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Sexta Selvagem: Falo-impudico

por Piter Kehoma Boll

Hoje as coisas vão se tornar meio pornográficas de novo. Algum tempo atrás eu apresentei uma planta cujas flores lembram uma vulva humana, a clitória-azul, e agora é hora de olharmos para algo do outro sexo. E o que seria melhor do que um pênis sem vergonha? Essa é basicamente a tradução do nome desse cogumelo, Phallus impudicus, que em português pode ser chamado de falo-impudico, assim mantendo o mesmo significado, mas de forma mais elegante.

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Orgulhoso e sem vergonha. Foto do usuário do flickr Björn S…*

Encontrado através da Europa e em partes da América do Norte em florestas decíduas, o falo impudico é facilmente reconhecível por seu formato fálico e ainda mais pelo seu cheiro horrível que lembra carniça. Esse odor atrai insetos, especialmente moscas, que levam os esporos para longe. Esse é um método diferente do usado pela maioria dos fungos, que simplesmente liberam os esporos no ar. Algumas pessoas podem confundir o falo-impudico com as morelas (gênero Morchella), mas os dois são completamente diferentes, pertencendo a diferentes filos.

Apesar do cheiro ruim, o falo-impudico é comestível, especialmente no início de seu desenvolvimento, quando ele se parece com um ovo. Devido ao seu formato fálico, ele também é visto como um afrodisíaco em algumas culturas, como é comum com formas de vida em formato de genitália.

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O corpo de frutificação imaturo do Phallus impudicus é a forma mais comumente consumida. Foto de Danny Seteven S.*

O falo-impudico parece ter algumas propriedades anticoagulantes e pode ser usado por pacientes suscetíveis a trombose nas veias, como pacientes tratando câncer de mama.

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Referências:

Kuznecov, G., Jegina, K., Kuznecovs, S., & Kuznecovs, I. (2007). P151 Phallus impudicus in thromboprophylaxis in breast cancer patients undergoing chemotherapy and hormonal treatment The Breast, 16 DOI: 10.1016/s0960-9776(07)70211-4

SMITH, K. (2009). On the Diptera associated with the Stinkhorn (Phallus impudicus Pers.) with notes on other insects and invertebrates found on this fungus. Proceedings of the Royal Entomological Society of London. Series A, General Entomology, 31 (4-6), 49-55 DOI: 10.1111/j.1365-3032.1956.tb00206.x

Wikipedia. Phallus impudicus. Available at <https://en.wikipedia.org/wiki/Phallus_impudicus&gt;. Access on March 7, 2017.

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Sexta Selvagem: Nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom

por Piter Kehoma Boll

Se você estiver com a cara enterrada na lama no fundo de um lago europeu, pode acabar encontrando alguns destes pequeninos nematódeos conhecidos como Monhystera stagnalis. Como de costume, não há nome comum para a espécie, mas eu decidi chamá-la de nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom. Por quê? Porque ele vive na lama e tem um intestino marrom-avermelhado.

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Um indivíduo de Monhystera stagnalis. Foto de Marco Spiller.*

O nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom está amplamente distribuído pela Europa. Ele habita os sentimentos finos no fundo de corpos de água-doce, tanto estagnados quanto correntes, onde se alimenta de matéria orgânica depositada neste meio, tendo um gosto especial por bactérias. Ele é capaz de sobreviver em poluição orgânica moderada, mas é sensível a baixos níveis de oxigênio.

Ele é uma das espécies de nematódeo mais comuns em seu ambiente e é muito pequeno, medindo cerca de 1 mm de comprimento, com fêmeas sendo ligeiramente mais longas que machos. Eles são encontrados em todas as profundidades do sedimento e possuem uma preferência por ficarem próximos da superfície durante o inverno e mais fundo na lama durante o verão.

As fêmeas são ovovivíparas, o que significa que elas mantêm os ovos dentro de seus corpos até eclodirem, de forma que ficam grávidas de ovos. Apesar de estarmos acostumados a pensar em invertebrados produzindo centenas ou milhares de ovos de uma vez, esse não é o caso do nematódeo-da-lama-de-intestino-marrom. As fêmeas geralmente estão grávidas de um único ovo, às vezes dois ou três. Eles são vermes modestos.

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Referências:

Pehofer, H. (1989). Spatial Distribution of the Nematode Fauna and Production of Three Nematodes (Tobrilus gracilis, Monhystera stagnalis, Ethmolaimus pratensis) in the Profundal of Piburger See (Austria, 913 m a.s.l) Internationale Revue der gesamten Hydrobiologie und Hydrographie, 74 (2), 135-168 DOI: 10.1002/iroh.19890740203

Traunspurger, W. (1996). Autecology of Monhystera paludicola De Man, 1880 – Seasonal, Bathymetric and Vertical Distribution of a Free-living Nematode in an Oligotrophic Lake Internationale Revue der gesamten Hydrobiologie und Hydrographie, 81 (2), 199-211 DOI: 10.1002/iroh.19960810205

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