Arquivo da categoria: Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Carrapato-de-Rinoceronte

por Piter Kehoma Boll

Parasitas existem existem em todo lugar e, apesar de muitos de nós verem-nos como criaturas odiosas, mais da metade de todas as formas de vida conhecidas vivem como parasitas pelo menos em parte da vida. E provavelmente há muitos parasitas ainda desconhecidos por aí. Hoje vou falar sobre um deles, que é encontrado em grandes porções da África.

Seu nome é Dermacentor rhinocerinus, conhecido como o carrapato-de-rinoceronte. Como seu nome sugere, ele é um carrapato, portanto um ácaro parasita, e seu estágio adulto vive na pele dos rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum) e dos criticamente ameaçados rinocerontes-negros (Diceros bicornis).

Um carrapato-de-rinoceronte macho preso à pele de um rinoceronte na África do Sul. Créditos ao usuário bgwright do iNaturalist.*

Machos e fêmeas do carrapato-de-rinoceronte são consideravelmente diferentes. Em machos, o corpo possui um fundo preto com muitas manchas laranjas grandes. Em fêmeas, por outro lado, o abdome é principalmente preto com somente duas grandes manchas laranjas e a placa no tórax é laranja com duas pequenas manchas pretas. Machos e fêmea acasalam na superfície dos rinocerontes. Após o acasalamento, a fêmea começa a aumentar de tamanho enquanto os ovos se desenvolvem dentro dela e então cai ao chão, pondo os ovos lá.

Um carrapato-de-rinoceronte fêmea esperando pacientemente que um rinoceronte passe por perto. Foto de Martin Weigand.*

As larvas, assim que eclodem, passam a procurar por outro hospedeiro, geralmente um mamífero de pequeno porte como roedores e musaranhos-elefantes. Elas se alimentam desse hospedeiro menor até atingirem o estágio adulto, quando então caem ao chão e sobem na vegetação ao redor, esperando que um rinoceronte passe por ali e então se agarrando a ele.

Esforços de conservação para preservar a biodiversidade são focados principalmente em vertebrados, especialmente aves e mamíferos. Rinocerontes, que são hospedeiros essenciais para o carrapato-de-rinoceronte sobreviver, são frequentemente parte de programas de conservação e, de maneira a aumentar seu sucesso reprodutivo, a prática de remover parasitas de sua pele é comum. Isso é, no entanto, ruim para os carrapatos-de-rinoceronte. Se seu hospedeiro está ameaçado, eles certamente estão ameaçados também, e removê-los piora ainda mais sua condição. Os parasitas são menos importantes para o planeta? Eles não merecem viver como qualquer outra forma de vida? Não podemos nos esquecer de que a natureza precisa de mais do que só aquilo que consideramos bonito.

– – –

Mais ácaros e carrapatos:

Sexta Selvagem: Ácaro-de-Veludo-Vermelho-Gigante (em 22 de junho de 2016)

Sexta Selvagem: Ácaro-da-Lacerdinha-da-Figueira (em 28 de junho de 2019)

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Horak IG, Fourie LJ, Braack LEO (2005) Small mammals as hosts of immature ixodid ticks. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 72:255–261.

Horak IG, Cohen M (2001) Hosts of the immature stages of the rhinoceros tick, Dermacentor rhinocerinus (Acari, Ixodidae). Onderstepoort Journal of Veterinary Research 68:75–77.

Keirans JE (1993) Dermacentor rhinocerinus (Denny 1843) (Acari: Ixodida: Ixodidae): redescription of the male, female and nymph and first description of the larva. Onderstepoort Journal of Veterinary Research 60:59–68.

Mihalca AD, Gherman CM, Cozma V (2011) Coendangered hard ticks: threatened or threatening? Parasites & Vectors 4:71. doi: 10.1186/1756-3305-4-71

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Aracnídeos, Conservação, Parasitas, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Besouro-estalador-olhudo-oriental

por Piter Kehoma Boll

Durante as noites mais quentes do ano, na metade oriental dos Estados Unidos, você pode encontrar um besouro bonitão que estala quando é perturbado. Seu nome é Alaus oculatus, também conhecido como besouro-estalador-olhudo-oriental.

