Arquivo da categoria: Ornitologia

Sexta Selvagem: Tachã-de-pescoço-preto

por Rafael Nascimento

Um parente do tachã e da anhima menos conhecido por nós é o tachã-de-pescoço-preto (Chauna chavaria). Os três formam a família Anhimidae, que, apesar de não parecer superficialmente, são parentes dos patos e gansos (antigamente eram tidos como parentes das galinhas, Galliformes).

Tachã-de-pescoço-preto. Foto de Brodie Ferguson.*

Tachã-de-pescoço-preto. Foto de Brodie Ferguson.*

Mede de 76 a 91 cm, sendo um pouco menor do que o tachã, com o qual compartilha o gênero, e caracterizado por plumagem mais escura num geral e a porção preta do pescoço de maior dimensão, daí seu nome.  São aves bastante vocais e notáveis por suas cristas.

Enquanto a anhuma e o tachã têm distribuição ampla, o tachã-de-pescoço-preto é mais raro, tratado como “Quase Ameaçado” pelo IUCN, e podendo ser encontrado apenas no norte da Colômbia e no noroeste da Venezuela, habitando alagados, lagoas e bancos de rios em áreas florestadas. Alimenta-se apenas de matéria vegetal, consumindo raízes, folhas, brotos e outras partes de plantas aquáticas.

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Referências:

BirdLife International. 2015. Chauna chavaria. The IUCN Red List of Threatened Species 2015: e.T22679726A83833043. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2015-4.RLTS.T22679726A83833043.en. Acessado em 21 de abril de 2016.

Carboneras, C., Boesman, P., Kirwan, G.M. & Sharpe, C.J. (2016). Northern Screamer (Chauna chavaria). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (Retirado de http://www.hbw.com/node/52792 em 21 de abril de 2016).

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Sexta-Selvagem: Cegonha-bico-de-sapato

por Piter Kehoma Boll

Quando eu vi uma imagem desta ave pela primeira vez, muitos anos atrás, meu primeiro pensamento foi de que não poderia ser real. Ela se parece mais com um personagem de uma animação antiga de Hanna-Barbera do que com uma criatura real.

Uma ave de verdade ou um personagem de desenho? Contemplem a cegonha-bico-de-sapato! Foto por Olaf Oliviero Riemer.*

Uma ave de verdade ou um personagem de desenho? Contemplem a cegonha-bico-de-sapato! Foto por Olaf Oliviero Riemer.*

A cegonha-bico-de-sapato (Balaeniceps rex), também conhecida como cegonha-bico-de-tamanco, é uma grande ave africana originalmente considerada parente próxima das cegonhas verdadeiras, já que seu corpo de certa forma lembra o de uma cegonha. Contudo estudos moleculares concluíram que ela é mais proximamente relacionada aos pelicanos, bem como às garças e às ibis (que inicialmente também eram consideradas mais próximas das cegonhas!).

Como se pode notar facilmente, o nome “bico-de-sapato” vem do bico massivo dessa espécie. A mandíbula superior pontuda e as bordas afiadas do bico auxiliam a cegonha-bico-de-sapato a capturar presas e fazê-las em pedaços. As presas mais frequentes são peixes, mas ela também pode consumir rãs, cobras, pequenos monitores e crocodilos, bem como, mais raramente, tartarugas, roedores e aves pequenas. Com uma altura tipicamente entre 110 e 140 cm, mas capaz de atingir 150, a cegonha-bico-de-sapato é uma ave alta. Sua envergadura também é grande, atingindo até 260 cm.

Certamente uma ave interessante para se observar. Foto do usuário do Wikimedia, Quartl.*

Certamente uma ave interessante para se observar. Foto do usuário do Wikimedia, Quartl.*

As cegonhas-bico-de-sapato são aves solitárias e mesmo em áreas populosas elas evitam ficar muito próximas umas das outras. Elas aparentemente amam hipopótamos, visto que o distúrbio que estas grandes bestas causam na água as ajuda a obter comida ao forçarem os peixes para a superfície.

A IUCN list a cegonha-bico-de-sapato como “vulnerável” e suas maiores ameaças incluem a destruição de habitat e a caça. Atualmente há entre 5.000 e 8.000 indivíduos com uma distribuição desconexa ao longo das bacias de rios na África sub-sahariana.

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Referências:

John, J. R. M.; Nahonyo, C. L.; Lee, W. S.; Msuya, C. A. 2013. Observations on nesting of shoebill Balaeniceps rex and wattled crane Bugeranus carunculatus in Malagarasi wetlands, western Tanzania. African Journal of Ecology, 51(1): 184-187. DOI: 10.1111/aje.12023

Wikipedia. Shoebill. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Shoebill&gt;. Accesso em 13 de janeiro de 2016.

