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Sexta Selvagem: Cogumelo-Reishi

por Piter Kehoma Boll

A primeira Sexta Selvagem de 2018 está aqui, e é um querido parasita do Extremo Oriente. Esse adorável cogumelo é cientificamente conhecido como Ganoderma lucidum e não possui nomes nativos em português, mas geralmente é chamado de cogumelo-reishi, a partir do seu nome em japonês 霊芝 (reishi), ou cogumelo-lingzhi, a partir do seu nome chinês 靈芝 (língzhī).

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O belo e brilhante reishi com seu formato de rim. Foto do usuário Mikkie do Wikimedia.*

O cogumelo-reishi, como outras espécies no gênero Ganoderma e na ordem Polyporales, cresce em troncos de árvores, geralmente parasitando árvores vivas e continuando a crescer nelas depois que morrem. O corpo de frutificação maduro é em forma de rim e pode ou não ter um pedúnculo, que é deslocado para o lado, abaixo do lado côncavo do chapéu. O chapéu tem uma cor vermelha envernizada com uma borda mais clara. Ele é facilmente confundido com alguns dos seus parentes mais próximos, como Ganoderma tsugaeG. lingzhi.

Tradicionalmente usado na medicina chinesa, o cogumelo-reishi era considerado o “cogumelo da imortalidade” e dito melhorar o coração e a mente. Recentemente ele demonstrou, em estudos de laboratório, possuir muitos usos potenciais para o tratamento de diferentes doenças. Por exemplo, seus corpos de frutificação liberam polissacarídeos que apresentaram a habilidade de aumentar a produção de citocinas de glóbulos brancos humanos, o que aumenta atividades antitumorais. Outros estudos identificaram compostos com potencial atividade anti-HIV e a habilidade de reduzir os níveis de açúcar no sangue.

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Referências:

El-Mekkawy, S.; Meselhy, M. R.; Nakamura, N.; Tezuka, Y.; Hattori, M.; Kakiuchib, N.; Shimotohnob, K.; Kawahatac, T.; Otakec, T. (1998) Anti-HIV-1 and anti-HIV-1-protease substances from Ganoderma Lucidum. Phytochemistry49(6): 1651–1647. https://doi.org/10.1016/S0031-9422(98)00254-4

Wang, S.-Y.; Hsu, M.-L.; Hsu, H.-C., Lee, S.-S.; Shiao, M.-S.; Ho, C.-K. (1997) The anti-tumor effect of Ganoderma Lucidum is mediated by cytokines released from activated macrophages and T lymphocytes. International Journal of Cancer70(6): 699–705. Doi: 10.1002/(SICI)1097-0215(19970317)70:6<699::AID-IJC12>3.0.CO;2-5

Wang, Y.-Y.; Khoo, K.-H.; Chen, S.-T.; Lin, C.-C.; Wong, C.-H.; Lin, C.-H. (2002) Studies on the immuno-Modulating and antitumor activities of Ganoderma lucidum (Reishi) polysaccharides: functional and proteomic analyses of a fucose-Containing glycoprotein fraction responsible for the activities. Bioorganic & Medicinal Chemistry, 10(4): 1057–1062. https://doi.org/10.1016/S0968-0896(01)00377-7

Wikipedia. Lingzhi mushrom. Disponível em: < https://en.wikipedia.org/wiki/Lingzhi_mushroom >. Acesso em 31 de dezembro de 2017.

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Arquivado em Fungos, Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Cerejeira-dos-Cinco-Sabores

por Piter Kehoma Boll

Vindo das florestas do Norte da China, da Coreia e do Leste da Rússia, nosso novo camarada é um cipó chamado Schisandra chinensis que pode popularmente ser referido como cerejeira-dos-cinco-sabores.

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Os belos frutos vermelhos da cerejeira-dos-cinco-sabores. Foto de Vladimir Kosolapov.*

Usada na medicina tradicional chinesa, a planta é considerada uma das 50 ervas fundamentais. A parte da planta mais comumente usada são as frutas, que são conhecidas como cerejas-dos-cinco-sabores ou frutas-dos-cinco-sabores. O nome é uma tradução do nome chinês, 五味子 (wǔwèizi), porque a fruta é dita conter todos os cinco sabores chineses básicos: salgado, doce, azedo, apimentado e amargo. Uma infusão preparada com as frutas secas é chamada de chá omija ou omija-cha, a partir do nome coreano dos frutos.

