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Sexta Selvagem: Sepíola-Beija-Flor

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver cavando através da areia do fundo das claras águas tropicais em torno da Indonésia e das Filipinas, você pode acabar encontrando uma criaturinha multicolorida, a sepíola-beija-flor, Euprymna berryi, também conhecida como sepíola de Berry.

Euprymna_berryi

Um belo espécime fotografado no Timor Leste. Foto de Nick Hobgood.*

Medindo cerca de 3 cm de macho ou 5 cm se fêmea, a sepíola-beija-flor é aparentada às sépias verdadeiras e mais distantemente às lulas. Seu corpo possui uma pele translúcida marcada por muitos cromatóforos, e para o olho humano o animal parece ter um padrão de cor formado por uma mistura de pontos pretos, azul-elétricos e verdes ou roxos.

Durante o dia, a sepíola-beija-flor permanece a maior parte do seu tempo enterrada na areia, saindo à noite para capturar pequenos crustáceos, os quais caça usando um órgão bioluminescente em sua cavidade branquial.

Em algumas áreas em torno de sua distribuição, a sepíola-beija-flor é capturada e vendida em pequenas peixarias, mas como os dados sobre sua distribuição e dinâmica populacional são muito pouco conhecidos, não há como dizer se ela por acaso é uma espécie vulnerável ou em perigo. Como resultado, ela está listada como deficiente em dados na Lista Vermelha da IUCN.

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Referências:

Barratt, I., & Allcock, L. (2012). Euprymna berryi The IUCN Red List of Threatened Species DOI: 10.2305/IUCN.UK.2012-1.RLTS.T162599A925343.en

Wikipedia. Euprymna berryi. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Euprymna_berryi&gt;. Access on March 8, 2017.

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Sexta Selvagem: Quíton-de-linhas

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar aos nossos companheiros de corpo mole, os moluscos, e apresentar um dos mais bonitos deles, o quíton-de-linhas Tonicella lineata.

Como um quíton típico, ele possui uma concha composta de uma fila de oito placas sobrepostas circundadas por uma estrutura flexível, o manto. Tal anatomia permite que esses animais sejam flexíveis e possam mesmo se fechar numa bola, assim como um tatuzinho de jardim, quando desalojados.

Tonicella_lineata

Tonicella lineata, uma pequena joia do mar. Créditos a Kirt L. Onthank*

Ocorrendo em águas da linha da maré ou logo abaixo dessa no Pacífico Norte, ao longo da América do Norte, da Rússia e do Japão, o quíton-de-linhas é caracterizado por suas belas cores. As placas da concha são marcadas por uma série de linhas pretas, roxas ou azuis em um fundo vermelho ou marrom. O manto também é colorido, possuindo um fundo avermelhado geralmente marcado com manchas amarelas.

Apesar do corpo colorido, o quíton-de-linhas é uma criatura pequena, atingindo cerca de cinco centímetros de comprimento. Ele se alimenta principalmente de algas coralinas, ocorrendo próximo a elas. Seus principais predadores são as terríveis estrelas-do-mar, enquanto seus amigos mais próximos são os espinhentos mas amigáveis ouriços-do-mar, já que eles frequentemente ajudam o quíton a se proteger do sol ao permitir que se esconda embaixo deles.

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Referências:

Barnes, J. R. 1972. Ecology and reproductive biology of Tonicella lineata (Wood, 1815) (Mollusca-Polyplacophora). Tese de Doutorado.

Wikipedia. Tonicella lineata. Disponível em< https://en.wikipedia.org/wiki/Tonicella_lineata >. Acesso em 3 de março de 2016.

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Sexta Selvagem: “Caracol-onça-alaranjado”

por Piter Kehoma Boll

Semana passada apresentei uma planária terrestre que se alimenta de caracóis, Obama ladislavii, ou, como eu a chamei, a planária-de-Ladislau. Assim, hoje pensei que seria legal apresentar uma situação similar ocorrendo ao contrário: um caracol que se alimenta de planárias terrestres.

Então deixe-me introduzir este pequeno predador, o caracol Rectartemon depressus. Ele não é uma espécie amplamente conhecida e assim não possui nomes populares, mas por que não chamá-lo de “caracol-onça-alaranjado”? Espécies do gênero Euglandina, que também são caracóis predadores, são chamadas de “caracóis-lobo” em inglês por comparação com um predador comum na América do Norte. Como espécies de Rectartemon são comuns na América do Sul, nós poderíamos chamá-los perfeitamente de “caracóis-onça”, certo?

Rectartemon depressus prestes a capturar uma planária terrestre Obama marmorata. Foto extraída de Lemos et al., 2012

Rectartemon depressus prestes a capturar uma planária terrestre Obama marmorata. Foto extraída de Lemos et al., 2012

Encontrado em áreas de Mata Atlântica no Brasil, o caracol-onça-alaranjado possui um corpo que varia de amarelo a laranja e uma concha esbranquiçada. É listado como uma espécie vulnerável na Lista Vermelha do Brasil, mas não é mencionado na Lista Vermelha da IUCN.

Inicialmente conhecido como um predador de outros gastrópodes terrestres, o caracol-onça-alaranjado revelou um novo item de sua dieta recentemente. Durante tentativas de encontrar itens alimentares da dieta de algumas planárias terrestres do sul do Brasil, o caracol-onça-alaranjado foi oferecido como uma opção de alimento, mas enquanto as expectativas eram de que a planária comeria o caracol, o oposto aconteceu! Após entrar em contato com a planária terrestre, o caracol simplesmente a captura com sua rádula (a língua com dentes do caracol) e a suga muito rapidamente, como se estivesse comendo um macarrão!

O caracol-onça-alaranjado consome avidamente diversas planárias terrestres, tanto espécies nativas quanto exóticas. Isso faz dele um dos primeiros predadores conhecidos de planárias terrestres. Uma de suas presas é a planária-de-Ladislau, de forma que temos um caracol que come uma planária que come caracóis!

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Referências:

Lemos, V., Canello, R., & Leal-Zanchet, A. 2012. Carnivore mollusks as natural enemies of invasive land flatworms. Annals of Applied Biology, 161 (2), 127-131 DOI: 10.1111/j.1744-7348.2012.00556.x

Santos, S. B., Miyahira, I. C., Mansur, M. C. D. 2013. Freshwater and terrestrial molluscs in Brasil: current status of knowledge and conservation. Tentacle, 21, 40-42.

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