Arquivo da categoria: Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Jarro-titã

por Piter Kehoma Boll

A espécie de hoje é outra estrela do reino das plantas e você provavelmente já ouviu falar dela antes. Crescendo nas florestas chuvosas de Sumatra e Java, esta espécie possui uma inflorescência gigante e emite um aroma de carne podre, algumas vezes sendo chamada de flor-cadáver, mas não a confunda com outra flor gigante com cheiro de carne podre que ocorre no mesmo lugar, a flor-cadáver Rafflesia arnoldi já apresentada aqui alguns anos atrás.

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A inflorescência gigante do jarro-titã. Foto do usuário Rhododendrites do Wikimedia.*

O nome da espécie de hoje é Amorphophallus titanum, que literalmente significa algo como “pênis sem forma gigante”. O nome pode não agradar muitas audiências, assim o naturalista e documentarista David Attenborough cunhou o nome popular “titan arum” em inglês, que costuma ser adaptado como “jarro-titã” em português.

O jarro-titã pertence à família Araceae, a mesma que inclui algumas plantas populares de jardim como o antúrio. É a planta com a maior inflorescência não ramificada do mundo. A estrutura gigante não é uma flor única, mas uma inflorescência gigante chamada espádice que contém muitas flores pequenas e é rodeada por uma única folha com jeitão de pétala chamada espata. Na maior parte das espécies de Araceae, o espádice inteiro contém flores, mas no jarro-titã elas estão presentes em dois anéis na base, um anel superior de flores masculinas e um inferior de flores femininas. A maior parte do espádice é somente um apêndice gigante e oco.

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Flores masculinas (acima) e femininas (abaixo) vistas através de um corte da espata. Foto do usuário Rosetta do Wikimedia.**

A inflorescência do jarro-titã pode chegar a 3 metros de altura. Ela emite uma fragrância que lembra o cheiro de carne apodrecendo e atrai polinizadores, que incluem besouros e moscas que comem carniça. Na verdade o odor muda durante a abertura e maturação da inflorescência, mas sempre lembra algo em decomposição. Quando a espata está abrindo, o cheiro é mais parecido com o de frutas podres, algumas horas depois mudando para um cheiro de ovo podre e depois para um verdadeiro cheiro de carne podre. Durante esta última fase, a temperatura da inflorescência aumenta, chegando a 36°C, mais ou menos a mesma temperatura de um mamífero, e isso é considerado como uma provável característica adicional para simular a aparência de carne apodrecendo. Adicionalmente, a superfície interna da espata possui uma cor entre roxo e vermelho-escuro que também lembra carne apodrecendo.

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A folha gigante e única do jarro-titã. Foto de Emőke Dénes.*

Como muitas espécies de flores ou inflorescências gigantes, o jarro-tiã não é uma espécie muito folhosa. Enquanto a inflorescência está crescendo e abrindo, a planta não possui nenhuma folha. Depois que a inflorescência morre e os frutos são produzidos, uma única folha começa a crescer a partir do cormo subterrâneo (um caule que funciona como órgão de reserva) e chega ao tamanho de uma pequena árvore. O cormo, como tudo nessa espécie, também é gigante, sendo o maior cormo conhecido no mundo, geralmente atingindo cerca de 50 kg, mas alguns espécimes em jardins botânicos vão além de 100 kg depois de alguns anos.

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O cormo gigante do jarro-titã. Foto do usuário Georgialh do Wikimedia.*

O jarro-titã é realmente uma das espécies mais notáveis do nosso planeta, não concorda?

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Referências:

Korotkova, N.; Barthlott, W. (2009) On the thermogenesis of the Titan arum (Amorphophallus titanum). Plant Signaling & Behavior, 4(11): 1096–1098.

Shirasu, M.; Fujioka, K.; Kakishima, S.; Nagai, S.; Tomizawa, Y.; Tsukaya, H.; Murata, J.; Manome, Y.; Touhara, K. (2010) Chemical identity of a rotting animal-like odor emitted from the inflorescence of the titan arum (Amorphophallus titanum). Bioscience, Biotechnology and Biochemistry 74(12): 2550–2554.

Wikipedia. Amorphophallus titanum. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Amorphophallus_titanum >. Acesso em 14 de junho de 2018.

