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Quarta de Quem: Carl Friedrich Philipp von Martius

por Piter Kehoma Boll

É hora de comemorar o aniversário de um famoso botânico e explorador que foi muito importante para o estudo da flora brasileira.

Carl Friedrich Philipp von Martius nasceu em 17 de abril de 1794 em Erlangen, Alemanha, naquela época parte do Reino da Prússia. Seu pai, Ernst Wilhelm Martius, era um farmacêutico e o primeiro docente em Farmácia na Universidade de Erlangen.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius ainda jovem.

Von Martius começou a estudar medicina na Universidade de Erlangen em 1810. Durante este tempo, ele conheceu os naturalistas Franz von Paula Schrank e Johann Baptist von Spix, que o inspiraram a se dedicar à botânica, a qual já era um passatempo seu. Para seguir este campo, ele se candidatou em 1813 para admissão no Instituto Onze da Academia de Ciências Bavária e, após passar o exame, foi admitido no instituto em 1814. Ele se tornou assistente de Franz von Paula Schrank no recém-fundado Jardim Botânico. No mesmo ano, ele concluiu sua tese sobre um catálogo crítico das plantas no jardim botânico da universidade. Em 1817, aos 23 anos, ele publicou sua obra Flora Cryptogamica Erlangensis, tratando das criptógamas encontradas em sua cidade natal.

Ainda em 1817, von Martius foi enviado ao Brasil junto com Johann Baptist von Spix por Maximiliano I José, rei da Baviera. Esta oportunidade surgiu depois que Maria Leopoldina da Áustria se casou com o príncipe da coroa brasileira (e posteriormente imperador) Dom Pedro I. O grupo, que incluía a esposa de Spix e o pintor Thomas Ender, partiu de Trieste em 10 de abril de 1817. Depois do casamento real em 13 de maio, o grupo começou suas coletas em várias áreas da cidade do Rio de Janeiro e regiões próximas. Mais tarde, eles viajaram de cavalo através do estado de São Paulo até atingirem a cidade de São Paulo em 31 de dezembro de 1817.

Saindo de São Paulo em 9 de janeiro de 1818, eles viajaram durante os meses seguintes através dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, chegando a Salvador em 10 de novembro de 1818. Eles partiram de Salvador em 18 de fevereiro de 1819 e continuaram seguindo para o norte através da caatinga e chegaram a São Gonçalo do Amarante, no Ceará, em 15 de maio. Tanto Martius quanto Spix estavam seriamente doentes durante a maior parte de sua viagem através desta parte do Brasil, contraindo várias doenças tropicais e quase morrendo em várias ocasiões.

Após continuarem sua jornada, Martius e Spix chegaram ao estado do Maranhão em 3 de junho e seguiram de barco descendo o Rio Itapicuru até São Luís e, em 20 de julho, partiram rumo a Belém chegando em 25 de julho. De lá, eles continuaram para o oeste por dentro da Floresta Amazônica, atingindo a cidade de Santarém em 18 de setembro, partindo em 30 de setembro e chegando a Tefé, bem dentro da floresta, em 26 de novembro. Lá, Martius e Spix se separaram. Martius continuou para o oeste, subindo o Rio Japurá, até chegar à Colômbia. Eles se reencontraram em 11 de março de 1820 em Manaus e chegaram a Belém em 16 de abril, voltando à Europa em 13 de junho.

Rota seguida por Martius e Spix no Brasil de 1817 a 1820.

Martius trouxe consigo para a Europa duas crianças indígenas que comprou no Brasil como escravos, uma do povo Juri e outra do povo Miranha (ou Bora). As duas crianças não eram capazes de se comunicar entre si porque vinham de grupos étnicos diferentes e, apesar de receberem bons cuidados médicos, morreram logo após chegarem à Europa. Martius mais tarde reconheceu que escravizar as crianças foi um erro grave.

De volta à Europa, Martius foi apontado como cuidador do jardim botânico em Munique e, em 1826, se tornou professor de botânica na Universidade de Munique, ficando em ambos os cargos até 1864. Ele devotou a maior parte de sua vida ao estudo da flora brasileira. Um de seus trabalhos mais famosos é a Historia naturalis palmarum, publicado em três grandes volumes entre 1823 e 1850, que descreve e ilustra todos os gêneros da família das palmeiras conhecidos naquela época. Em 1840, ele iniciou a Flora Brasiliensis, que contou com a ajuda de muitos botânico renomados, e continuou a ser publicada após sua morte até 1884.