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A História da Ema Anã

por Rafael Nascimento

A família Rheidae hoje é representada por duas ou três espécies (dependendo do autor) de emas, aves de porte grande, corredoras e incapazes de voar, semelhantes aos avestruzes africanos com três dedos nos pés ao invés de dois. A maior delas, a ema comum Rhea americana, possui cinco subespécies distribuídas desde o Nordeste do Brasil até o leste argentino, passando pela Bolívia, Paraguai e Uruguai. As outras formas, outrora sob o gênero Pterocnemia, são R. pennata e R. tarapacensis (popularmente ema ou nandu-de-darwin e ema-de-puna, respectivamente). A ema-de-darwin, que auxiliou o célebre naturalista britânico na elaboração de sua teoria da seleção natural, habita a Patagônia argentina e chilena. A situação sistemática da ema-de-puna (e suas duas possíveis subespécies), que é encontrada na região de encontro dos territórios peruano, boliviano, chileno e argentino, ainda não é clara, e atualmente considera-se uma forma distinta com base em algumas características físicas, mas pendentes de estudos mais esclarecedores.

Além dessas formas atuais e algumas espécies fósseis, como Opisthodactylus horacioperezi e Hinasuri nehensis, do Mioceno e Plioceno argentinos, respectivamente, uma outra espécie foi descrita em 1894 pelo naturalista britânico Richard Lydekker com base em um pequeno ovo: Rhea nana – então representando uma possível quarta espécie de ema vivendo em tempos históricos.

Richard Lydekker, ca 1900.

Richard Lydekker, ca 1900.

Abaixo a tradução do texto original publicado na revista Proceedings of the Zoological Society of London de 1894, com comentários acerca dessa possível nova espécie:

“Sr. R. Lydekker exibiu fotografias e um modelo de um ovo único, o qual o original foi obtido muitos anos atrás no Sul da Patagônia, e agora está preservado no Museu em La Plata. Se não se trata de um espécime anormal, não pode ser atribuído a nenhuma espécie de ave conhecida.

Quando em viagem pelo distrito onde o espécime foi obtido, Dr. P. Moreno, Diretor do Museu em La Plata, muitos anos atrás viu algumas aves ratitas pequenas, o qual de primeira assumiu serem pequenas emas. Pelos nativos, para os quais elas eram bem conhecidas, ele foi, no entanto, assegurado que eram aves adultas, parentes das emas. Desejando confirmar essa informação, Dr. Moreno escreveu a um amigo familiarizado com o distrito; que respondeu que não apenas conhecia bem as aves, mas que também possuía um ovo, sendo esse ovo o espécime original do qual um modelo está sendo exibido agora.

Assumindo que seja um ovo normal, Sr. Lydekker tem a opinião que, tomada em conexão com a evidência de duas testemunhas independentes que viram as aves, isso aponta a existência no Sul da Patagônia de uma pequena ave ratita desconhecida mais ou menos parecida com as emas.“

Ilustração de John Gould de 1841 da ema de Darwin, Rhea pennata.

Ilustração de John Gould de 1841 da ema de Darwin, Rhea pennata.

Até hoje, no entanto, não se encontrou nenhum outro ovo semelhante ou ave adulta que seja diferente das espécies já mencionadas. Quando se lida com espécies potencialmente extintas, conhecidas por relatos escassos ou espécimes aberrantes, deve-se ver os dados através de um olhar cético. É preciso ter certeza de que não se trata de variações dentro da espécie ou confusão das testemunhas. A falta de material comparativo extenso dada a data das descrições também deve ser levada em conta, assim como os avanços constantes no entendimento da ciência.

Ovo normal de R. pennata, no Museu Wiesbaden (Alemanha). Foto de Klaus Rassinger/Gerhard Cammerer.

Ovo normal de R. pennata, no Museu Wiesbaden (Alemanha). Foto de Klaus Rassinger/Gerhard Cammerer.

Esse ovo hoje é tratado como uma forma aberrante de um ovo de Rhea pennata. O modelo citado por Lydekker, feito em cera, encontra-se no Museu de História Natural Tring, na Inglaterra.

del Hoyo, J., Collar, N. & Garcia, E.F.J. (2015) Puna Rhea (Rhea tarapacensis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retirado de http://www.hbw.com/node/467080 em 24 de dezembro de 2015).

Folch, A., Jutglar, F., Garcia, E.F.J. & Boesman, P. (2015) Greater Rhea (Rhea americana). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retirado de http://www.hbw.com/node/52399 em 24 de dezembro de 2015).

Folch, A., Christie, D.A., Jutglar, F. & Garcia, E.F.J. (2015) Lesser Rhea (Rhea pennata). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. (retirado de http://www.hbw.com/node/52400 em 24 de dezembro de 2015).

Hume, J. P.; Walters, M. (2012) Extinct Birds. T & AD Poyser. Londres.

