Arquivo da categoria: Sistemática

Novas Espécies: Junho de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Dysosmobacter welbionis é uma nova bactéria isolada de fezes humanas. Créditos a Le Roy et al. (2019).*

Arqueias

SARs

Solanum plastisexum é um novo tomate selvagem da Austália. Créditos a McDonnell et al. (2019).*
Impatiens jenjittikulia é uma nova planta com flores da Tailândia. Créditos a Ruchisansakun & Suksathan (2019).*

Plantas

Oreocharis odontopetala é uma nova planta com flores da China. Créditos a Fu e al. (2019).*
Dysosma villosa é outra nova planta com flor da China. Créditos a Wang et al. (2019).*

Fungos

Octospora conidophora é um novo ascomiceto da África do Sul. Créditos a Sochorová et al. (2019).*
Amanita bweyeyensis é um novo cogumelo da África. Créditos a Fraiture et al. (2019).*
Cacaoporus tenebrosus é um novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Vadthanarat et al. (2019).*
Erythrophylloporus paucicarpus é outro novo cogumelo da Tailândia. Créditos a Vadthanarat et al. (2019).*

Poríferos

Cnidários

Platelmintos

Acanthobothrium vidali é uma nova tênia do intestino da raia elétrica gigante no México. Créditos a Zaragoza-Tapia et al. (2019).*

Rotiferans

Bryozoans

Brachiopods

Mollusks

Annelids

Kinorhynchs

Nematodes

Fêmea (esquerda) e macho (direita) de Platythomisus xiandao, uma nova aranha da China. Créditos a Lin et al. (2019).

Aracnídeos

Myriapods

Cristimenes brucei é um novo camarão da Coreia. Créditos a Park et al. (2019).*

Crustáceos

Rhabdoblatta ecarinata é uma nova barata da China. Créditos a Yang et al. (2019).*

Hexápodes

Lochmaea tsoui é um novo besouro de Taiwan. Créditos a Lee (2019).*
Hyphantrophaga calixtomoragai é uma nova mosca da Costa Rica. Créditos a Fleming et al. (2019).*

Condrícties

Actinopterígios

Gracixalus yunnanensis é uma nova rã da China. Créditos a Yu et al. (2019).*

Anfíbios

Megophrys nankunensis (macho à esquerda, fêmea à direita) é outra nova rã da China. Créditos a Wang et al. (2019). *
Fêmea (à esquerda) e macho (à direita) de Pristimantis andinogigas, uma nova rã do Equador. Créditos a Yánez-Muñoz et al. (2019).*
Micryletta aishani é uma nova rã da Índia. Crédito a Das et al. (2019).*

Répteis

Mamíferos

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 4.0 Internacional.

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Novas Espécies: Maio de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Hacróbios

SARs

Plantas

Mitrephora monocarpa é uma nova planta com flores da Tailândia. Créditos a Saunders & Chalermglin (2019).*
Fordiophyton jinpingense é uma nova planta com flores da China. Créditos a Dai et al. (2019).*

Excavados

Lepraria cryptovouauxii é um novo líquen da Bolívia. Créditos a Guzow-Krzemińska et al. (2019).*

Fungos

Leifia brevispora é um novo fungo basidiomiceto da China. Créditos a Liu et al. (2019).*
Phylloporus rimosus (acima) e P. quercophilus (abaixo), duas novas espécies de cogumelo da China. Créditos a Montoya et al. (2019).*

Esponjas

Platelmintos

Rotíferos

Briozoários

Entoproctos

Nemertinos

Okenia problematica é uma nova lesma marinha do Mediterrâneo. Créditos a Pola et al. (2019).*

Moluscos

Laocaia simovi é uma nova semilesma do Vietnã. Créditos a Dedov et al. (2019).*

Anelídeos

Nematódeos

Tardígrados

Aracnídeos

Agorioides cherubino é uma nova aranha imitadora de formiga da Papua-Nova Guiné. Créditos a Maddison & Szűts (2019).*

