome “Astropecten“, significando “pente-estrela”.

Como a maioria das estrelas-do-mar, a estrela-do-mar-real é um predador. Ela se alimenta principalmente de mexilhões de pequeno a médio porte e ingere a presa intacta, digerindo-a dentro da boca. Como ela é incapaz de digerir extraoralmente (fora da boca), ela não pode se limentar de nada que não possa ser ingerindo inteiro.

A maior parte de sua atividade ocorre no amanhecer e no anoitecer, o que pode estar inversamente relacionado à atividade de peixes predatórios, já que esses costumam ser mais ativos durante o dia.

Sendo uma estrela-do-mar consideravelmente comum, você pode facilmente achá-la enquanto caminha na praia, contato que a praia seja no lugar certo.

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Referências:

Beddingfield, S., & McClintock, J. (1993). Feeding behavior of the sea star Astropecten articulatus (Echinodermata: Asteroidea): an evaluation of energy-efficient foraging in a soft-bottom predator Marine Biology, 115 (4), 669-676 DOI: 10.1007/BF00349375

Wikipedia. Astropecten articulatus. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Astropecten_articulatus >. Aesso em 28 de julho de 2016.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Mosca-abelha-fofa

por Piter Kehoma Boll

Recentemente a revelação de um novo pokémon, Cutiefly, chamou muita atenção para a espécie do mundo real na qual ele é baseado. Então por que não trazê-la para a Sexta Selvagem de forma que vocês possam conhecer um pouco mais dessa criatura? Seu nome é Anastoechus nitidulus, o qual chamarei aqui de mosca-abelha-fofa, já que muitas pessoas a acham muito fofa.

A mosca-abelha-fofa é de fato bem fofa. Foto extraída de modernhorse.tumblr.com

A mosca-abelha-fofa é de fato bem fofa. Foto extraída de modernhorse.tumblr.com

A mosca-abelha-fofa pertence à família de moscas chamada Bombyliidae e comumente conhecidas como moscas-abelhas. O nome vem do fato de que os adultos geralmente se alimentam de néctar e pólen, assim como as abelhas, e alguns são importantes polinizadores.

Alimentando-se. Foto extraído do reddit, postada pelo usuário AnanasJonas.

Alimentando-se. Foto extraído do reddit, postada pelo usuário AnanasJonas.

Infelizmente, assim como com muitas espécies, a mosca-abelha-fofa pode ser muito popular entre os leigos e você encontra várias imagens legais dela na internet, tais como as de cima. Contudo, cientificamente, muito pouco se sabe de sua ecologia.

No entanto uma coisa é certa: apesar de ser fofa, ela não é uma criatura tão adorável. Sua vida adulta voando de flor em flor esconde um passado sombrio e maligno. Durante seu período como larva, moscas-abelhas são predadores ou parasitoides, o que significa que crescem comendo outros animais vivos, de dentro pra fora, em algo que certamente é bem horrível para a pobre vítima.

No caso da mosca-abelha-fofa, as coisas não são tão terríveis. Elas se alimentam de cápsulas de ovos de gafanhotos, especialmente do gênero Calliptamus, de forma que podemos dizer que elas são parasitoides de ovos e não de adultos, mas aí você se dá conta de que ovos têm embriões, então elas na verdade são comedoras de bebês!

O_O

O_O

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Referências:

References:

Brooks, A. (2012). Identification of Bombyliid Parasites and Hyperparasites of Phalaenidae of the Prairie Provinces of Canada, with Descriptions of Six Other Bombyliid Pupae (Diptera) The Canadian Entomologist, 84 (12), 357-373 DOI: 10.4039/Ent84357-12

Jazykov (Zakhvatkin), A. (2009). Parasites and Hyperparasites of the Egg-pods of injurious Locusts (Acridodea) of Turkestan Bulletin of Entomological Research, 22 (03) DOI: 10.1017/S0007485300029904

Wikipedia. Bombyliidae. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Bombyliidae >. Acesso em 26 de julho de 2016.

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Os melhores nomes científicos

por Piter Kehoma Boll

Esta é uma lista de nomes científicos de espécies que eu particularmente acho bonitos, engraçados ou interessantes de outra forma.

1. Tyrannus melancholicus, o tirano melancólico. Um governante severo com um jeito tristonho.

Foto de Francesco Veronesi.*

Foto de Francesco Veronesi.*

 

2. Gloriosa superba, a gloriosa soberba. Bela e orgulhosa disso.

Foto de Guérin Nicolas.**

Foto de Guérin Nicolas.**

 

3. Narcissus poeticus, o narciso poético. Escrevendo palavras doces sobre seu próprio reflexo.

Foto de Uoaei1, usuário do Wikimedia.***

Foto de Uoaei1, usuário do Wikimedia.***

 

4. Arca noae, a arca de Noé. Agora tente colocar todos aqueles animais nela.

Foto de M. violante.**

Foto de M. violante.**

 

5. Phallus impudicus, o falo sem-vergonha. Meio pornográfico.

Foto de Jean-Pol Grandmont.**

Foto de Jean-Pol Grandmont.**

 

6. Draco volans, o dragão voador. Não bem o tipo da Daenerys.

Foto de Charles J. Sharp.***

Foto de Charles J. Sharp.***

 

7. Claudea elegans, a Cláudia elegante. Uma dama elegante de fato.

Foto de Robert Ricker.

