Arquivo da categoria: Sistemática

Novas Espécies: Abril de 2020

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. Você pode ver a lista de periódicos científicos usados para o levantamento de novas espécies aqui.

Bactérias

Rhodococcus oryzae é uma nova actinobactéria isolada do solo da rizosfera de arroz. Créditos a Li et al. (2020).*

Arqueias

Phycophthorum isakeiti é um novo parasita de diatomáceas. Créditos a Hassett (2020).*

SARs

Poa magellensis é uma nova gramínea da Itália. Créditos a Conti et al. (2020).*

Plantas

Amoebozoários

Flores de Hanceola suffruticosa, uma nova lamiácea da China e do Vietnã. Créditos a Chen et al. (2020).*

Fungos

Sarcodon coactus é um novo cogumelo da China. Créditos a Mu et al. (2020).*

Poríferos

Cnidários

Rotíferos

Platelmintos

Moluscos

Anelídeos

Quinorrincos

Nematódeos

Tardígrados

Onicóforos

Aracnídeos

Miriápodes

Trachyjulus magnus é um novo piolho-de-cobra da Tailândia. Créditos a Likhitrakarn et al. (2020).*

Crustáceos

Jujiroa inexpectata é um novo besouro de caverna da China. Créditos a Fang et al. (2020).*

Hexápodes

Stamnodes fergusoni é uma nova mariposa geometrídeo dos EUA. Créditos a Matson & Wagner (2020).*
Cabeça de Telothyria alexanderi, uma nova mosca da Costa Rica. Créditos a Fleming et al. (2020).*

Equinodermos

Ágnatos

Eptatretus wandoensis é um novo peixe-bruxa da Coreia. Créitos a Song & Kim (2020).*

Actinopterígios

Leptobrachella suiyangensis é uma nova rã da China. Créditos a Luo et al. (2020).*

Anfíbios

Iguana melanoderma é uma nova iguana nas Pequenas Antilhas. Créditos a Breuil et al. (2020).*

Répteis

Trimeresurus salazar, é uma nova cobra da Índia. Créditos a Mirza et al. (2020).*

Mamíferos

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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De dor de cabeça a enxaqueca: Xenacoelomorpha é um clado bilateral basal ou um grupo de deuterostômios bizarros?

por Piter Kehoma Boll

Sete anos atrás eu discuti a posição filogenética de Acoelomorpha e seus parentes próximos, Xenoturbella, que juntos formam o clado Xenacoelomorpha. Sendo animais bilaterais muito simples que não possuem quase nenhuma das principais estruturas comuns à maioria dos outros bilaterais, sua posição filogenética exata é geralmente considerada basal dentro de Bilateria, mas a ideia de que são deuterostômios foi levantada depois que alguns estudos moleculares os agruparam dentro do clado Ambulacraria, que inclui equinodermos e hemicordados.

Pertencer aos deuterostômios significaria que Xenacoelomorpha sofreu uma gigantesca simplificação de sua anatomia. Lá em 2013, quando escrevi o outro artigo, isso estava causando bastante controvérsia, mas, pouco depois, novos estudos moleculares confirmaram a posição basal de Xenacoelomorpha e ficou meio que bem aceito que eles eram, de fato, o clado mais basal de Bilateria.

Uma versão simplificada da árvore da vida animal mostrando a posição incerta de Xenacoelomorpha. A posição de Placozoa e Ctenophora também não é muito clara.*

Mas uma vez problemático, sempre problemático.

Em 2019, um novo estudo que tentou antecipar os erros sistemáticos durante estudos de filogenia molecular, tal como atração de ramos longos, concluiu que a posição basal de Xenacoelomorpha é um artefato e que, quando se tenta minimizar os erros, sua posição como grupo irmão de Ambulacraria se torna clara. Contudo a árvore deles também sugere que Deuterostomia não seja monofilético, já que os cordados aparecem como grupo irmão de Protostomia e Xenacoelomorpha+Ambulacraria é o grupo mais basal, isto é, o grupo irmão do resto dos Bilateria. Contudo a ideia de Deuterostomia não ser monofilético é bem inesperada.