Miriápodes

Bestiolina sarae é um novo copépode das águas do Pacífico da Colômbia. Créditos a Dorado-Roncancio et al. (2019).*

Crustáceos

Hexápodes

Bolbochromus setosifrons é um novo besouro das Filipinas. Créditos a Li et al. (2019).*
Philoplitis trifoveatus é uma nova vespa parasitoide da Índia. Créditos a Ranjith et al. (2019).*
Lactura nalli é uma nova mariposa dos Estados Unidos. Créditos a Matson et al. (2019).*

Equinodermos

Condrícties

Actinopterígios

Anfíbios

Limnonectes savan é uma nova rã do sudeste da Ásia. Créditos a Phimmachak et al. (2019).*

Répteis

Elaphe urartica é uma nova serpente da Europa Oriental. Créditos a Jablonski et al. (2019).*
Stenocercus canastra é um novo lagarto do Brasil. Créditos a Avila-Pires et al. (2019).*

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Novas Espécies: Abril de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Árqueos

SARs

Plantas

Nasa angeldiazoides é uma nova angiosperma do Peru. Créditos a Henning et al. (2019).*

Excavados

Rossbeevera griseobrunnea é um novo basidiomiceto da China. Créditos a Hosen et al. (2019).*

Fungos

Dermea chinensis é um novo ascomiceto da China. Créditos a Jiang & Tian (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Microstomum schultei é um novo platelminto da Itália. Créditos a Atherton & Jondelius (2019).*

Rotíferos

Aethozooides uraniae é um novo briozoário do Mediterrâneo. Créditos a Schwaha et al. (2019).*

Briozoários

Anelídeos

Madrella amphora (a-d) e Janolus tricellarioides (e-h) são duas novas lesmas marinhas da Nova Guiné e das Filipinas, respectivamente. Créditos a Pola et al. (2019).*

Moluscos

Quinorrincos

Arpocelinus itecrii é um novo nematódeo da Costa Rica. Créditos a Peña-Santiago & Varela-Benavides (2019).

Nematódeos

Tardígrados

Phintelloides brunne (A-D) e Phintelloides flavoviri (E,F) são duas novas aranhas-saltadoras do sul da Ásia. Créditos a Kanesharatnam & Benjamin (2019).*

Quelicerados


Cryptocorypha enghoffi é um novo piolho-de-cobra da Tailândia. Créditos a Likhitrakarn et al. (2019).*

Miriápodes

Vinaphilus unicus é uma nova centopeia do sudeste da Ásia. Créditos a Tran et al. (2019).*

Crustáceos

O gênero de besouros Hexanchorus cresceu com quatro novas espécies do Equador. Créditos a Linský et al. (2019).*

Hexápodes

Condrícties

Prognathodes geminus é um novo peixe-borboleta de Palau. Créditos a Copus et al. (2019).*

Actinopterígios

Noblella thiuni é uma nova rã do Peru. Créditos a Catenazzi & Ttito (2019).*

Anfíbios

Répteis

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Novas Espécies: Março de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Liparis napoensis é uma nova orquídea da China. Créditos a Li et al. (2019).*

Plantas

Microchiritia hairulii é uma nova angiosperma da Malásia. Créditos a Rahman (2019).*

Excavados

Neoboletus antillanus é um novo cogumelo da República Dominicana. Créditos aGelardi et al. (2019).*

Fungos

Biatora alnetorum é um novo líquen da América do Norte. Créditos aEkman & Tønsberg (2019).*

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Rotíferos

Anelídeos

Moluscos

Nematódeos

Quelicerados

Arrup akiyoshiensis é uma nova centopeia do Japão. Créditos a Tsukamoto et al. (2019)*

Miriápodes

Antheromorpha nguyeni é um novo piolho de cobra do Vietnã. Créditos aLikhitrakarn et al. (2019).*

Crustáceos

Hexápodes

Equinodermos

Tunicados

Actinopterígeos

Anfíbios

Austrobatrachus kurichiyana, uma nova rã da Índia. Créditos a Vijayakumar et al. (2019).*

Répteis e Aves

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Peixes-Bruxas: Outra Dor de Cabeça Filogenética

por Piter Kehoma Boll

Anos atrás, fiz uma postagem sobre os problemáticos Acoelomorpha e sua posição controversa entre animais bilaterais. Agora vou falar sobre outra dor de cabeça: peixes-bruxas.