Knox, A. G.; Walters M. P. (1994) Extinct and Endangered Birds in the collections of The Natural History Museum. British Ornithologists’ Club Occasional Publications.

Lydekker, R. (1894) Exhibition of, and remarks upon, a photograph and model of an egg from Southern Patagonia in the La Plata Museum. Proceedings of the Zoological Society of London (1894): 654.

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Briga biológica: o caso dos estímulos artificiais em pesquisa de comportamento

por Piter Kehoma Boll

ResearchBlogging.org O estudo do comportamento animal é uma abordagem importante para compreender diversos aspectos sobre a ecologia e a evolução dos seres vivos, tanto dos próprios animais analisados quanto das espécies com quem interagem. Por exemplo, compreender como uma abelha reconhece uma flor como fonte de alimento e como a aborda pode explicar muito sobre a fisiologia e a evolução da flor em questão e vice-versa, esclarecendo por que tal combinação de caracteres é a que se encontra na população atualmente.

Assim como em praticamente qualquer tipo de estudo em biologia, uma pesquisa pode ser feita por amostragens ou por experimentos. Numa amostragem você obtém informações não manipuladas diretamente do meio, coletando ou observando uma pequena amostra do todo e inferindo, a partir dela, a situação em toda a população. Já num experimento você manipula o meio e observa como os organismos reagirão aos diferentes estímulos apresentados a eles e, a partir disso, desenvolve sua conclusão.

Por exemplo, se você quer saber o que uma espécie de sapo come, você pode descobri-lo por amostragem, observando alguns sapos na natureza enquanto se alimentam ou capturando alguns e examinando o conteúdo estomacal. Você também pode oferecer diferentes alimentos, tanto no meio quanto no laboratório, e observar como o sapo reage a cada um.

Em experimentos, portanto, você manipula os estímulos que a espécie recebe do meio. E é aí as coisas se tornam controversas. Os estímulos podem apresentar elementos artificiais, isto é, que não seriam encontrados pelo animal no seu hábitat?

As opiniões sobre isso são divergentes e recentemente levaram a uma “briga formal” publicada na revista Ethology:

De um lado está um grupo de pesquisadores de diversas universidades pelo mundo (Hauber et al., 2015) que defende o uso de estímulos artificiais para analisar o comportamento. Eles usam como modelo os estudos de rejeição de ovos de aves parasitas pelas aves parasitadas, um fenômeno bastante estudado.

Primeiro, contextualizemos rapidamente este fenômeno:

Diversas espécies de aves, especialmente cucos, não chocam os próprios ovos. Em vez disso, eles os depositam nos ninhos de aves de outra espécie e esperam que as pobres coitadas os choquem e depois alimentem os filhotes como se fossem seus próprios. Para as aves cujos ninhos são parasitados por estes cucos, é importante saber distinguir seus próprios ovos dos ovos de intrusos para eliminá-los do ninho e garantir que não gastem energia em ajudar o inimigo. Como consequência, a seleção natural favorece os cucos cujos ovos são mais similares aos da ave que parasitam e também favorece as aves parasitadas que melhor distinguem seus ovos dos ovos intrusos. É uma corrida evolutiva típica.

Localize o intruso. A semelhança do ovo da espécie parasita com o da parasitada pode variar grandemente. Fotos por usuário da wikipedia Galawebdesign (esquerda)* e por Grüner Flip (direita).

Encontre o intruso. A semelhança do ovo da espécie parasita com o da parasitada pode variar grandemente. Fotos por usuário da wikipedia Galawebdesign (esquerda)* e por Grüner Flip (direita).

Em estudos experimentais a respeito da rejeição de ovos durante parasitismo, é comum usar-se ovos artificiais que exageram traços presentes originalmente nos ovos, incluindo coloração e tamanho, para tentar compreender qual é o ponto mais relevante para a ave reconhecer o ovo como não sendo seu. Mas podemos confiar nos resultados de tais experimentos com elementos artificiais?

Hauber et al. (2015) acham que sim. Seus argumentos a favor do uso de tais estímulos artificiais são basicamente os seguintes:

  1. Ovos reais das espécies estudadas são difíceis de conseguir em grande quantidade e poderiam causar impactos significativos sobre as populações se usados. Assim, ovos artificiais garantem a integridade das populações.
  2. É difícil conseguir um conjunto de ovos naturais similar o suficiente para que se possa fazer as repetições necessárias para validar o teste. Afinal, para que uma resposta seja considerada válida, é preciso que ela seja registrada várias vezes diante de um mesmo estímulo. Ovos artificiais permitem cópias idênticas e, assim, repetições verdadeiras.
  3. Ovos naturais variam em diversos aspectos ao mesmo tempo, como coloração, tamanho, formato, textura… Em ovos artificiais é possível controlar estes aspectos e variar apenas um, de forma a isolar a influência de cada um no reconhecimento pela ave.
  4. Uma variação além da natural pode ajudar a reconhecer populações onde ocorrem diferentes graus de percepção de ovos estranhos e consequentemente onde ocorrem diferentes pressões seletivas.
Ovos originais da espécie parasitada pintados para exagerar aspectos da coloração. Fotos de István Zsoldos. Extraído de Moskát et al. 2010.