Como mencionei no meu último post, o principal problema em Xenacoelomorpha aparecer dentro de Deuterostomia tem a ver com sua supersimplificação. Eles não têm quase nada que um bilateral típico tem. O que os teria forçado a se tornarem tão simples?

Xenoturbella japonica, um xenacelomorfo. Créitos a Nakano et al. (2017).*

Outro estudo recente sugere que, no caso de Xenoturbella ao menos, isso pode ser o resultado de seus hábitos de se enterrar num substrato macio. Eles comparam Xenoturbella a nudibrânquios, entre os quais algumas espécies possuem estilos de vida similares. Um desses nudibrânquios, Xenocratena, foi na verdade descoberto mais ou menos na mesma época que Xenoturbella vivendo no mesmo ambiente que ela. Eles possuem uma anatomia pedomórfica (mais simplificadas, “de bebê”) em comparação a outros nudibrânquios. Contudo ela não é de forma alguma tão simples quanto a de Xenoturbella.

O nudibrânquio cavador Xenocratena suecica. Créditos a Martynov et al. (2020).*

Por outro lado, há outro gênero de nudibrânquios que é de fato supersimplificado, Pseudovermis, e ele vive enterrado em substrato macio também. Análises moleculares revelaram que Pseudovermis não é proximamente relacionado a Xenocratena, mas a Cumanotus, outro nudibrânquio que se enterra, o que sugere que esta simplificação ocorreu duas vezes entre os nudibrânquios.

Relações filogenéticas entre nudibrânqios. Veja Pseudovermis and Cumanotus a 2 horas e Xenocratena a 7 horas. Créditos a Martynov et al. (2020).*

Isso não é evidência de que Xenoturbella é um deuterostômio simplificado, mas e um bom argumento. Mas e quanto às simplificações em Acoelomorpha? Penso que se Xenoturbella não fosse proximamente relacionada a Acoelomorpha, eu estaria mais disposto a aceitar essa hipótese. Meu coração tende para a hipótese de Xenacoelomorpha basal, no entanto. Contudo, como qualquer cientista, aceitarei Xenacoelomorpha como deuterostômios se forem apresentadas evidências suficientes.

Xenoturbella é sempre o problema principal nesta equação. O sistema nervoso de Acoelomorpha, por exemplo, apesar de simplificado, tem meio que o padrão básico encontrado em todos os bilaterais e poderia ter evoluído do anel oral de um ancestral similar a um cnidário de acordo com algumas hipóteses. En Xenoturbella, no entanto, o sistema nervoso é muito mais estranho, sendo formando por uma rede difusa simples de neurônios abaixo da pele. Acho que abordar a organização do sistema nervoso em todos esses grupos é um bom tópico para outra postagem.

Se há uma coisa, na minha opinião, que faz a posição de Xenacoelomorpha dentro Deuterostomia ser algo convincente é o fato de muitas características de Deuterostomia parecerem ser mais primitivas dentro de Bilateria quando comparadas àquelas de Protostomia, de forma que a posição de Xenacoelomorpha entre os Deuterostomia é mais plausível que sua posição dentro de Protostomia (apesar de isso nem mesmo ser mais considerado uma possibilidade). Tendemos a pensar que deuterostômios são mais “derivados” simplesmente porque humanos são deuterostômios. Mas esta discussão também e assunto para outra postagem.

O que você acha? Você é time basal ou time deuterostômio?

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Você também pode gostar:

Peixes-Bruxas: outra dor de cabeça filogenética

Xenoturbella: um grupo crescente de esquisitões

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Referências:

Cannon JT, Vellutini BC, Smith J, Ronquist F, Jonfelius U, Hejnol A (2016) Xenacoelomorpha is the sister group to Nephrozoa. Nature 530: 89–93. doi: 10.1038/nature16520

Jondelius U, Raikova OI, Martinez P (2019) Xenacoelomorpha, a Key Group to Understand Bilaterian Evolution: Morphological and Molecular Perspectives. In: Pontarotti P (ed) Evolution, Origin of Life, Concepts and Methods. Cham: Springer International Publishing, . pp. 287–315. doi: 10.1007/978-3-030-30363-1_14

Martynov A, Lundin K, Picton B, Fletcher K, Malmberg K, Korshunova T (2020) Multiple paedomorphic lineages of soft-substrate burrowing invertebrates: parallels in the origin of Xenocratena and Xenoturbella. PLoS ONE 15(1): e0227173. doi: 10.1371/journal.pone.0227173

