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Sexta Selvagem: Mancha-marrom-do-milho

por Piter Kehoma Boll

Hoje continuarei a tendência parasita da semana passada, mas dessa vez trocando de um parasita de humanos para um parasita do milho, e de um parasita procarionte para um eucarionte. Então vamos falar de Physoderma maydis, comumente chamado de mancha-marrom-do-milho.

A mancha-marrom-do-milho é um fungo da divisão Blastocladiomycota que infecta as plantas do milho. Seu nome comum vem do fato de causar uma série de manchas marrons nas folhas das plantas infectadas.

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As manchas marrons vistas nesta folha de milho são devido a uma infecção por Physoderma maydis. Créditos da foto a Clemson University – USDA Comparative Extension Slide Series.*

O ciclo de vida da mancha-marrom-do-milho é tão complexo quanto o de muitos fungos. A infecção das plantas ocorre através de esporos que ficam no solo durante o inverno e são carregados para o hospedeiro pelo vento, germinando na estação chuvosa. Os esporos germinados produzem zoósporos, esporos flagelados capazes de nadar. Nadando através da folha de milho, os zoósporos infectam células isoladas e produzem zoosporângios na superfície da folha. Os zoosporângios liberam novos zoósporos que infectam novas células. No final da primavera e no versão, os zoósporos produzem um falo que cresce para dentro da folha do milho, infectando muitas células e produzindo esporângios de parede espessa. Depois que a planta morre e as folhas se tornam secas e quebram, os esporângios são liberados e atingem o solo, onde esperam pela próxima primavera para reiniciar o ciclo.

A mancha-marrom-do-milho é considerada um problema para plantações de milho em países com pluviosidade alta. Infecções graves podem matar a planta ou reduzir severamente seu desempenho antes de as espigas estarem prontas para a colheita. Apesar de fungicidas ajudarem a reduzir a infecção através das plantações, uma das formas mais eficientes de reduzir os danos é destruindo, geralmente com fogo, os restos da colheita anterior.

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Referências:

Olson, L. W.; Lange, L. (1978) The meiospore of Physoderma maydis. The causal agent of Physoderma disease of maize. Protoplasma 97: 275–290. https://dx.doi.org/10.1007/BF01276699

Plantwise Knowledge Bank. Brown spot of corn (Physoderma maydis). Available at: < http://www.plantwise.org/KnowledgeBank/Datasheet.aspx?dsid=40770&gt;. Access on Agust 7, 2017.

Robertson, A. E. (2015) Physoderma brown spot and stalk rot. Integrated Crop Management News: 679. http://lib.dr.iastate.edu/cropnews/679/

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Sexta Selvagem: Míldio-da-Alface

por Piter Kehoma Boll (Read this post in English)

Semana passada eu apresentei um sério patógeno de plantas, o bolor-cinzento, que ataca muitas plantas cultivadas e possui um papel tanto bom quanto ruim em videiras. Mas uma planta que nunca está feliz com uma infecção pelo bolor-cinzento é certamente a alface. E neste caso nosso vegetal suculento tem um inimigo que o torna suscetível ao bolor, e eu vou apresentá-lo hoje.

Chamado Bremia lactucae, este organismo é um oomiceto, assim pertencendo a um grupo de organismos que era antigamente classificado como sendo fungos, mas que atualmente se sabe que são mais proximamente relacionados às algas marrons e douradas. Esta espécie ataca pés de alface e plantas proximamente relacionadas, causando uma doença chamada míldio-da-alface.

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Uma folha de alface com míldio. Foto de Gerald Holmes.*

O míldio-da-alface é a doença mais importante afetando alfaces no mundo todo. A doença em si não é o problema principal, apesar de diminuir a qualidade das plantas. O maior problema é que ela torna o vegetal mais vulnerável a outras infecções, tal como as do bolor-cinzento, e também aumenta o risco de contaminação por patógenos humanos, como os parasitas intestinais.

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Um ramo de míldio-da-alface sob o microscópio. Foto de Bruce Watt.*

As formas típicas de controlar a disseminação do míldio-da-alface são o uso de fungicidas e o desenvolvimento de alfaces resistentes ao míldio por hibridização com variedades selvagens e naturalmente resistentes. Contudo, como de costume, o míldio-da-alface eventualmente se adapta a isso, levando a linhagens resistentes a fungicidas, bem como a linhagens capazes de neutralizar a resistência das linhagens de alface. É mais uma corrida armamentista evolutiva.

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Referências:

Beharav, A., Ochoa, O., & Michelmore, R. (2013). Resistance in natural populations of three wild Lactuca species from Israel to highly virulent Californian isolates of Bremia lactucae Genetic Resources and Crop Evolution, 61 (3), 603-609 DOI: 10.1007/s10722-013-0062-5

Parra, L., Maisonneuve, B., Lebeda, A., Schut, J., Christopoulou, M., Jeuken, M., McHale, L., Truco, M., Crute, I., & Michelmore, R. (2016). Rationalization of genes for resistance to Bremia lactucae in lettuce Euphytica, 210 (3), 309-326 DOI: 10.1007/s10681-016-1687-1

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