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Sexta Selvagem: Cone-Tulipa

por Piter Kehoma Boll

O ano já quase terminou, mas se você tocasse a espécie da Sexta Selvagem de hoje, ele terminaria agora mesmo e sem um ano novo depois dele.

Vivendo ao longo das costas do Oceano Índico, incluindo África Oriental, Madagascar, Índia, Australia Ocidental e vários arquipélagos como as Mascarenas e as Filipinas, nosso camarada, Conus tulipa, é popularmente conhecido como o cone-tulipa. Apesar do belo nome, contudo, ele não é uma espécie legal de se ter por perto.

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Um espécie vivo de Conus tulipa na ilha Reunião, nas Mascarenas. Foto de Philippe Bourjon.*

O cone-tulipa é uma espécie do gênero Conus, formado por caramujos marinhos predadores que se alimentam de uma variedade de animais, tais como peixes, vermes e outros moluscos. Eles capturam a presa ferroando-a com um arpão venenoso que é feito de um dente modificado de sua rádula (língua). Os arpões são armazenados em um saco e disparados em presas próximas. Como muitas espécies se alimentam de presas rápidas, como peixes, o veneno é muito poderoso, podendo matar o alvo em poucos segundos. Em algumas espécies, incluindo o cone-tulipa, esse veneno poderoso é forte o bastante para matar um ser humano adulto.

Como acontece com outras espécies peçonhentas, no entanto, nem tudo é ruim. Várias toxinas diferentes e outros componentes foram recentemente isolados do veneno do cone-tulipa, muitos dos quais podem eventualmente ser usados para desenvolver novos medicamentos.

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Referências:

Alonso, D.; Khalil, Z.; Satkunanthan, N.; Livett, B. G. (2003) Drugs From the Sea: Conotoxins as Drug Leads for Neuropathic Pain and Other Neurological Conditions. Mini Reviews in Medicinal Chemistry3: 785–787.

Dutertre, S.; Croker, D.; Daly, N. L., Anderson, Å,.; Muttenhaler, M.; Lumsden, N. G.; Craik, D. J.; Alewood, P. F.; Guillon, G.; Lewis, R. J. (2008) Conopressin-T from Conus tulipa reveals an anatagonist switch in vasopressin-like peptides. Journal of Biological Chemistry283, 7100–7108.

Hill, J. M.; Alewood, P. F.; Craik, D. J. (2000) Conotoxin TVIIA, a novel peptide from the venom of Conus tulipa. The FEBS Journal, 267 (15): 4649–4657.

Wikipedia. Conus tulipa. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Conus_tulipa >. Acesso em 28 de dezembro de 2017.

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Arquivado em moluscos, Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Mexilhão-Marrom

por Piter Kehoma Boll

Até agora, os moluscos apresentados aqui incluíram um quíton, um cefalópode e dois gastrópodes. Então é hora de trazer um bivalve. E o que seria melhor do que mostrar um molusco comum do oceano Atlântico Sul?

Vivendo em praias rochosas em torno da América do Sul e da África, nosso camarada é chamado de Perna perna, ou mexilhão-marrom. Nos lugares em que vive, ele pode ser encontrado em grandes concentrações, às vezes cobrindo grandes áreas de rochas. Ele geralmente mede cerca de 90 mm de comprimento, mas alguns espécimes maiores podem chegar a até 120 mm. O aumento de área superficial nas rochas em que eles ocupam atrai outras espécies marinhas que vivem em rochas, como cracas, lepas, caramujos e algas.

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Alguns espécimes de Perna perna crescendo sobre uma ostra na África do Sul. Foto de Bernadette Hubbart.

O mexilhão-marrom é um filtrador, como a maioria dos bivalves, alimentando-se de matéria orgânica suspensa na água, bem como de pequenos microrganismos, como fitoplâncton e zooplâncton. Como presa, eles são comidos por uma variedade de animais, tais como aves marinhas, crustáceos e moluscos. Humanos também o consomem tanto na América do Sul quanto na África. Sua ingestão, contudo, precisa ser cautelosa, pois ele pode conter toxinas de dinoflagelados que ingeriu, bem como metais pesados de poluentes da água.