Philippe H, Poustka AJ, Chiodin M, et al. (2019) Mitigating Anticipated Effects of Systematic Errors Supports Sister-Group Relationship between Xenacoelomorpha and Ambulacraria. Current Biology 29(11):1818–1826. doi: 10.1016/j.cub.2019.04.009

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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O que é um coronavírus? Uma breve introdução a vírus, vírus de RNA e coronavírus

por Piter Kehoma Boll

Read it in English

Então, estamos passando por um tipo de apocalipse como todos sabem. Um vírus agressivo e contagioso se espalhou pelo mundo todo e está causando um grande impacto em nossa sociedade, matando milhares de pessoas e acabando com a economia.

Mas não estou aqui para falar sobre como se proteger do vírus e quem é mais vulnerável a ele. Você pode encontrar essa informação virtualmente em todo lugar (mas não acredite nas besteiras que Karen, a anti-vacina, ou o seu tio Airton, o bolsominion, estão espalhando pelo Whatsapp. Isso é pior que o vírus). Igualmente eu não estou aqui para mostrar como essa pandemia é um resultado direto de nossa sociedade capitalista falha e como as porras dos ricos deveriam ser decapitados de uma vez por todas. Não. Eu farei uma abordagem mais biológica e explicarei um pouco sobre o que é um vírus de um ponto de vista estrutural, funcional e taxonômico.

Então vamos começar com o que é um vírus.

Um vírus é basicamente um monte de m… material genético parasita que infecta células para se reproduzir. Os vírus não são bem seres vivos já que não possuem nem células nem metabolismo. No entanto eles precisam de células para se reproduzirem. Todos os vírus são compostos de um pedaço de ácido nucleico (ou DNA ou RNA) e um capsídeo, uma “caixa” que protege o ácido nucleico. O capsídeo geralmente é formando por muitas cópias de uma ou duas proteínas que são codificadas no material genético do vírus. Cada molécula individual de proteína do capsídeo é chamada de capsômero.

Esquema de um vírus helicoidal mostrando o capsídeo em verde e o material genético em azul. Créditos a Anderson Brito.*
O vírus do mosaico do tabaco (Tobacco mosaic virus) que infecta pés de tabaco e outras plantas, possui um capsídeo helicoidal típico.

A maioria dos vírus possui um capsídeo helicoidal ou icosaédrico. Em um capsídeo helicoidal, os capsômeros são dispostos helicoidalmente e formam um tubo alongado e oco dentro do qual o material genético fica localizado. Em capsídeos icosaédricos, os capsômeros se arranjam para formar um icosaedro, isto é, um poliedro com 20 faces, que envolve o material genético.

Esquema de um vírus icosaédrico com um capsídeo icosaédrico (em verde) em volta do material genético (em vermelho). Créditos a Anderson Brito.*
Adenovírus são um exemplo de vírus com capsídeo icosaédrico. Foto de Graham Beards.**

Muitos vírus possuem uma camada adicional, o envelope, que envolve o capsídeo. O envelope é uma camada bilipídica atravessada por glicoproteínas, como as membranas celulares dos organismos vivos, e é formada pela membrana celular ou por uma membrana interna da célula em que o vírus nasceu. Ele é, portanto, muito similar à membrana celular do hospedeiro do vírus.

Esquema de um vírus icosaédrico envelopado. A camada bilipídica é mostrada em cinza e as glicoproteínas em laranja. Créditos a Anderson Brito.*

Considerando o tipo de ácido nucleico encontrado em vírus, eles podem ser classificados em três grupos principais: vírus de DNA, vírus de RNA e retrovírus.

Vírus de DNA possuem DNA como seu ácido nucleico. Quando eles infectam a célula, eles seguem até o núcleo, onde dependem inteiramente da maquinaria da célula para se reproduzirem, ou seja, eles usam a DNA-polimerase do hospedeiro para produzir novas cadeias de DNA e a RNA-polimerase do hospedeiro para construir RNA viral que será, por sua vez, convertido em proteínas do capsídeo usando os ribossomos da célula. Os vírus de DNA sofrem pouca mutação porque as enzimas DNA-polimerase possuem uma habilidade revisora, isto é, elas podem detectar erros durante a replicação e consertá-los. Vírus como Herpesvirus (que causam herpes e catapora), Poxvirus (que inclui o agora extinto vírus da Varíola) e Adenovirus são todos vírus de DNA.