Besouro-estalador-olhudo-oriental na Carolina do Sul, EUA. Foto de Phillip Harpootlian.*

Esta espécie pertence à família Elateridae ou besouros-estaladores. Todas as espécies nesta família possuem um mecanismo interessante em seu tórax que as permite saltarem no ar com um estalo, de onde o nome besouro-estalador. Isso é usado para evitar predadores e também para ajudar o besouro a se endireitar caso caia de costas.

Veja-o estalando!

O besouro-estalador-olhudo-oriental mede cerca de 2.5 a 4.5 cm de comprimento e possui uma cor cinza-escura a preta com várias pequenas manchas brancas. O pronoto, a parte dorsal do segmento mais anterior do tórax, possui duas grandes manchas pretas com um contorno branco que se parecem com dois olhos. Estas manchas são na verdade mais que pretas, são superpretas. Isso significa que elas absorvem mais que 96% da luz em todos os ângulos.

Um espécime na Filadélfia, EUA. Foto de Eduardo Duenas.*

Como adulta, esta espécie é principalmente noturna, como a maioria dos besouros-estaladores, e se alimenta de néctar e outros sucos de plantas. Eles podem ser encontrados dentro de casas, sendo atraídos pela luz das lâmpadas à noite.

A voraz larva ou verme-arame do besouro-estalador-olhudo-oriental. Foto de M. J. Raupp.

Diferente dos hábitos vegetarianos dos adultos, as larvas do besouro-estalador-olhudo-oriental são predadores vorazes. Elas vivem em madeira em decomposição e se alimentam de larvas de outros besouros, especialmente da família Cerambycidae, os besouros-chifrudos. As larvas de todos os besouros-estaladores possuem um corpo achatado com segmentos bem marcados e são conhecidas como verme-arame. No besouro-estalador-olhudo-oriental, os segmentos abdominais da larva são amarelos, exceto pelo último, que possui um tom laranja. Os três segmentos torácicos possuem a mesma cor, o anterior sendo o mais largo e mais escuro. A cabeça é marrom-escura a preta. As pupas, por outro lado, possuem aquela aparência miserável da maioria das pupas de insetos, sendo esbranquiçadas e se parecendo com um adulto incompleto preso em cera.

Apesar de consideravelmente popular, o besouro-estalador-olhudo-oriental não é uma espécie bem conhecida. Há muito sobre sua ecologia que precisa ser investigado.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Casari SA (2002) Larvae of Alaus myopsA. oculatusChalcolepidius porcatusHemirhipus apicalis and generic larval characterization (Elateridae, Agrypninae, Hemirhipini). Iheringia, Série Zoologia 92(2): 93–110.

Wikipedia. Alaus oculatus. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Alaus_oculatus >. Access on October 4, 2019.

Wong VL, Marek PE (2019) Super black eyespots of the eyed elater. PeerJ Preprints 7:e27746v1 https://doi.org/10.7287/peerj.preprints.27746v1

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Asa-de-Colher-Turca

por Piter Kehoma Boll

Continuando a tradição que apliquei nos dias da quinquagésima e da centésima Sexta Selvagem, hoje teremos duas novamente, de forma que você não precisa esperar mais uma semana pela ducentésima primeira.

Vamos sair do mar no noroeste da Europa para a terra no sudeste da Europa, mais precisamente na região mediterrânea entre os Bálcãs e a Turquia. Durante maio e junho, você pode encontrar esta espécie voando em prados e campos procurando por flores amarelas. Seu nome é Nemoptera sinuata, uma das espécies do gênero Nemoptera, conhecidas em inglês como spoonwings (asas-de-colher) ou thread-winged antlions (formigas-leões-de-asas-de-barbante). Para distingui-la de outras espécies, decidi chamá-la de asa-de-colher-turca.

Uma asa-de-colher-turca visitando as flores de Achillea coarctata na Bulgária. Foto de Paul Cools.*

Como todas as formigas-leões, a asa-de-colher-turca é um inseto da ordem Neuroptera. Os adultos possuem um par de grandes e ovais asas anteriores e um par de longas e finas asas posteriores, ambas possuindo um padrão de marcas pretas e brancas que fazem ser difícil localizá-los contra o fundo. Eles são exclusivamente diurnos e e voam muito lentamente usando apenas as asas anteriores. Quando encontram suas flores favoritas, eles se alimentam do pólen e mais nada, tendo as peças bucais adaptadas para essa dieta.

