Arquivo da categoria: moluscos

Sexta Selvagem: Dragão-azul

por Piter Kehoma Boll

A segunda espécie de hoje é um terrível mas lindo predador da caravela-portuguesa, o dragão-azul Glaucus atlanticus que é, na minha opinião, uma das mais belas criaturas marinhas.

glaucus_atlanticus

Não é uma criatura magnífica? Photo de Sylke Rohrlach.*

Também conhecido como glauco-azul ou lesma-marinha-azul, entre muitos outros nomes, o dragão-azul é uma pequena lesma marinha que mede até 3 cm de comprimento quando adulto. Esta espécie é pelágica, o que significa que vive no oceano aberto, nem perto do fundo nem perto da costa. Apesar de ser encontrado em todos os três oceanos, evidências genéticas indicam que as populações do Atlântico, do Pacífico e do Índico divergiram mais de um milhão de anos atrás.

O dragão-azul possui um saco preenchido de gás no estômago que o faz flutuar de cabeça para baixo na água, de forma que seu lado ventral fica para cima. A larga faixa bordeada de azul ao longo do corpo, como vista na imagem acima, é o pé da lesma. Seu lado dorsal, que fica virado para baixo, é completamente branco ou cinza-claro.

Sendo uma espécie carnívora, o dragão-azul se alimenta de várias espécies de cnidários, especialmente da caravela-portuguesa. Ele geralmente coleta os cnidócitos (as células urticantes) da presa e as põe no próprio corpo, de forma que ele se torna não urticante ou até mais do que sua presa. Se você encontrar um caído na praia, tenha cuidado.

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Referências:

Churchull, C. K. C.; Valdés, Á.; Foighil, D. Ó (2014) Afro-Eurasia and the Americas present barriers to gene flow for the cosmopolitan neustonic nudibranch Glaucus atlanticus. Marine Biology, 161(4): 899-910.

Wikipedia. Glaucus atlanticus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Glaucus_atlanticus >. Acesso em 18 de junho de 2017.

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Sexta Selvagem: Sepíola-Beija-Flor

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver cavando através da areia do fundo das claras águas tropicais em torno da Indonésia e das Filipinas, você pode acabar encontrando uma criaturinha multicolorida, a sepíola-beija-flor, Euprymna berryi, também conhecida como sepíola de Berry.

Euprymna_berryi

Um belo espécime fotografado no Timor Leste. Foto de Nick Hobgood.*

Medindo cerca de 3 cm de macho ou 5 cm se fêmea, a sepíola-beija-flor é aparentada às sépias verdadeiras e mais distantemente às lulas. Seu corpo possui uma pele translúcida marcada por muitos cromatóforos, e para o olho humano o animal parece ter um padrão de cor formado por uma mistura de pontos pretos, azul-elétricos e verdes ou roxos.

Durante o dia, a sepíola-beija-flor permanece a maior parte do seu tempo enterrada na areia, saindo à noite para capturar pequenos crustáceos, os quais caça usando um órgão bioluminescente em sua cavidade branquial.

Em algumas áreas em torno de sua distribuição, a sepíola-beija-flor é capturada e vendida em pequenas peixarias, mas como os dados sobre sua distribuição e dinâmica populacional são muito pouco conhecidos, não há como dizer se ela por acaso é uma espécie vulnerável ou em perigo. Como resultado, ela está listada como deficiente em dados na Lista Vermelha da IUCN.

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Referências:

Barratt, I., & Allcock, L. (2012). Euprymna berryi The IUCN Red List of Threatened Species DOI: 10.2305/IUCN.UK.2012-1.RLTS.T162599A925343.en

Wikipedia. Euprymna berryi. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Euprymna_berryi&gt;. Access on March 8, 2017.

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Conflito de Gênero: Quem é o homem na relação?

por Piter Kehoma Boll

Todo mundo com algum conhecimento em evolução ouviu falar de conflito sexual, como machos e fêmeas têm diferentes interesses durante a reprodução, e seleção sexual, isto é, como um sexo pode influenciar a evolução do outro.

