Arquivo do mês: novembro 2017

Sexta Selvagem: Cerejeira-dos-Cinco-Sabores

por Piter Kehoma Boll

Vindo das florestas do Norte da China, da Coreia e do Leste da Rússia, nosso novo camarada é um cipó chamado Schisandra chinensis que pode popularmente ser referido como cerejeira-dos-cinco-sabores.

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Os belos frutos vermelhos da cerejeira-dos-cinco-sabores. Foto de Vladimir Kosolapov.*

Usada na medicina tradicional chinesa, a planta é considerada uma das 50 ervas fundamentais. A parte da planta mais comumente usada são as frutas, que são conhecidas como cerejas-dos-cinco-sabores ou frutas-dos-cinco-sabores. O nome é uma tradução do nome chinês, 五味子 (wǔwèizi), porque a fruta é dita conter todos os cinco sabores chineses básicos: salgado, doce, azedo, apimentado e amargo. Uma infusão preparada com as frutas secas é chamada de chá omija ou omija-cha, a partir do nome coreano dos frutos.

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Uma xícara de chá omija. Foto de Raheel Shahid.**

Os usos tradicionais da cerejeira-dos-cinco-sabores incluem o tratamento de desordens relacionadas principalmente aos órgãos sexuais. Vários estudos recentes por experimentos em laboratório indicaram que a planta possui um grande número de propriedades benéficas, incluindo propriedades antioxidantes e a habilidade de aumentar a resistência, habilidade de trabalho, acurácia de movimentos e habilidade mental. Ela também parece ser útil no tratamento de várias doenças e desordens, especialmente inflamatórias, como sinusite, otite, neurite, dermatite e gastrite, bem como em algumas doenças infecciosas como gripe e pneumonia, entre várias outras condições.

Eu certamente estou interessado em provar um copo de chá omija. E você? Já teve a chance?

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Referências:

Panossian, A.; Wikman, G. (2008) Pharmacology of Schisandra chinensis Bail.: An overview of Russian research and uses in medicine. Journal of Ethnopharmacology 118(2): 183-212. https://doi.org/10.1016/j.jep.2008.04.020

Wikipedia. Schisandra chinensis. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Schisandra_chinensis >. Access on October 31, 2017.

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Sexta Selvagem: Mexilhão-Marrom

por Piter Kehoma Boll

Até agora, os moluscos apresentados aqui incluíram um quíton, um cefalópode e dois gastrópodes. Então é hora de trazer um bivalve. E o que seria melhor do que mostrar um molusco comum do oceano Atlântico Sul?

Vivendo em praias rochosas em torno da América do Sul e da África, nosso camarada é chamado de Perna perna, ou mexilhão-marrom. Nos lugares em que vive, ele pode ser encontrado em grandes concentrações, às vezes cobrindo grandes áreas de rochas. Ele geralmente mede cerca de 90 mm de comprimento, mas alguns espécimes maiores podem chegar a até 120 mm. O aumento de área superficial nas rochas em que eles ocupam atrai outras espécies marinhas que vivem em rochas, como cracas, lepas, caramujos e algas.

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Alguns espécimes de Perna perna crescendo sobre uma ostra na África do Sul. Foto de Bernadette Hubbart.

O mexilhão-marrom é um filtrador, como a maioria dos bivalves, alimentando-se de matéria orgânica suspensa na água, bem como de pequenos microrganismos, como fitoplâncton e zooplâncton. Como presa, eles são comidos por uma variedade de animais, tais como aves marinhas, crustáceos e moluscos. Humanos também o consomem tanto na América do Sul quanto na África. Sua ingestão, contudo, precisa ser cautelosa, pois ele pode conter toxinas de dinoflagelados que ingeriu, bem como metais pesados de poluentes da água.