Após ser inseminada por um macho, a fêmea começa a pôr os ovos. Ela pousa numa flor ou inflorescência e põe um ovo a cada dois minutos, pondo até 14 em um dia e até 70 durante seus 20 dias de vida como adulta. Os ovos, que são brancos e esféricos, caem diretamente no chão.

Espécime adulto na Grécia. Foto de Kostas Zontanos.*

As larvas deixam os ovos após cerca de 19 dias e são cinzas com manchas pretas nos segmentos do tórax e do abdome. Elas possuem mandíbulas grandes e se enterram no solo a uma profundidade de cerca de 1 cm. Como outras formigas-leões, elas se alimentam de pequenos artrópodes que capturam de surpresa pulando para fora do solo, apesar de as espécies exatas comidas por elas permanecerem em grande parte um mistério. As larvas provavelmente viram pupas durante o inverno e se tornam adultos por volta de maio do ano seguinte, preenchendo os prados novamente para buscar por flores amarelas ao sol.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Krenn HW, Gereben-Krenn BA, Steinwender BM, Popov A (2008) Flower visiting Neuroptera: mouthparts and feeding behavior of Nemoptera sinuata (Nemopteridae). European Journal of Entomology 105: 267–277.

Popov A (2002) Autoecology and biology of Nemoptera sinuata Olivier (Neuroptera: Nemopteridae). Acta Zoologica Academiae Scientiarum Hungaricae 48(Suppl. 2): 293–299.

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Aranha-do-Mar-Grácil

por Piter Kehoma Boll

Chegamos à ducentésima Sexta Selvagem! E para concluir mais um grupo de cem espécies, vou apresentar mais uma vez um grupo que nunca apareceu aqui, as chamadas aranhas-do-mar!

A espécie que escolhi é Nymphon gracile, comumente chamada de aranha-do-mar-grácil. Ela ocorre no oceano Atlântico Norte na costa da Europa, especialmente entre a França e a Escandinávia.

Uma aranha-do-mar-grácil na Noruega. Foto de Asbjørn Hansen.**

Como a maioria das aranhas-do-mar, a aranha-do-mar-grácil possui um corpo muito fino ao qual quatro longos pares de pernas são conectados. Bem, longo aqui é uma medida relativa, porque a criatura inteira cabe na ponta de seu dedo. Na região anterior, há uma cabeça que inclui a probóscide, usada para ingerir o alimento, um par de quelíforos, análogos às quelíceras dos aracnídeos, um par de palpos e um par de ovígeros, apêndices longos e finos usados para carregar os ovos e os filhotes. A cabeça possui quatro pequenos olhos localizados muito próximos uns dos outros em uma mancha no meio do dorso bem na frente do primeiro par de patas e acima dos ovígeros. O quarto par de patas parece ficar bem no fim do corpo. O abdome é apenas vestigial.

Veja como é minúscula. Foto do usuário gogol do iNaturalist.*

A aranha-do-mar-grácil vive em águas raras e é frequentemente encontrada na praia se você prestar atenção. Ela se alimenta principalmente de hidroides, isto é, pequenos cnidários sésseis da classe Hydrozoa, e de briozoários, os quais captura com sua probóscide e os apêndices circundantes. Para distribuir nutrientes pelo corpo, a aranha-do-mar-grácil, como outras aranhas-do-mar, possui um intestino altamente ramificado que inclui ramos entrando nas pernas, provavelmente pela falta de um abdome funcional.

Durante o inverno, a aranha-do-mar-grácil se afasta da praia e acasala em águas mais profundas. Tanto os machos quanto as fêmeas possuem as gônadas dentro do primeiro segmento das pernas. Assim, quando os ovos começam a se desenvolver nos ovários da fêmea, suas pernas se tornam muito mais grossas que as do macho. Quando o acasalamento acontece, o macho se move para baixo da fêmea e captura, com seus ovígeros, os ovos que ela libera através de um único poro na base de cada perna. O macho então fertiliza os ovos liberando esperma de poros na base de suas pernas e os carrega com ele até o começo da primavera, quando ele volta para a praia e libera os juvenis sobre colônias de hidroides e briozoários.