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Sexta Selvagem: Verme-listrado-de-verde

por Piter Kehoma Boll

Os parasitas são muito especiosos, e frequentemente eu sinto que não estou dando espaço suficiente para eles aqui, especialmente quando eu lhes trago um platelminto, que é provavelmente o grupo com o maior número de espécies parasitas. Então vamos falar de um deles hoje finalmente.

O pimeiro platelminto parasita que eu apresentarei a vocês é Leucochloridium paradoxum, o verme-listrado-de-verde. Ele é um membro do grupo Trematoda e, como todos os trematódeos, possui um ciclo de vida complexo.

Os adultos do verme-listrado-de-verde vivem no intestino de vários pássaros da América do Norte e da Europa. Os ovos que eles põem chegam ao ambiente através das fezes das aves e são eventualmente ingeridos por caracóis do gênero Succinea.

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Um indivíduo adulto de Leucochloridium paradoxum (esquerda), um hospedeiro intermediário infectado, um caracol do gênero Succinea (centro) e os esporocistos ao longo dos õgrãos internos do caracol (direita). Imagens não em escala. Extraído de http://medbiol.ru/medbiol/dog/0011a975.htm

Adultos de Leucochloridium paradoxum são muito similares aos adultos de outras espécies do gênero Leucochloridium. A principal diferença é vista nos estágios larvais. Dentro do corpo do caracol, os ovos eclodem no primeiro estágio larval, o miracídio, que dentro do sistema digestivo do caracol se desenvolve no próximo estágio, o esporocisto.

O esporocisto tem a forma de um saco longo e inchado que é marcado de listras verdes (de onde o nome). Ele é preenchido de cercárias, que são o próximo estágio larval. O esporocisto então migra em direção aos tentáculos dos olhos do caracol, invadindo-os e tornando-os uma estrutura inchada, colorida e pulsante que se assemelha a uma lagarta. Nesse estágio da infecção, o pobre caracol provavelmente está cego e não consegue evitar a luz como normalmente faz. Como resultado, ele fica exposto a aves que o confundem com uma suculenta lagarta e o comem com avidez.

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Um pobre caracol da espécie Succinea putris com um verme-listrado-de-verde em seu tentáculo ocular esquerdo. Só há um destino terrível para essa criatura. Foto de Thomas Hahmann.*

Quando o caracol é comido, o esporocisto arrebenta e várias cercárias são liberadas. No intestino da ave, elas se desenvolvem em adultos e recomeçam o pesadelo.

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Referências:

Rząd, I.; Hofsoe, R.; Panicz, R.; Nowakowski, J. K. (2014) Morphological and molecular characterization of adult worms of Leucochloridium paradoxumCarus, 1835 and L. perturbatum Pojmańska, 1969 (Digenea: Leucochloridiidae) from the great tit, Parus major L., 1758 and similarity with the sporocyst stages. Journal of Helminthology 88(4): 506-510. DOI: 10.1017/S0022149X13000291

Wikipedia. Leucochloridium paradoxum. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Leucochloridium_paradoxum >. Accesso em 8 de março de 2018.

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Sexta Selvagem: Salvínia-Gigante

por Piter Kehoma Boll

Vamos sair do mar essa semana, mas ainda permanecer na água para lhes trazer uma samambaia peculiar. Comumente conhecida como salvínia-gigante ou musgo-d’água-gigante, seu nome científico é Salvinia molesta e ela vem do sudeste do Brasil.

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Frondes de Salvinia molesta crescendo no Havaí. Foto de Forrest & Kim Starr.*

A salvínia-gigante é uma samambaia aquática que flutua na superfície da água e possui uma anatomia peculiar. Ela não possui raízes e produz folhas em conjuntos de três. Duas delas ficam na superfície da água, lado a lado, e a terceira é submersa, agindo como uma raiz modificada. A lado superior da superfície das folhas (que são anatomicamente seus lados inferiores) possui muitos pequenos pelos que as tornam uma superfície à prova d’água e o lado de baixo possui pelos muito longos que se parecem com raízes.