Organismos sexuais são quase sempre definidos pela presença de dois sexos: masculino e feminino. O sexo masculino é aquele que produz o menor gameta (célula sexual) e o sexo feminino é aquele que produz o maior gameta. O gameta masculino é geralmente produzido em grande quantidade, porque como é pequeno, é barato de fabricar. Por outro lado, o gameta feminino é produzido em pequena quantidade, porque seu grande tamanho o torna um gameta caro.

Uma imagem clássica de um gameta masculino (espermatozoide) chegando a um gameta feminino (ovócito) durante a fertilização. Veja a impressionante diferença em tamanho.

Uma imagem clássica de um gameta masculino (espermatozoide) chegando a um gameta feminino (ovócito) durante a fertilização. Veja a impressionante diferença em tamanho.

Como pode-se ver facilmente, a fêmea põe muito mais recursos na produção de um único descendente que um macho. Como resultado, as fêmeas costumam ser muito seletivas em relação a quem terá a honra de fertilizar seus ovos. Os machos precisam provar que são merecedores da paternidade, e a escolha da fêmea, através das gerações, aumenta características masculinas que elas julgam atraentes. Um exemplo clássico é o pavão.

O pavão é um dos exemplos mais famosos de como a seleção sexual pode guiar a evolução de espécies dioicas. Foto de Oliver Pohlmann.

O pavão é um dos exemplos mais famosos de como a seleção sexual pode guiar a evolução de espécies dioicas. Foto de Oliver Pohlmann.

Existem muitas exceções, é claro, a maioria delas guiadas pelo ambiente social das espécies ou devido a um ambiente natural incomum que possa aumentar o investimento masculino. Mas tudo isso se refere a espécies dioicas, isto é, espécies as quais machos e fêmeas são organismos separados. Mas o que acontece se você é parte de uma espécie hermafrodita, portanto sendo macho e fêmea ao mesmo tempo? Você simplesmente acasala com todo mundo? São todos versáteis todas as vezes que vão pra cama?

Bem, há uma grande diversidade nestes organismos, mas todos os princípios do conflito sexual ainda são válidos. Mesmo que você seja macho e fêmea ao mesmo tempo, você ainda tem o desejo de fertilizar tantos ovos quanto possível com seu esperma barato enquanto escolhe com cuidado quem é digno de fertilizar seus próprios ovos. O grande problema é que todos os outros querem o mesmo.

"Vamos lá, benzinho. Me deixa te fertilizar." "Você vai me deixar te fertilizar também?" Foto de Jangle1969, usuário do Wikimedia.*

“Vamos lá, benzinho. Me deixa te fertilizar.”
“Você vai me deixar te fertilizar também?”
Foto de Jangle1969, usuário do Wikimedia.*

Imagine que você é um hermafrodita com um punhado de ovos caros e um montão de esperma barato. Você está interessado em copular e sai para a caçada. Eventualmente você encontra outro indivíduo com as mesmas intenções. Vocês se olham nos olhos, se aproximam e começam a conversar. Vamos supor que você não achou o outro muito atraente para ser o pai dos seus filhos, mas você quer ser o pai dos filhos dele.

“Então, quais são suas preferências?” você pergunta.
“No momento eu quero ser o macho” responde o outro.

“Droga!”, você pensa. Vocês dois querem a mesma coisa. Vocês querem desempenhar o mesmo papel sexual, de forma que há um conflito de interesses ou, como é chamado, um “conflito de gênero”. Neste caso, em se tratando de comportamento sexual em biologia, a palavra gênero se refere ao papel que você desempenha no sexo. Quem vai ser o homem da relação?

Diante desse conflito, este dilema do hermafrodita, vocês dois precisam achar uma solução. Há quatro possíveis desfechos:

1. Você insiste em ser o macho e seu parceiro aceita fazer o papel de fêmea contra sua vontade. Você vence, o outro perde.
2. Seu parceiro insiste em ser o macho e você aceita fazer o papel de fêmea contra sua vontade. O outro vence, você perde.
3. Vocês dois insistem em ser o macho. O sexo não acontece e vocês dois vão para casa sem terem ido para a cama.
4. Vocês dois aceitam desempenhar os dois papéis. O sexo acontece e vocês entregam seu esperma com sucesso, mas são forçados a aceitar o esperma do outro cara também.

