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Sexta Selvagem: Lábios-de-puta

por Piter Kehoma Boll

Sempre ficamos fascinados por plantas que possuem algum formato peculiar e se assemelham a alguma coisa diferente. E certamente uma dessas espécies é a que vou apresentar hoje, Psychotria elata, também conhecida como lábios-de-puta.

Encontrada em florestas tropicais da América Central, em áreas de média a alta elevação, a lábios-de-puta é um arbusto do sub-bosque e produz uma inflorescência que é rodeada por um par de brácteas que lembram lábios vermelhos brilhantes. Não olhe demais ou você pode ficar tentado a beijá-los.

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“Beije-me”, imploram os lábios-de-puta. Foto do usuário do Wikimedia IROZ.*

Certamente algumas criaturas os beijam,especialmente beija-flores, os quais são seus polinizadores, mas também muitas espécies de borboletas e abelhas. Contudo, quando eles vêm beijar os lábios vermelhos, eles já se expandiram demais, de maneira a deixar as flores expostas, e não se parecem mais com uma boca.

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Uma vez que a boca se abre, a magia do beijo se perde. Foto de Dick Culbert.**

Depois da polinização, as flores se desenvolvem em baguinhas azuis e são facilmente percebidas por aves, as quais dispersam as sementes. Como a lábios-de-puta produz frutos ao longo de todo o ano, é uma fonte de alimento importante para aves frugívoras.

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Referências:

EOL –  Encyclopedia of Life. Psychotria elata. Available at <http://eol.org/pages/1106123/overview&gt;. Acesso em 5 de março de 2017.

Silva, C., & Segura, J. (2015). Reproductive Biology and Herkogamy of Psychotria elata (Rubiaceae), a Distylous Species of the Tropical Rain Forests of Costa Rica American Journal of Plant Sciences, 06 (03), 433-444 DOI: 10.4236/ajps.2015.63049

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição e Compartilhamento Igual 3.0 Não Adaptada.

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Sexta Selvagem: Cavalinha-Gigante-Mexicana

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver andando pela floresta da América Central, pode acabar encontrando algo que a primeira vista pensaria ser um grupo de bambus, plantas crescendo como um tronco cilíndrico segmentado que pode chegar a mais de 7 m de altura, como visto na figura abaixo:

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Um grupo de bambus? Não exatamente. Foto de Alex Lomas.*

Isso não são realmente bambus, no entanto, mas espécimes da maior espécie de cavalinha que existe hoje, a cavalinha-gigante-mexicana, Equisetum myriochaetum. Ela pode ser encontrada crescendo naturalmente do Peru ao México em áreas de solo fértil, especialmente junto a corpos d’água como arroios e banhados.

Assim como outras cavalinhas, a cavalinha-gigante-mexicana tem um caule ereto e oco com folhas muito estreitas crescendo em um redemoinho em torno das “articulações” do caule. As folhas são muito simples, similares àquelas de plantas mais primitivas, como as selaginelas e os licopódios, mas pensa-se que são simplificações de folhas mais complexas, visto que as cavalinhas são mais proximamente relacionadas às samambaias, as quais possuem folhas complexas.

Mais do que somente a maior cavalinha do mundo, a cavalinha-gigante-mexicana é uma planta medicinal importante na medicina popular mexicana, sendo usada para tratar doenças dos rins e diabetes mellitus tipo 2. E como em muitas outras ocasiões, estudos laboratoriais confirmaram que extratos aquosos das partes aéreas de E. myriochaetum de fato reduzem os níveis de glicose de pacientes com diabetes tipo 2 sem reduzir seus níveis de insulina. Mais um ponto para a medicina tradicional.

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Referências:

EOL – Encyclopedia of Life. Equisetum myriochaetum. Available at <http://eol.org/pages/6069616/overview&gt;. Access on March 4, 2017.

