Arquivo da categoria: Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Acroqueta-operculada

por Piter Kehoma Boll

Semana passada apresentei uma alga vermelha, o musgo-irlandês. Hoje estou trazendo outra alga, desta vez uma verde, mas essa não é uma alga verde comum, mas sim uma parasita do musgo-irlandês! Então vamos falar sobre Acrochaete operculata, ou a acroqueta-operculada, como eu decidi chamá-la em português, visto que obviamente não haveria um nome comum para uma alga que parasita outra alga.

Descoberta e nomeada em 1988, a acroqueta-operculada é um parasita exclusivo de Chondrus crispus. A infecção ocorre quando zoósporos flagelados do parasita se depositam na parede celular externa do musgo-irlandês, onde começam seu desenvolvimento e digerem a parede celular, penetrando os tecidos do hospedeiro. Em esporófitos do musgo-irlandês, a acroqueta-operculada digere a matriz intercelular e se espalha pela fronde, enquanto em gametófitos as infecções permanecem localizadas, formando pápulas. Os danos causados pela alga verde levam a infecções secundárias por outros organismos, especialmente bactérias, e as frondes infectadas acabam se despedaçando, completamente degradadas.

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Uma fronde do hospedeiro (Chondrus crispus) à esquerda e a parasita Acrochaete operculata que infecta seus tecidos à direita. Foto extraída de chemgeo.uni-jena.de

Como mencionado semana passada, os esporófitos e os gametófitos do musgo-irlandês possuem diferentes formas do polissacarídeo carragenina e essa parece ser a razão por que o parasita infecta ambos diferentemente. Os esporófitos possuem lambda-carragenina, a qual parece aumentar a virulência do parasita, enquanto a kappa-carragenina do gametófito parece limitar a dispersão da alga verde.

Desde sua descoberta, a acroqueta-operculada e sua interação com o musgo-irlandês foram estudadas tanto como uma forma de reduzir os danos em cultivos da alga vermelha quanto como um modelo para entender a relação de plantas e seus patógenos.

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Referências:

Bouarab, K.; Potin, P.; Weinberger, F.; Correa, J.; Kloareg, B. (2001) The Chondrus crispus-Acrochaete operculata host-pathogen association, a novel model in glycobiology and applied phycopathology. Journal of Applied Phycology 13(2): 185-193.

Correa, J. A.; McLachlan, J. L. (1993) Endophytic algae of Chondrus crispus (Rhodophyta). V. Fine structure of the infection by Acrochaete operculata (Chlorophyta). European Journal of Phycology 29(1): 33–47. http://dx.doi.org/10.1080/09670269400650461

Correa, J. A.; Nielsen, R.; Grund, D. W. (1988) Endophytic algae of Chondrus crispus (Rhodophyta). II. Acrochaete heteroclada sp. nov., A. operculata sp. nov., and Phaeophila dendroides (Chlorophyta). Journal of Phycology 24: 528–539. http://dx.doi.org/10.1111/j.1529-8817.1988.tb04258.x

 

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Sexta Selvagem: Musgo-Irlandês

por Piter Kehoma Boll

Crescendo abundantemente ao longo das costas do Atlântico Norte, nosso novo integrante da Sexta Selvagem é uma alga vermelha cartilaginosa conhecida comumente como musgo-irlandês e cientificamente como Chondrus crispus, que significa algo como “cartilagem crespa”.

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O musgo-irlandês geralmente aparece como uma massa de alga crespa macia e cartilaginosa com um tom vermelho ou roxo. Foto do usuário Kontos do Wikimedia.*

Atingindo cerca de 20 cm de comprimento, o musgo-irlandês fica preso ao substrato por uma base discoide e seu talo ramifica dicotomicamente quatro ou cinco vezes. A largura dos ramos pode variar de cerca de 2 a 15 mm e a cor varia ainda mais, indo de verde ou amarelado a vermelho escuro, roxo, marrom ou mesmo branco. Como com outras plantas, o musgo-irlandês tem uma forma gametófita (haploide) e uma esporófita (diploide). Os gametófitos tem uma iridescência azul (como visto na foto acima), enquanto os esporófitos possuem um padrão com pontos (também visto acima).