O pior para você é não ser capaz de entregar seu esperma, como queria. Assim 2 e 3 são os piores desfechos. 1 é o melhor desfecho para você, mas como você vai convencer seu parceiro a ser o perdedor? Assim, a melhor solução para todos é a 4. Nenhum dos dois está completamente feliz nem completamente frustrado.

As minhocas usam a posição 69 para trocar esperma. Foto de Beentree, usuário do Wikimedia.*

As minhocas usam a posição 69 para trocar esperma. Foto de Beentree, usuário do Wikimedia.*

Mas isso é o fim? Não necessariamente. O comportamento de acasalamento mais estável numa população é de fato aceitar fazer os dois papéis, mas as coisas podem continuar depois de você dar um beijo de despedida no seu companheiro. Agora você precisa lidar com seleção pós-copulatória.

Você fez sexo, entregou seu esperma, mas recebeu esperma em troca. Um esperma de baixa qualidade, em sua opinião. Você não vai deixá-lo fertilizar seus ovos, vai? Claro que não! Assim, tão logo seu parceiro sumiu de vista, você simplesmente cospe o esperma antes que ele atinja seus ovos! Ele nunca vai saber.

Um par de platelmintos, Macrostomum sp., acasalando. Veja como o branco, ao final, se curva sobre si mesmo e suga o esperma do outro cara para fora do poro feminino de forma a se livrar dele. Imagem extraída de Schärer et al. (2004) [veja referências].

Um par de platelmintos, Macrostomum sp., acasalando. Veja como o branco, ao final, se curva sobre si mesmo e suga o esperma do outro cara para fora do poro feminino de forma a se livrar dele. Imagem extraída de Schärer et al. (2004) [veja referências].

E assim você passou a perna no seu parceiro! Você aceitou receber o esperma dele em troca do seu próprio, mas depois você o descartou assim que seu parceiro foi embora. Você é demais! Certo? Mas… espera! E se ele fez o mesmo? E se o seu esperma também foi descartado?

Você não pode arriscar isso. Isso seria pior do que não ter copulado pra início de conversa, porque você teria desperdiçado energia e esperma por nada! Mas como garantir que o esperma permaneça onde deve estar?

Uma estratégia é incluir algumas cerdas rígidas em seus espermatozoides de forma que eles se prendam à parede interna da cavidade feminina e não possam ser removidos. Os espermatozoides funcionam como espinhos que entram facilmente mas são muito difíceis de serem puxados de volta. É isso que alguns platelmintos fazem.

Duas estratégias usadas por espécies de Macrostomum para forçar o parceiro a pegar seu esperma. (A) Uma espécie na qual dois indivíduos trocam esperma, mas depois tentam se livrar do esperma do parceiro, evoluíram espermatozoides com cerdas que os seguram na cavidade feminina. (B) Outras espécies evoluíram um comportamento mais agressivo, no qual eles injetam o esperma no parceiro usando um estilete (pênis) com uma ponta afiada capaz de perfurar o corpo. Neste caso não há necessidade de ter espermatozoides com cerdas.

Duas estratégias usadas por espécies de Macrostomum para forçar o parceiro a pegar seu esperma. (A) Uma espécie na qual dois indivíduos trocam esperma, mas depois tentam se livrar do esperma do parceiro, evoluíram espermatozoides com cerdas que os seguram na cavidade feminina. (B) Outras espécies evoluíram um comportamento mais agressivo, no qual eles injetam o esperma no parceiro usando um estilete (pênis) com uma ponta afiada capaz de perfurar o corpo. Neste caso não há necessidade de ter espermatozoides com cerdas. Imagem extraída de Schärer et al. (2011) [veja referências]

Outras espécies evoluíram uma abordagem mais agressiva. Elas armaram seus pênis com uma ponta afiada que perfura o corpo do parceiro, forçando-o a receber o esperma. O esperma é injetado nos tecidos do parceiro e nada em direção aos ovos.