Um macho carregando uma massa de ovos com seus ovígeros. As linhas escuras vistas dentro das pernas e dos quelíforos são os ramos do intestino. Foto de Julien Renoult.*

O genoma mitocondrial da aranha-do-mar-grácil foi o primeiro a ser sequenciado para os picnogonídeos. Ele apresenta uma série de relocações gênicas comparado a outros artrópodes, o que pode explicar, ao menos parcialmente, por que este grupo é tão incomum. Poderíamos dizer que a aranha-do-mar-grácil, e as aranhas-do-mar em geral, evoluíram para se tornarem apenas pernas. Elas são basicamente um grupo de pernas sem corpo!

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Isaac MJ, Jarvis HJ (1973) Endogenous tidal rhythicity in the littoral pycnogonid Nymphon gracile (Leach). Journal of Experimental Marine Biology and Ecology 13(1): 83–90. doi: 10.1016/0022-0981(73)90049-X

King PE, Jarvis JH (1970) Egg development in a littoral pycnogonid Nymphon gracile. Marine Biology 7: 294–304. doi: 10.1007/BF00750822

Podsialowski L, Braband A (2006) The complete mitochondrial genome of the sea spider Nymphon gracile (Arthropoda: Pycnogonida). BMC Genomics 7: 284. doi: 10.1186/1471-2164-7-284

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

**Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

Deixe um comentário

Arquivado em Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Mosquito-de-Remo-Azul

por Piter Kehoma Boll

Uma doença tropical comum em áreas de floresta da América do Sul é a febre amarela. Afetando a maioria das espécies de primatas, a febre amarela é geralmente transmitida pelo famoso mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e zika, todas doenças causadas por vírus do gênero Flavivirus.

Mas em áreas de floresta das Américas Central e do Sul, outras espécies de mosquito também podem transmitir a febre amarela a humanos e macacos. Uma destas espécies é Sabethes cyaneus, que eu decidi chamar de mosquito-de-remo-azul. Esta espécie ocorre do México até a Argentina e o Brasil e, diferente da maioria dos mosquitos, é diurna.

Uma fêmea prestes a ter um almoço sangrento em um humano no México. Foto de Carlos Alvarez N.*

Mesmo se você não acha mosquitos criaturas legais na maior parte do tempo, precisa admitir que o mosquito-de-remo-azul é um animal lindo. O corpo do adulto é escuro e possui um tom azul metálico no dorso e nas pernas, sendo ligeiramente mais verde no dorso e ligeiramente mais roxo nas pernas. Mais que isso, o segundo par de pernas possui um grande tufo de pelos que as faz parecerem um par de remos.

Mas qual é a função desses remos? A primeira sugestão é de que eles são sexualmente selecionados e provavelmente são importantes para cortejar a fêmea. Mas as fêmeas também possuem remos e, se seles fossem resultado de seleção sexual causada por fêmeas sobre machos, eles provavelmente seriam muito maiores em machos, o que não é o caso.

Outra fêmea se alimentando de um humano, dessa vez no Paraguai. Foto de Joaquin Movia.*

Os machos realizam, de fato, um ritual de corte complexo na frente das fêmeas usando suas pernas com remos. Quando as fêmeas estão preparadas para acasalar, elas pousam verticalmente num galho e esperam que machos venham e dancem na frente delas. A maioria dos machos é rejeitada pela fêmea e, quando ela finalmente escolhe um macho, ela vai copular apenas com ele. Machos, por outro lado, copulam com várias fêmeas. Isso aumenta ainda mais a ideia de que os remos precisam ter alguma importância na escolha das fêmeas.

Macho (esquerda) e fêmea (direita). Imagem extraída de South & Arnqvist (2008).