Ovos originais da espécie parasitada pintados para exagerar aspectos da coloração. Fotos de István Zsoldos. Extraído de Moskát et al. 2010.

Um uso tão desenfreado de estímulos artificiais não é visto com bons olhos por todos. Logo após a opinião de Hauber et al. está o retruque de David C. Lahti (2015) que enfrenta sozinho o exército “artificialista”. Lahti se mostra avesso a tal uso exagerado de elementos artificiais e que muitas vezes não são aplicados de maneira responsável.

Sugerindo um uso mais restrito de elementos artificiais, ele argumenta o seguinte:

  1. Nossa percepção do meio é diferente da das espécies que estudamos. Uma ave, por exemplo, enxerga muito mais cores do que nós. Quando pintamos um ovo artificial de branco e preto para imitar um ovo branco e preto natural, não sabemos se a ave realmente vê os dois ovos com as mesmas cores. Assim, enquanto supomos que os ovos pareçam similares pela nossa percepção, a realidade do ponto de vista da ave pode ser bem outra.
  2. Ao tentarmos criar um conjunto de ovos artificiais que variem em apenas um aspecto, como o tamanho das manchas na casca, por exemplo, de forma a querer controlar a influência deste estímulo isoladamente, sempre acabamos incluindo estímulos secundários que não são medidos, como a tinta usada para fazer as manchas. Se a ave mostra diferentes respostas de acordo com ovos de manchas pequenas (naturais) e ovos com manchas grandes (artificiais), como podemos saber que a diferença não ocorreu pela percepção da tinta, seja química ou visualmente, pelo animal? Seria necessário a realização de testes para descartar esta possibilidade, mas isso não costuma ser feito.
  3. Estímulos artificiais exagerados podem ultrapassar o patamar de reconhecimento da espécie. Um ovo com uma cor muito diferente de qualquer variação de cores encontrada no meio pode fazer com que a ave não reconheça mais aquilo como um ovo, o que pode causar problemas na interpretação dos resultados.

Em relação a este último argumento de Lahti, Hauber et al. salientam que é importante tomar cuidado com interpretações a priori sobre o comportamento da espécie. Ou seja, não podemos adivinhar o que a ave está pensando. O fato de a ave remover ou não o ovo do parasita do ninho não necessariamente significa que a ave é capaz de reconhecer o ovo como sendo um intruso, ou sequer reconhecê-lo como ovo. Como a ave interpreta o estímulo não é o importante, mas sim a resposta dela ao mesmo.

Podemos concluir assim que estímulos artificiais têm suas vantagens e em diversas situações são a única alternativa disponível. Vale, porém, tomar cuidado com seu uso e tentar confirmar que aspectos secundários geralmente negligenciados não são considerados importantes pelo animal. Evitemos apostas cegas sobre a visão do mundo pela outra espécie.

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Referências:

Hauber, M., Tong, L., Bán, M., Croston, R., Grim, T., Waterhouse, G., Shawkey, M., Barron, A., & Moskát, C. (2015). The Value of Artificial Stimuli in Behavioral Research: Making the Case for Egg Rejection Studies in Avian Brood Parasitism Ethology, 121 (6), 521-528 DOI: 10.1111/eth.12359

Lahti, D. (2015). The Limits of Artificial Stimuli in Behavioral Research: The Umwelt Gamble Ethology, 121 (6), 529-537 DOI: 10.1111/eth.12361

Moskat, C., Ban, M., Szekely, T., Komdeur, J., Lucassen, R., van Boheemen, L., & Hauber, M. (2010). Discordancy or template-based recognition? Dissecting the cognitive basis of the rejection of foreign eggs in hosts of avian brood parasites Journal of Experimental Biology, 213 (11), 1976-1983 DOI: 10.1242/​jeb.040394

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Sexta Selvagem: Suiriri

por Piter Kehoma Boll

Esta é a primeira ave apresentada na Sexta Selvagem e eu a escolhi por uma razão especial: seu nome científico é Tyrannus melancholicus, o tirano melancólico. Não é quase poético?

Encontrado do sul dos Estados Unidos até a metade norte da Argentina, o suiriri é bem adaptado a áreas antropizadas, de forma que é facilmente avistado ao longo de estradas ou em jardins e parques. Populações habitando áreas com estações bem marcadas geralmente migram para áreas mais quentes, especialmente para o sul dos Estados Unidos, durante o inverno no hemisfério sul.