Ambas as estratégias podem parecer soluções maravilhosas para o macho, mas lembre-se de que eles são hermafroditas, então tudo pode ser usado contra eles mesmos! E esse é o grande dilema do hermafrodita, ou o paradoxo final do hermafrodita. Eles estão constantemente tentando vencer a si mesmos.

A evolução não é incrível?

Veja também: Endosperma: o pivô do conflito sexual em angispermas.

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Referências e leitura complementar:

Anthes, N., Putz, A., & Michiels, N. (2006). Hermaphrodite sex role preferences: the role of partner body size, mating history and female fitness in the sea slug Chelidonura sandrana Behavioral Ecology and Sociobiology, 60 (3), 359-367 DOI: 10.1007/s00265-006-0173-5

Janicke, T., Marie-Orleach, L., De Mulder, K., Berezikov, E., Ladurner, P., Vizoso, D., & Schärer, L. (2013). SEX ALLOCATION ADJUSTMENT TO MATING GROUP SIZE IN A SIMULTANEOUS HERMAPHRODITE Evolution, 67 (11), 3233-3242 DOI: 10.1111/evo.12189

Leonard, J. (1990). The Hermaphrodite’s Dilemma Journal of Theoretical Biology, 147 (3), 361-371 DOI: 10.1016/S0022-5193(05)80493-X

Leonard, J., & Lukowiak, K. (1991). Sex and the simultaneous hermaphrodite: testing models of male-female conflict in a sea slug, Navanax intermis (Opisthobranchia) Animal Behaviour, 41 (2), 255-266 DOI: 10.1016/S0003-3472(05)80477-4

Marie-Orleach, L., Janicke, T., & Schärer, L. (2013). Effects of mating status on copulatory and postcopulatory behaviour in a simultaneous hermaphrodite Animal Behaviour, 85 (2), 453-461 DOI: 10.1016/j.anbehav.2012.12.007

Schärer, L., Joss, G., & Sandner, P. (2004). Mating behaviour of the marine turbellarian Macrostomum sp.: these worms suck Marine Biology, 145 (2) DOI: 10.1007/s00227-004-1314-x

Schärer, L., Littlewood, D., Waeschenbach, A., Yoshida, W., & Vizoso, D. (2011). Mating behavior and the evolution of sperm design Proceedings of the National Academy of Sciences, 108 (4), 1490-1495 DOI: 10.1073/pnas.1013892108

Schärer, L., Janicke, T., & Ramm, S. (2015). Sexual Conflict in Hermaphrodites Cold Spring Harbor Perspectives in Biology, 7 (1) DOI: 10.1101/cshperspect.a017673

Wethington, A., & Dillon, JR, R. (1996). Gender choice and gender conflict in a non-reciprocally mating simultaneous hermaphrodite, the freshwater snail,Physa Animal Behaviour, 51 (5), 1107-1118 DOI: 10.1006/anbe.1996.0112

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A história da Sistemática: Animais no Systema Naturae, 1758 (Parte 4)

por Piter Kehoma Boll

Esta é a quarta e última parte desta série de postagens. Veja aqui parte 1, parte 2 e parte 3.

Apresentarei aqui a sexta e última classe de animais: Vermes. Ela inclui basicamente qualquer coisa que não seja nem um vertebrado, nem um artrópode.

6. Vermes

Coração com um ventrículo e uma aurícula; pus frio.
Espiráculos ausentes?
Mandíbulas múltiplas, várias.
Pênis diversos em hermafroditas, andróginos.
Sentidos: tentáculos, cabeça ausente (raramente com olhos, sem orelhas e narinas).
Cobertura: às vezes calcária ou ausente, se não espinhos.
Suporte: nem pés, nem nadadeiras.

Vermes eram classificados de acordo com a forma do corpo em 5 ordens: Intestina, Mollusca, Testacea, Lithophyta e Zoophyta.