Os peixes-bruxas são cordados primitivos que compõem a classe Myxini. Eles são animais marinhos que vivem no fundo do mar e se alimentam principalmente de vermes poliquetos que puxam para fora do substrato. Contudo eles também são carniceiros e possuem um comportamento peculiar no qual perfuram o corpo de peixes mortos e entram nele, comendo o animal morto de dentro para fora.

Espécime do peixe-bruxa-do-Pacífico Eptatretus stoutii. Foto de Jeanette Bham.*

Morfologicamente, peixes-bruxas são caracterizados pela presença de um crânio cartilaginoso, como vertebrados, mas não possuem uma coluna vertebral, mantendo a notocorda, a estrutura dorsal de material parecido com cartilagem, durante a vida toda. Devido a esta falta de vértebras, os peixes-bruxas eram classificados fora dos vertebrados, mas unidos a eles pela presença do crânio. Assim, Myxini era visto como o grupo irmão de Vertebrata e os dois juntos formavam o clado Craniata.

Entre os vertebrados, a maioria dos grupos atuais possui uma mandíbula que evoluiu de arcos branquiais modificados, compondo o clado Gnathostomata. Os únicos animais com uma coluna vertebral que não possuem mandíbulas são as lampreias (Petromyzontiformes) e, apesar de esta falta de mandíbulas ser compartilhada com peixes-bruxas, ela não é geralmente vista como uma sinapomorfia unindo estes grupos. Em peixes-bruxas, a boca sem mandíbula possui placas laterais de queratina com estruturas em forma de dente que agem mais ou menos como as mandíbulas verdadeiras de Gnathostomata, mas trabalhando a partir dos lados e não de cima e de baixo. Em lampreias, por outro lado, a boca é circular e possui estruturas de queratina em forma de dente arranjadas circularmente.

Organização geral da cabeça de peixes-bruxas, lampreias e vertebrados de mandíbula, com atenção especial às bocas. Extraído de Oisi et al. (2012).

Há muitas características morfológicas que unem lampreias a vertebrados e as separam de peixes-bruxas, a principal sendo a já mencionada coluna vertebral. Similarmente, lampreias e vertebrados de mandíbula possuem nadadeiras dorsais enquanto peixes-bruxas não as possuem. Lampreias também possuem olhos com lentes em comum com vertebrados de mandíbula, enquanto lampreias possuem ocelos simples sem lentes ou mesmo músculos associados.

Alguns dos traços compartilhados entre peixes-bruxas e lampreias, assim como a falta de mandíbulas, são geralmente vistos como um estado primitivo que mudou em vertebrados de mandíbula, ou claramente evoluíram de forma independente. Por exemplo, tanto peixes-bruxas quanto lampreias possuem apenas uma narina, enquanto vertebrados de mandíbula possuem duas, mas isto provavelmente é uma característica primitiva. Peixes-bruxas e lampreias adultos também possuem uma só gônada, mas ela aparece em peixes-bruxas pela atrofia da gônada esquerda, de forma que somente a direita se desenvolve, enquanto em lampreias as gônadas esquerda e direita se fundem em um órgão único.