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Uma xícara de chá omija. Foto de Raheel Shahid.**

Os usos tradicionais da cerejeira-dos-cinco-sabores incluem o tratamento de desordens relacionadas principalmente aos órgãos sexuais. Vários estudos recentes por experimentos em laboratório indicaram que a planta possui um grande número de propriedades benéficas, incluindo propriedades antioxidantes e a habilidade de aumentar a resistência, habilidade de trabalho, acurácia de movimentos e habilidade mental. Ela também parece ser útil no tratamento de várias doenças e desordens, especialmente inflamatórias, como sinusite, otite, neurite, dermatite e gastrite, bem como em algumas doenças infecciosas como gripe e pneumonia, entre várias outras condições.

Eu certamente estou interessado em provar um copo de chá omija. E você? Já teve a chance?

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Referências:

Panossian, A.; Wikman, G. (2008) Pharmacology of Schisandra chinensis Bail.: An overview of Russian research and uses in medicine. Journal of Ethnopharmacology 118(2): 183-212. https://doi.org/10.1016/j.jep.2008.04.020

Wikipedia. Schisandra chinensis. Available at < https://en.wikipedia.org/wiki/Schisandra_chinensis >. Access on October 31, 2017.

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Arquivado em Botânica, Sexta Selvagem

Sexta Selvagem: Fungo-da-lagarta-chinês

por Piter Kehoma Boll

A maior parte de vocês deve ter ouvido falar daqueles fungos terríveis que transformam pobres insetos em zumbis, mas você sabia que um deles é usado na China como comida? Bem, o que NÃO é usado como comida pelos chineses, não é? Enfim, esse fungo é Ophiocordyceps sinensis (antigamente conhecido como Cordyceps sinensis), mas você pode chamá-lo de fungo-da-lagarta-chinês.

O fungo é conhecido como fungo-da-lagarta porque ele infecta larvas (lagartas) de várias mariposas-fantasmas (família Hepialidae). As lagartas vivem no subsolo em prados do Planalto Tibetano e se alimentam de raízes de muitas espécies de plantas. Elas eventalmente podem se infectar com os esporos do fungo, o que as leva a um fim terrível. Dentro da lagarta, o fundo começa a crescer, preenchendo o hospedeiro com hifas em forma de cordão e forçado-o a se mover para cima, mais perto da superfície, onde morre com a cabeça virada para cima. O fungo começa a crescer para fora da cabeça da lagarta morte e forma um pequeno botão. Depois que o inverno passou, o botão cresce para cima, emergindo do solo e formando um corpo de frutificação alongado que libera novos esporos no ambiente. Este é o estágio e que o fungo é colhido por humanos, junto com a lagarta.

O corpo de frutificação de Ophiocordyceps sinensis emergindo da cabeça de uma lagarta morta. Foto de Nicolas Merky.*

O corpo de frutificação de Ophiocordyceps sinensis emergindo da cabeça de uma lagarta morta. Foto de Nicolas Merky.*

O fungo possui vários usos médicos nas medicinas tibetana e chinesa. Ele é considerado como tendo efeitos afrodisíacos e rejuvenescedores e também é usado contra o câncer e para estimular o sistema imunológico, bem como para tratar doenças respiratórias e circulatórias, problemas dos rins e no fídago, fadiga, hiperglicemia, hiperlipidemia, astenia e muitas outras enfermidades. A medicina chinesa o considera como tendo um excelente balando de yin e yang, já que ele é “tanto animal quanto planta”. Vários metabólitos bioativos foram isolados do fungo e alguns deles demonstraram atividade antimicrobiana e antitumoral.

Como resultado desse uso como uma panaceia, o fungo tem sido colhido em excesso em seu habitat natural e é atualmente considerado uma espécie em perigo na China. Ele é, portanto, considerado raro hoje em dia e seu preço pode ser mais alto que o do ouro. O fungo pode ser cultivado em uma cultura líquida ou de grãos, mas tentativas de criá-lo dentro de lagartas não foram bem sucedidas.

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Referências:

Zhang, Y.; Li, E.; Wang, C.; Li, Y.; Liu, X. 2012. Ophiocordyceps sinensis, the flagship fungus of China: terminology, life strategy and ecology. Mycology 3 (1): 2–10. DOI: 10.1080/21501203.2011.654354

Wikipedia. Ophiocordyceps sinensis. Disponível em < https://en.wikipedia.org/wiki/Ophiocordyceps_sinensis >. Acesso em 26 de maio de 2016.

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