Revilla, M., Andrade-Cetto, A., Islas, S., & Wiedenfeld, H. (2002). Hypoglycemic effect of Equisetum myriochaetum aerial parts on type 2 diabetic patients Journal of Ethnopharmacology, 81 (1), 117-120 DOI: 10.1016/S0378-8741(02)00053-3

Royal Botanic Garden Edinburgh. Equisetum myriochaetum. Available at <http://www.rbge.org.uk/the-gardens/plant-of-the-month/plant-profiles/equisetum-myriochaetum&gt;. Access on March 4, 2017.

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Sexta Selvagem: Donzelinha-helicóptero

por Piter Kehoma Boll

Donzelinhas geralmente são versões delicadas de libélulas, mas algumas espécies desafiam seu lugar entre os odonatos. O exemplo mais extremo vem das florestas chuvosas das Américas Central e do Sul e é  conhecido como Megaloprepus caerulatus ou “donzelinha-helicóptero”.

Com uma envergadura de até 19 cm, a donzelinha-helicóptero é o maior dos odonatos e um predador voraz tanto na forma de náiade aquática quanto na de adulta aérea.

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Uma fêmea adulta. Foto de Steven G. Johnson.*

Donzelinhas-helicóptero fêmeas depositam seus ovos em ocos de árvores preenchidos com água. Os machos são territorialistas e defendem os maiores buracos como território, acasalando com fêmeas interessadas em pôr seus ovos lá.

O estágio juvenil aquático, conhecido como náiade ou ninfa, é um predador de topo neste ecossistema reduzido, alimentando-se de larvas de mosquito, girinos e mesmo outros odonatos. Como adultas, elas se alimentam principalmente de aranhas construtoras de teia que capturam em áreas que recebem luz solar direta, como clareiras na floresta.

Como a população das donzelinhas-helicóptero depende do número e do tamanho dos ocos de árvore disponíveis e considerando que elas evitam cruzar grandes espaços entre fragmentos florestais, qualquer distúrbio ambiental pode ter impactos profundos nesta espécie. Estudos moleculares recentes também sugerem que o que é conhecido como Megaloprepus caerulatus é na verdade um complexo de espécies, visto que não existe fluxo genético entre as populações. Isso a (ou as) torna uma espécie ainda mais vulnerável.

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Referências:

Feindt, W., Fincke, O., & Hadrys, H. (2013). Still a one species genus? Strong genetic diversification in the world’s largest living odonate, the Neotropical damselfly Megaloprepus caerulatus Conservation Genetics, 15 (2), 469-481 DOI: 10.1007/s10592-013-0554-z

Wikipedia. Megaloprepus caerulatus. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Megaloprepus_caerulatus >. Acesso em 7 de setembro de 2016.

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Sexta Selvagem: Tapiti

por Piter Kehoma Boll

O que seria melhor para celebrar a Páscoa que trazer um coelhinho para a Sexta Selvagem?

Conheça o tapiti (Sylvilagus brasiliensis), também conhecido como coelho-do-mato ou, no Brasil, muitas vezes simplesmente como lebre. É um coelho muito fofo encontrado do sudeste do México até o norte da Argentina e o sul do Brasil, sendo a espécie de coelho mais disseminada na América do Sul.

Fofo como qualquer coelho, o tapiti também é bem camuflado. Foto de Dick Culbert.

Fofo como qualquer coelho, o tapiti também é bem camuflado. Foto de Dick Culbert.

Medindo cerca de 30 cm de comprimento e tendo um dorso marrom com um salpicado preto, o tapiti pode se esconder facilmente em seu ambiente, o qual inclui florestas, cerrados e campos do nível do mar até 4.800 m de altitude. A aparência camuflada é provavelmente a razão de ser avistado tão raramente, mesmo sendo uma espécie muito comum. O fato de também ser ativo principalmente durante a alvorada e o ocaso também diminui as chances de ser visto propriamente. A IUCN o classifica como “Pouco Preocupante”.

Se você mora nas Américas Central e do Sul, tente prestar atenção enquanto caminha pelo mato. Talvez tenha a oportunidade de avistar algum.

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Referências:

Wikipedia. Tapeti. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Tapeti >. Accesso em 24 de março de 2016.

EOL – Encyclopedia of Life. Sylvilagus brasiliensis. Disponível em: < http://eol.org/pages/118008/ >. Accesso em 24 de Março de 2016.

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