Suiriri em São Paulo, Brasil. Foto de Dario Sanches*.

Suiriri em São Paulo, Brasil. Foto de Dario Sanches*.

Suiriris são principalmente predadores, capturando insetos que interceptam durante o voo. Eles não parecem muito sensíveis às defesas químicas de borboletas, comendo até mesmo algumas espécies não-palatáveis e espécies com padrões de coloração similares, apesar de que algumas espécies altamente desagradáveis são de fato rejeitadas. Ocasionalmente eles também podem comer frutas.

Durante a estação de acasalamento, eles formam casais e constroem juntos um ninho em forma de tigela usando ramos pequenos, palha e fios de nylon e plástico. A fêmea geralmente põe três ovos no ninho e ambos os pais os chocam e cuidam dos filhotes.

Como consequência de sua adaptabilidade a humanos, não é considerada ameaçada de forma alguma, ao menos até o momento, e possui o status de pouco preocupante (LC) pela IUCN.

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Referências:

Cintra, R. 1997. Spatial Distribution and Foraging Tactics of Tyrant Flycatchers in Two Habitats in the Brazilian Amazon. Studies on Neotropical Fauna and Environment, 32 (1), 17-27 DOI: 10.1076/snfe.32.1.17.13459

Legal, E. 2007. Aspectos da nidificação do siriri, Tyrannus melancholicus (Vieillot, 1819), (Aves, Tyrannidae) em Santa Catarina. Atualidades Ornitológicas On-line, 140, 51-52

Pinheiro, C. E. G. 1996. Palatablility and escaping ability in Neotropical butterflies: tests with wild kingbirds (Tyrannus melancholicus, Tyrannidae) Biological Journal of the Linnean Society, 59 (4), 351-365 DOI: 10.1111/j.1095-8312.1996.tb01471.x

Wikipedia. Tropical Kingbird. Disponível em < http://en.wikipedia.org/wiki/Tropical_Kingbird >. Acesso em 27 de março de 2014.

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Uma Lenda de 120 Anos

por Rafael Nascimento

Animais de estimação de grande longevidade, que podem acompanhar seus donos por anos, sempre foram uma atração, como se pode observar pela popularidade das tartarugas, assim como psitacídeos, por serem vívidos e interativos. Os animais tendem a viver mais tempo em cativeiro, não sendo expostos aos perigos da “vida selvagem”. Alguns, no entanto, excedem o esperado e tornam-se personagens bem curiosos. Um destes personagens foi uma cacatua que viveu mais de cem anos na Austrália, entre os séculos XVIII e XX.

Chamado Cocky Bennet, uma cacatua-de-crista-amarela (Cacatua galerita) macho, ele se destacou não apenas pela idade que atingiu, mas também pelas suas características físicas incomuns. Nascido em 1796 (de acordo com o tabloide semanal The Queenslander, de Brisbane), próximo a Sydney, foi retirado de seu ninho em um eucalipto por um fazendeiro local. Com o passar os anos, ele começou a perder as penas, ficando com a aparência de uma galinha depenada com pele enrugada. Além disso, sua mandíbula tinha a ponta extraordinariamente longa, de modo que podia apenas comer alimentos amassados. Tais anormalidades são típicas da doença de bico e pena psitacínea, causada por um circovirídeo, que também diminui a imunidade do animal contra os efeitos de outros vírus e bactérias.

Cocky Bennet com 115 anos de idade em sua gaiola, 1911. Foto do arquivo da State Library of Victoria, Austrália.

Cocky Bennet com 115 anos de idade em sua gaiola, 1911. Foto do arquivo da State Library of Victoria, Austrália.

A ave passou seus primeiros 78 anos viajando o mundo com o Capitão Ellis, seu dono. Após a morte do capitão, ele foi herdado pelos Sr. e Sra. Bowden. Com a morte do Sr. Bowden em 1889, sua esposa então se casaria com Charles Bennet. O casal então se mudou para o Tom Ugly’s Point, Blakehurst, em 1891, onde o Sr. Bennet se tornou o titular do Sea Breeze Hotel.

Popular, Cocky viveu no hotel na maior parte dos seus últimos 25 anos. Era bastante falante, com seu repertório incluindo frases como “one feather more and I’ll fly” (“uma pena mais e eu voarei”) e “one at a time, gentlemen, please” (“um por vez, cavalheiros, por favor”), quando molestado por outras aves. Cocky era mais falante e com um linguajar mais ousado quando recebia um “gole de cerveja forte”. Recebia os visitantes se movendo ativamente no topo de sua gaiola na varanda frontal do hotel.

Cocky Bennet com 118 anos de idade, 1914. Foto do arquivo das Sutherland Shire Libraries, Austrália, usada com permissão.