Human alphaherpesvirus 3 (HHV-3) é um vírus de DNA icosaédrico e envelopado que causa catapora e herpes-zóster (cobreiro) em humanos.

Vírus de RNA, também chamados de ribovírus, por outro lado, possuem RNA como seu ácido nucleico. Quando eles infectam uma célula, geralmente permanecem no citoplasma. Diferente dos vírus de DNA, os vírus de RNA possuem sua própria RNA-polimerase e a usam para produzir novas cópias, mas ainda dependem dos ribossomos do hospedeiro para construir os capsídeos e fazer novas cópias da RNA-polimerase. Como enzimas RNA-polimerase não possuem a habilidade revisora das DNA-polimerases, vírus de RNA sofrem mutação rapidamente. Muitas doenças humanas são causadas por vírus de RNA, incluindo resfriado comum, gripe, ebola, febre amarela, dengue, zika, hepatite C, raiva, poliomielite, sarampo, bem como COVID-19, causada pelo atual coronavírus apocalíptico.

Yellow fever virus, o vírus da febre amarela, é um vírus de RNA icosaédrico e envelopado.

Retrovírus, o último tipo de vírus, possuem RNA como seu ácido nucleico. Contudo, diferente dos vírus de RNA, os retrovírus não produzem cópias novas diretamente de seu RNA usando uma RNA-polimerase. Em vez disso, eles possuem outro tipo de enzima, chamada transcriptase reversa, que constrói uma fita de DNA a partir do RNA. Esse DNA viral é então incorporado no DNA da célula hospedeira por uma enzima integrase. Retrovírus, portanto, mudam o genoma do hospedeiro, isto é, eles produzem um “híbrido” deles mesmos com o hospedeiro. A célula infectada então transcreve o DNA viral de volta em RNA, fazendo várias cópias e permitindo que o vírus se reproduza. Os retrovírus mais famosos a infectar humanos são o vírus da imunodeficiência humana (Human immunodeficiency virus, HIV) e o vírus da Hepatite B (Hepatitis B virus).

Human Imunodeficiency Virus 1 (HIV-1) é um retrovírus icosaédrico envelopado que causa AIDS em humanos.

Mas agora vamos nos focar na nossa atual celebridade, SARS-CoV-2, coloquialmente conhecido como o coronavírus. Este vírus, que está causando o apocalipse atual, é uma nova linhagem, descoberta no final de 2019, do coronavírus relacionado à síndrome respiratória aguda severa ((Severe acute respiratory syndrome-related coronavirus (SARSr-CoV)). O surto anterior de SARS entre 2002 e 2004 foi causado por outra linhagem desta mesma espécie, SARS-CoV, agora frequentemente referida como SARS-CoV-1. O vírus pertence ao gênero Betacoronavirus e à família Coronaviridae. Todos os membros da família Coronaviridae são frequentemente chamados de “coronavírus” e as espécies atualmente conhecidas infectam aves e mamíferos.

SARS-COV-2 com cores artificiais mostrando a “coroa” (em laranja) formada pelas glicoproteínas em forma de bastão do envelope.

Coronavírus são vírus de RNA, como mencionei acima, e possuem um capsídeo helicoidal, bem como um envelope. O envelope contém grandes glicoproteínas em forma de bastão que aparecem como projeções na superfície do vírus e, em micrografias eletrônicas, se parecem com a coroa solar, de onde o nome coronavirus (corona, coroa em latim). O envelope é construído a partir da membrana do retículo endoplasmático do hospedeiro e possui glicoproteínas de origem viral, incluindo as glicoproteínas em forma de bastão que caracterizam esses vírus.