Espalhado pelo mundo por humanos ao se prender a barcos, o mexilhão-marrom se tornou invasor em outras partes, especialmente no Golfo do México, e continua a aumentar sua área ocupada. Isso pode ter efeitos deletérios tanto ecológica quanto economicamente, já que ele pode remover espécies nativas e também causar dano a equipamentos humanos. Ele é, portanto, mais uma espécie que se tornou um problema por causa de nós, humanos. E o dano não vai ser facilmente reparado.

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Referências:

Ferreira, A. G.; Machado, A. L. S.; Zalmon, I. R. (2004) Temporal and spatial variation on heavy metal concentrations in the bivalve Perna perna(LINNAEUS, 1758) on the northern coast of Rio de Janeiro State, Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology 47(2): 319–327. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-89132004000200020

Holland, B. S. (2001) Invasion without a bottleneck: microsatellite variation in natural and invasive populations of the brown mussel Perna perna (L). Marine Biotechnology 3, 407–415. https://dx.doi.org/10.1007/s1012601-0060-Z

Wikipedia. Perna perna. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Perna_perna >. Acesso em 21 de outubro de 2017.

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Sexta Selvagem: Morela-Amarela

por Piter Kehoma Boll

É hora do próximo fungo, e dessa vez é um delicioso, ou pelo menos imagino que seja, já que eu nunca o comi. Cientificamente conhecido como Morchella esculenta, eu não sei se ele possui nomes populares em português que não sejam adaptações de outras línguas, então decidi usar o nome morela-amarela, tradução e adaptação do inglês yellow morel. O nome também pode aparecer como morquela ou morel.

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Um corpo de frutificação da morela-amarela na França. Foto de Henk Monster.*

Comum na América do Norte e na Europa, bem como em partes da Ásia, especialmente em áreas de floresta, a morela-amarela é um fungo comestível popular do filo Ascomycota, então não é parente próxima dos cogumelos comuns, mas é um parente das trufas, por exemplo.

Morelas geralmente são fáceis de reconhecer devido à sua aparência peculiar. Aparecendo durante a primavera, seu corpo de frutificação é mais ou menos oval na forma, sendo coberto de depressões e cristas irregulares, e é oco.

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Uma morela aberta mostrando sua “ocidade”. Foto do usuário ooAmanitaoo da Wikimedia.*

Apesar de ser um dos cogumelos mais caros, as morelas podem causar alguns efeitos indesejáveis, como problemas gastrointestinais, se comidas cruas ou muito velhas. Assim, recomenda-se comer cogumelos jovens e ao menos escaldá-los antes do consumo. Como eles são ocos, é comum comê-los recheados com vegetais ou carne.

Estudos farmacológicos e bioquímicos revelaram que a morela-amarela possui muitas propriedades saudáveis, tal como a presença de antioxidantes, e substâncias que estimulam o sistema imunológico, bem como propriedades anti-inflamatórias e antitumor. É certamente um alimento que vale a pena incluir na dieta, pena que ele tende a ser tão caro…

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Referências:

Duncan, C. J. G.; Pugh, N.; Pasco, D. S.; Ross, S. A. (2002) Isolation of galactomannan that enhances macrophage activation from the edible fungs Morchella esculentaJournal of Agricultural and Food Chemistry, 50(20): 5683–5695. DOI: 10.1021/jf020267c

Mau, J.-L.; Chang, C.-N.; Huang, S.-J.; Chen, C.-C. (2004) Antioxidant properties of methanolic extracts from Grifola frondosa, Morchella esculenta and Termitomyces albuminosus mycelia. Food Chemistry, 87(1): 111-118.
https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2003.10.026

Nitha, B.; Meera, C. R.; Janardhanan, K. K. (2007) Anti-inflammatory and antitumour activities of cultured mycelium of morel mushroom, Morchella esculentaCurrent Science, 92(2): 235–239.

Wikipedia. Morchella esculenta. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Morchella_esculenta >. Acesso em 31 de outubro de 2017.

