Quarta de Quem: Harry Johnston

por Piter Kehoma Boll

Mais um político que um naturalista, hoje nos lembramos de um explorador britânico que foi central na bagunça que a Europa fez da África, mas também importante em registrar a cultura e a biodiversidade africanas.

Henry Hamilton Johnston, mais conhecido como Harry Johnston, nasceu em 12 de junho de 1858 em Londres, filho de John Brookes Johnstone e Esther Laetitia Hamilton. Ele estudou na escola de gramática de Stockwell e mais tarde no King’s College London, depois do qual estudou pintura na Real Academia por quatro anos. Durante seus estudos, ele viajou através da Europa e visitou o interior da Tunísia.

Em 1882, aos 24 anos, ele viajou ao sul de Angola com o Earl de Mayo (que eu acho que era Dermot Bourke naquela época). Viajando para o norte a partir dali, ele encontrou o explorador galês Henry Morton Stanley no Rio Congo no ano seguinte. Lá, ele se tornou um dos primeiros europeus a ver o Rio Congo acima da Lagoa Stanley (atualmente conhecida como Lagoa Malebo), um alargamento do rio próximo às cidades de Kinshasa e Brazzaville. Ele publicou um livro em 1884 chamado “The River Congo: From its Mouth to Bolobo” e, no mesmo ano, foi nomeado líder de uma expedição científica ao Monte Kilimanjaro, na atual Tanzânia. Nesta expedição, ele conseguiu fazer tratados com vários chefes locais. Os registros desta expedição foram publicados em 1886 em seu livro “The Kilema-Njaro Expedition”.

Em 1886, o governo britânico nomeou Johnston o vice-cônsul de Camarões e da área do delta do Rio Níger. Os britânicos haviam reivindicado a área, mas o líder local, Jaja de Opobo, recusou ceder o território. Convidado por Johnston para negociar, Jaja foi preso e deportado para Londres. Durante os anos seguintes, Johnston tomou parte em várias expedições e missões diplomáticas que ajudaram o Império Britânico a dominar mais e mais do território da África.

Harry Johnston, provavelmente durante a década de 1880.

Em 1896, Johnston se casou com Winifred Mary Irby, filha do quinto Barão Boston. Naquele mesmo ano, afligido por febres tropicais, ele foi transferido para Tunis como general-cônsul de forma a se recuperar. Em 1899, ele foi enviado a Uganda como comissionário especial para terminar uma guerra em andamento. Lá, ele descobriu que um produtor de shows estava raptando moradores pigmeus do Congo para exibi-los. Johnston ajudou a resgatá-los e os pigmeus mencionaram a ele uma criatura, um tipo de “burro unicórnio” anteriormente citado por Stanley. Havia alguns registros de exploradores vendo um animal com um padrão de zebra se movendo pelo mato e a expectativa era que ele fosse algum tipo de cavalo da floresta. Os pigmeus mostraram rastros da criatura a Johnston e ele ficou surpreso ao descobrir que na verdade era uma besta de casco dividido, e não com um só casco por pata como num cavalo. Johnston nunca viu o animal, mas conseguiu obter pedaços da pele listrada e um crânio, o que levou a criatura a ser classificada como Equus johnstoni em 1901. A inclusão no gênero Equus foi motivada principalmente pelos pigmeus se referindo à criatura como um tipo de equino. Análises de seu crânio, no entanto, logo concluíram que era um parente da girafa. O animal é atualmente conhecido como ocapi, ou Okapia johnstoni.

Dois pedaços de pele de ocapi enviados à Inglaterra por Johnston e a primeira evidência concreta da existência do animal.

Em 1902, quando Johnston estava de volta a Londres, sua esposa deu à luz dois filhos gêmeos, mas eles morreram poucas horas depois. O casal não teve outros filhos. Naquele mesmo ano, Johnston foi apontado membro da Sociedade Zoológica de Londres. Nos anos seguintes, ele passou a maior parte do seu tempo em casa escrevendo romances e relatos de suas viagens pela África. Em 1925, ele teve dois derrames que o paralisaram parcialmente. Ele morreu dois anos depois, em 31 de Julho de 1917, aos 69 anos.

Johnston, como todos os imperialistas de seu tempo, acreditava que os europeus, e os britânicos especialmente, eram superiores aos africanos. Não obstante, ele era contra usar a violência contra os povos subjugados e possuía uma visão mais paternalística. Apesar de tal visão ser considerada horrível hoje em dia (ou ao menos deveria parecer assim a qualquer ser humano razoável), ele era considerado um tipo de radical para seu tempo, já que os outros tinham uma visão muito pior das culturas africanas.

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Referências:

Wikipedia. Harry Johnston. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Johnston >. Acesso em 11 de junho de 2019.

Wikipedia. Okapi. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Okapi >. Acesso em 11 de junho de 2019.

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