A presença deste envelope em torno do capsídeo possui vantagens e desvantagens para os coronavírus e qualquer outro vírus envelopado. Como este envelope é basicamente um pedaço da célula hospedeira, vírus envelopados podem se esgueirar para dentro de hospedeiros novos mais facilmente porque o sistema imunológico leva algum tempo para reconhecê-los como invasores, visto que eles estão “em pele de hospedeiro”. Por outro lado, este envelope é muito frágil quando exposto ao ambiente externo e degrada muito rapidamente, de forma que o vírus precisa de contato próximo entre um hospedeiro infectado e um novo hospedeiro para se espalhar. Também é por isso que lavar as mãos com sabão mata o vírus tão facilmente. Se o vírus não estivesse envelopado, isto é, tivesse somente seu capsídeo, ele seria muito mais resistente.

As glicoproteína em forma de bastão do envelope viral também são responsáveis pela habilidade do vírus de infectar. Estas glicoproteínas se conectam à enzima conversora de angiotensina 2 (angiotensin-converting enzyme 2 (ACE2)), uma enzima que é encontrada na superfície de muitas células humanas. A ACE2 é especialmente abundante nos pulmões, sendo este o motivo pelo qual este é o órgão que mais sofre durante uma infecção de SARS-CoV.

Os principais gêneros dentro da família Coronaviridae são Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Gammacoronavirus e Deltacoronavirus. A maioria das espécies conhecidas de Alpha– e i infectam morcegos, então é provável que o ancestral desses gêneros fosse originalmente um vírus específico de morcegos que mais tarde mutou e adquiriu a habilidade de infectar outras espécies. Todos os coronavírus que infectam humanos pertencem a estes dois gêneros e incluem, além do SARS-CoV, também o MERS-CoV (que causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio) e vários vírus que causam sintomas brandos semelhantes a um resfriado, como HCoV-HKU1, HCoV-NL63 e HCoV-229E. Espécies de Gammacoronavirus infectam principalmente aves, mas ao menos uma espécie, Coronavirus HKU15, causa diarreia em porcos. O gênero Deltacoronavirus inclui o coronavírus aviário (Avian coronavirus (IBV)), que causa bronquite infecciosa em aves, e o coronavírus da beluga SW1 (Beluga whale coronavirus SW1), o único coronavírus conhecido que infecta um mamífero marinho.

Avian coronavirus. As glicoproteínas em forma de bastão são claramente visíveis no envelope.

O genoma dos coronavírus possui cerca de 30 mil nucleotídeos, sendo um dos maiores genomas entre vírus de RNA. O único vírus de RNA conhecido que possui um genoma maior, com cerca de 41 mil nucleotídeos, foi descoberto em 2018 e infecta… adivinha… planárias! Chamado de “nidovírus das células secretoras de planária” (Planarian secretory cell nidovirus (PSCNV)), ele pertence à ordem Nidovirales, que inclui os coronavírus e muitos outros vírus de RNA, mas parece ter se divergido da maioria dos membros de Nidovirales muito, muito tempo atrás. Talvez eu fale mais desse vírus específico e as implicações de sua descoberta numa postagem futura.

Vamos concluir esta postagem com uma rápida revisão do que aprendemos sobre SARS-CoV-2, o “coronavírus”:

  • Ele é um vírus de RNA, ou seja, possui grande potencial de mutação e é capaz de criar cópias de si mesmo no citoplasma do hospedeiro, sendo quase um vírus autossuficiente;
  • Ele possui um capsídeo helicoidal em torno do RNA;
  • Ele possui um envelope derivado da membrana do retículo endoplasmático do hospedeiro, que é a razão pela qual pode ser morto tão facilmente com água e sabão;
  • Este envelope inclui grandes glicoproteínas em forma de bastão que o fazem parecer uma coroa solar em micrografias eletrônicas, de onde o nome coronavirus;
  • Ele é um membro do gênero Betacoronavirus, que inclui várias espécies conhecidas por infectarem morcegos, e esta é a razão pela qual sua origem numa sopa de morcego chinesa é muito provável.

Espero que esta postagem tenha ajudado você a ver mais desse vírus do que apenas sua habilidade de colapsar sociedades humanas.

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Referências e leitura adicional:

Saberi A, Gulyaeva AA, Brubacher JL, Newmark PA, Gorbalenya AE (2018) A planarian nidovirus expands the limits of RNA genome size. PLoS Pathogens 14(11):e1007314. doi: 10.1371/journal.ppat.1007314

Wikipedia. DNA virus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/DNA_virus >. Acesso em 4 de abril de 2020.