Preferindo águas lentas ou paradas, a salvínia-gigante cresce muito rápido em condições ideais e se tornou uma espécie invasora em várias partes do mundo. Ela foi exportada do Brasil para ser usada em aquários e lagos em jardins e acabou nos ambientes naturais. Enquanto se espalha, a salvínia-gigante pode cobrir toda a superfície de corpos d’água, bloqueando a luz para outras plantas e algas, o que diminui a fotossíntese e reduz a quantidade de oxigênio na água. Adicionalmente, ela pode entupir condutos de água, bloqueando o fluxo natural e artificial da água.

O problema causado pela salvínia gigante em áreas onde se tornou invasora levou ao desenvolvimento de métodos de controle. Um dos mais simples é simplesmente remover as plantas mecanicamente, mas isso é difícil em áreas com grandes infestações, visto que mesmo pequenas populações remanescentes podem se recuperar depressa. Outra alternativa é o uso de controle biológico usando Cyrtobagus salviniae, um gorgulho minúsculo que se alimenta da salvínia-gigante em seu ambiente natural.

Nem tudo sobre a salvínia-gigante é ruim na verdade. Sua anatomia foliar peculiar levou à descoberta do que foi apropriadamente chamado de “efeito salvínia”, um fenômeno pelo qual uma cama de ar se torna estável sobre uma superfície submersa, como nas folhas de espécies de Salvinia. Pelo desenvolvimento de estruturas artificiais que fazem uso desse fenômeno, é possível produzir equipamentos que se movem suavemente na água, como navios com fricção reduzida.

Um estudo consideravelmente recente também descobriu que alguns compostos extraídos da salvínia-gigante são eficientes no controle de células tumorais humanas.

Nossa relação com essa planta peculiar é portanto de amor e ódio.

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Referências:

Coetzee, J. A.; Hill, M. P.; Byrne, M. J.; Bownes, A. (2011) A Review of the Biological Control Programmes on Eichhornia crassipes (C.Mart.) Solms (Pontederiaceae),Salvinia molesta D.S.Mitch. (Salviniaceae), Pistia stratiotes L. (Araceae), Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc. (Haloragaceae) and Azolla filiculoides Lam. (Azollaceae) in South Africa. African Entomology 19: 451-468.

Li, S.; Wang, P.; Deng, G.;  Yuan, W.; Su, Z. (2013)  Cytotoxic compounds from invasive giant salvinia (Salvinia molesta) against human tumor cells. Bioorganic & Medicinal Chemistry Letters 23(24): 6682-6687.

Wikipedia. Salvinia molesta. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Salvinia_molesta >. Acesso em 21 de fevereiro de 2018.

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Sexta Selvagem: Polvo-azul-anelado-maior

por Piter Kehoma Boll

Águas tropicais estão sempre transbordando de diversidade, portanto é difícil ficar longe delas. A Sexta Selvagem de hoje traz mais uma criatura das águas oceânicas tropicais, mais precisamente das águas indo-pacíficas. Sendo encontrado do Sri Lanka até as Filipinas, o Japão e a Austrália, nosso camarada de hoje é chamado Hapalochlaena lunulata e popularmente conhecido como o polvo-azul-anelado-maior.

Esse polvo adorável é muito pequeno, medindo apenas 10 cm, incluindo os braços. Ele, no entanto, chama a atenção facilmente porque seu corpo de cor esbranquiçada a amarelo-escura é coberto por cerca de 60 anéis que apresentam uma bela cor azul-elétrica com um contorno preto. Como na maioria dos polvos, a cor pode mudar de acordo com as necessidades do animal de forma a torná-lo mais ou menos visível.

Um espécime do polvo-azul-anelado-maior na Indonésia. Foto de Jens Petersen.*

Esse adorável padrão de coloração, que pode parecer atraente para nós, humanos, é, no entanto, um sinal de advertência. O polvo-azul-anelado-maior é uma criatura peçonhenta e pode até mesmo matar um ser humano caso se sinta ameaçado. Como outros polvos, ele é um predador e se alimenta principalmente de crustáceos e bivalves e os imobiliza om uma toxina antes do consumo. Essa, porém, é uma toxina fraca. O perigo real está em seu comportamento defensivo.