O musgo-irlandês é comestível e relativamente bem conhecido entre as comunidades vivendo onde ele cresce. Na Irlanda e na Escócia, ele é cozido com leite e adoçado para produzir um produto parecido com gelatina. A aparência cartilaginosa ou gelatinosa dessa alga e seus derivados é devido à presença de grandes concentrações de carragenina, um polissacarídeo que é amplamente usado na indústria alimentícia como agente engrossador e estabilizador e como uma alternativa vegana à gelatina.

Devido à sua importância econômica, o musgo-irlandês é cultivado em tanques para a extração de carragenina e outros produtos. Tanto o gametófito quanto o esporófito produzem carrageninas de tipos diferentes que podem ser usadas para diferentes propósitos.

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Referências:

Chen, L. C.-M.; McLachlan, J. (1972) The life history of Chondrus crispus in culture. Canadian Journal of Botany 50(5): 1055–1060. http://doi.org/10.1139/b72-129

McCandless, E. L.; Craigie, J. S.; Walter, J. A. (1973) Carrageenans in the gametophytic and sporophytic stages of Chondrus crispus. Planta 112(3): 201–212.

Wikipedia. Chondrus crispus. Disponivel em < https://en.wikipedia.org/wiki/Chondrus_crispus >. Acesso em 1 de agosto de 2017.

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Sexta Selvagem: Levedo-de-cerveja

por Piter Kehoma Boll

Vivendo ao lado dos humanos por séculos, a espécie da Sexta Selvagem de hoje é certamente um dos fungos mais amados. Cientificamente conhecido como Saccharomyces cerevisiae, seus nomes comuns em português incluem levedo-de-cerveja, fermento-de-pão ou simplesmente levedo.

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Saccharomyces cerevisiae sob o microscópio eletrônico de varredura. Foto de Mogana das Murtey e Patchamuthu Ramasamy.*

Sob o microscópio, as células desta espécie unicelular são elipsoides ou esféricas e geralmente mostram pequenos brotos dos quais novas células crescem a partir das maiores. Mas você pode ter visto essa espécie sendo vendida como tabletes ou grãos no supermercado, visto que eles são usados para fazer pão e muitas bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja, mas o levedo-de-cerveja é muito mais interessante do que só isso.

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Grãos de levedo-de-cerveja seco, mas ainda vivo, da forma como é vendido comercialmente.

As células do levedo-de-cerveja ocorrem naturalmente em frutas maduras, tal como uvas, e essa foi provavelmente a fonte original das linhagens atualmente cultivadas por humanos. O levedo atinge os frutos através de várias espécies de vespas que o têm crescendo em seus intestinos, um ambiente ideal para a reprodução sexual desse fungo.

Como é facilmente cultivado em laboratório e tem um tempo de geração curto, o levedo-de-cerveja se tornou um dos organismos-modelo mais importantes em estudos biológicos atuais. Ele foi, de fato, o primeiro organismo eucarionte a ter o genoma inteiro sequenciado mais de 20 anos atrás.

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Saccharomyces cerevisiae crescendo em ágar sólido no laboratório. Foto de Conor Lawless.**

Mais do que nos dar alimento e bebidas, este levedo extraordinário aumentou nosso conhecimento de expressão gênica, reparo de DNA e envelhecimento, entre muitas outras coisas. Vida longa ao levedo!

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Referências:

Giaever, G.; Chu, A. M.; Ni, L.; Connelly, C. et al. (2002) Functional profiling of the Saccharomyces cerevisiaegenome. Nature 418 (6896): 387-391.

Herskowitz, I. (1988) Life cycle of the budding yeast Saccharomyces cerevisiae. Microbiological Reviews 52 (4): 536-553.

Wikipedia. Saccharomyces cerevisiae. Available at . Access on July 25, 2017.

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Sexta Selvagem: Arqueia-Quadrada-de-Walsby

por Piter Kehoma Boll

Depois de mais de cem Sextas Selvagens, há um grupo ainda sem representantes aqui: as arqueias. Mas isso vai mudar hoje com a apresentação de nossa primeira arqueia, e ela é sem dúvida uma espécie muito interessante.