Wikipedia. Retrovirus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Retrovirus >. Acesso em 4 de abril de 2020.

Wikipedia. RNA virus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/RNA_virus >. Acesso em 4 de abril de 2020.

Wikipedia. Virus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Virus >. Acesso em 4 de abril de 2020.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

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Novas Espécies: Março de 2020

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. Você pode ver a lista de periódicos científicos usados para o levantamento de novas espécies aqui.

Bactérias

Arqueias

SARs

Phoebe hekouensis é uma nova magnoliídea da China. Créditos a Liu et al. (2020).*

Plantas

Pinguicula rosmariae é uma nova planta carnívora do Peru. Créditos a Casper et al. (2020).*

Fungos

Ochraceocephala foeniculi é um novo fungo que ataca o funcho na Itália. Créditos a Aiello et al. (2020).*
Lyomyces cremeus é um novo fungo de madeira da China. Créditos a Chen & Zhao (2020).*

Poríferos

Chrysogorgia gracilis é um novo coral do Pacífico. Créditos a Xu et al. (2020).*

Cnidários

Platelmintos

Temnocephala ivandarioi é um novo temnocéfalo do caranguejo de água doce Valdivia serrata da Colômbia. Créditos a Lenis et al. (2020).*

Gastrotríquios

Rotíferos

Moluscos

Anelídeos

Briozoários

Nematódeos

Echiniscus masculinus é um novo tardígrado de Bornéu. Créditos a Gąsiorek et al. (2020).*

Tardígrados

Quelicerados

Parobisium motianense é um novo pseudoescorpião da China. Créditos a Feng et al. (2020).*

Miriápodes

Epimeria liui é um novo anfípode do pacífico. Créditos a Wang et al. (2020).*

Crustáceos

Chlidopnoptera roxanae é um novo louva-a-deus da República Centro-Africana. Créditos a Moulin (2020).*
Rustitermes boteroi é um novo cupim da América do Sul. Créditos a Castro et al. (2020).*

Hexápodes

Didymocorypha libaii é um novo louva-a-deus da China. Créditos a Wu & Liu (2020).*

Equinodermos

Cirripectes matatakaro é um novo blênio do Pacífico central. Créditos a Hoban & Williams (2020).*

Actinopterígios

Phrynobatrachus arcanus é uma nova rã criticamente ameaçada de Camarões. Créitos a Gvoždík et al. (2020).*

Anfíbios

Smaug swazicus é um novo lagarto do sul da África. Créditos a Bates & Stantley (2020).*

Répteis

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Arquivado em Sistemática, Taxonomia

Novas Espécies: Fevereiro de 2020

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. Você pode ver a lista de periódicos científicos usados para o levantamento de novas espécies aqui.

Bactérias

Teredinibacter waterburyi é uma nova bactéria endossimbionte das brânquias do molusco Bankia setacea. Extraído de Altamia et al. (2020).

SARs

Dilochia deleoniae é uma nova orquídea das FIlipinas, Créditos a Tandang et al. (2020).*

Plantas

Flor de Solanum hydroides, uma nova solanácea da Mata Atlântica brasileira. Créditos a Gouvêa et al. (2020).*

Fungos

Curvularia nanningensis é um novo fungo patogênico do capim-limão na China. Créitos a Zhang et al. (2020).*

Cnidários

Rotíferos

Platelmintos

Anelídeos

Craspedotropis gretathunbergae é um novo caracol de Brunei. Créditos a Schilthuizen et al. (2020).*

Moluscos

Haliella seisuimaruae é um novo caramujo que vive como parasita em ouriços-do-mar no Japão. Créditos a Takano et al. (2020).*

Briozoários

Nematódeos

Tardígrados

Macho (esquerda) e fêmea (direita) de Asianopis zhuanghaoyuni, uma nova aranha da China. Créditos a Lin et al. (2020).*

Aracnídeos

Eocuma orbiculatum é um novo cumáceo do Mar do Sul da Coreia. Créditos a Kim et al. (2020).*

Crustáceos

Lebbeus sokhobio é um novo camarão abissal do Mar de Okhotsk entre a Rússia e o Japão. Crédtos a Marin (2020).*
Phyllium nisus (esquerda) e Phyllium gardabagusi (direita) são dois novos bichos-folha da Indonésia. Créditos a Cumming et al. (2020).*

Hexápodes

Sporades jaechi é um novo besouro da Nova Caledônia. Créditos a Liebherr (2020).*
Oenopia shirkuhensis é uma nova joaninha do Irã. Créditos a Khormizi & Nedvěd (2020)*.