6.1 Intestina (internos ou intestinos), simples, nus e sem apêndices: Gordius (vermes-crina-de-cavalo), Furia (o verme lendário), Lumbricus (minhocas), Ascaris (lombrigas), Fasciola (fascíolas), Hirudo (sanguessugas), Myxine (feiticeiras) e Teredo (turus).

A heterogênea ordem Intestina de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o verme-crista-de-cavalo-d'água (

A heterogênea ordem Intestina de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo) o verme-crista-de-cavalo-d’água (Gordius aquaticus), a lendária fúria do inferno (Furia infernalis), a minhoca-comum (Lumbricus terrestris), a lombriga-humana (Ascaris lumbricoides), a fascíola-de-ovelha (Fasciola hepatica), a sanguessuga-medicinal-europeia (Hirudo medicinalis), a feiticeira-do-Atlântico (Myxine glutinosa), e o turu (Teredo navalis). Créditos a Jiři Duchoň (verme-crista-de-cavalo), Michael Linnenbach (minhoca), usuário do Wikimedia GlebK (sanguessuga), Arnstein Ronning (feiticeira), Poi Australia [poi-australia.com.au] (turu).

6.2 Mollusca (moles), simples, nus e com apêndices: Limax (lesmas terrestres), Doris (lesmas-marinhas-dorídeas), Tethys (lesmas-marinhas-tetidídeas), Nereis (poliquetos), Aphrodita (camundongos-do-mar), Lernaea (vermes-âncora), Priapus (vermes priapulídeos e anêmonas), Scyllaea (lesmas-marinhas-cileídeas), Holothuria (salpas e caravelas), Triton (possivelmente algum tipo de lesma marinha), Sepia (polvos,  lulas e sibas), Medusa (águas-vivas), Asterias (estrelas-do-mar), Echinus (ouriços-do-mar e bolachas-da-praia).

 

Entre os animais que Linnaeus pôs em Mollusca estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a lesma-leopardo (

Entre os animais que Linnaeus pôs em Mollusca estão (da esquerda para a direita, de cima para baixo) a lesma-leopardo (Limax maximus), o dorídeo-de-verrugas (Doris verrucosa), o tetidídeo-de-franja (Tethys leporina, agora Tethys fimbria), o verme-trapo-esbelto (Nereis pelagica), o camundongo-do-mar (Aphrodita aculeata), o verme-âncora-comum (Lernaea cyprinacea), o verme-cacto (Priapus humanus, agora Priapulus caudatus), o nudibrânquio-do-sargasso (Scyllaea pelagica), a caravela-portuguesa (Holothuria physalis, agora Physalia physalis), a siba-comum (Sepia officinalis), a medusa-da-lua (Medusa aurita, agora Aurelia aurita), a estrela-do-mar-comum (Asterias rubens) e o ouriço-do-mar-comestível-europeu (Echinus esculentus). Créditos a Marina Jacob (lesma), usuário do Wikimedia Seascapeza (dorídeo), Pino Bucca (tetidídeo), Alexander Semenov (verme-trapo), Michael Maggs (camundongo-do-mar), glsc.usgs.gov (verme-âncora), Shunkina Ksenia (verme-cacto), Universidad de Olviedo (nudibrânquio-do-sargasso), Hans Hillewaert (siba, medusa e estrela-do-mar) e Bengt Littorin (ouriço-do-mar).

6.3 Testacea (cobertos com uma concha), simples, cobertos por um abrigo calcário: Chiton (quítons), Lepas (cracas e percebes), Pholas (folas e asas-de-anjo), Myes (amêijoas-moles), Solen (amêijoas-navalha), Tellina (telinas), Cardium (berbigões), Donax (conquilhas), Venus (amêijoas-vênus), Spondylus (ostras-de-espinhos), Chama (caixas-de-joias), Arca (amêijoas-arcas), Ostrea (ostras-verdadeiras), Anomia (ostras-de-sela), Mytilus (mexilhões), Pinna (conchas-de-pena), Argonauta (argonautas), Nautilus (náutilos), Conus (conos), Cypraea (búzios), Bulla (bulas), Voluta (volutas), Buccinum (búzios-de-ponta), Strombus (caramujos-marinhos), Murex (múreces), Trochus (piãozinhos), Turbo (turbantes), Helix (caracóis), Nerita (neritas), Haliotis (abalones), Patella (lapas e braquiópodes), Dentalium (dentálios) e Serpula (serpulídeos e caramujos-vermes).