Cientificamente conhecida como Haloquadratum walsbyi, ela é às vezes chamada de arqueia-quadrada-de-Walsby e, como o nome sugere, tem um formato quadrado incomum.

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Um desenho mostrando um conjunto de quatro células da arqueia-quadrada-de-Walsby.

Essa interessante arqueia foi descoberta em 1980 por Anthony Edward Walsby em lagos salinos da Península do Sinai. Posteriormente ela foi encontrada em vários outros lagos com altas concentrações de sal pelo mundo e foi cultivada em laboratório pela primeira vez em 2004, mas só em 2007 foi formalmente descrita e recebeu sua nomenclatura binomial.

As células quadradas da arqueia-quadrada-de-Walsby são muito finas, com cerca de 0.2 µm de espessura, e medem cerca de 2 µm de cada lado. Elas crescem bem lentamente, formando uma fina camada sobre uma superfície, tendo a maior camada já registrada medido 40 × 40 µm. Se as condições de crescimento não são ideias, as células deterioram em uma forma achatada irregularmente quadrada ou sem forma definida nenhuma.

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Fotografias de células de Haloquadratum walsbyi mostrando os vacúolos em forma de cristal. Imagem extraída de Burns et al. (2007).

Dentro das células, a arqueia-quadrada-de-Walsby possui pequenas vesículas de gás que se parecem com pequenos cristais. Elas ajudam a célula a permanecer na superfície da água muito salgada em que vivem. De forma a sobreviver, essa arqueia precisa de água com concentrações de sal de pelo menos 14%, mas as condições se tornam ideias somente acima de 23%.

Apesar de conhecermos coisas interessantes sobre essa espécie, ainda há muito para aprender. Quem sabe quais mistérios essa criaturinha quadrada está escondendo de nós?

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Referências:

Bolhuis, H.; Poele, E. M. t.; Rodriguez-Valera, F. (2004) Isolation and cultivation of Walsby’s square archaeonEnvironmental Microbiology 6(12): 1287–1291.

Burns, D. G.; Janssen, P. H.; Itoh, T.; Kamekura, M.; Li, Z.; Jensen, G.; Rodríguez-Valera, F.; Bolhuis, H.; Dyall-Smith, M. L. (2007) Haloquadratum walsbyi gen. nov., sp. nov., the square haloarchaeon of Walsby, isolated from saltern crystallizers in Australia and SpainInternational Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology57: 387–392.

 

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Sexta Selvagem: Ameba-Gigante

por Piter Kehoma Boll

O adjetivo “gigante” pode ser bem relativo. Em relação a microrganismos, mesmo algo com poucos milímetros pode ser considerado um gigante, e esse é o caso com a ameba-gigante Chaos carolinense (às vezes erroneamente grafado como Chaos carolinensis).

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Uma bagunça caótica como toda boa ameba. Foto de Tsukii Yuuji.

Medindo até 5 mm de comprimento, a ameba-gigante é um organismo de água doce que é facilmente visto a olho nu e, visto que também é facilmente cultivado no laboratório, se tornou amplamente usado em estudos de laboratório.

Assim como acontece com as amebas em geral, a ameba-gigante tem uma célula irregular com vários pseudópodes que podem se contrair e expandir. A célula tem centenas de núcleos, como é comum com espécies do gênero Chaos, sendo esta a principal diferença entre elas e o gênero Amoeba, que é proximamente relacionado.

A dieta da ameba-gigante é variável e inclui bactérias, algas, protozoários e até alguns animais pequenos. No laboratório, elas geralmente são alimentadas com ciliados do gênero Paramecium.

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Um espécie de Chaos carolinense se alimentando de vários indivíduos de Paramecium. Foto de Carolina Biological Supply Company.*

A ameba-gigante não seria um belo ser unicelular de estimação?

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Referências:

Tan, O. L. L.; Almsherqi, Z. A. M.; Deng, Y. (2005) A simple mass culture of the amoeba Chaos carolinense: revisit. Protistology, 4(2): 185–190.

Wikipedia. Chaos (genus). Disponível e <https://en.wikipedia.org/wiki/Chaos_(genus) >. Acesso em 20 de junho de 2017.