Não é o que se descobriu, no entanto. Quando os remos de um macho são reduzidos de tamanho ou removidos completamente, ele ainda tem as mesmas chances de conseguir uma fêmea que um macho intacto. Por outro lado, uma fêmea cujos remos foram removidos raramente atrai algum macho. Ela fica pousada no seu galho esperando e esperando e nenhum macho virá dançar para ela. O interesse que mosquitos-de-remo-azuis machos possuem por remos é tão forte que eles até mesmo abordam outros machos com remos grandes.

A razão pela qual esta espécie apresenta forte preferência por parte dos machos e fraca preferência por parte das fêmeas ainda é um mistério, mas é uma boa forma de nos lembrar de que nossas ideias sobre seleção sexual não são tão bem estabelecidas quanto pensamos.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Hancock RG, Foster WA, Lee WL (1990) Courtship behavior of the mosquito Sabethes cyaneus (Diptera: Culicidae). Journal of Insect Behavior 3(3): 401–416. doi: 10.1007/BF01052117

South SH, Arnqvist G (2008) Evidence of monandry in a mosquito (Sabethes cyaneus) with elaborate ornaments in both sexes. Journal of Insect Behavior 21: 451. doi: 10.1007/s10905-008-9137-0

South SH, Arnqvist G (2011) Male, but not female, preference for an ornament expressed in both sexes of the polygynous mosquito Sabethes cyaneus. Animal Behaviour 81(3): 645–651. doi: 10.1016/j.anbehav.2010.12.014

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Comportamento, Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Pulga-da-Praia-da-Califórnia

por Piter Kehoma Boll

Se você está andando pela praia na costa oeste dos Estados Unidos, especialmente à noite, pequenas criaturas podem pular em torno de seus pés. Se você olhar mais de perto, notará que são pequenos crustáceos popularmente conhecidos como pulgas-da-praia.. Eles pertencem à ordem Amphipoda e há uma boa chance de que aqueles entre os quais você caminha pertençam à espécie Megalorchestia californiana, popularmente conhecida como pulga-da-praia-da-Califórnia.

Uma fêmea na Califórnia. Foto do usuário lbyrley do iNaturalist.*

A pulga-da-praia-da-Califórnia ocorre do extremo sul do litoral do Canadá, perto da Ilha Vancouver, até a costa sul dos Estados Unidos, por volta de Laguna Beach. Elas são muito grandes para um anfípode, atingindo mais de 2 cm de comprimento, e possuem uma cor “crustácea” típica variando de marrom-claro a acinzentado. Os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas e possuem o segundo par de antenas aumentado e com uma característica cor vermelha.

Um macho na Califórnia mostrando as antenas vermelhas aumentadas e os gnatópodes aumentados em forma de luvas de boxe. Foto de Kim Cabrera.*

Durante o dia, a pulga-da-praia-da-Califórnia se mantém dentro de pequenas tocas que cava na areia ou se esconde sob pedaços de algas que a maré trouxe para a praia. Fêmeas podem dividir o mesmo abrigo, mas os machos não suportam um ao outro. Ao anoitecer, elas saem de seus abrigos aos milhares e se movem sobre a areia procurando por matéria orgânica em decomposição da qual se alimentam.

Várias fêmeas tentando compartilhar o mesmo abrigo no Oregon, EUA. Foto de Ken Chamberlain.*

O dimorfismo sexual visto nessa espécie revela um comportamento sexual complexo. As antenas aumentadas dos machos parecem ser um sinal visual para outros machos que avisa sobre sua força. Além dessas antenas aumentadas, os machos também possuem o segundo par de gnatópodes ou maxilípedes (patas logo atrás da boca) parecendo um par de luvas de boxe. Usando os gnatópodes, os machos lutam entre si pela posse de tocas contendo muitas fêmeas. O macho que vence a luta se torna o dono do harém.

Um macho em Washington tentando invadir a toca de outro macho (cujas antenas são visíveis). Foto do usuário pushtheriver do iNaturalist.*

Como tanto machos quanto fêmeas saem de suas tocas à noite para se alimentarem, os haréns também podem ser temporários. Apesar de um macho poder conquistar uma toca cheia de fêmeas, elas só retornarão para o mesmo lugar se considerarem que o macho é bom o bastante para ser o pai de seus filhos. Isso é assim porque as fêmeas só se reproduzem uma vez na vida, então é crucial deixar o melhor macho fertilizá-las. Mais do que isso, as fêmeas só conseguem liberar os ovos logo depois de fazerem uma muda porque o exoesqueleto endurecido impede a postura durante o resto da vida.

