Arquivo do mês: outubro 2012

Sexta Selvagem: Mosca-doméstica

por Piter Kehoma Boll

Hoje vamos olhar mais de perto para um dos insetos mais disseminados, a mosca-doméstica, Musca domestica. Há uma grande chance de uma delas estar agora mesmo na mesma casa, talvez no mesmo cômodo, que você.

Você já desejou ser uma mosquinha na parede? Foto de Muhammad Mahdi Karim.*

Você já desejou ser uma mosquinha na parede? Foto de Muhammad Mahdi Karim.*

A mosca-doméstica se originou de algum lugar no Oriente Médio, na Península Arábica ou no Nordeste da África, e se espalhou pelo mundo todo muito provavelmente pela influência humana. Ela é a espécie de mosca mais comum em residências humanas, medindo de 8–12 mm de comprimento quando adultas, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos. O tórax e as patas são escuros e o abdome é geralmente amarelo claro. Os olhos são grandes e vermelhos e as antenas são muito curtas.

No acasalamento, uma mosca macho monta uma fêmea e injeta seu esperma, a cópula durando de uns poucos segundos a alguns minutos. A fêmea raramente acasala mais de uma vez, armazenando esperma para usar repetidamente. Ela põe cerca de 500 ovos em sua vida, geralmente em conjuntos de cerca de 100 ovos. As larvas eclodem dos ovos dentro de um dia e se alimentam de quase qualquer tipo de matéria orgânica em decomposição. O estágio larval leva de 2 a 5 semanas para se tornar completo, dependendo da temperatura: quanto mais alta, mais rápido.

Uma larva de mosca-doméstica. Foto de Pavel Krok.*

Uma larva de mosca-doméstica. Foto de Pavel Krok.*

Como moscas-domésticas estão proximamente associadas a humanos e se alimentam de uma variedade de substâncias, elas são responsáveis por disseminar várias doenças, incluindo muitas bactérias, protozoários, vermes parasitas e vírus. Inseticidas têm sido a forma mais comum de controlar populações de moscas-domésticas, mas algumas linhagens se tornaram imunes a alguns dos inseticidas mais comuns, como o DDT.

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Referências:

Marquez, J. G.; Krafsur, E. S. 2002. Gene flow among geographically diverse housefly populations (Musca domestica L.): a worldwide survey of mitochondrial diversity. Journal of Heredity, 93 (4): 254–259.

Wikipedia. Housefly. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Housefly >. Acesso em 11 de outubro de 2012.

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Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Baobá-de-Grandidier

por Piter Kehoma Boll

Vamos expandir o universo da Sexta Selvagem e apresentar uma planta pela primeira vez! E que escolha poderia ser melhor que começar com o famoso baobá-de-Grandidier? Pertencendo à espécie Adansonia grandidieri, esta árvore é uma das marcas registradas de Madagascar, sendo a maior espécie deste gênero encontrada na ilha.

Atingindo até 30 m de altura e tendo um tronco maciço somente ramificado bem no topo, a árvore possui um aspecto único e é encontrada somente a sudoeste de Madagascar. Contudo, apesar de ser tão atrativa e famosa, é classificada como uma espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN, com uma população em declínio ameaçada pela expansão da agricultura.

Adansonia grandidieri. Foto de Bernard Gagnon (commons.wikimedia.org/wiki/User:Bgag).  Extraído da Wikipedia.

Adansonia grandidieri. Foto de Bernard Gagnon (commons.wikimedia.org/wiki/User:Bgag). Extraído da Wikipedia.

Esta árvore também é excessivamente explorada, possuindo frutos ricos em vitamina C que podem ser consumidos crus e de suas sementes extrai-se óleo. Sua casca também pode ser usada para fazer cordas e muitas árvores são encontradas com cicatrizes devido à extração de parte da casca.

Possuindo um tronco fibroso, os baobás são capazes de lidar com a seca, aparentemente armazenando água. Não há dispersores de sementes, provavelmente porque estes foram extintos por atividades humanas.

Originalmente ocorrendo junto a corpos de água temporários na floresta decídua seca, hoje muitas árvores são encontradas em terrenos permanentemente secos. Isso provavelmente é devido ao impacto humano que alterou o ecossistema local, fazendo-o se tornar mais seco do que era. Essas áreas possuem uma capacidade pequena de regenerar ou talvez nem sejam mais capazes, de maneira que provavelmente nunca mais voltarão a ser o que eram e, depois que as velhas árvores morrerem, não haverá mais baobás ali.

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Referências:

Baum, D. A. (1995). A Systematic Revision of Adansonia (Bombacaceae) Annals of the Missouri Botanical Garden, 82, 440-470 DOI: 10.2307/2399893

Wikipedia. Adamsonia grandidieri. Disponível em:<http://en.wikipedia.org/wiki/Adansonia_grandidieri>. Acesso em 2 de outubro de 2012.

World Conservation Monitoring Centre 1998. Adansonia grandidieri. In: IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.1. <www.iucnredlist.org>. Acesso em 2 de outubro de 2012.

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