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Sexta Selvagem: Grômia-gigante

por Piter Kehoma Boll

Algum tempo atrás eu apresentei uma interessante alga unicelular, o olho-do-marinheiro, que pode atingir cerca de 5 cm de diâmetro, sendo um dos maiores organismos unicelulares conhecidos.

Hoje conheceremos mais uma criatura deste tipo, mas não se trata de uma alga e sim de uma ameba testada mais proximamente relacionada aos foraminíferos. Chamada Gromia sphaerica, vou chamá-la aqui de grômia-gigante.

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Espécimes de grômia-gigante das Bahamas. Imagem extraída de Matz et al. (2008)

A grômia-gigante foi primeiro encontrada no Mar da Arábia a profundidades de mais de 1100 m e foi formalmente descrita em 2000. Ela vive deitada no substrato e geralmente está coberta por uma fina camada de sedimento, aparecendo como pequenas esferas espalhadas através do fundo do mar. O corpo é esférico ou em formato de uva, mas oco, com o interior preenchido de material fecal (chamados estercomas) ou outros fluidos. Esta célula esférica é coberta por uma concha, ou testa, de material orgânico que apresenta várias perfurações pequenas pelas quais finas expansões do citoplasma, formando um tipo de pseudópode, podem ser estendidas. O tamanho da testa pode chegar a 3 cm de diâmetro, sendo muito maior que a de seu parente mais bem conhecido, Gromia oviformis.

Em 2008, outra população da espécie foi encontrada em águas em torno das Bahamas. Os espécimes lá não são tão esféricos como na população do Mar da Arábia e foram vistos associados a rastros que indicam que estes organismos se movem lentamente através do sedimento. Os rastros se assemelham claramente a alguns rastros fósseis do Pré-Cambriano, que são geralmente considerados uma indicação da evolução precoce de animais pluricelulares. Contudo esta descoberta de organismos unicelulares capazes de produzir rastros similares aos associados a animais levanta dúvidas sobre o momento em que animais pluricelulares surgiram.

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Referências:

Gooday AJ, Bowser SS, Bett BJ, Smith CR (2000) A large testate protist, Gromia sphaerica sp. nov. (Order Filosea), from the bathyal Arabian Sea. Deep-Sea Research II 47: 55–73.

Matz MV, Frank TM, Marshall NJ, Widder EA, Johnsen S (2008) Giant deep-sea protists produces bilaterian-like traces. Current Biology 18(23): 1849–1854. https://doi.org/10.1016/j.cub.2008.10.028

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Sexta Selvagem: Camarão-Semente-Vênus-de-Dente-Afiado

por Piter Kehoma Boll

Chegamos de novo a uma dessas semanas problemáticas em que tenho que falar sobre algo do qual conheço muito pouco. Desta vez o problema se chama Euphilomedes carcharodonta, um pequeno crustáceo da classe Ostracoda, conhecidos como ostrácodos ou camarões-sementes. Decidi adaptar o nome desta espécie como camarão-semente-vênus-de-dente-afiado.

Apesar de os camarões-sementes formarem um grupo muito diverso e rico em espécies, não consigo encontrar muitos detalhes de uma espécie em particular, de forma que é um desafio apresentar um aqui, mas decidi falar um pouco sobre o camarão-semente-vênus-de-dente-afiado, então vamos lá.

Um macho do camarão-semente-vênus-de-dente-afiado. A mancha escura é um olho lateral. Foto de Ajna Rivera.*

Medindo apenas alguns milímetros, o camarão-semente-vênus-de-dente-afiado é encontrado no mar ao longo da costa oeste dos Estados Unidos. Ele tem uma aparência típica de ostrácodo, se parecendo com um pequeno camarão dentro de uma concha bivalve.