Equinodermos

Actinopterígios

Ammoglanis obliquus é um novo bagre do norte do Brasil. Créditos a Henschel et al. (2020).*

Anfíbios

Fêmea (esquerda) e macho (direita) de Nidirana guangdongensis, uma nova rã da China. Créditos a Lyu et al. (2020).*

Répteis

Opisthotropis hungtai é uma nova cobra da China. Créditos a Wang et al. (2020).*

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Novas Espécies: Janeiro de 2020

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. Você pode ver a lista de periódicos científicos usados para o levantamento de novas espécies aqui.

Bactérias

Campylobacter portucalensis é uma nova proteobactéria isolada da mucosa prepucial de um touro em Portugal. Créitos a Silva et al. (2020).*

Arqueias

SARs

Alseodaphnopsis maguanensis é uma nova laurácea da China. Créditos a Li et al. (2020).*
Colocasia kachinensis é uma nova arácea de Mianmar. Créditos a Zhou et al. (2020).*

Plantas

Bulbophyllum papuaense é uma nova orquídea da Papua. Créditos a Lin et al. (2020).*
Begonia chenii é uma nova begônia de Mianmar. Créditos a Maw et al. (2020).*

Fungos

Poríferos

Cnidários

Rotíferos

Platelmintos

Anelídeos

Moluscos

Briozoários

Nematódeos

Tardigrados

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Deuteraphorura muranensis é um novo rabo-de-mola cavernícola da Eslováquia. Créditos a Parimuchová et al. (2020).*
Vates phoenix é um novo louva-a-deus do Brasil. Créditos a Rivera et al. (2020).*

Hexápodes

Pseudolebinthus lunipterus é um novo grilo de Malavi. Créitos a Salazar et al. (2020).*

Actinopterígios

Enteromius yardiensis é um novo peixe da Etiópia. Créditos a Englmaier et al. (2020).*

Anfíbios

Nidirana yeae é uma nova rã musical da China. Créditos a Wei et al. (2020).*

Répteis

Gehyra arnhemica (esquerda) e Gehyra gemina (direita) são duas novas lagartixas da Austrália. Créditos a Oliver et al. (2020).*

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Novas Espécies: Dezembro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. Você pode ver a lista de periódicos científicos usados para o levantamento de novas espécies aqui.

Bacteria

Rhodopirellula heiligendammensis (Poly21), Rhodopirellula pilleata (Pla100), and Rhodopirellula solitaria (CA85) são três novos planctomicetos. Créitos a Kallscheuer et al. (2019).

SARs

Linum aksehirense é uma nova espécie de linho da Turquia. Créditos a Tugay & Ulukuş (2019).*

Plantas

Zahora ait-atta é um novo primo do repolho do Marrocos. Créditos a Koch & Lemmel (2019).*

Fungos

Aureoboletus glutinosus é um novo cogumelo da China. Créditos a Zhang et al. (2019).*

Cnidários

Platelmintos

Moluscos

Sinorachis baihu é um novo caracol da China. Créditos a Wu et al. (2019).*

Anelídeos

Sigambra olivai é um novo poliqueto do Caribe. Créditos a Salazar-Vallejo et al. (2019).*

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Nebalia tagiri é um novo leptostraco do Japão. Créitos a Hirata et al. (2019).*

Hexápodes

Cabeça de Amblycheila katzi, um novo besouro-tigre dos EUA. Créditos a Duran & Roman (2019).*

Equinodermos

Holothuria viridiaurantia é um novo pepino-do-mar do Pacífico. Créditos a Borrero-Pérez & Vanegas-González (2019).*

Actinopterígios

Anfíbios

Répteis

Liolaemus tajzara é um novo lagarto da Bolívia. Créditos a Abdala et al. (2019).*

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