Espécimes da lampreia-de-riacho-menor, Lampetra aepyptera. Foto de Jerry Reynolds.*

Portanto, morfologicamente, parece lógico considerar peixes-bruxas como grupo irmão de vertebrados, que inclui lampreias e vertebrados de mandíbula. Também é importante mencionar que há mais grupos de vertebrados sem mandíbula que estão atualmente extintos, como a classe Osteostraci, um dos vários grupos fósseis tradicionalmente chamados de ostracodermos. Apesar de também não possuírem uma mandíbula, estes vertebrados possuíam nadadeiras pares como vertebrados de mandíbula. Assim, a organização filogenética destes principais grupos com base na morfologia seria como mostrada na figura abaixo:

A hipótise dos craniados, onde peixes-bruxas são grupo irmão de vertebrados.

Contudo, nas últimas décadas, o uso de filogenia molecular desafiou esta visão ao agrupar peixes-bruxas e lampreias em um clado monofilético que é grupo irmão dos vertebrados de mandíbula. Mas como isso poderia ser possível? Tal relação implicaria que o estado primitivo dos peixes-bruxas é o resultado de perdas secundárias.

A hipótese dos ciclostomados. Peixes-bruxas são grupo irmão de lampreias.

Evidências de fósseis poderiam ajudar a esclarecer este assunto, mas a maioria dos fósseis que foram associados a peixes-bruxas não possuem caracteres morfológicos preservados que sejam bons o bastante para determinar sua correta posição filogenética. Recentemente, no entanto, um fóssil bem preservado de um peixe-bruxa do Cretáceo ajudou a elucidar parte da filogenia dos peixes-bruxas. A divergência entre lampreias e peixes-bruxas, considerando conhecimento prévio, era geralmente posicionada perto do início do período Cambriano, logo após o começo da divergência da maioria dos filos animais, mas com dados do novo fóssil, é empurrada para um ponto mais recente no tempo, pelo começo do Siluriano, mais de 130 milhões de anos depois. Este novo fóssil, chamado de Tethymyxine tapirostrum, claramente não possui esqueleto ou nadadeiras dorsais como vistos em lampreias e vertebrados de mandíbula, mas possui várias características compartilhadas com peixes-bruxas modernos.

Pelo menos duas sinapomorfias podem ser encontradas unindo peixes-bruxas e lampreias e separando-as de vertebrados de mandíbula. A primeira são os dentes, que nestes dois grupos são compostos de placas de queratina. O segundo é a organização dos miômeros, a série de músculos arranjados ao longo do corpo de cordados de forma um tanto segmentada, que tanto em peixes-bruxas quanto em lampreias começam bem ao redor dos olhos.

Considerando as evidências de dados moleculares, o novo fóssil que torna provável que peixes-bruxas e lampreias divergiram mais recentemente se são um grupo monofilético, e as prováveis sinapomorfias verdadeiras unindo estes dois grupo de vertebrados sem mandíbula, parece que peixes-bruxas e lampreias são de fato grupos irmãos, formando um clado chamado Cyclostomata e grupo irmão dos vertebrados de mandíbula, Gnathostomata. Se este é mesmo o caso, então as características aparentemente mais primitivas de peixes-bruxas são de fato o resultado de perdas secundárias e seu ancestral provavelmente possuía uma aparência mais vertebrada, com uma coluna vertebral, nadadeiras dorsais e olhos com lentes.

Mas vamos continuar de olho. As coisas podem mudar de novo no futuro conforme novos dados se tornam disponíveis.

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Referências:

Miyashita T, Coates MI, Farrar R, Larson P, Manning PL, Wogelius RA, Edwards NP, Anné J, Bergmann U, Palmer AR, Currie PJ (2019) Hagfish from the Cretaceous Tethys Sea and a reconciliation of the morphological–molecular conflict in early vertebrate phylogeny. PNAS 116(6): 2146–2151. doi: 10.1073/pnas.1814794116

Oisi Y, Ota KG, Kuraku S, Fujimoto S, Kuratani S (2012) Craniofacial development of hagfishes and the evolution of vertebrates. Nature 493: 175–180. doi: 10.1038/nature11794

Wikipedia. Cyclostomata. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Cyclostomata >. Acesso em 25 de março de 2019.