Foto de Robert Ricker.

Você tem algum nome científico que particularmente te agrade? Diga-nos nos comentários!

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Sexta Selvagem: Ácaro-de-veludo-vermelho-gigante

por Piter Kehoma Boll

Ao caminhar por um mercado indiano, você pode acabar encontrando algo como isto sendo vendido como alimento:

Hmmm, parece algum tipo de salgadinho ou semente seca. Foto de Pankaj Oudhia.*

Hmmm, parece algum tipo de salgadinho ou semente seca. Foto de Pankaj Oudhia.*

Pode parecer algum tipo de semente crocante ou fruta seca, algum salgadinho local, talvez? Mas na verdade são ácaros gigantes… ácaros comestíveis! Eles são usados na Índia como remédio, especialmente para tratar paralisia e alegadamente para aumentar o desejo sexual, razão pela qual são popularmente chamados de “Viagra indiano”.

Mas esses aracnídeos comestíveis são na verdade bem fofos quando vivos. Conhecidos cientificamente como Trombidium grandissimum e popularmente como ácaro-de-veludo-vermelho-gigante, eles são felpudos como um pedaço de veludo, possuem uma cor vermelha forte e alcançam até 2 cm de comprimento, um recorde para ácaros que geralmente medem bem menos de um milímetro.

Eu adoraria criá-los como bichinhos de estimação. Você não? Foto de Brian Gratwicke.**

Eu adoraria criá-los como bichinhos de estimação. Você não? Foto de Brian Gratwicke.**

Como adultos, os ácaros-de-veludo-vermelhos-gigantes vivem livremente e predam pequenos animais, especialmente insetos, e seus ovos. As larvas, por outro lado, começam a vida como parasitas, prendendo-se a outro invertebrado, geralmente um inseto, mas às vezes um aracnídeo, e sugando sua hemolinfa (“sangue”). Mais tarde, esta larva parasítica se desenvolve numa ninfa de vida livre que abandona o hospedeiro e começa a viver mais como um adulto.

O gênero Trombidium possui muitas espécies na Região Paleártica, então se você estiver vagando por uma floresta na Europa ou na Ásia, você talvez possa encontrar o ácaro-de-veludo-vermelho-gigante ou um de seus primos.

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Referências:

Southcott, R. V.  1986. Studies on the taxonomy and biology of the subfamily Trombidiinae (Acarina: Trombidiidae) with a critical revision of the genera. Australian Journal of Zoology, 123: 1-116.

Wikipedia. Trombidium. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Trombidium&gt;. Acesso em 21 de julho de 2016.

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Novas Espécies: 11 a 20 de julho

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de julho. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

Pseudoechthistatus sinicus (em cima) and P. pufujiae (embaixo) são duas das 40 espécies de besouros descritas essa semana.

Pseudoechthistatus sinicus (em cima) and P. pufujiae (embaixo) são duas das 40 espécies de besouros descritas essa semana.

Arqueias

Bactérias

SARs

Plantas

Excavates

Fungos

Esponjas

Platelmintos

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Hexápodes

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

Répteis

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Sexta Selvagem: Líquen-solar-elegante

por Piter Kehoma Boll

Bipolar e alpino em distribuição, ocorrendo tanto em regiões árticas e antárticas quanto nos Alpes e áreas temperadas próximas, o líquen-solar-elegante (Xanthoria elegans) é uma bela e interessante criatura. Como todos os líquens, ele é formado por um fungo associado a uma alga.

Um líquen-solar-elegante crescendo sobre uma rocha nos Alpes. Foto do usuário do flickr Björn S...*

Um líquen-solar-elegante crescendo sobre uma rocha nos Alpes. Foto do usuário do flickr Björn S…*

O líquen-solar-elegante cresce em rochas e geralmente tem um formato circular e uma cor vermelha ou laranja. Crescendo muito lentamente, a uma taxa de 0.5 mm ao ano, ele é útil para estimar a idade da face de uma rocha por uma técnica chamada liquenometria. Conhecendo-se a taxa de crescimento de um líquen, pode-se assumir a idade do líquen pelo seu diâmetro e assim determinar o tempo mínimo em que a rocha está exposta, já que um líquen não pode crescer numa rocha se ela não está lá, certo? Esta taxa de crescimento não é tão regular entre todas as populações. Liquens crescendo perto dos polos geralmente crescem mais rápido porque parecem ter taxas metabólicas mais altas para sobreviver a climas mais frios.

Além do seu uso para determinar a idade de uma superfície de rocha, o líquen-solar-elegante é um organismo modelo em experimentos relacionados à resistência aos ambientes extremos do espaço sideral. Ele mostrou ter a habilidade de sobreviver e se recuperar de exposições ao vácuo, a radiações UV, raios cósmicos e temperaturas variáveis por até 18 meses!

Talvez quando finalmente chegarmos a um novo planeta habitável, descobriremos que o líquen-solar-elegante já chegou lá séculos antes de nós!

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Referências:

Murtagh, G. J.; Dyer, P. S.; Furneaux, P. A.; Critteden, P. D. 2002. Molecular and physiological diversity in the bipolar lichen-forming fungus Xanthoria elegans. Mycological Research, 106(11): 1277–1286. DOI: 10.1017/S0953756202006615

Wikipedia. Xanthoria elegans. Available at: < https://en.wikipedia.org/wiki/Xanthoria_elegans >. Access on June 30, 2016.

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