A diversa ordem Testacea de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o quíton-verde-ocidental (

A diversa ordem Testacea de Linnaeus incluía (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o quíton-verde-ocidental (Chiton tuberculatus), o percebe-pescoço-de-ganso (Lepas anatifera), o fola-comum (Pholas dactylus), o corta-areia (Myes arenaria, agora Mya arenaria), a navalha-bainha (Solen vagina), a telina-da-alvorada (Tellina radiata), o berbigão-de-costela (Cardium costatum), a conquilha-abrupta (Donax trunculus), a vênus-de-verrugas (Venus verrucosa), a vieira-de-espinhos (Spondylus gaederopus), a caixa-de-joias-lázaro (Chama lazarus), a amêijoa-arca-de-Noé (Arca noae), a ostra-plana-europeia (Ostrea edulis), a concha-do-jingado-europeia (Anomia ephippium), o mexilhão-azul (Mytilus edulis), a concha-de-pena-rude (Pinna rudis), o argonauta-maior (Argonauta argo), o náutilo-de-câmaras (Nautilus pompilius), o cono-marmorado (Conus marmoreus), o búzio-tigre (Cypraea tigris), a bula-do-Pacífico (Bulla ampulla), a voluta-música (Voluta musica), o búzio-de-ponta-comum (Buccinum undatum), o caramujo-lutador-ocidental (Strombus pugilis), o múrex-estrepe (Murex tribulus), o piãozinho-manchado (Trochus maculatus), o turbante-tapete (Turbo petholatus), o caracol-romano (Helix pomatia), a nerita-dente-sangrento (Nerita peloronta), o abalone-orelha-de-Midas (Haliotis midae), a lapa-do-Mediterrâneo (Patella caerulea), o dentálio-presa-de-elefante (Dentalium elefantinum) e o caramujo-verme-da-areia (Serpula arenaria, agora Thylacodes arenarius). Créditos a James St. John (quíton), Ruben Vera (percebe), Valter Jacinto (fola), Oscar Bos [ecomare.nl] (corta-areia), Guido & Filippe Poppe [conchology.be] (navalha), femorale.com (telina, berbigão, vieira, amêijoa-arca, concha-do-jingado, bula, caramujo-lutador, nerita, abalone, dentálio), Hans Hillewaert (conquilha, vênus, náutilo, búzio-de-ponta), Richard Parker (caixa-de-joias, cono-marmorado), Jan Johan ter Poorten (ostra), usuário do Wikimedia Hectonichus (concha-de-pena, voluta), Bernd Hoffmann (argonauta), Samuel Chow (búzio), Frédéric Ducarme (turbante), H. Krisp (caracol-romano), usuário do wikimedia Esculapio (lapa), Matthieu Sontag (caramujo-verme).

6.4 Lithophyta (plantas-pedra), compostos, crescendo em uma base sólida: Tubipora (corais-órgãos), Millepora (corais-de-fogo), Madrepora (corais-de-predra e algas Acetabularia).

Três espécies listadas por Linnaeus em Lithophyta (da esquerda para a direita): coral-órgão (T

Três espécies listadas por Linnaeus em Lithophyta (da esquerda para a direita): coral-órgão (Tubipora musica), gengibre-do-mar (Millepora alcicornis), coral-ziguezague (Madrepora oculata). Créditos a Aaron Gustafson (coral-órgão), Nick Hobgood (gengibre-do-mar), NOA,, U. S.’ National Oceanic and Atmospheric Administration (coral-ziguezague).