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Planárias cabeça-de-martelo: outrora uma bagunça, agora uma bagunça ainda maior

por Piter Kehoma Boll

Poucas pessoas sabem que planárias terrestres existem, mas quando sabem, elas muito provavelmente conhecem as planárias-cabeça-de-martelo que compreendem a subfamília Bipaliinae.

As planárias-cabeça-de-martelo, ou simplesmente vermes-cabeça-de-martelo, têm esse nome porque suas cabeças possuem expansões laterais que as fazem lembrar um martelo, uma pá ou uma picareta. Dê uma olhada:

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O “verme-cabeça-de-martelo-errante”, Bipalium vagum. Note a cabeça peculiar. Foto do usuário budak do flickr.*

Os chineses conheciam os vermes-cabeça-de-martelo desde pelo menos o século X, o que é compreensível, visto que elas se distribuem do Japão até Madagascar, incluindo todo o sul e sudeste da Ásia, bem como a Indonésia, as Filipinas e outros arquipélagos. O mundo ocidental, no entanto, ouviu primeiro falar delas em 1857, quando William Stimpson descreveu as primeiras espécies e as pôs num gênero chamado Bipalium, do Latim bi- (dois) + pala (pá), devido ao formato da cabeça. Uma delas era a espécie Bipalium fuscatum, uma espécie japonesa que é atualmente considerada a espécie-tipo do gênero.

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Região anterior de Bipalium fuscatum, o “verme-cabeça-de-martelo-amarronzado”. Foto do usuário 根川大橋 da Wikimedia.**

Dois anos depois, em 1859, Ludwig K. Schmarda descreveu mais uma espécie, esta do Sri Lanka, e, sem ter conhecimento do artigo de Stimpson, chamou a espécie de Sphyrocephalus dendrophilus, criando o novo gênero para ela do grego sphȳra (martelo) + kephalē (cabeça).

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Dezenhos por Schmarda de Sphyrocephalus dendrophilus.

No ano seguinte, em 1860, Edward P. Wright fez algo similar e descreveu alguns vermes-cabeça-de-martelo da Índia e da China, criando um novo gênero, Dunlopea, para elas. O nome foi uma homenagem a seu amigo A. Dunlop (seja lá quem for).

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Desenho por Wright de Dunlopea grayia (agora Diversibipalium grayi) da China.

Eventualmente esses erros foram percebidos e todas as espécies foram postas no gênero Bipalium, junto com várias outras descritas nos anos seguintes. Todos os vermes-cabeça-de-martelo eram parte do gênero Bipalium até 1896, quando Ludwig von Graff decidiu melhorar a classificação e os dividiu em três gêneros:

1. Bipalium: com uma cabeça tendo longas “orelhas”, uma cabeça bem desenvolvida.
2. Placocephalus (“cabeça de placa”): com uma cabeça mais semicircular.
3. Perocephalus (“cabeça mutilada”): com uma cabeça mais curta, rudimentar, quase como se tivesse sido cortada fora.

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Compare as cabeças de espécies típicas de Bipalium (esquerda), Placocephalus (centro) e Perocephalus (direita), de acordo com Graff.

Este sistema, no entanto, foi logo abandonado e tudo voltou a ser simplesmente Bipalium e continuou assim por quase um século, mudando de novo apenas em 1998, quando Kawakatsu e seus amigos começaram a mexer com os pênis dos vermes-cabeça-de-martelo.

Primeiro, em 1998, eles criaram o gênero Novibipalium (“novo Bipalium”) para espécies com uma papila penial reduzida ou ausente, e mantiveram em Bipalium aquelas com uma papila penial “bem” desenvolvida. Vale ressaltar, no entanto, que essa papila bem desenvolvida não é muito maior que a papila reduzida de Novibipalium. Em ambos os gêneros o pênis verdadeiro, funcional, é formado por um conjunto de dobras do átrio masculino e não pela papila penial em si como acontece em outras planárias terrestres com papila penial.