Espalhado pelo mundo por humanos ao se prender a barcos, o mexilhão-marrom se tornou invasor em outras partes, especialmente no Golfo do México, e continua a aumentar sua área ocupada. Isso pode ter efeitos deletérios tanto ecológica quanto economicamente, já que ele pode remover espécies nativas e também causar dano a equipamentos humanos. Ele é, portanto, mais uma espécie que se tornou um problema por causa de nós, humanos. E o dano não vai ser facilmente reparado.

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Referências:

Ferreira, A. G.; Machado, A. L. S.; Zalmon, I. R. (2004) Temporal and spatial variation on heavy metal concentrations in the bivalve Perna perna(LINNAEUS, 1758) on the northern coast of Rio de Janeiro State, Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology 47(2): 319–327. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-89132004000200020

Holland, B. S. (2001) Invasion without a bottleneck: microsatellite variation in natural and invasive populations of the brown mussel Perna perna (L). Marine Biotechnology 3, 407–415. https://dx.doi.org/10.1007/s1012601-0060-Z

Wikipedia. Perna perna. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Perna_perna >. Acesso em 21 de outubro de 2017.

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Arquivado em moluscos, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Radiolário-Trançado-do-Norte

por Piter Kehoma Boll

Algumas semanas atrás eu apresentei uma diatomácea aqui e mencionei que, apesar de serem um grupo muito abundante, pouca informação sobre as espécies está disponível. Hoje nossa espécie é um radiolário e, assim como as diatomáceas, eles são abundantes, mas pouco conhecidos.

Foi difícil encontrar uma espécie viva que também tivesse uma foto boa e disponível para compartilhar. E o vencedor foi uma espécie conhecida como Cleveiplegma boreale, ou Rhizoplegma boreale talvez. Não tenho certeza de qual é o nome atualmente aceito. Enfim, ele não tem um nome comum, mas eu decidi criar um, então vamos chamá-lo de “radiolário-trançado-do-norte”.

Radiolários são organismos unicelulares que possuem um esqueleto mineral intrincado que contém uma cápsula central que tipicamente divide a célula em duas porções: uma interna e uma externa. Nosso camarada se parece com isso:

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Um espécime vivo do radiolário-trançado-do-norte. Foto de John Dolan.*

O radiolário-trançado-do-norte tem de 6 a 10 espinhos crescendo para fora e há um padrão complexo de esqueleto trançado que envolve tanto os espinhos quando a cápsula interna. Medindo cerca de 20 µm de diâmetro, ele é um radiolário consideravelmente grande.

Apesar de ser conhecido de fósseis ao longo do quaternário, de pelo menos 10 mil anos antes do presente, o radiolário-trançado-do-norte ainda é uma espécie vive. Atualmente sabe-se que ele ocorre nos Mares Nórdicos, em torno da Escandinávia, Islândia e Groenlândia, no Pacífico Norte, incluindo o Mar de Bering, e no Oceano Austral, em torno da Antártida. Podemos ver, portanto, que essa espécie gosta de águas frias.

Ah, e eles se alimentam de diatomáceas… eu acho.

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Referências:

Dolven, J., & Bjørklund, K. (2001). An early Holocene peak occurrence and recent distribution of Rhizoplegma boreale (Radiolaria): a biomarker in the Norwegian Sea Marine Micropaleontology, 42 (1-2), 25-44 DOI: 10.1016/S0377-8398(01)00011-1

Dumitrica, P. (2013). Cleveiplegma nov. gen., a new generic name for the radiolarian species Rhizoplegma boreale (Cleve, 1899) Revue de Micropaléontologie, 56 (1), 21-25 DOI: 10.1016/j.revmic.2013.01.001

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