Não é fácil ser uma pulga-da-praia vivendo na Califórnia.

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Beermann J, Dick TA, Thiel M (2015) Social Recognition in Amphipods: An Overview. In: Aquiloni L, Tricarico E (Eds.) Social Recognition in Invertebrates: 85–100.

Iyengar VK, Starks BD (2008) Sexual selection in harems: male competition plays a larger role than female choice in an amphipod. Behavioral Ecology 19(3): 642–649. doi: 10.1093/beheco/arn009

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em crustáceos, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Mariposa-Leopardo

por Piter Kehoma Boll

Eu cresci numa casa com um quintal grande cheio de árvores e outras plantas perto de vários pequenos fragmentos florestais. Como resultado disso, mariposas sempre foram visitantes muito comuns à noite, especialmente durante os meses mais quentes. Uma que sempre chamou minha atenção é uma mariposa com um belo padrão nas asas.

Esta é a bela mariposa que chamou minha atenção quando criança. Este espécime foi fotografado no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, perto de onde cresci. Foto de Jhonatan Santos.*

Apenas recentemente descobri que seu nome é Pantherodes pardalaria, chamada apropriadamente de mariposa-leopardo. Suas asas possuem um fundo amarelo marcado com várias manchas cinza-metálicas com um contorno preto e um centro preto. Realmente lindo! Um padrão similar é encontrado em todas as espécies do gênero Pantherodes, sendo esta a característica que mais claramente define o gênero.

Mariposa-leopardo na Bolívia. Foto do usuário shirdipam do iNaturalist.*

A mariposa-leopardo ocorre do México até a Argentina e é muito comum no sul do Brasil. Ela pertence a uma das famílias mais diversas de mariposas, Geometridae, caracterizada pela lagarta, chamada mede-palmo, que caminha como se estivesse medindo o chão, de onde o nome Geometridae (a partir do gênero-tipo Geometra, “medidora da terra”).

Mariposa-leopardo no sul do México. Foto de Roberto Pacheco García.*

Não fui capaz de encontrar muita informação sobre a mariposa-leopardo, no entanto. Suas lagartas parecem se alimentar de urtigas (família Urticaceae). No México, as lagartas desta espécie eram historicamente ingeridas como alimento pelos astecas e consideradas um alimento de grande valor, e a prática pode ainda acontecer em alguns grupos humanos.

E isso é tudo que eu consegui. Apesar de ser linda e facilmente notada, a mariposa-leopardo é mais uma espécie pouco conhecida.

– – –

Mais borboletas e mariposas:

Sexta Selvagem: Borboleta-88 (em 7 de setembro de 2012)

Sexta Selvagem: Pingos-de-prata (em 15 de abril de 2016)

Sexta Selvagem: Zigena-de-seis-pontos (em 26 de agosto de 2016)

Sexta Selvagem: Mariposa-luna (em 12 de julho de 2019)

– – –

Curta nossa página no Facebook!

Siga-me (@piterkeo) no Twitter!

– – –

Referências:

Biezanko CM, Ruffinelli A, Link D (1974) Plantas y otras sustancias alimenticias de las orugas de los lepidopteros uruguayos. Revista do Centro de Ciências Rurais 4(2): 107–148.

Pitkin LM (2002) Neotropical ennomine moths: a review of the genera (Lepidoptera: Geometridae). Zoological Journal of the Linnean Society 135(2–3): 121–401. doi: 10.1046/j.1096-3642.2002.00012.x

Ramos-Elorduy J, Moreno JMP, Vázquez AI, Landero I, Oliva-Rivera H, Camacho VHM (2011) Edible Lepidoptera in Mexico: Geographic distribution, ethnicity, economic and nutritional importance for rural people. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine 7: 2. doi: 10.1186/1746-4269-7-2

– – –

*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional

Deixe um comentário

Arquivado em Entomologia, Sexta Selvagem, Zoologia