Machos e fêmeas do camarão-semente-vênus-de-dente-afiado apresentam dimorfismo sexual, parte do qual não é apenas relacionado diretamente ao sexo, mas na verdade a diferentes nichos que cada sexo ocupa no ambiente. As fêmeas passam a maior parte do tempo enterradas nos sedimentos onde a luz e os predadores são limitados e, como resultado, possuem olhos pouco desenvolvidos. Os machos, por outro lado, passam muito tempo nadando na água e são muito vulneráveis a predadores como peixes. Assim, os machos possuem olhos bem desenvolvidos que os permitem ver peixes de longe. Experimentos demonstraram que os olhos não são úteis para que os machos encontrem as minúsculas fêmeas, mas são essenciais para sobreviver aos predadores.

Um camarão-semente-vênus-de-dente-afiado fêmea. Note que ela não tem o olho lateral visto no macho. Foto de Ajna Rivera.*

E isso é tudo que eu consegui sobre esse carinha. Como eu pedi anteriormente quando falei de outros grupos de organismos, como foraminíferos, se você possui boas fontes sobre conhecimento mais detalhado de espécies deste grupo, por favor, compartilhe nos comentários. Precisamos dar mais visibilidade a essas almas minúsculas e negligenciadas que dividem este planeta conosco.

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Referências:

Sajuthi, A., Carrillo-Zazuetta, B., Hu, B., Wang, A., Brodnansky, L., Mayberry, J., & Rivera, A. S. (2015). Sexually dimorphic gene expression in the lateral eyes of Euphilomedes carcharodonta (Ostracoda, Pancrustacea) EvoDevo, 6 : 10.1186/s13227-015-0026-2

Speiser, D. I., Lampe, R. I., Lovdahl, V. R., Carrillo-Zazueta, B., Rivera, A. S., & Oakley, T. H. (2013). Evasion of Predators Contributes to the Maintenance of Male Eyes in Sexually Dimorphic Euphilomedes Ostracods (Crustacea) ntegrative and Comparative Biology, 53 (1), 78-88

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 2.0 Genérica.

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Sexta Selvagem: Polvo-azul-anelado-maior

por Piter Kehoma Boll

Águas tropicais estão sempre transbordando de diversidade, portanto é difícil ficar longe delas. A Sexta Selvagem de hoje traz mais uma criatura das águas oceânicas tropicais, mais precisamente das águas indo-pacíficas. Sendo encontrado do Sri Lanka até as Filipinas, o Japão e a Austrália, nosso camarada de hoje é chamado Hapalochlaena lunulata e popularmente conhecido como o polvo-azul-anelado-maior.

Esse polvo adorável é muito pequeno, medindo apenas 10 cm, incluindo os braços. Ele, no entanto, chama a atenção facilmente porque seu corpo de cor esbranquiçada a amarelo-escura é coberto por cerca de 60 anéis que apresentam uma bela cor azul-elétrica com um contorno preto. Como na maioria dos polvos, a cor pode mudar de acordo com as necessidades do animal de forma a torná-lo mais ou menos visível.

Um espécime do polvo-azul-anelado-maior na Indonésia. Foto de Jens Petersen.*

Esse adorável padrão de coloração, que pode parecer atraente para nós, humanos, é, no entanto, um sinal de advertência. O polvo-azul-anelado-maior é uma criatura peçonhenta e pode até mesmo matar um ser humano caso se sinta ameaçado. Como outros polvos, ele é um predador e se alimenta principalmente de crustáceos e bivalves e os imobiliza om uma toxina antes do consumo. Essa, porém, é uma toxina fraca. O perigo real está em seu comportamento defensivo.

Quando ameaçado, o polvo-azul-anelado-maior geralmente começa com uma sinalização de alerta onde dispara seus anéis em cores fortes. Se isso não for o suficiente para fazer a criatura que o ameaça recuar, ele ataca e morde seu molestador. A mordida geralmente é indolor, mas mortal. O veneno injetado não é nada mais nada menos que a infame tetrodotoxina, a mesma coisa que faz o baiacu um alimento perigoso. Como você talvez saiba, a tetrodotoxina é uma neurotoxina potente que mata entre alguns minutos a algumas horas ao bloquear o potencial de ação nas células, levando à paralisia e morte por asfixia. No polvo-azul-anelado-maior, a tetrodotoxina é produzida por bactérias que vivem em suas glândulas salivares.