Cocky Bennet com 118 anos de idade, 1914. Foto do arquivo das Sutherland Shire Libraries, Austrália, usada com permissão.

Apesar de ser afetado pela doença, faleceu apenas em maio de 1916, tornando-se o psitacídeo de vida mais longa registrado na Austrália. Já que não existem fontes indicando em que mês Cocky foi tirado de seu ninho, não é possível determinar se ele já tinha 120 ou ainda 119 anos. As cacatuas-de-crista-amarela, em Sydney, procriam de agosto a janeiro e os ovos eclodem após 25 dias. Então, supondo que ele não era um recém nascido (já que possivelmente não sobreviveria se retirado do ninho assim que tivesse saído do ovo), o fazendeiro provavelmente o pegou entre o final de setembro e o final de fevereiro. Na época, sua idade foi estabelecida por ornitólogos contando os anéis de crescimento de seu bico, concluindo que tinha 120 anos de idade, com margem de erro de um ano. A longevidade média da espécie é de 70 anos.

Cocky Bennet, 1914. Foto do arquivo das Sutherland Shire Libraries, Austrália, usada com permissão.

Cocky Bennet, 1914. Foto do arquivo das Sutherland Shire Libraries, Austrália, usada com permissão.

Após sua morte, o Sydney Morning Herald publicou (em 1916) a seguinte nota:

“Uma Cacatua Respeitável

“Cocky Bennet”, uma cacatua-de-crista-amarela australiana, morreu na sexta-feira em seu 120º ano em Canterbury. Esta idade é um recorde de longevidade para um papagaio australiano levando-se em conta os registros oficiais. Por muitos anos a ave estava sob custódia da Sra. Sarah Bennet, a titular do Sea Breeze Hotel, no Tom Ugly’s Point. Quando se mudou de lá, cerca de 12 meses atrás, ela transferiu o papagaio ao seu sobrinho, Sr. Murdoch Alexander Wagschall, no Woopack Hotel, Canterbury. A velha ave estava totalmente sem penas durante seus últimos 20 anos, mas manteve sua “pose” até o dia antes de sua morte. “Cocky Bennet” foi um grande viajante, dito ter feito sete viagens ao redor do mundo. O Sr. Wagschall providenciou que os restos mortais deste papagaio histórico fossem preservados por um taxidermista.”

De acordo com W. A. Easterling (The Sydney Morning Herald de 9 de julho de 1984), um sobrinho distante do Sr. Bennet, a ave foi empalhada e montada pela firma Tost and Rohu e colocada numa redoma de vidro. Permaneceu no hotel até o final da década de 1920 ou começo da de 1930, quando sua avó, a Sra. P. Wagschall (da qual o marido operou o antigo Woolpack Hotel em Canterbury), deixou o ramo da hotelaria. Então passado para sua mãe, os restos de Cocky ficaram pendurados em sua sala de jantar por mais de 40 anos, onde foi uma visão corriqueira aos membros da família, mas os visitantes ficavam nervosos com o aspecto “maligno” da relíquia. Sua esposa chegou a comentar que ela estava indecisa em casar-se com ele caso ele herdasse o velho horror. Após a venda da casa de sua família, sua irmã levou os restos de Cocky para a Kogarah Historical Society em seu museu no Carss Cottage no Carss Bush Park, junto aos documentos que possuíam.

Easterling também comentou que a biblioteca de Sutherland Council fez em maio de 1973 uma exposição sobre a ave, e os pesquisadores trouxeram muito mais informações históricas do que era conhecido pela sua parte da família. O assunto também foi tratado na Column 8 (Herald, 12 de maio de 1973), quando um espécime impostor foi exibido no Sea Breeze Hotel, dito ter sido adquirido de um museu privado em Kurnell e posto a mostra como os supostos restos de Cocky.

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Referências:

Centre for Fortean Zoology Australia. 2011. From the archives: A Venerable Cockatoo (1916). Disponível on-line em: <www.cfzaustralia.com/2011/09/from-archives-venerable-cockatoo-1916.html>. Acessado em 13 de fevereiro de  2012.

Grellis, A. 2008. Blakehurst: Cocky Bennet. Dictionary of Sydney. Disponível on-line em: <www.dictionaryofsydney.org/entry/blakehurst>. Acessado em 14 de fevereiro de  2012.

Kable, F. J. & Easterling, W. A. 1984. Fate of the real Cocky Bennet. The Sydney Morning Herald, Sydney, Australia, July 9, 1984: 8.
Kwek, G. 2011. Sydney’s old crock of a cockie was a legend at 120. The Sidney Morning Herald. Disponível on-line em: <www.smh.com.au/environment/animals/sydneys-old-crock-of-a-cockie-was-a-legend-at-120-20110831-1jkz2.html>. Acessado em 13 de fevereiro de  2012.
Meinhardt, J. 2011. The Birds. Oh Snap! Disponível on-line em: <jocelot.blogspot.com/2011/04/birds.html>. Acessado em 13 de fevereiro de  2012.

