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Sexta Selvagem: Cesta-de-flores-de-Vênus

por Piter Kehoma Boll

Esponjas são os animais mais esquisitos de todos, mas também alguns dos mais lindos. Uma espécie de beleza especial que é consideravelmente popular é Euplectella aspergillum, popularmente conhecida como cesta-de-flores-de-Vênus.

Cesta-de-flores-de-Vênus no Oceano Pacífico.

Crescendo no fundo do oceano em águas tropicais, a cesta-de-flores-de-Vênus é comum ao redor das Filipinas and este pode ser o único lugar onde ocorre. Outras espécies similares são encontradas em áreas próximas como o Japão, a Indonésia e a Austrália e são comumente confundidas com a cesta-de-flores-de-Vênus. Há, de fato, populações desta espécie identificadas na Austrália e na Indonésia, dentre outras áreas próximas das Filipinas, mas são consideradas subespécies devido a diferenças morfológicas sutis e podem de fato ser espécies completamente separadas.

A cesta-de-flores-de-Vênus é uma esponja de tamanho médio, medindo até 1,3 m de altura, apesar de a maioria dos espécimes medir entre 10 e 30 cm. O corpo é branco e possui vários poros que a fazem parecer uma cesta alongada, daí o nome comum. O ósculo, a grande abertura no topo, é coberto por uma rede de fibras que faz seu interior inacessível a organismos maiores.

Esqueleto de uma cesta-de-flores-de-Vênus. Créditos ao Auckland Museum.*

Recentemente, a cesta-de-flores-de-Vênus chamou a atenção de cientistas por causa da complexidade estrutural de seu esqueleto, o qual é composto por sílica (isto é, vidro). Estudos mostraram que as espículas de ancoração, isto é, aquelas que prendem a esponja ao substrato, são similares a fibras ópticas artificiais em relação a suas propriedades, mas são melhores em relação à resistência. Entender o caminho detalhado usado pelas esponja para construir estas espícula poderia levar ao desenvolvimento de maneiras mais fáceis de criar fibras ópticas e mesmo melhorar sua qualidade.

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Referências:

Monn MA, Weaver JC, Zhang T, Aizenberg J, Kesari H (2015) New functional insights into the internal architecture of the laminated anchor spicules of Euplectella aspergillum. PNAS 1112(16): 4976-498. doi: 10.1073/pnas.1415502112

Shimizu K, Amano T, Bari MR, Weaver JC, Arima J, Mori N (2015) Glassin, a histidine-rich protein from the siliceous skeletal system of the marine sponge Euplectella, directs silica polycondensation. PNAS 112(37): 11449-11454. doi: 10.1073/pnas.1506968112

Tabachnick KR, Janussen D, Menschenina LL (2008) New Australian Hexactinellida (Porifera) with a revision of Euplectella aspergillum. Zootaxa 1866: 7–68.

Weaver JC, Aizenberg J, Fantner GE, Kisailus D, Woesz A, Allen P, Fields K, Porter MJ, Zok FW, Hansma PK, Fratzl P, Morse DE (2007) Hierarchical assembly of the siliceous skeletal lattice of the hexactinellid sponge Euplectella aspergillum. Journal of Structural Biology 158: 93–106. doi: 10.1016/j.jsb.2006.10.027

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*Creative Commons License This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

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Sexta Selvagem: Esponja-gradeada-comum

por Piter Kehoma Boll

Vamos voltar ao mar e a nossos parentes distantes, as esponjas. Hoje vou trazer uma esponja calcária com uma bela aparência, Clathrina clathrus, que eu decidi chamar de “esponja-gradeada-comum”.

Encontrada no Mar Mediterrâneo e na costa europeia do Oceano Atlântico, a esponja-gradeada comum possui uma coloração amarela e cerca de 10 cm de diâmetro. Ela é formada por um emaranhado de tubos que de certa forma lembram uma grade torcida ou algo do tipo.

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Um espécime de Clathrina clathrus com sua aparência gradeada. Foto do usuário Esculapio do WIkimedia.*

O formato e o tamanho dos espécimes é bem variado, mudando em questão de horas por expansão, contração ou dobramento de estruturas e células. Da mesma forma, espécimes frequentemente se fragmentam em outros menores ou fundem para formar outros maiores, de forma que a individualidade é um processo dinâmico.

Recentemente, a esponja-gradeada-comum revelou conter alguns compostos, conhecidos como clatridiminas, que apresentam atividade antimicrobiana contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, bem como contra o fungo Candida albicans. Estes compostos podem ser produzidos pela diversa comunidade de bactérias que vivem em associação íntima com a esponja, uma comunidade que ainda é muito pouco conhecida.

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Referências:

Gaino, E.; Pansini, M.; Pronzato, R.; Cicogna, F. (1991) Morphological and structural variations in Clathrina clathrus (Porifera, Calcispongiae). In.: Reitner, J.; Keupp, H. (Eds.) Fossil and Recent Sponges. Springer-Verlag, Berlin. pp. 360-371.

Quévrain, E.; Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2014) Assessing the potential bacterial origin of the chemical diversity in calcareous sponges. Journal of Marine Science and Technology 22(1): 36-49.

Roué, M.; Domart-Coulon, I.; Ereskovsky, A.; Djediat, C.; Perez, T.; Bourguet-Kondracki, M.-L. (2010) Cellular localization of clathridimine, an antimicrobial 2-aminoimidazole alkaloid produced by the Mediterranean calcerous sponge Clathrina clathrusThe Journal of Natural Products 73(7): 1277–1282.

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*Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons de Atribuição 3.0 Não Adaptada.

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Novas Espécies: 11 a 20 de outubro

por Piter Kehoma Boll

Aqui está uma lista de espécies descritas de 11 a 20 de outubro. Ela certamente não inclui todas as espécies descritas. A maior parte das informações vem dos jornais Mycokeys, Phytokeys, Zookeys, Phytotaxa, Zootaxa, International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology e Systematic and Applied Microbiology, além de revistas restritas a certos táxons.

habronattus-arcalorus

Habronattus arcalorus é uma nova espécie de aranha-saltadora descrita nos últimos 10 dias.

SARs

Plantas

Fungos

Esponjas

Cnidários

Platelmintos

Nematódeos

Tardígrados

Aracnídeos

Miriápodes

Crustáceos

Insetos

Equinodermos

Peixes cartilaginosos

Peixes de nadadeiras rajadas

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