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Um polvo-azul-anelado-maior nadando. Foto de Elias Levy.**

Um estudo analisando o comportamento sexual do polvo-azul-anelado-maior demonstrou que o acasalamento ocorre em encontros tanto de machos com fêmeas quanto de machos com machos. O ritual de acasalamento dos polvos consiste no macho inserindo o hectocótilo, um braço especializado para entregar esperma, no manto da fêmea. Em casais macho-macho, um dos machos sempre punha seu hectocótilo no manto do outro macho e não houve tentativas do macho receptivo de evitar o ato. A única diferença entre machos copulando com fêmeas ou com outros machos é que eles apenas entregavam o esperma para fêmeas e nunca para machos. O que podemos concluir disso? Teriam os polvos encontrado uma forma eficiente de serem bissexuais para se divertirem com outros machos e ainda manterem o esperma para dá-lo a fêmeas?

A diversidade da vida sempre nos fascina!

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Referências:

Cheng, M. W.; Caldwell, R. L. (2000) Sex identification and mating in the blue-ringed octopus, Hapalochlaena lunulataAnimal Behavior 60: 27-33. DOI: 10.1006/anbe.2000.1447

Mäthger, L. M.; Bell, G. R. R.; Kuzirian, A. M.; Allen, J. J.; Hanlon, R. T. (2012) How does the blue-ringed octopus (Hapalochlaena lunulata) flash its blue rings? Journal of Experimental Biology 215: 3752-3757. DOI: 10.1242/jeb.076869

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Sexta Selvagem: Corda-de-defunto

por Piter Kehoma Boll

Disseminada em águas temperadas do norte dos oceanos Atlântico e Pacífico, a espécie da Sexta Selvagem é uma alga marrom cujo nome científico, Chorda filum, significando “corda fio”, é uma boa forma de descrever sua aparência. Suas frondes são longas e sem ramificações, medindo cerca de 5 mm de diâmetro e atingindo até 8 m de comprimento, de forma que realmente parece uma longa corda, o que levou a nomes comuns como corda-de-defunto, laço-do-mar, tripa-de-gato, alga-laço-de-bota, tranças-de-sereia e linha-de-pesca-de-sereia.

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Um grupo de cordas-de-defunto crescendo juntas. Créditos a Biopix: JC Shou.

Essa alga geralmente é encontrada em áreas abrigadas, como em lagoas, enseadas, pequenas baías, fiordes ou mesmo estuários de rios, sendo muito tolerante a águas com baixa salinidade, mas evitando praias abertas, expostas. Ela cresce presa ao substrato por um pequeno disco, estando geralmente presa a substratos muito instáveis, como pedregulhos soltos ou mesmo outras algas, e raramente é encontrada em rochas estáveis. Como resultado, durante eventos em que as águas se tornam agitadas, como durante tempestades, ela pode ser facilmente transportada para outras localidades.

Várias espécies vivem nas frondes da corda-de-defunto, incluindo muitas algas e caramujos marinhos. Outros invertebrados, como anfípodes, parecem não gostar muito dela.

Estudos mostraram que a corda-de-defunto é rica em antioxidantes, compostos que ajudam a reduzir o processo de envelhecimento e diminuem os riscos de doenças como o câncer. Apesar de comestível, a corda-de-defunto não é amplamente usada como fonte de alimento. Talvez possamos mudar isso, contanto que tal ação seja conduzida de maneira sustentável.

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Referências:

Pereira, L. (2016) Edible Seaweeds of the World, CRC Press, London, 463 pp.

South, G. R.; Burrows, E. M. (1967) Studies on marine algae of the British Isles. 5. Chorda filum (L.) StackhBritish Phycological Bulletin3(2): 379-402.