Wikipedia. Hagfish. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Hagfish >. Acesso em 25 de março de 2019.

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

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Novas Espécies: Fevereiro de 2019

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas este mês. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maioria das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Mycological Progress, Journal of Eukaryotic Biology, International Journal of Systematic and Evolutionary Biology, Systematic and Applied Microbiology, Zoological Journal of the Linnean Society, PeerJ, Journal of Natural History e PLoS One, além de vários jornais restritos a certos táxons.

Bactérias

Arqueias

SARs

Senyuia granitica é uma nova angiosperma da Malásia. Créditos a Kiew & Lau, 2019.*

Plantas

Amoebozoários

Tuber pulchrosporum é uma nova trufa dos Bálcãs. Créditos a Polemis et al., 2019.*

Fungos

Tremella cheejenii (A), T. erythrina (B) e T. salmonea (C) são três novos basidiomicetos da China. Créditos a Zhao et al., 2019.*

Coanoflagelados

Esponjas

Neopetrosia sigmafera é uma nova esponja do Caribe. Créditos a Vicente et al., 2019.*

Cnidários

Platelmintos

Acantocéfalos

Vermatus biperforatus é um novo gastrópode séssil com um incomum domo de dois furos cobrindo a abertura da concha. Créditos a Bieler et al., 2019.*

Moluscos

Anelídeos

Quinorrincos

Nematódeos

Aracnídeos

Miriápodes

Solinca aulix é um novo caranguejo do Equador e do Peru. Créditos a Colavite et al., 2019.*

Crustáceos

Coecobrya sirindhornae, um novo rabo-de-mola de caverna da Tailândia. Créditos a Jantarit et al., 2019.*

Hexápodes

Oxynoemacheilus cemali, um novo peixe da Turquia. Créditos a Turan et al., 2019.

Peixes de nadadeiras rajadas

Phrynobactrachus bibita é uma nova rã da Etiópia. Créditos a Goutte et al. 2019.*

Anfíbios

Pelodiscus variegatus é uma nova tartaruga da Indochina. Créditos a Farkas et al., 2019.*

Répteis

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A história da Sistemática: O sistema de Brisson

por Piter Kehoma Boll

Anteriormente vimos que Linnaeus classificou os animais em 6 classes: Mammalia, Aves, Amphibia, Pisces, Insecta e Vermes e manteve esse sistema em edições futuras do Systema Naturae. Ao mesmo tempo que Linnaeus publicava sua décima edição do Systema Naturae, que é o primeiro trabalho a usar nomenclatura binomial para animais, Brisson, um zoólogo francês, estava criando seu próprio sistema de classificação.

Brisson decidiu classificar os animais em 9 classes: Quadrupeda, Cetacea, Aves, Reptilia, Pisces cartilaginosi, Pisces proprie dicti, Insecta, Crustacea e Vermes. Ele descreve as características dos animais em cada classe em sua obra “Regnum animale in classes IX. Distributum sive synopsis methodica”.

Classe 1. Quadrupeda: corpo peludo, ao menos em algumas áreas, e quatro patas.

Classe 2. Cetacea: corpo nu e alongado, nadadeiras carnosas, cauda horizontal achatada.

Classe 3. Aves: corpo coberto de penas, bico córneo, duas asas, duas patas.

Classe 4. Reptilia: ou corpo nu e quatro patas, ou corpo escamoso com quatro ou sem patas, e respirando por pulmões.

Classe 5. Pisces cartilaginei: nadadeiras cartilaginosas e respirando através de aberturas para brânquias nuas.

Classe 6. Pisces proprie dicti: nadadeiras formadas de pequenos ossos e respirando por brânquias cobertas por uma cobertura móvel e parcialmente ossificada.

Classe 7. Crustacea: cabeça equipada com antenas e oito ou mais patas.