Mais tarde, em 2001, Ogren & Sluys separaram mais algumas espécies de Bipalium em um gênero novo chamado Humbertium (homenageando Aloïs Humbert, que descreveu a maioria das espécies desse novo gênero). Elas foram separadas de Bipalium porque os ovovitelodutos (os dutos que conduzem os ovos e os vitelócitos) entram no átrio feminino pela frente, e não por trás como numa Bipalium típica. Essa separação é, na minha opinião, mais razoável que a anterior.

Agora tínhamos três gêneros de vermes-cabeça-de-martelo baseados em sua anatomia interna, mas várias espécies foram descritas sem qualquer conhecimento de seus órgãos sexuais. Assim, em 2002, Kawakatsu e seus amigos criaram mais um gênero, Diversibipalium (“o Bipalium diverso”) para incluir todas as espécies cuja anatomia dos órgãos sexuais era desconhecida. Em outras palavras, é um gênero “cesto de lixo” para colocá-las até que sejam melhor estudadas.

Mas será que esses três gêneros, Bipalium, NovibipaliumHumbertium, como agora definidos, são naturais? Ainda não sabemos, mas eu aposto que não. Uma boa maneira de conferir seria usando filogenia molecular, mas não temos pessoas trabalhando com esses animais em seu habitat natural, assim não temos material disponível para isso. Outra coisa que pode nos dar uma luz é olhar para sua distribuição geográfica. Podemos assumir que espécies geneticamente similares, especialmente de organismos com uma habilidade de dispersão tão baixa quanto planárias terrestres, ocorram todas na mesma região geográfica, certo? Então onde encontramos as espécies de cada gênero? Vamos ver:

Bipalium: Indonésia, Japão, China, Coreia, Índia.

Novibipalium: Japão.

Humbertium: Madagascar, Sri Lanka, Sul da Índia, Indonésia.

Estranho, né? Elas estão completamente misturadas e cobrindo uma enorme área do planeta, especialmente se considerarmos Humbertium. Podemos ver uma tendência, mas nada muito claro.

Felizmente, algumas análises moleculares foram publicadas (veja Mazza et al. (2016) nas referências). Uma, que incluiu as espécies Bipalium kewenseB. nobileB. adventitiumNovibipalium venosumDiversibipalium multilineatum, colocou Diversibipalium multilineatum bem perto de Bipalium nobile, e elas são de fato similares, então acho que podemos transferi-la de Diversibipalium para Bipalium, certo? Similarmente, Novibipalium venosum apaece misturada com as espécies de Bipalium. Acho que isso bagunça as coisas um pouco mais.

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Cabeça de algumas espécies de Bipalium, incluindo as usadas no estudo citado acima. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto ou um desenho de Novibipalium venosum. Imagem por mim mesmo, Piter Kehoma Boll.**

Interessantemente, entre as espécies analisadas, a mais divergente foi Bipalium adventitium, cuja cabeça é mais “obtusa” que a das outras. Poderia a cabeça ser a resposta, afinal? Vamos esperar que alguém com os recursos necessários esteja disposto a resolver essa bagunça logo.

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Veja também:

Encontrados e depois perdidos: o lado não tão iluminado da taxonomia.

Eles só se importam se você for fofo. Como o carisma prejudica a biodiversidade.

A fabulosa aventura taxonômica do gênero Geoplana.

Planaria elegans de Darwin: escondida, extinta ou mal identificada?

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Referências:

Graff, L. v. (1896) Über das System und die geographische Verbreitung der Landplanarien. Verhandlungen der Deutschen Zoologischen Gesellschaft6: 61–75.

Graff, L. v. (1899) Monographie der Turbellarien. II. Tricladida Terricola (Landplanarien). Engelmann, Leipzig.

Kawakatsu, M.; Ogren, R. E.; Froehlich, E. M. (1998) The taxonomic revision of several homonyms in the genus Bipalium, family Bipaliidae (Turbellaria, Seriata, Tricladida, Terricola). The Bulletin of Fuji Women’s College Series 236: 83–93.