Yan, X.; Nagata, T.; Fan, X. (1998) Antioxidative activities in some common seaweedsPlant Foods for Human Nutrition 52: 253-262.

 

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Sexta Selvagem: Mexilhão-Marrom

por Piter Kehoma Boll

Até agora, os moluscos apresentados aqui incluíram um quíton, um cefalópode e dois gastrópodes. Então é hora de trazer um bivalve. E o que seria melhor do que mostrar um molusco comum do oceano Atlântico Sul?

Vivendo em praias rochosas em torno da América do Sul e da África, nosso camarada é chamado de Perna perna, ou mexilhão-marrom. Nos lugares em que vive, ele pode ser encontrado em grandes concentrações, às vezes cobrindo grandes áreas de rochas. Ele geralmente mede cerca de 90 mm de comprimento, mas alguns espécimes maiores podem chegar a até 120 mm. O aumento de área superficial nas rochas em que eles ocupam atrai outras espécies marinhas que vivem em rochas, como cracas, lepas, caramujos e algas.

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Alguns espécimes de Perna perna crescendo sobre uma ostra na África do Sul. Foto de Bernadette Hubbart.

O mexilhão-marrom é um filtrador, como a maioria dos bivalves, alimentando-se de matéria orgânica suspensa na água, bem como de pequenos microrganismos, como fitoplâncton e zooplâncton. Como presa, eles são comidos por uma variedade de animais, tais como aves marinhas, crustáceos e moluscos. Humanos também o consomem tanto na América do Sul quanto na África. Sua ingestão, contudo, precisa ser cautelosa, pois ele pode conter toxinas de dinoflagelados que ingeriu, bem como metais pesados de poluentes da água.

Espalhado pelo mundo por humanos ao se prender a barcos, o mexilhão-marrom se tornou invasor em outras partes, especialmente no Golfo do México, e continua a aumentar sua área ocupada. Isso pode ter efeitos deletérios tanto ecológica quanto economicamente, já que ele pode remover espécies nativas e também causar dano a equipamentos humanos. Ele é, portanto, mais uma espécie que se tornou um problema por causa de nós, humanos. E o dano não vai ser facilmente reparado.

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Referências:

Ferreira, A. G.; Machado, A. L. S.; Zalmon, I. R. (2004) Temporal and spatial variation on heavy metal concentrations in the bivalve Perna perna(LINNAEUS, 1758) on the northern coast of Rio de Janeiro State, Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology 47(2): 319–327. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-89132004000200020

Holland, B. S. (2001) Invasion without a bottleneck: microsatellite variation in natural and invasive populations of the brown mussel Perna perna (L). Marine Biotechnology 3, 407–415. https://dx.doi.org/10.1007/s1012601-0060-Z

Wikipedia. Perna perna. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Perna_perna >. Acesso em 21 de outubro de 2017.

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Sexta Selvagem: Esponja-gradeada-comum

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar ao mar e a nossos parentes distantes, as esponjas. Hoje vou trazer uma esponja calcária com uma bela aparência, Clathrina clathrus, que eu decidi chamar de “esponja-gradeada-comum”.

Encontrada no Mar Mediterrâneo e na costa europeia do Oceano Atlântico, a esponja-gradeada comum possui uma coloração amarela e cerca de 10 cm de diâmetro. Ela é formada por um emaranhado de tubos que de certa forma lembram uma grade torcida ou algo do tipo.

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Um espécime de Clathrina clathrus com sua aparência gradeada. Foto do usuário Esculapio do WIkimedia.*

O formato e o tamanho dos espécimes é bem variado, mudando em questão de horas por expansão, contração ou dobramento de estruturas e células. Da mesma forma, espécimes frequentemente se fragmentam em outros menores ou fundem para formar outros maiores, de forma que a individualidade é um processo dinâmico.

