Sexta Selvagem: Piolho-da-Farinha-Comum

por Piter Kehoma Boll

Não importa onde você viva no mundo, se você já deixou farinha ou grãos armazenados por muito tempo, deve ter encontrado algum tipo de inseto que apareceu na comida, alimentando-se dela. Há muitas espécies de inseto que existem como pragas de cozinha, incluindo mariposas, besouros, e nosso camarada de hoje, o piolho-da-farinha-comum Liposcelis bostrychophila.

O piolho-da-farinha-comum, também conhecido como psocídeo doméstico, é um membro da ordem de insetos Psocoptera, que inclui a maioria das espécies conhecidas como piolhos, tal como piolhos-da-cortiça, piolhos-dos-livros e os piolhos parasitas comuns de mamíferos e aves. O piolho-da-farinha-comum é um inseto muito pequeno, medindo somente cerca de 1 mm de comprimento como adulto, e não possui asas. Provavelmente de origem tropical, ele foi identificado pela primeira vez a partir de espécimes coletados sob cascas de árvore em Moçambique, mas, durante o século XX, passou a se espalhar rapidamente ao redor do mundo.

Piolho-da-farinha-comum em farinha de trigo integral velha. Foto do usuário sea-kangaroo do iNaturalist.*

Em seu habitat natural, que provavelmente são florestas tropicais, o piolho-da-farinha-comum não é muito comum. Contudo, uma vez que ele acabou dentro de residências humanas, encontrou o lugar perfeito para proliferar. Comida armazenada, especialmente grãos, são como o paraíso alimentar para eles. Com alimento sendo transportado de um país para o outro, o piolho-da-farinha-comum conquistou o planeta todo em poucas décadas. E eles não são associados apenas a comida armazenada, mas com quase qualquer tipo de matéria vegetal, incluindo palha usada em colchões e às vezes em divisórias internas. Apesar de se alimentar destes materiais, o piolho-da-farinha-comum não causa danos sérios a eles e o principal problema é que sua população tende a crescer enormemente, fazendo-o se tornar bem incômodo só por estar ali.

A reprodução do piolho-da-farinha-comum ocorre quase exclusivamente por partenogênese, em que as fêmeas são capazes de gerar prole de ovos não-fertilizados. Machos são muito raros e foram registrados pela primeira vez apenas recentemente. Esta é provavelmente uma das razões de esta espécie ser tão bem-sucedida invadindo novos ambientes, visto que uma única fêmea pode originar uma população inteira. Há casos registrados de casas tão densamente infectadas que as paredes estavam completamente cobertas de piolhos-da-farinha.

Vários métodos vem sendo tentados para conter o avanço desta pequena criatura, mas a maioria é malsucedida. Eles parecem ser bem resistentes tanto a pesticidas químicos quanto a fungos entomopatogênicos, isto é, fungos que infectam insetos. Sua cutícula possui uma composição química peculiar, diferente da encontrada em outros insetos, que previne esporos de fungos de germinarem.

Podemos concluir que o piolho-da-farinha-comum é uma espécie que veio para ficar, não importa o que tentemos fazer para nos livrar dela.

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Referências:

Lord JC, Howard RW (2004) A Proposed Role for the Cuticular Fatty Amides of Liposcelis bostrychophila (Psocoptera: Liposcelidae) in Preventing Adhesion of Entomopathogenic Fungi with Dry-conidia. Mycopathologia 158(2): 211–2117. doi: 10.1023/B:MYCO.0000041837.29478.78

Turner BD (1994) Liposcelis bostrychophila (Psocoptera: Liposcelididae), a stored food pest in the UK. International Journal of Pest Management, 40(2), 179–190. doi: 10.1080/0967087940937187

Yang Q, Kučerová Z, Perlman SJ, Opit GP, Mockford EL, Behar A, Robinson WE, Steijskal V, Li Z, Shao R (2015) Morphological and molecular characterization of a sexually reproducing colony of the booklouse Liposcelis bostrychophila (Psocodea: Liposcelididae) found in Arizona. Scientific Reports5: 110429. doi: 10.1038/srep10429

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*Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição Não Comercial Sem Derivações 4.0 Internacional.

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