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Túnel do Tempo #1: Evolução – O Jogo da Vida

por Carlos Augusto Chamarelli

Olá pessoal, PK aqui como de costume. Hoje apresentarei o primeiro dos artigos do Túnel do Tempo, onde relembraremos algumas das obras multimídias que vimos publicadas no Brasil e no mundo, incluindo jogos, filmes, documentários, livros, revistas, programas de computador ou qualquer outra coisa relacionada às ciências biológicas ou gerais, nos influenciando e dando asas à nossa imaginação, e claro, nos entretendo enquanto o fazem.

Nosso primeiro item do Túnel do Tempo será o jogo primariamente responsável pelo meu interesse na história da Terra e a evolução dos seres vivos: Evolução – O Jogo da Vida. Inicialmente desenvolvida pela Crossover Technologies e a Discovery Multimedia em 1997 sob o nome “Evolution – The Game of Intelligent Life”, foi lançado no Brasil, no ano seguinte, pelo Globo Multimídia, totalmente traduzido em português. Até hoje eu me recordo do dia em que eu vi sua peculiar caixa numa loja de informática no Shopping Nova América, hoje em dia uma loja de roupas, com blusas feiosas no lugar onde uma vez sua nobre caixa esteve.

Se ao menos fosse uma blusa com essa imagem talvez até salvaria.

Se ao menos fosse uma blusa com essa imagem talvez até salvaria.

O jogo é um misto de simulação com estratégia, e os jogadores têm a opção de escolher jogar na Terra histórica ou num mundo gerado aleatoriamente, além de poder escolher sua duração, tendo opções para só alguns períodos ou para a história completa dos vertebrados terrestres, de tetrápodes primitivos há 360 milhões de anos até o aparecimento de espécies inteligentes – o objetivo final do jogo – com um segundo representado cerca de 30 mil anos.

Poucas pessoas sabem mas os dinossauros apareceram no início do Permiano e sobreviveram até os dias de hoje na África. Pelo menos assim nos ensina Evolução.

Poucas pessoas sabem mas os dinossauros apareceram no início do Permiano e sobreviveram até os dias de hoje na África. Pelo menos assim nos ensina Evolução.

Há cerca de 170 espécies animais, incluindo tanto espécies famosas como o mamute lanoso e o Tiranossauro, quanto outras – na época em que foi lançado – pouco conhecidas, como o Indricotherium e o Ventastega. Há também espécies inteligentes além do Homo sapiens, inventadas pelos desenvolvedores para oferecer uma maior variedade e explorar possibilidades, tal como o Elephasapiens, um elefante inteligente, e o Saurosapiens, evoluídos de dinossauros; então não apenas esse jogo influenciou-me quanto à idéia geral da evolução, também foi de certa forma meu primeiro contato com evolução especulativa. Há também o Bestiário, a enciclopédia do jogo contendo textos informativos sobre cada criatura, além de explicar algumas decisões e explorações de idéias sutilmente introduzidas, tal como sinapisídeos e répteis anapsídeos podendo originar análogos aos dinossauros e a possibilidade de outros animais serem candidatos a originarem espécies inteligentes.

Um dos quais se parece com isso.

Um dos quais se parece com isso.

O jogo pode ser jogado sozinho ou com até 5 oponentes, mas mesmo sozinho o jogo é bem desafiante pois os continentes se movem, o clima muda e os habitats se alteram e você precisa evoluir suas criaturas para outras que consigam acompanhar os tempos – algo que não é tão fácil por vezes, mas quando você faz um Pantylus sobreviver do Carbonífero ao Cenozóico é difícil não sentir orgulho de si mesmo. Cada criatura tem uma época e ambientes específicos em que sobrevivem e se alimentam melhor, então é imperativo que você consiga tomar posse das fontes de alimento antes que seus inimigos o façam. Ao evoluir novas criaturas você deve alocar pontos que determinam o quão rápido você evolui – determinado pelo quão bem a população de criaturas está se alimentando -, o quanto sua alimentação irá melhorar, e quão bem sua criatura ataca ou se defende de outra criatura, este último sendo algo mais importante para partidas com vários jogadores, pois espécies predatórias são sua principal ferramenta para manter o controle de seu território e espantar invasores. Como se não bastasse essa luta pela sobrevivência entre as criaturas, há também os desastres naturais, causando extinções e por vezes alterando o clima global para desafiá-lo ainda mais.

Apesar de aparentemente ainda viverem em pântanos, os saurópodes não arrastam a cauda.

Apesar de aparentemente ainda viverem em pântanos, os saurópodes não arrastam a cauda.

No lançamento brasileiro há de brinde um pôster da Árvore da Vida, contendo todas as criaturas do jogo e suas linhas evolutivas, o que é ótimo e até hoje guardo a minha com muito cuidado para que sobreviva o dia em que eu possa emoldurá-la e pendurar na parede, mas infelizmente faltou o Bestiário do lançamento original, que traz as informações de cada espécie e ilustrações maiores em forma de livro. Mas tudo bem, o pôster já é um ótimo brinde por si só. O manual do jogo também, como era costume dos lançamentos dos anos 90, continha informações adicionais, em especial as notas do designer Greg Costikyan acerca das decisões que tomaram no desenvolvimento do jogo, tal como as limitações da época em que foi feito forçando que a seleção de espécies ter sido rigorosa para que pudesse oferecer uma boa variedade de criaturas interessantes e ainda criar uma árvore evolutiva análoga ao da vida real; tudo isso cabendo num CD.

Embora com jogabilidade de andamento lento – algo que não atrai muita gente que normalmente apenas se interessa com jogos de tiro em primeira pessoa –, é até hoje um dos meus favoritos, apesar de apenas rodar em Windows 98 e anteriores sem o auxílio de alterações. Antes desse jogo meu conhecimento sobre o passado da Terra se limitava a dinossauros e ao que era ensinado na escola sobre a história da humanidade, portanto eu fico feliz de ter assegurado uma cópia da loja virtual do Globo antes dessa fechar e agradeço com toda sinceridade a todos os que foram responsáveis por esse projeto.

 

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