Quando ameaçado, o polvo-azul-anelado-maior geralmente começa com uma sinalização de alerta onde dispara seus anéis em cores fortes. Se isso não for o suficiente para fazer a criatura que o ameaça recuar, ele ataca e morde seu molestador. A mordida geralmente é indolor, mas mortal. O veneno injetado não é nada mais nada menos que a infame tetrodotoxina, a mesma coisa que faz o baiacu um alimento perigoso. Como você talvez saiba, a tetrodotoxina é uma neurotoxina potente que mata entre alguns minutos a algumas horas ao bloquear o potencial de ação nas células, levando à paralisia e morte por asfixia. No polvo-azul-anelado-maior, a tetrodotoxina é produzida por bactérias que vivem em suas glândulas salivares.

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Um polvo-azul-anelado-maior nadando. Foto de Elias Levy.**

Um estudo analisando o comportamento sexual do polvo-azul-anelado-maior demonstrou que o acasalamento ocorre em encontros tanto de machos com fêmeas quanto de machos com machos. O ritual de acasalamento dos polvos consiste no macho inserindo o hectocótilo, um braço especializado para entregar esperma, no manto da fêmea. Em casais macho-macho, um dos machos sempre punha seu hectocótilo no manto do outro macho e não houve tentativas do macho receptivo de evitar o ato. A única diferença entre machos copulando com fêmeas ou com outros machos é que eles apenas entregavam o esperma para fêmeas e nunca para machos. O que podemos concluir disso? Teriam os polvos encontrado uma forma eficiente de serem bissexuais para se divertirem com outros machos e ainda manterem o esperma para dá-lo a fêmeas?

A diversidade da vida sempre nos fascina!

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Referências:

Cheng, M. W.; Caldwell, R. L. (2000) Sex identification and mating in the blue-ringed octopus, Hapalochlaena lunulataAnimal Behavior 60: 27-33. DOI: 10.1006/anbe.2000.1447

Mäthger, L. M.; Bell, G. R. R.; Kuzirian, A. M.; Allen, J. J.; Hanlon, R. T. (2012) How does the blue-ringed octopus (Hapalochlaena lunulata) flash its blue rings? Journal of Experimental Biology 215: 3752-3757. DOI: 10.1242/jeb.076869

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Sexta Selvagem: Corda-de-defunto

por Piter Kehoma Boll

Disseminada em águas temperadas do norte dos oceanos Atlântico e Pacífico, a espécie da Sexta Selvagem é uma alga marrom cujo nome científico, Chorda filum, significando “corda fio”, é uma boa forma de descrever sua aparência. Suas frondes são longas e sem ramificações, medindo cerca de 5 mm de diâmetro e atingindo até 8 m de comprimento, de forma que realmente parece uma longa corda, o que levou a nomes comuns como corda-de-defunto, laço-do-mar, tripa-de-gato, alga-laço-de-bota, tranças-de-sereia e linha-de-pesca-de-sereia.

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Um grupo de cordas-de-defunto crescendo juntas. Créditos a Biopix: JC Shou.

Essa alga geralmente é encontrada em áreas abrigadas, como em lagoas, enseadas, pequenas baías, fiordes ou mesmo estuários de rios, sendo muito tolerante a águas com baixa salinidade, mas evitando praias abertas, expostas. Ela cresce presa ao substrato por um pequeno disco, estando geralmente presa a substratos muito instáveis, como pedregulhos soltos ou mesmo outras algas, e raramente é encontrada em rochas estáveis. Como resultado, durante eventos em que as águas se tornam agitadas, como durante tempestades, ela pode ser facilmente transportada para outras localidades.

Várias espécies vivem nas frondes da corda-de-defunto, incluindo muitas algas e caramujos marinhos. Outros invertebrados, como anfípodes, parecem não gostar muito dela.

Estudos mostraram que a corda-de-defunto é rica em antioxidantes, compostos que ajudam a reduzir o processo de envelhecimento e diminuem os riscos de doenças como o câncer. Apesar de comestível, a corda-de-defunto não é amplamente usada como fonte de alimento. Talvez possamos mudar isso, contanto que tal ação seja conduzida de maneira sustentável.

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Referências:

Pereira, L. (2016) Edible Seaweeds of the World, CRC Press, London, 463 pp.

South, G. R.; Burrows, E. M. (1967) Studies on marine algae of the British Isles. 5. Chorda filum (L.) StackhBritish Phycological Bulletin3(2): 379-402.