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A arara de Dominica

por Rafael Nascimento

Aves falantes e de cores exuberantes sempre exerceram forte fascínio no ser humano, e comigo não poderia ser diferente. Além disso, a curiosidade que algo raro ou perdido desperta é um fator importante para definir um tema de interesse para alguém. A combinação desses dois fatores é a fundação que sustenta um grande interesse de minha parte nas espécies de psitacídeos extintas, principalmente aquelas com pouca evidência de sua existência duvidosa. Diversos psitacídeos habitantes de paraísos insulares foram extintos nos últimos séculos, principalmente devido a caça para consumo, o comércio de espécimes em cativeiro e a destruição de seu habitat. Neste artigo eu irei falar sobre uma espécie que é dita ter habitado a ilha de Dominica, nas Antilhas Menores (Caribe).

Dominica foi inicialmente habitada pelos índios caribes e depois colonizada por franceses e ingleses. A caça por parte dos indígenas é geralmente sustentável, não representando grande ameaça para a espécie. A colonização europeia, no entanto, provou-se devastadora, um cenário comum não apenas nessas ilhas, mas em diversos outros pontos do planeta.

Uma floresta em Dominica. Foto de Dirk.heldmaier, da Wikipedia.

Uma floresta em Dominica. Foto de Dirk.heldmaier, da Wikipedia.

A arara-verde-e-amarela-dominicana (também chamada de arara-de-Atwood ou simplesmente arara-dominicana), Ara atwoodi, é conhecida apenas pelo relato de Thomas Atwood. Em sua obra “The history of the island of Dominica. : Containing a description of its situation, extent, climate, mountains, rivers, natural productions, &c. &c. Together with an account of the civil government, trade, laws, customs, and manners, of the different inhabitants of that island. Its conquest by the French, and restoration to the British dominions” de 1791, Atwood descreve a fauna local, da qual seus elementos podem ser associados às espécies conhecidas da região, com a exceção de um tipo de psitacídeo não mais encontrado ali e que difere-se dos outros que são encontrados na ilha (Amazona arausiaca e A. imperialis, que Atwood provavelmente considerou uma única espécie em sua descrição) ou de qualquer outra parte do planeta. A seguir o trecho descritivo traduzido para o português: “A arara é do tipo do papagaio, mas maior que o papagaio comum, e faz um barulho mais desagradável e áspero. Estão em grande quantidade, assim como são os papagaios nesta ilha; ambos têm uma plumagem deliciosamente verde e amarela, com substancia carnosa cor escarlate do ouvido até a base do bico, desta cor sendo também as penas primárias das suas asas e caudas. Reproduzem-se no topo das árvores mais altas, onde se alimentam de grande quantidade de frutas juntas; e são facilmente descobertas por seu som tagarelante alto, que a distância lembra vozes humanas. As araras não podem ser ensinadas a articular palavras; mas os papagaios desta terra podem, tomando os esforços com eles quando são capturados jovens. A carne de ambos é consumida, mas sendo bastante gordurosa, ela diminui ao ser assada, e fica seca e insípida ao ser comida; por essa razão, são usados principalmente para fazer sopa, que é considerada bem nutritiva.

A descrição de Atwood presente na obra “The History of the Island of Dominica”, 1791.

A descrição de Atwood presente na obra “The History of the Island of Dominica”, 1791.

Acredita-se que se tornou extinta no final do século XVIII ou no começo do XIX. Já que não existe nenhuma espécie de arara vivente de cor verde e amarela (excluindo híbridos), Austin Hobart Clark assumiu que a ave do relato pertencia a uma espécie ainda desconhecida pela ciência, incluindo-a primeiramente em Ara guadeloupensis (que é dita ter habitado a ilha vizinha de Guadalupe). Com a descoberta do relato de Atwood foi considerada distinta, recebendo o status de espécie em 1908.

Considerada hipotética pela maioria dos autores, Ara atwoodi geralmente não é incluída em publicações não específicas que mencionam araras recentemente extintas, que quase sempre só contam com a arara-cubana Ara tricolor, por ser a única com espécimes preservados conhecidos, e formas subfósseis como A. autocthones. Joseph Forshaw (1977) ressalta que não é seguro nem mesmo associar a espécie ao gênero Ara, devido à ausência de espécimes, tanto taxidermizados quanto ossos, ou mesmo ilustrações. A associação foi feita por dedução, baseando-se no termo “mackaw” (arara) usado por Atwood, onde Clark nota que “sua arara é um membro genuíno do gênero Ara”. Isso, no entanto, não exclui a possibilidade de pertencer a um gênero semelhante que evoluiu no isolamento da ilha.