Classe 8. Insecta: antes da última metamorfose, com vários estigmas ou órgãos respiratórios; depois da última metamorfose, cabeça com antenas e seis patas.

Classe 9. Vermes: o corpo, ou ao menos parte dele, retrátil, sem antenas, pés ou estigmas.

No mesmo trabalho, ele descreve em detalhes as duas primeiras classes. A classe Aves é descrita em um trabalho separado, “Ornithologia, sive, synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates”, mas as classes restantes nunca foram apresentadas, então vou ter que lidar só com essas três.

Classe 1. Quadrupeda

Esta classe é composta por todos os mamíferos conhecidos na época, exceto as baleias, que estavam na classe seguinte, Cetacea. Brisson dividiu os quadrúpedes em 18 ordens, mas não deu nomes a elas, apenas descrevendo-as baseado no número de dentes e no tipo de unha. Linnaeus usou a dentição como a característica principal para a classificação dos mamíferos, mas usou critérios diferentes.

Classe 2. Cetacea

Esta classe era composta pelos cetáceos e era dividida em 4 ordens, cada uma com só um gênero. As ordens eram baseadas na (aparente) distribuição dos dentes.

Na imagem a seguir você pode ver a classificação de Quadrupeda e Cetacea e sua comparação com o sistema de 1767 de Linnaeus.

Comparação dos sistemas de Linnaeus e Brisson para mamíferos. Astericos indicam gêneros que ainda são válidos hoje e foram criados pelos respectivos autores. Um † indica um gênero que não é mais válido.

Algumas curiosidades quando comparamos os mamíferos nos dois sistemas:

1. O gênero Trichechus de Linnaeus incluía peixes-boi e morsas. Brisson classificou as morsas num gênero separado, Odobenus, mas incluiu os peixes-boi no gênero Phoca, junto com as focas e os leões-marinhos!

2. Linnaeus incluiu doninhas e lontras no gênero Mustela e civetas no gênero Viverra. Brisson, por outro lado, pôs civetas no gênero Mustela, junto com as doninhas, e pôs as lontras num gênero separado, Lutra.

3. Enquanto Linnaeus pôs hienas com cães no gênero Canis e texugos com os ursos no gênero Ursus, Brisson tinha gêneros separados para hienas e texugos, chamados Hyaena e Meles.

4. Brisson pôs camundongos e ratos no gênero Mus, arganazes no gênero Glis e roedores sul-americanos de rabo curto, como cobaias e pacas, no gênero Cuniculus. Linnaeus tinha todos em Mus.

5. Brisson separou girafas no seu próprio gênero, Giraffa, enquanto Linnaeus as classificou no gênero Cervus junto com os veados.

Classe 3. Aves

A classificação de Brisson das aves era muito diferente da de Linnaeus. Havia muito mais ordens e gêneros. De fato, alguns gêneros usados por Linnaeus em 1767 foram criados por Brisson. Veja abaixo como é complexa a relação de um sistema para o outro:

Comparação da classificação de aves de Linnaeus e Brisson. Veja a enorme diferença entre os dois sistemas. Asteriscos indicam gêneros que ainda são válidos hoje e foram criados pelos respectivos autores. Um † indica que o gênero não é mais válido.

Infelizmente, Brisson nunca publicou sua classificação dos outros animais, então precisamos seguir para os próximos autores nas postagens seguintes.

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Referências:

Brisson M-J (1762). Regnum animale in classes IX. Distributum, sive, Synopsis methodica. Lugduni Batavorum apud Theodorum, Haak. 316 pp.

Brisson M-J (1763a). Ornithologia, sive, synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates. Apud Theodorum Haak, Lugduni Batavorum : 534 pp.

Brisson M-J (1763b). Ornithologia, sive, Synopsis methodica sistens avium divisionem in ordines, sectiones, genera, species, ipsarumque varietates. Apud Theodorum Haak, Lugduni Batavorum : 542 pp.

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