Retrato de Carl Friedrich Philipp von Martius em 1850 por E. Porrens.

Martius morreu em 13 de dezembro de 1868 em Munique aos 74 anos.

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Referências:

Wikipedia. Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em <
https://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

Wikipedia (em Alemão). Carl Friedrich Philipp von Martius. Disponível em < https://de.wikipedia.org/wiki/Carl_Friedrich_Philipp_von_Martius >. Acesso em 16 de abril de 2019.

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Quarta de Quem: Adolf Schlagintweit

por Piter Kehoma Boll

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Hoje vou apresentar a vocês um explorador alemão que teve uma morte trágica e precoce.

Adolf von Schlagintweit nasceu em 9 de janeiro de 1829 em Munique, o segundo filho de Rosalie Seidl e Joseph Schlagintweit, um oftalmologista. Ele tinha quatro irmãos, Hermann, Eduard, Robert e Emil. Joseph ensinou ciência a seus filhos em casa e despertou neles o desejo de se tornarem exploradores, o que todos os cinco fizeram, ficando conhecidos como Os Irmãos Schlagintweit.

Retrato de Adolf von Schlagintweit por Julius Schlegel.

Com seu irmão mais velho, Hermann, Adolf estudou a geografia dos Alpes de 1846 a 1848, publicando um estudo sobre isso em 1850 intitulado
Untersuchungen über die physikalische Geographie der Alpen. Mais tarde, os dois irmãos receberam a companhia de seu irmão mais novo Robert e juntos os três publicaram novos estudos sobre os Alpes em 1854 em um trabalho chamado Neuer Untersuchungen über die physikalische Geographie und Geologie der Alpen. Neste tempo, o famoso botânico e explorador Alexander von Humboldt estava interessado em estudar a geologia do subcontinente Indiano, mas estava velho demais para fazê-lo ele mesmo, então convenceu a East Indian Company a contratar os três irmãos Schlagintweit para fazê-lo.

Viajando até a Índia, os três irmãos começaram explorando o planalto do Decão na Índia central e de lá se moveram para o norte em direção aos Himalaias. Eles não viajaram juntos e só se reuniam ocasionalmente. A última reunião dos três aconteceu no outono de 1856 e, no começo de 1857, Hermann e Robert retornaram à Europa, mas Adolf decidiu ficar e continuar explorando.

Depois de cruzar as montanhas do Tibet, Adolf acabou perto de Kashgar, uma região que atualmente é parte da China, perto das fronteiras com o Quirguistão e o Paquistão. A região estava nessa época em conflito, com os Khojas do Turquestão Oriental reivindicando o território e o invadindo constantemente. O líder dos Khojas neste período era Wali Khan, que era notório por sua brutalidade e tirania.

Apesar de todos os alertas de membros de seu group, que começaram a desertar, e de pessoas fugindo da região, Adolf estava decidido a chegar a Kashgar, e assim o fez. Nos limites da cidade, ele foi encontrado pelos Khojas e levado diante do Khan. Sem ver serventia para exploradores europeus vagando por seu território, Wali Khan acusou Adolf de ser um espião trabalhando para os chineses e o fez ser decapitado em 26 de agosto de 1857, na tenra idade de 28 anos.

Em 1859, o etnógrafo cazaque Shoqan Walikhanov, disfarçado de mercador, visitou Kashgar e encontrou o caderno de Adolf em uma venda de tabaco, onde estava sendo usado para enrolar folhas de tabaco. Ele comprou o caderno e conseguiu rastrear um crânio que muito provavelmente era o de Adolf. Ele levou o caderno e o crânio consigo para o Império Russo, o que permitiu que as circunstâncias sobre a morte de Adolf finalmente chegassem à Europa e a sua família.

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Referências:

ExecutedToday.com. 1857: Adolf Schlagintweit, intrepid explorer. Available at < http://www.executedtoday.com/2009/08/26/1857-adolf-schlagintweit-wali-khan-kashgar/ >. Access on January 8, 2019.

Wikipedia. Adolf Schlagintweit. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Adolf_Schlagintweit >. Access on January 8, 2019.

Wikipedia (in German). 
Adolf Schlagintweit. Available at <https://de.wikipedia.org/wiki/Adolf_Schlagintweit >. Access on January 8, 2019.

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