Reconstrução seguindo a figura publicada no livro de David Day “The Doomsday Book of Animals”. Imagem de Rafael Nascimento, 2009.

Reconstrução seguindo a figura publicada no livro de David Day “The Doomsday Book of Animals”. Imagem de Rafael Nascimento, 2009.

Dos trechos descrevendo suas características físicas e baseando-se em espécies próximas, algumas reconstruções de sua aparência surgiram, porém em passos mais tímidos que em outras espécies mais populares de aves extintas. A mais conhecida é a presente no livro de David Day “The Doomsday Book of Animals” (1981), que representa uma arara bem distinta das espécies extintas que possuem mais dados descritivos de sua aparência, não tendo a porção de pele nua no rosto normal das grandes araras, esta sendo reduzida a apenas uma porção estreita, mas seguindo o padrão de cor descrito por Atwood. A maioria das reconstruções posteriores são baseadas nesta figura. Outras espécies obscuras com história semelhante são retratadas, como Ara erythrocephalus da Jamaica, que também é dita ter penas verdes e amarelas, mas com a cabeça de cor vermelha. As cores descritas na arara de Atwood e as observações em espécies viventes sugerem um padrão semelhante ao encontrado na arara-canindé Ara ararauna e talvez também em A. martinicus (outra espécie hipotética da ilha vizinha de Martinica), com o azul sendo substituído pelo verde. Também relatada na Jamaica, mas não creditável pela maioria das fontes, é A. erythrurus, dita semelhante a A. ararauna, mas com cauda inteiramente vermelha. Uma reconstrução feito pelo pesquisador e artista Julian Hume, expert no assunto de aves e outras espécies recentemente extintas, retrata a arara com cores nesse padrão, mas não  tendo o vermelho na porção de pele nua no rosto, e sim nas penas da testa. Não tenho conhecimento sobre o porquê de retrata-la assim, mas considerando que a porção facial avermelhada, geralmente vista como um caractere distinto de A. atwoodi, pode ser apenas excitação como observado em A. ambiguus, A. militaris e A. rubrogenys, a representação pode ser da ave numa situação “calma”. Ambas A. ararauna e A. glaucogularis (as araras de cor azul e amarela) podem apresentar avermelhamento em suas faces, sendo mais evidente na última, então se A. atwoodi for mesmo uma espécie próxima, essa característica pode ter sido ainda mais intensa nesta espécie. Uma coloração que lembra a descrita por Atwood é encontrada no mercado de animais de estimação nos híbridos Catalina (A. ararauna x A. macao) e Harlequin (A. ararauna x A. chloropterus), onde as costas são verdes e o ventre varia de tons de amarelo ao laranja claro.

Fiz esta reconstrução seguindo a teoria que A. atwoodi é um parente próximo de A. ararauna. Alguns elementos, como a porção de penas pretas abaixo do bico, são especulativos.

Fiz esta reconstrução seguindo a teoria que A. atwoodi é um parente próximo de A. ararauna. Alguns elementos, como a porção de penas pretas abaixo do bico, são especulativos.

Enquanto eu vejo evidências suficientes para declarar a existência de uma forma diferente de arara que outrora habitou Dominica, sua real aparência permanecerá um mistério até que novas evidências venham à tona, sejam elas relatos perdidos ou ossos subfósseis.

Referências:

Atwood, T. 1791: The History of the Island of Dominica. London: Frank Cass and Co.

BirdLife International (2011) Species factsheet: Ara atwoodi. Disponível on-line em: < www.birdlife.org/datazone/speciesfactsheet.php?id=30080>.  Acessado em 6 de dezembro de 2011.

Clark, A. H. 1908. The Macaw of Dominica Auk, 25, 309-311

Forshaw, J. M. & Cooper, W. T. 1977: Parrots of the World. T.F.H. Publications, Inc. New Jersey.

Fuller, E. 1987: Extinct Birds. Facts on Files Publications. New York.

Maas, P. H. J. 2007: Dominican Green-and-Yellow Macaw. In: TSEW. The Sixth Extinction Website. Disponível on-line em: <www.petermaas.nl/extinct/speciesinfo/dominicanmacaw.htm>. Acessado em 6 de dezembro de 2011.

Many-feathers. Catalina Macaw. Disponível on-line em: < www.many-feathers.com/Catalina-Macaw.htm>. Acessado em 6 de dezembro de 2011.

Rothschild, W. 1907: Extinct Birds. Hutchison, London.

Williams, M. I. & Steadman, D. V. 2001: The historic and prehistoric distribution of parrots (Psittacidae) in the West Indies. Pp 175-489 in Biogeography of the West Indies: patterns and perspectives. 2nd ed. (Woods, C. A. & F. E. Sergile, eds.) Boca Raton, FL: CRC Press.

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