Arquivo da tag: Mollusca

Sexta Selvagem: Dragão-azul

por Piter Kehoma Boll

A segunda espécie de hoje é um terrível mas lindo predador da caravela-portuguesa, o dragão-azul Glaucus atlanticus que é, na minha opinião, uma das mais belas criaturas marinhas.

glaucus_atlanticus

Não é uma criatura magnífica? Photo de Sylke Rohrlach.*

Também conhecido como glauco-azul ou lesma-marinha-azul, entre muitos outros nomes, o dragão-azul é uma pequena lesma marinha que mede até 3 cm de comprimento quando adulto. Esta espécie é pelágica, o que significa que vive no oceano aberto, nem perto do fundo nem perto da costa. Apesar de ser encontrado em todos os três oceanos, evidências genéticas indicam que as populações do Atlântico, do Pacífico e do Índico divergiram mais de um milhão de anos atrás.

O dragão-azul possui um saco preenchido de gás no estômago que o faz flutuar de cabeça para baixo na água, de forma que seu lado ventral fica para cima. A larga faixa bordeada de azul ao longo do corpo, como vista na imagem acima, é o pé da lesma. Seu lado dorsal, que fica virado para baixo, é completamente branco ou cinza-claro.

Sendo uma espécie carnívora, o dragão-azul se alimenta de várias espécies de cnidários, especialmente da caravela-portuguesa. Ele geralmente coleta os cnidócitos (as células urticantes) da presa e as põe no próprio corpo, de forma que ele se torna não urticante ou até mais do que sua presa. Se você encontrar um caído na praia, tenha cuidado.

– – –

Referências:

Churchull, C. K. C.; Valdés, Á.; Foighil, D. Ó (2014) Afro-Eurasia and the Americas present barriers to gene flow for the cosmopolitan neustonic nudibranch Glaucus atlanticus. Marine Biology, 161(4): 899-910.

Wikipedia. Glaucus atlanticus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Glaucus_atlanticus >. Acesso em 18 de junho de 2017.

– – –

*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 2.0 Genérica.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em moluscos, Sexta Selvagem, Zoologia

Sexta Selvagem: Sepíola-Beija-Flor

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver cavando através da areia do fundo das claras águas tropicais em torno da Indonésia e das Filipinas, você pode acabar encontrando uma criaturinha multicolorida, a sepíola-beija-flor, Euprymna berryi, também conhecida como sepíola de Berry.

Euprymna_berryi

Um belo espécime fotografado no Timor Leste. Foto de Nick Hobgood.*

Medindo cerca de 3 cm de macho ou 5 cm se fêmea, a sepíola-beija-flor é aparentada às sépias verdadeiras e mais distantemente às lulas. Seu corpo possui uma pele translúcida marcada por muitos cromatóforos, e para o olho humano o animal parece ter um padrão de cor formado por uma mistura de pontos pretos, azul-elétricos e verdes ou roxos.

Durante o dia, a sepíola-beija-flor permanece a maior parte do seu tempo enterrada na areia, saindo à noite para capturar pequenos crustáceos, os quais caça usando um órgão bioluminescente em sua cavidade branquial.

Em algumas áreas em torno de sua distribuição, a sepíola-beija-flor é capturada e vendida em pequenas peixarias, mas como os dados sobre sua distribuição e dinâmica populacional são muito pouco conhecidos, não há como dizer se ela por acaso é uma espécie vulnerável ou em perigo. Como resultado, ela está listada como deficiente em dados na Lista Vermelha da IUCN.

– – –

Referências:

Barratt, I., & Allcock, L. (2012). Euprymna berryi The IUCN Red List of Threatened Species DOI: 10.2305/IUCN.UK.2012-1.RLTS.T162599A925343.en

Wikipedia. Euprymna berryi. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Euprymna_berryi&gt;. Access on March 8, 2017.

– – –

*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

Deixe um comentário

Arquivado em moluscos, Sexta Selvagem, Zoologia