Yan, X.; Nagata, T.; Fan, X. (1998) Antioxidative activities in some common seaweedsPlant Foods for Human Nutrition 52: 253-262.

 

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Sexta Selvagem: Verme-Bobbit

por Piter Kehoma Boll

A espécie da Sexta Selvagem de hoje provavelmente se parece com uma criatura vinda diretamente do inferno para os pobres animais marinhos que são suas presas. Bem, ela parece bem assustadora até para humanos! Seu nome é Eunice aphroditois, um nome até que belo. Popularmente é conhecida como verme-Bobbit e se parece com um pesadelo multicolorido.

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Porção anterior de um verme-Bobbit saindo da areia. Foto de Jenny Huang.*

O verme-Bobbit é um verme poliqueto e é um dos maiores anelídeos conhecidos, com vários registros de indivíduos chegando a 1 m de comprimento e mesmo um registro de um espécime com quase 3 metros. Ele é encontrado em águas quentes do mundo todo, nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.

Sendo um predador de emboscada, o verme-Bobbit se enterra no fundo do oceano, entre os sedimentos, e espera que uma refeição deliciosa nade sobre ele. Uma vez que a presa é detectada, o verme-Bobbit se projeta para a frente e a captura com seus dentes afiados.

O nome “Bobbit worm” foi cunhado e 1996 e se refere a Lorena Bobbitt, que se tornou publicamente conhecida em 1993 depois de cortar o pênis de seu marido com uma faca enquanto ele estava adormecido. O nome parece ser inspirado nas mandíbulas em forma de tesoura do verme e não tem nada a ver com as fêmeas cortando o pênis dos machos. De fato, esses vermes liberam os gametas na água, de forma que sequer há uma cópula.

Apesar de sua popularidade, sendo mesmo criado como “animal de estimação” às vezes, pouco se sabe sobre a ecologia do verme-Bobbit. Se você por acaso tem um em seu aquário, faça alguma pesquisa e a publique!

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Referências:

Uchida, H.; Tanase, H.; Kubota, S. (2009) An extraordinarily large specimen of the polychaete worm Eunice aphroditois (Pallas) (Order Eunicea) from Shirahama, Wakayama, central Japan. Kuroshio Biosphere 5: 9-5.

Wikipedia. Eunice aphroditois. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Eunice_aphroditois >. Acesso em 31 de janeiro de 2017.

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Sexta Selvagem: Bambu-negro-do-Timor

por Piter Kehoma Boll

Se há uma importante família de plantas com flores que ainda não apareceu aqui é a família das gramíneas, Poaceae. E o que gramínea melhor para ser a primeira que um bambu? Assim, aqui temos o bambu-negro-do-Timor, Babusa lako.

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Os belos colmos negros do bambu-negro-do-Timor. Foto de Cas Liber.

Como seu nome comum sugere, esta espécie é nativa da ilha de Timor, uma das Ilhas Sunda Menores no arquipélago indonésio. Uma das características mais marcantes do bambu-negro-do-Timor é seu caule negro. Como em todos os bambus, o caule do bambu-negro-do-Timor é dividido em colmos. Eles são inicialmente verdes, mas se tornam negros-brilhantes quando maduros e podem atingir 10 cm de diâmetro. A planta inteira pode chegar a 21 m de altura.

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Um ramo jovem e ainda verde do bambu-negro-do-Timor. Foto de Mitchell Adams.*

Apesar de ainda ser classificado no gênero Bambusa, sabe-se desde 2000 que o bambu-negro-do-Timor é proximamente relacionado ao gênero Gigantochloa, que inclui outros bambus-negros, tal como o bambu-negro-comum Gigantochloa atroviolacea.

Atualmente o bambu-negro-do-Timor é encontrado em vários locais do mundo e é amplamente usado em decoração e paisagismo por conta de sua cor peculiar.

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Referências:

Loh, J. P.; Kiew, R.; Set, O.; Gan, L. H.; Gan, Y.-Y. (2000) A Study of Genetic Variation and Relationships within the Bamboo Subtribe Bambusinae using Amplified Fragment Length Polymorphism. Annals of Botany 85: 607–612. https://doi.org/10.1006/anbo.2000.1109

Wikipedia. Bambusa lako. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Bambusa_lako >. Acesso em 22 de janeiro de 2017.

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