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Sexta Selvagem: Antócero-do-campo

por Piter Kehoma Boll

Três semanas atrás a Sexta Selvagem trouxe um musgo, sendo aquela a terceira planta não-vascular apresentada. E antes de voltarmos às plantas vasculares, vamos dar uma olhada em outro camarada não-vascular da única divisão não-vascular que ainda não foi apresentada aqui, os antóceros.

A espécie que escolhi para começar a participação de antóceros é o antócero-do-campo, Anthoceros agrestis.

Anthoceros_agrestis

Um pedaço de solo com o antócero-do-campo crescendo em cima. Foto do usuário BerndH do Wikimedia.*

Como outros antóceros, o antócero-do-campo tem uma fase gametófito dominante que aparece como uma planta achatada pequena crescendo bem perto do solo. O esporófito cresce sobre ele e tem a forma de um chifre vertical alongado, de onde o nome antócero (“chifre-flor”).

Encontrado na Europa e na América do Norte, o antócero-do-campo geralmente cresce em locais úmidos e está geralmente cercado de musgos. Seu gametófito tem algumas cavidades preenchidas de mucilagem que são o local favorito para espécies de cianobactérias do gênero Nostoc crescerem. Essa associação é o que faz os antóceros adquirirem seu tom ligeiramente azulado.

O antócero-do-campo tem o menor genoma de todas as plantas não-vasculares estudadas até o presente e por isso ele tem sido cultivado para servir como um interessante organismo-modelo.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of life. Field Hornwort. Disponível em <http://eol.org/pages/399515/overview&gt;. Acesso em 18 de maio de 2017.

Szövényi, P., Frangedakis, E., Ricca, M., Quandt, D., Wicke, S., & Langdale, J. (2015). Establishment of Anthoceros agrestis as a model species for studying the biology of hornworts BMC Plant Biology, 15 (1) DOI: 10.1186/s12870-015-0481-x

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Sexta Selvagem: Musgo-da-terra-espalhado

por Piter Kehoma Boll

Se você ainda acha que musgos não são interessantes, talvez mude de ideia depois de conhecer o musgo-da-terra-espalhado, Physcomitrella patens.

Encontrado em regiões temperadas do mundo, exceto na América do Sul, mas mais comum na América do Norte e na Eurásia, o musgo-da-terra-espalhado cresce perto de corpos d’água, sendo uma das primeiras espécies a colonizar o solo exposto em torno de poças d’água. Apesar de amplamente distribuído, não é uma espécie comum.

Physcomitrella_patens

O musgo-da-terra-espalhado crescendo na lama. Foto de Hermann Schachner.

Desde o começo dos anos 1970, o musgo-da-terra-espalhado vem sendo usado como organismo modelo, especialmente em relação a manipulação de genes. Diferente do que ocorre em plantas vasculares, a fase dominante em musgos é o gametófito, um organismo haploide, o que significa que ele tem apenas uma cópia de cada cromossomo nas células. Essa é uma condição ideal para o estudo da expressão de genes, já que a ativação e desativação de um gene não é mascarada por um segundo em outra cópia do cromossomo na mesma célula.

Physcomitrella_patens_ecotypes

Physcomitrella patens crescendo no laboratório. Créditos ao laboratório de Ralf Reski.*

Ao controlar a expressão gênica no musgo-da-terra-espalhado, pesquisadores podem traçar o papel de cada um deles no desenvolvimento da planta. Comparar esses dados com o que é conhecido de plantas com flores pode levar a um melhor entendimento de como o reino das plantas evoluiu.

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Referências:

Cove, D. (2005). The Moss Physcomitrella patens Annual Review of Genetics, 39 (1), 339-358 DOI: 10.1146/annurev.genet.39.073003.110214

Schaefer, D. (2001). The Moss Physcomitrella patens, Now and Then PLANT PHYSIOLOGY, 127 (4), 1430-1438 DOI: 10.1104/pp.127.4.1430

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Arquivado em Biologia Molecular, Botânica, Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Musgo-prateado

por Piter Kehoma Boll

Por ser encontrado na maior parte do mundo, você provavelmente já se deparou com esse camarada várias vezes na vida, mas não prestou atenção. Afinal, é só um musgo!

Cientificamente conhecido como Bryum argenteum e popularmente como musgo-prateado, essa plantinha vive em rachaduras de pedras, muros e calçadas e por isso também é conhecida como musgo-de-calçada. Ele geralmente forma pequenos amontoados compostos por muitas plantas crescendo apertadas umas contra as outras. As folhinhas de cada planta também são bem empacotadas, dando-lhe a aparência de um pedacinho de fio de lã. A ponta da planta geralmente tem um tom prateado que pode ser mais ou menos intenso, de onde o nome musgo-prateado.

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Essa é a aparência geral do musgo-prateado, formando montinhos e macio. Foto do usuário do flickr harum.koh*

Como todos os musgos, o tapete verde que forma a parte principal do musgo-prateado são os gametófitos, organismos haploides que são ou machos ou fêmeas. Os machos produzem o gameta masculino que nada em direção à planta fêmea e fertiliza o gameta dela. Como resultado, uma nova planta sem sexo cresce no topo da fêmea, o chamado esporófito. Você pode ver os esporófitos como pequenos pedúnculos com uma bolsa na ponta.

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Um cacho de esporófitos crescendo no topo dos gametófitos. Foto de Paul van de Velde.*

Extratos do musgo-prateado demonstraram possuir atividade microbiana, sendo eficientes contra várias espécies de bactérias e fungos, fazendo-o um candidato promissor para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Vivendo dos polos ao equador, o musgo-prateado possui uma enorme habilidade de se adaptar a extremos de temperatura, umidade e altitude. Ele também apresenta uma tolerância consideravelmente alta de metais pesados, e isso é provavelmente a razão de ser tão comum na beira de estradas.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Bryum argenteum. Available at < http://eol.org/pages/864280/overview >. Access on September 29, 2016.

Sabovljevic, A., Sokovic, M., Sabovljevic, M., & Grubisic, D. (2006). Antimicrobial activity of Bryum argenteum Fitoterapia, 77 (2), 144-145 DOI: 10.1016/j.fitote.2005.11.002

Shaw, A., & Albright, D. (1990). Potential for the Evolution of Heavy Metal Tolerance in Bryum argenteum, a Moss. II. Generalized Tolerances among Diverse Populations The Bryologist, 93 (2) DOI: 10.2307/3243622

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