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Sexta Selvagem: Dragão-azul

por Piter Kehoma Boll

A segunda espécie de hoje é um terrível mas lindo predador da caravela-portuguesa, o dragão-azul Glaucus atlanticus que é, na minha opinião, uma das mais belas criaturas marinhas.

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Não é uma criatura magnífica? Photo de Sylke Rohrlach.*

Também conhecido como glauco-azul ou lesma-marinha-azul, entre muitos outros nomes, o dragão-azul é uma pequena lesma marinha que mede até 3 cm de comprimento quando adulto. Esta espécie é pelágica, o que significa que vive no oceano aberto, nem perto do fundo nem perto da costa. Apesar de ser encontrado em todos os três oceanos, evidências genéticas indicam que as populações do Atlântico, do Pacífico e do Índico divergiram mais de um milhão de anos atrás.

O dragão-azul possui um saco preenchido de gás no estômago que o faz flutuar de cabeça para baixo na água, de forma que seu lado ventral fica para cima. A larga faixa bordeada de azul ao longo do corpo, como vista na imagem acima, é o pé da lesma. Seu lado dorsal, que fica virado para baixo, é completamente branco ou cinza-claro.

Sendo uma espécie carnívora, o dragão-azul se alimenta de várias espécies de cnidários, especialmente da caravela-portuguesa. Ele geralmente coleta os cnidócitos (as células urticantes) da presa e as põe no próprio corpo, de forma que ele se torna não urticante ou até mais do que sua presa. Se você encontrar um caído na praia, tenha cuidado.

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Referências:

Churchull, C. K. C.; Valdés, Á.; Foighil, D. Ó (2014) Afro-Eurasia and the Americas present barriers to gene flow for the cosmopolitan neustonic nudibranch Glaucus atlanticus. Marine Biology, 161(4): 899-910.

Wikipedia. Glaucus atlanticus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Glaucus_atlanticus >. Acesso em 18 de junho de 2017.

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Sexta Selvagem: Caravela-portuguesa

por Piter Kehoma Boll

Finalmente chegamos à centésima Sexta Selvagem! Para comemorar, vamos ter duas Sextas Selvagens hoje, como tivemos na quinquagésima. E para começar eu escolhi um cnidário que sempre chamou minha atenção.

Vivendo no Oceano Atlântico e conhecida popularmente como caravela-portuguesa, seu nome científico é Physalia physalis, ambas as palavras derivadas da palavra grega para bolha, physalis. E a caravela-portuguesa é, de fato, como uma bolha flutuante com algumas coisas penduradas, ou pelo menos se parece com isso.

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Uma caravela-portuguesa deitada na praia. Foto de Anna Hesser.*

A maioria das pessoas pode pensar que a caravela-portuguesa é uma água-viva pela sua aparência, mas ela é na verdade parte de outro grupo de cnidários, os sifonóforos. Seu corpo não é um único indivíduo, mas sim uma colônia de vários animais menores, chamados zooides, que são especializados em diferentes funções dentro da colônia e não podem viver separados. Eles são todos derivados de um mesmo embrião, assim sendo clones um do outro.

A porção superior da caravela-portuguesa tem um saco preenchido de gás, que é chamado de pneumatóforo, e é o organismo original derivado diretamente do embrião. Abaixo do pneumatóforo há vários tipos diferentes de organismos, tal como nectóforos para nadar, dactilozooides para defesa e captura de presas, gonozooides para reprodução e gastrozooides para alimentação. Os longos tentáculos, que atingem mais de 10 m de comprimento, são compostos de dactilozoides e presas presas através da água.

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Flutuando no mar. Foto de Regine Stiller.*

Como outros cnidários, a caravela-portuguesa possui células urticantes que ferroam e injetam veneno. Em humanos, o veneno geralmente causa dor e deixa marcas de chicotadas na pele onde os tentáculos tocaram. Às vezes complicações mais severas podem surgir e em casos raros podem levar à morte.

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Referências:

Stein, M. R.; Marraccini, J. V.; Rothschild, N. E.; Burnett, J. W. (1989) Fatal portuguese man-o’-war (Physalia physalis) envenomation. Annals of Emergency Medicine18(3): 312–315.

Wikipedia. Portuguese man o’ war. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_man_o%27_war&gt;. Access on June 16, 2017.

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