Kawakatsu, M.; Ogren, R. E.; Froehlich, E. M., Sasaki, G.-Y. (2002) Additions and corrections of the previous land planarians indices of the world (Turbellaria, Seriata, Tricladida, Terricola). The bulletin of Fuji Women’s University. Ser. II40: 162–177.

Mazza, G.; Menchetti, M.; Sluys, R.; Solà, E.; Riutort, M.; Tricarico, E.; Justine, J.-L.; Cavigioli, L.; Mori, E. (2016) First report of the land planarian Diversibipalium multilineatum (Makino & Shirasawa, 1983) (Platyhelminthes, Tricladida, Continenticola) in Europe. Zootaxa4067(5): 577–580.

Ogren, R. E.; Sluys, R. (2001) The genus Humbertiumgen. nov., a new taxon of the land planarian family Bipaliidae (Tricladida, Terricola). Belgian Journal of Zoology131: 201–204.

Schmarda, L. K. (1859) Neue Wirbellose Thiere beobachtet und gesammelt auf einer Reise um die Erde 1853 bis 1857 1. Turbellarien, Rotatorien und Anneliden. Erste Hälfte. Wilhelm Engelmann, Leipzig.

Stimpson, W. (1857) Prodromus descriptionis animalium evertebratorum quæ in Expeditione ad Oceanum, Pacificum Septentrionalem a Republica Federata missa, Johanne Rodgers Duce, observavit er descripsit. Pars I. Turbellaria Dendrocœla. Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia9: 19–31.

Wright, E. P. (1860) Notes on Dunlopea. Annals and Magazine of Natural History, 3rd ser.6: 54–56.

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Sexta Selvagem: Esponja-gradeada-comum

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar ao mar e a nossos parentes distantes, as esponjas. Hoje vou trazer uma esponja calcária com uma bela aparência, Clathrina clathrus, que eu decidi chamar de “esponja-gradeada-comum”.

Encontrada no Mar Mediterrâneo e na costa europeia do Oceano Atlântico, a esponja-gradeada comum possui uma coloração amarela e cerca de 10 cm de diâmetro. Ela é formada por um emaranhado de tubos que de certa forma lembram uma grade torcida ou algo do tipo.

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Um espécime de Clathrina clathrus com sua aparência gradeada. Foto do usuário Esculapio do WIkimedia.*

O formato e o tamanho dos espécimes é bem variado, mudando em questão de horas por expansão, contração ou dobramento de estruturas e células. Da mesma forma, espécimes frequentemente se fragmentam em outros menores ou fundem para formar outros maiores, de forma que a individualidade é um processo dinâmico.

Recentemente, a esponja-gradeada-comum revelou conter alguns compostos, conhecidos como clatridiminas, que apresentam atividade antimicrobiana contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, bem como contra o fungo Candida albicans. Estes compostos podem ser produzidos pela diversa comunidade de bactérias que vivem em associação íntima com a esponja, uma comunidade que ainda é muito pouco conhecida.

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Referências:

Gaino, E.; Pansini, M.; Pronzato, R.; Cicogna, F. (1991) Morphological and structural variations in Clathrina clathrus (Porifera, Calcispongiae). In.: Reitner, J.; Keupp, H. (Eds.) Fossil and Recent Sponges. Springer-Verlag, Berlin. pp. 360-371.

Quévrain, E.; Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2014) Assessing the potential bacterial origin of the chemical diversity in calcareous sponges. Journal of Marine Science and Technology 22(1): 36-49.

Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Ereskovsky, A.; Djediat, C.; Perez, T.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2010) Cellular localization of clathridimine, an antimicrobial 2-aminoimidazole alkaloid produced by the Mediterranean calcerous sponge Clathrina clathrusThe Journal of Natural Products 73(7): 1277–1282.

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