Recentemente, a esponja-gradeada-comum revelou conter alguns compostos, conhecidos como clatridiminas, que apresentam atividade antimicrobiana contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, bem como contra o fungo Candida albicans. Estes compostos podem ser produzidos pela diversa comunidade de bactérias que vivem em associação íntima com a esponja, uma comunidade que ainda é muito pouco conhecida.

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Referências:

Gaino, E.; Pansini, M.; Pronzato, R.; Cicogna, F. (1991) Morphological and structural variations in Clathrina clathrus (Porifera, Calcispongiae). In.: Reitner, J.; Keupp, H. (Eds.) Fossil and Recent Sponges. Springer-Verlag, Berlin. pp. 360-371.

Quévrain, E.; Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2014) Assessing the potential bacterial origin of the chemical diversity in calcareous sponges. Journal of Marine Science and Technology 22(1): 36-49.

Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Ereskovsky, A.; Djediat, C.; Perez, T.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2010) Cellular localization of clathridimine, an antimicrobial 2-aminoimidazole alkaloid produced by the Mediterranean calcerous sponge Clathrina clathrusThe Journal of Natural Products 73(7): 1277–1282.

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Sexta Selvagem: Esponja-vaso-ramificada

por Piter Kehoma Boll

Um grupo de animais fascinantes que ainda não apareceu na Sexta Selvagem são as esponjas. Diferente de todos os outros animais, as esponjas possuem uma estrutura corporal única que se comporta mais como uma planta ou um fungo. Elas crescem de forma irregular ou radial e são geralmente ramificadas. Mais que isso, elas têm milhares de pequenas bocas ao longo do corpo, chamadas de poros, que sugam água do ambiente para filtrar alimento dela.

Mas vamos falar da nossa espécie. Vivendo no Mar do Caribe, seu nome é Callyspongia vaginalis, comumente conhecida em inglês como branching vase sponge, nome que adaptei em português para esponja-vaso-ramificada. Seu formato típico é de um tubo ou conjunto de tubos, às vezes ramificados, que podem atingir vários centímetros de comprimento e geralmente cerca de 3 cm de diâmetro. A cor pode variar de rosa ou lavanda a cores mais apagadas, como marrom ou cinza.

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Um cano lavanda de Callyspongia vaginalis. Foto de Mark Rosenstein.*

Como a maioria das esponjas, a esponja-vaso-ramificada se alimenta de pequenas partículas e microrganismos que filtra da água. Como a concentração de partículas na água aumenta com a profundidade, organismos crescendo mais ao fundo geralmente crescem mais depressa por causa da maior disponibilidade de alimento.

Os principais predadores da esponja-vaso-ramificada são peixes. Eles na verdade agem mais como herbívoros comendo plantas, já que não comem a esponja inteira e geralmente não a matam, mas mordem sua superfície, arrancando pedaços.

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Um indivíduo grande e ramificado da esponja-vaso-ramificada. Foto de Paul Asman e Jil Lenoble.**

Ofiúros (estrelas-serpentes), especialmente do gênero Ophiothrix, tal como Ophiothrix lineata, são frequentemente encontrados vivendo dentro da cavidade principal da esponja. Ali, esses animais encontram abrigo de predadores e, à noite, quando o ambiente está mais seguro, eles estendem seus braços para fora e limpam a esponja de partículas orgânicas grandes, se alimentando delas. É uma associação mutuamente benéfica.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Callyspongia vaginalis. Available at <http://eol.org/pages/1163688/overview&gt;. Access on January 12, 2017.

Hendler, G. (1984). The Association of Ophiothrix lineata and Callyspongia vaginalis: A Brittlestar-Sponge Cleaning Symbiosis? Marine Ecology, 5 (1), 9-27 DOI: 10.1111/j.1439-0485.1984.tb00304.x

Hoppe, W. (1988). Growth, regeneration and predation in three species of large coral reef sponges Marine Ecology Progress Series, 50, 117-125 DOI: 10.3354/meps050117

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