6.5 Zoophyta (plantas-animais), crescendo como plantas, com pétalas animadas: Isis (corais-bambus), Gorgonia (leques-do-mar), Alcyonium (corais-moles), Tubularia (corais-canos), Eschara (briozoários e algas-vermelhas), Corallina (algas coralinas), Sertularia (briozoários e hidrozoários), Hydra (hidras, ciliados e rotíferos), Pennatula (penas-do-mar), Taenia (solitárias), Volvox (algas volvox e amebas).

Algumas espécies na ordem Zoophyta de Linnaeus era (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o leque-do-mar-de-Vênus (

Algumas espécies na ordem Zoophyta de Linnaeus era (da esquerda para a direita, de cima para baixo): o leque-do-mar-de-Vênus (Gorgonia flabellum), os dedos-de-morto (Alcyonium digitatum), o hidroide-cano-de-aveia (Tubullaria indivisa), o briozoário-folhoso (Eschara foliacea, agora Flustra foliacea), a alga-coral (Corallina officinalis), o rabo-de-esquilo (Sertularia argentea), a vorticela-de-sulco (Hydra convallaria, agora Vorticella convalaria), a pena-do-mar-fosforescente  (Pennatula phosphorea), a solitária-do-porco (Taenia solium), e o volvox-globo. Créditos a Greg Grimes (leque-do-mar), Bengt Littorin (dedos-de-morto), Bernard Picton (hidroide-cano, pena-do-mar), biopix.com (briozoário), Lovell e Libby Langstroth (alga-coral), National Museums Northern Ireland (cauda-de-esquilo), D. J. Patterson (vorticella e volvox), Public Health Image Library (solitária).

Linnaeus pode ter cometido alguns erros classificando mamíferos, aves, anfíbios, peixes e insetos, mas nada se compara à bagunça que era sua classe Vermes. Ela incluía animais de muitos filos diferentes e até mesmo algas verdes e vermelhas! Às vezes o mesmo gênero incluía tanto animais quanto plantas.

E isso conclui nossa apresentação dos animais na edição de 1758 do Systema Naturae de Linnaeus.

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Referências:

Linnaeus. 1758. Systema Naturae per Regna Tria Naturae…

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Sexta Selvagem: Quíton-de-linhas

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar aos nossos companheiros de corpo mole, os moluscos, e apresentar um dos mais bonitos deles, o quíton-de-linhas Tonicella lineata.

Como um quíton típico, ele possui uma concha composta de uma fila de oito placas sobrepostas circundadas por uma estrutura flexível, o manto. Tal anatomia permite que esses animais sejam flexíveis e possam mesmo se fechar numa bola, assim como um tatuzinho de jardim, quando desalojados.

Tonicella_lineata

Tonicella lineata, uma pequena joia do mar. Créditos a Kirt L. Onthank*

Ocorrendo em águas da linha da maré ou logo abaixo dessa no Pacífico Norte, ao longo da América do Norte, da Rússia e do Japão, o quíton-de-linhas é caracterizado por suas belas cores. As placas da concha são marcadas por uma série de linhas pretas, roxas ou azuis em um fundo vermelho ou marrom. O manto também é colorido, possuindo um fundo avermelhado geralmente marcado com manchas amarelas.

Apesar do corpo colorido, o quíton-de-linhas é uma criatura pequena, atingindo cerca de cinco centímetros de comprimento. Ele se alimenta principalmente de algas coralinas, ocorrendo próximo a elas. Seus principais predadores são as terríveis estrelas-do-mar, enquanto seus amigos mais próximos são os espinhentos mas amigáveis ouriços-do-mar, já que eles frequentemente ajudam o quíton a se proteger do sol ao permitir que se esconda embaixo deles.

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Referências:

Barnes, J. R. 1972. Ecology and reproductive biology of Tonicella lineata (Wood, 1815) (Mollusca-Polyplacophora). Tese de Doutorado.

Wikipedia. Tonicella lineata. Disponível em< https://en.wikipedia.org/wiki/Tonicella_lineata >. Acesso em 3 de março de 2016.

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